As viagens em navios negreiros, como podemos imaginar, não era nada, nada fácil. Hoje, nosso vídeo vai descrever como funcionava o tráfico de escravos da África, rumo aos países da América, inclusive para o Brasil. Já deixe seu like no vídeo para ajudar na divulgação do canal.
Se não é inscrito, a hora é agora! Os navios negreiros eram embarcações que serviam para transporte de negros que seriam escravizados na América, vindos, especialmente da África. O tráfico de pessoas, foi um dos negócios mais lucrativos já registrados e contribuía, imensamente, para manter a economia de muitos países.
Homens, mulheres e crianças eram capturados na África e levados para portos onde aguardavam o embarque. Os maus tratos começavam antes mesmo de embarcar nos navios. Eles ficavam à espera do momento do embarque por dias, amontoados e acorrentados uns aos outros, em condições precárias e desumanas.
Nesses portos, os escravos eram marcados com ferro quente para identificá-los de qual comerciante eram. Os navios negreiros, comportavam, em média, de 300 a 500 africanos que ficavam presos nos porões em uma viagem que se estendia durante semanas. Geralmente, a viagem de Luanda para Recife durava 35 dias, para Salvador durava 40 dias e para o Rio de Janeiro durava de 50 a 60 dias.
As condições de viagem eram extremamente desumanas, e todos os registros que existem descrevendo as viagens para as Américas reforçam isso. O porão no qual os escravos eram aprisionados, em geral, era tão baixo que era impossível ficar em pé. O espaço era tão apertado que muitos tinham que ficar na mesma posição durante várias horas.
Os traficantes dividiam o porão em três patamares, com altura de menos de meio metro cada um. Presos pelos pés, mais de 500 escravos se espremiam deitados ou sentados. “Ficavam como livros numa estante”.
Além da falta de espaço, os porões não tinham qualquer iluminação ou circulação de ar e muitas pessoas tinham crises respiratórias. O frio intenso ou o calor escaldante também fazia parte da viagem sofrida. Há relatos de temperaturas próximas a 50 graus em alguns trechos de viagem.
A alimentação era escassa e era resumida a uma refeição por dia, em uma quantidade mínima. A comida era bastante restrita. Eles recebiam pequenas porções, do tamanho que coubesse na palma da mão de farinha e carne seca.
Cada um podia tomar uma caneca de água por dia. Afinal, a água era rara até mesmo entre a tripulação. A alimentação precária, levava ao desenvolvimento de escorbuto, uma doença causada pela falta de vitamina C.
Como se não bastasse a falta de alimento, nesses porões não havia qualquer esquema de saneamento básico. Isso quer dizer que as pessoas urinavam e defecavam no mesmo espaço onde comiam e dormiam. A cada viagem, era permitido que os próprios escravos lavassem os porões a cada 15 dias, para amenizar o mau-cheiro.
Para isso, usavam água do mar, que depois formava uma fina camada de sal no chão do porão. Com o passar do tempo, a exposição do corpo àquela situação degradante acabava transformando os porões do navio negreiro em um foco disseminador de epidemias. Doenças de todo tipo, como, varíola, sarampo e infecções gastrointestinais eram as maiores causas de epidemias à bordo.
Por causa disso, em cada uma dessas viagens, cerca de ¼ dos escravos morriam. Mas, infelizmente, as mortes não eram somente por doenças. Os navios negreiros carregavam escravos capturados de diferentes tribos.
Isso significa que pessoas tribos inimigas poderiam fazer essa viagem juntos, o que gerava brigas e, ocasionalmente, assassinatos entre eles. Esses homens e mulheres eram tratados como uma mercadoria qualquer e passavam por todos os tipos de humilhação e maus-tratos. Muitos negros sob extrema situação de estresse e humilhação tiravam a própria vida e seus corpos poderiam permanecer por dias no mesmo local que os vivos.
Dessa forma, para que o número de escravos mortos durante a viagem diminuísse, alguns marinheiros organizavam pequenos grupos que circulavam pelo navio para se exercitar e tomar um pouco de sol. Mas, na cabeça dos escravos, os brancos recolhiam os negros para dentro da embarcação com o intuito de comer sua carne durante as viagens. Por isso, muitos pulavam no mar quando eram levados para o passeio fora do porão.
Eles acreditavam, que quando eram levados para fora, seriam comidos. As rebeliões eram frequentes. E algumas revoltas resultavam na conquista da embarcação pelos escravos.
Outras, porém, acabaram com a morte de todos os escravos rebeldes, cujos corpos foram lançados ao mar. Após mais de quarenta dias de viagem, os escravos chegavam na América com o estado físico e mental fortemente destruído. Para mascarar a debilidade dos escravos, no dia da venda, os comerciantes passavam óleo de baleia na pele deles para parecerem saudáveis.
Podiam também tomar um pouco de conhaque para se mostrarem mais animados. Acredita-se que o Brasil recebeu, aproximadamente, 4,8 milhões de africanos escravizados durante três séculos de tráfico negreiro. Foi somente no século 19 que as leis proibiram tal comércio absurdo.
Entre 1806 e 1807, a Inglaterra acabou com o tráfico negreiro em seu Império e em 1833 proibiu o trabalho escravo. No Brasil, mesmo após o tráfico negreiro ter sido proibido, a escravidão ainda permaneceu até 1888. Como sabemos, felizmente, neste ano a lei áurea foi assinada e colocou fim na escravidão no Brasil.
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