As narrativas compartilhadas, sem o prazer de continuar ouvindo Monisa Maciel, que agora vai encontrar a experiência dela inicial na contação de histórias dentro da Biblioteca da Universidade de Sorocaba, onde ela cria esse espaço, na verdade, e começa, então, essas ações que ela desenvolve há 21 anos. Com você, Maria Luiza, então foi um prêmio na minha vida, porque indo à biblioteca, que eu comecei a ter seu olhar, pensar nessa possibilidade de ações de incentivo à leitura. Foi nesse momento que começou a ser implantado, e aí eu passei a ser funcionária do Colégio Dom Aguirre, né?
E aí começaram até os atendimentos com as crianças. Então, a pensar em ações que incentivassem elas. O primeiro projeto, "Conhecer o Príncipe", foi de Lobato, que é uma grande paixão, é o divisor de águas, pai da literatura infantil.
Então, era sobre a boneca Emília. Então, eram muitas turmas, foram 15 dias vestida de Emília, no sol escaldante. Quem já se vestiu de Emília sabe que é um processo longo: maquiagem, peruca, enfim.
Mas é apaixonante ver os olhos das crianças, ver o faz-de-conta, ser imaginação, ver sentir a obra de Lobato. Então, foi muito especial, pois eu vou mostrar umas fotos para você. O primeiro projeto desenvolvido foi sobre a boneca Emília, e depois foram surgindo vários projetos que trabalhavam a cultura indígena, que trabalhavam o folclore, que trabalhavam outros autores renomados como Ziraldo e Ruth Rocha.
Então, estava sempre buscando diversificar e mostrar muitas possibilidades de autores que são linguagens diferentes, pensamentos diferentes. Naquela época, não se falava muito de leitura de imagem. Hoje fala, mas sem saber.
Acabava que se mostrava muito livro, mas diversificando. Às vezes era mostrando livro, às vezes era só narrativas, às vezes colocava uma cantiga de roda. Então, nesse momento, eu estava experimentando tudo isso, ver o que era possível e o que não era possível, mas sempre com uma intenção muito bonita, muito sincera e muito verdadeira de ter um acadêmico muito sério, de apresentar literatura da forma mais bonita para as crianças.
E hoje, 21 anos depois, é muito gostoso receber o feedback deles. É emocionante que tem alguns que levam os filhos: "Olha, estou levando o meu filho na roda de história, porque eu quero que ele goste de ler da mesma forma que eu aprendi com você. " Então, eu acho que o maior reconhecimento, o melhor prêmio, é ter esse retorno, esse feedback.
Então, tudo nasceu na Biblioteca da Universidade de Sorocaba, no campus Trujillo. Essa paixão, essa sensibilidade e essas vivências depois foram crescendo gradativamente. E eu não posso deixar de falar que teve pessoas que foram fundamentais e que incentivaram, que estavam na coordenação, na sala, mas que deram um conselho que eu levo até hoje: "Tenha sempre o fator surpresa", porque na narrativa, às vezes, as crianças estão inquietas ou estão escaladas, e surge um imprevisto.
Então, você tem que estar sempre preparado e ter um fator surpresa. E, nesse fator surpresa, com o tempo fui descobrindo também que você tem que se apropriar de uma forma muito intensa do texto. Esse é o número um.
O restante você vai aprimorando, melhorando, mas se você tem o texto integrado a você, você se apropriou disso, as coisas acontecem, fluem, porque você está dominando ali a situação. E foi uma vivência muito bonita que foi ela que abriu meus olhos para essa grande paixão que hoje é o meu trabalho. Eu tenho orgulho de dizer que eu vivo, pago os boletos, as contas.
Eu vivo de contar histórias, e essa é minha grande paixão. E é, sim, muito bom. Sim, um pouco mais que abram do ouvido.
Você gosta de contar histórias? Ela falou: "Obrigada". Alguma experiência significativa que aconteceu num dos dias em que você estava contando histórias para as crianças?
Ali tem uma história que é linda, eu sempre compartilho nos cursos: a professora Magali, que era esposa do feitor, era o último ano dela, uma pessoa muito querida, muito amável, gentil. E ela era o meu primeiro ano atuando na biblioteca, e ela comentou que um aluno tinha dificuldade em matemática e começou a se desenvolver melhor. Ela questionou se a família estava ajudando, e ele falou: "Olha, é uma história que a tia Vanilda, né?
Você se tema de uma maneira, é contada, que fala das formas com história. É a Menina das Bolhas de Sabão, de Antônio Hohlfeldt. Ele conta a história de uma menina cujos pais trabalham bastante.
É uma história antiga, mas é bem atemporal, né? Porque fala do diretor, mas não bastante. Ela fica com a ajudante da casa, e tem os afazeres do lar.
E a menina, sempre muito curiosa, perguntando as coisas da ajudante do lar, fala: 'Eu vou ensinar você a fazer bolhas de sabão, que é uma brincadeira que eu faço. ' E aí, com a mamona, faz como se fosse o canudo. A menina faz as bolhas, e um anjo diz que essas bolhas vão para lugares distantes.
A menina conhece muitos lugares, e, em um deles, conhece um amolador de tesouras, e ele dá uma tesoura mágica para a menina. Então, quando ela volta e escuta uma pessoa dizendo que tem um problema, uma tristeza, ela vai lá e corta o problema. 'Ah, fulano está triste?
Corto o problema. ' E aí ele relatou: 'Toda vez que eu fico nervoso com a matemática, eu imagino que tenho uma tesoura mágica e aí vou aqui, olha, corto o problema. ' Então, ele não tinha problema pedagógico na questão do medo do novo.
E aí eu comecei a entender que nós planejamos uma situação para trabalhar a narrativa, mas ela vai muito além; ela alcança patamares que nós não temos. E hoje nós sabemos que as narrativas são usadas nas terapias e em tantas situações. Então, contar histórias é algo mágico, é uma necessidade.
Humana, principalmente nesse mundo tão acelerado de tantas informações, acho que ela proporciona a calmaria. Já tive uma experiência também com adultos, em uma palestra na faculdade. Uma pessoa veio relatar, no final, que estava com muitos problemas pessoais, mas naquele momento da narrativa, como se ela se desligasse e entrasse na história, aquilo trouxe uma paz, uma calmaria, uma tranquilidade.
As histórias têm esse poder que a gente ainda está descobrindo, que ainda estamos sentindo e que eu acho que nós vamos descobrir algo muito mais ainda nesse processo da ida da humanidade. Contar histórias é uma necessidade humana. Os africanos falam da troca de hálito, né?
Estar próximo, olho no olho, porque eu posso levar. Eu amo a tecnologia, acho que nós temos que estar inseridos; senão, a criança fica fora do contexto. Nós temos que conhecer, eu acho que é super válido, mas nessa busca do equilíbrio, se eu vou a uma praça com meu filho, eu corro à tentação de alguém mandar um recado e eu ir lá e responder, porque é uma tentação.
É uma busca nossa também de equilíbrio, mas quando estou contando uma história, é uma troca: uma troca de afeto, de carinho, de experiência, de partilha, nem que seja uma história acadêmica, literária, ou uma história da minha vida que esteja compartilhando uma vivência afetiva. Então, é muito importante contar histórias, compartilhar histórias e essa vivência que é o olho no olho. Às vezes, a criança não vai lembrar a história, mas ela vai lembrar da sensação que aquilo vibrava e vai recordar dessa experiência que foi tão especial e que vai se interessar por esse universo da literatura.
Além desse momento, algum outro mais à frente que necessariamente seja ali na biblioteca da universidade, algum outro experiência que teve durante esse processo de contação com alguém (criança ou não) se lembra. Nem na Fundec tem muitas vezes, né? Porque lá nós trabalhamos a contação de histórias, a narrativa junto com a música.
Ocorre que essa experimentação, algo com o maestro Paulo ou com a Sandra, regente do coral infantil, é um trabalho pioneiro, foi desafiador. Eu não tinha referência, então fui querendo de uma forma instintiva fazer o intercalação da música com a história, mas a música tem que estar ligada com aquele contexto. Então, há relatos de pessoas que se emocionaram muito, porque contar histórias é tecer palavras e, mesmo sem palavras, com ritmo e melodia, você consegue tocar as pessoas de uma forma mais forte.
Sim, já vi relatos de pais, né? Porque os pais, é mais difícil você alcançar o homem racional. Agradecer por ser uma experiência muito especial junto com a família, isso é gratificante.
Proporcionar esse momento de unificação de vivência, junto com a literatura, com a arte, com a música, uma música de qualidade para as crianças, juntamente com a família, e as famílias terem essa gratidão é algo muito especial que eles compartilham no final. Você também já estava fazendo o curso de pedagogia, então como foi essa vivência com os colegas de pedagogia e a contação de histórias entrando nesse universo? Meus amigos, meus colegas de classe de pedagogia sempre souberam dessa paixão, porque eu sempre compartilhava com eles.
Era algo novo naquela época, no São João, nem Roberto você, Google, que facilita bastante. Diferente de jovens, eu tinha um referencial; fazia muita troca, muita partilha, e é muito gostoso hoje encontrá-los com as famílias. Alguns se tornaram coordenadores e acabam me contratando.
Tenho uma amiga muito querida, Janaína Paulon. Então, assim, às vezes vou na escola onde ela é coordenadora e é muito gratificante ver o amigo crescer, se desenvolvendo no trabalho dele, mas é muito gratificante ver o meu trabalho também sendo reconhecido pelos colegas. O período do curso de pedagogia foi um concurso muito especial; tenho professores muito queridos, a Vânia, são pessoas que fizeram a diferença na minha trajetória acadêmica.
E como você chegou à literatura infantil? Então, fazendo a pedagogia naquela época, na grade curricular não tinha literatura infantil, esse componente curricular específico, e eu queria me aprimorar, mas não tinha após literatura infantil na cidade. Fui fazer o curso de letras, onde conheci um professor maravilhoso.
Eu fui fazer o curso de letras para poder cursar a disciplina de literatura infantil. Você foi só por causa disso? Só por causa disso, só por causa dessa disciplina, porque eu queria estudar mais.
Eu sempre tive muita sede de aprender, de conhecer, e até hoje eu sou assim. Então, fui fazer a disciplina de literatura infantil no curso de Letras – Espanhol – com você, porque na época não tinha na grade de pedagogia. Foi muito gratificante, porque comecei a escrever a partir das suas aulas.
Você sempre me motivou, me inspirou. A "Bruxa Urina", que escrevi na sua aula, virou espetáculo narrativo. Isso foi no ano retrasado, nossa, já foi no ano retrasado, no ano de 2018, e foi uma experiência linda.
Foi também quando teve o teatro, porque o teatro e a narração estão muito ligados; é muito forte, o palco pede isso. Mas eu nunca tive oportunidade de fazer um curso formal de teatro, então sempre foi muito instintivo, buscando autoconhecimento, lendo, assistindo a vídeos, buscando entender esse universo tão lindo, tão precioso que é o teatro. E foi na sua aula que eu tive a primeira oportunidade de fazer uma peça de teatro mais estruturada.
Nós fizemos "Pluft, o Fantasminha" e eu fui o Pluft porque era mais falante. Foi uma experiência linda, muito especial, e foi junto da sua disciplina. Ah, você tem coisas relacionadas a esse momento?
Tem fotos? Não é não. Foram vermelho as roupas.
Duplo ficção, minhas. Todo mundo me doou a roupa do post. Foi uma vivência muito linda, muito especial.
Eu tenho amigos muito queridos, que foram a mãe do Pluft. O meu tio, o tio Gerúndio, foi. Foi muito mágica essa experiência, que eu levo até hoje, porque foi a primeira experiência de uma vivência teatral de uma forma mais organizada, mais centrada mesmo, mais acadêmica.
Experiência linda! Como você vê essa relação de estar vendo literatura e o teatro, nesse momento, assim, nesse tipo de atividade? É engraçado que a contação de histórias vem com dois profissionais, as vertentes, né?
Tenho amigos muito queridos que vêm do teatro, e são maravilhosos, são inspiradores, são referenciais. Mas eu acabei trilhando um caminho diferente, se você não acaba nem tinha teatro, né? Porque fui cursar, então nem tinha essa possibilidade.
E como a educação sempre foi algo forte em mim, eu acabei partindo para a área de pedagogia. Quando eu virei bolsista para dentro da biblioteca, nasceu esse olhar da literatura. Congoe de cidade e, de uma forma instrutiva, o teatro foi surgindo tanto na minha postura para trabalhar com as crianças, mas tanto também para trabalhar com esse teatro com as crianças.
Eles seriam os personagens; eles criariam as histórias deles. Então, o teatro é algo muito apaixonante e que anda junto com a narrativa, com a contação de história o tempo todo, porque a postura da nossa voz e a postura do nosso corpo, o nosso olhar, o silêncio. O silêncio na narrativa é muito importante, porque, colocado na hora certa, apesar de ser silêncio, ele diz muitas coisas.
Então, tudo isso é uma vertente que vê muito forte do teatro, que eu ainda quero fazer um curso para aprimorar e entender melhor essa arte. Mas eu sou o seu time grego da educação, então ele tem um olhar muito forte educacional para a narrativa, mas tem uma admiração e um respeito enorme pela arte do teatro. E tenho amigos muito queridos e competentes.
E tem essas duas vertentes de profissionais trabalhando dentro da arte da contação de histórias. Você chega a utilizar o teatro em sala de aula com as crianças? Assim, então você vai contar um pouquinho de Deus para nós daqui a pouco e vai contar também a respeito das suas apresentações, a Fundec, e também sobre o projeto Monteiro Lobato.
Então, isso iremos agora no terceiro bloco, logo a seguir. Até já!