Como encontrar o nosso propósito. >> A ideia do propósito, ela é sempre marcante. A própria palavra em si, propósito significa aquilo que eu coloco adiante, né, para buscar. Exatamente o que me faz fazer aquilo que faço. E quando você diz assim, como? Essa é a pergunta chave para que as coisas aconteçam. Mas para que elas não aconteçam de modo distraído, >> alienado, como eu lembrava, robótico, o Como ele precisa ser antecedido do porquê. Propósito não é um dom reservado a poucos, é uma construção cotidiana. Ele dedicou a vida a traduzir filosofia, educação e ética para
o dia a dia das pessoas, ajudando milhões a pensar melhor sobre quem são e para onde vão. Nesta conversa, ele revela como encontrar propósito em meio às pressões do mundo moderno, sem fórmulas prontas, mas com lucidez e profundidade. O convidado de hoje é Mário Sérgio Cortela. >> Alguém diz assim: "Eu tô perdido, eu não sei o que eu faço, etc." Eu digo o seguinte: "Torna-te necessária a alguém. Se você e eu estamos perdidos ou perdidos, é preciso que a gente se encontre sendo necessário ou necessária para outra pessoa. Para quem não sabe para onde vai,
qualquer caminho serve, né? Ora, se eu entendo que eu preciso me tornar necessário ou necessário a outras pessoas, aí eu começo a encontrar meu Caminho. Turmar, você quer ter a possibilidade de acompanhar um episódio do Como você fez isso aqui nos nossos estúdios? Vocês perceberam que já faz alguns episódios que a gente recebe uma plateia aqui nos nossos estúdios e é muito legal a experiência. A gente vai recebendo muitas mensagens de vocês querendo participar. Como é que eu faço para tá aí? Então funciona o seguinte. Se você preencher esse formulário constantemente O time tá selecionando
algumas pessoas, porque são milhares de pessoas. Não tem como, a gente saber todo mundo, a gente amaria fazer isso, mas não tem como, porque a comunidade do Como você fez isso é gigantesca e a gente fica muito feliz por isso, mas você pode ter uma chance. Então, se você quer ter essa chance, clica aqui no formulário, preencha com todas as informações pro time te conhecer mais, selecionar à vezes qual episódio tem mais a tua cara, Caso você selecionado. E obviamente cruza os dedos e eu torço para que um dia você esteja aqui, mas eu torço
mesmo porque a gente fique sempre conectado por aqui. Então, recado dado, clique no link abaixo, preenche o formulário e agora vamos voltar ao nosso episódio. Fala pessoal, sejam todos muito bem-vindos a mais um especial podcast. Como você fez isso? esse episódio. Eu estou muito feliz porque recebo alguém que admiro muito. Fazia Tempo que eu não encontrá-lo pessoalmente, numa primeira vez que eu tive a oportunidade de entrevistá-lo. Foi maravilhoso. Então, como vocês viram na nossa abertura, eu recebo ele, Mário Sérgio Cortela. Palmas para o nosso professor Mário Sérgio Cortela. Professor, tô muito feliz. >> Que bom.
Fico feliz. Uma das coisas boas é que as pessoas fiquem felizes quando com a gente estão. >> Uma das coisas boas é ficar feliz com as Pessoas com as quais a gente está. Então, se a gente junta dos dois lados, aí só pode ser feliz. >> E pode parecer um um pouco eh redundante, né? Mas eu sempre trago aqui o como você fez isso. Ele começa a partir de um como, >> né? A gente fez uma pesquisa e a palavra mais buscada hoje no YouTube, a palavra como, né? as pessoas estão atrás de um noal,
de uma de uma direção. >> E trazendo trazendo você aqui, eh, Professor, não tem como não trazer o como encontrar o nosso propósito, né? Principalmente essa geração que vem, ela vem questionando muitas coisas, né? Vem buscando muito, mas eu acho que é da humanidade a gente se perguntar, né? O que eu quero, para quem eu vim, para onde eu vou, o que me faz feliz, o que que é felicidade? Eu acho tão importante a gente volta e meia eh trazer esses pontos, porque não é muito automático a gente parar para pensar nessas coisas. >> Eu
tenho um livro chamado Por que Fazemos o que Fazemos. >> Hum. E esse livro trata exatamente disso. Isto é, de algumas aflições que a gente tem que ter no dia a dia. E a palavra é aflição mesmo. É aquilo que faz com que você se mexa, se incomode. Uma pessoa que não tem noção de qual é o propósito daquilo que faz e porque eu faço, ela tem uma vida robótica, automática, alienada, portanto, corre o risco de ter uma vida descartável, né? Nesse sentido, a ideia do como, ela tem que ser antecedida do porquê, né? Afinal
de contas, a ideia do como tá ligado ao mundo da técnica, da prática. A ciência lida com os comos. >> Uhum. >> Né? A filosofia, que é a minha área, lida com os porquês. A filosofia não é uma área prática, né? ao terminar, por exemplo, uma conversa contigo, como nós faremos, você não vai conseguir mover uma usina de elétrica, fazer um negócio Mais estruturado, colocar em ação um produto, porque isso não é o campo. A filosofia é uma área abstrata cuja direção central é pensar os porquês, né? E uma das coisas boas é que quando
você fala do como e você usou a expressão em inglês no how, >> a gente adça também na filosofia além de no how, né, que é exatamente a ideia do como fazer, né, uma outra noção que é em francês, >> que é a mesma palavra, só de outro modo Dito no idioma, que é savo fé, né? Savier de francês é saber fazer. No e inglês é saber como as duas tm o mesmo sentido. Mas a voa fier tem uma flexibilidade maior de que no huma coisa mais fechada. uma pessoa que tem intenção de agir, de
fazer, de construir, de edificar, de empreender, ela tem que agregar a noção de noal, isto é, a técnica como aquilo que é eficiente, que realiza, mas também o savo fé, entendido ali, né, como sendo Um certo molejo de flexibilidade. Por isso, volto, né, ao ponto, a ideia do propósito, ela é sempre marcante. A própria palavra em si, propósito significa aquilo que eu coloco adiante, né, para buscar >> aquilo que eu coloco adiante. >> Adiante pró no nosso idioma tem, né, um antepositivo, uma preposição pro significa coloco diante, >> né? Por isso, proposição, no caso de
propósito, é aquilo que eu coloco Adiante. E nesse sentido é exatamente o que me faz fazer aquilo que faço. E eu gosto demais de lembrar de um dos autores, eu venho citando, até coloquei isso num livro mais recente, um dos autores que eu mais li na minha vida foi Mark Twen, um grande escritor norte-americano do século XIX, uma referência na literatura mundial e nos Estados Unidos, >> né? Eu li com 12 anos de idade, para mim uma das obras mais decisivas paraa minha Cabeça chamada Aventuras de Tom Soyer e Huckleberry. Enfim, as duas, né, foram
coisas marcantes. Pois bem, embora, né, o Mike Twin tenha nascido em 30 de novembro de 1835, portanto já, né, batendo aí, né, quase nos 200 anos, 190, se a gente pegar o ano de 2025, ele >> tinha uma preocupação também com essa questão e ele tem uma expressão e eu uso com frequência e vou trazê-la aqui. Ele dizia: "Dois são os dias mais Importantes da tua vida. O dia que você nasceu e o dia que você descobriu porquê. >> Ah, >> bom. O dia que você nasceu não depende de você. O dia que você descobriu
por depende de você. Claro que ele usa um termo, até não aprecio tanto, mas entendo na versão do inglês pro português como é que é descobrir, porque descobrir tem a suposição de que tava lá existente já. Você foi lá e tirou só a cobertura, descobriu. Não, você cria, você inventa, você trabalha. Eu não nasci pronto, né? Nesse sentido existe todo um caminho. E quando você diz assim, como? Essa é a pergunta chave para que as coisas aconteçam. >> Mas para que elas não aconteçam de modo distraído, alienado, como eu lembrava, robótico, o como ele precisa
ser antecedido do porquê. >> E aí a gente pensa e muita gente tem Muito desafio com isso, né? Por por que que você acha que o propósito para muitas pessoas é um desafio encontrá-lo, defini-lo, porque você acha que esse piloto automático, essa falta de questionamento, essa falta de parar e questionar o porquê, não só ficar atrás dos comos, você vê que esse >> é uma comodidade, cai, uma comodidade maior em apenas seguir um script já pronto, né? Evidentemente que é uma escolha, né? Há um grande filósofo Francês da Renascença, jovem, ele morreu muito jovem e
com 18 anos de idade ele escreveu um livro com o melhor título que eu conheço, para tipificar alguns dos tempos que nós vivemos, inclusive acolhendo uma vida algoritmada, né, em que você acaba sendo conduzido por algo que não tem noção nem domínio, você e qualquer pessoa e eu, né, nesse sentido, o ele se chama Etien de Boici >> e o título do livro, olha que coisa ótima, eh, discur curso sobre a servidão Voluntária. >> Uau! >> A servidão voluntária, porque existe uma servidão que você não tem como dela escapar porque é submetida. submetido à aquilo.
Alguém te aprisiona, te comanda, te ordena, te ameaça e você ou perde a vida ou você para seguir vivo e viva, né, precisa ser obediente. Mas há uma servidão voluntária, uma delas, que é exatamente o voluntário, é quando você ou eu escolhemos seguir algo que não me Dê responsabilidade e, portanto, não me dê também sofrimento ou culpa. Uma das coisas mais gostosas é quando você não tem que decidir em alguns momentos, né? Eu digo assim: "Cai, vamos almoçar hoje depois da gravação". Diz assim: "Ó, tá bom, onde você quer ir?" Aí eu digo assim: "Se
que sabe". Esse que sabe me dá um alívio imenso quando eu digo: "Porque a escolha é tua e se a escolha é tua, se tiver algum tipo de turbulência, a responsabilidade Também é tua." >> Uhum. Nesse sentido, uma parte das pessoas tem dificuldade em pensar no propósito, porque imagina em larga escala que pensando no propósito tem que buscá-lo. >> Uhum. >> E se tem que buscá-lo e não o consegue, né, tem alguma responsabilidade nisso. Nessa hora, em algumas circunstâncias, para várias pessoas é mais fácil ter a servidão voluntária, inclusive porque se Não tem sucesso, é
capaz de dizer: "Tá vendo? Olha, olha, ninguém me ajuda, ninguém faz, ninguém provoca, né? Aquela clássica frase perigosa que é que horror, alguém tem que fazer alguma coisa, >> né? Portanto, essa ideia ela marca um pouco de comodidade de um lado e por outro lado alguma dificuldade de ficar em silêncio, né? Você sabe que só é possível pensar no propósito se você é capaz também de ficar em silêncio, Porque a reflexão sobre propósito, ela é interna, não é alguém que te oferece. >> Uhum. >> Porque se alguém me oferece a razão de eu algo fazer,
não é um propósito, é uma ordem, >> né? É um comando. Se você me diz agora você pega esse copo de água e despeje ali do lado, isso não é um propósito. Propósito é algo que eu tenho ao sentar aqui em que uma das coisas que eu quererei fazer não eu farei. Mas se eu Fosse meu propósito, seria derrubar água, né, nas coisas. Ora, comando, ordem, instrução é diferente de propósito. Propósito é uma coisa de dentro para fora. É você que escolhe, né? Quando alguém dizem qual é o teu propósito, né? Uma pessoa que me
deu uma ordem não pergunta qual é o meu propósito. Ela dirá: "Teu propósito é >> e isso não é propósito, né? Ordem, é comando, é instrução, né? Como eu antes dizia. Nesse sentido, Algumas pessoas preferem um pouco mais de comodidade, né? E nesse sentido, a voluntariedade de servir a um propósito que é de outra pessoa, né? Ela é sempre mais tranquila, mais sossegada. E o silêncio é que nos leva a buscar refletir, né? Não é casual que o símbolo da filosofia na antiguidade clássica grega fosse a coruja, porque a coruja é um animal noturno, ela
tem uma noção de ser mais silenciosa. O pio da coruja não é um estaralhaço, né? Ela tem os olhos Arregalados e, portanto, parece que tá mais pensando do que dizendo. Nesse sentido é uma capacidade boa, né, que a gente traz. E quando a gente traz essas duas palavras, propósito e sucesso, a correlação, porque dá para ter sucesso sem seguir o teu propósito, propósito é o caminho para o sucesso. A correlação dessas duas coisas. >> Eh, nos tempos atuais, eu padeço hoje de algo que provavelmente também te vitima, porque eu sou alguém mais conhecido por Das
redes sociais, das atividades, né? Eu sou muito imitado. >> É verdade. >> Há duas imitações que de mim fazem. Uma é bem humorada, divertida. Eu adoro, né, porque o meu modo de falar, né, minha digital vocálica, ela é muito marcante. Eu criei uma maneira, né, de pronunciar as palavras, de enunciar uma fala, né, que acaba sendo imitado. Tem até imitador meu e programa de televisão, né, e uma das coisas gostosas que é uma Homenagem. >> É verdade. >> Mas existe um tipo de imitação que não é imitação, é falsificação. E hoje, com uso de inteligência
artificial, todos os dias, todos os dias eu me deparo com perfis que simulam a minha voz. simula a minha imagem e me colocam a falar conteúdos que não são meus. >> Hum. >> No início a imagem é a minha, depois há Uma, antes não havia possibilidade, agora sim uma sincronização com aquilo que eu tô dizendo. >> Eu estou aqui falando porque Cai é muito bom estar aqui nessa conversa, mas a inteligência coloca a mim a dizer outra coisa com conteúdo que não é meu. Ora, qual é a minha recusa? É falso. >> Uhum. Segundo é
autêntico. Terceiro não dá sucesso para mim mesmo. Que fizesse eh êxito e fosse bem quisto, porque não é meu, >> não é autêntico. >> Sim. >> Vez ou outra eu encontro pessoas, porque algumas desses perfis falsos me fazem falar sobre religião. Eu até entendo dessa área porque eu atuei, né, 30 anos na área de ciênci da religião, mas ela me fala, me faz falar mensagens religiosas. Eu poderia fazê-lo, mas não sou eu que faço. >> Uhum. E vez ou outra eu encontro pessoas na rua caminhando ou no shopping ou no Cinema ou na calçada. E
assim, olha, a minha família todos os dias reza com você logo cedo naquela tua fala diária, que é uma que a gente vai no perfil, tira, aparece outra e assim por diante. >> O que que eu posso dizer? Obrigado. Eu estaria agradecendo a um elogio que não é merecido por mim, porque não me pertence. Eu digo pra pessoa: "Bobagem, não sou eu." Isso é uma ofensa inútil. >> Uhum. >> Eu não posso mentir, mas também não devo De maneira alguma achar a pessoa num desconforto. E a frase que eu uso é: "Já pensou?" Não é?
Porque essa é uma frase aberta, genérica. Eu não tô dizendo nem sim, nem não, mas a minha irritação, ela vem do fato de alguém me trazer um mérito que eu não tenho. >> Por que que eu tenho isso como caminho? Porque o sucesso ele só é verdadeiro se ele for meritório, isto é, se eu tiver mérito em consegui-lo. Do contrário, ele Foi apenas um descarte de outras pessoas. Ele foi apenas um deixar de lado quem deveria ir junto. Meu lema de vida no meu escritório com o meu grupo é não fazemos qualquer negócio. >> Uau!
>> Né? Não fazemos qualquer negócio. Aí eu volto a outro ponto. Existe um sucesso que é de carreira, que é material, que é patrimonial. Existe um sucesso vital. Isto é, o que que eu desejo? Qual é o meu propósito principal? Eu venho Dizendo isso com frequência e retomo aqui. Por que que eu faço o que eu faço? Aquilo que faço, faço para que eu tenha sucesso e êxito. E qual é o sucesso para mim? Qual é a minha medida do sucesso? A minha medida de sucesso eu não vou ter chance de encontrar por uma razão,
porque a minha medida de sucesso é no dia que eu me for, ninguém dizer já vai tarde. Como eu não vou ouvir isso? porque eu não estarei, mas só de eu imaginar que Eu preciso fazer um esforço para que no dia que eu partir ninguém diga já foi tarde. Nesse sentido, essa para mim é a métrica do êxito. Se eu nesse caminho até lá agregar patrimônio, tiver estruturação empreendedora, tiver capacidade de presença e tudo isso não impedir que alguém diga que pena no lugar de tarde, aí sim eu tive sucesso. Nesse sentido, se você me
pergunta, né, como eu digo fazendo aquilo que é meritório, honroso e, Portanto, né, que seja decente nesse sentido. Esse é o propósito principal. Tem muita gente que não gosta de falar de morte, né, do assunto pensar na morte. Para mim, ela não é uma ameaça, ela é uma advertência, como ela é um fato, tá? Ela é uma coisa concreta, né? Como diz uma grande pensadora, Terezinha Ron, né, que é filósofa também, eh, morrer não é o contrário de viver, morrer é o contrário de nascer, certo? Viver, a vida não tem contrário, Diz ela sempre, né?
Muito boas. >> Isso. Morreram ao contrário de nascer. Como evidentemente nós somos marcados pela mortalidade e eu direi ainda bem, porque se nós mortais não fôssemos, nós deixaríamos muito daquilo que temos de fazer, né? Aliás, seria quase insuportável. Você não era nascido, né? Mas a o Borman fez um filme há muito tempo chamado Zardos com Shan Connery, que é um filme de ficção, >> tá? >> É uma distopia, né? uma utopia negativa em que um grupo de humanos consegue usando um cristal, esse filme dos anos 1960, consegue por uso de um cristal construir a imortalidade.
E depois de 500 anos, aquele grupo não suporta mais a imortalidade. E para isso eles querem que alguém quebre o cristal, mas por conta da organização que eles fizeram, eles não teriam como um deles fazê-lo porque Havia uma interdição. O cristal não quebraria se fosse um deles. E é preciso que mortais que vivem fora dali sejam chamados para fazê-la. E eu vou dar um spoiler imenso porque quase ninguém vai ver, né, ou já viu. E e o Chan Conner um grupo de pessoas que são mortais e que são chamados, entre aspas, de bárbaros. E se
consegue que ele venha quebrar o cristal. Quando esse cristal é quebrado, toda a comunidade se torna mortal de novo. E uma das cenas mais bonitas, Porque usando o segundo movimento da sétima sinfonia de Beethov, a cena é maravilhosa. Os bárbaros, entre aspas, os cavaleiros passam com as suas armas atirando e as pessoas perecendo com alegria. Porque afinal de contas 500 anos, né, o tempo todo, a mesma convivência, o mesmo passo, como um eterno, o dia da marmota, o feitiço do tempo, né, aquilo deixa, né, numa condição >> forte. Aí eu volto a um ponto, o
Dialen, 90 anos, ele diz: "Eu não, não tenho medo da morte. Eu não só não quero estar lá quando isso acontecer, né?" Mas a marca maior é imaginar que a morte ela não é uma ameaça, ela é uma advertência. >> Isso é muito bom. Isso é muito bom. Eh, bom isso >> cautela. Você não tem todo o tempo do mundo para não ser idiota, imbecil, arrogante, petulante. Você precisa se construir de uma outra maneira. Nesse sentido, a mortalidade ela é para nós Uma orientação, né, nesse nesse campo também. Claro, né? Nenhum de nós tem a
intenção de perecer na agonia. >> Sim. Por isso, o nosso grande sonho é a boa morte, a eutanásia, usando o termo grego, >> né? Mas a vida em si, ela, se ela não tivesse um movimento de sensação, a gente aproveitaria e fruiria menos. Você falava no ponto de partida que estava feliz de eu estar aqui, eu disse que também estava por estar aqui. Ambas as Coisas são verdadeiras, mas só existe felicidade se ela não for contínua. Você e eu só ficamos felizes de nos encontrar porque nós não estamos juntos o tempo todo. >> É verdade.
>> Porque a felicidade se dá pela ausência também. Eu tenho um prazer imenso em tomar essa água que agora vou tomar porque eu tô com sede. A sede favorece o prazer. Tivesse eu a obrigação de tomar seis copos deles, fazer um exame médico, Eu não apreciaria, né? A gente só consegue dizer: "Estou feliz porque ela se ausenta, né? Se ela tivesse uma presença sem fim, não haveria fruição. O melhor coisa do mundo é você comer com apetite, não com fome. Não se confunda fome com apetite. Fome é ausência de alimento e dá desespero. Apetite é
expectativa de alimento e desejo, né? Por isso, quando você quer muito comer algo, você poderia comer outra coisa, não te faltam alimentos, aquilo aumenta Imensamente o gosto quando você degusta. A já vista que quem gosta de cerveja, né? Vez o outro eu tomo o primeiro gole. Isto não é cerveja, nem precisaria, nem deveria sê-lo, né? Mas o primeiro gole é magistral, o segundo é delicioso. No terceiro, no quarto você se transforma apenas num intermediário entre a garrafa e o vaso sanitário, né? Portanto, é só uma passagem em que você não tem ali, né? eh, não
dá vontade. A pessoa, por exemplo, que é alcoolista, ela não tem Prazer, >> né? >> Ela tem dependência. >> Uhum. >> Né? Por isso há uma diferença entre prazer, felicidade, exuberância e a condição de não conseguir se libertar. Aí eu volto a esse ponto. Nós com a vida temos e precisamos ter dela e dar um valor que nós a perdemos. Ô, você trouxe um um gancho, eu queria até muito ouvir a sua visão, porque Recentemente eu vi esse estudo que em época de rede social o ser humano nunca se sentiu tão sozinho. Pode parecer uma
uma coisa louca, né? Em época de ferramentas para interação, o ser humano nunca se sentiu tão sozinho. Ah, e eu acredito que felicidade, por isso que eu gancho, ele tá muito atrelado à qualidade das relações que a gente tem. E as pessoas nunca se sentiram tão sozinho. Então se dá para afirmar que a gente nunca houve um momento de tanta Infelicidade. É >> como que você como que você olha isso daí? >> Duas coisas aí. A primeira delas é que sozinho não é solitário, né? Uma pessoa que se sinta sozinha ou se coloque sozinha, não
necessariamente ela tá solitária. >> Uma pessoa solitária é aquela que não conta com ninguém, >> que se sente largada, abandonada. >> Sim, >> né? Uma pessoa sozinha é aquela que você tá. Eu às vezes tô sozinha. >> Uhum. em casa, quando Cláudia sai ou ela viaja ou tem outra atividade, eu fico sozinho. Nem sempre é ruim ficar sozinho. >> Ruim é ficar solitário. >> É verdade, >> né? Por isso solidão é ruim, né? A capacidade de ficar sozinho ou sozinho em vários momentos, ela nos faz bem. >> Uhum. >> Quando você cuida de si, o
famoso mm, o meu momento, né? O meu momento é claro que eu vou fazer agora, né? Eu nunca me esqueço que durante o processo pandêmico, no momento inicial de uma um isolamento necessário mais longo, Claudia, eu ficamos juntos e a gente contava os dias 110, 120, 130, todos os dias nas 24 horas juntos. Por isso nós estabelecemos entre nós que durante o dia de 24 horas havia duas delas que a gente ficava sozinho, cada um num canto Isolado, não era proibido falar, mas não era necessário fazê-lo. Para você também ter um pouco de, né, de
densidade, né, de presença de individualidade. Por que que eu tô dizendo isso? Eu entendi o que você disse. >> Nós estamos num momento em que se vive em voz alta, >> as conexões são contínuas. >> É verdade. >> A necessidade de disponibilidade, ela é contínua. E nessa hora, claro, né, Nunca, como lembrou, nunca houve tanto modo de aproximação que nos deixou mais distanciados do ponto de vista atômico e mais próximos do ponto de vista molecular, né, da tecnologia, >> né, como corporeidade, nós estamos distanciados >> como proximidade, né, dos bits, nós estamos aí encostados. Fora
sim, porque uma parcela dessa tecnologia, ela substituiu a necessidade de proximidade, né? Você começa com algo que eu brinco Há anos. Uma das invenções diabólicas mais magníficas da humanidade foi o microondas, né? Porque ele facilitou imensamente a nossa vida e nos colocou a tomar uma refeição, que era um momento de aproximação, cada um num canto, numa família. Sim. >> Por exemplo, até há 30, 40 anos no Brasil, quando microondas ainda não tinha presença, né, tão expressiva, se nós fôssemos almoçar hoje na casa de alguém, teria que esquentar comida tudo De uma vez. >> Uhum. Uhum.
>> E, portanto, a refeição tinha que ser partilhada. >> Uhum. >> Ora, hoje não mais. Nós também tivemos um avanço tecnológico que permitiu que aquilo que acontecia há 40 anos, que era se eu quisesse ouvir música em casa, todo mundo ouviria comigo, porque eu só tinha um aparelho de som. Sim, >> ele tinha que ser colocado num volume Que fosse audível. Hoje cada um de nós ouve onde desejar. Você tem um vagão metrô lotado em São Paulo, cada um ouvindo uma música. Você não sabe que a outra pessoa tá ouvindo, nem o que ela tá
vendo. Eh, cada um de nós quando ia assistir a um programa de TV tinha que assisti-lo, partilhar, decidir, traduzir ali um consenso em relação ao que ia ser visto, que era um aparelho de TV. Exato. >> O custo menor, né, da tecnologia fez com Que cada um de nós pudesse primeiro ver programas onde quisesse, na sua própria plataforma, no bolso ou no quarto, >> né? Segundo, não era mais necessário fazê-lo junto. >> Toda essa tecnologia facilitadora, ela retirou de nós a necessidade de aproximação, né? O trabalho remoto, o home office, né? Ele colocou facilidades numa
situação circunstancial, mas quando ele dá sequência, né, ele, para eu matar saudade dos meus netos e netas, hoje Basta que eu faça uma chamada de vídeo. Mas isso não tira o cheiro, a brincadeira, o toque. Então, assim como, por exemplo, em casa, quando meus filhos e filhos, eram adolescentes, a gente fazia de cada quatro semanas do mês uma da semana sem microondas. >> Sem microondas. e que cada um e cada uma de nós tinha que se esforçar para de onde estivesse e ir comer junto. Uma das refeições do dia era obrigatória em Conjunto, ou almoço
ou jantar, >> porque é nessa hora que você conversa, dá risada, briga, >> encrenca, >> sabe do outro. >> Outra coisa que a gente fazia >> que facilitava, porque isso não é recusa a tecnologia, é o uso de maneira que ela não nos possua. Verdade. >> Afinal, o nome que nós demos aos computadores nos anos 1940 era servidor. >> É verdade. >> E por isso, se ele é servidor, servidor seja, né? Não sou eu que sou servo. >> Sim. >> Né? Outra coisa que se fazia todo sábado à tarde e a gente se juntava, eles
tinham 10, 12, 8 anos. Eh, das das 16 às 18 a gente ouvia música juntos, sentávamos na sala, no chão, e um aposentava pro outro na idade que tinha. duas músicas que gostasse, aí todos nós ouvíamos, aí aposentava, porque isso criava uma interatividade No ponto teu de partida. A tecnologia facilitou imensamente. Eu não deixo de usar o microondas, mas eu não uso só microondas. Eu não deixo, né, de ouvir música, mas eu não gosto de ouvir só sozinho. Há experiências maravilhosas. Eu nunca esqueço, né? Em 2025 eu tava com o Cláudio no Deown, né? E
fomos assistir algumas apresentações, uma delas, né? Que eu nunca tinha visto ao vivo, Ivete Sangalo. 60.000 pessoas cantando, dançando, todo mundo que se Juntava, não fazer mal a ninguém, eram pessoas juntas para comemorar, para cantar, para festejar ou festar. Ora, aquilo aí substitui. Posso eu ouvir V Sangalo, se eu desejar, né, no meu mobile. Tiro eu e começo. Claro, posso usar o streaming, né? Posso usar, posso, >> mas nem sempre. >> Tanto que não é que a tecnologia ela tem que ficar fora, ela tem que ter um uso em que eu não tenha com ela
uma servidão voluntária. E aí, meu lema cotidiano, Não vão me algoritimar. >> É isso aí. >> Isto é, eu escolho. Claro que facilita. É gostoso quando eu entro num site para buscar algum produto e a partir dali durante 10 anos toda hora vai clicar na minha tela para que ele Mas eu não quero. Eu tenho que ter mecanismos onde eu diga não. E aí você chamou disse: "Mas poxa, nunca estivemos tão conectados e tão distanciados." Sim, porque uma parte Dessas relações, ela é muito superficial. >> Uhum. >> Né? Eu simplesmente, se eu não tô afim,
né, de ter mais contato contigo, eu te desconecto, né? Eu te anulo, eu te cancelo e aí fica fácil. Eu não tenho trabalho de ir conversar, dizer: "C que aconteceu, né? Veja lá". Poxa, até eu não preciso mais lembrar do teu aniversário. Eu tenho um sistema que me alerta e eu não preciso pensar num Presente para você, né? Em que eu vá lá, escolha mexa. Não posso te dar um, né? um vale virtual e aí você mesmo escolhe, eu vou me desconectando uma hora quando você olha, né, você tá sozinho no deserto, né? E nesse
sentido estar sozinho, estar solitário, né? São coisas diferentes. E nós temos sim caminhos de solidão que são mais fortes, né? Por isso que você e eu gostamos de estar com pessoas, >> gostamos de palco, gostamos de aula, né? Gostamos de presença, né? Existe uma coisa chamada audiência ativa. Por exemplo, nesta nossa conversa haverá e há, né, uma audiência virtual que não está aqui, mas está, tá com a conexão virtual e tem um grupo de pessoas que está aqui, tá numa audiência ativa. Quando eu tô vendo uma partida de futebol, não tô jogando, mas eu tô
participando. >> Eu tenho emoção, eu tenho movimento, eu tenho torcida. O mesmo vale nessa Presença. O que isso não pode é imaginar que então não precisamos mais, né, dos contatos. Paulo Freire dizia que era preciso a sugidade do mundo, no modo dele pernambucano de falar, a sujidade do mundo. Isto é, gente incomoda, gente tem cheiro, gente, de maneira geral às vezes perturba, gente afaga, gente acolhe. essa forma de gentificação, né, não de gentificação, como se faz em Uber urbanismo, gentificação, ela é Necessária. Afinal, quando Michelângelo um dia quis representar a presença humana, ele pintou no
teto da Capela Cistina Deus e Adão quase encostando o dedo. Você olha, não tem certeza se é Adão que tá criando Deus para não ficar sozinho ou se é Deus que tá criando Adão para não ficar sozinho. Tanto faz. Depois espirr essa cena no ET, né? E quando eles encostam o dedo e o dedo acende o cinema inteiro. Quando eu assisti no Lançamento, no dia 25 de dezembro de 1982, eu fui assistir num cinema que não existe mais na cidade de São Paulo, Cine Comodora, era um cinerama. filas imensas para ver a estreia de ET
que muita gente viu na TV, outros no stream, outros no CD, outros aí tanto faz. Mas a cena, quando o menino, o Eliot no filme, e o ET encosta o dedo e aquilo acende, o cinema inteiro faz assim: "Ah, esse ah, esse é o som que recuda a Solidão. Quando eu encontro alguém e eu tô desesperado ou desesperado, preciso de um socorro imenso, que alguém põe a mão no meu ombro, que alguém olha para mim e diz: "Você precisa de algo?" Ah, esse a não é um a né de desistência, é um a de acolhida.
Por isso, a única saída de enfrentar aquilo que é a solidão é a gente continuar com os dedinhos. Esse é o digital que vale. É o do dedo que encosta >> e a luz acende. Gente, palmas porque essa aqui foi muito boa. Essa aqui eu falo porque eu assisti ET também. Aquela cena do >> Sim, >> do dedinho mexe muito. >> Tem duas cenas que eu sempre lembro, né? >> Eh, que é genial, essa do Spielberg que homenageia o Michelângelo no té da Capela Cistina, na cena da criação. E a outra é o voo das
bicicletas. >> Sim, >> né? Porque eu ali no coin de 1200 lugares. São Paulo tinha cinemas de 1000 lugares. 1200 quando era grande desse jeito. >> É ali na esquina da Paulista com Sim >> a Augusta, onde tem o conjunto nacional, tinha um cinema o Cine Astor, que depois se tornou livraria, etc. Era um cinema de 1200 lugares. É muito diferente assistir um filme com 1200 pessoas e assistila-la com 80. >> Uhum. >> Certo. >> Inclusive, porque o cine era matela era imensa e os outros cinemas também. Claro, a gente foi ficando mais isolado, mas
você vê um filme de aventura com 1200 pessoas sentadas saltando nas cadeiras, né? Era muito diferente. Ora, isso que eu digo não é nostalgia, é saudade. Nostalgia é uma saudade que dói. Saudade sozinha é aquela que você sorri só de lembrar de ter vivido Aquilo. >> Pois bem, eh, a cena em que o cinema fez, ó, é a do Dedinha, mas tem a cena em que todo mundo bate palma, levanta 1200 pessoas ali na véspera de Natal, né? Bem no Natal, não era nem véspera. É quando eles fugindo com a bicicleta, fugindo da ciência, da
polícia, né, da retenção, do aprisionamento. Quando você imagina que não vai mais ter saída, porque eles chegam na beira de um precipício e vão ser capturados, As bicicletas levantam vooc, aquela lua belíssima ao fundo, o cinema bate palma, porque ser humano ia achar que bicicleta voa. Quando você começa a achar que bicicleta não voa, você perece, estaciona, recua, desiste, né? Sem imaginar um maluco nascido em Minas Gerais, numa cidade que hoje tem o nome dele, que é Santos Dumon, que ele acreditou que era possível que uma coisa mais pesada, que o ar voasse. Não é
uma coisa mais leve, porque a coisa mais leve voa, mas você não tem controle sobre ela. >> Uhum. que uma coisa mais pesada que o ar, como é o caso do avião, pudesse voar. Ele dedicou parte da vida dele como propósito a colocar aquilo que é mais pesado para voar. Tinha que ser maluco no sentido positivo. É um maluco beleza, né, do Raul Seixas. É aquela pessoa que acha que bicicleta voa, que é possível fazer, que é possível criar uma Vacina, que é possível empreender numa atividade, que é possível afeto, partilha. fraternidade que é possível
sim que no dia que eu me for, né, ninguém diga assim: "Já foi tarde". Essa palavra, né, para propósito buscar como encontrar, tem que ter esse ímpeto, né? Como você acredita que a gente consegue refinar o nosso ímpeto, né? Uma vez a a Cris Junqueira tava aqui e ela falou uma frase que eu eu levo para onde eu vou, Que eu achei muito legal. Ela fala assim: "Cara, eu consigo ensinar as pessoas muita coisa, menos a tá afim." >> Sim, claro. >> Tá afim é uma coisa de dentro, né? E como é que como é
que alguém que tá ouvindo a gente consegue refar? >> Eu falei contigo numa outra conversa nossa, algo que vou retomar, porque tá num livro meu chamado Qual é a tua obra? Em que eu digo que motivação é uma porta que abre pelo lado de dentro. >> Nossa, essa é muito >> né? A motivação é uma porta que abre de dentro para fora. Vezou outra falam para mim, como deve falar para você, né? Você faz palestra motivacional? Digo, não, eu faço palestra estimulacional, né? Para eu fazer palestra motivacional tinha que fazer uma coisa impossível, motivar alguém.
E eu não há como motivar uma pessoa. Você consegue estimulá-la, você consegue incentivá-la, você consegue provocá-la, convocá-la, mas Motivá-la não. >> Uhum. >> Porque o motor, isto é aquele que move a atuação, tá de dentro para fora. >> Eu não tenho como colocar em você. O que eu consigo é criar condições para que você aclare aquilo que te motiva. Eu consigo colocar condições para que você refine aquilo que te motiva. Eu consigo estruturar movimentos que façam com que você tenha mais ferramentas para que aquilo que te motiva seja mais do que um Mero desejo e
intenção, seja uma prática. Justo. >> Mas eu não tenho como te motivar nesse sentido. Alguém construir aquilo que é o propósito. Eu posso ser alguém, olhando de fora na minha atividade docente que estimula essa condição, que leva você a refletir, que leva a mim a refletir, mas fazer com que você faça sem que você eh tenha a perspectiva interna, não há como. Eu posso ordenar, isso eu falava antes, eu posso mandar, Eu posso também, eu cortela, como você em vários momentos da vida, fazer coisas que não estavam no meu propósito. Pessoas que me dizem, você
já ouviu para você também, eu adoro meu trabalho, mas detesto meu emprego. >> Uhum. >> Eu adoro meu emprego e detesto o meu trabalho. >> Uhum. Há vários momentos na vida em que qualquer pessoa tem de fazer coisas que Não estão no propósito dela, que não sendo indecentes, ela cumpre a tarefa. Isto é, ela leva adiante e tem de como transitória. Eu sempre lembro do exemplo, pessoas, né, que têm que para poder sobreviver, pagar as contas, para ganhar a vida do ponto de vista de sustento, elas têm que fazer coisas que não é o objetivo
dela na vida. Então ela sabe que aquilo é um movimento transitório. Enquanto ela está ali, ela tem noção de que aquele Movimento episódico, ele é passageiro, >> que ela tá ali construindo as condições para aquilo que virá depois. >> Isso significa que enquanto ela estiver nesse movimento, não pode perder a perspectiva daquele que será o propósito mais forte, mas também não pode eh descartar e nem rebaixar aquele instante porque ele é colaborativo. >> Uhum. várias coisas que na vida fiz dentro do meu propósito final, mas me auxiliaram a chegar até ele, né? E nesse Sentido,
são dois os passos >> que a gente pode auxiliar as pessoas. Enquanto vive isso, aprenda ao máximo, mesmo que não seja esse o lugar que você queira ficar para sempre. Mas enquanto aqui estiver, não perca a circunstância do aprendizado. Segundo, não perca de vista aquilo que é o próximo passo. Os chineses dizem, eu gosto muito de citar ditado chinês que ninguém sabe se é chinês e eu invento à vontade, mas esse é chinês. Os chineses dizem: "Eh, depois Daquela montanha tem mais montanha". >> Sim, >> depois daquela montanha tem mais montanha. Significa que é preciso
ter a perspectiva naquilo que vai além. Agostinho de Ipona, um estupendo teólogo e filósofo medieval, que muitos chamam de Santo Agostinho, ele, né, alguém que era do século V, né, ele morreu em 430, portanto tá longe, né, de nós do ponto de vista de tempo, mas tá próximo. Ele indicava algo que eu gosto de retomar. Ele dizia dentro de um aprisionamento, dentro de uma cela, de uma prisão, você tem dois presos às vezes numa cela. Um passa o tempo todo cabiz baixo olhando pro chão e o outro fica olhando na janela onde lá. mesmo que
ela tenha grade, ele fica olhando. É uma questão de motivação. O que é que me move para ficar procurando pelo lado de fora e pensar no dia que eu sair? Diferentemente de que me move ficar Aterrado, olhando pro chão, dizendo: "Não tem jeito, ó céus, ó vida, ó dor". O que é que leva alguém a ter uma perspectiva de rendição e submissão ou outra pessoa que tem uma perspectiva, né, de superação, né, de conseguir ir lá além, é o que a motiva. Será que eu consigo motivar e aí eu concluo de vez? Não, mas eu
consegui estimular, eu consigo provocar, eu consigo fazer com que ela pense nisso. Aliás, uma das coisas que eu sempre tenho nas minhas Atividades é ao terminar dizer assim: "Pense nisso, não é pense isso. Pense isso é determinação. Pense isso é domínio. Pense nisso, é reflita, né? Isto é, leve em conta coisas que estou dizendo, não porque sou eu que estou dizendo, mas porque pode ser que elas tenham alguma relevância para que você faça melhor. Mas de novo, motivação é uma coisa que abre de dentro para fora. >> Pausa rápida no episódio. Olha isso daqui. 78%
de vocês que estão assistindo Esse episódio, vocês não estão inscritos no canal e vocês vão perder muita coisa. Às vezes aquele episódio que você não viu tinha o que você precisava. Então, para agora, só se inscreva no canal para você não perder nada. Eu tenho certeza que você vai ser o maior beneficiário disso, tá bom? Então, clica agora, se inscreva e você vai garantir que tudo chegue até você, beleza? Então, volta no episódio, se inscreva e continue assistindo. Quem você Chamaria para tomar um café? Não importa se a pessoa já morreu ou não. Se você
tivesse, sabe, a chance de chegar e tomar um café, chamaria quem para falar do quê? Porque geralmente o café acompanha um papo, né? Geralmente a gente viu um café. >> Eu teria muitas pessoas para chamar das que já se foram, >> mas eu queria chamar por um café uma pessoa que está viva e vivíssima, vai fazer 82 anos de idade, que é Kiss Richards, né? aquele que junto com Mick Jagger, ele fundou a 60 em 2025 fez 63 anos do Ron Stones. Eu queria que ele me explicasse duas coisas. Primeiro, como que ele continuou vivo.
Ele é a negação da ciência. Tudo que a ciência afirma sobre um ser vivo, ele nega continuando vivo. A segunda coisa, como é que em 1966 eu tinha, olha só, 12 anos de idade e ouvi pela primeira vez na rádio em Londrina uma música distante vindo do mundo britânico chamada I can Get No Satisfaction, mas com um solo de guitarra, com rif que ele criou. Eu queria entender o que que ele fez para que ele fizesse aquilo, que é como é que um cara faz uma coisa dessa ao tomar com ele um café e ele
provavelmente hoje ele tá limpo, seria café mesmo que ele ia tomar, né? Ele tomando comigo um café, que ele me Contasse isso. Tenho muitas pessoas vivas ou mortas, mas dos vivos, para não deixar de ir fora na lista, seria exatamente, não é, Kiss Richards. >> E você? >> Eu? >> É. Ah, poxa, professora, a pergunta era para você, hein, professor. >> Sim, mas agora eu tô devolvendo. >> Como é que abre isso >> aqui, ó? Tá aberto, ó. Aqui, ó. Pquinho. >> Ah, é um copo térmico. >> Ah, eu não pode chorar, tá? Tem que
>> E não pode ser gente que te leve a chorar. Eu falei aqui uma vez e mas não vou repetir que eu tinha falado Jesus. >> Sim, cara. A gente não poder Fisicamente, né? que a gente pode conversar com ele a todo momento. Mas, ah, eu chamaria para tomar um café Paulo que eu acabei de ver o filme dele. >> Ah, Paulo o apóstolo. >> Ah, Paulo apóstolo. >> As cartas deles é uma coisa estupenda, as cartas de Paulo assim. E pelo que eu li, ele não era um cara muito bom em comunicação, mas ótimo
escrita, pelo que Eu >> ele tinha formação, né? Sim. >> Porque ele fazia parte da elite judaica. >> Exato. >> Portanto, ele tinha estudado o grego, que era o idioma, né, de quem era escolarizável naquele momento. Razão pela qual, >> você sabe disso, o cristianismo é uma religião sem teologia na origem. >> Uhum. >> O que é teologia? É a teoria em relação A uma religião. >> Uhum. >> Você tem uma religião como prática, que foi aquilo que Jesus fazia, >> né? né? Ele chamou discípulos, mas nenhum dos discípulos de Jesus era escolarizado. >> É,
>> né? Por eram pescadores, eram agricultores. Nenhum deles. Se hoje já seria difícil ter escola, você imagina aquele tempo. O cristianismo nasce como Uma prática religiosa. Quem vai dar um conceito teológico ao cristianismo será Paulo, que não conheceu Jesus. >> É verdade. >> Aliás, as cartas de Paulo, elas foram escritas antes dos Evangelhos. Na tradição cristã, quando você pega uma Bíblia cristã, >> Uhum. >> as cartas vem depois, >> vem depois dos evangelhos, >> mas no tempo histórico, as cartas de Paulo, elas antecedem em 40, 50 anos os Evangelhos. Os evangelhos são uma escrita posterior.
>> Uhum. >> Dos 27 livros da Bíblia Cristã no Novo Testamento, né, as cartas de Paulo são aquelas que trazem um mau nível de reflexões, de conceitos. >> Uhum. E todas as cartas de Paulo que ele produziu, porque há muitos que são atribuídas a ele, mas não eram dele, que Hoje o mundo cristão sabe e reconhece. >> Todas elas, elas tratam de comportamento, de conduta, de convivência, de ética. >> Aliás, só por curiosidade, acho que você sabe, a cidade de São Paulo se chama São Paulo porque ela foi fundada no dia 25 de janeiro. >>
Uhum. E na tradição cristã, 25 de janeiro, é o dia que Paulo deixou de ser um perseguidor do cristianismo, deixou de ir atrás de quem seguia Jesus e Passou a aderir. >> Uhum. E >> eu gostei da tua ideia, de Paulo, acho genial. Eu chamaria também Jesus paraa conversa, mas para um outro passo, eh, para que ele transformasse em vinho. E aí a gente podia mesclar esses dois movimentos, né? Café com vinho. >> Exatamente. >> Professor, eu quero lhe fazer uma pergunta. É porque a gente falou, você falou de tecnologia, do lance do Microondas. Eu
tava para te fazer essa pergunta. H, você acredita que o advento da da inteligência artificial, as pessoas têm que tomar cuidado porque se você tá uma pergunta de qualquer coisa, você pega uma IA, você faz uma pergunta, só que para você não perder a capacidade de de pensamento, porque a IA é uma transferência de Pensamento, né? >> Sei. >> Ela ela tá pensando por você. E eu acredito que a nossa mente é um músculo exercitar, por exemplo, como que você está usando inteligência artificial? O que que qual você qu sabe alerta >> usada por nós
há muito tempo de vários modos. Mas olhando agora a generativa, que é aquela que está agora mais diretamente, porque também é a inteligência artificial que faz Autocorreção quando eu tô digitando, né, no celular, né? Ela que faz com que eu consiga dar pausa, né, num filme quando eu tô no stream, etc, etc. Ela tá no nosso cotidiano há mais tempo, mas agora existe uma, né, que ela pode ser agente, portanto, fazer por mim e orientar as coisas e pode também ser esclarecedora de coisas. Existe uma questão em relação à IA que eu utilizo com muita
frequência, que é o auxílio de tarefas que são repetitivas, o auxílio para Coisas que poderiam demorar demais. Por exemplo, há décadas que eu uso o computador pessoal para escrever. Existe no computador pessoal, no que eu uso no aplicativo, um sistema de autocorreção. Eu sempre usei, né, em que ele ia lá e identificava palavras que estavam anotadas erradas. Isso já era inteligência artificial. >> Sim. >> Isso há 20 anos, 30 anos. >> Sim. >> O que eu não quero da inteligência artificial é que ela tire de mim a autonomia. O que que eu desejo da inteligência
artificial? Que ela tenha o automatismo. >> Verdade. >> Isto é, >> que ela faça aquilo que eu teria que fazer. faça melhor, mas rapidamente me poupe de ter de fazer. Eu não quero que ela faça sem que eu decida. Eu quero que ela seja automática e não Autônoma. >> Uhum. >> Isto é que a escolha é minha. Ela obedece, ela é servidora. >> Não sou eu o servidor. >> Uhum. Nesse sentido, eu acho que quando nós temos no dia a dia a possibilidade de um instrumental, é necessário que a gente sempre tome cuidado em relação
a ele. Eu mencionei em um outro momento o Santos do Mon, alguns dizem que acho difícil, Santo Dom Tirou a própria vida na cidade de Petrópolis, onde ele estava. Alguns dizem que foi porque ele se amargurou imensamente daquilo que ele inventou junto com os irmãos americanos, irmãos W, cada um no lugar que foi o avião, que o fato dele ter sido utilizado como bombardeiro o amargurou a tal ponto que ele entrou em depressão. >> Uhum. >> Tanto faz se a história verdadeira ou Não. O que vale é que qualquer coisa >> criada pelo ser humano
pode ter uma destinação múltipla. Evidentemente que se eu me cercar, o uso do avião terá sempre que ser benéfico. >> Uhum. >> Ele pode ser maléfico, claro. Eu posso utilizar uma faca, né, para repartir com você um pedaço de pão e nós dois nos alimentamos e posso usá-la para tomar o pão que tá na tua mão. >> É verdade. >> Obviamente que não é a faca que decide. Pois bem, eu não quero que a inteligência artificial seja uma faca que decide por si mesma, né? Ela não pode escolher, sou eu que escolho. E eu preciso
bem escolher. Nesse sentido, uma coisa que é forte é que a gente seja capaz de tomar cautela com aquilo que nos encanta. Há um primeiro momento em que a inteligência artificial de de dois anos para cá, ela produziu em nós um gosto imenso de ficarmos simulando Coisas, fazendo caia e cortela, surfando, né, fazendo uma tal como os filtros, né, em relação a fotos. Uhum. >> Depois cansa porque tem uma hora que você não tem aquilo não é teu. >> É >> quando você era criança, dentro dos sistemas de computação, você tinha em alguns aplicativos para
desenhar automaticamente. >> Você fazia uma bola, ele pui o colorido. >> Sim. >> Primeiro que aquilo não gerou, né? Não gerou grandes e desenhistas no planeta, >> n? Segundo que nem impediu que aparecessem grandes cientistas. Assim como eu vi outro dia uma argumentação cai maravilhosa quando alguém falava: "Você não acha que os games que falam de violência, né, eles fazem um mal muito grande para as crianças?" Eu falei: "Sim, uma parte, a pessoa dizia, uma parte faz, mas você tem que lembrar que eles não têm esse poder de formar as Cabeças por completo, porque senão
nós teríamos o maior número de encanadores do planeta, porque o jogo de computador mais usado, o Mario Bross, trata exatamente de um encanador. E nós não temos levas e levas de encanadores pelo planeta, né? Portanto, o argumento ele é plausível. Por outro lado, eu uso, para que que eu não uso? para escrever por mim. Por quê? Porque eu tenho prazer em escrever, assim como eu gosto de fazer comida. Eu e Cláudio cozinhamos para nós Mesmos. Nós gostamos de fazê-la. Quando eu termino de fazer um prato, me dá gosto não só comê-lo, mas tê-lo feito. É
minha obra, né? Quando eu termino de fazer um texto, eu uso a IA para corrigir, para pesquisar, para ir buscar algumas coisas, mas não para escrever por mim. >> Mas isso é porque a minha atividade é escrever. Se eu precisasse dela para mostrar para mim quais são os voos que saem agora, né, pro Rio de Janeiro, qual É o valor de cada um, se pode ir atrás daquele que é mais barato, se pode fazer o pagamento por mim, enquanto isso eu faço outra coisa, como por exemplo, ficar conversando contigo, faça. O que eu não quero
é que ele decida para onde eu vou, mas que ele me auxilie a chegar lá, que alegria. >> Ah, maravilhoso. Pause para o Cortela, senhoras e senhores. Professor pro último bloco aí depois eu tenho a pergunta final que a gente tem um Momento que a plateia vai perguntar. >> Que bom. >> Plateia pergunta. >> Primeira pergunta é quem, produção? O Bruno. Cadê o Brunão? Brunão, pergunta sua. O microfone mais roxo desse país é seu. Manda ver. >> Olá, professor. Olá, Caio. >> Olá. Nesses momentos que nós estamos vivendo, que os grupos eles têm reivindicado cada
vez mais a verdade absoluta, como que a filosofia pode nos Ajudar a melhorar nossas conversas sem nos tornarmos inimigos um do outro? >> Muito boa pergunta. Rosa, Bruno, ele um dia escreveu um conto com um nome especial, chama-se a terceira margem do Rio, ou seja, quase uma impossibilidade, mas nos remete para pensar que é necessário que a gente não fique supondo que porque alguém pensa diferentemente de mim que a pessoa está equivocada, ou o contrário, porque eu penso diferentemente dela que Eu estou correto. é necessário aproximar os conhecimentos. Nesse sentido, né, uma das coisas mais
perigosas é nós termos o que se chama de relativismo. Relativismo é assim, vale qualquer coisa. Eu penso isso, você pensa aquilo, ótimo, esse é o teu pensamento. A vida ficaria e ficará impossível se cada um de nós supuser que tem uma verdade e essa verdade é válida. Eu vi um dia, né, a Gabriela Prioli, que é uma grande professora de direito, Mariane de advogada e escritora, ela Fazendo algo que eu achei genial, Bruno, para mostrar para alguém que duvidava disso que eu tô dizendo, isto é, que a pessoa afirmava: "Eu penso o que eu quiser,
vale a minha verdade". >> Ela o convenceu do seguinte modo, disse: "Interessante, né? Você emagreceu bastante agora, hein?" E falou: "Não, eu engordei". Ela falou: "Não, eu eu tô dizendo, você engordou nada, você emagreceu". Dis: "Não, mas não sou eu. Eu emagreci nada, eu engordei 5 kg". Ela Falou: "Mas eu não acho". Ele falou: "Mas como você não acha? Isso colide com a realidade". Ela falou: "Então é disso que eu tô falando, né? Portanto, a ideia de que cada pessoa tenha ali a uma verdade, ela é muito estranha. Uma pessoa inteligente é aquela que sabe
que não sabe tudo e não sabe sozinha aquilo que sabe. Por isso, isso é um tempo de perigo. Por último, como às vezes isso conduz a ódio, vale uma rátima grande quando ele Lembrava olho por olho, uma hora que vamos todos cegos. Então é uma escolha. Eu não quero ser algoritmado nem para que eu ache que só eu sei e nem para que eu ache que eu nada sei. Eu quero que aquilo que eu sei sirva para mim e para outras pessoas e aquilo que eu não sei eu vá procurar, né? Nesse sentido é perigoso
imaginar. Há uma clássica frase cai que diz: "Cuidado com uma pessoa de um único livro. Cuidado com uma pessoa que tem um único livro como referência, porque ela de maneira geral se torna fanática. Por isso, Bruno, esse é o caminho. >> Muito bom. Muito bom. Muito bom. Muito boa essa, hein? Cuidado com uma pessoa de um único livro. Nossa, muito boa essa. >> Muito boa essa. >> Isso vale muito em religião, porque há pessoas que elas utilizam a sua forma de referência o que é um direito, né? como Sendo a única coisa que tem a
validade e é um risco. >> Só por curiosidade, a palavra fanático vem de templo. Fanos em latim é templo. Então na origem a palavra fanática é aquela pessoa que tendo uma religião achava que nenhuma outra tinha validade. >> Uhum. >> É interessante uma noção de fraternidade exclusiv excludente, né? Então >> precisa cautela. >> Muito bom. Muito bom. Próxima pergunta. Produção. >> Roberta. >> Roberta. Cadê Roberta? Venha Roberta. diretamente microfone purpura >> diretamente do Belém do Pará, hein? >> Maranhão. A verdade >> do Maranhão, onde nasceu Maranhã >> um dos nossos maiores poetas, Ferreira Golar, >>
que dizia: "Não basta tá certo para vencer a batalha". >> Não basta tá certo para vencer a Batalha. >> É uma honra primeiro. Uma honra. Eu tô me tremendo inteira. Bom, professor, eu queria entender o teu ponto de vista em relação a merecimento. A gente sabe que hoje se fala tanto de meritocracia, a gente tá num ambiente de trabalho aqui nosso e tudo. Então assim, qual o teu ponto de vista em relação a isso? Partindo do ponto das diferenças, sem ignorar as diferenças, e o que que seria essa questão de autoestima e Realmente a gente
tá merecendo ou o que que é a autoestima que tá falando, >> Roberta? Duas coisas. A primeira começar pelo final. Há uma diferença entre autoestima e autoengano. Autoestima é quando eu valorizo aquilo que eu tenho de positivo, mas eu não posso transformar isso que tem de positivo como o único modo de ser positivo e o mais positivo que existe. E, portanto, os outros são secundarizados. Há pais ou mães hoje que No lugar de introduzirem paraas suas crianças aquilo que é autoestima leva ao autoengano. Menino tá jogando futebol e aí ele sai o para falar legal,
você é o cara, que bom, você é o melhor quando não é. Isso é enganar alguém. Aliás, vai levar o menino a imaginar que ele não precisa mais treinar, que ele não precisa mais fazer. Eu sou professor há 51 anos e eu sempre tive porque é minha profissão dizer: "Olha, isso não tá bom, corrija, Faz de outro modo". Imagina você me entrega uma reflexão. Eu digo: "Tá maravilhoso quando não tá". Ah, mas você não pode dizer que não tá bom. Posso sim. O que vale é o modo como eu abordo. Diz: "Olha, você é capaz
de coisas boas, mas essa que você fez agora, para ficar melhor ainda, você precisa alterar o modo de fazer. Por isso, claro, autoestima não é autoengano. Meritocracia é uma conversa difícil quando a gente confunde igualdade com Equidade. Esquece. Igualdade é todos têm direitos iguais. Equidade é todos têm condições para exercer os direitos iguais. >> Uhum. >> Quando existe igualdade sem equidade, não há igualdade. Te dou um exemplo. Quatro pessoas, você, eu, o Caio e o Bruno. Vamos agora disputar uma prova numa piscina. 100 m rasos, ok? Raso porque a piscina é baixa pra gente poder
não afogar quem tem menos estatura. 100 M de nado livre. A piscina é igual, a temperatura da água é idêntica, a distância é equivalente. O juiz vai avaliar a gente com os critérios específicos e nós pulamos na água. Você pode dizer, tá vendo? Meritocracia, né? Todo mundo tá em condição igual. Não, porque o que vale antes de pular na piscina. Um de nós já treinou, o outro tem 72 anos. A outra pessoa, ela tem dificuldade em relação à água. Você só pode falar em meritocracia se as Pessoas tiverem condições iguais antes, ou seja, a escolaridade,
a ocasião, a circunstância. Último exemplo disso. Eu estudei na quando vim de Londrina numa escola pública na rua da Consolação, na capital paulista, chamada escola Marina Cinta, que está lá até hoje na esquina com a rua Antônio de Queiroz. Nós éramos quatro amigos. que convivíamos muito, jogávamos, saímos para, né, comer alguma coisa juntos, eu e mais três, eu e o Edu, meu colega, éramos filhos de pais Com condição, tínhamos viagem com a família, nós tínhamos lugar para estudar em casa, isto é, tinha uma mesinha de trabalho, tinha onde guardar as coisas. A gente não tinha
trabalho externo, nós éramos só estudantes. E os outros dois, um deles trabalhava no bar da esquina e o outro trabalhava como porteiro num prédio, né, na rua Vanandava. Nós fazíamos as mesmas provas, eram os mesmos professores. O critério de avaliação era idêntico. Por que que eu e O Edu tirávamos notas mais altas? Porque antes de fazer a prova, por mais que esses dois se dedicassem, eles se dedicavam, que eles estudassem, eles tinham limitadores. Quando eu sou avaliado por uma condição que eu tenho melhor do que outro, não há mérito. O que vale como mérito é
quando nós temos condições idênticas. Isso significa, e eu concluo que não há esforço como valor. Claro que há. De Nada adianta eu, Cortela, ter pai e mãe que auxiliassem se eu não fosse buscar, se eu não fosse atrás, se eu não fosse, né, buscar ali aquilo que é o esforço, se eu sentasse e ficasse só aguardando, não viria. Mas a meritocracia que lida só com a igualdade, sem trabalhar com a noção de equidade, ela não é meritocracia. Nessa hora o que ela é exclusão, é colocar fora, né? Afinal de contas, ó, eu sou branco, descendente
de europeus, Sou escolarizado, né? Tem olhos claros, tô no perfil certo para dar certo até numa entrevista. Por que que a gente tem tantas pessoas afodescendentes ou mais empobrecidas em atividades do setor público como saúde e educação? Porque não tem entrevista, é concurso público sem entrevista. Onde você tem entrevista? Eu não tenho dúvida que, por mais que a pessoa ela busque não fazer uma extinção discricionária entre mim e uma pessoa negra, No racismo estrutural, tá com ela. É mais ou menos como eu conversando com você. Digo assim: "Por qual time você torce?" Ele diz: "Eu
sou corintiano". Eu digo assim: "Ah, estudou na minha família boa parte é corintiana. Eu sou santista, >> sou palmeirense. >> Isso. Minha mulher é palmeirense. Tenho rido bastante, mas quieto, né? Por que rio creto? Porque o meu time tá, tá vendo? O campeonato é igual, é uma Questão de mérito. Numa disputa, como aconteceu entre, né, em 2025, entre Palmeiras e Flamengo em relação à Libertadores, quem tinha mérito? Os dois chegaram numa final. Quem é que venceu? Quem fez o gol? Quem é que se esforçou mais? Eu assistindo o jogo, eu me lembro desse jogo, pareceu
que foi o Palmeiras se esforçou menos >> do que deveria. >> Ora, diz assim, tá errado, não é justo, né? Bom, se você tem alguém que tem que Vencer, a ideia de justiça, ela ganha um outro patamar. Por isso, de novo, Ferreira Golar, não basta tá certo para vencer a batalha. Palmas para o reflexão importante. Feção importante. >> Pedro, a última pergunta do Pedro. >> Pedro. >> Pedrão, manda ver. >> Bom dia, professor. >> Olá. >> Em aspecto social, a sociedade molda o Indivíduo, o indivíduo molda a sociedade ou ambos se fabricam, se completam mutuamente?
Interessante, Pedro, porque essa é uma questão trazida um dia. >> Boa pergunta >> por um filósofo genebrino, nascido em Genebra, hoje, Suíça, chamado Jean Jaque Rousseau. Roussea tem uma obra, um livro chamado Emílio, que é um livro sobre educação e formação, em que ele busca fazer uma experiência. E Rousse tinha Uma frase que traduzida de um modo mais direto era assim: "A pessoa nasce boa, a sociedade o corrompe, a pessoa nasce boa e ela é corrompida depois pela sociedade. Isto é, todo mundo ao nascer é bom no desejo, na intenção, mas depois pouco a pouco
ela vai sendo deturpada, né? vai se degenerando. E Rousseau faz uma experiência de como é que você educa uma criança que ao ser formada fora do grupo social, ela preserva A sua pureza, mas ele faz a experiência só literariamente e não na prática, né? Esquecendo e a obra é boa para nos provocar, mas esquecendo algo decisivo. São dois movimentos, né? Nasço eu, né? já com uma possibilidade de coisas, mas dependerá da circunstância que eu encontrar, por exemplo, né? Eu até 10 anos de idade nunca tinha assistido televisão, porque na minha cidade não havia TV até
ter 10 anos de idade. Não é que não tinha na minha casa. Que que a Gente fazia em casa à noite? Dado que não tinha TV, conversava, >> hum, >> ouvia a rádio e lia, lia em conjunto. Eu não nasci com essa capacidade, mas eu fui formado numa circunstância, mas eu nasci com uma capacidade boa de visão. Isso é genético em mim. A já vista que eu não tô de óculos agora >> e nem e nem uso lente, né? E nem fiz cirurgia. Ora, para quem lia à noite, numa época em que a iluminação não
era Assim tão decisiva, ter uma visão boa geneticamente me favoreceu. Eu tenho algo que me favorece no que eu faço. Eu tenho uma caixa toráxica boa e a minha voz é boa para ser professor, para trabalhar em rádio, para estar em podcast, para dar bronca em filho e neto, >> né? Nesse sentido, de nada adianta eu ter nascido com uma voz que seja boa, se eu não pudesse ter a ocasião de formá-la. De nada adianta eu nascer com Um talento, para usar um termo antigo, para a pintura, uma visão espacial melhor, se eu não tiver
a circunstância, né, que vai favoreccê-lo. Nesse sentido, eu acho que é recíproco. Eu vou usar o termo técnico agora. O genótipo, isto é aquilo que vem comigo, ele encontra o fenótipo, que é aquilo que tá fora de mim. As duas coisas têm influência. E um dia perguntei ao Dr. Draudio Varela num, eu tava entrevistando ele numa conversa, se ele com a experiência toda Que teve, genial, maravilhosa, uma pessoa do bem, né, no antigo Carandiru, na penitenciária de São Paulo, que encontrou tantas pessoas estavam ali à parte, se ele acreditava que tinha gente que nascia mal
e não tinha correção. E ele disse que ele não achava que alguém nascia mal, mas que ele achava que muitas pessoas que ele tinha encontrado não poderiam ser corrigidas, isto é, não tinha como tirar dela aquela condição. Eu fiquei muito triste nesse Dia, não com o Dr. Mas com essa possibilidade, porque como eu sou educador, minha atividade é ajudar a formar pessoas e me formar, uma das nossas crenças mais fortes, isto é, de propósito, é achar que tudo tem alternativa, que ninguém se perderá. Mas há os dois movimentos, né? Guimarães Rosa trazia isso, o próprio
Machado de Assis trazia uma reflexão que eu traduzo do seguinte modo: não é a ocasião que faz o ladrão, a ocasião apenas o revela. >> Muito bom. A decisão de ser ladrão ou não é anterior à ocasião. Desse ponto de vista, há dois movimentos. Por isso é preciso mexer naquilo que é a condição de vida de uma pessoa e, por outro lado, levar em conta aquilo que nela é atávico que veio, né, de personalidade e outras coisas, mas que é uma questão dificílima com a qual a ciência linda bastante. Talvez a tua geração, dado que
você é mais jovem, encontre uma resposta que a minha e tudo que vem antes de nós ainda Não encontrou. Palmas para o Senhor. Professor, que episódio maravilhoso, hein? >> Que bom. >> Maravilhoso. >> Mas é isóio, por isso que ele é bom. Isto é, ele não acontece de modo contínuo. >> Ele acaba >> isso. Ele é o episódio, certo? >> E como pergunta final, eu queria que Você respondesse pr para toda a turma que tem aquela expressão que, pô, tô meio sem direção, tô me sentindo perdido, >> né? Eu eu volto e meia quando abre
a minha caixinha ali no Instagram. Essa é clássica, recebe um monte de pergunta. Que que você faz? Caio 40 anos não sei o que faço. Estou perdido. Me sinto para essas pessoas que elas estão com essa incomodação. >> Há um filósofo norte-americano. No Brasil nós não temos tanta filosofia norte-americana, mas um deles nasceu em Boston. Isso facilitou a vida dele porque ele estudou em Harvard depois. Chama-se Waldo Emerson. Ralf Waldo Emerson. a gente o chama de em filosofia. Ele é do início do século XIX. Ele tem uma expressão que eu sempre recomendo, alguém diz assim:
"Eu tô perdido, eu não sei o que eu faço, etc." Eu digo o seguinte: "Siga, Hermerson". Ele dizia: "Torna-te necessário a Alguém". >> Au. >> Torna-te necessária a alguém. Se você e eu estamos perdidos ou perdidos, é preciso que a gente se encontre sendo necessário ou necessária para outra pessoa. E eu não posso ser necessário só para mim, eu tenho que necessário para outras pessoas. Nesse sentido, né, a pessoa encontrará a maior facilidade nesse caminho se ela se tornar necessária. Se ela for inútil para Outros, ela será inútil para ela mesma, né? Portanto, é uma
pessoa com uma vida sem utilidade, né? Uma das coisas mais fortes e mais difíceis é exatamente quando você eu nos encontramos perdidos. Por isso que o gato de Xiaire diz para Alice, quando ela diz para onde vai essa estrada, ele diz para onde você quer ir. Ela falou, eu não sei, eu tô perdida. Ele diz para quem não sabe para onde vai, qualquer caminho serve, né? Ora, se eu entendo que eu preciso me Tornar necessário ou necessário a outras pessoas, aí eu começo a encontrar meu caminho, né? Nessa hora isso será que rende do ponto
de vista monetário? Não necessariamente. E eu, como é que eu faço para me sustentar, né? Bom, se você tiver a condição de procurar o que te torna necessário para outra pessoa, teu sustento virá, né? Porque ninguém deixa de recorrer a quem ela precisa. >> Sim. Certo? Nesse sentido, mesmo a Filosofia que é a minha atividade, que é considerada por muita gente uma coisa inútil, não é? É algo que até algum tempo, quando alguém queria dizer pro outro que ele não fazia nada, que precisar, dizer, isso é coisa de filósofo. Portanto, né, uma das coisas gostosas
é até a filosofia, a tecnologia criou uma coisa magnífica. desespero, fastidio, Tédio, pergunta sobre a vida. E aí quem veio tava lá no quarto trancada, aquela tia velha que aprisionada dizia chamada filosofia. Aí chamaram pra sala da sala veio pra rua, da rua veio pro podcast. >> Palmas para professor Maracha de Cartela. Professor, temos um presente para você da cafenar, nosso patrocinadora. Tá, tem o o >> e será tomada, >> o super cofre, tem o coala, tem >> paranaense, >> o o sublime, né, sublime, né, maravilhoso. Então, primeiro eu quero agradecer a tua participação. Foi
estupendo, uma palavra muito utilizada para você, estupendo >> o tempo todo. >> O tempo todo. Para quem tá em casa, todas as redes sociais do professor Maro Charles Cotará estão aqui na descrição. Obviamente eu tenho certeza já foi impactado por alguma mensagem dele, mas Caso você não siga ele em alguma plataforma, esse é o convite, é maravilhoso. E considerações finais, mensagem final para toda a galera. >> Jamais, jamais aguarde para dizer já foi tarde para mim. Jamais. Eu quero que no dia que nós não nos encontrarmos, você seja capaz de dizer que falta faz, que
falta faz. Isso vale para mim e para você. Mas tem um conselho que eu tô dando porque vale Para qualquer pessoa e para mim também. E ele vale mais ainda no mundo de tecnologia. Minha avó Rosária, e eu vou dizendo isso em todos os lugares que eu posso. Minha avó Rosária, avó italiana dizia: "Tudo que não souber desligar, não ligue". >> Au! >> Ou vou dizer, posso dizer um ditado chinês? inventado. >> Diga. >> Esse não é inventado. O chinês dizinho é Você nunca tente cavalgar um tigre porque depois que você sobe, você não consegue
ficar em cima e não consegue descer. Então só tem uma decisão a tomar. Cavalga ou não. Isso vale para tecnologia e inteligência artificial. Nunca tente montar ou cavalgar um tigre. Subiu, não desce e nem fique em cima. Só existe uma escolha. se sobe ou não. Certo, senhoras e senhores, você que acompanha O nosso episódio, compartilhe, comente, curte, siga os canais como você fez isso, que é um prazer te encontrar toda semana em papos gostosos, produtivos, inteligentes, com grande objetivo, contribuir nos seus projetos. Até semana que vem. Fica com Deus e tchau.