Então durante todo o desenvolvimento humano, a gente tem três aprendizagens que são estruturais. E por que elas são estruturais? Porque sem elas a gente, as pesquisas mostram.
. . Que dificilmente a gente de fato aprende.
Inclusive do ponto de vista do conhecimento. Ou seja, o afeto é a porta de entrada do conhecimento. E o afeto precisa ser entendido da perspectiva do cuidado.
Então a gente aprende ao longo da vida, mas a escola deveria ser esse espaço de aprender a cuidar em três âmbitos, em três camadas. Uma primeira aprendizagem que a gente tem, todos nós temos de alguma forma melhor ou pior a gente aprende a cuidar de si. A gente aprende a reconhecer necessidades próprias, atreladas a um tempo e a um espaço.
Então eu aprendo que agora eu to com fome, que agora eu quero dormir ou que agora eu quero descansar. Aos meninos, esse olhar pra si, ele ou fica sob a dominação da mulher "agora você vai dormir, agora você vai comer, agora você vai. .
. " Ou ele é pouco enxergado. É como se esse menino não tivesse essa vida interior, essa vida de desejos, essa vida de necessidades que precisam ser atendidas.
Então uma outra observação como educadora, muitas vezes os meninos, eles são os últimos a comer, a receber o prato de comida. Porque a gente acha que eles aguentam mais. Eu tô ensinando pelo exemplo, pela convivência, esse menino a se olhar pouco ou a esperar muito pra ter as suas necessidades atendidas.
Esse é o primeiro âmbito do aprender a cuidar, a cuidar de si mesmo. Mas eu só aprendo a cuidar de mim com outra pessoa. Na relação com outra pessoa.
Principalmente com o cuidado físico dessa outra pessoa com a gente. E se esse cuidado do outro. .
. Se o outro acha que eu sou forte, que eu dou conta, que eu consigo esperar. .
. Eu pouco também enxergo isso no outro. Então como é que eu aprendo a cuidar das pessoas se eu não sou enxergado, mas se eu também ao longo da vida tenho poucas experiências do outro me enxergar.
Eu nem sou enxergado, e eu nem aprendo a enxergar o outro. Dificilmente então, eu cuido. .
. Ou eu cuido do jeito que eu acho que é o suficiente, né? E um outro âmbito do aprender a cuidar, é o cuidar do espaço, da vida em comum.
Numa última camada seria o cuidar do nosso planeta, que é uma casa comum. Se eu não sou enxergado como pessoa que tem necessidades, que tem desejos próprios, se ao longo da vida essa experiência com o outro é tão circunscrita, se eu tenho poucas oportunidades de ter intimidade com o outro, como que eu desenvolvo vínculo? Com a cidade, com a minha casa, com a minha família, e com o planeta que a gente vive?
Não atoa, a gente vive uma crise dos cuidados. A gente vive uma crise dos cuidados. Que pode ser vista por toda essa.
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