Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém. Meus queridos irmãos e irmãs, o evangelho de hoje nos mostra uma realidade bastante humana por parte de Jesus.
Jesus vê as necessidades dos seus apóstolos: que eles descansem, porque não tinham nem sequer tempo para comer. Sai de férias, quem que encontra do outro lado? O povo necessitado.
E aí o evangelho conclui que Jesus se compadeceu deles verdadeiramente, porque eram como ovelhas sem pastor. E aí, o coração humano de Jesus. .
. Interessante que a Igreja, já há muitos séculos, insiste nessa tecla do Coração de Jesus. Quer dizer o seguinte: Deus, sim, Deus nos ama – Pai, Filho, Espírito Santo – nos ama com um amor eterno e um amor perfeito.
Mas Deus não quis que esse Seu amor eterno e perfeito deixasse de se manifestar de forma humana; e assim Ele se fez homem. Sabe por quê? Porque, lá no céu, Deus não podia sofrer por nós; aqui, sim, Deus consegue nos amar de forma humana.
E é por isso essa devoção da Igreja ao Coração de Cristo, ou seja, de saber que Deus nos amou com amor infinito, sim, mas um amor infinito encarnado num coração humano. Esse coração humano de Cristo se manifesta para com os seus apóstolos; portanto, a compaixão de Jesus para com os ministros da sua Igreja, para com aquelas pessoas que se dedicam infatigavelmente à evangelização. Se você é uma pessoa que realmente se dedica às coisas do Reino de Deus e está cansado, saiba: Jesus se compadece do seu cansaço, se compadece da sua entrega, se compadece das suas noites sem dormir, se compadece das suas doenças que vão aparecendo por causa da sua dedicação.
Jesus, sim, não é um Deus impassível lá no céu; é um Deus que, na sua imperturbabilidade, não se deixa tocar por essas coisinhas. Não, Jesus se compadece também dos seus ministros. Mas, ao mesmo tempo, Jesus se compadece do povo e vê a sua necessidade.
Aquilo que nós encontramos no evangelho de hoje é um verbo que ocorre 12 vezes no Novo Testamento: o verbo "spom", que é um verbo de compaixão, mas que é bastante plástico; ele realmente transmite a ideia. Porque é baseado na palavra "vísceras", ou seja, Jesus se compadece quer dizer que Ele se contorceu por dentro, ou seja, Ele realmente moveu as suas vísceras. É um amor humano, claramente, de quem tem compaixão das suas ovelhas, porque são ovelhas sem pastor.
Que lindo ler este evangelho à luz de tantos santos pastores, homens que viveram menos tempo porque se dedicaram mais a Deus. Isso é quase que a tônica constante da vida dos santos pastores da Igreja: homens que morreram martirizados ou que adoeceram de tanto se dedicar, homens que verdadeiramente fizeram do tema da sua vida o "ai de mim se eu não evangelizar", como diz São Paulo. "Ai de mim se eu não anunciar a Boa Nova!
" E é por isso que os verdadeiros pastores da Igreja dizem com Cristo: "Caritas ur", ou seja, o amor de Cristo nos impele, nos impulsiona. Porque se um morreu por todos, precisamos que as pessoas conheçam isso, saibam disso, descubram este amor. E é assim que os pastores, mesmo precisando descansar, deixam-se contaminar por essas vísceras de misericórdia do Cristo.
Sim, como diz São João Maria Vianei: "O sacerdote é um presente do coração humano, das vísceras de compaixão de Cristo, Nosso Senhor. " Deus abençoe você. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Amém.