Olá, meu nome é Vânia, sou fonodióloga e hoje vou trazer para vocês um tema que eu gosto muito, que é a reabilitação neurofuncional dentro da fonudiologia, principalmente nos transtornos de linguagem. H, hoje em dia a gente vê muitos métodos e muitas formas de se reabilitar dentro da terapia fonodiológica. E a a palavra neuro também tem sido utilizada de diversas maneiras.
Eu quero trazer um pouco aqui para vocês a o que é você trazer dentro de uma reabilitação funcional a neurofuncionalidade. Primeiro lugar, eh o que a gente deve destacar é o fato que a reabilitação na fonodiologia, ela tem como objetivo final o ganho funcional. Então, nós temos os nossos pacientes que chegam com alguma alteração funcional e a nossa reabilitação, ela vai habilitar ou reabilitar aquela função que ou o nosso paciente nunca teve quando a gente fala dos transtornos do neurodesenvolvimento, ou que ele perdeu por algum acidente vascular cerebral, TCE ou uma doença neuro progressiva, enfim.
De qualquer forma, eh, seja de uma forma ou de outra, nossa função, nosso papel é reabilitar essa função com estratégias, com técnicas. Quando a gente fala em reabilitação neurofuncional, a gente pensa numa estratégia para reabilitar aquela função que ajude o cérebro a se organizar e aprender aquilo que foi aprendido, desaprendido ou de alguma forma perdido. Por isso, toda e qualquer reabilitação neurofuncional, ela tem como base a neuroevolução, a neurofisiologia.
tanto natural do desenvolvimento como dentro da patologia. Se eu falo, por exemplo, para dar uma uma dica aí melhor dentro de um quadro de exemplo de um transtornos de fala, uma criança que chega dentro do consultório com 3 anos de idade e ela não tem a função fala, ok? Eu vou fazer um diagnóstico em cima disso, mas para eu poder fazer esse diagnóstico, entender e tratar, eu tenho que entender como que a criança adquire a fala.
Quais são os mecanismos neuronais envolvidos pro desenvolvimento de fala? Quais são os componentes evolutivos do desenvolvimento humano que levam essa criança a desenvolver a fala? Então, a gente fala: "Ah, de zero a um ano de idade, a criança precisa estar de que forma?
" "Ah, de 1 a 2 anos de idade. O que precisa acontecer? " Aí eu olho o meu paciente e eu vou ver o que tá faltando dentro da evolução e o que que tá faltando dentro desse neurodesenvolvimento.
Percebe que para se tratar com uma reabilitação neurofuncional, a gente precisa começar no momento da diagnose, entendendo aquele ser humano como um todo, o por que ele não atingiu aquela função ou porque ele perdeu aquela função. E dentro desse processo, os marcadores neurofuncionais, neurobiológicos, precisam estar presentes para que a gente desenvolva um processo de reabilitação. E aí quando eu falo em reabilitação neurofuncional, eu penso: "O que aconteceu para este cérebro não aprender essa função?
Será que ele tem uma lesão? Será que ele tem um transtorno funcional no, né, o desenvolvimento dessa criança como um todo está afetado e aí essa parte responsável pela fala não se desenvolveu adequadamente e quais são as estratégias que eu tenho para usar. E aí eu falo em várias estratégias, mas elas precisam modular esse cérebro.
As estratégias terapêuticas precisam modular o cérebro para atingir a função que eu desejo imprimir naquele paciente. Dentro desse contexto é que eu uso técnicas neuromodulatórias, né? Então a gente já viu falar aí muito, né?
Congressos específicos sobre neuromodulação. O que são as técnicas neuromodulatórias dentro de uma reabilitação neurofuncional? São técnicas que modulam o cérebro, facilitando ou inibindo o aprendizado funcional.
Sendo assim, voltando no nosso raciocínio inicial, o que é que eu estou pensando neste meu paciente com transtorno de fala? Eu preciso que esse cérebro se organize para aprender a falar. Então eu tenho lá, ah, mas será que o problema dele é um problema de praxias orais ou uma uma criança que tem um uma paralisia cerebral e aí não desenvolveu o movimento da boca e é uma criança desártrica e eu preciso neuromodular esse cérebro para que essa boca feche para poder fazer o som.
ou não, não, não, não é uma criança com paralisa cerebral, é um uma criança com atraso. E aí eu vou ver que o ambiente que ela vivenciou até o presente momento foi um ambiente hipoestimulador. Sendo o ambiente hipoestimulador, o cérebro não passou pelas etapas naturais do neurodesenvolvimento.
E aí, que que eu faço? Eu tenho que ensinar esse cérebro neuromodular a partir do início do aprendizado das funções relativas a o desenvolvimento de fala. percebe que a neuromodulação é uma técnica, são técnicas, na verdade, que atuam no cérebro ajudando o aprendizado.
Dentre elas, a gente ouve muito falar na estimulação transcraniana por corrente contínua, que a fonodologia é do objeto não só de estudo, mas da prática clínica da fonodologia. E dentro da nossa prática clínica são eletrodos que colocamos, né, em posições estratégicas eh pensadas dentro do cérebro para que essa criança, esse adulto, esse idoso, ã, possa atingir uma excitação cortical e um aprendizado melhor dentro da área que foi estimulado. Veja, são técnicas de auxílio ao processo terapêutico que está dentro de uma base neurofuncional.
Então, quando eu digo que eu atendo os pacientes com uma reabilitação neurofuncional, posso usar diversas técnicas. Ah, van, eu posso usar o prompto. É uma estratégia.
O prompt é uma estratégia que ajuda a neuromodular, sim, porque ele vai trabalhar com toques, né? Ele vai trabalhar com movimentos, ele vai trabalhar com a entrada visual para facilitar o aprendizado da fala. Percebe que as estratégias podem ser plurais, mas quando você tem um raciocínio neurofuncional, esse raciocínio neurofuncional tem que estar embasado científico e clinicamente para que dê resultado uma terapia.
Hoje o que eu tenho visto muito nas supervisões, nos cursos que eu dou, enfim, é uma dificuldade do progresso do paciente até a alta. E quando eu escuto muitos fonudiólogos nas nos seus processos terapêuticos, eu acho que o que falta é um raciocínio clínico. E esse raciocínio clínico dentro de uma teoria neurofuncional, ele é bem embasado, porque eu vou ver o desenvolvimento natural do ser humano paraa aquisição da função.
Vou parear dentro de um desenvolvimento neurofisiológico, que como é que o cérebro faz para essa função acontecer e vejo onde estão as falhas. onde foi falhado? Será que foi lesionado?
Foi mal desenvolvido? Foi mal estimulado? Em que lugar esse indivíduo parou de receber aquilo que era necessário para ele receber?
E dentro disso, né, pensando nesse foco, eu vou usar estratégias. E aí eu posso usar inúmeras estratégias contanto que eu saiba o que eu vou excitar e o que eu vou inibir. Ah, van só excitar não.
Por vezes eu quero que o meu paciente tenha um aprendizado neurofuncional e ele tem um movimento, por exemplo, repetitivo que impedem ele de aprender, né? E aí eu vou precisar inibir esse comportamento, esse movimento, para que ele possa pegar num lápis, por exemplo, e escrever. Então existe sim dentro das funções terapêuticas o momento inibitório e o momento excitatório.
Ah, acho que o que você mais pode tirar, né, às vezes a gente quer, ah, eu quero aprender mais sobre TDCS, né? Tem vários cursos, né? Eu dou alguns cursos se você quiser me seguir aí no @ eh, a gente tá aí com novas turmas de estimulação transcraniana por corrente contínua, mas ela é uma técnica, uma técnica que se você não tiver todo esse conhecimento por trás e embasando, você não vai fazer o bom uso disso.
E por isso que aqui no Congresso eu quis trazer mais do que somente a técnica neurofuncional da TDCS, mas o pensamento da reabilitação neurofuncional, que passos eu preciso ter, aonde eu preciso chegar com esse paciente para que ele adquira essa função? H, então, exatamente para que serve a estimulação transcraniana por corrente contínua, né? Como assim ela neuromodulin?
O que que ela ajuda? E efetivamente o que a gente faz quando a gente coloca duas correntes, né, duas dois eletrodos, desculpa, a gente vai fazer uma corrente que passa do positivo pro negativo. A região que tá com o eletrodo positivo, ela é hiperpolarizada, né?
Então aumenta, lembra daquela bombinha de sódio e potássio, né? A gente ainda vai lembrar lá das aulas de bioquímica. Quem não estudou, volta lá.
O que ocorre é que você deixa aquela região, aqueles neurônios da região cujo eletrodo positivo está colocado, excitada, mais pronta para receber ah instruções, né? Eh, traduzindo assim de uma maneira bem simplória, você facilita o aprendizado. Acho que isso é o que você precisa entender quando você pensa em utilizar, por exemplo, uma neuromodulação com uma estimulação transcraniana por corrente contínua.
Na verdade, eh, volto aqui no que eu trouxe para vocês até o momento. É uma ferramenta. Uma ferramenta.
Existem várias ferramentas, mas as ferramentas têm que estar num contexto. Qual contexto? do contexto clínico neurofuncional.
Eh, fica aqui um alerta, né? Hoje a gente tem visto muito o uso de eh técnicas confundidas com métodos, com receitas de bolo. E aí você tá vendo a atuação fonodiológica indo para um caminho que não é dela, porque a fonodiologia ela é uma ciência que estuda o distúrbio, os distúrbios da comunicação humana, né, e toda a funcionalidade que o indivíduo tem para se comunicar com o outro, tá?
É, a base da fonodiologia é essa. Então, quando a gente atua, a gente não atua, por exemplo, como um um quero usar uma palavra aqui que seja clara e que eh mas que também traga a força que do que eu quero trazer. Eu não quero resumir, já achei uma palavra boa.
Eu eu não quero resumir a fonologia a um trabalho técnico. Então eu quero pegar o indivíduo e aí eu vou usar três, quatro exercícios e o indivíduo vai fazer aquilo. Eu quero pegar a minha caixinha do comportamento, tão utilizada hoje, eu o indivíduo vem e fala: "Ó, você tem que ser isso que eu tô te".
Não, a fonodologia não faz isso. A fonodiologia detecta os transtornos e atua reabilitando as funções de um indivíduo. E isso é o mais importante, porque, gente, não há interação, não há troca, não há eh eh interlocução, diálogo.
Se você não trouxer do indivíduo a sua interesa, simplesmente ditar regras, normas, formatos para esse indivíduo, vocês vai criar robôs, né? Vai criar, mas não vai criar pessoas. Pessoas para serem reabilitadas precisam ter a humanização do processo.
E dentro da reabilitação neurofuncional, a base disso é entender o indivíduo no seu neurodesenvolvimento, nas suas funções. Além de entender o indivíduo dentro desse percurso, você vai entender a normalidade para saber aonde que aquilo ou a tipicidade ou enfim a régua que te rege da maioria das pessoas. E aí você vai falaronde que isso tá fora do contexto e como eu posso fazer para essa funcionalidade ajudar.
Estudando com base científica na neurofisiologia, na neurobiologia e no neurodesenvolvimento. Se você fizer isso, as técnicas que você vai implementar, todas elas serão bem-vindas, se bem adaptadas, se bem utilizadas dentro do contexto. Cuidado.
Fonodiologia não é uma faculdade técnica. Você não é um técnico com receita de bolo. Faça 30 beijinhos e você vai falar: "Op, não existe isso.
" Às vezes não é por causa de movimento que a criança não faz o pá. Não existe uma receita de bolo para reabilitação neurofuncional fonodiológica. O que existe é raciocínio clínico e compreensão do quadro.
Espero ter ajudado. Se você tem interesse por neuromodulação, por reabilitação neurofuncional, por TDCS, me procure aí nas redes sociais @dvenialima e eu tenho o prazer aí de trazer paraa fonologia uma luz dentro desse contexto de reabilitação. M.