Professor Qual a melhor maneira para representar tragédias reais e quais os exemplos de filmes que conseguem tratar esse tipo de tema há quem defenda uma abordagem mais explícita de acontecimentos como holocausto contudo muitas pessoas também são contrárias ao que elas dizem ser banalização desse tipo de imagem o que me motivou o que motivou a minha pergunta foi um debate no Twitter sobre a falta de uma cena explícita sobre as consequências da bomba atômica em openheimer bom em primeiro lugar eu não assisti operheimer então não posso opinar sobre a tal da falta de cenas explícitas em
overdrive mas a discussão sobre esse assunto é muito importante vamos lá esse tema ele vai ser bastante discutido por um carinha chamado Jacques River Inclusive eu tenho uma aula bastante completa sobre isso lá na introdução cinema tá bom Caso vocês queiram conferir Joga aí no chat exclamação e ac e vai conferir essa aula lá hoje a gente vai fazer um apanhado aqui sobre o que significa isso e o que se vê ele vai fazer um texto chamado da abjeção onde ele vai discutir justamente o holocausto tá e a gente pode transmitir esse pensamento para outros
eventos históricos também mas o caso holocausto causa o holocausto é muito mais específico digamos assim porque porque quando na ocorrência do holocausto já havia cinema já existia cinema Tá e isso é importantíssimo porque porque o cinema como eu já disse para vocês ele é uma arte que responde ao problema da forma o que busca responder ao problema da forma que que significa isso com relação à produção de imagens a gente volta lá atrás no pensamento do Bazar onde ele vai dizer para gente que para responder ao problema da forma os homens representam a natureza Então
a gente vai lá na pré-história por exemplo e a gente vai ver os homens pintando na parede das cavernas Representando na parede das cavernas a caça agricultura e etc percebe esses homens eles estão representando a sua própria existência inclusive como uma maneira de reprodução e defesa da própria espécie de prolongamento da própria espécie replicando essas maneiras esses hábitos essas técnicas para a posteridade inclusive saca então a arte ela surge como um meio de representação da realidade percebe isso é muito importante acontece que a com a arte também arte ela é feita por técnicas e dessas
técnicas empregadas trabalhos trabalhos esses que vão realizar essa representação trabalhos esses que vão entregar riqueza a essa representação portanto técnica é tão somente meio de realização pelo qual Esse trabalho é empregado Entretanto a técnica oferece uma limitação ao mesmo tempo que oferece uma possibilidade através dela porque ela é um meio mas ao mesmo tempo uma limitação de acordo com o seu tempo com a sua data por isso toda técnica tem idade toda técnica tem uma rugosidade segundo Milton Santos percebe é a questão aqui então lá atrás os homens das cavernas vão representar as suas realidades
através das técnicas que eles têm presentes pertencentes naquele momento histórico passa-se o tempo e a gente percebe que o interesse com a arte permanece sendo o interesse de representação dessa realidade permanecendo de replicação dessa realidade como manutenção da espécie mesmo mais uma vez e a gente vê por exemplo no Egito antigo a mumificação que pode ser considerada inclusive as primeiras estatuárias que nada mais são a representação da forma humana Entretanto a mumificação não responde ao problema na forma na medida em que ela também se decai Com o tempo ela vai perdendo a sua forma original
com o tempo ainda que eu possa armazenar aquela forma por um determinado tempo alongar esse tempo da perduração da forma esse tempo ainda é essa forma ela passa a se deteriorar com o tempo se alonga a possibilidade mas essa forma continua sendo deteriorada percebe então a técnica ela continua tentando responder ao problema da forma mas ela ainda oferece limitações e a gente vai ao longo da história para não ficar falando da história inteira a gente vai ao longo da história percebendo que há o interesse através da técnica e dos trabalhos empregados nessa técnica mas sobretudo
entendendo que essa técnica se desenvolve através do trabalho claro sempre em direção ao realismo e portanto em direção a responder ao problema da forma a gente passa pelo renascimento a gente passa pelo classicismo pelo neoclassicismo etc e tal Até que a gente chega ali pelo século 19 onde surge a fotografia que passa a responder melhor que a pintura ao problema da forma a questão do Realismo a tentativa de perduração da forma de representação da natureza de cálculo da natureza inclusive Isso é uma perspectiva das ciências modernas mesmo assiste modernas tentam calcular a natureza e vão
se utilizar das técnicas da arte da pintura do desenho depois da fotografia do vídeo até hoje para calcular essa natureza para capturar essa natureza sabe para capturar essa natureza entretanto cada tempo histórico oferece uma limitação a esse trabalho empregado nessa técnica que possui uma idade Quando surge a fotografia a fotografia liberta a pintura liberta o desenho da necessidade de ser real da necessidade de responder esse problema porque porque a fotografia passa a oferecer uma melhor resposta a esses problemas entretanto surgiu o cinema e o cinema responde melhor ao problema dessa forma na medida em que
em relação a pintura em relação a fotografia Ele oferece o movimento e dentro do próprio cinema para além do movimento surge o som surge as cores surge sediagem surge a tela verde o 3D Ou seja a gente vai tentando se aproximar cada vez mais da representação da realidade tal como ela é do duplo da natureza percebe que as técnicas vão sempre nessa direção e o que que eu quero dizer com isso tudo essa história toda para falar sobre a representação desses eventos históricos porque quando nos surgimento do cinema o cinema passa a ser a arte
que oferece ao espectador e portanto a população uma verdade isso significa dizer que se determinado evento histórico se determinado fato histórico quando no surgimento do cinema ou seja quando o cinema já esteve existente presente se não há imagens sobre isso há também dúvida há também dúvida e no Holocausto não houveram imagens em movimento não houveram não houver Ah Felipe mas eu já vi imagens de arquivo dos campos de concentração sim Vocês já viram essas imagens São imagens capturadas do pós guerra ou melhor quando os exércitos desaliados da União Soviética dos Estados Unidos dos aliados entram
nesses territórios veem os campos de concentração e filmam esses campos de concentração e toda a barbaridade que foi deixada lá mas o holocausto em si acontecendo documentos em vídeos não há não há para não dizer que não há nenhum documento em imagem há quatro fotografias mas vídeos não há e se não há vídeo não é verdade se não há vídeo no momento em que o cinema existe não é verdade agora é importante que você diga também isso não significa dizer que o cineastas tem culpa nisso porque Claro se nessa pegasse sua câmera E fosse lá
para tentar filmar os campos a única coisa que eles vão receber é um tiro na cara saca Não não é sobre isso e Os relatos de Sobreviventes relação relatos gente e assim por mais que Os relatos sejam importantes eles são importantes inclusive se a gente for ver um filme como chuá que é um filme que vai ser utilizar bastante dos relatos para traduzir inclusive é todo um debate sobre como representar o holocaus a gente vai chegar nisso já já falei gás mas Os relatos são relatos eles não mostram o acontecimento e é o que eu
disse para vocês e que eu não tô falando que eu que eu acredito nisso não tá gente tô falando que eu acredito nisso não mas quando no surgimento de uma técnica que mostra a realidade na sua frente porque a ontologia da imagem da imagem cinematográfica é essa gente é você dar o Play na câmera e a Câmera mostra o que tá na sua frente e por isso que a ontologia da imagem fotográfica ela é realista porque é o simples Play você mostra o que está na sua frente é uma espécie demostração e se não há
essa mostração a sensação de quem assiste É que ela não existiu sobretudo quando a câmera já existia já existia a possibilidade de filmar Por que que não filmamos então só pode ser porque não existe e a gente entende por que que existe negacionista de holocausto a gente começa a entender porque que existem negacionistas de holocausto é claro que não é só isso o motivo mas a gente começa a compreender toda uma questão por trás da imagem isso tudo na estética envolvendo isso tudo vocês percebem vocês percebe aí bom o cinema não esteve lá o que
fazemos Então essa vai ser a discussão do River e toda uma discussão que vai surgir ali no pós Segunda Guerra Mundial o cinema não esteve lá mas esse é um evento histórico trágico pelo qual nós devemos prestar atenção inclusive para que ele não se repita o que fazemos Então porque agora nós temos a câmera agora nós podemos representar mas como representar porque aqui cabe portanto a partir desse momento a ética do realizador porque esse realizador não esteve nos campos de concentração esse realizador não sabe como é os campos de concentração esse realizador não filmou esses
campos concentração no momento em que eles tiveram presentes nós tão somente temos documentos desses eventos e Os relatos de sobreviventes nós enquanto realizadores nós enquanto autores não temos a dimensão do que a dor daquele evento e portanto representar esse evento transmite também para aquele que vai assistir posteriormente o filme que foi representado O que foi o evento porque essas pessoas que vão assistir nunca viram essas pessoas que vão assistir não sabem o que foram concentração porque não tiveram imagens desses Campos e o que que elas terão sobre isso as representações do cinema percebe Então o
que eu estou falando aqui para vocês quem reproduzir na história o Imaginário do que foi o holocausto foi o cinema enquanto arte o cinema reproduziu historicamente o Imaginário sobre o Holocausto porque não havia outra maneira de reproduzir esse Imaginário porque a câmera não esteve presente nos campos de concentração no momento histórico em que estavam ocorrendo o cinema reproduziu esse Imaginário agora como esse cinema reproduziu esse Imaginário aqui que tá a questão aqui que tá problemática E aí o river vai trazer para gente justamente essa perspectiva que se nós se utilizamos desses eventos históricos para espetar
curar espetacularizá-los nós temos um grande problema porque ao espetacularizar um evento tal como holocaus nós trazemos para quem assiste Nós levamos para quem assiste esse evento que ela nunca viu como é que é espetacularizado e qual é a consequência disso a consequência é um espectador que olha para esse evento Espetacular espetacularizado e fala hora Que absurdo que barbari que coisa horrível que aconteceu Mas isso é tão somente fruto da mente de uma pessoa Insana de um ser deslocado da história inclusive reproduzir o imaginário de Hollywood reproduz essa Imaginário da individualização do problema que que eu
quero dizer com isso eu quero dizer que as narrativas hollywoodianas individualizam o debate narrativo perceba que as narrativas hollywoodianas clássicas sempre foram nessa sempre parte dessa toada nós temos um personagem que a partir da sua individualidade tem problemas tem conflitos que moverão a história ou seja toda a história acontece por causa daquele personagem Harry Potter o menino que sobreviveu e aí todas as coisas acontecem todas as coisas no mundo acontecem por conta do indivíduo o mundo gira em torno do homem assim que acontece em Hollywood é individualização burguesa liberal da narrativa E aí esse Imaginário
sobre o Holocausto reproduz essa lógica inclusive da individualização inclusive dessa individualização vocês percebem que estão E aí quando a gente quando a gente passa a representar a partir dessa espetacularização tudo é tão somente fruto de Uma Mente Insana da individualização do problema na figura de Hitler por exemplo que é um problema Claro mas primeiro não era tão somente Hitler porque quando a gente passa análise narrativas é individualizar o fascismo o nazismo em Hitler em Mussolini a gente está fazendo a gente Está transformando o fascismo nazismo em eventos históricos isolados na história individualizados em um homem
específico nessa história e não que o fascismo que o nazismo é um produto histórico que é passado de geração em geração que nada mais é do que uma resposta as ameaças dos seus privilégios quando essa burguesia vê seus privilégios sendo ameaçados em momentos de crise onde a população tende a se rebelar E aí o que que faz a burguesia pauta esse debate financiando um projeto uma individualização em uma pessoa de caráter popular vocês percebem que a narrativa que a estética reproduz esse individualismo e que o cinema reproduzir portanto esse Imaginário nas pessoas em produziu esse
Imaginário nas pessoas de individualização do problema histórico na figura de um homem um homem dois transformando o evento histórico como esse em isolado na história fruto da barbárie Insana da mente de um homem e que portanto E aí nas palavras do Jackson e v o autor do texto da injeção esse evento histórico é horrível malvado os fascistas são malvadões fascistas individualizado na problema na figura de Hitler mas tolerável você percebe como a espetacularização reproduz esse toleramento essa toleração do evento que hora nossa que triste que foi o holocausto mas é tolerável assistir aquilo transforma Aquilo
não é vento de pena inclusive e não no evento onde eu preciso representar inclusive para reconhecer na realidade em que vivemos Não só no passado que racismo retorna para que quando o fascismo retorne ele não seja tolerável para que as pessoas não deixem de se espantar com o novo fascismo então a representação do holocausto ela é de suma importância mas ela carrega consigo também Ela carrega consigo também problemáticas como representar para não cair na espetacularização do evento para não reproduzir o Imaginário nas pessoas de que esse evento foi um evento isolado na história fruto da
ementa Insana malvada de um homem fruto de pessoas Malvadas mas sim fruto de um processo histórico que precisa se ser combatido pela extinção da classe burguesa Mas é claro que esse não é o caminho que a burguesia quer e portanto eles individualizam o problema e reproduzem isso através do cinema porque mais uma vez o cinema é a arte que hoje reproduz uma verdade sobre esses eventos uma verdade sobre esses eventos esse eu Imaginário que nós temos sobre o Holocausto eu Imaginário do cinema é esse o Imaginário que nós temos aí vocês estão pedindo aqui exemplos
né e perguntaram do Listen Schindler sim lista de tinder se encaixa nisso é a cena do da câmara de gás é bizarra pelo menos para mim como os pilber ele cria uma uma um jogo de expectativas ali um espetáculo sabe e gente quando eu falo espetáculo não é o espetáculo para o bem tá não é o parque de diversões dos corcese quando ele fala lá do da Marvel não é isso o espetáculo é justamente esse esse jogo com as expectativas do espectador essa megalomaníaca sabe é quando os piuber que ele escolhe faz a escolha em
Lista de Schindler em entrar não só no campo de concentração mas entrar na câmara de gás Qual é a problemática de entrar na câmara de gás gente só que entrou aquelas câmeras de gás foram esses judeus que morreram como é que a gente posteriormente vai simular esse evento e mais fazer esse jogo de expectativas onde essas mulheres que entraram na câmara de gás não sabem se elas vão estar tomando banho ou se ela vão levar gás para morrer como é que a gente vai fazer isso e ele faz esse espetáculos com primeiro com esse preto
e branco que queria todo mundo glamour né para cena não só para cena mais para o filme fica glamouroso por causa do preto e branco é claro que o preto e branco tem outras características também ali para o uso mas ele ganha um glamour a partir daqueles contraste e tudo mais ela montagem no rosto das personagens E aí vai para o chuveiro da onde sai o gás e também sai água que que vai acontecer o que que vai acontecer agora mas não só Lista de Schindler A Vida é Bela gente A vida é bela é
tristíssimo tristíssimo não filme que se faz com aquela representação porque não só você espetaculariza como você romantiza esse evento se torna um evento romântico o menino do pijama de estado nem se fala porque nós somos jogados a ter pena do Alemão do menino alemão e o e o judeu a criança judia ela vira uma escada para o desenvolvimento do personagem do menino Alemão então assim nem se fala nem se fala sabe agora então não devemos retratar essas coisas nos filmes como retratar então não nós devemos retratar Sim nós devemos e precisamos retratar agora com qual
o debate com esse se alongado com relação a isso e esse debate foi feito na verdade era de 50 a gente pensar por exemplo em filme Como noite neblina onde o Alan né Ele escolhe ter uma auto consciência de que veio depois percebe essa autoconsciência de que se nós não estivermos lá nós chegamos depois e se nós chegamos depois o que ele faz ele vai aos campos de concentração mas depois do evento ter acontecido ele usa um Ghost Ride ele vai caminhando por dentro desses campos de concentração mostrando os ruínas desse campo de concentração e
na medida em que a gente vai entrando nesse campo de concentração nós vamos sentindo aquilo ali e jamais vai sentir tal como aconteceu e nós vamos tomando a consciência de que chegamos depois e não podemos fazer nada porque aquilo ali foi uma escolha política percebe a gente vai sentindo isso E aí ao mesmo tempo ele vai justa pondo esse caminho essa entrada dentro de campo de concentração com imagens de arquivo ou quando a gente vê um filme como choar que é um filme todo Realizado a partir de relatos é que eu tô falando de dois
exemplos de documentários Mas a gente pode citar um outro filme é polonês dessa vez chamado a última etapa esse filme tá disponível na Mobi em que não há essa espetacularização do evento Inclusive tem uma cena que é fortíssima de uma moça agarrada na cerca morta e a gente faz uma comparação com outro filme do Gelo pontocordo capo que vai ser Justamente a causa do texto do River onde ele no capô ele escolhe reenquadrar a personagem da Emanuelle E aí o river fala que esse reenquadramento pode ser feito tão somente uma pessoa digna de desprezo porque
porque quando ele reenquadra ele escolhe fazer com que a cena fique bonita reencontrar para que ela fique agradável e quando você vai no último etapa nós temos a diretora escolhe mostrar a moça agarrada na grade mas de longe e não tem essa câmera longe ponto não tem esse distanciamento porque manter esses tratamentos porque nós estamos distante desse evento Nós não somos esse evento nós não temos a consciência desse evento Nós não sabemos Qual é a dor daquela pessoa que se jogou naquele campo naquela cerca elétrica bom para além disso a gente pode estender esse debate
para vários outros eventos escravidão estupro pedofilia todos os debates pode estender para tudo isso acontece que cada um desses debates pede um debate específico o mesmo debate utilizado que a gente conversou aqui sobre o Holocausto não cabe para pedofilia não cabe para estupro não cabe para escravidão são outras questões são outros debates que demandam de outras éticas no caso da escravidão por exemplo não havia câmera falando da escravidão brasileira aos moldes coloniais tá gente porque a gente sabe que a trabalho escravo ainda hoje mas estou falando daquele debate não havia câmera naquele momento né então
a representação ela precisa de um de uma ética ela precisa de um debate de como representar mas o debate é outro ainda assim precisa de outras questões para debater essa imagem A questão aqui é portanto que esse como representar eventos históricos sempre demanda de uma consciência prévia e que cada um desses eventos demanda de um debate específico beleza