eu vou começar me apresentando brevemente e fazendo a a descrição tanto minha quanto do intérprete Eh meu nome é Amanda Soares eu sou uma das bolsistas do mapeamento acessa mais também sou conhecida por P perigosa nas redes sociais por trabalhar já com influência há um tempinho e eu tô aqui hoje para poder também fazer a a outra descrição minha que é eu sou uma mulher branca de cabelos pretos eh escuros com olhos escuros também eh álcool na cor amadeirada tô vestindo uma blusa da griff nora se eu não me engano eh que é do Harry
Potter com o fundo cinza um escudo com leão e com Fundos acho que vermelho né enfim tô aqui com Lucas que também que é o intérprete Ele é um homem negro black black power com cabelo black power Barbie e Bigode usando óculos redondo de metal e uma camisa branca com uma parede ao fundo Branca esqueci de sinalizar o que tá ao fundo meu tem uma estantezinha com algumas coisas de maquiagem acima Eh agora eu vou passar a informar alguns pontos do mapeamento né o mapeamento é um projeto proo que Visa eh levantar dados né da
existência de artistas pcbs e eh parceiros da acessibilidade tanto eh profissionais da acessibilidade tanto com ou sem deficiência acessibilidade cultural A exemplo intérprete de livras que está aqui eh para Além disso O mapeamento ele é uma parceria do Ministério da Cultura né da secretaria livro e leitura com a Universidade Federal da Bahia e antes da gente começar eu preciso dar um informe que Para alegria de todos ah o nosso formulário vai est disponível em setembro então é uma dúvida de todo mundo aí todo mundo vem perguntando ele vai estar disponível em setembro e a gente
vai informando os próximos passos a outra coisa que eu preciso informar é que de vez em quando eu vou dar uma interrompida na conversa de vocês sem querer fazer isso mas é para só na troca de intérpretes E aí Para sinalizar pras pessoas que não estão enxergando eh e a gente vai agora começar a conversa entre o Daniel e o Fábio tô muito feliz em estar aqui com vocês eh e vou passar a bola pro Fábio começar essa conversa e a gente vai aprender a partir de agora Olá boa noite a todas as pessoas aqui
presentes na Live de hoje né um grande prazer estar aqui hoje nesse mais essa atividade do mapeamento né tendo como a presença aí das colegas e do Daniel para conversarmos um pouco né de mais nada me autodescrever Eu sou Fábio Passos tem 48 anos sou um homem negro de pele Não retinta cabelos pretos em caracolados curtos barba preta curta sombrancelha larga olhos pretos estou usando uma camisa de gola polo Verde escura e atrás de mim tem uma estante com alguns livros e uma parede branca né então eu sou professor da Universidade Federal do Piauí professor
de Filosofia também sou artista visual e uma pessoa com deficiência eh sou paraplégico e uso cadeira de rodas para me locomover né Eh eu tento nos meus trabalhos artísticos né tô aqui envolvido né no mapeamento junto com essa turma boa que estamos aí eh nesse desafio nesse bom desafio que é fazer esse mapeamento de artistas de pessoas com deficiência em nas diversas linguagens das Artes e e também tentando fazer esse mapeamento de onde eles estão qual é a situação deles nesse nosso país de dimensão Continental eh nos meus trabalhos artísticos eu eh utilizo do desenho
de mina de grafite colorida para expressar e problematizar a invisibilidade dos corpos das pessoas com deficiência né eu desenho eh pessoas meu próprio corpo e pessoas convidadas em tamanho real no grafite e eu as desenho nuas porque no meu entendimento a as vestimentas para um corpo Def Principalmente de uma pessoa como deficiência física ela encobre aquilo que a sociedade normalizadora não quer ver acha estranho acha monsto uso né Então essa é a minha eh a minha linha de pesquisa e o meu tensionamento e a minha problematização nos meus trabalhos que de alguma maneira eh eh
conversa e e tem uma aproximação com a pesquisa do meu amigo Daniel Moraes que antes de passar para ele para ele fazer sua autodescrição vou falar um pouquinho aqui do Daniel Ele é mestre em pintura pela faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa e graduado em design pela Facamp desde o começo de seu de sua trajetória Daniel investiga conflitos do seu corpo com as práticas artísticas sendo desenho a pintura e o vídeo rapping os principais meios utilizados pelo Daniel a decp né ou seja os estudos sobre a corporeidade da deficiência é o foco das
suas Produções atuais que articulam relações entre monstruosidade e humanidade estudos defs e tensões entre arte corpo e educação mais recentemente o Daniel desenvolveu um curso de arte e deficiência um desenho possível no SESC da Avenida Paulista curso esse que eu tive oportunidade de fazer uma única aula mas tive o prazer de estar com El quando eu estive em São Paulo então passo aqui a palavra pro Daniel para ele se apresentar e para posteriormente a gente começar a nossa conversa da temática que a gente pensou para hoje boa noite Daniel bem-vindo Olá boa noite obrigado aí
pela pelo convite eh uma satisfação imensa tá aqui eh conversando com vocês e tendo essa possibilidade né de de falar de dialogar e e e aprofundar né o pensamento eh da corporeidade Def ã no âmbito das artes visuais eh agradeço imensamente ao Fábio e toda a equipe do mapeamento eh e antes mais nada também me auto de escrever eh eu sou um homem moreno de sol Ah tô aqui em Campinas no meu Atel atualmente tenho cabelos curtos castanhos sobrancelha larga também bochecha redondinhas barba mal feita um pouco grisalha tô vestindo uma camiseta verde musgo com
os colares que eu vim todo todo arrumadinho para essa Live uns colares dourados com florzinhas para dar aquele Aché e ah eu tô aqui atrás de mim tem uma parede do meu atelier tem uma tela onde eu tô desenvolvendo um trabalho enfim que tem uma figura de um cão do meu outro lado tem uns resquícios de um outro estudo em azul de algumas mãos e eh e eu acho que isso é o suficiente para me descrever eh bom o Fábio já adiantou um pouquinho ali da minha biografia eh eu né só reforçando estou mais no
âmbito das artes visuais fiz um mestrado na Belas Artes de Lisboa minha minha dissertação era sobre eh uma pesquisa sobre o corpo com deficiência Nas artes óbvio que tinha uma linha eh autobiográfica né na qual eu fui desenvolvendo uma uma uma pesquisa tanto teórica e prática alinhada bastante alinhada entre si e utilizo o desenho também como Fábio como minha principal mídia né para para me me Ah para para me me comunicar para me expressar mas isso se desdobra em outras mídias também então eu me considero um artista multimídia e e também na parte de educação
Também dou muitos cursos penso projeto então a gente acaba fazendo eh um híbrido de de muitas ah muitas mídias muitas atuações e e é isso tá é então Daniel Obrigado né mais uma vez né agradecendo a você e Daniel assim a proposta nossa né da de conversar né o corpo Def enquanto tela eu gostaria de te chamar paraa gente conversar você falou um pouco da sua pesquisa no mestrado né que envolveu muito de uma uma autobiografia sua né e eu queria eh pensar com você conversar a partir de agora sobre eh eh esse movimento que
é o movimento da das Artes contemporâneas né que de alguns artistas né Não somente das artes visuais mais de outras linguagens que utilizam o seu próprio corpo como tela né como esse lugar de experimentação como esse lugar de de iniciar um trabalho artístico a partir do seu próprio corpo né eh e e eu chama eh eh queria conversar um pouco com você sobre isso porque de alguma maneira eu faço isso no meu trabalho você faz muito isso no seu trabalho e eu gostaria de aqui trazer a presença Nossa uma uma ancestral da arte Def né
uma das Não Dizer a a a primeira mas uma das a começar a fazer isso que a Frida calo né a Frida calo ela se coloca né Eh o corpo dela como tela como lugar de de de experiência ações e isso transborda no trabalho dela né e até alguns algumas pessoas próximas e até críticos falavam de um exagero de Exposição dela de um exagero de dela se voltar para ela mesma né E ela num determinada momento ela falou que ela pintava sobre ela porque ela era o o tema que ela melhor conhecia né E aí
tem aquela célebre frase da da Frida né que ela era a própria musa dela eu gostaria um pouco de conversar com você sobre essa e eh esse alguns artistas Def das artes visuais utilizarem o seu próprio corpo como tela e como isso tem eh uma uma conexão ou um embricamento com todo esse movimento Dev da arte Dev que hoje nós estamos vivenciando no Brasil eh primeiro eu eu esqueci de passar um um uma descrição muito importante sobre mim eu sou uma pessoa com deficiência também deficiência física eh eu tenho uma deficiência física nas mãos eh
em uma das mãos eh eu tenho dois dedos eh foi uma uma deficiência congênita mas que também sofreu por por um um processo de amputação eh e na mão direita também tenho apesar de ela não não parecer mas ainda também tenho algumas eh questões na mão esquerda e e de certa maneira é isso que me move também né Assim você tá dando um exemplo da da da Frida mas são as minhas mãos que guiam a minha pesquisa né Eh eu acho que eh e também esse esse tendo esse guia tendo esse esse foco eh e
ele ele se torna assim eh um Um fundamento para você eh também mesclar e e e transpassar outras questões né óbvio que isso é para mim é muito importante é muito ah eh tem uma importância muito grande eh Mas além da da fisicalidade da minha deficiência eu busco no caso ã muito a questão questão subjetiva poética né Eh e eu acho que assim eu acompanho muitos alguns artistas contemporâneos né com deficiência alguns artistas com deficiência eh E como eles lidam com essa questão dentro do trabalho né então e a experimentação desculpa que estão me ligando
aqui num ma errada e e além da da representação dessa se ar do próprio corpo Def eh eu acho que também tem uma eh para além de se apropriar do próprio corpo é também para mim um exercício ainda mais delicado e mais complexo é encontrar sua subjetividade porque eh se a gente não consegue se apropriar do próprio corpo como ferramenta e é mais difícil você ultrapassar a representação dele e investigar isso de de outras formas tá porque eu acho que isso é um exercício que eu sempre faço no meu trabalho eh eh e eu percebo
que artistas como ã a Nazaré Pacheco que eu que eu me espelho muito a Mari katama que é uma outra uma outra artista eh com deficiência japonesa que também fala muito sobre si mas traz outras sobrecargas com eh é problematizando eh essa questão né porque eh eu acho que esse se apropriar disso e eu acho que com a arte a gente consegue misturar com outros assuntos e se apropriar disso é é um é um processo muito delicado porque quando você resolve utilizar o próprio corpo enquanto eh plataforma enquanto pauta a primeira coisa que que que
que é o que a própria Frida passou e eu acho que ainda hoje os artistas com deficiência passam é esse questionamento né esse questionamento será que isso é necessário dizer será que você tem assunto sobre isso Será que a deficiência é assunto e aí te colocam também num assunto que a normativ a pessoa normativa sem deficiência ela acha que a a o discurso da deficiência elas Ele sempre tá atrelado ao discurso do trágico do do traumático eh não que isso não seja né mas isso é um olhar externo sobre a deficiência né e a gente
sabe que para além do trauma para além da da dessa questão eh eh vamos dizer não sei se é negativa mas assim esse estereótipo do corpo com deficiência quando ele aparece na tela né Eh como ele aparece em evidência ele eh eh as pessoas sem deficiência só encontram esse espaço para esse corpo e a gente sabe que o nosso corpo ele é feito de potência também de poética Então transpassar essa essa questão é muito importante é romper na verdade é romper com esse olhar estigmatizado sobre o corpo sofrido da deficiência porque E aí eu acho
que esse é o movimento né esse é um movimento muito importante eh eu passei Eu particularmente já passei isso dentro da minha dissertação que era uma das principais coisas que me meu orientador e a minha alguns professores me questionavam se eu não que se eu se eu que se eu se isso que eu estava querendo pesquisar não era um processo de vitimização e isso obviamente é um pensamento capacitista isso é um é um é um pensamento extremamente eh eh preconceituoso e estereotipado né porque também quando a deficiência resolve falar sobre si parece que ela ela
veste esse véu da da vítima né E aí tem esses véus que são colocados no nosos corpos e a vítima é mais um desses véus né então eu acho que é isso assim tem tem quando o corpo né Eh com deficiência aparece ou quando o artista com deficiência resolve falar sobre a deficiência eh as pessoas se questionam um pouco se qual que é esse repertório se será que isso tem conteúdo será que isso tem cultura será que isso é construção de identidade Será que tem uma estética específica e Óbvio que eu também não tô aqui
para responder e eu acho que nenhum nenhum artista com deficiência precisa responder essas questões capacitistas na verdade eu acho que assim o nosso papel é problematizar ainda mais quando a Essa professora fez isso para mim eu liguei o volume da vítima ao máximo assim eu falei tá ela quer que eu seja vítima então eu vou eu vou pegar esse vé e transformar numa num numa grande monstra né numa grande numa grande monstruosidade então acho que esse exercício é muito importante assim é também entender esse olhar que ainda eh esse esse olhar que que as pessoas
sem deficiência TM sobre a cultura e sobre a identidade e sobre a estética de então eh é isso eu vou parar um pouquinho de falar senão eu Eu embarco aqui ó e vou e eu sei que o Fábio também tem muito a dizer não só sou eu não imagina o sempre você conversar com você sempre é muito rico verdadeiramente Rico A você sabe disso tenho você como uma pessoa muito querida que a gente troca muitas informações e te ouv é sempre delicioso Daniel eh eu gostaria só de trazer um vou interromper rapidinho só para fazer
a troca do interprete problema um segundinho E obrigado pelo meninos viu isso muito me deixa confortável tá quando a chega nos 48 anos e Alguém chama aí de menino dá uma paz você não imagina o quanto a gente vê que a gente não gastou dinheiro a toa com ren pronto então já tá já tá já tá fazendo a pesquisa da avaliação Pera aí deixa eu queria voltar essa esse tema porque assim tem não sei se você já teve a oportunidade de entrar em contato tem um livro que chama o corpo do artista que tem e
é um percurso principalmente pela arte contemporânea de vários artistas que utilizam do seu próprio corpo como tela não sei se você já viu esse livro né e e dentro desse livro não tem nenhum artista Def nesse livro né Eh mas o que eu queria cham eh trazer você aqui pra gente conversar um pouco eu seguinte na contemporaneidade Esse voltar-se pro próprio corpo e até mesmo de uma maneira desnudada né Desse artista virou um MTE foi exatamente dessa apropriação de si da sua própria identidade e nós vemos alguns artistas sem deficiência que fazem intervenções no seu
no seu próprio corpo como um modo de de chamar atenção para algumas questões que envolvem uma tirania da estética da beleza e assim por diante só que o nosso corpo ele não princialmente do corpo da pessoa com deficiência física que é o meu caso e é o seu também ele não precisa de nenhum tipo de intervenção para trazer essa e eh esse tensionamento né é o nosso próprio corpo e aí você traz uma uma questão importante anteriormente na sua fala que quando esse corpo com deficiência fora dos padrões estéticos ele vai para ele trans orda
e vai pra superfície do trabalho artístico como ele não está dentro da da de um padrão normalizador Ou ele traz um horror para o olhar da dos eu vou aqui utilizar de uma expressão que aparece no meu livro né horror dos ciência como uma tragédia pessoal né E como um corpo que precisa ser consertado a a a sensação que eu tenho quando os nossos corpos vão paraa superfície do trabalho artístico ele sempre é visto como algo que deveria ter sido ajustado antes de estar ali né os nossos corpos eles têm movimentos movimentos não possíveis né
eu lembro um pouco aqui da de um documentário da butler com a sonur tor né e a sonar Taylor fala que durante muito tempo ela tomou coragem para ir numa cafeteria para pedir um café que ela ia pegar o copo de café com a boca né uma vez que ela a deficiência dela é tanto nos membros inferiores quanto superiores né E aí as pessoas iam olhar para elas com um olhar horrorizado porque eh o corpo né a boca não foi feita para pegar um copo fo fez para para ingerir o líquido mas não para pegar
o copo né Então queria falar um pouco que você trouxesse inclusive é uma questão que você trabalha muito nos seus trabalhos nos seus desenhos né Essa possibilidade do nosso corpo que aos olhos né na desculpa na perspectiva de muitos é é impossível né ou seja essa impossibilidade da possibilidade do do nosso corpo não sei se eu tô confundindo mas essas possibilidades que o nosso corpo tem que transbordam para as normatividades e vem o pros nossos trabalhos Olha é que é muito assunto e é muito é muita coisa pra gente rever né Depois que a gente
começa a perceber eh o a questão da da corporeidade ou da estética ou da da eh da poética da deficiência a poética def a gente percebe que a gente tem que reol para toda a história da arte novamente e se a gente vai Vai um pouquinho para trás a gente começa a se deparar com muitas muitas problemáticas tá eh e porque como você falou esse corpo ele é representado E como eu também já já já já coloquei ele é representado eh assim pouco representado e na verdade eh ele ele é ele é apropriado ele é
apropriado por outras figuras E aí esse tá o grande problema porque a gente até fala assim eh eu acho que a gente já conversou e a gente já já até falou assim Ah mas o corpo o corpo Def não não aparece na história da arte na verdade ele aparece muito só que a gente não percebe na verdade que que que esse corpo quando ele aparece ele ele é o outro véu da deficiência é o vé da monstruosidade a monstruosidade se apropriou da deficiência na história da arte tá eh e se você vê os todas as
figuras monstruosas elas são elas são pessoas com deficiência não existe eu acho que assim é um questionamento que eu sempre faço Existe alguma algum monstro na história cultural que não tenha deficiência é é uma coisa que que que não acontece e na verdade o monstro se apropriou da figura da deficiência e criou essa essa imagem mitológica com esse esse não corpo então assim se você começar a a a ver a figura do monstruoso no decorrer do séculos eh na pintura ou na história da arte é é é é inúmera quantidade e se você pesquisar um
pouquinho sobre essa monstruosidade é um ser humano é um ser humano que que de carne e osso que na verdade associado a questões negativas então eu posso falar assim eu gosto de muito de utilizar o Sci Pererê como como como uma das grandes figuras né que que a gente eh eh eh imagina na verdade é contado uma história para ele não que ele seja uma uma imagem negativa mas ele tá nesse nesse não corpo nesse nessa imagem mitológica Mas é uma pessoa que uma das principais coisas que que eh definem o Saci Pererê é o
fato dele ter uma perna né tem ó que tem outros recordes né E aí se você se você estuda um pouco mais sobre o sass Pererê a tradução de sass Pererê é a dor que pula e que você percebe que isso tem uma importância muito grande só que ele eh V aí vem outras coisas que que transportam o s perir para outra para outra para outra estética para outra para essa figura meio infantil meio assustadora e é dentro desse universo isso vai se construindo geralmente a monstruosidade Corcunda de notri dame é um dos exemplos Frankstein
eu não posso dizer porque é uma construção mais mais fragmentado mas assim eh esse corpo com deficiência ele existe muito na na na pintura assim e se você vê essas monstruosidades que estão na na história da atte Na verdade são pessoas com deficiência ou são pessoas com deficiência ou são seres mitológicos se você for também ver na Grécia todos os corpos el esses esses eh as questões mitológicas né Des dos Deuses eles são corpos metamorfoseados então assim eh na verdade e a gente precisa rever reol toda a história da arte com o nosso olhar né
com com uma uma um um filtro nosso então é eh eu acho que assim tem a gente tem que se aprofundar toda figura Agora sim toda vez que eu vejo um monstro eu paro sento e vou pesquisar um pouquinho mais porque eu sei que isso tem uma isso tem uma bagagem completamente apropriada da experiência da deficiência e isso vai chocando isso vai ficando mais chocante né então Eh isso obviamente Eu só fui começando a entender quando você começa a investigar um pouquinho mais então acho que a gente precisa olhar muita coisa eh e isso ah
e isso nada melhor do que a gente fazer isso né porque aí assim a gente entende porque que as pessoas o olhar que as pessoas têm sobre o monstro dessa dessa dessa coisa do medo e da Atração né de de ter aplição do corpo estranho isso é uma construção histórica secular e isso reverbera na gente isso esse mesmo olhar que a gente tem para uma para uma para uma figura monstruosa no cinema na na enfim na literatura essa aflição sobre o corpo monstruoso para sobre o nosso corpo até hoje então isso é uma construção histórica
que precisa ser revista e que isso é é é chocante aí você começa a perceber que você tem tema para [ __ ] desculpa palavra mas você tem muito tema para para rever e eu acho que isso também gente aprende muito com os movimentos de reol a questão do feminino na arte que já já traçou esse movimento é de olhar o o corpo negro na arte né então assim é re olhar aquele quadro que tem os negros carregando eh eh a a imperatriz não sei o qu é re olhar e começar a questionar tudo aquilo
ali então a gente re olhar para esses quadros aonde aparec esses corpos estranhos né então assim eu acho que tem para se reol né e a gente eu acho que assim o maior ensinamento que a gente tem é é reol para o corpo monstruoso e se apropriar dele tá essa reapropriação da própria monstruosidade é um dos exercícios mais poderosos que tem vou parar por aqui e Daniel eh encaminhando para o nosso final de Live né Eh eu gostaria de A partir dessa sua fala dessa questão do monstro e eu aqui você fala eu pensando né
boa parte dos filmes e ou de peças que retratam Monstros e Tragam e trazem o monstro como um dos protagonistas durante toda a Trama H uma tentativa de de consertar esse monstro e quando não se pode consertá-lo ele no final ele morre né é uma tentativa a Trama toda de tentar consertar o monstro e se ele é incorrigível como diria Foucault no final ele morre né E aí eu fico eu eu pensando aqui na eh jun da sua fala fiquei pensando o quanto que eh esse saber médico né que tem uma apropriação quase monopolizando do
nosso corpo eh no sentido de que claro nós não podemos perder né o quanto que eh a medicina ajuda na qualidade de vida de pessoas com deficiência mas também a gente não pode esquecer que junto com com isso também o que que nós temos né nós nós temos um saber que olha para a pessoa com deficiência como um corpo que precisa ser consertado A exemplo do monstro que durante a Trama toda tenta se consertar ele né e eu lembro aqui né durante a pesquisa do meu livro né que a ACD né No início da da
existência da ACD eh A nomenclatura era Associação de Amparo a criança com defeito né E só depois a partir dos anos 90 passou a ser a de Amparo a criança com deficiência eu era criança com defeito ou seja se alguma coisa tem um defeito precisa ser consertado se não dá para consertar joga fora né então eu fico pensando um pouco nisso Daniel Como que essa ideia dessa de como você fala né Por trás dessa desse corpo bom monstruoso sempre tem né uma apropriação indevida da existencialidade da pessoa com deficiência e eu fico pensando como que
essas tramas vêm trazer e suscitar o seguinte este que não está tá no interior da normatividade da normalização melhor dizendo precisa ser consertado E se ele não é consertado se deixa de lado eh a gente tem uma sociedade que só consegue nos amparar se a gente de alguma maneira se adequa a ela né eu queria que você falasse um pouco sobre essa insistência de que os nossos corpos precisam ser consertados para que eles possam ser vistos né possam ser tensionados em espaços públicos ai é tanta é tanto é tanto assunto que né mas assim eh
eu acho que o lance é nosso corpo é muito apropriado por muitas coisas a monstruosidade se apropria né acho que é um se a gente pensar numa numa numa coisa da da estética da arte a monstruosidade é a figura que vem à frente do nosso corpo né E toda essa relação do da construção do Olhar do outro sobre nós é Reflexo desse olhar que as pessoas têm pro monstro né a gente sabe o quanto o nosso quando a gente socialmente sai como o olhar é a é a principal é a principal coisa que a gente
sabe E eu acho que esse essa essa cultura do Olhar do do do corpo estranho eh é umas coisas que mais agride né então isso já começa nesse sentido e Como já disse é uma construção secular sobre esse esse Como olhar o corpo estranho e aí as apropriações eu acho que assim eh tanto a a questão Cristã quanto a questão Clínica elas elas se apropriaram muito do nossos corpos né se apropriaram para ser eh eh milagroso para ser para fazer caridade né mas assim não é uma caridade aonde você evolui para outras coisas né uma
caridade para você continuar Onde você tá né E aí eu acho que assim o o o Foucault fala dessa eh dessa coisa também do do do monstro pálido né e eu acho que e fala da deficiência como monstro pálido e eu acho é isso mesmo porque assim as as pessoas gostam de ver a deficiência pálida passiva elas gostam de ver naquele lugar né então e esse monstro doméstico né E aí esse doméstico ele tá sempre sendo apropriado pelas instituições então a questão Clínica é mais uma delas né então assim é esse corpo que precisa ser
curado esse corpo a gente né né os o ápice de Cristo é é fazer o o que não anda andar é é fazer o que não enxerga enxergar né E isso também é uma construção secular de apropriação e de de como ver um corpo que precisa ser sempre consertado não que eu estou criticando o milagre de de Cristo não estou acho lindo entendeu na Bíblia acho lindo na amor OK mas assim na de ordem prática a gente precisa romper isso mas assim para romper para ocupar outros espaços para não ocupar o espaço da caridade para
não ocupar o espaço só da vítima para não ocupar o espaço eh do que precisa ser consertado né então assim é a gente como qualquer ser humano a gente passa por esses processos clínicos religiosos e tal mas a gente quer o que outros espaços a gente quer est em outros lugares Então cara eu acho que assim a arte é uma ótima ferramenta para isso que a gente rompe E aí retomar esses assuntos pelo nosso trabalho é muito importante então você consegue trazer muita bagagem opressora Então eu acho que assim a ferramenta para mim da arte
é a gente realmente corromper ou e problem ainda mais isso né então assim deixar de ser monstro pálido sabe deixar de ser um monstro doméstico é ser realmente uma coisa híbrida que pode Pode ocupar outros espaços né então eu acho que assim é romper com isso e como a gente tá falando de arte eu acho que a gente tem que olhar para a arte nesse momento né Eu acho que os artistas nesse momento precisam olhar mais paraa arte ir mais para si e ver as conexões que você consegue romper ou problematizar mais né e Óbvio
que não é só porque a gente sabe que a que a deficiência ela é um guia Mas isso é um guia que você Pode ocupar todos os outros espaços só que é isso é difícil assim porque quando você resolve falar sobre o próprio corpo ou você quando você quer representar o corpo com deficiência as pessoas vão olhar para aquele para aquele lugar porque elas ainda só vão o repertório dela sobre a deficiência é muito limitado então é é a nossa responsabilidade jogando responsabilidade pro artista romper isso assim lógic mas assim eu tô falando assim para
instigar a potencialidade do artista tá e e e assim eh de a gente conseguir corromper esse olhar sobre esse olhar construído através de S através de muitas instituições poderosíssimas que nos colocam no mesmo lugar então acho que a ar assim aí é interessante para um artista com deficiência para mim a principal ferramenta agora é olhar para a at olhar no caso eu tô falando das artes visuais mas é ainda responder à arte que aí assim a gente consegue eh entrar nesse discurso artístico E aí a deficiência ela vai tá ali né se você se o
artista quiser tocar sobre a deficiência se ela quiser você ia falar sobre sei lá sexualidade falar sobre outras coisas falar OK mas assim eu acho que a a pra gente conseguir continuar esse raciocínio sobre eh pensar a arte num outro lugar e aí é o pensar o corpo com deficiência em outros lugares né então eu acho que agora é realmente um um posicionamento que temos que ter assim de de de se preocupar nesse aprofundamento e nesse estudo sobre sobre arte e Óbvio que não é fácil né na verdade aí você tá respondendo a todo um
um um uma bagagem artística que a gente tem que corromper também certas coisas e fazer do nosso modo né então eh eu acho que ah é isso assim eu acho que que buscar buscar cada vez mais a a questão da subjetividade eu falo muito de de corporeidade né que a corporeidade é um termo assim eh que tá muito atrelado também à questão da Filosofia mas também das artes visuais que é esse esse corpo subjetivo E aí eu coloco esse de corporeidade porque é o é o estudo do corpo subjetivo da deficiência e não é só
sobre o corpo físico mas é acessar essa subjetividade da deficiência que é eu acho que assim um dos grandes desafios dos Artistas hoje porque senão a gente só fica representando eh O que a normatividade quer ver entendeu E a gente fica no Óbvio Então agora eu acho que assim já já que assim vamos ainda mais né Vamos começar aí aprofundar e vamos começar a a a hackar ainda cada cada vez mais as coisas né então eu acho que é isso assim eh eh e eu acho que os artistas contemporâneos muitas vezes eh também sentem dificuldade
de de não dificuldade mas é que quando você fala da do DEF eh cria uma caixa para isso mas assim eu acho que é uma forma de hackear de criar esse espaço Mas obviamente também tá respondendo se e e e se articulando com outras referências eu acho que esse o maior desafio e e a gente conseguir est em em outros espaços e não naqueles que nos foi dado né nos foi obrigado a estar Maravilha Daniel acho que se a gente continuasse aqui a gente ia ter papo para uma acho que não para uma para várias
lives né então eh acho que aqui nós podemos encerrar claro que isso aqui é só uma pincelada de um assunto né a gente não teria a gente não teria nenhuma intenção de começar e fechar né mesmo que gente tivesse mais tempo não essa na essa intenção só de trazer à tona uma questão envolvendo as artes visuais né as quais são a linguagem que eu e o Daniel e é claro outros artistas eh defis utilizam né mas é mais para trazer né e e tentar um pouco eh eh eh trazer pro centro da discussão do mapeamento
né um pouco que do que tá permeando algumas práticas artísticas no no campo das artes visuais então agradeço demais Daniel Mais uma vez você teré atendido a um convite agradeço demais por essa parceria Nossa que já já perdura já algum tempo né Desejo tudo de bom para você espero nós podermos rever pessoalmente em breve né e um beijão para todos que estão todas e to todos todas e todos que estão aqui presentes hoje abraço boa noite Daniel se quiser se despedir fica à vontade também vou passar pra nossa anfitriã aqui tá bom eh bom agradecer
Eu acho que esse é é um espaço importante eh e e essencial né ah eu vou aproveitar até para fazer um convite tá distante mas mas assim vai ser eu vou ter minha primeira exposição individual aqui no no no no no Brasil né então a em outubro 5 de outubro em São Paulo Então quem tiver em São Paulo e e quiser ir aí eu vou vou falar sobre eh Na verdade eu vou utilizar um livro de um de um outro autor com deficiência e juntando com com com questões eh né Eh eh com pesquisas pessoais
e trazer enfim eh eh construindo essa essa exposição muito calcada na subjetividade da deficiência eh eh e isso vai acontecer dia 5 de outubro na galeria Gruta e quem quiser saber mais eu vou est publicando no meu Instagram e enfim e é isso assim e vão construindo eu acho que assim além de de construir o próprio trabalho a gente tem que construir um terreno para para tá né Então isso que vocês estão fazendo é criar terreno pra gente conseguir atuar então a importância do mapeamento por exemplo é é criar é criar eh criar caminho né
é criar é dar estrutura e é o que eu faço também porque eu percebo que quando eu resolvo quando eu resolv vi falar sobre a minha deficiência eu percebi que eu tinha que preparar um terreno né então então assim eh E é isso que vocês estão também fazendo e cada um todo mundo todo artista com deficiência percebe que toda vez que vai ter eh começar a a a produzir o próprio trabalho ele também tem que ser educativo geralmente é sempre isso assim a gente não não dá não basta ser artista a gente tem que ser
educativo a gente tem que preparar espaço Mas também não vamos sofrer por isso vamos vamos se apropriar disso e não vamos deixar outras pessoas falarem sobre isso né Principalmente né esse olhar normativo sobre criando esse mapa né então eu acho que assim é uma vitória muito grande a gente ter artistas como vocês para eh eh para conduzir isso né criar esse espaço Então isso é muito importante e acho que que que é essencial pra gente continuar eh caminhando e continuar pensando o arte continuar pensando as nossas as nossas monstruosidades a nossa de corporeidade enfim e
é isso muito obrigado obrigado a todos que estão aí nos assistindo também tô vendo aqui o Edu tá se manifestando tem uns amigos ali também tem eh já mandando aquele alguns recados Então é isso é isso é muito importante Obrigado gente Obrigada Daniel vou ser breve que a Dani tá aqui nem apresentei ela vou antes de escrevê-la rapidamente ela é uma mulher negra de cabelos longos cacheados com a blusa azul de gola alta Lindíssima tô me sentindo até pouco arrumada e com o brinco dourado na espiral atrás de uma parede branca de em gesso 3D
e e agradecer a ela e ao intérprete Lucas pelo trabalho agradecer a todos vocês por terem disposto do tempo muito obrigada a todo mundo que assistiu e é isso Sigam o mapeamento fiquem atento porque nosso formulário para a inscrição dos Artistas vai ser eh vai ser postado logo em setembro então fica todo mundo ligadinho pra gente conseguir se inscrever e ter o maior engajamento possível e qualquer dúvida e pergunta sobre essa Live vocês podem colocar pra gente no Direct que a gente vai repassar para o Daniel ou para o Fábio e eles vão responder posteriormente
obrigada gente bom sábado bom domingo e é isso um beijo e até mais beijo gente bom final de semana tchau tchau tchau tchau beijo