Chegamos então Professor Cortela muito bem nossa conversa hoje é muito simbólica simbólica Que bom ela é conversa que encerra a segunda temporada da grande fúria do mundo trata exatamente da noção de fim e fim então ela não é simbólica por quê Porque o fim ele é o fato Ele não é um símbolo É mas ele é representado de diversas formas Ah sim então ele é grávido de simbologias o fim grávido de simbologia É mas ele não É simbólico não o fim a ideia de que o fim está próximo né diziam os antigos que o fim
está próximo né Especialmente porque o tempo todo nós somos fechando e abrindo fechando e abrindo é a finitude das coisas e a começar da nossa própria vida né Esse é um dos maiores tabus da nossa cultura na cultura ocidental mesmo A negação da Morte né a gente faz de tudo para evitar a morte porque ao evitar a morte nós nos sentimos aliviados traz um certo alívio E a gente ainda tem muita dificuldade de falar sobre isso né e é por isso que uma das grandes fúrias talvez a maior delas é justamente a noção de fim
eu tava conversando com o pessoal do do do roteiro da grande fúria né do nos Bastidores e dizendo como a nossa sociedade é preparada pro começo da vida né A gente é muito bom em em trazer pessoas pra vida né Tem várias formas até quando dá errado dá certo e hoje em dia a gente já tem todo todo o aparato Médico possível para identificar o que vem ali dentro da Concepção a gente é muito bom para pro começo da vida e muito ruim para lidar com o fim da vida a gente fica sempre postergando esticando
mais tempo do que quero mais tempo mais tempo aqui eh por mais que a gente esteja ampliando a vida das pessoas e hoje nós vivemos mais mas vivemos melhor né Será que a gente precisa chegar até 90 até 100 até 110 Será que a busca pela vida eterna Não é simplesmente uma negação do fato que estamos todos aqui de passagem e que a gente não sabe lidar com esse final a grande conversa na história da humanidade especialmente no ocidente é morte bênção ou danação o fim nosso como finitude é algo que carrega em nós uma
maldição somos finitos ou nos abençoa por sermos finitos ou como escreveu um dia Francisco de Assis no século XII um dos grandes pensadores do Mundo Cristão né Da Baixa Idade Média ó morte irmã de caridade a ideia de algo que vem e pode te abençoar algumas pessoas entendem a morte como libertação como descanso haja Vista que nós usamos no ocidente um nome para o lugar dos mortos que significa em grego antigo o lugar do descanso coim o cemitério tério é uma terminação para lugar béo né ório laboratório escritório etc bem coos ali a descansar o
que é o cemitério né o lugar do Descanso Onde Você Vai repousar de uma vida infinda turbulenta Furiosa e é preciso ter um descanso eterno haja Vista que quando um de nós perece é usual né que nas cerimônias ou nos pensamentos assim Descansou esse Descansou tem uma suposição né de que nós vivemos numa vida turbulenta difícil que faz com que a gente tenha aqui o tempo todo ficar lidando com as nossas necessidades e haverá a cessação Do sofrimento e nós vivemos uma contradição porque o tempo todo nós queremos permanecer em algo que nos dá um
trabalho imenso nisso ficar e quando isso se anuncia como próximo como final aí a gente se preocupa Você já viu e postou nas minhas redes sociais eu lembrar que eu sei eu sei aos 70 anos que eu tenho muito menos dias para viver do que o número de dias que eu já vivi quando perguntado um dia Leonardo da 20 quantos anos o senhor Tem ele disse não sei já tive 60 né Toda essa ideia é de uma finitude que pode aparecer como a oportunidade de libertação ou como algo que nos encaminha por uma não necessidade
de ser para que ser se deixamos de sê-lo para que ser pior ainda se a gente sabe que vai deixar de sê-lo porque o problema para nós não é a finitude é a consciência da finitude uma das coisas mais sérias que se perguntam uma pessoa eu não vou te perguntar agora mas é para Você pensar e quem nos ouve também sabendo você que vai morrer daqui a 7 dias que que você faria de hoje até lá isto é como seria a sua vida ainda bem que a gente não tem essa clareza porque do contrário a
gente focaria Em quê Em abraçar as pessoas em buscá-las ou em viver todo dia como se fosse o último isso como se fosse porque nós o fazemos né a filosofia clássica grega diz que a morte né Ela é uma sombra te acompanha Desde o dia que você Nasce você vai andando ela vai com você você vai andando ela vai com você um dia ela te encontra né Um dia há uma fusão entre você e tua sombra por outro lado Epicuro dizia eu não tenho uma morte imagina né eu e ela nunca vamos nos encontrar quando
eu existo minha morte não existe quando ela existe eu não existo portanto não é não é um problema meu ou outras frases como a morte é um problema dos vivos os mortos não tem problema né Nesse sentido aquilo que você disse no ponto de partida nós vamos encontrando razões e senões dado que ela é um fato e ela é um fato não só inelutável sem alternativa como é algo que a gente sabe que virás afastamos com linguagem com arte com ciência com religião com filosofia a gente tá fazendo agora algo que é difícil para 73%
dos brasileiros segundo uma pesquisa de 2018 30 eh 73% eh consideram a morte um tabu e nem gostam de falar sobre isso 30% tem muito medo de morrer né Muito medo de morrer 48% não estão prontos para lidar com a morte de Out outra pessoa não se consideram preparados para isso e acho que dentro dessa conversa a gente tem que falar sobre luto né e 30% não sabem como ou com quem falar sobre a morte não tem esse espaço de diálogo aberto generosamente pelo pela grande fúria do Mundo aqui por essa proposta não sei se
nós falaríamos de outro fórum totalmente sobre esse tema talvez não talvez não eu tenho um livro né que tratará tá sendo terminado né que sai em 2024 sobre religião religiosidade espiritualidade em que uma parte é exatamente sobre o fim e você tem com com a Terezinha Rios vivemos mais vivemos bem Tem com o Leandro carnal vivera que se destina agora você já me ouviu dizer e eu quero lembrar Duas coisas mas o último último último ponto dessa pesquisa é que 10% das pessoas pesquisadas acreditam que falar sobre a morte atrai a morte é a ideia
de que a morte ela pode ser invocada nós somos um ser que embora mortal vivemos como se não o fôssemos outros seres que em tese a gente não tem noção nítida mas a gente diria que outros animais eles não tem consciência da finitude a não ser instintivamente num determinado momento em que alguns Deles vão se afastando você e eu na vida junto com a família tivemos dois gatos longevos sim né o musse e o flan que viveram por volta de 18 anos o musse foi abreviado isso e o flan seguiu na r o flan seguiu
até o fim e e no final ele buscava espaços de pouca luz pouca luz embaixo das das cobertas ali O Último Movimento dele foi se recolher e ir para debaixo das cobertas da cama e a gente encontrou ele lá descansa entre aspas repousa foi Muito forte is porque aí ele já não ele ele já já já ele sentia o fim que a vida tava se esvaindo estava correndo ele já tinha 20 ele tinha 20 anos 20 anos eu digo isso porque a gente afirma como humanos que os outros animais não TM noção por exemplo todos
os animais morrem mas nós sabemos disso n é que nós vamos morrer e eles também isso faz com que a gente tenha que viver como se isso não fosse acontecer como se a gente tivesse todo o tempo do mundo e nós não Temos é por isso que eu digo e você trouxe isso à tona H pouco que pessoas não querem falar sobre isso pessoas não estão Preparadas para lidar com isso uma parcela na pesquisa Uhum E eu sempre afirmo que com a morte a gente não se conforma a gente só se conforta você só ganha
força junto não dá pra gente se conformar com a finitude exceto quando a condição de vida é tão degradada que a própria pessoa se consciente deseja que não siga o sofrimento ou quem está à Volta dela deseja que aquele sofrimento nela não siga esse é o momento em que a morte de outra pessoa ou a própria ela é desejada várias pessoas eu entre eles temos um documento que está guardado junto com as minhas coisas legais em que eu fiz um texto registrado em cartório embora não seja necessário que seja em cartório basta contar pra família
ou registrar na grande Folia do mundo isso tem um um documento dizendo que eu não Desejo Se eu por acaso adoentado estiver ou mais adiante com mais idade estiver com alguma né patologia doença ou situação que não tenha uma perspectiva nítida de sobrevivência eu não quero o que a gente chama de obstinação terapêutica Isto é não quero que se faça ressuscitação manobras de ressuscitação e sequênci sem que haja possibilidade de seguir se dirá mas você nunca sabe porque nem a ciência a medicina não é ciência exata a gente dirá Ainda bem né Porque várias situações
ela acaba dando outro caminho ou seja você não quer permanecer Vivo se artificialmente artificialmente se a sua vida não tiver condição plena de existir sem algum aparato isso existe uma obstinação terapêutica que é você fazer qualquer coisa para que a pessoa permaneça viva mesmo que aquele vivo seja absolutamente sofrido desnecessário e só um mero um mero adiamento imediato por uma possibilidade Não quero por isso se eu estiver numa situação de não consciência né se eu não estiver lúcido ou não estiver consciente porque Lucidez diria você nem agora mas se eu não estiver desculpe só para
fechar lucid inconsciente eu não não quero não quero como que é essa decisão legalmente apesar de você ter deixado Esso escrito eu não preciso deixar escrito eu posso só apenas contar pros meus filhos paraa minha família como você já sabe disso Isso para você não é uma novidade sim claro né portanto se a família disser que eu não queria eu não quero é como o documento diz eu quero doação de todos os órgãos todos que puderem ser utilizados é e claro os seus Talvez as córneas não não tem coisa boa a Tem coisa boa tem
tem coisa que ficou né que ainda ajuda bastante uma das coisas legais é poder rir do fim é né Nós somos um animal que é capaz de fazê-la né e não é é um riso Nervoso e algumas é porque você tem aquele não é não é sua frase mas que o que ficou como é que é deixou um um cadáver são saudável é minha históri sua então vai lá é porque eu brincava isso um dia né em relação a uma pessoa que eu tenho uma admiração né imensa no campo da literatura que escreveu o sorriso
do lagarto que escreveu né viva o povo brasileiro e que eu acabo de esquecer o nome dele né A idade vai vai trazendo um pouco mais João Baldo Ribeiro João Baldo Ribeiro Isso você vê como a idade ela vai trazendo algumas coisas porque morrer a ser esquecido mas depois depois eu falo isso não é morrer é ser esquecido no sentido de ter esquecimentos morrer é você não ser lembrado por outras pessoas mas gente volta depois bem o cérebro a gente não vai conseguir doar o João O João Baldo Ribeiro ele por conta até de questões
de saúde ele ficou muito tempo quase 20 anos sem consumo de bebida alcoólica ou Sem comida que tivesse gordura isso né e eu brincava entre aspas não com ele porque ele tem admiração e ele não estava di cvm jo balda né tanto tempo na restrição né tanto tempo sem bebida alcoólica ou sem comida com gordura sem fritura ó aí deixou um cadáver saudável né deixou um cadáver saudável e aí quando eu falo isso para Cláudia com que eu sou casada ela diz a questão não é quanto você vai viver é como você vai viver esse
quanto Portanto o exercício Né a alimentação mais saudável tem a ver com qualidade de fato do tempo que se tem uhum o Peter otul um dos maiores atores da história o britânico genial que fez para mim talvez aquele que é o maior maior maior né dos filmes do cinema que é Lawrence da Arábia né ele dizia o único exercício ele morreu bastante idoso B diz o único exercício que eu fiz na vida foi ir caminhando atrás do caixão dos meus amigos que faziam exercício certo Que é um humor britânico mas eu queria voltar a um
ponto né Eh Quando eu digo com a morte a gente só se conforta ganhamos força junto e não nos conformamos nós encontramos vários mecanismos para a não conformidade e portanto para o conforto um deles né quando você te os irmãos irmã eram crianças uma das coisas que uma criança diz e eu até já escrevi isso o dia é assim pai quando você morrer quem vai ficar com a tua cadeira vô quando você Morrer quem que vai ficar com essa casa e a gente vai e diz pra criança assim filho não é quando é se é
se você morrer não é educado dizer quando você morrer é Se você morrer e é claro que a morte não é uma questão de si ela é de data ela não é uma hipótese nós usamos o a linguagem para afastar Quando eu digo olha Pedro Se você morrer eu vou ficar triste não não é se é se é se não é quando portanto nós usamos o idioma e corrigimos eu tenho um capítulo de livro Cujo título é a morte uma evidência recusada está lá no livro né não esere pelo Epitáfio a Epitáfio que é a
inscrição tumular né a morte uma evidência recusada porque há um filósofo que escreveu o seguinte é espantoso que as pessoas ao chegarem a um velório fiquem boque abertas por aquele mortal estar morto é uma surpresa como se fosse surpreendente mas nós queremos essa surpresa a gente usa ciência arte filosofia religião e a gente tem que Tratar do tema porque embora a morte seja um tabu no sentido de viver sempre falado pelo sussurro falado pelos cantos porque a gente não quer que ela venha Porque se ela for muito mencionada capaz que ela venha por si mesmo
que é um pensamento meio mágico ainda assim é um dos temas senão o mais difícil de nós tratarmos né a forma é é surpreendente muitas vezes né a forma da morte ou da fala da Morte alguém que a gente não espera que morra pode perecer a qualquer Momento por uma ocasião da vida né Qualquer pessoa pode a qualquer instante né a qualquer segundo a vida é absoluta provisa issoa é absolutamente provisória por isso que o Guimarães escreve faz Raldo dizer lá no Grande Sertão Veredas viver é muito perigoso viver é muito perigoso qual foi a
última coisa que Raldo falou pela última vez o que que ele disse na última coisa que ele falou viver é muito perigoso sempre acaba em morte essa ideia que Guimarães coloca Traz a tona a noção mais forte de que sim né Nós não gostamos de falar no assunto temos de fazê-lo não temos de ter obsessão por isso e ficar tratando o tempo todo temos de formar crianças e jovens para que entendam a morte como um evento que faz parte da vida mas que não deve apavorar ele faz parte você lembrava vários modos de partir há
pessoas que partem de modo repentino aquelas que se supõem que nós temos um tempo de vida médio e que eu vou Seguindo nele né e ele vai se cumprir existe um momento em que a morte se agudiza quando nós tivemos o período pandêmico mais denso de 2020 até 2022 só num país como o nosso foram mais de 700.000 pessoas isso não é algo regular uhum né nesta hora várias pessoas que partiram que estavam à nossa volta a gente não só não esperava mas depois de um tempo nós nos habituamos não com a morte da pessoa
com as mortes eu nunca me esqueço que provavelmente o Primeiro óbito de pandemia no Brasil foi em 17 de março de 2020 uma pessoa a notícia para Tod do lado depois 10 pessoas depois nós chegamos a marca do 100 e eu me lembro que eu fui entrevistado por ser da área de filosofia sobre o que significava para algumas das redes de TV 100 mortes num né num período depois E aí vai 1 2000 isso mais ou menos como uma situação de guerra em que a morte se incorpora o cotidiano é virou um quadro fixo nos
nos Telejornais né Ficar mostrando as mortes por região né E era números né virou como se fosse a previsão do tempo é ali por isso que eu gostei quando alguns jornais começaram a colocar as fotos uhum das pessoas que pereceram ao final como né Um Um cenário para humanizar o número não esquecer mas você disse algo que marca né a ideia de que nós podemos ter vários modos de partir mas só há uma convicção de que partiremos a ciência busca hoje a área Especialmente de Inteligência Artificial alguma maneira de segurar né o todo o conteúdo
do teu software né que é o que tá em tese Guardado na tua mente e trocar só o teu hardware né fazer a preservação né do conteúdo da tua mente de alguma maneira dado que são impulsos químico elétricos e que estão gravados como imagens né na área cerebral a partir das sinapses e trocar o teu hardware é tem isso tem inspirado até roteiros de filme né um dos filmes que Mais fizeram sucesso recentemente acho que chama corra né que que é uma sociedade de de idosos ricos que acabam conseguindo usar o corpo de de outros
de pessoas mais jovens para como uma forma de de viver mais né e e é assustador isso porque realmente a gente tá se dedicando cada vez mais a a transferir o que é o o software para para outro hardware Mas você falou da da forma como a gente como criança ali dava repetir essa coisa da Morte e pra Alice que é minha filha com 4 anos ela teve um uma experiência porque ela conheceu o meu meu avô seu Jairo aham e a e ela quando ela tinha 2 anos ele faleceu com 91 anos já né
bem idoso e aí quando a gente fala sobre ele Ah o vovô virou estrelinha né mas ela eventualmente lembra de alguma coisa dele e fala ele morreu ele morreu e é super chocante quando uma criança fala a palavra morreu S sim sim não sei se a gente lida bem com isso é morreu mas Filha é normal a gente fica acuando aquela expressão e ela não fala com tristeza mas ela falará ela falará por causa pode não ela pode não falar agora por mais que ela seja formada conção né de uma maneira mais livre mais solta
em que isso não seja apavorante não tem como o sentimento de é curioso mim não ser lado é curioso para mim que ela não fale com tristeza porque o vovô o biso era alguém que a gente ia visitar ela via brincava lá na casa e aí uma vez a Gente não foi mais ela não teve a experiência de acho que ela passou até no velório Mas enfim não não não estava lá materializando a perda né ela não viu Claro o caixão ou algo assim eh mas mesmo assim ó nas conversas né a gente tem em
casa um o calçador que ele usava assim né e a fala o calçador do biso tal e aí ela vem e fala morreu assim tipo que é algo muito por enquanto por enquanto não tem o impacto não ele em si Jair será faz parte da história mas será Que o impacto da morte é algo que vai ser construído à medida que ela vai ficando mais velha ou seja à medida que você tem afetos de vivência a recusa a vivência afetos de convivência eu convivi com a minha avó materna até aos 6 anos de idade eu
tenho ótimas lembranças com ela mas isso é muito menos entre aspas dolorido do que eu convivi com a minha avó paterna não inverti eu convivi com a minha avó paterna até meus 6 anos de Idade uhum e com a minha avó materna até meus 25 anos de idade Portanto o tipo de convivência no cotidiano e os laços que foram criados Eles foram muito mais densos eu tenho nitidez da primeira vez que eu tive contato com isso porque quando eu tinha 5 anos 5 anos portanto estava naquela transição em que as memórias começam a se fixar
de maneira geral até 5 anos a gente tem cinco seis varia da criança a gente tem uma coisa chamada amnésia da primeira infância Uhum né você é protegido pela natureza de não guardar nada no período mais difícil da vida que é ficar vivo até aos 5 anos de idade né em que a taxa de mortandade sempre foi altíssima Nós conseguimos nos últimos 100 anos reduzir por meio de política de saneamento ciência cuidados alimentares mas sempre foi né a e como consequência nós temos a superpopulação Global superpopulação E aí com 5 anos de idade eu já
tenho memória meus pais Chegaram em casa e disseram Fulano faleceu né era uma criança de 5 anos de idade meu colega de escola eu tava no que seria na época pré escola caramba né E aí eu vou narrar porque eh tem um certo modo trágico nisso era uma criança filha de dono de uma padaria os pais não viram ele se entrou dentro da padaria e caiu dentro da da grande vasilha de massa de pão Putz que é aquela que ficava sozinho sendo girado e claro não tem como pois bem isso foi o relato que Eu
tive depois O que tornou a morte dele muito mais apavorante para mim né porque eu ficava me imaginando depois eu dendo uma massa de pão né você conhecia o menino sim ele era meu colega de classe Mas a questão não é essa é que meus pais fizeram uma coisa importante que eu nunca deixei de fazer eles me levaram ao velório e eu pude da onde estava eu me lembro até até a cena na cabeça a cena na cabeça da casa as veles eram em casa Da Casa das pessoas a veló as crianças gente olhando por
cima meu colega dentro daquilo que seria o caixão etc eu nunca deixei de ir e nunca deixei de levar você por exemplo foi a vários velórios você não foi a tantos velozes que não teve tanta gente que morreu é não passou uma boa fase de 20 30 anos da nossa vida mas depois eles vieram assim hoje sou eu o responsável CL você que cuida hoje do cuida do meu avô minha avô da minha tia do que for assim que que é Um alguém é designado na família para fazer né Por que que eu tô dizendo
isso porque eh uma das coisas mais difíceis nos tempos atuais que aumenta o Tabu e a dificuldade de lidar com ele é que adultos pararam de levar crianças a veló em nome da proteção do cuidado do afastamento se tirou uma vivência que é absolutamente necessário essa digitalização do velório que é fazê-lo de modo distanciado em alguns lugares do mundo e no Brasil Também você pode acompanhar pela internet é e e portanto você não tem aquela vivência e velório é aquela coisa vou dar uma passadinha né Eu não quero que seja trágico que seja algo mórbido
mas uma criança a partir dos 6 anos de idade por exemplo que tem a experiência de ver adulto chorando de ter aquilo como uma possibilidade da vida e ver que nem tudo acaba porque Aquilo acabou é uma experiência de perda ou de luto para usar o termo que você usou antes muito Forte como a nova geração que tem 10 15 20 anos de idade foi criada no Mundo dos Games e no Game a morte não é definitiva no Game você receta né e tem outra vida e você volta outra vez aí se diz quantas vidas
inclusive você tem esta lógica de um mundo sem luto Isto É em que você não tem a experiência da perda de maneira direta ela faz falta mas a gente afasta Isso de tudo né a gente Afasta a palavra morte de qualquer coisa dentro da nossa vida assim é no Consumo mesmo de carne a gente não se refere à carne a gente se refere à proteína né a gente tira a palavra morte de tudo e e isso gera esse esse é sem fazer o exagero besta aqui aqui eu vou fazer o exagero mas ele é besta
uhum também quando você tira um pé de alface do chão ele morre é certo quando você apanha uma fruta que tá no galho ela morre a questão mais séria em relação a outros animais é eles serem sem centes Isto é consciência claro né eu vou dizer Que um alface um nabo né que ele não tem ciência n isso então posso alguns assim até algum tempo você dizia o peixe não sente dor é e portanto você fazer a pesca esportiva e deixara ali enganchado no anzol furando parte da mandíbula dele é uma coisa faz parte hoje
a gente já olha de outro modo né esta ideia ela é boa porque quanto mais nós avançamos o cuidado e quanto mais nós amos a cautela com outras formas de vida mais isso melhora entre nós por exemplo todo o Movimento veganista ele é um movimento que contribui inclusive não só pra gente só mudar a linguagem sim né porque também o próprio movimento tal como o movimento vegetarian Insta começou a falar em feijoada de soja é é que é muito asséptico né você compra um um um pacote de carne bovina ou suína ou ou de peixe
ou que seja é é da mesma forma que você compra um um ele vem numa embalagem né ele ele é muito longe do processo né completamente é você não tem a noção de Tudo de todo o processo do que aquela carne processada teve para chegar até você e se você talvez se você tivesse noção desse processo você não consumiria tem um texto antigo na antropologia que é um texto que descreve num modo muito inteligente pega a palavra eh pega a palavra americano uhum e aí inverte e aí vira nacirema Se você pegar e inverter a
palavra trocar de trás para frente é nacirema E aí você lê é um texto sobre os Nacirema Quando você vai lendo você não vai entendendo ele descreve uma comunidade humana que são os nacirema Uhum que tem uma alimentação muito estranha eles de manhã eles se alimentam de células reprodutoras de aves Isto é ovo uhum de do vômito de alguns insetos que é Mel porque é o mel o vômito da abelha né daquilo que é uma parte do corpo de alguns outros animais eles vão descrevendo um típico café da manhã bacon bacon ovo né o mel
etc etc e você Vai ganhando nojo naquela situação até que você entende a inversão feita e vai ver não precisa ser norte-americanos ou americanos por que que eu levanto essa questão porque de Fato né a gente disfarça disfarça Isto é Tenta tirar farça a gente disfarça usando temos como proteína porque aquilo é boi Aquilo é vaca Aquilo é frango na prática vou usar a palavra certa né aquilo é um cadáver é um cadáver nós temos inclusive ferramentas de guardar cadáver chamado Freezer né cadáveres e partes você vai a um mercado você vai encontrar bancas de
cadáveres a discussão hoje é se a gente necessariamente tem que se alimentar também seguindo o Jogo da Vida Dado que a vida tem essa questão ou se a gente já com a capacidade que tem pode interromper Esse sistema de usar outras vidas desse modo pro nosso vestuário pra nossa alimentação Isto é se a gente pode gerar vida sem impulsionar mortes a ideia de morte aí vem de novo Porque Qual morte é repugnante é só a morte humana é aquela que a gente não quer ou a de outros seres também de qualquer maneira a noção da
Morte externa a nós ela é muito mais palatável uhum se eu Cortela aos 70 anos de idade fico sentado à noite quieto na cama pensando eu vou embora quando você diz assim não porque a Alice 4 anos de idade fala mas será que eu vou conhecer a Alice com 20 para eu conhecê-la com 20 eu tenho que viver mais de 16 anos para Eu viver mais de 16 anos eu tenho que ir até 76 eu tenho que bater nos 90 a pergunta é quero como que eu vou bater nos 90 eu vou bater degradado cada
vez trocando mais partes do corpo é né robotizando o modo sendo siborg isando né o meu organismo ou ou eu não quero ou você Pedro ou teus irmãos querem que eu fique só para terme junto ou ou tá na hora quando que tá na Hora né Tá na hora de quê Tá na hora porque é um fato tá na hora porque não tem como não sê-lo tá na hora porque é um desejo eu penso né Será que eu se eu eu tô dizendo agora se eu paro e penso Será que eu vou à formatura na
Faculdade dos meus netos e netas provavelmente não certo se eu imag Depende você se cuida não eu sei mas é difícil alguém com 96 com 86 n você tá ali né eu fui fumante durante 30 anos portanto existe um ônus para isso mas você pensa muito nisso não Mas se eu quiser Quando Às vezes quando penso eu penso bom nessa hora tem que ser stoico mas você tem uma noção de que já tá bom não não não tá bom mas estará não tá não de algum momento algum tem mais coisas que eu quero algum momento
você acha que as pessoas têm essa sensação Sim claro claro existe um na convivência com a sua mãe que faleceu H Pou temp 2022 com 93 anos e você conversava diariamente com ela né você foi vendo Ela perde um tanto da Lucidez mas ainda continuava bastante lúcida e lutando pela vida e lutando pela vida mas você Entendi entendeu que algum momento para ela veio a noção de já Bom verbalizou verbalizou ela disse quase assim tá bom para mim a partir de agora o sofrimento vai ficar mais forte eu não consigo mais né ir adiante Desse
modo é muito isso com 923 mas ela falava isso já sim falava no momento que ela foi quando ela foi Internada né e de 10 dias depois ela faleceu nos primeiros três dias da internação ainda ela tinha uma consciência muito mais lúcida e ela dizia filho né eu tô cansada tô cansada a ideia do cansao é algum uma ideia assim eu quero repousar evidentemente que a gente tem uma luta para não partir uhum no grego agonia agonia como protagonista antagonista você você agoniza quando você agoniza você tá lutando para para Continuar Mas há um momento
em que se dá um suspiro né que isso acontece com algumas pessoas quando a morte não é traumática né quando ela não é um impacto um acidente um assassinato mas quando ela é um Per em que a pessoa apaga né ela costuma dar um suspiro e às vezes coloca um sorriso não é estranho que a gente encontre nem alguns momentos de velor você t imagem até de que a pessoa tá sorrindo Mas não são tantas pessoas porque quase sempre nosso modo De Partir não é tão sereno Qual é o sonho de toda pessoa morrer dormindo
até porque esse fim da vida ele é muito com a acima de 85 90 ele acaba sendo doloroso porque é é é muito frágil né o final da vida do do meu avô do o começo e o fim é muito frágil mas o final era semana sim semana não ele tava no hospital e aí aquela fila para internar para para fazer todos os procedimentos e ficar e volta e volta para casa aí engasga com qualquer outra Coisa e volta pro hospital o final e era engraçado né porque tem essa quebra mesmo e essa quebra é
fácil de observar com o meu avô foi com 85 assim até os 85 ele parecia ter 60 anos depois ele parecia ter 90 e e 86 87 porque ele foi tendo uma complicação atrás da outra a a máquina começa a pifar mesmo com a minha avó também a a Dona Emília ela também ali com 90 ela já tava né no no na festa de 90 anos anos ela já tinha Uma uma condição mas ela foi ficando cada vez mais dependente da cuidadora né do do dia a dia ass isso não significa que a pessoa se
conforme e diga já tá bom porque a tua pergunta é você eu vai achar algum momento que já tá bom Espero que sim eu tenho isso como desejo é haverá um momento teu avô Jair contava uma coisa que eu achava impressionante impressionante é o momento em que um dos irmãos dele ele era o último de 13 é Portanto ele era o mais novo né e Portanto se ele era o mais novo com 91 anos você imagina enquanto isso faz tempo e também foi o último a falecer isso ele contava de um dos irmãos dele que
ele tava sentado certo ele usava chapéu né ele tava sentado em um determinado momento ele disse assim ah o Chico tá me chamando a frase seria essa me dá meu chapéu pegou o chapéu PIS e fala seu sentado certo isto é meu irmão tá me chamando meu irmão já houa falecido me dá meu chapéu pegou o chapéu Pôs na cabeça aí você fica olhando aquilo como uma bênção e não como um castigo porque como aconteceria esse modo de acontecer é o modo mais Pacífico A ideia do viver em paz para morrer em paz que é
título de livro meu o morrer em paz é a minha convicção de que um dia sim eu desejo ter clareza não é assim já deu tô cansado quero ir embora é que já tá bom isto é como a partirda aqui pode ser muito agoniante muito sofrido né É Desnecessário que seja então eu não abreviar eu nunca tive felizmente nunca tive a intenção de abreviar a minha vida de tirá-la a pessoas que o tem é algo sério a ser levado eu preciso procurar sempre apoio para isso é muito complicado porque nós podemos fazê-lo mas nós não
devemos fazê-lo mas pessoas que o fazem tem que ser entendidas especialmente se não foram cuidadas né deixadas ou a gente não percebeu eu nunca quis abreviar mas há um momento em Que eu prefiro não espero que isso aconteça que eu sente E aí fazer uma coisa que eu gosto de fazer autou o palitó de leve sento dou um sorrisinho na boca e diz assim bom fiz bastante coisa tive filhos e netos escrevi livro Passeei viajei Briguei resisti voltei fiz isso fiz aquilo Isto é lembrando a música do Chico Buarque né vida a frase inicial da
vida da música Pode ser olhada de dois modos um é vida minha vida olha o que é que eu fiz como Arrependimento a outra é colocar um ponto de exclamação vida minha vida Olha o que que eu fiz isto é como capacidade observar o caminho mas não é fácil digo de novo algo que eu te falava há pouco se eu imaginar quando eu olho meus netos e netas que algumas coisas deles eu não terei e porque eu acompanhei muitas pessoas idosas na vida até o final ao Observar isso Eu me vejo naquela condição e vejo
o número de limitações a pergunta Será Que eu quero passar por isso não será que eu passarei sei será que eu tenho que me preparar para retardar ao máximo passar né Por uma redução de capacidade habilidade Sim será que é inevitável não necessariamente viver bastante traz de um lado a ideia de que você teve uma vida longa mas não necessariamente Isso é bom eu lembro algo que você já ouviu dizer uma pessoa do porte de Oscar meer uma das pessoas mais criativas da contor na idade morreu com 104 anos de Idade quase sobre a prancheta
ainda elaborando coisas produzindo mas alguns meses antes dele falecer ele teve que fazer o sepultamento da filha dele de 80 e tantos anos a filha dele de a única filha de 80 e tantos anos alguém com 104 ele vai deixando tantas pessoas Isto é tem que vivenciar tantas perdas que ou vai criando um invólucro de preparação ou a pessoa vai carregando os mortos com ela o meu avô enterrou os 12 irmãos 12 Sendo Caçula isso é natural isso é esperado mas também ao conviver com pessoas mais velhas a gente vê que o mundo que ela
viveu ele também morre sim ele vai deixando de existir ele vai deixando de existir Então tudo fica fica desconhecido né passear pelas ruas de uma cidade como São Paulo que tá sempre mudando é uma é uma perda assim porque você vira duas esquinas e tem um novo comércio um novo prédio então eu lembro De passear com meu avô e ele se chocava com com com os bairros que ele conheceu e com as coisas que que tudo tinha mudado e por mais que você possa se manter o o Oscar niemer talvez como ponto fora da curva
pudesse ser alguém que tava acompanhando o mundo só que o mundo tomou uma velocidade tamanha que ninguém consegue acompanhar jovens não conseguem acompanhar eu durante uma grande parte da minha vida tinha que ir até a zona Sul de São Paulo diariamente para trabalhar há 6 anos eu não faço mais isso quando eu volto a zona sul de São Paulo eu não reconheço eu vi aqueles prédios aquelas coisas assim virou tudo diferente é impressionante como o mundo caminha rápido e aí a nossa memória vai trazendo o aquilo que a gente conhecia vai isso vai morrendo dentro
da gente também uma das coisas que a pessoa mais idosa faz às vezes ela é até eh tripudiar por pessoas mais jovens é Falar muito sobre o passado é né mas é preciso lembrar que a fora algumas pessoas que são obsessivas nessa questão de só falar do passado é o que ela tem como carga de transporte né eu dizer para alguém de e 80 anos né como aquilo que você tem para contar o número de vivências que ela passou a ter nos anos mais recentes da vida de alguém que tem 80 é muito limitado ela
fala do tempo da exuberância ela fala do paraíso perdido em algumas situações Nossos dois polos o de chegada e o de partida Eles são de uma fragilidade imensa eu brinco vezo outro Pedro que são muito assemelhados né quando eu tinha um ano e quando eu tiver digamos 90 é o filme do Brad Pitt lá né O que ele começa velho e vai rejuvenescendo Brad Pitt o autor é o ator Como é o Como é o nome Benjamin Button benjam Button eu pensei que era o Leonardo de C Ah é o Brad P Brad P Ah
é no meio do ele encontra a Amada no meio do caminho né e E claro é muito parecido um idoso com um um velho quando eu tinha um ano eu tinha que ser empurrado tinha quer um bebê com um idoso eu quando eu tinha um ano eu tinha que ser empurrado tinha que ser alimentado tinha que ser carregado tinha que ser colocada a fralde e retirada tinha que ser higienizado eu quase não tinha dente certo se você colocar a outra ponta pode ser esse esse movimento entre né a dependência imensa e de novo uma dependência
que pode ser imensa tem Pela vida pelo meio né O que se tem como vida a ideia de morte ela pode ser para nós uma razão de viver mais intensamente ou um Pânico que te paralisa há pessoas que por sabem porque todos sabemos que terminarão que ela portanto vive com aquele modo o tempo todo hesitante de fazer as coisas e há outros que entendem que é necessário sendo isso um fato que se vá aproveitar tal como é mas por exemplo nas coisas que você deixou claro para mim e pros meus irmãos você disse Que você
não gostaria da da permanência com com algum aparato médico ou seja um respirador ou algo assim ah que seja obsessivo que seja obsessivo porém com o seu pai você teve uma experiência que hoje eu vivo com a minha avó que é de necessitar cuidados porque a mente já não funciona mais Qual que é o como a gente procede nesse caso é por exemplo meu pai teve Alzheimer com 54 anos e faleceu com 60 muito jovem e faleceu muito jovem né Eu sou mais velho que o Meu pai 10 anos ele começou só que o paciente
com Alzheimer Como foi o caso dele não é idêntico para todos nos anos 80 ainda é nos anos 80 paciente com Alzheimer ele não tem como ele aos poucos vai perdendo a consciência também nos primeiros dois anos era muito difícil para ele Alzheimer porque ele não só tinha como ele sabia que tinha Em alguns momentos Isto é a Lucidez vinha à tona e naquela Hora quando ele percebia que ele tava dando trabalho que ele não conseguia mais ter autonomia que ele tinha que ser o tempo todo medicado e cuidado ele não queria viver mas depois
voltava de novo e de maneira geral o paciente com alz na condição que ele tinha não tem dor ele não tem sofrimento você pode abreviar a vida da pessoa não porque isso é assassinato em alguns países é chamado de eutanásia mas a eutanásia pressupõe né a autorização da própria pessoa na Autonomia que ela carrega ou suicídio assistido Como tem em alguns países como deliberação por outro lado o paciente com Alzheimer ele vai perdendo a memória Isto é o software dele vai Apagando os arquivos de agora para trás é de agora do ato da memória de
agora da memória próxima paraa memória remota No caso dele mas não tem dor Se você o alimenta direito se você dá ele abrigo Se você dá ele medicamento esse paciente vai estendendo a vida física física e claro Que terá uma vida emocional porque tá percebendo coisas tá sentindo carinho mas não sabe quem é né não tinha ele não tinha noção né de quem eram as pessoas e nem de quem era ele e é muito doloroso para quem cuida Claro é muito difícil de maneira geral o paciente com Alzheimer ele em algum momento ele desaprende a
engolir como você vai apagando todas as memórias e o engolir é um ato de aprendizado Tanto que uma criança um bebê gurita muito certo ele faz voltar o Leite que às vezes D desespero você acha que não vai aprender aprende mas desaprende porque Vão apagando as memórias é muito comum que a pessoa com Alzheimer ela tenha tenha por exemplo pneumonia alimentar porque ela não consegue engolir direito alguma coisa que deram a ela aquele alimento volta ele é aspirado na respiração e vai para o pulmão por isso quando por exemplo meu para pegar a experiência concreta
ele teve a Pneumonia não houve nenhuma recusa que ele fosse tratado dessa pneumonia é que essa pneumonia que ele teve de base alimentar por mais que ela fosse ali aspirada como foi ou com o uso de medicamentos que pudessem bloquear né o prosseguimento ele teve uma parada cardiorespiratório aí o próprio corpo dele que deu conta ele não podia decidir nós podíamos decidir E se ele estivesse ali naquela situação e se enxergasse que não haveria retorno que Qualquer tipo de manobra ressuscito ela seria apenas uma postergação imediata e de quase nenhuma eficácia eu diria não não
será feito se eu fosse o responsável em relação a mim eu já disse certo eu não quero mas o cuidado mediante uma falha da cabeça não você não vai ficar livre né não vai ficar nem você nem teus irmãos quero ser cuidado sim direitinho Se eu tiver algum tipo de degeneração né de memória quero continuar né porque Embora eu não V por exemplo se eu tiver algo como uma demência ou né o Alzheimer eh embora eu não V saber que eu sou quem tá à minha volta eu continuo sentindo carinho sabor de alimento continuo sentindo
o raio de sol você disse não teve dor ali não tem dor é porque ela é uma doença degenerativa cerebral que não induz né não pelo menos no caso de algumas pessoas não induz a isso mas não é fácil lidar quando a gente vê uma pessoa que se aproxima do Fim você pode desejar que esse fim seja do melhor modo e nem que ele seja longo porque você nota a dor isso vale em relação a qualquer outro ser a morte de algumas pessoas ela se torna justa quando você entende que a vida que permane se
ela seria horrorosa quem decide isso essa foi sempre uma grande questão a pena de morte que eu sou avesso a ela significa que eu possa ter o direito como sociedade de eliminar alguém que Produziu o mal ou como pode haver equívoco entre nós e nós temos histórias imensas de gente que equivocadamente foi colocada né no corredor da morte então preciso cautela ou por que que eu vou beneficiar alguém que praticou uma coisa horrorosa fazendo com que ela não olha só por ela não pague na vida por isso essas conversas todas trazem a morte no nosso
colo né uma criança ela é poupada até certo ponto mas ela não pode sê-lo né de modo É preciso tratar do tema de um modo que não seja bruto que não seja torturante mas precisa sim quando fala da estrelinha ou foi a criança tem de lidar com isso é a música você citou do Chico e tem aquela do Gil né que é não tenho medo da morte mas sim medo de morrer qual seria a diferença você há de perguntar é que a morte Já é depois que eu deixar de respirar morrer ainda é aqui na
vida no sol no ar ainda pode haver Dor e aí ele completa né ou vontade de fazer xixi né aham não tenho medo da morte Mas medo de morrer sim a morte é depois de mim mas quem vai morrer sou eu derradeiro o ato meu e eu terei que estar presente a o momento da morte ali né o o momento o o fim o segundo o fim depois não estará depois não estará mais é por isso que no Livro viver em paz para morrer em paz eu cito o Epitáfio do Maro Quintana no túmulo que
ele pediu que ele que Escreveu eu não estou aqui exato mas até ele não estar ele estava até eu não estar ou até você ou quem está conosco no podcast Será que a morte é Furiosa em princípio o uso da expressão vai acalmar porque a morte é a sensação da fúria Uhum Ela é o término da fúria portanto ela é o momento que deve ser desejado essa é uma questão a religião Ela serve para explicar a morte muitas vezes é para serenar Em algumas situações para dizer que nós somos de passagem ou seja a concepção
kardecista dos algumas das religiões que são reencarnacionistas como é o caso dos cultos órficos no passado né dos persas depois mais tarde entre os gregos antigos aquilo que os celtas trouxeram que influenciou o kardecismo a partir Claro das ideias do Kardec a ideia da reencarnação ela é muito usual sim a Concepção platônica na filosofia é uma concepção reincarna O cristianismo não é reincarna acona ele é ressurrei não se pode confundir as duas coisas uma coisa é imaginar que a minha vida acaba Eu tenho um princípio identitário que é o meu âmago chamado alma Uhum E
que quando eu morro esta alma sobrevive porque ela é imaterial e ela volta Isto é ela ganha corpo de novo ela é Reencarnada o nome disso é reencarnacion ismo há várias religiões que trazem isso outras como é o caso do Judaísmo do cristianismo e o Islamismo elas são ressurrei istas Isto é eu morro minha alma sobrevive Fica num lugar né absolutamente tranquilo Se eu fiz o bem uhum e um dia ela ressurgirá Isto é ela vai voltar à Vida num corpo Místico num corpo que não é mais sede nem Morada de dor de Sofrimento de
necessidade de aspiração Isso é o ressurrei né se você olhar já houve dentro do Judaísmo algumas linhas que eram reincarna mas há uma incompatibilidade entre a concepção Judaica Cristã islâmica e a ideia né da reencarnação porque a noção de reencarnação teria que lidar no caso dessas religiões que Eu mencionei com a noção de que a alma ela vai tendo chances sucessivas uhum e uma das bases do Judaísmo cristianismo e Islamismo é o seguinte não tem rascunha é isso aqui Certo é aqui e dentro dessa explicação Mística a morte você entende como algo totalmente explicado Ou
seja quando meu avô foi internado PR a morrer uma de várias né internações que ele teve na que ele faleceu as pessoas que estavam em volta contam né a eh que ele tava vendo a mãe dele por trás dos médicos ali chegando na sala né onde ele tava internado passando aquele momento ele viu a mãe dele que já é falecida mais de 40 Anos 30 anos e ela tava buscando ele É né Eh entre outr as várias histórias que a gente não explica de fim da vida das pessoas a ciência um pouco explica né o
das conexões do cérebro que você tá no momento ou de dor ou de ou ou ou ou daquele momento final tem aquele tem aquela explicação das se não me engando 23 G 27 G que é o momento em que a alma deixa o seu corpo que é o exato momento da sua morte que se você tiver uma balança de extrema precisão Quando a pessoa morre ela perde isso eu NC tem um Filme é tem um filme é com o champag inclusive é é que é justamente a hora da morte é a hora da perda de
20 acho que é 23 G Não sei depois eu vou checar Mas enfim eh como você encara a morte dentro dessa parte que a gente não explica porque isso tem a ver com o luto tem a ver com quem fica tem a ver com a gente precisar manter uma comunicação depois que você se for em tese quem morre não tem que ter explicação nenhuma e nem dá-la né na Crença não é é tudo para quem fica não depende da religião você tem religiões que creem que quem morre não morre Isto é morre só o corpo
mas quem tem religião é quem está aqui então quem tem é quem está aqui mas algumas das religiões creem que quem já não está mais fisicamente volte com a sua parte mortal e se comunique se comunique ou se reincarne se reincarne se comunique com certeza e e e e chav esse relato que você fez da pessoa que Naquele momento em que ela percebe a vida esvaindo a ciência não tem a ciência não tem nenhuma explicação ela não tem e ela se coloca nessa condição tanto que a noção de cuidados paliativos que ainda bem cada vez
cresce mais no campo da medicina é para você restringir no limite máximo o desconforto o sofrimento de alguém mas não tem uma explicação é a possibilidade de dar paz à pessoa naquele momento final Ou seja no final as pessoas querem fazer o bem As pessoas querem partir bem as pessoas querem pedir desculpas as pessoas querem se aproximar de quem elas perderam dá mais é mas isso pode ser provido dentro de uma medicina ou dentro de um cuidado que que seja é uma das coisas que que entenda que a a a morte é parte da vida
Uma das coisas que a medicina tem feito onde é possível é retomar uma prática antiga que era a pessoa falecer em casa é cercada das pessoas da família no local que seja familiar literalmente Habitual né dado que a estrutura hospitalar que é uma coisa que tem menos de 400 anos né entre nós desse modo que é um lugar anônimo exato no entanto existe hoje casas de transição hospitais de transição que não é nem estrutura hospitalar né usual E nem a morada porque ela não oferece toda a condição é uma que faz o papel de casa
e ao mesmo tempo de estrutura de cuidado mas há algo que é muito marcante nisso que você lembrava né em relação à ideia De partir de enxergar de ver de continuar da pessoa ter ali uma descrição de que ela tá vendo algo sentindo algo relatar mas el não tem uma comprovação mudou na ciência médica qual era o ponto em que você declara que alguém tá morto ou não certo durante séculos a evidência da Morte era da respiração tanto que durante séculos se usou como forma de aferição se a pessoa tinha morrido se ela tava respirando
ou não e a maneira de fazê-lo ela colocar Por exemplo uma parte do estetoscópio ou um espelhinho sob a narina para ver se embaça para ver se embaça se não embaça né a pessoa ainda estava aliás já estava morta hoje não há mais esse critério hoje o critério em relação a funcionamento do cérebro uhum para você declarar alguém morto ou que ele não voltará ou ela se dirá que pararam todas as manifestações cerebrais também se declara que não terá mais funções vitais exceto o cérebro Quando se vai por exemplo conversar sobre doação de órgãos de
alguém que teve morte cerebral os órgãos continuam funcionando mas o cérebro cessou a sua ação mais expressiva humana ele tá Só mantendo aquilo automaticamente o coração o pulmão etc e é possível fazê-lo também com us de máquinas de maneira a preservar né aquela biologia e aquela fisiologia para se poder usar as partes do corpo doadas mas mudou o critério mas se você perguntaram na Ciência O que é que define parou de respirar não parou de bater o coração bom vai parar as outras partes o cérebro parou de funcionar e depois que ele para Será que
tenha mais alguma coisa em operação não sabemos na ciência não sabe poderá vir a saber nós estamos chegando perto dessa identificação o não poder morrer é desesperador na situação que você estiver em outras situações a morte é desesperadora eu não quero né Eu não Quero ir dis ou eu quero Então esse campo do desejo sempre é comparado à vida por que se busca falar como aí aparece o Tabu Porque nós não queremos tratar de algo que não é agradável no mais das vezes pode sê-lo agradável Em algum momento mas não é agradável mais das vezes
não é porque a gente tem que lidar com ela e a gente tem que continuar vivendo Apesar das pessoas que já se foram e trazendo um pouco delas com a gente isso É o luto né sim como que nós levaremos um pouco de você não só nós todo mundo que nos escuta num grande fúria do mundo sendo que a morte pode ser o fechamento de um ciclo pode Leonardo bof disse um dia num programa de TV que eu fiz por muito tempo chamado diálogos impertinentes uhum o primeiro desses programas foi o desejo e que inspirou
tantos temas da grande fula do mundo e o primeiro programa foi o desejo Uhum E nesse Programa eu perguntei ao Leonardo bof nunca esqueci disso até depis disso acho que num dos livros eh eu disse a ele bom era usual porque não tava terminando disse era usual quando a pessoa ia ser por exemplo ser fuzilada ou ser executada perguntar qual era o teu Último desejo e o programa era sobre isso e ele disse algo que eu acho genial ele disse meu último desejo é ver Deus mas eu teria muito mais perguntas para fazer para ele
do que ele para mim mas e Na sequência ele disse eu não tenho medo da morte se fosse o último momento por uma razão tal como eu temi nascer tal como eu vim des do útero da minha mãe para este de um modo incomodante sofrido saindo de um lugar completamente confortável que era útero para esse mundo eu imagino que eu também vá ter uma transição né para uma outra realidade não é casual que as pessoas cada vez mais Falem em Passagem n fez a passagem fez a passagem passagem para Onde você diria bom passagem para
o fim então não é passagem é a conclusão fim da estrada cheio de plaquinha né mas se dirá Não não é né é a passagem para uma outra realidade eu acho que quando Manuel de Barros o poeta Cuiabano né ele já bastante idoso né ele morreu com quase 98 anos perguntavam ele como é que o senhor sente com essa idade diz eu não tô indo em direção ao fim tô indo em direção às origens e o que morre dentro de você dentro do fim da segunda Temporada da grande fúria do mundo ah não morre é
só passagem é sempre são as passagens não são repetições as passagens não são retomadas a passagem é a capacidade da permanência seja a primeira temporada seja segunda elas ficam comigo e quando eu não mais estiver Isto é quando né eu não for o portador dessa sensação Se isso tiver sido partilhado ficará é o que vale fica em todo mundo que nos ouve talvez a gente deseja que assim seja aham E aí a Gente fala do Tabu para que ele deixe de sê-lo Mas a gente não tira todos os tabus porque é bom de vez em
quando imaginar que haja interditos e que a gente não viva uma vida que seja só baseada na produção ou na reflexão mas que ela seja uma vida que vale a pena e a pena aí é que é complicada porque a noção de valer a pena é que há uma pena Isto é um suplício um castigo de estar vivo e h eu acho que é mau viver esse é o castigo se você Vive bem você não tá vivendo sem dificuldade sem crenca sem turbulência você tá vivendo com a ideia de que você não tá deixando de
buscar que a vida seja mais exuberante mais densa mais partilhada né E aí a fúria que existe ela deixa de existir a gente não explicou todas mas eu acho que a gente explicou ou refletiu sobre grande parte porque se a gente tivesse explicado todas também para que viver para que viver e ainda é morreu não né continua e Onde nas outras sequências das pessoas e da vida muito bem [Música]