Bom dia, moçada! Tudo bem? Baita prazer falar com vocês!
Sejam bem-vindos de volta! Obrigado por estarem aqui hoje, dia 5 de fevereiro, com mais uma meditação histórica, mais uma reflexão de Marco Aurélio, hoje intitulada pelos nossos autores aqui da seleção dos textos que nós estamos frequentando: "Equilibre seus impulsos". Livre seus impulsos.
Cito Marco Aurélio: "Não sejas impelido de um lado para o outro, mas submete todos os seus impulsos às exigências da justiça e protege tua clara convicção em todos os aspectos". Fim de citação. Quando eu li essa meditação, eu me lembrei logo: lá na Sociedade da Lanterna, nós temos um espaço que a pessoa adere, caso deseje ou não, que eu chamo de "Bibliópolis", a cidade do livro.
É um espaço dentro da SDL no qual nós fazemos comentários de livros, e lá já tem uma série de comentários gravados de diversos livros importantes. Nós estamos vendo, no período aqui de fevereiro, que estou gravando esse vídeo, nós estamos vendo a "Ilíada" de Homero. Inclusive, deixa eu ver aqui atrás de mim se dá para mostrar.
. . tem aqui as edições da "Ilíada" de Homero e essa é uma obra extraordinária, clássica da história da humanidade, de um peso histórico atemporal.
O tema da "Ilíada", ao contrário do que as pessoas imaginam, que é o rapto de Helena, né? Que Paris raptou Helena e daí deu origem à Guerra de Troia. .
. então a "Ilíada" é sobre isso. O primeiro verso da "Ilíada" é assim: "Canta, ó Deusa, a ira funesta de Aquiles, filho de Peleu".
Canta, musa da memória, porque os poetas chamavam as musas, né? Evocavam as musas porque acreditava-se na Grécia Antiga que as musas cantavam no ouvido dos poetas aquilo que eles passariam a transmitir. Canta, musa!
Canta, ó Deusa, a ira funesta, a ira que acarreta a morte de Aquiles, filho de Peleu. É a ira de Aquiles! Então, quando eu li isso de Marco Aurélio, eu falei: "Caramba!
" Nós temos o mais antigo poema de que temos notícia, que é exatamente a "Ilíada", que é exatamente a "Ilíada", o mais antigo poema do Ocidente de que temos notícia que tem como mote central um impulso, uma, se vocês preferirem, um sentimento em estado de descontrole. As cenas iniciais assim do. .
. aqui, o Aquiles não acredita! Ele foi ultrajado por um rei, pelo Hemênon, que tomou dele uma moça e ele chora igual uma criança.
Ele fica péssimo! Um cara que é um guerreiro maior de todos os guerreiros gregos, ele chora igual uma criança! Impulsivo!
Sabe aquela coisa meio: "Eu vou lá, eu vou matar o rei e tal"? Ira funesta! Esse mundo de impulsos, que desde uma antiguidade da qual a gente quase não tem registro, é traçado o impulso como algo negativo, algo para o qual nós devemos nos atentar para não atraírem para nós elementos funestos senão gravemente de morte, mas de muitos problemas no curso da nossa existência.
Como é difícil fazer isso, eu sei tanto quanto vocês. O comentário dos nossos autores: "Pense nas pessoas maníacas em sua vida". Maníaco vem do grego "mania", que é loucura.
A pessoa maníaca, a pessoa descontrolada, a pessoa que delira, a pessoa que fica para lá e para cá, meio doida, né? Não as que sofrem de um transtorno, mas aquelas cuja vida e escolhas estão em desordem. Essas pessoas que vivem no limite de tudo!
Uma pessoa, um dia, ele fala aqui, né? Trans. .
. são pessoas que transitam o tempo todo entre altos eufóricos ou baixos massacrantes. E aí, insisto: eu não tô falando de uma condição médica, não.
Eu tô falando de gente que toca a vida assim: um dia tá tudo bem, no outro dia tá uma merda e um dia parece que vai, outro dia não vai. Um dia canta hinos à vida, no outro dia: "Ah, eu tinha que acabar com essa vida". Então, é uma pessoa completamente instável!
O dia é maravilhoso ou horrível, não existe um dia, vamos dizer, razoável para essa pessoa. Essas pessoas não são exaustivas, perguntam os nossos autores, e eu respondo: são! Cara, como é cansativo lidar com gente assim!
Gente que não sabe o que quer, gente cuja presença é fonte não só de uma instabilidade para ela, mas de instabilidade para todo mundo que está ao redor. Você não gostaria que elas tivessem simplesmente um filtro, por meio do qual pudessem experimentar os impulsos bons em vez dos maus? Quer dizer, que essa pessoa se conduzisse com um pouco mais de tranquilidade, temperança, sabedoria, justiça.
Justiça aqui em sentido mesmo, praticamente platônico, de colocar as coisas nos seus devidos lugares. Não! Essa é a pessoa que um dia ela pega a jaqueta, coloca na gaveta de ler, aí no outro dia ela pega o sapato e coloca no lugar das jaquetas!
Entende? Tô criando uma imagem! Obviamente, existe esse filtro: justiça, razão, filosofia.
Justiça, razão, filosofia. Primeiro você aprende, ó, o joinha aí, ó! Primeiro você aprende, depois você experimenta, de maneira plena, aquilo que aprendeu, não é?
Isso, a gente já viu uma meditação histórica aqui sobre isso, sobre ser livre. Por exemplo: quando é que eu vou ser livre? Primeiro eu me educo para a liberdade, depois eu sou livre.
Essa inversão: primeiro eu experimento a liberdade, depois eu me educo, é fatal para eu perder as duas coisas: um bom processo educacional e a liberdade. Que devia, desculpa, e a educação que devia anteceder a experiência da liberdade. Justiça, razão, filosofia.
Se há uma mensagem principal no pensamento estoico, é esta: impulsos de todos os tipos chegarão e seu trabalho é controlá-los como se estivessem um cão. É isso! Nós temos uma parte animal, não é verdade?
Nós temos uma parte de inclinações e paixões. De sentimentos, de emoções, de condicionamento biológico para algumas coisas, mas, por outro lado, nós temos uma razão discursiva que escolhe. Então, saca: esse instrumento e coloca para funcionar, se adestrando como se fosse um cachorro mesmo.
Ou, simplesmente, pense antes de agir; pergunte: quem está no controle aqui? Quais princípios estão me guiando? Eu acho muito legal isso porque, geralmente, a gente chega num lugar, quando quer botar banca: "Quem manda nisso aqui?
Quem é que está controlando isso daqui? " Mas a pergunta não tem que ser para fora; a pergunta tem que ser para dentro. Antes de você se irritar, a pergunta é: quem está controlando isso daqui?
Bom, eu posso controlar isso daqui? Não o que está fora, mas o que está dentro. Então, eu começo não me deixando levar por impulsos nocivos.
Não se esqueçam de curtir, não se esqueçam de comentar, não se esqueçam de compartilhar e a gente se encontra aqui amanhã. Beijo grande para vocês! E esse apareceu só no finalzinho hoje.
Fala aí! Bom dia, galera! Bom dia!
Fala igual àquele menino lá. Tem um vídeo de um menino que é maravilhoso. O que Pedro Álvares Cabral disse quando chegou ao Brasil?
Ele assim pensa: "Cheguei, cheguei, cheguei, Brasil! " É isso aí! Se ele não disse isso, poderia ter dito.
Melhor coisa. Beijo! Até mais, até amanhã.