bem-vindos a mais um vídeo do canal saber cotidiano hoje a gente inicia uma nova série aqui no canal uma série que tem a ver com temas já tratados sobre perspectivas novas perspectivas epistemológicas ou seja novas formas como a gente encara a produção do conhecimento e que referências que a gente traz para balizar essa construção do conhecimento nesse caso aqui a gente vai continuar falando da nossa herança das nossas possibilidades de repensar a produção do conhecimento que tem a ver com dinâmicas um pouco diferentes das atrasadas pelo pensamento ocidental colonizado a gente vai trazer aqui novas
perspectivas principalmente relacionadas às matrizes africanas de pensamento e a minha grande inspiração para esta série foi o texto foi o livro da lei da Maria Martins performance do tempo espiralar que é um livro bem denso um livro bem difícil se a gente não tiver essa base de conhecimento prévio sobre a construção do pensamento a forma como o pensamento ocidental se construiu destruindo né causando epistemicídios Há outras formas de pensar e principalmente se a gente não tiver em mente as referências que eu já trouxe aqui em vários outros vídeos por exemplo de ancestralidade de Encruzilhadas a
própria noção de Exu e toda a ideia né do que é este sistema muito mais rico muito mais interessante de se pensar a vida a existência inconsonância com a morte como parte de um mesmo uma mesma dinâmica né que dá permite dar continuidade as diferentes ações nesse espaço que a gente vive que é tão plural pois bem então para começar eu acho que o primeiro ponto interessante da gente refletir que a gente pode até trazer aqui como um dos elementos mais interessantes do livro da lei da Maria Martins é a ideia do tempo pois bem
a gente já sabe né que o ocidente cálculo a ideia de um tempo a ideia do tempo como algo linear como algo que existe dentro de uma narrativa de começo meio e fim que existe dentro de narrativa de progresso de evolução né e o tempo neste caso ele é de fato um local onde a gente percebe movimentos né o tempo ele se grava nos movimentos ele se grava no desenrolar de ações de eventos mas que ele de alguma maneira ele enterra numa noção de irreversibilidade Ou seja a ideia de que existe um ir para frente
nunca ir para trás porque isso até significaria um retrocesso Né desde a Grécia a gente percebe que essa noção de tempo então ela se expressa por uma ideia de mais de sucessividade pela substituição do velho pelo novo uma direção sempre olhando para o futuro né e uma Divisão muito clara entre o presente passado futuro um tempo mais linear mas numérico do primeiro segundo terceiro que vem antes o que vem em seguida e esse tempo ele se exprime principalmente no ocidente pelo âmbito da escrita da palavra escrita o tempo ele se inscreve como uma escritura e
cada cultura ela tem suas concepções de tempo traduzidas e refletidas por meio da palavra escrita É nesse sentido que a escrita ela é vista como um lugar de memória nos lugares mais importantes para o ocidente né além Claro das práticas de ritos rituais que tem né A gente já falou aqui do victorner o processo ritual a importância da percepção de um outro tempo dentro desse tempo mais linear né o tempo ritual como um tempo de pausa de inflexão um tempo específico que ronca um pouco com essa lógica mas na maioria das vezes né o tempo
tradicional ele é uma sucessão de eventos e ele se ele se grafa através da palavra que vai ser a memória do que foi o passado é claro também que a gente tem [Música] possibilidades de voltar ao passado de transgredir um pouco essa lógica a arte permite muito isso a poesia permite muito isso a gente romper com essa linearidade absoluta a gente permitir a existência e a presença de ciclos de retornos de simultaneidades de reversibilidades né o ritmo os ritos a poesia tudo isso traz para a gente essas condições outras de se pensar sobre o tempo
pois bem O que a lei da Maria Martins vai trazer de novo e de muito interessante e atual e realmente é interessante a gente Trazer isso para a gente até pensar a nossa sociedade a gente pensar a forma como a gente lida com os eventos que nos sucedem é uma concepção totalmente diferente né a concepção de vários várias etnias várias culturas de África sobre o tempo que Diferentemente do que muitos acreditam não é que ela não considera a palavra como Loucos de expressão da experiência temporal mas a palavra é cumprir é parte de um prisma
muito maior de outras linguagens linguagens que também se processam pelo corpo pelos gestos pelas danças pelos ritos até pelas formas né de comer de se vestir se relacionar existem outros modelos aí em jogo e a palavra apenas nenhum deles que constitui essa experiência temporal [Música] aí é claro se faz necessário a gente voltar um pouco né E falar justamente disso né de como essa oralidade obviamente dominante na sociedades africanas mas não exclusivamente única é uma maneira de escrever o tempo o tempo no corpo o tempo no Gesto o tempo no rito o tempo que ele
passa mas ele se atualiza porque esse tempo ele tem a ver com não apagamento do passado mas de digamos assim reavivar a força vital e nós daqueles que foram Antes de nós ou seja a ideia de ancestralidade enquanto no ocidente colonizador a escrita então atua como instrumento que vai apagar né ter pelo menos tentar apagar outros saberes a escrita se torna fonte de conhecimento oficial e negligencia os saberes corpóreos tenta até através desse processo a pagar né gerar o epistemicídio o pagamento de conhecimentos gerar ostracismo gerar segregação gerar estigma né coisas que a gente vê
até hoje na importância do letramento da nossa sociedade aqui a gente não tá dizendo que as pessoas não tem que aprender a ler e não tem que aprender a se comunicar através da escrita mas a gente tem que refletir sobre como a escrita apenas ela é um instrumento poder que pode gerar efeitos perniciosos se a gente desconsidera essas outras formas de saber então enquanto a escrita no ocidente teve esse papel inclusive no nosso país né a performance o corpo né vai dizer lei da mulher Martins ela teve o papel de resistência ela permitiu sobreviver permitir
permitir a sobrevivência de todos esses saberes Ou pelo menos uma parte deles e criou o que ela vai chamar de corpora de conhecimentos que conseguiu então trazer à tona até hoje né apesar das tentativas sucessivas já pagamento ela conseguiu trazer de forma camuflada de forma de outra forma de forma recriada todos esses saberes encorpados que se encontravam nos corpos em performance talvez se a sociedade de África tivessem exclus escritas né seria mais fácil até de destruir de gerar esse epistemicídio agora o saber que tá no corpo ele é passado né o saber que tá no
corpo até por não ser tão acessível a episteme Colonial ele conseguiu encontrar uma festa de sobrevivência é claro que não é uma digamos assim uma cópia ou uma reprodução extremamente igual do saberes de África mas são releituras são formas de repetição que nunca são iguais é uma repetição que cria coisas novas né E que constituem uma nova linguagem que constroem novas epistemologias Então essa é um primeiro aprendizado aqui da lei da Maria Martins que eu tô trazendo aqui no canal e que a gente pode se aprofundar ainda mais nos vídeos que vão seguir essa série
espero que vocês gostem e acompanhe até a próxima [Risadas]