Meus amigos, bom dia! Sejam bem-vindos de volta! Que prazer falar com vocês novamente.
Espero encontrá-los bem, tomando os vossos cafés, os vossos chás, os vossos sucos. Lembrando que, se você está tomando café, você é um baita privilegiado; afinal de contas, amor, quanto tá meio quilo de café no mercado nacional? R$ 30 e poucos reais, um de qualidade reduzida.
Pois bem, mas nós somos estóicos, nós não nos preocupamos com a qualidade do café; basta que tenha sabor de café. Existem agora bebidas saborizadas a café, como é que é? A Café deil, Luís, é a base de bosta de avestruz?
Você mistura com a casca de café. Bom dia, gente! Vamos lá, vamos parar de falar bobagem.
Hoje, dia 27 de fevereiro, com uma meditação de Epicteto intitulada "Cultivar a Indiferença onde Outros Cultivam a Paixão". Adoro essa meditação de Epicteto! Existe algum que eu não diria?
São aprendizados extraordinários para a vida. Cito Epicteto: “De todas as coisas que existem, algumas são boas, outras más e outras ainda indiferentes. ” Algumas coisas são boas, algumas são más e outras são indiferentes.
As boas são as virtudes, e tudo o que delas participa. Então, é o que nós estamos fazendo aqui: quando nós desenvolvemos uma boa disposição em relação à vida, quando cultivamos o domínio sobre as nossas impressões, quando cultivamos a nossa racionalidade na capacidade de tomar as melhores decisões, a nossa prudência, a nossa sensatez, a diligência sobre a qual falei ontem ou antes de ontem (não me lembro), essas coisas são virtuosas. Elas são boas porque elas nos mantêm íntegros, firmes, unívocos na nossa natureza.
Nós somos aonde tá todo mundo procurando se assentar lá fora, né? Buscando um ponto de referência lá fora que deixe essa pessoa confortável. Eu me assento em mim mesmo; eu sou a minha rocha.
É isso! Então, as virtudes fazem com que nós sejamos a nossa própria rocha. Eu não dependo de ninguém para ser estável, eu não dependo de ninguém para ser sensato, eu não dependo de ninguém para ser prudente, porque o remédio está em mim, a vacina está em mim.
E se eu desenvolvo essas virtudes, isso é um bem. As coisas más são os vícios, e todos que se entregam a eles, tudo aquilo que é o contrário do que eu acabei de dizer, que me tira do eixo, que me distrai, que me afasta de mim mesmo. A indiferente situa-se entre a virtude e o vício.
Coisas que são absolutamente indiferentes para quem cultiva as virtudes. Entre a virtude e o vício, nós temos a riqueza, a saúde, a vida, a morte, o prazer e a dor. Que loucura!
Ele coloca que a indiferente situa-se entre virtude e vício e inclui riqueza, saúde, vida. Sim, porque essas coisas em si não têm importância alguma. Essas coisas, nelas próprias, não têm importância nenhuma para ninguém.
Se bem calculadas, veja pelo comentário dos autores: esse é um ótimo comentário. Imagine o poder que você teria em sua vida e em seus relacionamentos se todas as coisas que perturbam os outros não importassem tanto quanto pesam, quanto dinheiro têm, quantos anos de vida lhes restam, como morrerão. Imagine o tempo que a gente passa na vida desesperados com essas coisas, pensando nessas coisas, inquietos com essas coisas, intranquilos com essas coisas.
O quanto nós pesamos, quanto dinheiro nós temos, quantos anos de vida nós temos, como nós vamos morrer. Que tal, onde outros estão perturbados, invejosos, afobados, possessivos ou gananciosos, você fosse objetivo, calmo e lúcido? Onde tá todo mundo?
Você olha pros caras e fala assim: “Vocês estão se matando por isso, enquanto as meninas aí vão viver eternamente! Vocês estão se estragando por isso, se debatendo. Vocês vão ficar aqui para sempre, pelo que eu tô entendendo.
” Consegue conceber isso? Imagine o que isso faria para os seus relacionamentos, no trabalho, na sua vida amorosa, nas suas amizades. Você meteria um grande filtro aí, no mínimo.
Olha que interessante esse ponto: Sêneca era um homem incrivelmente rico, até famoso. A gente viu aqui que Marco Aurélio era um imperador, no entanto era estoico. Assim como Marco Aurélio, ele tinha muitas coisas materiais.
Contudo, como dizem os estoicos, era também indiferente a elas. Ser indiferente a elas não é desprezá-las; é dar a elas o devido peso, atenção. Aqui, ninguém aqui tá dizendo pra você virar um São Francisco, se despir e começar a andar pelado na rua.
Se você tem as coisas materiais, usufrua das coisas materiais. Mas não seja as coisas materiais; desfrute-as enquanto estão ali, mas aceite que um dia elas poderiam desaparecer. Como num certo momento da vida dele, desapareceram: ele foi preso, foi exilado.
Um homem riquíssimo que, de repente, só tinha a passagem de uma cela. Uma atitude bem melhor do que ansiar desesperadamente por mais ou sentir um terrível pavor diante da ideia de perder sequer um centavo. A indiferença é um sólido meio-termo.
Então, não é correr atrás, se desesperar. Não é desprezar completamente; é ser indiferente. Olha que seja uma coisa bem-vinda.
Recentemente, tive condição de comprar uma poltrona confortável. Olha que bom! Precisa de dinheiro para comprar uma poltrona confortável.
Eu preciso dela? Preciso dessa? Não.
O que eu vou fazer com ela? Eu poderia fazer com uma cadeira de plástico. Então, ótimo que ela esteja ali, mas ótimo também se amanhã ela não estiver.
Entende? Esse é o ponto: é o modo como eu reajo a isso, a importância que eu dou a isso. Volto: uma atitude bem melhor do que ansiar desesperadamente por mais ou sentir um terrível pavor diante da ideia de perder sequer um centavo.
A indiferença é um sólido meio-termo. Não se trata de evitar ou esquivar-se, mas sim de não dar a nenhum possível resultado mais poder ou preferência do que o apropriado. Que o apropriado.
A gente nasce sem nada, passa a vida correndo atrás de coisas que nós vamos perder com a nossa morte. Por que esse desespero? Por que esse descontrole?
Você nasce esvaziado e vai morrer esvaziado. Por essa loucura, aqui nesse interim, nesse meio tempo, não é fácil fazer isso, certamente. Mas se você conseguisse, não ficaria muito mais calmo, muito mais pé no chão, muito menos desapaixonado?
Ô, desculpa, muito menos apaixonado, mais desapaixonado. Talvez seja uma vida bem mais interessante do que muitos aí fora conseguem imaginar. Beijo carinhoso em vocês, saúde, paz estóica, e a gente se encontra aqui amanhã.
Tchau, tchau! Ah, vem cá, cara, apareceu, ã, porque senão lá nos comentários o pessoal: "Cadê aquele pretinho peludo? " Bom dia, pessoal!
Bom dia, meus amiguinhos! Nosso mascote, nosso mascote histórico, né? Papai, coisa gostosa!
Você tinha que ser um mascote cínico, porque você é cachorro cínico. Vende de cachorro em grego. E aí, você virou histórico!
Tem aeba, trem bom da minha vida! Beijo, beijo, beijo!