[Música] Olá, pessoal. Sejam todos muito bem-vindos. Então, vamos começar a nossa primeira aula, a parte introdutória desse dessa disciplina de projetos de irrigação, que faz parte desse curso de especialização em recursos hídricos.
OK? Bem, nessa aula nós vamos falar a parte introdutória, eh, fazendo uma caracterização e a importância da agricultura irrigada, dando embasamento para aquilo que a gente vai discutir depois sobre os projetos de irrigação, OK? Eh, como já me apresentei, eu sou professor Gustavo Hadad, professor do IFS Campo Santa Teresa.
Muito bem. Eh, o conteúdo que nós vamos abordar na disciplina, né, nós vamos começar eh com a parte mais de embasamento, tá? Vamos falar um pouco sobre água no solo, eh vamos falar sobre a hidráulica aplicada a sistemas de irrigação.
Depois nós vamos entrar propriamente dito nos projetos de irrigação por aspersão convencional, depois nos projetos de irrigação localizada. Focando mais em gotejamento, né? Vamos falar da seleção de motobombas, como fazer o memorial de cálculo indescritível e também como fazer uma lista de material, tá certo?
As nossas avaliações serão feitas com listas de exercícios. Então, teremos duas listas de exercícios, sendo a primeira compreendendo as unidades 1 a tr valendo 30 pontos e a segunda das unidades 4 a se também valendo 30 pontos. Teremos também duas provas presenciais, valendo 20 pontos cada uma, tá certo?
E o conteúdo também seguindo a mesma linha das lista de exercícios. OK? Bem, então começando a nossa reflexão sobre agricultura irrigada, tá?
Deixa eu fechar meu vídeo aqui para melhorar a apresentação. Então, eh, nessa figurinha a gente consegue fazer uma reflexão sobre o que é irrigação, o que é agricultura irrigada. A primeira vista, né, o que as pessoas pensam que é irrigação?
Molhar, né, distribuir tubos, conduzir água até a lavoura e jogar essa água ali para molhar a cultura, né, muitas vezes sem critério técnico. OK? Olhando essa imagem, pode dar a impressão que eh teria como fazer uma boa irrigação nessas condições.
O que temos ali? um pequeno canteiro que foi limpo por esse por esse jovem e ele contém um regador que está distribuindo água, né? Então, a primeira vista a gente pode ter a ideia que seria possível fazer uma irrigação de qualidade utilizando este equipamento, né?
Bem, que que a gente pode refletir sobre isso? Se eu informar, né, se nós sabemos que 1 mm de água é igual a 1 L/ m², tá certo? Se para facilitar os cálculos eu disser que esse canteiro que ele vai molhar tem 1 m², né?
E se de alguma forma fosse informado para esse rapaz aí que seria necessário aplicar 5 mm de água por dia, que seria relativo a a demanda de água por essa cultura que será instalada, né? Então, olha só, gente, se a gente colocar 5 L de água dentro desse irrigador e distribuir bem uniforme nessa área, a gente pode dizer que a irrigação foi bem feita? Perfeita, sim.
Eh, não existe equipamento de irrigação melhor para fazer distribuição de água, não é? Então, a gente começa a entender que não é o equipamento em si que vai dizer se a irrigação tem qualidade ou não, tá? O que vai definir se a irrigação vai ser bem feita como o equipamento é utilizado, tá certo?
Então nós temos aqui esse rapazinho espalhando a água de forma uniforme. Eu se ele conseguir distribuir bem, eu posso dizer que foi uma irrigação 100% eficiente, tá? Ou seja, não existe pivô central, não existe aspersão, gotejamento que faça uma irrigação mais bem feita do que e nesse nessa condição aqui.
Porém, se eu precisar irrigar 10 ha, será que que esse rapaz daria conta de irrigar com esse ergador? É óbvio que não, né? Então a gente começa a entender que para cada situação existe uma forma adequada, existe um equipamento adequado para se fazer aquela irrigação, tá certo?
Então, se a gente fosse irgar 10 haar dessa forma, quantos regadores eu precisaria? Quantos meninos desse aí precisariam para fazer essa irrigação, não é mesmo? Então, a gente começa a entender o o como usar adequadamente os equipamentos e que cada situação exige uma condição específica, um equipamento específico, tá certo?
Olha, essa segunda imagem é que eu chamo de realidade da irrigação em nosso estado aqui no Espírito Santo, não é? Vocês que já conhecem aí bastante devem ter rodado, visto várias propriedades. É uma cena comum, né?
Que que nós vemos aqui? Uma aspersão irrigando vários tipos de culturas diferentes ao mesmo tempo, né? Observem o traçado da tubulação.
A gente tem tubo subindo, puxado para um lado, espichado pro outro. Cabe a pergunta, será que houve projeto? Será que houve um dimensionamento dessa irrigação, né?
Será que essa motobomba que toca essa irrigação, ela foi dimensionada adequadamente? Só de olhar o sistema, dá para se dizer que não. Não é?
Não tem um espaçamento aí padronizado, né? os tubos estão eh dispostos eh sem conformidade, sem um alinhamento padronizado. Então essa é uma realidade comum na na no nosso estado e é uma realidade que que dificilmente vai trazer uma irrigação de boa qualidade.
O que que eu chamo uma irrigação de boa qualidade? aplicando a lâmina necessária na quantidade requerida pelas plantas, de forma que essa água seja distribuída o mais uniformemente possível, tá certo? E por outro lado, eu vou chegar como projetista e vou na propriedade e falar com o agricultor: "Retire tudo isso, jogue fora e vamos colocar tudo novo.
" Eu também não posso fazer isso, não é verdade? Existe a forma da gente redimensionar a irrigação já existente, aproveitando tubulações, aproveitando a motobomba, aproveitando os emissores, os aspessores, mangueiras, eventuais que sejam estejam no equipamento. Então, há como aproveitar, mas o mais importante é que se faça o cálculo exato do diâmetro da tubulação, tá certo?
Da vazão que vai passar por aquele diâmetro, da potência da motobomba, tá certo? da intensidade com que ela vai aplicar a água e por aí vai. Vejamos essa nova imagem.
E eu até coloquei a palavra ali sustentabilidade. Será que essa situação aí, essa área irrigada é sustentável? Vejam bem a declividade deste terreno.
Um terreno muito declivoso, irrigado por aspersão e sem cobertura, né? Então, gente, a gente entende também que a irrigação ela é apenas uma ferramenta. Ela deve ser utilizada com muitas outras para garantir uma produção agrícola sustentável, tá certo?
Então, só pegar irrigação, pegar uma área sem irrigação, montar um cano e as pessoas e achar que isso vai melhorar a condição de produtividade, isso vai trazer mais retorno à propriedade, isso é enganoso, não é mesmo? Então essa figura, olha quanta coisa errada a gente vê aqui. O espaçamento dos as pessoas não está padronizado, né?
A declividade não é adequada para esse tipo de irrigação nessa condição de cobertura de solo. Essa cultura cultivada nessa declividade também não é a mais apropriada. E a gente vê as consequências disso, várias erosões, né?
E as consequências dessas erosões, esse solo que foi perdido aqui, a parte fértil do terreno, ela foi-se embora, foi parar nas estradas dentro dos rios, trazendo diversos problemas, tanto problemas sociais quanto problemas ambientais. E aí, nessa foto, essa aqui é a foto de um rio que passa aqui no nosso campus do IFS de Santa Teresa, é o rio Santa Maria do Doce. Isso ocorreu em 3 de fevereiro de 2015.
Que que a gente observa aí? O rio está parado, ele parou de correr. Ele tem um pouco de água empoada, mas a água não corre mais.
E a gente vê vários bancos de areia. Da onde será que veio essa areia presente nessa calha deste rio? Não é?
Veio lá daquela encosta que não foi feita a medida de conservação necessária. E aqui causou esse grande problema, não é mesmo? Então o que que tem a ver esse rio com a irrigação?
Esse rio ele é muito usado para irrigação. Vários agricultores usam como fonte de água e se parou de correr, acabou a água. E por que que essa água acabou?
Será que foi um ano seco? Aí nós temos vários fatores. Será que foi extraída muito mais água do que o rio comportava?
Aí eu vou mostrar a próxima foto, que é o mesmo rio no ano seguinte. Olha a situação. Já é em abril.
Vamos atentar ao fato, gente, que fevereiro é geralmente época chuvosa, abril é o final do período chuvoso. Então, este rio deveria estar caudaloso, cheio. E olha a nossa situação.
Ah, mas sou um ano antico. Tudo bem, vamos passar a foto. 2017, olha novamente o mesmo rio, na mesma no mesmo local que eu tirei a foto.
Tá correndo um pouco de água, mas está praticamente seco, não é? Isso no final, no meio do mês, do mês de março, ao final do período chuvoso. E aí nós vemos em 2018, em fevereiro.
É assim que a gente gostaria de ver esse rio, não com essa coloração, é claro, né, que essa coloração barrenta é indicador de que houve muita deposição de argila em função desse dessas erosões das encostas. Então, gente, eh este rio deveria estar assim todos os anos. Mas o que causou tudo isso?
É claro, como eu falei, tem várias vários fatores, né? Olha esse mapa aqui do nosso estado fornecido pelo Incapé com a precipitação normalizada. Aqui a gente observa algumas regiões, principalmente na região serrana, indo para o norte do estado, que a gente teve eh uma um cenário de moderadamente seco para extremamente seco nessa região central do estado, não é?
E tivemos uma seca incipiente na maior parte, ou seja, foi um ano seco que converge com aquela imagem, não é? Na localização que nós estamos aqui, Santa Teresa, bem no miolo do estado aqui, na região central, a gente teve uma seca severa nesse ano também. Olha esses outros aqui.
Do ano 2017, em janeiro, observe como o ano está seco, o mapa do estado praticamente todo em vermelho, ou seja, tendo uma anomalia de precipitação, né? E aí sim, em maio voltou a a a chover, mas só que isso ocorreu mais para região litorânia, no norte, região central, região metropolitana do estado. OK?
O que que causou esses anos secos aí 2015, 2016, depois início de 2017? Nessa figura aqui a gente vê várias ocorrências do fenômeno El ninho, tá? Vocês já devem ter ouvido falar que é aquele fenômeno em que ocorre o aquecimento das águas do Oceano Pacífico e isso muda a forma com que as massas de de ar úmido elas se deslocam no planeta.
E aí em algumas regiões traz seca, outras regiões traz fortes chuvas, outras regiões traz calor excessivo, ou seja, depende da região, isso pode causar muitos problemas. para o sudeste brasileiro, que é onde nós estamos, a gente vê essas setinhas aí apontando quando ocorreu o fenômeno ninho em forte intensidade. Observe que nós temos dados aqui de mais de 100 anos, tá?
Desde 1877, quase 200 eh mais 150 anos ali, né, de dados. E aí é comum a gente falar assim: cada vez mais está havendo eventos extremos. Será que essa frequência de eventos extremos do Einho, claro que o eho é só um dos fenômenos, né?
Mas será que ele está sendo mais frequente? Observe nos anos anteriores, de 1800 e pouco para agora. Eu diria que a intensidade dooninho, ela tá ficando menos frequente os avientos de forte intensidade.
A gente tem ali dados até 2015, 2016. Esses são dados do CPTEC do IMP, tá certo? Então nós vemos que não é só o o a explicação de que os eventos extremos estão mais frequentes, não é uma boa explicação para isso, tá certo?
Vamos ver o próximo slide aqui. Mostra nesse gráfico o em uma estação montada no litoral do Peru, tá certo? Mostrando qual era a temperatura da água, da temperatura sobre o mar.
E aqui a gente vê anos de picos vermelhos são de alto eh alta temperatura, alta variação que provocou o Eloninho e anos de resfriamento, não é? E a gente vê nitidamente que 2015, 2016, aqui no final do gráfico, a gente teve sim eventos extremos, não é? Então isso sim causou esses eventos de de forte intensidade do Elninho, né?
Agora, olha que interessante, se nós parearmos a ocorrência do de eventos do Elninho de forte intensidade com a evolução da área irrigada no Brasil, dados fornecidos pela Associação Brasileira de da Indústria de Máquinas, a BMAC, tá? que é parte da Câmara Setorial de Irrigação. Eh, nós vemos que quando a gente tinha lá um 1957, 1959, foi um evento de forte intensidade, nós tínhamos 500.
000 haares irrigados no Brasil. Isso foi evoluindo em 201516, que é a última ocorrência, essa área já era 6 milhões de hectares. Ou seja, nós tivemos uma evolução, uma ampliação bastante grande da área irrigada no país.
No ano passado, a agência GOV divulgou que a a área irrigada no Brasil atingiu 9,2 milhões de hectares. Observem que há um crescimento exponencial. E isso, gente, sabendo que a irrigação é um grande demandante de água, nós podemos dizer sim, podemos afirmar que a o aumento da área irrigada tem causado conflito pelo uso da água, tá certo?
Então, a solução seria o quê? Parar de irrigar? É claro que não.
Não é essa a solução, porque a irrigação ela é necessária. Se o país quer se desenvolver, quer produzir alimento, quer garantir a exportação e o atendimento interno, precisa sim evoluir a área irrigada. Apesar de a gente ver esses números e parecer que a irrigação ela já está em muito avançada, comparado com outros países mundo afora, nós estamos bem aqui, muito abaixo.
A gente tem muita área para evoluir ainda, tá certo? E aqui essa esse encarte, ele traz o encarte da ONU, né? ele traz o quais seriam as possíveis soluções para o soluções para o o uso da água, o conflito pelo uso da água, né?
Que que ele diz aqui, ó, nessa parte superior, 90 97% da água do planeta é água salgada, tá nos oceanos, 2% tá nas geleiras e somente 1% dessa água é que é a chamada água doce, né? Mas dessa água doce, boa parte dela também é subterrânea, né? Essa água ela é distribuída em uso industrial, municipal e agrícola.
E a gente tem um problema que o que por quê? Existe um conflito pelo uso da água, pelos três setores, né? Aqui diz que 69% da água vai para agricultura, não é?
E aí é o setor que mais demanda água, sem dúvida. E aí comparado com outros setores, como o uso doméstico, por exemplo, que é o que a gente diria que é o o setor primário de uso da água, quando a agricultura usa muita água, pode faltar em algumas regiões a água nas residências, o uso municipal, tá certo? E como contornar esse problema sabendo que a população ainda vai crescer e vai demandar mais água?
Primeiro, transferência de água, fazer as transposições. Vocês já devem ter ouvido falar da transposição do rio São Francisco. É uma obra polêmica, porém necessária, né?
E não é única no mundo. Existem vários outros projetos de de transposição mundo afora, seja no rio Colorado dos Estados Unidos, seja na China, na Índia, tá? Na África, tem vários projetos de transposição de sucesso que garantiram desenvolvimento para aquelas regiões, tá?
Segunda solução, o reuso da água. É o uso de águas já usadas, como esgoto doméstico, água residuária de indústria, de agroindústria, seria também uma uma solução. Terceira solução, cobrança pelo uso da água.
Também é um assunto polêmico, mas é uma uma ação inevitável. No futuro breve, toda a água de irrigação praticamente vai ser cobrada, tá? Não estou aqui para discutir se é certo ou se é errado, mas isso aí vai acontecer, tá certo?
Quarta solução, uso de plantas alternativas, plantas que sejam mais adaptadas à realidade daquele local. Por exemplo, plantar morango no semiárido nordestino. Será que é possível?
Possível é, mas será que é o mais adequado? Então, no caso de forrageiras, plantar capintifon ou mombasa, que são altamente exigentes em água em região que tem pouca água. que é muito quente, que é muito seca.
Então, por que não usar plantas alternativas, plantas que exigem menos água para produzir? OK? Quinta solução, dessalinização da água.
Hoje já é possível dessalinizar a água do mar para consumo doméstico, porém para irrigação, devido à demanda de grande volume, isso não é possível. Quem sabe num futuro isso possa ocorrer, né? E a sexta solução é o quê?
Irrigação eficiente. Isso aí passando pelo projeto, pela instalação, produtos de qualidade, controle no uso e manutenção, tá certo? Então, apesar de estar em sexta colocação aqui, ela não é menos importante do que as outras soluções, tá certo?
Então nós vemos que o uso eficiente da água via irrigação, ele é sim uma das formas da gente contornar esse grande problema do conflito pelo uso da água munda. Nessa figura a gente vê para onde a água é usada no mundo, né? Se a gente pegar em termos mundiais, se diz que ali 69%, quase 70 vai paraa agricultura, 22% para a indústria e em torno de 8% ali mais ou menos ou 7 8% para eh o uso doméstico, tá certo?
Agora, olha só, gente, quando a gente vai paraa América Latina e Caribe, que é onde nós estamos aqui, né? Mais de 70% vai pra agricultura e menos de 10% vai pra indústria. Tá vendo que muda um pouco o cenário?
Quando a gente vai para o Oriente Médio, mais de 90% da água vai para agricultura. Por que será que isso acontece? Porque lá não é que não tem água, é que tem pouca água.
E o pouco de água que tem é usado para produção de alimento. Produção de alimento, gente, é ela deve ser local. Por quê?
Na sua maioria alimento é volumoso, é caro para transportar, é caro para importar. Então, se um país quer ser soberano, ele deve sim garantir produção interna de alimentos para seu próprio abastecimento e, claro, exportação, né? E olha só, quando a gente vai paraos países desenvolvidos, América do Norte e a Europa inverte, a indústria é que consome a maior parte da água, não é?
E aí quer dizer que eles gastam pouca água na agricultura? Não, eles gastam muito, mais até do que os países latino-americanos. Porém, a indústria é muito desenvolvida e a maior parte da água vai sim para a indústria.
Nesse outro slide aqui, a gente vê um cenário no Brasil, né? Como que isso ocorre? Aqui a gente tem uma um a gente destrincha melhor, né?
A gente separa melhor os usos. E quando a gente coloca uso somente para irrigação, nós vemos que praticamente metade da água vai para agricultura. Porém, nós nós devemos ressaltar que uso da água na agricultura é um uso nobre.
produzir alimento é um uso nobre da água, até porque toda a água que é aplicada via irrigação, ela vai para a cultura, ela infiltra no solo, a planta absorve, a planta transpira e essa água volta para o ciclo hidrológico, forma vapor d'água que forma nuvem e volta a chover. O único problema é que essa chuva a gente não pode garantir que ela ocorra no mesmo local que ela transpirou, não é mesmo? E se a gente compara logo abaixo ali, veja lá, mineração 1,7%.
Então assim, em números frios, a gente pode dizer: "Ah, isso aí não causa impacto nenhum". Mas nós já vimos como que algumas atividades de mineração trouxeram grandes impactos, muito maiores do que o impacto da agricultura, não é mesmo? Então a gente tem que ter cuidado na hora que a gente diz: "Ah, a agricultura, irrigação consome metade da água do do país.
" Isso é uma verdade, mas tem que a gente tem que entender a importância do setor da agricultura e da agricultura irrigada, ok? Onde está a água no Brasil, né? Eh, a gente sabe que o Brasil é onde mais tem água no mundo, né?
Porém, é uma pena que ela não é bem distribuída. A gente vê ali, ó, que 65% da água está na bacia amazônica, na região norte. A segunda maior parte tá na bacia do Pantanal, no Centroeste, né?
E depois as outras regiões, elas vêm com quase nada de água. Estão vendo ali o Nordeste? Eh, com muito pouca água e tem uma boa parcela de área irrigada.
O Sudeste que tem e o Sul, que tem e as maiores áreas irrigadas, não tem tanta água assim disponível. E onde mais tem água, que é na bacia amazônica e do Pantanal, é onde menos se irriga. Então observem que a gente tem uma um contracenso, né, uma discrepância.
Onde mais irriga é onde menos tem água. Onde mais tem água é onde menos se irriga. E aí vem a pergunta, seria possível levar a água do norte para o Nordeste, por exemplo?
Hoje eu não sei se seria viável, mas eu acredito que num futuro essa transposição dessa água vai ser uma necessidade. Nessa outra figura, a gente vê a evolução da área irrigada. Lembra que eu falei que a gente tem a ideia que o Brasil hoje com 9,2 milhões de hectares irrigados, né?
A gente tem muita área irrigada. Vamos comparar com outros países. Por exemplo, olha ali naquele gráfico, linha laranja, amarela é o Brasil.
Veja que o Brasil irriga menos que a Indonésia. A Indonésia é do tamanho do estado de São Paulo, gente. E o Brasil irriga menos que Indonésia.
Vamos comparar com Índia e China. A Índia e a China, cada uma irriga mais de 10 vezes mais do que o Brasil, tá certo? Muita gente pode argumentar: "Ah, mas lá é muita irrigação por inundação, arroz irrigado.
Sim, é a maior parte, mas ainda assim é um indicador que a gente tem muita área para evoluir, a gente tem muito que crescer. Tá? E nessa figura a gente vê esse potencial de expansão da irrigação.
Veja bem, no Sudeste nós temos quase 1 milhão de hectares irrigadas. Qual o potencial? Quatro vezes mais.
Na região sul, mesmo cenário. Região Centro-Oeste, olha a área irrigada, 212. 000, pode chegar 7 milhões.
Olha o Nordeste, 500. 000 1000 haar pode chegar a 1 milhão. Realmente o Nordeste tem uma limitação por falta do da disponibilidade de recursos hídricos, né?
Na região norte tem 88. 000 haar irrigados e o potencial é o maior do Brasil inteiro devido à grande disponibilidade de água. E aí alguém pode argumentar: "Ah, mas e com se fala tanto em em não fazer desmatamento, como que a gente vai aumentar essa área irrigada desmatando?
" Não é desmatando. Gente, esse estudo aqui ele considera que não será derrubada uma árvore. É somente incorporando áreas de sequeiro, a agricultura irrigada.
OK? Isso é bom ou ruim? Olha, para nós que somos profissionais da área de agricultura irrigada, isso é excelente.
É um mercado com grande potencial, tá? Eu, como professor Keduifs, muitas vezes frequentemente recebo ligações de de conhecidos procurando gente para trabalhar na área de irrigação e eu não tenho a quem indicar. Então eu fico feliz quando vejo um curso focado em recursos hídricos, que a gente tem pautas de projeto de irrigação, manejo de irrigação que tem a procura, porque vocês que estão fazendo esse curso tem um grande potencial de atuar nessas áreas.
Olha só a relação de área cultivada vezes irrigada versus irrigada no mundo, né? No mundo se irriga, se cultiva 1,9 bilhão de hectares quase. E quanto é irrigado?
20% disso, 374 milhões de hectares, não é? Vamos ver no Brasil nós temos aí quase 74 milhões de hectares cultivados no Brasil, porém somente 11% é irrigado. Então, vendo novamente a discrepância, como que nós estamos a quem em números em relação ao resto do mundo.
Então, é mais um indicador que nós temos sim potencial para crescer muito a agricultura irrigada e isso é geração de emprego, é geração de renda, é geração de desenvolvimento. Nós temos que apostar nesse setor. Aonde está a área irrigada no Brasil?
Nessas regiões coloridas. A gente vem ali no Rio, no sul do Rio Grande do Sul, na parte oeste de Minas e Triângulo Mineiro, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, pega aquela região oeste também de Tocantins e aquela região que tá crescendo muito, que é o aquela eh convergência dos quatro estados, Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, o chamado Matopía, pega ali a região do Oeste Baiano, é a região da de uma grande fronteira agrícola com grande expansão da área irrigada. E claro, mais a norte ali a região de do polo petrolino Juazeiro, né?
No Espírito Santo a gente vê que, né, segundo eh esse estudo, né, esse levantamento, a maior parte da irrigação está no no na região norte do estado, mas nós sabemos que não entra nesse cômputo aqui aquelas irrigações de pequenas propriedades, né? Se a gente olhar quais são as culturas consideradas aqui, a gente vê basicamente café em sua maioria e cana, tá certo? E a gente sabe que na região sul, região serrana do estado, existe muita área com eh hot fruit sendo irrigados.
Olha que interessante para ver eh como que ocorre o consumo de água para agricultura, né, comparando com o consumo humano e o impacto que que isso tem na no conflito pelo uso da água, considerando um uso confortável de 200 L de água por dia. Isso são dados da FAL, tá bom, gente? E comparando de quanto de água que a gente precisa para produzir 1 kg de arroz, veja bem ali, gente, quase 2 ml de água.
Para produzir 1 kg de frango, 3. 500 L de água. 1 kg de milho, 570 L.
Se a gente comparar uma área média, um pivô de 70 ha, ele daria o consumo de água igual a uma população de 17. 500 pessoas, ou seja, uma pequena cidade, várias cidades do do Espírito Santo não tem essa população. E eu não tô falando de uma área irrigada grande, gente, é uma área média, certo?
E aí a gente deve ir ou não deve irrigar? Olhando essa outra figura, a gente vê a comparação da produção de algumas de algumas eh alguns produtos agrícolas, como arroz, feijão e trigo. Quanto que se produz?
Irrigando ou sem irrigação? Veja bem ali, ó, o arroz sem irrigar produz aí em torno de 2. 000 kg/, irrigando 7240, 3,7 vezes a mais.
Feijão duas vezes a mais, trigo quase duas vezes a mais. Então, dá para pensar em crescimento da agricultura no Brasil sem irrigação. Isso é impensável, tá certo, gente?
Então eu trago isso paraa reflexão, essa nossa parte introdutória, aproveitar aqui para divulgar também um canal do YouTube que eu mantenho com vários vídeos técnicos, muito mais vídeos do que vocês vão ver aqui neste curso, tá certo? A gente tenta atualizar. Eu tenho um projeto de extensão financiado pela FAPS que ajuda na manutenção desse canal, na gravação, edição e disponibilização desses vídeos.
E ali vocês vão encontrar muito mais informação além disso tudo que a gente vai ver aqui no nosso curso de projetos de irrigação. Assim, gente, eu gostaria de agradecer a vocês. Deixa eu voltar minha câmera aqui para que a gente possa finalizar, tá certo?
Então, agradecer aí ao tempo dedicado a assistir esse vídeo, tá certo? Espero que vocês tenham aproveitado. Espero que vocês aproveitem o curso e me despeço aqui desejando um excelente curso a todos e me colocando à disposição para eventuais duplas.
Muito obrigado.