[Música] O Fantástico está de volta com histórias de vítimas do golpe do bilhete premiado. >> Paulo César dos Santos. >> Você tá procurado?
>> Tô. >> Por quatro >> Luiz Cláudio dos Santos. >> Para que que serve esses bilhete laranja?
>> Para dar o golpe nas pessoas. É isso. >> Irmãos e golpistas.
Luís Cláudio foi preso em agosto, Paulo, neste mês. Segundo a Polícia Civil de São Paulo, são eles nessas imagens de câmera de segurança gravadas em julho numa rua da zona sul da capital paulista. É Paulo César que desce do Carro Preto, vai em direção à esquina e faz contato com um senhor de 88 anos que passava por ali.
>> Eles me abordaram perguntando o nome de uma rua que não existe no bairro. Eu dando atenção, né, querendo ajudar de uma certa forma. >> Luiz Cláudio, vestido com casaco cinza, se aproxima de Paulo César e do Senhor e começa a participar da conversa.
>> Que primeiro perguntou que da rua tá querendo ajudar o segundo. >> Os irmãos fingem não se conhecer. Paulo César anuncia que tem em mãos um bilhete premiado de loteria, mas alerta que a sorte não pode sorrir para ele.
>> Não, mas eu também não posso receber porque eu sou de uma religião, não aceito dinheiro de jogo, dinheiro de de aposta. >> Luiz Cláudio checa se o bilhete é realmente premiado. >> Ele ligava pra caixa em voz alta com a moça que se passava pela gerente da caixa.
Ela conferia lá. Exatamente. É esse número mesmo do bilhete.
É isso mesmo. Pode vir aqui que tá tá tudo certo. >> O prêmio, 6 milhões deais.
Paulo propõe vender o bilhete aos outros dois. Assim receberia um bom dinheiro sem comprometer a própria fé. Depois o trio sai andando e dobra a esquina.
A vítima conta que na sequência eles entraram em um carro. >> Aí eu fui entrar na porta de trás, eles falou: "Não, entra na porta da frente". já me forçou aí.
Aí começou a dar volta no bairro, dar entrar em rua, sem saído, fiquei com medo. Aí eles falou que eu tinha que dar R$ 70. 000 para ele, para ele liberar o dinheiro.
Aí ele falou: "Se você falar com seus filhos, suas filhas, vai dar mal para você. Você vai ter que dar esse dinheiro agora. >> Na agência, o senhor chegou a ser questionado pelo gerente.
>> Para que você quer dinheiro? Eu falei para comprar um terreno em Minas. Mentira, ele tinha me orientado para isso.
Parece que eles me hipnotizou. Eu fazia tudo que eles que eles mandavam. Depois que eu já tinha passado o dinheiro paraa conta deles.
Me deram o um envelope fechado na palavra deles com o bilhete. Quando cheguei em casa, que foi e abriu o envelope, só tinha papel picado. O bilhete não tinha mais.
Eu fiquei sem chão. Eu fiquei, eu fiquei paralisado, né? Um detalhe na gravação feita pela Câmara de Segurança chamou a atenção dos investigadores.
Ao mesmo tempo em que os irmãos golpistas e o senhor começam a caminhar em direção à esquina, o carro em que Paulo César chegou se movimenta. Segundo a polícia, Viviane Araújo Stanislau, mulher de Paulo César, estaria ao volante. >> Temos aí a notícia de que ela está foragida no Rio de Janeiro.
>> A especialidade da família é o golpe do bilhete premiado. já respondeu a pelo menos 10 casos nos últimos anos. Viviane inclusive já apareceu aqui no Fantástico numa investigação de 2009.
O grupo acusado de aplicar o golpe do bilhete é daqui da região de Rio Claro, interior de São Paulo. Viviane nem chegou a ser presa. Os comparsas já estão na rua, segundo a polícia, aplicando golpes.
A defesa de Luiz Cláudio dos Santos afirmou que os fatos investigados limitam-se à prática do golpe do bilhete premiado e que não houve extorção, violência ou grave ameaça contra a vítima. Por telefone, o advogado de Paulo César disse que só vai se manifestar depois que tiver acesso a todo o conteúdo da investigação. Já a defesa de Viviane informou que a cliente vai esperar o momento adequado para ilucidar os fatos e provar sua inocência.
>> É um golpe muito bem executado. Normalmente são duas pessoas que abordam a vítima, né? Eles escolhem bem a vítima, normalmente próximo de lugares onde tem bancos, alto número de bancos, e são pessoas eh muito bem eh apeçoadas.
Eles falam, né, tem um que fala que é religioso, que não pode receber eh prêmios por motivos éticos, religiosos, mas que tem ali o bilhete premiado. E aí o outro que tá próximo dele fala: "Não, não acredito, é isso mesmo". e começa a a observar o bilhete premiado e inclusive checar ali as fontes para ver se os números batem com aqueles que foram sorteados.
>> Esse é um golpe à moda antiga. >> Agosto de 1900, Gazeta de Petrópolis. O indivíduo alto fora a sua casa comercial, levando o bilhete da loteria do Bomfim, premiado com cinco contos de réis, e lhe propusera que, em vista de ter de pagar a outra pessoa uma parte que tinha do bilhete, necessitava de um conto de réis, visto não poder dirigir-se imediatamente à capital federal para receber a importância ao prêmio.
O réis era moeda circulante no Brasil na época, um conto equivalia a R 1 milhãoais. Uma pequena fortuna na virada do século passado, quando pessoas já eram iludidas pelas mentiras dos criminosos. >> Janeiro de 1968, jornal Cidade de Santos.
Ali mesmo foi abordado por um dos malandros que pouco depois lhe apresentava o segundo. O golpe é sempre dado por dois. Um roteiro que se repetiu pelo tempo.
>> Dezembro de 1953, o dia de Curitiba. Como Takashi foi vítima no dia de ontem do velhíssimo golpe do bilhete premiado. Como Takashi, que veio de avião, voltará a pé.
>> Mas como um crime tão antigo e amplamente divulgado ainda é capaz de provocar tantas vítimas? >> Esta mulher chegou a desconfiar. Ela foi abordada na rua por uma mulher que mostrou um bilhete de uma suposta rifa.
>> Isso daí não é rifa, isso é jogo, né? Ela falou: "Não, jogo não, eu não jogo". Eu falei: "Mas é um jogo e isso deve ser golpe".
>> Apesar do alerta inicial, a vítima não conseguiu escapar da lábia dos golpistas. A senhorinha falou que ia rasgar o bilhete, que não queria o bilhete, que ela não poderia ficar com dinheiro de jogo, a menos que a gente comprasse o bilhete dela. >> O bilhete falso era do concurso 6810 da Quina.
É confirmado pela mulher que aparece para ajudar e que se apresenta como Cris, uma psicóloga. >> Ela falou assim: "Eu vou ao banco e vou passar o dinheiro para ela. Você quer entrar nisso ou não?
" Eu fui até o banco, eu fiz um empréstimo de R$ 100. 000. >> Senhora, não tinha esse dinheiro em conta?
>> Essa outra pessoa que participa da quadrilha e chega ali depois, ela geralmente fala o seguinte: "Num determinado momento eu vou ajudar, você não". >> Cria-se sim uma uma dúvida do quanto assim o quanto eu tô sendo inadequado, que eu tô sendo errado ou que eu tô sendo, será que eu vou ser insensível não fazendo isso? Então esse jogo de pensamento, né?
Essa confluência ali de informações leva a pessoa muitas vezes ao convencimento, mesmo em algumas pessoas que ela consiga dizer assim: "Nossa, muito estranha essa história, mas o conjunto e a forma como a os golpistas atuam vão minando a capacidade de resistência daquela pessoa. " >> A vítima chegou a receber por mensagem documentos que, segundo Cris, a golpista, seriam da Caixa Econômica. Os papéis indicavam que estava tudo certo com a divisão do prêmio de R$ 13 milhões deais.
Nas conversas, Cris pede descrição. >> Não vou falar nada do nosso segredo até amanhã, OK? >> E elogia vítima.
>> Você é demais, uma energia maravilhosa. Amei te conhecer. Amizade pra vida.
Olha, o universo surpreende, né? >> Mas no dia seguinte, quando as duas deveriam buscar o prêmio na Caixa Econômica, Cris não aparece. >> E eu falei assim: "Cris, aconteceu alguma coisa, tô ficando preocupada.
Que que tá vendo, né? " Aí ela já não me respondeu mais. É frustrante.
É assim, é de uma incapacidade muito grande. A gente se acha uma tola, sabe? Em São José dos Campos, outra vítima passou mais de um mês fazendo transferências a pedido de golpistas.
quando se tornou suspeito a a negociação e ela procurou o escritório de advocacia, ele tomando conhecimento que ela descobriu do golpe, ele simplesmente encerrou a conversa, bloqueou e conseguiu apagar todas as mensagens que estavam ali provisórias no aplicativo. >> Através de 14 depósitos em 10 contas distinta, a vítima depositou R$ 3. 250.
000. Ela exauriu toda a poupança de uma vida e se comprometeu com mais R$ 1. 400.
000 em empréstimo bancário. >> A Federação Brasileira de Bancos informa que cada instituição financeira faz monitoramento de movimentações bancárias fora do padrão e tem critérios próprios para concessão de crédito. A Febraban orienta ainda que as pessoas não façam transferências ou entreguem dinheiro a desconhecidos e que em caso de fraude registrem boletim de ocorrência.
Em 2024, a Polícia Civil de São Paulo registrou 338 casos de golpe do bilhete premiado. De janeiro ao início de dezembro deste ano, foram 382 boletins. Mas os investigadores acreditam que o número real de casos seja bem maior, já que várias vítimas preferem não dar queixa do caso.
>> Não precisam ter, né, vergonha, enfim, medo. Nós estamos aqui exatamente para poder acolher e para poder de alguma maneira entender essa história e dar uma resposta aí pra sociedade. >> Eu não me conformo do que eu fiz.
Foi assim, foi uma queda. Eh, mexeu muito comigo. Essa é a grande verdade.
Eu tô até hoje eu eu tô abalada. Independente das motivações que façam as pessoas caírem, o maior efeito da pósgolpe é o sentimento de vergonha, de constrangimento. Passa para ela a ideia de uma de uma insegurança, de uma pessoa incapaz que se deixa levar por determinadas situações.
>> A família inteira nós ficamos muito abalado porque era o dinheiro que ele tinha para para o fim da vida, para remédio, para o que precisasse um dia, né? O público alvo das quadrilhas são pessoas idosas. Normalmente, quando a família fica sabendo, já é tarde demais.
Só resta ajudar o parente a superar o trauma. >> O que não pode ter é o julgamento e condenatório de quem é vítima, né? Porque aí você revitimiza aquela pessoa que já tá numa condição de constrangimento.
>> Qual que é um alerta assim que a gente tem fazer pra população assim? >> Desconfiar sempre, né? A mensagem ter que ficar coisa fácil, né?
Desconfie. Para começar, a Caixa Econômica Federal não confirma a veracidade do bilhete por telefone. >> A gente só tem e avaliação desse bilhete ali na unidade lotérica ou na agência.
Não existe nenhum número que você possa ser atendido por um gerente. Isso é tudo parte do esquema deles. A gente tem que bipar aqui, né, o QR code para avaliar no sistema de loterias.
Então esse sistema ele vai trazer o retorno se essa aposta é válida. falaria as pessoas para tomar muito cuidado não falar com pessoas estranha que não conhece. Pessoa que quer informação de rua que não existe, é furada.
>> Com medo dos criminosos, as vítimas que mostramos nesta reportagem pediram para não serem identificadas. A sociedade tem que entender que golpistas eles têm uma habilidade de convencimento e a gente precisa estar atento e se a gente divulga, provavelmente reduz a possibilidade dessa ocorrição.