[Música] [Música] [Música] essa pesquisa atenção primária saúde em territórios rurais remotos no Brasil eh surge da necessidade de entender end um pouco como que se dava a organização e o acesso à atenção primária nesses municípios caracterizados por baixa densidade demográfica e longas distâncias e partimos da classificação feita pelo IBGE lá em 2017 que faz essa caracterização entre os municípios brasileiros e identifica então 323 municípios com essa característica Rural remota então então nós fizemos uma amostra que contempla 27 municípios em seis áreas distintas do nosso país essas áreas elas se caracterizam pelo modo né de uso
do território pensando aí a questão Econômica demográfica cultural e também de oferta de serviços de saúde nosso município fica a extremo sul do estado do Piauí a mais ou menos 15 horas de distância de Teresina nossa capital nós temos uma Encontramos uma barreira aqui pela questão da distância nosso Hospital Regional mais próximo fica 2 horas me0 mais ou menos 200 km de distância daqui nós encontramos Muitas dificuldades para estar re direcionando os nossos pacientes para essas localidades a nossa opção foi tentar observar né a lógica esses municípios qual era a inserção deles na lógica socioespacial
brasileira utilizando a dando os conceitos da geografia crítica né em especial a o conceito dos quatro brasis que a que o Milton Santos e a Maria Laura Silveira apresentam né eles dividem o nosso território em quatro em quatro brasis então o que que a gente fez na sequência a gente foi analisar né todos esses municípios né suas seus indicadores sociodemográficos econômicos E como eles se inseriam se inseriam no circuito das cidades ou seja se eles se eles tinham eh mais uso de de rodovia mais uso de de rios que é muito importante no caso do
Norte então fomos estudar um pouco esses municípios todos todos esses e a partir disso nós chegamos em seis grupamentos primeiro esse grupamento do Norte Minas né que é um concentrado depois os municípios do semiárido né E aí a gente observou uma nova dinâmica no nordeste numa região que é chamada de matopiba que é o acrônico de Maranhão Tocantins Piauí e Bahia né Então essa região ela tem uma diferença grande do semiárido Porque apesar de ter populações eh bastante de ocupação antiga no território populações tradicionais tem uma entrada recente do agronegócio muito grande né e com
investimentos globalizados de uma forma importante o que dá uma característica bastante diferente em relação ao semi Então a gente tem seriam esses três o outro cluster é um que exatamente ele corresponde o ventor de expansão recente que pega basicamente o centro-oeste mas vai até Rondônia ou seja expansão do agronegócio também nessas populações em relação ao norte nós decidimos né Nós fomos olhar porque não daria para considerar o norte como em uma coisa só então Nós criamos os dois clusters que é o Norte Águas e o Norte Estrada Fechando assim nesses nossos seis clusters depois na
sequência a gente tinha que escolher Quais municípios nós iríamos para isso nós pegamos esse dentro dos seis clusters analisamos uma série de indicadores e tentamos chegar ao aos municípios que eram mais característicos da reala região tipo o município médio o município tipo em cada região também a gente pegou um município que tinha algum indicador muito diferente seria um outlier seria né então seria um município que ou teria muita uma população ou renda alguma característica ou uma renda maior Ou seja uma característica que disto ae com isso nós chegamos aos nossos 27 municípios que expressam bem
as distintas realidades dos Municípios rurais remotos brasileiros o uso dos serviços de saúde dentro do do município ele se diferencia entre os moradores que vivem na sede do município e os moradores que vive mais ao interior há uma distinção e na no acesso né na forma como as pessoas conseguem chegar ao serviço de saúde a gente tem muitas dificuldades aqui com relação à distância porque um lado é verar Rio então pra gente atravessar é mais difícil e o outro lado já vai chegar no Piauí e o município como ele é muito grande tem comunidades que
ficam a 170 200 km da sede então por isso para essa população chegar até aqui para ter o atendimento eh fica mais complicado porque nem todas as especialidades a gente pode levar até eles e tem comunidades que ainda não tem PSF a gente tá tentando tentando aderir mais unidades básicas de saúde por essa necessidade do município um achado bastante relevante e expressivo do nosso estudo eh se refere à ausência de políticas que garantam o transporte de usuários né do seu local de moradia até os pontos de atenção isso é particularmente muito específico e expressivo nesses
territórios uma vez que as barreiras geográficas as longas distâncias é uma das características dos Municípios rurais rotos o que nós observamos é que o transporte eletivo dos usuários é conduzida por meio de recursos majoritariamente municipais em municípios eh com baixa arrecadação enfim com uma população bastante vulnerabilizadas sem eh condições de arcar com o custo desse transporte e temos também nesses municípios uma outra questão que é garantir o transporte para o fluxo de insumos né necessários ao funcionamento dos serviços de saúde e também a garantia de transporte para os profissionais que atuam nesses interiores dos Municípios
todo esse problema né que nós detectamos e essa ausência de políticas públicas nacionais que respondam de alguma forma se interpõe entre o acesso né entre a possibilidade mitigando por vezes minimizando aumentando o abente ismo dessas populações rurais aos pontos de atenção sobretudo quando esses pontos de atenção estão localizados na sede das regiões de saúde ou por vezes na própria capital do respectivo estado já aconteceu de eu passar por cima de cobras de suuri que geralmente nesses lugares tem Lagoa Então seria importante que dessem uma atenção a mais para para essa questão da saúde das estradas
para que nós pudéssemos trabalhar com mais segurança também tínhamos desafios eh logísticos de como mandar esse equipe nesse município porque tinha grandes trajetos de carro por exemplo e que inicialmente a gente ia pensado vamos contratar um serviço uma Av um turista que vai levar esses pesquisadores até o município mas tinha dificuldade até da oferta desse serviço nessas localidades então a gente tinha que pensar logística para alugar um carro melhor trajeto verificar se as estradas eram tinam eram possíveis de tráfico né asfalto a questão de chuva se tava se tava alargado ou não todas essas questões
a gente tinha que levar em consideração nós tínhamos também municípios que o acesso se dava pelos Rios então a gente tinha que tentar identificar como é que qual era o serviço de barco que tinha como é que a gente ia conseguir comprar uma passagem porque isso também não se dava né de forma digital então isso esse processo todo foi muito do do contato ali eh da ligação né de tentar se aproximar por canais não oficiais porque a forma de acesso a esses municípios não tá dado como de qualquer outro município né [Música] éramos 45 pessoas
Profissionais de Saúde né professores eh pesquisadores alunos de graduação e alunos de pós-graduação Então esse era o grupo e tinha uma característica bastante comum que todos éramos 90 5% éramos provenientes de grandes centros urbanos o encontro por exemplo com profissionais de saúde que moram e que trabalham nesses locais ISO foi assim eh foi impactante porque as pessoas trabalham Apesar de todas as diversidades com bastante dificuldades mas tem uma interação a população reconhecendo muito eles às vezes que nas nossas unidades em grandes centros isso não acontece então foi esse Impacto né dessa relação da população com
os profissionais de saúde desses lugares nos eh assim imprimiu na gente uma sensação muito do pertencimento dessa população a à saúde né então a gente viu a eu digo que a gente viu a ao vivo e a cores a capilaridade do SUS todo esse estudo mostrou diferentes estratégias que empreendem as comunidades Os Profissionais de Saúde eh as as prefeituras as secretarias municipais de saúde para tentar levar atenção à saúde eh a essas populações e nos mostrou também que nós temos que ter o que a gente chama de um escopo ampliado de práticas o que significa
isso um escopo ampliado de práticas significa que nós temos que ofertar né a atenção primária à saúde as equipes de saúde da família tem que ter uma formação técnica específica em saúde Rural e ofertar ações de saúde mais ampliadas mais resolutivas com mais acesso a testes rápidos por exemplo a testes testes diagnósticos há pequenos aparelhos equipamentos para de laboratório automatizados para você conseguir ter maior resolutividade no próprio local a importância hoje do agente de saúde na população Ribeirinha é que ele é o vínculo entre o serviço né e e a população é ele e que
leva pra população tudo que o município e tudo que o estado dentro de todos os serviços que são ofertados é ele que leva pra população tudo aquilo que a população tem que fazer seja lá vacina consultas de pré-natal acompanhamento de nossa família os resultados da pesquisa APS em territórios rurais e remotos mostraram um escopo de práticas ampliado dos ACS que envolve acompanhamento familiar cuidados individuais tanto procedimentos como prevenção abordagem coletiva eh e atividades administrativas também sendo estas coleta e registr de informações o ACS se mostrou o profissional mais presente e mais acessível nas áreas rurais
remotas e afastadas da sede Municipal as visitas domiciliares são a principal ação dos fss e uma importante forma de contato dos serviços de saúde com os usuários essas visitas atendem a diferentes objetivos sejam eles cadastro cuidado coordenação informação educação e saúde e até apoio psicossocial o modelo proposto pela estratégia saúde da família está mais presente nas unidades básicas de saúde localizadas na sede dos Municípios e menos presente nas áreas mais remotas com maior dispersão populacional isso é muito impulsionado pela ausência de equipes de estratégia de saúde da família comp atas eh uma própria questão da
falta de profissionais da dificuldade de fixação de profissionais em especial médico que impulsiona gestores a implementar as chamadas estratégias de agentes comunitários de saúde eax o antigo Pax na época da criação do SUS Então os eax eles acabam sendo uma realidade nas localidades de difícil acesso eh equipes né com um número maior de agentes comunitários e supervisão de um Enfermeiro o é o fundamental nosso é chegar nessas famílias né apesar das da distância do que a gente enfrenta né da locomoção dessas família do meio de comunicação porque que nem por exemplo aqui para nós nem
todos os lugares tem internet né então a maioria das vezes a gente consegue comunicar pela internet Tem lugares que não tem a gente sempre uma barreira uma dificuldade o recurso financiamento precisa transformar esses locais respeitando porque você não vai ele não vai deixar de ser Rural nem remoto mas você precisa investir em tecnologia o dinheiro precisa ir para esse lugar para que respeitando as suas distâncias as suas dificuldades de de acesso a inúmeras outras coisas não é só a saúde tudo é mais difícil né educação etc mas que ela tenha o provimento da Saúde o
contato com a saúde ainda que de forma virtual nesse sentido mas em forma virtual não na dependência do usuário fazer uso dessa tecnologia mas mas mediado com algum profissional formado nesse local que possa compreender e traduzir e dar continuidade a esse Cuidado então eu destacaria aí duas questões a conectividade e as tecnologias de informação para você ter este contato né ter a existência do serviço de especialidades em uma cidade próxima na região e para acessar esse serviço de especialidade o meio de transporte sanitário adequado e com financiamento contínuo a gente vem tentando fazer o máximo
de apoio dando o máximo possível principalmente aos pacientes com doenças crônicas hipertensão diabéticos eh pacientes com síndrome metabólicas e etc aqui no posto de saúde a estrela não é só o médico mas sim toda a equipe que trabalha hoje em dia a gente tem um programa Mais Médicos que ajudou a colocar muito mais a dar uma resposta para esse problema da trabalho em saúde em relação aos médicos mas a gente ainda Precisa de programas mais amplos para todas as categorias profissionais né Assim que não só os médicos e que dê uma segurança também em relação
aos vínculos trabalhistas né assim a fixação dos profissionais e a também principalmente a mudar o modelo assistencial né a transformar a práticas eh eh que antes a gente tinha muito mais voltadas a o que a gente chama de um modelo biométrico nas doenças e sem entender os problemas daquelas comunidades rurais nos seus determinantes sociais né assim a gente precisa de um programa que enfrente esse tipo de desafio né não apenas colocar médicos enfermeiros e e dentistas né mas também trazer esse tipo de visão sobre uma uma prática que de fato mude a realidade né Desse
dessas comunidades né que dê uma condições de mais igualdade em relação a áreas urbanas né e lembrar também da centralidade dos agentes comunitários de saúde dentro dessa força de trabalho em saúde nessas áreas rurais remotas da importância que eles têm né como uma categoria profissional que tá realmente inserida dentro desses desses lugares mais remotos né assim grande desafio de você trabalhar numa cidade pequena que você tem sempre que ser vamos dizer assim excelente Você tem sempre que tá sabendo as coisas como você vai falar como você vai se colocar porque você vai est convivendo com
essas pessoas em todos os lugares que você vai saúde se a gente parte para um conceito Mais amplo você teria que trabalhar não só com assistência Mas trabalhar também com as questões sociais em determinados momentos a gente não vê essa inserção da formação nesse conhecimento da realidade e da própria administração Municipal para você poder formar um profissional não só para fazer atendimento ou para prestar assistência à saúde mas poder intervir nas reais necessidades da população Não adianta eu querer trabalhar assistência em determinadas comunidades em que eu não associe as suas condições de vida e trabalho
as questões do meio ambiente as questões de vigilância saúde que estão do contexto basicamente assistencial da Saúde mas que isso de fato é uma proposta pra gente construir um sistema de saúde baseado nas mudanças de vida da população em que eu possa trabalhar a questão intersetorial as condições de vida então esse processo de formação ele precisa estar integrado à realidade local pra gente construir uma APS baseada na proteção à saúde na promoção da saúde e que possa produzir de fato mudança Nas condições de vida e saúde da população principalmente desses locais que estão mais distantes
dos grandes centros urbanos como nós não temos eh uma UPA 24 horas a UBS acaba sendo eh a única fonte de Socorro pra comunidade graves a gente aciona o caos o caos ele é disponível 24 horas a gente coloca esse paciente no carro e leva até o hospital nós Vamos então uma diversidade não só geográfica e ambiental como uma diversidade também Cultural de diferentes formas de viver de conviver com a natureza essa diversidade geográfica e cultural ela não pode ser considerada como a barreira ela tem que ser reconhecida para produzir políticas públicas específicas que deem
conta de dar acesso oportuno atenção de qualidade para essas populações nessa diversidade geográfica fica evidente para nós ficou Evidente certamente que nós temos que ter diretrizes Gerais para sus diretrizes Gerais para equipes da estratégia de saúde da família mas tem que ter também respostas específicas para essa diversidade geográfica e cultural Esse é essa é uma questão fundamental assim maiora aprendizado que nós tivemos foi a importância do sistema único de saúde do SUS e a capilar ade dele nesses diversos eh municípios que tivemos eh sem ele não há saúde ficou bastante Claro a necessidade a importância
e a relação dessa população junto aos profissionais junto às equipes de saúde da família a nossa o nosso grande desejo eh agora né que já estamos numa fase de análise eh dos resultados dessa essa pesquisa eh poder disseminar esses resultados disseminar essas análises pensar políticas né Eh que possam favorecer o acesso à atenção à saúde em particular atenção primária mas também pensando no Cuidado integral né a necessidade que muitos usuários têm de acessar os serviços de atenção especializada que em geral não estão disponíveis no próprio município Eh preciso chegar até um centro de referência e
então nós queremos discutir esses resultados eh com os gestores municipais gestores estaduais com o governo federal no sentido de eh superar né as desigualdades de acesso que ainda eh se fazem presente nessas nessas localidades nesses contextos rurais [Música] remotos [Música] [Música] e [Música] [Música] s [Música] [Música] i