เฮ [Música] Olá, bem-vindos a mais uma aula do módulo de neurofisiologia. O tema da aula de hoje envolve conceitos e classificações das memórias e eu sou a professora Susete. Eh, serão abordados a importância da pesquisa, eh, das pesquisas sobre memória, conceitos e funções, né, de cada uma das memórias, classificações, importância do esquecimento e moduladores eh dessas funções.
Inicialmente, eu gostaria de eh discutir a função das memórias para o indivíduo. Então, o primeiro ponto é que uma memória, ela serve de proteção e defesa. Eh, por exemplo, uma resposta determinada geneticamente como um medo inato eh ao predador, né?
eh definem as nossas identidades. Então, memórias eh requeridas anteriormente, né, do passado, elas determinam quem a gente é, onde a gente vive e a que grupo a gente pertence, além de direcionar o nosso futuro. E outro ponto importante é que elas sustentam o cotidiano e as nossas relações eh sociais.
Além das memórias individuais, a gente também tem as memórias coletivas. e elas requerem uma constante reconstrução do passado. Então, algumas memórias eh são importantes para que a história eh do nosso país e do mundo seja constantemente lembrada e eh que faça parte do coletivo para não ser esquecidas.
Outras memórias elas eh requerem eh a lembrança das descobertas importantes de cada uma das das funções, por exemplo, na ciência. Memórias de hábitos alimentares ou de cultos religiosos também são importantes para que essas informações sejam passadas de geração a geração. Memórias tanto alegres, né, como frustrantes ou memórias eh traumáticas também são importantes que sejam registradas.
se elas não forem e constantemente reconstruída, ou seja, passada de geração a geração, essas informações elas tendem a se perder. Eh, outra função da memória é, como a gente falou anteriormente, é fundamental pra sobrevivência dos seres vivos de uma forma geral. Ela nos permite então eh reter a história, né, das nossas experiências passadas e, além disso interferir ou interagir ah com o mundo a partir das consequências que elas resultam.
Então, algumas informações que têm e eh consequências positivas, elas tendem a se repetir e aquelas que têm consequências negativas a gente tende a evitar. Portanto, essa história, ela vai nos orientar nas nossas escolhas futuras, né? O passado vai nos indicar o que que a gente pode evitar e o que que a gente deve fazer, o que vale a pena buscar.
Outra eh função importante é que as memórias elas estão constantemente sendo modificadas. Então, um conceito que você aprendeu, ele pode ser revisitado e reconstruído, atualizado, né? Então isso nos permite filtrar experiências que podem e devem ser armazenadas e quais devem ser atualizadas, né?
Além disso, algumas que que são importantes que a gente esqueça. Eh, outro ponto importante que eu gostaria de ressaltar é que as memórias elas têm uma flexibilidade cognitiva importante, né? O fato de você conseguir modificar as informações que você reteve no passado, significa que é algo que pode ser modificado, né?
Então, eh, essa capacidade de modificar as memórias, ela requer também uma flexibilidade das células que armazenam essa informação e consequentemente dos sistemas, né, que são compostos por essas células, tá? quando a gente eh vem definir memória, então eh é importante a gente lembrar que por mais de 100 anos já se sabe que a memória ela é formada em etapas, tá? e que ela, essas etapas, elas são distintas ao longo do tempo.
Então, elas se modificam ao longo do tempo. Além disso, achados mais recentes evidenciam que as memórias elas têm natureza diferente, ou seja, que tipo de modificação ela permite no sistema e conteúdo diferente, que tipo de informação eu armazeno. Além dis de tu além disso, elas envolvem distintos subsistemas neurais.
A primeira etapa, então, considerando que a memória é armazenada e e formada em etapas, a primeira etapa é o processo de aquisição de uma informação, tá? Então ela é o resultado da interação de eventos, né, do organismo com o meio ambiente. Eu tô falando de memórias que a gente eh forma, né, a partir de contatos com o evento do meio ambiente.
Não estou me referindo às memórias eh inatas e espécies específicas. eh essa aquisição, né, que é um sinônimo de aprendizagem, ela eh envolve a codificação, tá? Então ela requer a codificação.
Então considerando que memória é capacidade de adquirir, armazenar e recuperar essas informações, a primeira primeira e alteração que deve acontecer é a codificação em sistemas sensoriais específicos, né, de cada uma das informações armazenadas para que as outras posteriormente aconteça. Então, a aquisição, que é a primeira etapa, normalmente ela acontece a partir de uma seleção, tá? Que é determinada por eventos internos, memórias que a gente já tem, né, e que normalmente eh são determinadas pela nossa cognição, então pelas lembranças que a gente tem, por eh informações emocionais e por outras características.
eh mais variadas que a gente vai falar posteriormente, tá? Então, no momento da seleção, normalmente a gente seleciona aquelas que são mais relevantes para cognição, são mais marcantes para emoção, elas são focalizadas, né, para a atenção, elas são mais fortes sensorialmente ou simplesmente elas são priorizadas por um aspecto que eh nós desconhecemos. Como ocorre então a a aquisição?
Ou seja, a aprendizagem? A aquisição normalmente ela acontece de duas formas. Ou você aprende a associar informações, por isso é uma aprendizagem do tipo associativa, ou simplesmente você aprende eh sem que a associação entre eventos do meio ambiente se formem.
Que que significa isso? né? Eh, essa esse processo de aquisição sofre interferências eh da atenção e da nossa percepção sensorial, tá?
Então, que tipos de aprendizagem não associativa nós temos? A primeira delas é a habituação e a sensitivização. O que que significa isso?
A habituação normalmente significa que você deixa de responder a um estímulo presente no meio ambiente, eh, que não tem um significado biológico. Ele não tem nenhum tipo de importância para a sobrevida do indivíduo, por exemplo, ou não tem uma importância cognitiva. Então, você deixa de responder, isso é caracterizada como habituação.
A sensitização é quando você aumenta a resposta à aquele estímulo, né? Então você responde mais intensa. Eh, tanto a habituação quanto a sensitização, elas ocorrem em diferentes espécies, vertebrados, invertebrados, tá?
Eh, da mesma forma a aprendizagem associativa. Então, o que que difere associativa da não associativa? A associativa, ela pode acontecer quando você associa estímulo, estímulo, e isso a gente determina como um condicionamento clássico ou pavloviano.
E quando você associa estímulo a uma resposta, tá? Então você eh expressou um comportamento, esse comportamento que você expressou teve uma consequência e aí isso vai determinar, né, se você vai aumentar ou de reduzir a frequência daquele comportamento, tá certo? A repetição das associações, elas vão determinar a força do processo de aprendizagem, tá?
Então, eh, em algumas condições, quanto mais forte essa associação, mais tempo essa memória vai durar nos sistemas. alguns exemplos, então, né, eh, a partir de animais, nesse caso roedores. Então, quando você coloca ele no ambiente e associa dois estímulos, um sonoro que não tem um significado biológico, com um aversivo, que é um choque, por exemplo, um leve choque nas patas, o animal aprende a reconhecer esse contexto aonde isso aconteceu, né?
E no teste, né, de evocação, simplesmente eh na apresentação do som, a ideia é que ele apresente um comportamento semelhante àele que ele apresentava só na a apresentação do choque, que é um comportamento de congelamento. Então, existe uma alteração comportamental. A única forma da gente identificar se o processo de aprendizagem aconteceu é através da análise da alteração comportamental, tá?
Aqui uma outra forma de aprendizagem que não é aversiva nesse caso é quando você eh expõe um indivíduo a dois eh objetos iguais e no teste você troca o objeto. Então, a tendência dos animais e também eh incluindo aqui os humanos, é sempre explorar algo novo, né? Porque você reconhece aquele que foi eh exposto anteriormente, o que a gente chama de familiar.
Então, novamente, esse reconhecimento também é avaliado num teste de evocação. Em humanos a gente também reconhece, a gente reconhece objetos associados ou não a dores, a gente reconhece lugares, a gente reconhece pessoas, até mesmo caricaturas, a gente reconhece palavras ou a gente reconhece eventos associados a isso. E também isso resulta numa alteração comportamental, né, num pensamento ou num raciocínio lógico.
Eh, a memória de reconhecimento, ela ela pode ser testada, né, exatamente para você avaliar qual é o a característica cognitiva do indivíduo. Então, eh, normalmente essa memória, ela é perdida eh no envelhecimento e em patologias. Então você eh expõe o indivíduo a um um determinado local, ele reconhece objetos familiares e quando você muda a posição de um dos objetos, né, a cadeira tava num local e você muda, ele reconhece os objetos, né, em nova localização, tá?
Então é um exemplo de teste para avaliar eh a capacidade cognitiva eh com relação à classificação das memórias. Então eu vou começar falando a a classificação que é dependente do tempo de retenção. Então essa memória ela pode reter, ela pode ser retida no nosso sistema por um curto intervalo de tempo, que a gente chama de memória de curto prazo.
E nessa memória de curto prazo, eu posso distinguir em dois tipos. Aquelas que duram um tempo extremamente curto, pequeno em segundos e aquelas que duram de minutos a poucas horas. Tá?
Então é uma forma de classificação e de subdivisão dentro das memórias de curto prazo. E além disso, eu tenho as memórias de longo prazo, que elas podem durar horas, dias e a gente chama de memória recente, meses ou anos, e a gente chama de memória remota. Então esse slide ele mostra então de que forma que eu posso classificar as memórias ao longo do tempo.
Ele nos mostra a durabilidade de uma memória. Então uma memória sensorial que é uma que é uma memória extremamente rápida, ela se inicia, é forte, decai rapidamente. Já a memória de curta duração, ela tem um início lento e ela dura, né, um intervalo de tempo maior, né, que é aquela que a gente efetivamente chama de memória de curto prazo.
E dentre as memórias de longo prazo, eu tenho a memória que a gente chama de memória transitória, que pode ser uma memória recente. E essa memória transitória, ela pode se tornar uma memória permanente, uma memória remota, né? Ou ela pode ser eh também esquecida, tá?
Então essa é uma classificação habitual em relação ao tempo. Aqui a gente tem então o estado ativo. memória, ela eh a working memory, ela tem simplesmente uma alteração no potencial de membrana das células nervosas, que a gente já estudou como isso acontece, eh para que essa memória de curtíssimo prazo vire uma memória de curto prazo, portanto, uma memória intermediária, eh tem que ter alguma alteração bioquímica na célula.
A gente vai ver em outro momento como isso acontece. E para que a memória de longo prazo aconteça, eu tenho que ter alterações de expressão de novos genes e novas proteínas, que a gente também vai estudar eh especificamente. Qualquer uma das etapas, elas podem ser esquecidas, tá?
E na maior parte das vezes, na maior parte, o esquecimento, ele pode resultar na deleção, né, dessa informação dos sistemas. Aqui tá mostrando então a memória sensorial que dura milissegundos. Então ela pode envolver qualquer um dos nossos sistemas, modalidade sensorial especial ou a a somestésica.
E aí elas vão permanecer no nosso sistema por um curtíssimo intervalo de tempo ou minutos a horas. Elas podem ser descartadas, como eu falei anteriormente, ou elas podem ser eh continuamente sendo modificadas e sendo e armazenar numa memória de longo prazo. Então, esse essa durabilidade eh da memória nos sistemas é o tempo que ela é retida, tá?
Então, eu adquiri informação e vou reter essa informação por um tempo que pode variar até o momento da evocação dessa informação, tá? que é uma etapa posterior. a memória operacional ou o work memory, ela é normalmente ela é formada a partir do sistema sensorial, mas ela também tem uma informação importante a partir da recuperação das informações de longo prazo retida no nosso sistema, eh as quais permitem a interação com eventos do ambiente, aonde você faz a escolha, aonde você associa informações, né, e depois eh reconsolida essas informações.
Então, ela não é específica e provinda de informações sensoriais, tá? Eh, qual a importância dessas memórias então da Work Memory? Elas possibilitam e operam normalmente em poucos segundos.
Elas são armazenadas temporariamente. Então, o nosso sistema ele é ele tem uma uma capacidade de armazenamento bastante restrita para esse tipo de informação, né? depende do nosso nível de atenção.
Elas servem, como falei no slide anterior, para manipular informações que você já tem retida no nosso sistema com as informações novas e elas dependem da atenção, tá? Então isso tudo é importante para que a gente eh atualize esquemas, né? E esses esquemas novos sejam retidos no sistema.
Então, eh, com relação ao tempo de retenção, a memória de curto prazo, para ser tornada memória de longo prazo, ela precisa ser consolidada, tá? Então, a segunda etapa envolve a consolidação da memória. Então, em alguns eh trabalhos, a consolidação é considerada uma etapa do processo de formação de memória, mas a gente tem que eh lembrar, né, que algumas memórias de curto prazo elas não são consolidadas e elas ficaram retidas por um intervalo de tempo.
Então, o correto é dizer que a gente tem a retenção com uma segunda etapa do do processo de formação de memória. Em qualquer uma, de novo, lembrando, a gente pode ter o esquecimento dessa informação. Eh, de que forma, né, que essa retenção temporária é transformada em retenção duradora a partir da consolidação.
Então, qual é a função da consolidação? é exatamente estabilizar as nossas memórias. Enquanto elas não são estabilizadas, elas estão sujeitas às interferências do ambiente, né?
Então, a o processo de esquecimento é muito mais eh veloz, digamos assim. Eh, de que forma aí que isso acontece? a a memória de curto prazo, né, o shortterm é transformado em memória de longo prazo, de forma que a consolidação ou a informação, ela desaparece da nossa consciência nessa etapa.
Normalmente isso acontece, por exemplo, durante o sono, tá? Quando a gente relembra essa informação, quando a gente evoca essa informação, uma memória de longo prazo, essa informação ela retorna à consciência, né? Eh, na maior parte das vezes a gente vai ver que a gente tem informações não declarativas e declarativas, mas quando a gente tá falando de uma memória adquirida, ela retorna à nossa consciência e a gente sabe que essa informação foi consolidada se ela é capaz de ser evocada.
Se a gente não consegue evocar depois de um certo período de tempo, essa memória ela não foi consolidada, tá? Eh, quando a gente classifica agora em relação à natureza da memória, o tipo de memória, a gente tem que a natureza ela deixa um traço importante, tá? Então, o que que significa traço ou engrama?
É uma representação físicobiológica da memória. Ela altera a força das conexões entre as células. a gente acaba eh lembrando de forma mais eficiente.
Ela acontece nas mesmas células ou em células diferentes, né, de onde a informação foi eh eh adquirida. E eh a característica desse traço é exatamente fazer com que a eficácia dessa informação seja maior e eu consiga eh alterar essa informação a ponto de fazer com que ela permaneça no nosso sistema por um longo período. Eh, outra outra forma de classificar então é é dependendo do conteúdo.
Então a gente diz que as memórias eh de curto prazo, normalmente elas são de procedimentos, né? e elas eh são elas eh são eh adquiridas de forma consciente, mas na a gente evoca elas de forma não consciente. Então é uma memória de procedimento, a saber como fazer algo.
Você não precisa estar consciente para saber como andar de bicicleta. Você não precisa estar consciente para saber como dirigir se você já aprendeu essa informação, tá? Já as memórias de longo prazo, eh, elas podem ser classificadas tanto de memória de procedimento quanto memória declarativa.
E as memórias declarativa, elas são classificadas como episódicas ou semânticas. Então, eu posso lembrar de um episódio que é caracterizado por o que, onde e quando aquilo aconteceu ou a memória semântica é quando eu aprendo sobre fatos, né, sobre conhecimentos do ambiente, tá? Existe uma questão importante, né?
Então, a evocação das memórias não declarativas, elas não dependem da consciência. E a evocação das memórias declarativas, sim, eu ten que declarar o conhecimento, portanto, elas dependem na consciência. Eh, uma questão que tem sido colocado na literatura se essas memórias do tipo declarativa elas são somente memória de longo prazo.
Aqui um exemplo de memória eh de procedimentos, né, não declarativa. Então, quando você vai eh fazer um procedimento, por exemplo, usar um determinado eh aplicativo ou fazer uma conta, por vezes você não precisa lembrar eh conscientemente, né? Só a prática eficientemente faz com que você manipule essas informações, tá?
Já uma memória declarativa é a capacidade da gente reviver mentalmente o passado. Isso foi um conceito bastante discutido por Tulvig em 2002, né? E aí a gente, por exemplo, lembrar que você deixou eh o óculos em cima de uma mesa ao lado do computador requer uma série de conceitos importantes, né?
Inclusive e onde, quando e o que você deixou, tá? Eh, ou a chave, né, ao lado da porta. Então, você tem que declarar que você lembra onde aquele aquela informação foi eh aquela aquela aquele objeto foi deixado.
Mas você também tem que lembrar o que é um óculos, né? o significado daquilo para você lembrar onde ele deixou. Então, separar a memória semântica da episódica, eh, é mais difícil.
Eh, existe uma questão importante, né? Será que os que os animais conseguem fazer isso? Isso tem sido discutido bastante na literatura e aí a gente mostra que sim, eh, que o animal também é capaz de lembrar o que, onde, quando em alguns testes de laboratório que a gente faz, né?
Então, a gente submete eles a diferentes condições eh experimentais. E quando a gente faz uma intersecção entre esses objetos e lugares, a gente vê que ele conhece, consegue reconhecer o que, onde e quando estava aquele objeto. A gente avaliou isso no nosso laboratório.
Então, trazendo um experimento eh dos nossos do dos meus alunos para vocês, a gente avaliou essa memória episódica em animais jovens e animais idosos e a gente conseguiu identificar que essa memória eh que é uma memória normalmente fraca para ser consolidada, ela precisa ser associada eh entre eventos. Eh, nos idosos, esses an esse essa informação ela é perdida. Isso já se sabia, mas o que a gente mostrou é que ela é perdida porque eh essa associação necessária entre dois eventos, né?
Por exemplo, no experimento anterior, esses dois eventos têm que associar os objetos presentes aqui. A gente mostrou que eh o número de ativação de células é diferente, né? Então o que acontece no idoso é que eu tenho um número menor de células sendo ativadas.
E por fim, né, falando um pouquinho da estrutura, eh, dependente de estrutura, que é uma outra forma de classificação, existem trabalhos que classifica, dependente do hipocampo ou independente do hipocampo. Isso é uma é uma classificação que tem que se tomar um cuidado bastante eh importante, porque tem que se definir em que etapa você tá falando. uma vez que a gente viu, né, que as memórias do tipo declarativas, eh, elas requerem, em algumas condições, eh, a aquisição consciente, mas a evocação inconsciente.
Então, eu preciso dizer em que momento essas informações necessitam do hipocampo, se na aquisição, na evocação, enfim, é importante caracterizar e é isso, né, que tá sendo discutido eh nesse trabalho eh do McNalton. Eh, qual é o destino dessas memórias que são evocadas? Então, é importante a gente saber, né, que essa evocação ela pode, resultar em dois processos, em três processos diferentes, reconsolidação, extinção e esquecimento.
A reconsolidação, ela permite, então, como eu falei anteriormente, incorporar novas informações, atualizar no novas informações ou deletar informações erradas já existentes e que a gente aprendeu com outro significado. A extinção, ela é normalmente e referida-se a uma memória aversiva. É quando você reaprende um significado de um estímulo.
Então você aprendeu que aquele estímulo tinha um significado aversivo e você quer extinguir essa informação. Extinguir significa aprender um novo significado e não esquecer a informação anterior. Então, requer uma nova memória, uma nova associação, tá?
Eh, um outro aspecto que eu gostaria de discutir com vocês é essas memórias elas podem ser modificadas. Então, existe algumas etapas eh que a gente pode eh interferir, né, com algumas drogas antes do processo de aquisição, no tempo de retenção ou na recuperação. E tem se mostrado algumas drogas têm se mostrado efetivas em cada uma dessas etapas, tá?
A extinção, ela é uma terapia bastante utilizada também junto, né, com a clínica, eh, com a terapêutica para tratar medo e ansiedade. Então, dependendo do tempo que você administra drogas, esse processo de extinção ele é favorecido, ele é facilitado. Então, você mais facilmente consegue associar um novo significado, aquela informação aversiva que é negativa para você.
Tá? A perda da memória, eh, em algumas vezes ela é importante, então o esquecimento também tem importante. Então, a memória, ela tem uma idade importante.
Normalmente as memórias novas elas têm uma durabilidade menor, então elas precisam ser reconsolidadas, né, ou consolidadas o tempo todo. E as e as memórias mais antigas, elas tendem a permanecer mais no nosso sistema e elas têm menos flexibilidade, né? A gente consegue mudar menos elas.
A grande questão é qual é a importância do esquecimento, tá? Fisiologicamente o esquecimento tem uma importância muito grande. A gente vai deletando informações tanto da work memory como da memória de curto prazo ou da memória de longo prazo que a gente não usa, né?
Então, quando a gente esquece isso, a gente tira isso do nosso sistema, é diferente de você não lembrar momentaneamente de algo, né? Então isso não é um esquecimento, é um problema normalmente relacionado à lembrança, à evocação, tá? O esquecimento é quando você eh deleta isso do nosso sistema, a memória não fica mais no nosso sistema.
Qual a importância disso? Então ela tem uma importância na seleção da informação, na flexibilidade cognitiva, como eu já falei, na prevenção de conflitos, né, na saúde emocional e na eficiência da nossa memória. Então, a gente vai limpando o nosso sistema para favorecer novas aquisições, tá bom?
Então, esse processo depende de estruturas que a gente vai falar em outro momento, como formação hipocampal, córtex préfrontal e complexo amidaloide, tá? Eh, diferente de amnésia, normalmente a amnésia ela é tratada como uma falha no armazenamento ou uma falha na recuperação, tá? Quando essa falha no armazenamento acontece, por exemplo, a memória de curto prazo não é convertida em memória de longo prazo, você pode ter uma amnésia permanente, tá?
Então isso pode acontecer por um evento traumático no sistema e aí você tem dificuldade de formar memórias de longo prazo, tá bom? Então é uma, normalmente a amnésia é uma condição patológica com a perda de memória além daquilo que é considerado normal. E a a falha de recuperação é quando a amnésia é temporária.
Então em algumas patologias essa amnésia é temporária e depois ela é retomada, tá? A amnésia ela pode ser retrógrada ou anterógrida, então digamos que o indivíduo teve uma lesão encefálica, cerebral, então tudo que é perdido, né? Eh, antes a lesão é chamada amnésia retrógrada.
Tudo aquilo que é que é perdido após a lesão é chamado de amnésia anterógra. A gente tem sistemas de memórias de trabalho, então como é que a gente pode avaliar isso no indivíduo? Então, alterações na alça fonológica.
Que que significa isso? Problemas de linguagem. Então, quando você vai contar uma história, né, você tem dificuldade de encadear uma história na outra, tá?
quando você vai atribuir nome a objetos, né? Então, por exemplo, a criança aponta para um quadrado e fala que é um círculo. Então, eh isso também pode, ser recorrente, né, de sistemas de memória de trabalho ou tem dificuldades na leitura.
Eh, outro tipo de disfunções de memória é problemas no esboço viso espacial. Então você vê uma informação, mas você não consegue processar aquela informação de de forma correta, né? Isso pode gerar déficites, por exemplo, na resolução de problemas matemáticos ou para manipular símbolos e imagens, tá?
Então, em resumo, a formação de memória, ela é dinâmica por natureza e a aquisição de novas informações, ela é frequentemente influenciada pelas nossas experiências anteriores, tá? A maioria das memórias não é adquirida isoladamente, mas dentro de um contexto particular do indivíduo, por exemplo, dentro de uma janela temporal, quando você associa essas informações, ou dentro de um contexto espacial, né, onde você reconhece aquele determinado evento, né, e que frequentemente está relacionado a experiências anteriores, né, portanto, a associação entre eventos pode favorecer a aquisição de novas informações, aquilo que era fraco se torna mais forte, né, por essa relação contextual, tá? Então, a memória ela se forma em etapas, né, aonde eu tenho a aquisição, a retenção e a evocação, tá?
Eh, quando você evoca, você pode ter eh o esquecimento, né, ou a extinção, eh ou ainda a reconsolidação. Normalmente a aquisição ela acontece a partir de estímulos mais relevantes, então tanto biologicamente quanto de forma cognitiva, as memórias de curtíssimo prazo ou curto prazo, elas podem se tornar uma memória de longo prazo, a depender do tempo que elas que elas durarem, do significado daquela informação e da repetição ou persistência. A memória, ela também é formada por repetição, ela depende de treino.
Quanto mais a gente lê, mais a gente eh estabelece novas informações, mais ela dura, mais ela é persistente, tá? Então, além do esquecimento, a evocação pode eh resultar na reconsolidação ou na extinção. Com isso, a memória também tem moduladores.
Então, a emoção pode modular uma informação, a dor ou a alegria, a atenção normalmente voluntária que você eh desenvolve, né, para aquele para aquela determinada informação. voluntariamente você quer prestar atenção. Alguns hormônios são moduladores positivos ou negativos e algumas drogas também interferem nesse processo.
Cada uma dessas etapas então está sobre intensa modulação eh dessas características. Eh, aqui são algumas referências que vocês podem consultar para rever esse conteúdo. E eu gostaria de agradecer, então, a atenção de vocês e me coloco à disposição para qualquer dúvida que houver.