[Música] Você sabia que a matemática é muito mais do que apenas números e fórmulas complexas que vemos na escola? Ela está presente desde o funcionamento dos nossos celulares até a organização das folhas de uma árvore, passando pelos ritmos da música e até pelos padrões que observamos na natureza. A matemática é uma ferramenta muito poderosa para nós entendermos o mundo e é justamente isso que o programa de pós-graduação de ensino e matemática busca aprofundar, trazendo novas maneiras de aprender e ensinar, tornando a matemática ainda mais envolvente e acessível.
Hoje convidamos vocês a conhecer esse programa que se propõe a atuar na formação de professores que não apenas dominam o conteúdo, como também transformam a sala de aula em um ambiente de significado e descobertas. [Música] O programa de eh pós-graduação em ensino de matemática, ele é voltado principalmente para professores, né, mas tanto da educação básica, ensino fundamental, médio, anos iniciais, como de ensino superior também. Então, diferente da do de programas de pós-graduação em matemática pura ou matemática aplicada, o programa de ensino de matemática, ele volta-se para esta área.
Como é que se dá o ensinar matemática? Como se dá a educação matemática? a gente foca nisso, nesse desenvolvimento, nesse entender, investigar ações de ensinar, ações de aprender, ações de formação, né, para a formação, com a formação e outros aspectos históricos, filosóficos, sociológicos que se envolvem nessa ação de educar, educar pela matemática, educar matematicamente.
Ele se origina principalmente por causa da licenciatura em matemática. Então, professores eh de 20 anos atrás se reúnem e começam a a se preocupar com a formação continuada desses professores. Nós temos 20 anos de programa de pós eh tratando dessa formação continuada do professor.
Nós começamos como um programa profissional. Na época era área de ensino de ciências e matemática. Então, era uma área eh um pouco pisando num terreno desconhecido.
O mestrado profissional, ele é focado mais no desenvolvimento de produtos educacionais. Mas desde o começo nós não focamos apenas no produto educacional. os nossos trabalhos de conclusão, todas as dissertações tinham o produto educacional, mas muita pesquisa desenvolvida em cima desse produto.
Tinha toda uma parte acadêmica muito forte e isso já vinha sendo apontado então como um viés bastante acadêmico do programa. Então esse movimento em 2017 o mestrado passa a ser acadêmico. Em 2020 a gente já ganha o conceito quatro na primeira avaliação pela CAPS.
E aí se propõe o doutorado. Então agora em 2024, ano passado, o doutorado em ensino de matemática foi aprovado iniciando este ano. E quando nós eh decidimos, né, tivemos a coragem de passar, submeter um APCM de eh programa acadêmico, nós estávamos no nível máximo de um de um programa profissional que era a nota cinco na CAPS.
Então a gente foi muito corajoso, né, de arriscar começar tudo de novo, mas era um caminho muito natural, porque os nossos trabalhos já tinham esse viés. Atualmente nós temos duas linhas de pesquisa, uma das linhas bem focada na formação de professores e a outra, talvez que a gente poderia dizer mais focada no estudante, né? Embora não tenha isso quadradinho, né?
Não é uma caixinha. Ambas as linhas trabalham com as duas coisas. A linha um, ela foca nesse processo formativo com mais força, né, tomando bases sociológicas, filosóficas, como sustentação, né?
se discute várias questões e se investiga nesse aspecto formativo, nesses nos aspectos sociológicos, filosóficos, do educar pela pelas matemáticas, do educar-se matematicamente. Enquanto que a segunda linha, processos de ensinar e aprender, ela foca nas tendências em educação matemática, história da matemática, história da educação matemática, etnomatemática, tecnologias digitais, né? Então, são processos de ensinar e aprender.
Pelos nossos referenciais teóricos, a gente divide as duas linhas, né? Mas não significa que não se possa ter uma fluidez, porque eventualmente nós temos muitos trabalhos em conjunto com colegas de linhas distintas. minha linha, né, é justamente dos processos formativos, né, que história entra história, linguagem, mas os processos de formação.
A ideia é trabalhar com formação de professores. Então, minha pesquisa vai ser para formação de professores, trabalhando com uma abordagem que a gente chama aprendizagem baseada em projeto no contexto STAM. STM é um acrônimo que envolve o conceito interdisciplinar, as ciências, tecnologia, engenharia, matemática e artes, né?
Então essa é uma é um movimento educacional, não internacional. Eh, mas justamente quem vai fazer, digamos, essa articulação dessas disciplinas no processo de formação do professor é justamente a inteligência artificial. é que é um enquadro se chama história, cultura, linguagens e movimentos formativos em educação matemática, que é justamente para pensar, né, sobre todo esse processo na parte de movimentos formativos vai entrar a parte de formação de professores, né, e o restante todo vai entrar essa parte do estudo por uma educação decolonial dentro do campo da matemática.
O que a URG entende melhor é o humano, né? Nós temos um corpo docente muito bom. Eh, temos a peculiaridade de ser assim um dos poucos programas da área que eh funcionam dentro de um instituto que é de matemática e estatística, mas com uma participação muito efetiva da faculdade de educação.
O programa tem esse grande diferencial de ter muitas opções. Então, a gente tem uma formação bastante ampla que nos permite acolher diversos projetos de pesquisa de estudantes com eh com diversas eh referências. Então, a gente pode eh acolher essas pessoas e e trazer essa diversidade, essa pluralidade ah para dentro do programa.
Então, eh, só uma universidade grande como a URGs, que tem esse capital humano pode fornecer essa formação? Eu sou agora aluno eh doutorando, né? Ano passado terminei o mestrado e o que motivou foi porque a URGs, né, esse programa de pós-graduação é é um programa referência em educação matemática e eh na necessidade de aprofundamento de conhecimentos, aprofundamento teórico, metodológico, para ter uma interlocução qualificada, né, para pro meu processo de desenvolvimento profissional.
Então, foi fundamental, o mestrado acrescentou muito, né? Eh, abriu um leque de possibilidades de pesquisa, né? É uma área que eu trabalho como pesquisador.
E por isso eu tô dando continuidade agora no pós-graduação, né? Terminei o mestrado e agora tô começando o doutorado. E ao longo da do último ano de graduação, quando eu comecei a preocupar me preocupar com o TCC, eu comecei a me voltar para estudar os um pouco de como que a educação matemática poderia ser decolonial também, né?
E aí, nesse processo, eu faço meu TCC, levando para uma aula de matemática os saberes ancestrais dos povos de terreiro a partir do uso das ervas, trabalhando as propriedades químicas que essas ervas tinham, né? E nesse processo eu fui entendendo que eu conseguia fazer essa prática e fazer essa pesquisa por conta da minha vivência, mas que outros professores talvez tivessem dificuldade ou que iam trabalhar, por exemplo, uso das ervas de modo muito mais mecânico, só para contextualizar a aula e que não era essa a ideia, né? A ideia realmente valorizar esses saberes ancestrais.
Então eu, foi aí então que eu me decidi que eu ia entrar pelo mestrado e me decidi qual ia ser a base, né, do antiprojeto, que era justamente levar isso agora paraa formação de professores, proporcionando a partir de um curso de extensão, por exemplo, algum tipo de vivência, né, para esses professores poderem pensar em de que formas eles podem trabalhar com saberos ancestrais dentro de sala de aula. E aí, então, o que me motivou foi o processo do TCC mesmo. Eu acho que um grande diferencial é a consciência crítica.
O estudante que passa pelo mestrado acadêmico aqui, ele tem uma perspectiva crítica bem avançada. Ele eh ele articula a sua aula e ele planeja a sua aula com essa perspectiva. E o nosso programa ele tem uma vinculação muito forte com as sociedades científicas.
O que que isso faz de diferença? Você não tá sozinho no mundo, você tá articulado dentro de uma sociedade e você se organiza e conversa com seus pares. E isso no programa a gente discute muito, a gente defende, a gente incentiva muito.
Acho que o óbio é dizer tipo, ah, eu enxergo matemática no mundo e no mundo matemático, porque professor de matemática, mas acho que além disso é enxergar como os alunos enxergam a matemática para tu tentar levar um pouquinho para eles esse essa lente que eu enxergo, não sentido de ah buscando uma aprovação, mas buscando uma compreensão de mundo um pouco mais amplo. mesmo antes de eu est em contato com a MST e ser um educador de lá e est dentro do movimento, acho que pelas ideias ali do Paulo Freira, eu me vejo muito como o pedagogo da classe trabalhadora, porque eu quero que eles saiam daquele patamar que eles têm, que é de dificuldade e de trabalhar durante o dia e chegar cansado na escola e isso ser um ciclo para que de alguma maneira um, dois que eu consegui, tipo, fazer, conseguir entrar numa faculdade e ainda que seja pública e conseguir romper esse ciclo e também levar com eles a família, os amigos e tudo mais. O que eu vejo é que a pós-graduação ela não é só um momento onde você vai fazer pesquisa acadêmica, né?
Vai, como é que é? Gerar benefícios para dentro da do campo de produção de conhecimento, né? Mas também é um espaço de valorização docente, ainda mais porque é um momento que te permite repensar as práticas, permite gerar um novo olhar para dentro do nosso contexto de sala de aula.
Uma coisa que a gente sempre ouve e ouvimos desde que a gente desde que iniciou as aulas da pós-graduação é que também as escolas começam a ver os profissionais com outros olhares. oferecendo cargo de liderança pros professores. Então, tudo isso por conta do mestrado, por exemplo.
Então, também é algo que pode impactar, né? Ainda não cheguei [Música] lá. [Música] Eu olhei o programa em ensino de matemática e me identifiquei muito com o programa da URGs, né?
Porque eu sempre gostei de estar na sala de aula, de lidar com os alunos, de olhar para eles de uma forma diferente. Apesar de não ter ainda muita experiência dentro de sala de aula, eu pensei que seria interessante me especializar um pouco mais e entender um pouco mais como que funciona o dia a dia de uma sala de aula e como que eu posso ã fazer uma aula que seja inclusiva pros alunos, né? Então eu procurei o programa nesse sentido, assim, desde as primeiras aulas que eu tive dentro do programa em tecnologias digitais ou em produção de material didático, né?
Então, todas as coisas que eu fiz dentro do programa, que foram propostas pelos professores dentro das disciplinas, contribuíram fortemente para que eu pudesse conhecer aquelas ferramentas e utilizar elas hoje em dia na sala de aula. Aqui a gente vem a sala da matemática, né? E eu comecei esse ano organizando um pouco mais com os resumos de matemática para que os alunos tenham aquele acesso visual de forma facilitada, né?
Faz com que eles memorizem um pouco melhor algumas regras. Tenho também, possuo na sala de aula material dourado que fica à disposição dos alunos, principalmente dos alunos de inclusão, que precisam muito desse material. Eu tenho também, eu gosto bastante de trabalhar com eles, assim, hã, questões mais dinâmicas, né?
Então, eu até adquiri esses dias um livro que meus alunos do oitavo ano, eles são apaixonados pela Turma da Mônica. Então eu comprei alguns livrinhos de atividades da Turma da Mônica que tem como eles pintarem, enfim, e também tem algumas atividades de contagem para eles agruparem aquelas aquelas figuras para eles conseguirem fazer essa contagem, né? Ã, então eu trabalho mais dessa forma.
Nós temos vários projetos aqui, eh, com um colégio de aplicação da UGs, né, desenvolvido por professores como Marcos Basso, como a professora Márcia Notari, professor Vanduir, outros projetos dentro de outras escolas públicas com laboratórios de matemática, com a professora André Dalcinho, professora Cristina. Então, o desenvolvimento, o estudo, né, a as investigações dos projetos de pesquisa que focam nos nos alunos são vários. Eu fiz um levantamento agora.
Foram nesse quadriên, foram 106 projetos entre pesquisa e extensão e todos eles, de uma forma ou de outra, ele é vinculado às escolas, né? dentro do programa Faz parte do grupo de pesquisa Permita-se. E dentro desse grupo de pesquisa existe um projeto de extensão, querendo ou não grupo de extensão, que vai pesquisar sobre o uso do cinema em sala de aula para discutir em sala de aula de matemática para discutir justamente sobre essas questões sociais.
Então, para falar sobre raça, sobre racismo, sobre movimentos sociais, tudo isso a partir do cinema. O principal desafio hoje para o programa é quando você entende o ensino só por meio de fórmulas, de que entende a matemática só sendo números, fórmulas, ã, cálculo, né? Então, hoje a gente tem recursos que fazem esses cálculos.
O que precisa é eu entender o que está por trás disso, né? O o fazer matemática, né? O pensar matemática é muito além de aplicabilidade de fórmulas, de conceitos, de definições, entender o que está por trás, entender as relações que a matemática pode dar de suporte ao mundo, ao entendimento, a leitura e a escrita do mundo, é algo que acho que é o mais difícil hoje.
Então, o que a gente faz é um empenho no sentido de humanizar a matemática, de olhar o trabalho que tá por trás de um resultado, por exemplo, né? Aqui vocês viram um pouco da aula de funções, né? Uma aula em que eh todos estavam em grupo e trabalhando para ver o trabalho que tá por trás de um modelo pronto, né?
Porque quando a gente olha um modelo pronto, parece que eh ele foi feito por pessoas muito especiais que conseguiram fazer aquilo de daquela forma que já tá bonito de olhar. Mas as coisas não são assim. A matemática não é feita dessa forma.
A matemática é feita com tentativa e erro, tentando caminhos distintos. nem sempre dá certo. Ou seja, esse processo, né, de criação, de representar coisas por modelos, ele é um processo que envolve muitas vidas e vindas.
Mas quando o estudante ou a estudante olha o resultado pronto e isso é apresentado, parece que já saiu assim, ou seja, que tem que ter um uma mente muito especial para criar de uma forma pronta e elegante. Então, um pouco, né, de de tirar essa e essa ideia de uma matemática tão difícil é a gente vivenciar o processo de construção, um pouco do que é o processo de construção, de errar muitas vezes. A educação matemática, ela é fundamental para compreensão daquele mundo que eu falei, do mundo complexo, ou seja, eh, a interpretação desse mundo muitas vezes hoje se dá através dos dados e aí tá a matemática.
Eh, eu trabalho com dentro daquela do meu campo de pesquisa com o movimento educacional Steam, justamente eh eh a importância da matemática, mas dentro de um contexto interdisciplinar, né? Ela tem importância na medida que ela consegue se articular com a ciência e é fundamental paraa ciência, assim como é fundamental paraa tecnologia, é fundamental para o campo, até o campo artístico, quantos movimentos artística se apodera de conceitos matemáticos para se desenvolver a sua arte. Então ela é fundamental em todos os campos.
Eu acho que inicialmente como professor, antes, né, de de estar aqui, a gente já é orientado a perceber que os alunos vão ter dificuldades e não vão falar. Então, por exemplo, na escola que eu tô atualmente, eu tô há mais de um mês trabalhando operações básicas com todos os anos do ensino médio, porque eu sei que se eu for dar o conteúdo que tá previsto ali, eles não vão aprender. E como aqui pesquisador daí falando, né, no pós-graduação, é maneiras de tentar fazer isso, de que, por exemplo, tornar a matemática para eles não mais fácil, mas mais simples de entender.
Inclusive, hoje a gente estava vendo sobre memes, então como usar memes na educação. Eu acho que isso é uma linguagem deles que eu tô próximo de idade com eles, então também é a minha, mas é buscar caminhos que não deixam fácil, porque matemática muitas vezes não é fácil mesmo, mas que eles consigam com essa dificuldade inerente da matemática, por ser encaixada, por precisar de muita coisa, que eles consigam atingir esses patamares, não sendo só também pelo item da prova, pela nota que tem o IDEB, essas coisas, mas justamente pela curiosidade de saber aquilo, saber como é que funciona e tentar exercitar aquilo por aquilo mesmo, não só buscando a nota. Então, acho que o programa de pós-graduação aqui do Instituto de Matemática, ele traz para nós essas oportunidades e essas outras possibilidades de atividade que a gente em sala de aula, por questão da rotina, não consegue vislumbrar e quando a gente chega aqui, a gente tem esses olhos mais abertos assim.
Eu acho que a resposta mais, como vou dizer, a resposta mais rápida que tem, né, é dizer que contribui a dar sentido para aquilo que você tá você tá vendo, né? Mas não só para dar sentido assim, tipo, ah, para que que eu estudo matrizes? Não, estudo matrizes porque isso, isso, aquilo.
Não é bem para isso, né? Mas é justamente para mostrar que a matemática ela tá linkcada, ela pode ser usada pra gente estudar muitas outras coisas. Então, o aluno que se trava na matemática, por exemplo, por conta dos cálculos, mas porque é normalmente é porque ela não faz sentido para esse aluno.
E aí quando vai usar ela para estudar uma questão social, por exemplo, vai estudar ela, tem um ramo da matemática, vai estudar ela, vai usar matemática para estudar questões do dia a dia do aluno. Tem outros samos que não, não vai ser o dia a dia, mas ainda assim vão ser outros elementos que vão estar interligados junto ali durante as aulas. E eu acho que isso tudo contribui, porque daí não é, tem um aluno que vai ter facilidade pela na matemática por si só, mas para aquele que não tem facilidade na matemática pela matemática, ele vai atribuir outros sentidos para aquela aula, né?
aquela aula. Ah, tá. Tem aquela parte que ele tem dificuldade, mas tem todas aquelas outras partes que ele gosta, que ele se interessa, que ele quer saber mais ou que ele não sabia, que ele passou a descobrir a partir das discussões.
A partir do momento em que eu comecei a pensar em pesquisa na pós-graduação, né, isso fez com que desse up significativo assim na minha vida profissional enquanto professora. A minha pesquisa foi na área da educação matemática inclusiva. A gente possui em uma sala de aula uma diversidade muito grande de alunos, né, e com necessidades específicas.
E a gente precisa olhar para aquele aluno de formas diferentes. Tem alunos que precisam sair dali sabendo o conteúdo para passar num vestibular, mas tem alunos que precisam sair da sala de aula hoje conseguindo contar um troco. Então, a partir disso, a partir dessa pesquisa e dessa experiência, eu consegui trazer pra sala de aula um pouquinho mais desse olhar acolhedor, vamos dizer assim, né?
que consegue olhar para onde eles estão e evoluir a partir dali, assim, né? A pós-graduação e a pesquisa em si me trouxeram muito esse conhecimento, esse olhar que eu com certeza não teria se eu tivesse ido paraa sala de aula direto sem passar pelo mestrado, por exemplo. [Música] M.