[Música] a busca pela experiência espiritual ainda que a experiência religiosa vigore como um dado presente singular Talvez seja mais pertinente falar em experiência espiritual caso se queira buscar um campo de maior universalidade há que distinguir entre religião e espiritualidade Como tão bem mostrou da La lama a espiritualidade está relacionada com qualidades do Espírito humano tais como o amor a compaixão a paciência a hospitalidade a atenção a delicadeza e a doação São qualidades que independem de uma vinculação Religiosa e qualquer indivíduo é capaz de desenvolvê-las mesmo em alto grau mesmo não pertencendo a um sistema religioso
determinado pode-se até dispensar a religião mas não essas qualidades espirituais básicas uma série de autores não religiosos tem hoje sublinhado a importância da vida espiritual como traço elevado do ser humano e capaz de ser experimentado mesmo fora de uma inserção religiosa é o caso de André comtes pon Ville em seu trabalho sobre o Espírito do ateísmo para ele a espiritualidade tem a ver com a abertura do espírito e o defrontar-se com a vida em profundidade essa abertura ao infinito a eternidade ao singular que existe no próprio sujeito despertando dimensões inusitadas É de fato exercício de
vida espiritual se é verdade que toda religião pertence ao menos em parte à espiritualidade há também que afirmar que nem toda a espiritualidade é necessariamente religiosa a espiritualidade sublinha com ponv é algo que se dá de forma simples e até mesmo banal no domínio da experiência cotidiana diante da força da imanen Dade trata-se do sentimento essencial de estar diante do todo que se apresenta no tempo e que transborda o sujeito por todos os lados criando-se as condições para uma tal experiência algo que requer atenção e disponibilização interior a estupefação diante do Mistério revela-se imediata o
mundo é nosso lugar o céu o nosso Horizonte a eternidade o nosso cotidiano em linha de sintonia com essa perspectiva pode-se também assinalar a reflexão de Pierre AD que fala em exercício espiritual entendido como uma prática voluntária e pessoal de desapego e transformação de si mesmo de descentramento do Ego em favor de uma aliança superior do sujeito com a totalidade das coisas trata-se de uma experiência que não está destacada da vida cotidiana mas que encontra aí o cenário vivo de sua citando uma passagem de wittgenstein a propósito da Mística adô destaca essa singularidade da Maravilha
pela existência do mundo de ser capaz de ver o mundo como um milagre não há como acessar a riqueza de uma tal experiência espiritual fora do cotidiano é ali que os aspectos mais simples ricos e essenciais das coisas encontram sua Guarida em descontinuidade com a lógica prometeica que busca tudo controlar e explicar não há que reaprender o ritmo da imanência que envolve humildade e abertura ou seja saber se instalar silenciosamente no frêmito da contingência há que resgatar hoje no sentido mais terrenal da Mística que envolve uma percepção acurada do cotidiano de forma a desentranhar a
dimensão mistérica que habita o ser humano e toda a criação Thomas merton em seu tempo no eremitério pode realizar essa experiência de uma vida atenta e desperta dizia em página do seu diário não se requer concentração apenas estar presente esse ensinamento Zen já era usual Desde o tempo em que coordenava o noviciado como lembra Ernesto cardenal no livro de suas memórias a vida do contemplativo era simplesmente viver como o peixe na água num espaço especial assumiu radicalmente esse espírito dizia merton o que eu faço é viver como eu rezo é respirar em contato com a
natureza merton sentia-se desperto e respirando atento com todos os sentidos acolhendo com alegria a polifonia das vozes da Mata tudo o que envolvia preenchia o de alegria assinalou em página do seu diário uma coisa que o eremitério está me fazendo ver é que o universo é minha casa e que se não for parte dele eu não sou nada em sintonia com merton e com a perspectiva aberta por remon picar há que entender a Mística como experiência da vida ou como experiência integral da realidade A Mística não é uma experiência Ultra mundana desencarnada e destacada das
alegrias e dores do mundo nem menos apanágio de uma aristocracia espiritual mas a Mística sim é um traço ou característico do ser humano em geral detentor da capacidade de penetrar os meandros da realidade e captar o canto das coisas o verdadeiro Místico não está jamais deslocado do seu tempo mas é alguém animado por um desaforado amor pelo todo sua experiência do Mistério ocorre no coração da realidade em atenção contínua aos pequenos sinais do cotidiano no movimento incessante de adentrar cada vez mais em sua espessura como mostrou com pertinência e sabedoria o Místico Jesuíta tear de
chardan a pureza não está na separação mas numa penetração mais profunda do universo os grandes espirituais e Santos São reconhecidos em sua grandeza não por escaparem aos desafios de seu tempo mas pela maneira deles viverem plenamente essa vida comum e fazer com que ela faça desabrochar todas as suas [Música] virtualidades