Olá, moçada! Tudo bem? Bom dia!
Baita Primeiro de Janeiro! Que tenhamos todos um excelente ano. Hoje, trazendo para vocês a nossa primeira meditação estóica com Epicteto.
Epicteto foi um filósofo que nasceu ali por volta de 50 depois de Cristo e morreu por volta de 138 depois de Cristo. É um filósofo histórico de absoluta importância. Nós só temos acesso à obra dele porque um dos seus discípulos, chamado Arriano, fez uma série de anotações sobre as suas aulas, sobre as suas reflexões.
Então, graças a esse discípulo, nós conhecemos pelo menos uma boa parte do pensamento de Epicteto. Um dos pontos essenciais do pensamento histórico de Epicteto está registrado já aqui nessa primeira meditação que eu cito para vocês: a principal na vida é simplesmente esta: identificar e separar as questões, de modo que eu possa dizer claramente para mim mesmo quais são externas, fora do meu controle, e quais têm a ver com as escolhas que realmente controlo. Para onde, então, devo olhar à procura do bem e do mal?
Não para as coisas externas, incontroláveis, mas para dentro de mim, para as escolhas que são minhas. Um dos ensinamentos mais importantes do estoicismo é discernir, todos os dias, aquilo que está sob meu controle e aquilo que não está, e dedicar tempo e esforço àquilo que compõe o universo do meu controle, e não se ocupar nem se desgastar com tudo aquilo que está fora do meu universo de controle. Parece simples ao dizer, mas é muito difícil conduzir a vida nesse sentido.
Frequentemente, nós perdemos muito tempo com as coisas sobre as quais não temos domínio, e é interessante que os estóicos, nesse sentido, e essencialmente Epicteto, nesse sentido, vão dizer: "olha, não existe mal naquilo sobre o que não temos controle". Então, por exemplo, a morte não é um mal; o fato de eu navegação em um mar que ora pode estar agitado, ora pode estar calmo, isso não é um mal. Isso é próprio da condição de existência.
Se eu não tenho controle sobre a coisa, não é o mal que aquilo aconteça; são as coisas acontecendo como elas devem acontecer. Agora, onde é que reside o mal e, portanto, onde é que reside o bem? Reside naquilo, naquela parte da realidade sobre a qual eu tenho algum grau de controle.
Ali, eu posso ter o mal ou o bem. Fora disso, é como dizer que é um mal ou um bem ter dois braços; é um mal ou um bem ter cabelo na cabeça? Uma coisa da biologia.
Olhe, essas coisas você não controla, portanto não é nem um bem nem um mal; é indiferente. Agora, quando eu posso agir, ali sim eu posso fazer o mal ou o bem, e aí nós devemos redobrar as nossas atenções nesse sentido. E aí os autores fazem o comentário de que, nesse caso, é muito interessante: a prática mais importante na filosofia estóica é a distinção entre o que podemos mudar e o que não podemos mudar; aquilo sobre o que temos influência e aquilo sobre o que não temos influência.
Se um voo é adiado por causa das condições do clima, você pode gritar o quanto quiser com o representante da companhia aérea; isso não vai fazer a tempestade parar. Quantos shows ridículos de horrores nós vemos em aeroportos no momento em que um voo é cancelado por questões climáticas, com as pessoas gritando e as pessoas desesperadas? Adianta?
Isso vai fazer com que a tempestade vá embora mais cedo? Isso vai fazer com que o avião decole no horário? Não!
Simplesmente. Então, é entender que aquilo escapa ao seu controle, não importa o quanto você deseje, isso não o tornará mais alto ou mais baixo ou fará com que tenha nascido em outro país. Ai, que ódio de ter nascido no Brasil!
Adianta? Que tipo de ódio é esse? De novo, não é nenhum bem nem um mal; é um fato.
É um fato! Importa o modo como você reage a isso mais do que a coisa propriamente dita. Por mais que tente, você não pode fazer alguém gostar de você.
Quanto tempo na nossa vida a gente fica se esforçando para ser aceito, para que as pessoas gostem de nós, para termos uma certa reputação? São coisas que você não controla; você absolutamente não controla. Você pode ser uma pessoa extraordinária, boa, você pode ser uma pessoa cuidadosa, você pode ser uma pessoa o que for, isso não vai fazer necessariamente com que as pessoas gostem de você.
Você não tem controle sobre isso. Além disso, o tempo que gastamos arremessando contra esses objetos inamovíveis é tempo que não empregamos em coisas que podemos mudar. O tempo é escasso.
Quanto mais tempo ficamos tentando lidar com o que nós não controlamos, menos tempo estamos dedicando àquilo que realmente está sob o nosso controle. E aí ele vai dizer assim: muitas instituições, algumas instituições de reabilitação social praticam algo como a prece da serenidade, né? Muitos aqui já ouviram essa prece da serenidade.
Entenda que aqui, esse conteúdo religioso, ele coloca no comentário porque nós estamos em um ambiente estritamente racional: "Deus, concedei-me a serenidade para aceitar as coisas que não posso mudar, a coragem para mudar as coisas que posso e a sabedoria para distingui-las". Isso é bastante estoico na essência da palavra. Dependentes não podem mudar o abuso que sofreram na infância; não podem desfazer as escolhas do passado ou o dano que causaram.
O tempo que nós perdemos nos martirizando por coisas relativas ao passado: "Ah, eu não devia ter feito aquilo! Ah, eu deveria ter feito aquilo! Puxa, eu falei uma coisa.
. . ".
Você não tem controle sobre isso; o passado está completamente fora do nosso alcance. Mas nós podemos mudar o futuro através do poder que nós possuímos no presente momento. Como disse Epicteto, podemos controlar as escolhas que fazemos neste momento.
Nós podemos controlar as escolhas. Que fazemos neste momento, o mesmo se aplica a nós todos hoje. Se pudermos nos concentrar em esclarecer quais partes do nosso dia podemos controlar e que partes não podemos, seremos mais felizes e também teremos uma nítida vantagem sobre as pessoas incapazes de perceber que travaram ou travam, diariamente, uma batalha impossível de ser vencida.
Você não pode vencer aquilo sobre o que não tem qualquer controle. Boas escolhas para vocês e um excelente começo de ano!