Oi querida oi meu nome é Jéssica eu sou a sua professora de gramática do curso Enem gratuito antes da gente conversar não se esquece de se inscrever no canal para você não perder nada e claro de curtir hoje [Música] a gente vai falar sobre o assunto um pouquinho delicado que é a consolidação uma órfãs em tática Apesar do nome complicadinho não assusta é um assunto muito presente na sua vida e fonte de vaso preconceitos linguísticos você já ouviu essa frase ou já falou essa frase em algum momento da sua vida ai eu vou aprender inglês
mas eu nem sei falar português direito Então essa frase na verdade ela tem a ver com uma confusão que as pessoas fazem entre língua falada e língua escrita acreditando que é tudo a mesma coisa quando alguém fala eu nem sei o português direito na verdade essa pessoa está se referindo a sua habilidade escrita Muito provavelmente não necessariamente a sua habilidade de fala porque senão ela nem tava falando isso vamos entender melhor quando a gente pensa em língua falada e língua escrita Quais são as principais diferenças a língua falada é marcada pela repetição pela hesitação EA
Claro pelas variantes que que você quer dizer Imagine que você tá numa aula se o seu professor não repete o assunto ou nenhuma palavra nenhuma vez eu tenho certeza que seja difícil ele conseguir pegar a sua atenção porque é pela repetição que muitas vezes a gente falta o contexto é difícil ter uma conversa ao vivo sem nenhuma repetição EA Claro sem nenhuma hesitação a gente pensa para falar e a gente pensa enquanto a gente fala O que torna todo o processo mais difícil então é normal que a gente existe A ideia é que a gente
construa frases até a metade e depois construa uma Outra Sequência tudo isso faz parte da língua falada e é esperado que aconteça dessa forma já a língua escrita ela tem uma formação completamente diferente e quase eu possa e é nisso que as pessoas se pautam quando falam coisas como eu nem sei falar português direito por exemplo a língua escrita é voltada na objetividade na Coesão e na gramática o que quer dizer objetividade sabe quando você escreve uma redação e o seu professor ele vai riscando as palavras repetidas para você colocar sinônimos ou quando ele pega
para você e fala Olha meu querido tá faltando coesão tá faltando coerência no que você tá colocando então ele pede que você diminui as frases que você utilize conectivos Por que que você tem dificuldade para usar esses conectivos porque muitas vezes não fala você não utiliza E por quê Porque a fala é marcada pela repetição e pela hesitação e isso meio que substitui esse uso prático e lógico dos conectivos por isso que na hora de escrever uma redação a gente tem essa certa dificuldade porque a gente tá muito mais acostumado com a fala que é
pouco objetiva do que qual a escrita que tem de ser mais objetiva para um texto ser eficiente então quando alguém fala eu nem sei falar português direito na verdade essa pessoa quer dizer eu não tenho hábito de escrita e de uso da gramática que pasme é uma teoria tá vamos ver o seu mundo cair lentamente agora a gramática não é uma verdade Repete comigo usa isso como seu mantra a partir de hoje a gramática não é uma verdade a gramática é uma vontade de verdade Jéssica o que que você quer dizer com uma vontade de
verdade a gramática é uma teoria o que usa como base uma variante qual variante de fala é essa que ela usa como base na maior parte das vezes a variante que a gente chama de Norma culta pera aí Jéssica a norma culta uma variante a norma culta não é uma regra fixa não tô a gramática ela usa como base a norma culta que é a variante geralmente falada pelas elites pelas pessoas que dominam as estruturas históricas e socioeconômicas de poder O que que significa que a variante ela é flexível e é usada como base para
fazer a gramática Ou seja a variante Norma culta vem da língua falada para língua escrita para gerar essa teoria é por isso que essa teoria tem tanta exceção e é por isso que é desconfortável trabalhar com ela é por isso que você tem esse sentimento que você não conhece a língua que e na verdade não é que você não conhece a língua que você fala você domina muito bem a sua variante o que você não está habituado é a essa transposição da Norma culta para uma regra que tenta em um Global fenômeno que na verdade
as puramente social e orgânico que é a sala Então na verdade o que a gente tem dificuldade é a aplicação dessa teoria que tenta controlar algo que na verdade não é tão passível de controle e assim vamos entender melhor Quais são as variantes o que que é isso que a gente chama de variação linguística eu acho que mais claro para vocês é a questão do léxico o que que é o léxico é um vocabulário que muda muito mais variantes regionais O que que tá certo biscoito ou bolacha até aí o que a gente tem uma
discussão de Facebook não é tanto uma discussão política quando que há problema começa a acontecer a gente trabalha com as variantes sociais aí a coisa pega aí você se sente no direito de corrigir a pessoa que fala blusinha como se a sua variante fosse automaticamente melhor e mais construída do que essa variante que fala blusinha a impressão que você tem é que o falante que diz blusinha diz isso porque quer porque não estudou o suficiente Porque tem uma e falar errado meu querido as mudanças nas variantes fonéticas como é o caso de blusinha elas não
acontecem ao acaso e muito menos por simples motivação do falante elas acontecem por meio de padrões linguísticos que podem ser estudados por exemplo blusinha sofre o mesmo tipo de transformação que a palavra igreja que veio do latim inicialmente a Eclésia depois igreja e aí vai se envergonhar de falar a igreja como é que fica o mesmo processo da palavra igreja é o processo da palavra blusinha quem sabe os seus tataranetos vão tá falando blusinha com maior orgulho outro processo que é muito criticado é a questão da concordância nominal a concordância de número da formação os
meninos apesar de ser muito comum na fala mesmo por pessoas que usam a variante da Norma culta ou seja uma variante mais prestigiada e que polícia melhor o que é considerado um desvios a gente tem que entender que existe uma lógica interna para isso vou fazer uma comparação para vocês com o francês na língua francesa os meninos ou os meninos dentro de uma variante falada mais comum seria dito lezanfan eu não sei se você conseguiu perceber mas eu usei a marcação Lito o som de s somente no artigo 331 fã apesar do Oeste dos substantivos
se escrito ele não é pronunciado E aí parece que o jogo virou né Então na hora de colocar alguns preconceitos linguísticos em relação as variantes a gente tem que ter muito cuidado porque as variantes elas não são feitas por motivação do sujeito elas acompanham padrões linguísticos Jéssica Então quer dizer que pode tudo então eu posso falar do jeito que você quiser não você não pode falar do jeito que você quiser porque como eu já disse a fala é motivada por padrões linguísticos dentro do sistema da própria língua o que que ele quer dizer se o
produz uma frase como menino ou bonita observa que eu falei menino então na hora de um traço erudição de Haia Oi Luciano direito quantas vezes por dia você fala menino e quantas vezes você fala menino vamos voltar por exemplo menino ou bonita fez sentido não fez sentido porque tá fora da ordem padrão e tá fora da concordância de gênero da língua então isso mostra para você que não pode tudo vou te dar outro exemplo se você ainda não está convencido jogi a jogue bola a até falar é difícil dá uma olhada nesse exemplo faz sentido
seus simplesmente alterar o fonema para jogar bola a mudando o fonema aleatoriamente e Ordem das palavras não faz sentido meu querido como é que você sabe que não faz sentido porque você é um falante nativo você é a melhor pessoa para avaliar o que que é gramatical o que que faz sentido e o quê que é a gramatical e não faz sentido na sua língua então na verdade você é a melhor pessoa para falar português direito vamos entender o que que isso tem a ver com o processo de consolidação morfossintática O que é consolidação morfossintática
é a consolidação de uma variante que vai gerar a gramática geralmente essa variante é a norma culta porque a norma culta por questões históricas e sócio-econômicas eu vou dar um exemplo que eu acho que vai ficar bem claro para você vamos pensar na conjugação do verbo amar porque falta amor e falta interpretação de texto e falta compreensão de variação linguística vamo testar o verbo amar eu amo tu amas ele ou ela ama nós amamos voz a mais Eles amam dentre todos esses pronomes vão pensar em relação a voz é um uso que praticamente caiu a
não ser na missa de domingo que quando você decore A conjugação fora isso voz não teimoso corrente marcado eu poderia dizer quase o mesmo do pronome tu com exceção de algumas regiões como Rio Grande do Sul como Santa Catarina como Rio de Janeiro com estação dessas regiões o uso de tu já não é tão marcado e inclusive em estudos recentes a gente pode perceber que apesar do falante utilizar o tour A conjugação verbal já acompanha você um falando em você observa que você utiliza a conjugação verbal de terceira pessoa de ele ou ela o que
que você quer dizer que a gente também usa a gente para substituir nos e quando a gente usa a o substituir nós a gente tá usando também a conjugação de terceira pessoa Jéssica volta que que você quer dizer isso quer dizer que a gente tá utilizando a conjugação de terceira pessoa predominantemente para tu ele ou ela você e a gente então a gente está criando uma tendência para excluir a conjugação de voz e de eles e elas doeu né doeu porque que doeu porque na escola você é obrigado a decorar todas as conjugações em todos
os modos e todos os tempos Por mais que você não utilize a via de regra e dói Porque existe uma exigência social de falar direito e esse falar direito entre em conflito com a ideia de usar a gente como reg se você percebe Então como língua é também uma questão de poder a língua ela tá ligando diretamente com as questões sociais aí eu gostaria de fazer uma observação Muito provavelmente você já ouviu alguém ou você mesmo fala nós a partir do momento que alguém falando nós um Sociedade existe uma demarcação social dessa pessoa eu gostaria
de ressaltar para vocês que o falar nós ele é um processo conhecido como ditongação que quando você insere um ditongo na pronúncia esse processo de ditongação é o mesmo que aconteceu na palavra veia que do latim veio como Vena ver veia por quê que esse processo é tão aceitável no veia e não é tão aceitável e nós por questões históricas socioeconômicas Eu acho que o sócio e também claro para você porque todo mundo entende o preconceito que existe em torno de alguém que fala nós e blusinha agora e a questão histórica Opa e a questão
histórica tá clara da mesma forma vamos entender você tem alguma ideia do que é o império romano não tem quem fez a expansão do império romano quem tava lá convivendo com as pessoas eram soldados certo vamos parar para pensar você acha que dentro da formação do soldado Romano ele falava o latim turista ou ele ia falar o latim Imperial Vamos colocar de outra forma que que você acha que soldado Romano falava latim turista ou a time do povão qual variante você acha que ele utilizava Qual é a variante que influenciou a formação da língua portuguesa
pensando que a língua portuguesa Veio desse império romano já parou para refletir a nossa língua portuguesa ou nosso português brasileiro ele tem origem no latim Imperial que é o latim do povão Então na hora de destilar alguns preconceitos linguísticos a gente precisa entender que na verdade preconceito linguístico não tem nada a ver com linguística tem a ver com questões sociais e políticas Que língua é poder e que consolidação morfossintática é política que produz até a próxima aula aha