Módulo 6 aula 7 Agora nós vamos aprender o que são TATOS. TATOS são respostas verbais que são evocadas, ou seja, elas são incitadas por estímulos que podem ser visuais, sonoros, táteis e que são reforçadas consistentemente pela comunidade verbal, ou seja, por outras pessoas. Dar nomes, descrever características físicas e funcionais de objetos e fenômenos no ambiente são considerados TATOS.
Então é basicamente falar os nomes das coisas ao nosso redor. Às vezes o TATO é também chamado de TATEAR ou NOMEAR. Tecnicamente existe alguma diferença, esse nome NOMEAR ou NOMEAÇÃO pode também remeter a uma teoria específica, mas no uso cotidiano é possível que você ouça pessoas falando que a criança está nomeando objetos.
Tecnicamente em ABA nós chamamos isso de TATEAR. Os TATOS permitem que a criança possa descrever o ambiente, mas também que a criança possa descrever sensações corporais ou mesmo emoções. Quando eu digo que eu estou sentindo dor, ah, estou sentindo dor de cabeça, eu estou TATEANDO o meu próprio corpo, dizendo de uma estimulação que afeta a minha percepção.
Quando eu digo que eu estou me sentindo triste, eu também estou TATEANDO o meu corpo, as minhas sensações e as minhas emoções, estou falando sobre isso. As respostas que são TATOS, elas acontecem a partir de alguns estímulos. Esses estímulos podem ter propriedades físicas como estímulos visuais, sonoros, e olfativos, gustativos, táteis e até proprioceptivos, como eu dei agora o exemplo no caso das emoções e sensações corporais.
Eu poderia também dizer assim, ah, eu me sinto tonto. Eu estou respondendo sobre controle de alguma propriedade do meu corpo, muito específica, tanto que esse é um tipo de TATO um pouco difícil de ensinar, ele é um TATO bastante avançado, porque quem vai ensinar esse TATO não tem acesso ao SD, ao estímulo discriminativo que evoca ao TATO. É um pouco diferente, por exemplo, de ensinar que algo é um carrinho ou que algo é uma boneca.
Por quê? Porque quem ensina que aquilo é um carrinho ou que aquilo é uma boneca, tem acesso ao SD, tem acesso ao estímulo. Então, tanto o instrutor ver o estímulo quanto a criança ver o estímulo e os dois podem concordar, tem facilidade de um instrutor identificar se o TATO é correto ou se ele é incorreto.
Respostas que dependem de SD privados, ou seja, que estão dentro da pele de um indivíduo, então eu digo, estou com fome, eu estou TATEANDO uma parte do meu corpo que outra pessoa não é capaz de ver. Talvez essa outra pessoa possa olhar um pouco para a história e dizer, olha, realmente é possível que essa criança esteja com fome, porque ela comeu três horas atrás e ela não comeu muito. Mas em termos de ensino, é muito difícil verificar a correspondência entre o SD e a resposta.
No TATO, nós dizemos que não há correspondência ponto a ponto e nem similaridade formal entre o SD e a resposta. Se lembrem lá quando nós falamos de ecoico, né? No ecoico, o SD e a resposta têm similaridade formal e têm correspondência ponto a ponto.
No TATO isso não é verdade. O SD pode então ser um SD visual, sonoro, gustativo olfativo e a resposta verbal, ela pode ser sonora no sentido de que ela é vocal, ela pode ser gestual, eu posso usar libras ou eu posso até escrever, sobre algo que eu vejo e estou descrevendo aquilo, mas não há uma correspondência formal e nem uma correspondência ponto a ponto. Os TATOS, ocorrem na presença de estímulos não verbais e eles são mantidos por reforçadores que não são específicos ou a gente geralmente diz por reforçadores generalizados.
Então, essa é uma diferença entre os TATOS e os mandos. Os mandos, estão sob controle de operações motivadoras, eles ocorrem em função de operações motivadoras e eles são mantidos por reforçadores específicos. Os TATOS, eles ocorrem na presença de estímulos não verbais e eles são mantidos por reforçadores que não são específicos.
Então, quando alguém diz “a bola” e está apenas descrevendo ou mesmo diante da pergunta o que é isso? E a criança diz bola e aí o adulto diz muito bem, isso é uma bola. Esse é um exemplo de um TATO.
Ou a criança diz maçã quando alguém lhe mostra uma maçã. Então, o estímulo discriminativo é a própria maçã e a resposta é a palavra falada que a criança falou, maçã. A consequência geralmente é um reforçador generalizado.
Então, pode ser um elogio. O instrutor diz muito bem, você acertou, isso é uma maçã. A criança pode escutar o som de um carro, ela não está vendo o carro, ela só está escutando o som, e dizer carro.
Nesse caso, o SD é auditivo, é sonoro, essa criança ouviu um som e disse carro. Eu poderia também fazer um ensino discriminativo de TATOS com instrumentos musicais, seria um ensino. E aqui poderia servir como um bom exemplo de um TATO a partir de SDs sonoros.
Eu coloco para tocar um instrumento musical, a criança não vê qual é o instrumento e eu ensino a ela a discriminar qual é o som, qual é o instrumento que faz aquele som. Então, eu coloco o som e a criança diz violino. E eu digo muito bem, esse é o som do violino.
E a criança ouve um som de um piano e a criança diz piano. E eu digo, muito bom, esse é o som do piano. O SD é sonoro, a criança não vê os instrumentos e a resposta dela é verbal.
A consequência não é específica, ela é um elogio, pode ser um elogio descritivo. Muito bem, você acertou, você identificou o som do piano. Alguém pode perguntar que gosto um alimento tem e alguém dizer, esse é um alimento azedo.
Então, aí nesse caso, o SD é uma estimulação gustativa. Essas discriminações podem acontecer de formas diferentes, mas em todos esses casos que nós estamos dando o exemplo aqui, nós estamos falando de TATOS. De TATOS que são descrições sobre o mundo.