43 do segundo tempo. Santiago Bernabéu lotado. Semifinal da UEFA Champions League.
E o jogador mais perigoso do mundo tá andando. Ele não é o mais rápido, nem o mais forte, mas no instante em que a bola encosta no seu pé, alguma coisa muda no ritmo do jogo. A defesa do Real Madrid, uma das melhores do planeta, só pode assistir e torcer.
Um gol histórico. Mas repara numa coisa, tudo em volta dele tá um caos. Adversários em desespero.
Estádio gritando El clássico, tão tenso quanto um jogo pode ser. E no meio de tudo isso, um ponto de calma: Lionel Messi. O que se passa na cabeça de um dos maiores gênios da história do futebol em momentos como esse?
A chave não é o que ele tá pensando, é justamente o que ele não [música] está. E nesse vídeo você vai entender exatamente o que acontece no cérebro do Messi e dos grandes gênios da humanidade quando eles estão fazendo a sua arte. não é mágica, dom ou genética.
A ciência mostra que é um estado mental que pode transformar a sua vida. E é claro que a genialidade do Messi é muito rara, mas o estado mental dele por trás dela não é. Dá para entender como ele funciona e criar as condições para que esse estado ocorra também na sua vida.
E tudo começa entendendo a ciência do flow. Flow. Essa palavra não surgiu no laboratório, no artigo científico do nada.
Na verdade, ela nasceu para tentar descrever o indescritível. Pra gente entender isso, vamos voltar pra Segunda Guerra Mundial. Em um campo de prisioneiros vivia um menino húngaro chamado Mirali Tet Miha.
Eu juro, gente, é difícil, tá? Esse nome tá de sacanagem comigo, tá? Vou chamar de Male agora, então perdoe minha ignorância e minha incapacidade de falar isso aí.
O mundo do pequeno Miha desabou. Um irmão morreu no cerco de Budapeste. O outro foi parar num campo de trabalho na Sibéria e no meio daquele horror todo, ele descobriu que quando jogava xadrez, todo o resto desaparecia.
A fome, o medo, a guerra. Só existia ele e o tabuleiro. Mi perseguiu isso o resto da sua vida, virou psicólogo, foi pra Universidade de Chicago, entrevistou milhares de artistas, atletas, médicos, operários.
E reparou uma coisa. Quando as pessoas descreviam seus melhores momentos na vida, todo mundo falava quase a mesma coisa. Diziam que era como ser carregado por uma corrente, um fluxo.
Inglês, flow. O Dr Me passou décadas estudando o Flow e o definiu como um estado mental em que você tá completamente imerso em uma atividade. Você se sente com foco total, energia, vontade e perde completamente a noção do tempo.
Ele descobriu que pro Flow existir, três condições são necessárias. Primeiro, um desafio no seu limite. Difícil o suficiente para te prender, mas fácil o suficiente para você não travar.
Segunda, um objetivo claro. Você sabe exatamente o que precisa fazer. E terceiro, feedback na hora.
A cada segundo você vê se tá indo bem ou mal. E quando você entra no flow, uma coisa estranha acontece. Você perde a autoconsciência, aquela voz interna que fica te vigiando, sabe?
Será que eu tô indo bem? Tá todo mundo olhando para mim? Ela simplesmente cala a boca e você só faz a atividade.
O livro Flow do Dr Miral foi uma das grandes bases para esse vídeo. E para ajudar vocês do seus estudos, eu peguei as ideias mais importantes e montei um resumo completo com mapa mental e tudo que é relevante nesse vídeo para você aplicar na sua vida e vai estar disponível na área de membros. São mais de 300 páginas resumidas e explicadas com tudo que você precisa saber de uma das obras mais importantes da psicologia moderna.
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Maravilha, primata desprovido de folículos capilares. Mas como que é possível calar essa vozinha que fica me vigiendo? A hipótese mais aceita na ciência atualmente é do cientista Arn Drch, a hipofrontalidade transitória.
Calma, calma que esse palavrão todo é fácil de entender. Basicamente a ideia do Dr Diatrich é que no flow seu córtex préfrontal, a parte racional do seu cérebro desacelera. Presta atenção que isso é importante.
Isso não quer dizer que o Mess tá todo relaxado, de plano geral, sem o córtex préfrontal dele. Na verdade, o cérebro dele tá numa rotação absurda. O que desliga no flow é a autoconsciência, o seu eu que assiste e critica o que você tá fazendo, que fica pensando o que que tá rolando ali fora.
Você para de pensar conscientemente nas suas ações e deixa seus hábitos, treinos tomarem conta para fazer o que você já sabe fazer. E se você vê o filme Sou da Pixer, nele o Joe, personagem principal penista, ele entra na zona e o mundo ao redor dele some. Isso é o flow.
Mas foi para entender como esse processo acontece no cérebro que o Dr Charles Limb botou pianistas de jazz para tocar um teclado de plástico dentro de uma ressonância magnética. Primeiro eles tocaram uma música decorada e depois improvisaram. E aqui vem a chave.
No momento em que começaram a criar, a improvisar, a ressonância mostrou que a área do automonitoramento, o córtex préfrontal dorso lateral se apagou. Seja o Messi cortando a zaga ou um músico criando algo, quando a arte flui, o vigia sai de cena. Agora, sabe o que é mais absurdo?
A ciência só deu o nome ao Flow faz 50 anos. A filosofia tinha entendido esse estado há mais de 2000 anos. E foi lá atrás que eles descobriram que o Flow esconde um grande paradoxo.
A mesma coisa que faz o Messi ser um gênio pode derrubá-lo num piscar de olhos. E você já sentiu isso na pele? Existe um jeito de fazer o Messi jogar mal.
E não é uma marcação dura, um esquema tático, carrinho, falta, talvez falta funcione, né? Mas o melhor jeito é fazer ele pensar em como joga. Eu sei que parece uma piada de mau gosto, mas esse é o paradoxo do Flow.
Imagina a cena, você tava indo bem em alguma coisa, certo? numa reunião de trabalho, numa apresentação da faculdade, no futebolzinho com os amigos, numa entrevista de emprego, tudo fluindo. Aí de repente um pensamento toma conta da sua mente.
Eu acho que eu tô indo bem hoje. Meu Deus, não posso vacilar, não posso perder sua oportunidade. Pera aí, será que eu tô indo bem mesmo?
As pessoas estão me olhando diferente. Que que tá acontecendo? Pronto, travou.
A palavra foge, a perna endurece, a mão treme. Mas por que que isso acontece? Como eu disse anteriormente, no flow a autoconsciência diminui.
É o que os japoneses chamam de mim. A não mente. A mente que não gruda no medo nem no resultado.
O pensamento consciente que sai e deixa o treino assumir o corpo. Os chineses chamavam algo parecido de Way, a ação sem esforço. O Messi não fura a defesa na marra.
Ele escorre pela zaga como água, achando fresta no meio das pedras. E é exatamente por isso que quando você vê ele em campo, ele parece frio e até meio entediado. É o retrato de um homem deixando o corpo fazer o que sabe.
Agora presta atenção no careca aqui. O eu que observa só consegue sair de cena porque o treino ocupou o lugar dele. Aquilo que parece mágica na TV, no campo de futebol é repetição que virou parte de quem ele é.
O Messi chuta uma bola desde criança. Milhões de toques até o pé saber o caminho sozinho. A genialidade nunca é ausência de esforço.
É tanto esforço por tanto tempo que parece fácil para quem tá de fora. Tá, mas se o negócio tá tão enraizado e treinado, como que isso para de funcionar? Um filósofo chamado Herbert Drfus explicou que quando você domina uma habilidade, ela fica transparente, ela some da sua consciência e vira parte do seu corpo.
Você não pensa em cada letra quando digita, não pensa em cada passo quando desce uma escada, você só faz. Agora tenta descer uma escada pensando conscientemente em cada pé, no seu joelho, no peso do seu corpo, em cada degrau, em cada musculatura contraindo a chance de você cair aumenta muito. De repente, desceu uma escada, vira um desafio.
Nos anos 80, o psicólogo Roy Balmister mostrou que a pressão aumenta a autoconsciência. E adivinha o que acontece depois que a autoconsciência volta pra jogada? Ela reintroduz o controle passo a passo numa habilidade que já era automática e isso desorganiza tudo.
Mas a Dr. Canock foi além. Ela botou jogadores para driblar num circuito de cones de dois jeitos, prestando atenção no próprio pé ou distraídos com outra tarefa.
Os jogadores experientes driblavam pior quando focavam no pé dominante, vamos supor que é o direito, por exemplo, e melhor quando estavam distraídos. Porém, com o pé que não era dominante, no nosso exemplo vai ser o pé esquerdo, isso invertia. Prestar atenção ajudava.
E olha que engraçado, com os amadores que ainda não tinham o controle automático do drible, focar também ajudava a driblar melhor. Isso para mim é uma maluquí, tá, gente? Pro pé que você não domina ou quando você é iniciante, focar, ter atenção naquilo, ajuda.
Agora, quando você domina uma habilidade, prestar atenção consciente nela, só atrapalha. E esse é o ponto. Não é pensar que te trava.
Um craque como Messi pensa o tempo todo em campo. Ele lêu o jogo, calcula, antecipa. O que trava é se vigiar, é ser o juiz do que o corpo já sabe fazer sozinho.
E todo mundo já sentiu isso na pele. Quem nunca travou numa apresentação de escola? Eu em várias, né?
F show de bandinha na adolescência, em prova na faculdade, em entrevista de emprego, até gravando vídeo aqui para vocês. É normal. Mas tem algo que a gente pode aprender com o grande Lionel Messi, é como sustentar o Flow mesmo nos momentos de maior pressão.
Eu nunca me esqueço do jogo do Messi que foi perto do meu aniversário, dia 23 de abril de 2017. Pesquisei para fazer o vídeo aqui, tá? Não é de cabeça não.
No Santiago Bernabu, o jogo tava absurdo, 2 a 2 e no último minuto o Messi recebe a bola e marca o gol da virada. Aí ele vai, tira a camisa e mostra o nome dele pro estádio todo emudecido. Isso é vencer o paradoxo, é dominar o seu eu que vigia.
Ele faz isso porque treinou tanto que o Flow persiste mesmo com o peso do mundo nas costas dele. Careca, tu me convenceu, irmão. Agora, como é que eu ativo essa parada de flow?
Você perguntou pra pessoa certa. Para isso, você precisa de um protocolo. O professor Edward Slingerland escreveu o livro Try Not to Try, tentando não tentar, falando exatamente como o esforço excessivo normalmente atrapalha.
Isso se aplica precisamente ao flow. Quanto mais você força ele, mais ele foge. É basicamente como você tentar se forçar a dormir.
Você não fala para si mesmo: "Vou dormir agora". E pronto, pega no sono quem dera, né? O que você faz é criar as condições.
Apaga a luz, deita na cama, se cobre, desliga o celular, fecha os olhos. Dormir é um estado fisiológico que acontece com você. Você só cria as condições para aumentar a probabilidade que ele ocorra.
O flow é idêntico, você não manda ele aparecer, mas você pode preparar o terreno de forma que aumente muito as chances dele acontecer. E é por isso que eu criei um protocolo de cinco passos para você viver mais tempo em estado de flow. O primeiro passo é uma tarefa no teu limite.
Escolha algo, um tiquinho acima da sua habilidade atual. Difícil bastante para te prender e fácil bastante para você não travar. Você sabe exatamente como isso funciona.
Esse é o princípio de qualquer jogo de videogame. A dificuldade sobe junto com você. Sempre um degrauzinho acima do que você já domina.
Fácil demais vai te entediar, você vai largar. Difícil demais vai te frustrar e você também vai largar. Aquela dificuldade, uns 5% acima do que você faz, tranquilo, é o ideal.
E é exatamente por isso que você entra no seu Candy Crush ali, de repente duas horas foram embora. Como a gente está seguindo aqui as indicações do grande Dr Meale, o segundo passo é você ter um objetivo claro e feedback rápido. Você precisa saber exatamente o que você tá tentando fazer e ver na hora se tá dando certo.
Sem um alvo, a sua mente vai dispersar. Sem um retorno imediato, ela não consegue se ajustar e aí você vai sair do estado. Flow pro Messi é muito fácil, né?
Porque o futebol já tem lá o gol é o objetivo. Ele tem o feedback imediato ali no campo. Como é que tá a partida?
Tá jogando bem? Tá fazendo gol? Tá para você estudar por 2 horas não é um objetivo claro.
Agora, terminar 10 exercícios e montar um resumo do capítulo 3 em 2 horas, esse é um objetivo claro que você vai conseguir colher feedback no meio do caminho. Terceiro passo, controle o seu ambiente. Telefone mudo, só coloca as abas necessárias na sua frente, só uma tela.
O flow vai levar alguns minutos para começar e ele é frágil. Uma única notificação pode fazer com que ele suma pro resto do dia. E como que eu faço?
Basicamente, eu separo o bloco de 30, 45 minutos. Uma única coisa para eu focar, por exemplo, escrever três partes do roteiro ou pesquisar um tema X, ler três artigos. Eu me fecho num cômodo, no escritório.
Absolutamente todas as notificações do meu celular estão desligadas nesse momento, o ambiente o mais isolado possível que eu consigo naquele momento. Esse é um momento de foco. Não dá para você ficar dividindo a sua atenção com 827 coisas diferentes.
É Rios, é TikTok, é sei lá o quê. E na experiência desse carequinho que vos fala, se você não for intencional com esse momento, ele simplesmente não vai acontecer. O cérebro nunca vai conseguir mergulhar profundo no que você tem que fazer.
E aí não tem como flow existir. Quarto passo, deixa rolar. Depois de preparar tudo, larga o controle consciente.
Confia em si mesmo, porque o jeito mais rápido de sair do flow, como a gente falou no vídeo inteiro, é você se preocupar se você tá ou não tá no flow. No segundo, em que você vira o juiz de si mesmo, o flow vai embora. E o quinto passo, faça algo que importa para você.
Escolhe sempre que possível uma tarefa que você faria pelo próprio ato em si, não só pela recompensa que você vai ter depois. Quando você faz algo valioso para si mesmo, o eu que cobra resultado sai de cena com muito mais facilidade. Esse é o gatilho mais profundo do Flow.
O Messi joga com a paixão do menino de Rosário. Ele ama o tal do futebol. Isso vem antes do que qualquer troféu ou manchete de jornal.
E eu sei que parece um trabalho gigantesco. Meu Deus, careca. O que que eu vou fazer com tudo isso?
Vai valer a pena? Vale cada segundo. Entrar em flow no trabalho vai te tornar muito mais produtivo.
É claro. Eu só consigo fazer o tanto de coisa que eu faço aqui por semana porque eu crio as condições pro flow acontecer e eu fico muitas horas trabalhando nele. Agora isso é só a ponta do iceberg.
É claro que terminar uma tarefa sem ver o tempo passar torna o trabalho prazeroso. Evidente. Agora tem uma coisa que você só descobre depois.
Quando você tá em flow, você cansa menos. Você termina o dia com energia sobrando ao invés de se arrastar o resto de você para fora do escritório. E esse foi o meu maior ganho.
Não foi poder trabalhar mais, foi ter energia para aproveitar mais a minha vida fora do flow e do trabalho. Deu para ver aqui no vídeo que para entrar nesse estado não é uma bênção divina, um toque genético para poucos escolhidos que nasceram numa terça-feira ensolarada na primavera. Cada vez que você monta essas condições, você aumenta a chance de entrar em flow.
E cada vez que você entra, é como se você tivesse treinando o seu cérebro e com o tempo flow passa a vir com muito mais facilidade. É como o hábito de de acordar cedo. No começo vai ser difícil para cara.
Você vai acordar desesperado com uma chiclinha de café, seu corpo vai estar totalmente perdido. Mas aí você vai começar a ter sono mais cedo e aí dormir mais cedo e acordar mais cedo. E com o tempo isso vai se tornar mais fácil, porque o seu corpo se regulou para essa nova realidade.
Com flow é a mesma coisa. E é exatamente nesse momento que essa história para de ser sobre jogar bola, render mais no trabalho e vira sobre algo maior. Há mais de 2000 anos, muito antes de existir a palavra flow, um grego fez a pergunta mais importante que existe.
O que é uma vida que vale a pena ser vivida? Talvez você conheça esse grego. Nome dele era Aristóteles.
E a resposta não foi prazer, dinheiro, fama, carros importados e seguidores no Instagram. PR Aristóteles, a vida boa é a atividade da alma vivendo a sua excelência. Não é ter um talento, é usar esse [música] talento.
Não adianta guardar a sua melhor versão numa gaveta, num potinho de vidro do eu poderia ser se eu quisesse. A vida acontece quando você coloca ela em movimento e ele tinha um nome para isso. Energia, a atividade que já vale por si mesma.
É exatamente como dançar. Você não dança para chegar em algum lugar. Se o ponto fosse chegar, você corria.
Você não dança pra música acabar. Se esse fosse o objetivo, era só desligar o bendido rádio. O objetivo da dança é dançar.
O prêmio está dentro do ato. Só que a maior parte da vida a gente não vive assim. A gente estuda para passar de ano, trabalha pelo salário, corre atrás do próximo lugar, da próxima conquista, sempre chegando, nunca estando.
O flow é o contrário disso, é o raro momento em que o fazer já é o prêmio. O Dr Miral deu o nome a isso de autotélico, uma atividade que é o seu próprio fim. E é exatamente a mesma coisa que Aristóteles chamou de Energeia.
O flow é um sabor daquilo que os filósofos perseguiram por toda a história. A vida boa. O Messi mostrando sua camisa para um estádio inteiro.
Naquele instante ele não tava jogando bem, ele estava por inteiro. Ele estava sendo exatamente aquilo que ele mais queria ser. O Flow não vai te transformar num gênio, numa máquina de produtividade, mas ele te dá algo ainda maior do que isso.
Te dá de vez em quando a experiência de ser inteiro naquilo que você faz. Porque a vida boa não é sobre fugir do esforço, é sobre achar o esforço que você ama tanto que ele deixa de pesar. A dura verdade é que você nunca vai ser o Lionel Messi.
Só existe um dele na história da humanidade, mas existe só um de você também. E a tua vida boa não tá em ser o Messi, tá em achar a tua bola, o teu piano, a tua página em branco, aquilo que você ama o suficiente para se perder dentro. E é exatamente nesses raros momentos em que você perde totalmente a noção do tempo, em que o mundo some e só existe o agora, que enfim você para de assistir a sua vida e começa a viver.