Nesse lugar aqui atrás de mim acontece o maior tráfico humano da Ásia. Dois jovens brasileiros foram vítimas de tráfico humano. Dois jovens brasileiros que decidiram tentar a vida na Ásia e acabaram virando vítimas do tráfico humano.
Lucas e Felipe caíram num golpe e se tornaram vítimas de tráfico humano. Tráfico humano envolvendo dois brasileiros. Eles teriam sido sequestrados no sudeste asiático.
O sudeste asiático é famoso por suas praias e belezas naturais, mas existe um lado obscuro que ninguém fala muito sobre. Nesse vídeo, nós vamos investigar como acontece o tráfico de pessoas na fronteira da Tailândia com seu país vizinho, Myanmar. Lugar esse onde dois brasileiros foram traficados em 2024.
Nosso objetivo aqui não é só expor, mas também alertar para que isso não aconteça com outras pessoas. Nossa jornada começa em Bangkok, capital da Tailândia, onde vamos partir rumo a Mais sote, a cidade que faz fronteira com o Miamar e onde tudo isso acontece. Acabamos de embarcar no A gente tá aqui em Bangkok e a gente tá indo uma mais sot.
Vai ser uma viagem longa, porque vão ser 8 horas dentro desse ônibus aqui. E uma das coisas que a gente percebeu que é muito comum, só tem tailandês e a gente é o único turista por aqui, porque Myot não é uma cidade turística, é longe e não tem muita coisa para fazer lá, né? É, mas acho que você só faz fronteira com Miamar, então é bem longe.
É isso. Vamoscar essas horinhas aí pra gente investigar o que tá acontecendo lá na fronteira com Miha. [música] Já chegamos aqui mais sorte.
E quanto mais perto a gente estava aqui da cidade, tinha mais postibus parava. Acho que a gente parou umas oito, nove vezes. E teve uma hora até que um policial entrou no ônibus para fazer uma checagem, para ver os documentos de todo mundo.
Essa região aqui é uma área que tá sendo muito bem vigiada. E aí agora a gente alugou a nossa motinha, a gente pegou uma moto aqui atrás e a gente agora vai rumo aonde tudo acontece, vê de perto o que tá acontecendo aqui na fronteira com Myanmar. Maisote é uma cidade pequena no oeste da Tailândia, com ruas simples e gente por todos os lados.
A cidade em si é bem tranquila e aparentemente normal como qualquer outra. Essa aqui atrás de mim é a fronteira oficial. A gente veio aqui primeiro dá uma olhada.
E claro, não é aqui onde acontece as coisas, porque tudo que acontece é algo ilegal. Eles fazem de uma forma ilegal. E aqui é a fronteira entre o Miamá e a Tailândia.
A oficial é onde os tailandeses e o pessoal do Miamá podem transitar entre os entre os dois países. E pra gente que é de fora tá fechado. A gente não consegue passar nessa fronteira aqui porque tá tendo uma guerra civil no Miam.
tá tendo vários problemas lá no Miha que a gente vai contar mais paraa frente com mais detalhes mais pra frente do vídeo. E eles atravessam através de uma ponte, se chama Ponte da Amizade. Então aqui é o posto e aí você atravessa até chegar lá no Miamar.
E como o Can falou pra gente, turistas estrangeiros tá fechado, então a gente não pode ir lá nem fazer turismo nem nada por todos os riscos. É uma área muito eh instável e perigosa. E a gente só veio dar uma olhada, mas como disse também não é aqui que acontecem as coisas porque aqui é tudo oficial.
E é isso. Só é aqui eles usam muito, o pessoal da Tailândia vai para lá para eles comprarem mercadorias, parentes, visitar parentes, pessoal de lá vem muito trabalhar aqui. Então eles podem, eles têm essa, essa facilidade de ir para lá e voltar.
Agora, para todas as pessoas que são de outros países, a gente não consegue ir pro Mamá por essa fronteira aqui, porque tá fechada para estrangeiros. E essa fronteira aqui já fechou e já abriu várias vezes por causa da instabilidade da guerra civil que tem lá e agora acho que permanece fechada desde 2021, se eu não me engano. Então é, é para prevenir que coisas ruins aconteçam, né?
Já que minha Marta tá nessa guerra civil e nessa instabilidade. E aqui na fronteira já tem aviso, ó. Tome cuidado para não tomar golpe e não ser torturado pelo golpe do call center bem aqui na fronteira oficial para quem vai pro Miamar.
Eles já bota esse aviso pra pessoa tomar cuidado. Isso porque não é nessa fronteira que acontece, é numa fronteira, é em partes do rio ilegal, mas eles já deixam aviso porque é algo muito comum, infelizmente. Criminosos publicam vagas de emprego nas redes sociais, como Facebook, TikTok, Telegram, sempre oferecendo salários altos que vão de 1.
000 até $. 000 com a promessa de que a pessoa vai trabalhar na Tailândia. No post da vaga, a localização da empresa fica em Mais só ou até mesmo em Bangkok.
oferecem trabalhos como professor, telemarketing, motorista, sem exigir experiência e com hospedagem e voo pagos pela suposta empresa. Aceitando a vaga, eles pagam a passagem para Bangkok e assim que sair do aeroporto, a pessoa vai ter um motorista esperando por ela. Já no carro, o motorista dá uma desculpa que a pessoa vai ter que encontrar o gerente da empresa na cidade de Maisote.
Isso acontece durante a madrugada e no meio do caminho para Maisote, eles trocam de carro duas vezes para confundir a pessoa sem perceber a pessoa já não tá mais na Tailândia e sim no Meamar. No Myanmar, ela é obrigada a trabalhar forçado, dando golpes online, sem contato com a família. E se recusar a trabalhar, a pessoa sofre punições pesadas.
As fronteiras ilegais não são longes e ficam apenas 20 minutos da fronteira oficial. E o caminho foi ficando diferente. As ruas mais desertas, com estrada de terra, poucas casas em voltas e muito mato ao redor.
E a gente acabou de chegar onde, infelizmente, tudo isso acontece. Desse lado aqui que eu tô, que é onde a gente tá, é a Tailândia e ali já tem o rio e do outro lado já é o Myanmar. E ali tão os complexos onde eh as pessoas que são traficadas ficam presas.
Elas são conhecidas como cidades, cidades golpes por tudo que acontece lá dentro. E assim, é bem difícil táar aqui. Vou falar para vocês a verdade.
Eh, eles atravessam as pessoas pelo rio e ali já tem até um caminhozinho. Como essa parte do rio é baixa, dá para atravessar andando, mas eh às vezes também eles atravessam de barco. Depois de todo aquele caminho de carro.
A pessoa chega nesse rio aqui e é forçada a entrar em um barco e atravessar o rio que separa a Tailândia do Miamar. É nessa que ela acaba sendo transferida para uma das cidades golpes. Durante essa travessia, normalmente tem soldados armados para controlar e intimidar as vítimas para que ninguém fuja.
E normalmente isso acontece de noite para madrugada, quando ninguém vê. Tanto que tem algumas casas há poucos minutos daqui e a pessoa, como tá à noite de madrugada, a pessoa nem percebe que ela tá saindo da Tailândia, porque não dá para ter meio que um meio que associar que você tá saindo da Tailândia. Então, por isso que, infelizmente, muitas muitas coisas dessas acontecem.
E a pessoa só vai saber que ela tá em outro país, às vezes depois de dias, porque ela não tem muito, não dá para saber, é simplesmente um rio que divide os outros países. Então não dá para saber muito que você tá indo para outro país. De noite ainda, que esse lugar aqui é totalmente escuro, então a pessoa só vai sendo levada para lá e depois de algum tempo que ela se dá conta que ela não tá mais na Tailândia, ela tá no Myanmar e que ela foi e ali as autoridades já não têm controle de nada.
Dá para ver ali também, ó, que estão construindo mais. E esse foi um dos motivos que a fronteira oficial também tá fechada pros estrangeiros, porque cada vez mais esses complexos, esses complexos eles estão se expandindo, então eles estão criando cada vez mais e sempre aqui pela borda do rio. É difícil, é difícil tá aqui saber tudo que acontece ali do outro lado.
E a gente acabou de encontrar o barco que eu acabei de falar para vocês, que às vezes quando a maré tá alta, eles atravessam as pessoas de barco. Tá bem ali, ó, escondido atrás das árvores, cara. Aí realmente, ó, é um barco que tá meio que escondido, velho.
Olha isso. Não parece ser um barco que não funcione o que tá abandonado. Parece que eles simplesmente esconderam o barco aqui no meio dos matos para não ter muito pr pra gente não conseguir ver muito.
Ó, parece que eles deixaram o barco aqui para quando eles forem fazer o transporte das pessoas, eles colocarem o barco na água e utilizar. Na verdade, isso aí são verdadeiras cidades. Esses complexos são tão grandes que é tipo uma cidade ali.
Então a gente consegue ver só uma parte deles porque é muito muito grande. Cara, é muito difícil a gente tá aqui vendo porque lá do outro lado tem milhares de pessoas que estão trabalhando forçado e eles não conseguem sair, eles não tm nenhuma ajuda. Não vai dar para ver pela câmera, mas eu tô vendo algumas pessoas se movimentando ali.
E outra coisa que dá para ver é que isso totalmente é totalmente murado, ó, rodeado de muros para que as pessoas não consigam ver. Inclusive aqui também já tem, ó, uma parte tampada para que a gente não consiga ver eh as suas cidades, né, para que também as pessoas é não consigam fugir, né? Nem consigam fugir.
E aqui a gente não consegue subir drone porque é eles interceptam o sinal do outro lado. Então o drone cai que eles fazem tudo para esconder essa cidade aqui da mídia pr as pessoas não saberem o que acontece lá daquele lado. O outro lado, a gente acabou de ver ali do outro lado que tem alguém olhando pra gente.
É como se fosse uma torre de controle. Eu acredito que devem ter várias espalhadas pelos parto, né? pelos complexos para verem as pessoas.
E assim, é uma sensação um pouco estranha porque dá para ver que ele tá olhando pra gente aqui desse lado e sei lá, ele tá meio que falando no rádio, alguma coisa assim. Com certeza ele não deve gostar de da gente tá aqui filmando, né? Então, gravando com certeza, sem dúvidas.
Mas dá pr ver, não dá? Ó, tá com a mão branca. Ele tá olhando bastante pra gente.
A gente é vai sair daqui, né? A gente vai para outro lugar que não tem só esse lugar, tem outros lugares também que acontece a travesseia de pessoas. E vamos continuar aqui o nosso vídeo a gente vai sair daqui já que eu tenho certeza absoluta que ele tá olhando pra gente.
Ele tá andando de um lado pro outro, olhando pra gente. E como Can disse, a gente vai para outro lado, onde também acontece, porque se estende pelo por por muito pelo Rio. E é isso, vamos até lá outro lugar agora.
Vou continuar gravando. Bom, aqui a gente tá sendo muito vigiado. O cara não para de olhar pra gente e a gente vai para outro ponto agora porque ele tá, acho que não vai dar para ver na câmera, mas ele tá bem ali.
Ele tá parado, fixado na gente. Ele tá andando de um lado pro outro. Vamos sair daqui.
E a gente saindo aqui, ó, de onde a gente estava ali agora do rio, tem vários rastros, né, de carro, marcas de carro. ia seguindo esse caminho aqui e a gente se deparou com um aviso desse tamanho, avisando que aqui é uma área de fronteira e que tailandeses e pessoas eh estrangeiras estão sendo enganadas para trabalhar com relações públicas no Myanmar, na borda do Miamar, né, na fronteira. e que aqui só tem desperdício, desperdício de tempo, desperdício de futuro, desperdício de liberdade e da vida para tomar cuidado.
Olha o tamanho da placa. E tem até uns números aqui, né, pra pessoa caso precise de ajuda, precis ajuda, ó, ligar para esse número aqui ou para esse número aqui, ó, porque eles podem, talvez podem, possam ajudar. E outra coisa, com uma um aviso desse tamanho, dá para ver que é algo muito comum por aqui.
E acabamos de chegar aqui em mais um ponto. Aqui atrás de mim tá o Caca Park, que é o maior complexo, onde a grande maioria das pessoas que são levadas para lá ficam. Por ser um dos maiores, estima-se que tem mais de 100.
000 pessoas. E ali é como fosse uma cidade, tem escritório, supermercado, restaurante, até hospital. Então é literalmente uma cidade e é um espaço gigantesco e tá sendo ainda mais construído.
A gente tentou ir para uma outra entrada que a gente conseguiria ver bem de frente como que é o complexo, só que o exército tailandês tá tomando conta aqui, eles não estão deixando a gente entrar, então a gente até, eu até perguntei, eles falaram que não podia entrar, então a gente foi para outro lugar para conseguir ver, mas aqui já dá para ter uma dimensão de como é. E essas cidades golpes, elas funcionam como pequenas comunidades de criminosos e elas são comandadas pela milícia e por esses criminosos. Então, não é por uma lei oficial, o governo não tem voz aqui.
E mais para frente a gente vai explicar um pouquinho melhor como isso funciona. Olha, a gente tá vendo pessoas agora do outro lado do rio. Não dá para saber muito o que que é.
Quem são eles, velho. Estão atravessando. Primeiro foi um grupo de quatro meninos também.
Então lá na frente, ó, estão aí em cima e atrás esse grupo de mais três aqui, ó. É muito louco pensar que a gente tá sendo separado só por um rio. Tudo isso tá acontecendo ali do outro lado, muito perto da gente.
A única coisa que impede da gente tá junto é esse rio aqui, porque é muito, muito perto da Tailândia. Ol, a gente tá aqui a poucos metros. Se fosse para andar aqui ou para ir atravessar de barco, em 2, 3 minutos a gente estaria do outro lado ali.
Numa das cidades dos criminosos. E é uma sensação ruim ao mesmo tempo, porque a gente tá aqui desse lado e a gente não pode fazer nada e a gente sabe que tem milhares de pessoas de várias nacionalidades lá do outro lado presas sem poder sair. E essas cidades golpes são todas muradas, vigiadas 24 horas para que ninguém possa escapar ou fugir.
São alguns motivos que fazem o governo fechar os olhos para tudo isso que acontece aqui nessa região. Mear tá em uma guerra civil agora e o país vive uma crise política com vários conflitos internos entre a população que não aceitou que os militares estão no poder, dos militares e de vários grupos armados dentro do país. Então o governo tá mais preocupado em continuar mantendo esses militares no poder do que realmente combater todos esses crimes que acontecem aqui nessa região.
Então eles meio que fecham os olhos para isso. E quem manda nessa cidade de golpes, em toda essa área que acontecem essas coisas, são milícias locais e grupos armados, tipo facções. E muitas dessas áreas o governo nem tem acesso.
Então por isso que eles não intervem de jeito nenhum e também pela questão do país est nessa guerra civil, eles estarem mais preocupados com o governo em si. E com maior e todo respeito, a gente quer comentar do caso dos dois brasileiros, do Lucas de 31 anos e do Felipe de 26, que infelizmente acabaram caindo num golpe desses. Eles foram enganados com uma proposta falsa de trabalho aqui na Tailândia.
Então para virem trabalhar aqui na Tailândia, eles acabaram sendo levados lá para outro lado, pro Miamar, final de 2024. E lá dentro eles eram obrigados a se passarem por mulheres em redes sociais para aplicar golpes onlines e arrancar dinheiro dessas pessoas com quem eles estavam conversando. Os dois brasileiros ficaram semanas sem se comunicar com a família, até que um deles conseguiu enviar uma mensagem pra mãe sem que ninguém descobrisse, até porque eles eram monitorados o tempo todo.
Aí a mãe dele começou a repercutir o caso na internet, contar o que estava acontecendo para que chegasse no maior número de autoridades possíveis para que eles conseguissem ser resgatados e acontecesse alguma coisa. E lá dentro eles tinham metas de golpes semanais e mensais. E se eles não alcançassem a meta, eles eram torturados.
E as punições são as mais diversas possíveis, como choque, espancamento, tem que fazer sem agachamentos com uma plataforma de pregos embaixo ou até mesmo isolamento no escuro. Eles ficavam 17 horas trabalhando e basicamente era um trabalho escravo e quem não desse resultado pagava por isso. Depois de 4ro meses nessa tortura aí, eles e mais de 85 pessoas de várias nacionalidades decidiram fugir na madrugada, mas infelizmente foram capturados pelos guardas.
E quando eles estavam sendo espancados, chegou um outro grupo armado que foi que resgatou eles e trouxe de volta aqui pra Tailândia. Isso aconteceu por conta de toda a repercussão do caso. Uma ONG internacional decidiu ajudar eles e começou a negociar com os milicianos.
Grupo armado ajudou eles a sair do Myanmar e voltar aqui para Tailândia, onde eles ficaram mais seguros. O que aconteceu com eles acontecem todos os anos com milhares de pessoas de várias nacionalidades. Esse vídeo aqui se vai de alerta para outras pessoas não caírem golpes como esse.
Sempre duvide, por mais boa que a proposta de emprego seja, sempre pesquise antes de aceitar qualquer oferta de emprego em outro país.