Você que está me ouvindo agora tem uma chance de 20% de ser obeso se você está morando no Brasil. Essas são as estatísticas oficiais do nosso país. Se a gente extrapolar para o mundo, a gente tem dados que mostram que um oitavo da população mundial tem obesidade.
Mas pode ser que esses dados mudem, porque cientistas renomados de todo o mundo se reuniram ao longo desses últimos anos para rever os critérios de obesidade, uma condição que tem causado severos danos à saúde de bilhões de pessoas. A gente pode dizer que quase 1 bilhão de pessoas sofre de obesidade. Diante das repercussões tão negativas que a obesidade vem trazendo ao longo dos últimos anos na população, é necessário aprofundar o debate sobre essas complicações e repensar a obesidade, que agora está sendo vista como realmente uma doença.
Para debater esse assunto aqui, eu estou com uma das nossas convidadas ilustres do time Trianon. Então, sejam todos muito bem-vindos a mais um episódio do Trianon Cast, o podcast que tem o ser humano como especialidade. Bem-vinda mais uma vez, Dr.
Raísa, endocrinologista da Clínica Trianon, que estará conosco aqui para debater esse tema tão relevante, que ganhou as pautas dos jornais e das revistas nesses últimos dias. Né, Raí? Sim, Daniel.
Então, olá, pessoal! Mais uma vez aqui participando do podcast da Trianon. Já posso pedir música de repetição, porque as participações têm sido frequentes.
Mas legal, né? Isso mostra que temas de endocrinologia geram muito interesse, né? E a obesidade nem se fala!
Quando a gente coloca no papel, em termos de números, assusta, né? A prevalência dessa doença crônica na população é de quase 1 bilhão de pessoas no mundo afetadas. Então, já era tempo, né?
E agora, mais do que nunca, é urgente a gente falar sobre obesidade e sobre a representatividade que essa doença tem na nossa prática clínica. Eu acho que hoje, o carro-chefe da endocrinologia é, com essa nova definição, essa visão de doença e essa visão de necessidade de tratamento e atenção. Eu acho que vai chegar a outros colegas, de outras especialidades e outros profissionais de saúde, melhorando o acolhimento do paciente portador de obesidade.
Pois é, né? E a gente está passando por uma fase de explosão de medicamentos para tratar a obesidade, medicamentos revolucionários, não apenas no quesito obesidade, mas também como saúde, de uma forma mais ampliada. Então, esses critérios vêm, como você falou, em uma área crucial dentro desse tema da obesidade.
Eu já andei lendo, né, Raí, sobre esses critérios, sobre as repercussões positivas e algumas repercussões negativas, como tudo na vida. Sempre tem as críticas negativas, e eu queria ouvir de você, na sua opinião como especialista: você acha que esses critérios vêm mais para ajudar? Eu acho que sim, por alguns motivos.
Para eu explicar, de repente, o principal motivo, vou só contextualizar um pouco para o pessoal entender como a obesidade é definida clinicamente. Esse conceito é passado para a população, e esse conceito que a gente vai tentar modificar um pouco aqui durante a nossa conversa. Mas a primeira coisa é que a obesidade, como enxergada como doença, é uma novidade na medicina.
A Organização Mundial da Saúde, por exemplo, reconheceu a obesidade como doença há pouquíssimo tempo. Então, eu acho que daí advém uma dificuldade que a gente vem enfrentando ao longo dos anos: a sociedade, mas até a população de outros profissionais de saúde e outras especialidades também, enxergar a obesidade como doença. Isso é uma luta que a gente vem travando há alguns anos, e, junto com isso, de repente, essa dificuldade de enxergar a obesidade como doença vem o estigma que essa doença carrega.
Talvez, dentro da medicina, seja uma das doenças mais estigmatizantes, e ainda sim a presença desse estigma e a dificuldade de enxergar a obesidade como doença, acho que atrapalham o tratamento, porque o paciente se vê numa situação de total responsabilidade por aquela situação, pelo aumento de peso, enfim, as consequências que vão advir desse aumento de peso que depois a gente vai até discutir dentro dos novos critérios. E acaba não procurando a saúde, por não procurar um profissional de saúde qualificado para fazer o tratamento. Por isso, por vergonha, por sentir que o problema é com ele e não que isso é consequência realmente de uma doença.
Infelizmente, eu acho que os conceitos que a gente tinha até então reforçam um pouco desse estigma e essa dificuldade de enxergar a obesidade como doença. Então, só para a gente resumir: até então, o que a gente tinha como definição de obesidade? Era uma definição muito antropométrica, né?
O IMC tal é igual a obesidade. Então, realmente, aqui no Brasil, IMC maior ou igual a 25 é sobrepeso, e IMC maior ou igual a 30 é obesidade. Só para o pessoal saber, o que é IMC?
É a relação do peso com a altura. A gente tem essa medida, e a gente classifica os pacientes, inclusive, em relação à gravidade da obesidade através desse critério de IMC. Basicamente, a gente escolhia para o tratamento aqueles pacientes que tinham sobrepeso com comorbidade; tinha que ser essa a obrigação: o paciente ter sobrepeso e uma comorbidade associada à obesidade para receber tratamento.
E o paciente com IMC maior ou igual a 30, teoricamente, poderia receber esse tratamento sem questionamento, digamos assim. Mas a gente sabe que essa definição puramente antropométrica da obesidade tem. .
. Uma muitas limitações, né? Uma das limitações que a gente até estava conversando antes aqui é que muitos pacientes eram superdiagnosticados, né?
E outros que deveriam receber tratamento, porque eram taxados como sobrepeso, não recebiam tratamento. Então, dois exemplos aqui bem práticos, né? De pacientes que, de repente, não receberiam tratamento, é que não, né?
Que ou seriam classificados como obesos, portadores de obesidade, e não são, e outros que deveriam tratar e não são tratados. Então, vamos a um exemplo extremo, né? O lutador de boxe que tem um IMC de 35, às vezes, né?
Mas que, quando a gente vai avaliar a composição corporal desse indivíduo, né? Ele tem uma porcentagem de gordura muito baixa. Então, a gente sabe que esse paciente não é portador de obesidade, né?
A obesidade, ela tem que ter, na sua essência, e é isso que o conceito traz, a ação de excesso de adiposidade, de tecido adiposo, seja ele disfuncional ou não, mas excesso de tecido adiposo, né? Então, esse paciente não é um paciente portador de obesidade, apesar de ter um IMC maior ou igual a 30, né? E, ao mesmo tempo que a gente via muito na prática, a gente vê muito esse perfil de paciente que é o famoso falso magro, que tinha o IMC menor ou igual a 30, né?
Mas é um paciente extremamente comórbido, um paciente que tem, às vezes, diabetes tipo 2, que tem gordura no fígado. A gente faz um método de avaliação de composição corporal e vê que ele tem excesso de gordura corporal, né? E, para ter essas doenças associadas, provavelmente, esse excesso de gordura corporal é danoso, né?
Porque está associado diretamente à gênese dessas outras doenças. E esse era um paciente que, às vezes, é aquele paciente que não recebia o tratamento antiobesidade, que a gente sabe hoje que, como o Daniel falou, vai tratar o excesso de AD depositada e vai garantir mais tempo de vida para esses pacientes, né? A gente tem estudos recentes mostrando que as medicações antiobesidade diminuem o risco cardiovascular, ou seja, diminuem morte por infarto ou AVC, né?
Que hoje ainda são as principais causas de morte no mundo. Uhum, sim. Então, agora vai ser um pouco mais complexo o diagnóstico, né?
Porque vai deixar de se basear em apenas um parâmetro, como o IMC, como você falou. Tanto que tinha muita gente que fazia autodiagnóstico, né? Porque era muito simples, né?
Você pegava a calculadora, calculava ali, né? O peso dividido pela altura ao quadrado, né? Viu o seu IMC: "Ah, meu Deus, estou obeso, né?
Já estou obeso, tive tipo nível dois, né? Já estou com obesidade mórbida. " E agora eu acho que isso talvez aproxime mais as pessoas também de um profissional, né?
Especializado. Assim, essas pessoas conseguem, então, uma assistência mais completa e mais efetiva. Sim.
E uma outra limitação do IMC, além do estigma, né? Além desses exemplos extremos, mas realmente acontece isso na prática. As pessoas que têm IMC acima de 30 se perguntavam: “sou eu?
Eu não sou? ” E, às vezes, não eram, né? Como, por exemplo, esse atleta.
O IMC é uma medida muito pontual, né? Então, você não vê o que está por trás daquele IMC. Então, a gente não vê realmente, através do IMC, informações como massa magra, massa de gordura realmente, né?
Distribuição de gordura corporal. Então, o IMC é uma medida muito limitada, né? E a gente não tinha, até então, uma definição, né?
Acho que, na verdade, as definições foram caminhando até essa, né? Foram melhorando até que veio essa. A gente tem algumas propostas de redefinição de obesidade, aí mais antigas, mas eu acho que agora a gente tem um extrapolamento, né?
Dessa visão. A gente quer, além do número, ver a qualidade, né? A gente quer ver tudo.
A gente quer ver a recomposição corporal, como é que é dividida a composição corporal do paciente, o que eu tenho que focar no tratamento. Então, acho que ajuda. E você falou que era mais complexo, mas eu acho que, ao mesmo tempo, é mais democrático, porque, ah, a gente vai falar sobre os critérios em si, mas a gente vai precisar de uma medida objetiva para caracterizar esse excesso de adiposidade.
E pode ser uma simples circunferência abdominal, que todo endocrinologista faz na consulta, todas as consultas, e que é uma coisa relativamente fácil que qualquer médico de qualquer especialidade, o médico lá da UBS, né? Da atenção primária, pode fazer nos seus pacientes, né? Então, eu acho que também traz um pouco disso, acho que ajuda nesse sentido, né?
Sim. Eu vi até algumas críticas que comentavam que agora talvez ficasse um pouco mais custoso fazer o diagnóstico, porque talvez levasse à realização de exames mais caros, né? Exames mais complexos, como o DEXA, por exemplo, né?
Que o indivíduo faz meio que uma espécie de tomografia ali para ver a quantidade de gordura que tem no corpo. Mas eu acho que foi muito bom você tocar nesse assunto, né? Que não necessariamente vai ficar difícil fazer o diagnóstico, né?
Uhum. Na verdade, eu acho que você pode, obviamente, lançar mão dessas ferramentas, né? Mas você pode também lançar mão de medidas clínicas.
A verdade é que, acho que o que o statement traz, o que esse consenso traz, é exatamente isso: você olhar para o seu paciente de uma maneira mais cuidadosa, tanto na anamnese como no exame físico. Porque ele fala muito de critérios, né? De anamnese, de você conversar com os pacientes, né?
E, na anamnese, você tentar já observar quais são as condições associadas à obesidade para que, inclusive, os seus exames complementares sejam direcionados. Então, assim, eu acho que o statement é muito sobre isso também, sobre ensinar você a racionalizar. Os recursos, né?
Inclusive, acho que essa é uma das grandes objetivos do tratamento. Do posicionamento, você não deixar passar pacientes que têm que ser tratados, né? E que devem receber o tratamento, inclusive, de operadores de saúde do governo e tudo mais.
Mas que são pacientes que você tem que olhar com mais carinho, porque com certeza merecem tratamento em curto prazo, urgente, né? Enquanto outros, você, teoricamente, vai tratar também, mas você pode ter um pouco mais de tempo, inclusive para desenvolver outras estratégias, né? Sejam elas comportamentais ou não, tratamento de outras, enfim, condições associadas para diminuir, né, a progressão da obesidade, né?
A obesidade clínica, como a gente vai ver, e a gente só para já tocar no assunto, só pra gente pro pessoal entender, né, como que vai ser classificada a obesidade agora, enfim, esse é um dos pontos que esse posicionamento traz. Muito é que essa dificuldade de ver a obesidade como doença atrapalhava o tratamento. Eu concordo 100%.
E uma dessas dificuldades é que os médicos, de maneira geral, têm dificuldade de enxergar a obesidade como doença, mas já a enxergam como fator de risco, né? Não como doença em si. E como doença, né, na sua definição, precisa ter sinais e sintomas, né?
É isso que o Statement traz. Finalmente, sinais e sintomas de obesidade, né, para caracterizar obesidade clínica; uma obesidade que já está estabelecida e já traz repercussões importantes que precisam de manejo imediato. Então, esse vai ser o conceito de obesidade clínica.
A obesidade que a gente vai ver como diagnosticar com doenças que estejam associadas diretamente com consequências que estejam associadas diretamente à obesidade. Independente de comorbidades que possam estar relacionadas à obesidade. Então, por exemplo, diabetes é uma doença, uma comorbidade que pode estar relacionada à obesidade, né?
Existe uma interconexão direta, mas ela não é consequência direta da obesidade. Isso que esse Statement traz, hipertensão arterial sistêmica, né? É uma doença que a gente sabe que tem aumento de prevalência nos pacientes portadores de obesidade, mas que não é uma doença causada diretamente pela obesidade, né?
Então, a obesidade, ela acontece com consequências além das comorbidades que podem, né, aumentar o risco de acontecer. Então, acho que isso é o famoso sinais e sintomas mesmo que definem a doença, né? Então, é uma questão de você ter excesso de gordura apenas, mas que já é algo ali, preocupante, né?
E você ter excesso de gordura e consequências nos órgãos do seu corpo por causa desse excesso de gordura, né? Exatamente. E a gente sabe que essas consequências acontecem da cabeça aos pés, literalmente, né?
Então, acontecem, né? Por exemplo, né, aumento de pressão intracraniana, que eles colocaram como uma questão, e distúrbios metabólicos. Então, a hiperglicemia, com alterações do colesterol, né?
O aumento da glicose, com aumento do colesterol, problemas articulares. Uma coisa que ele traz muito importante, que a gente também negligencia, é o comprometimento de qualidade de vida e funcionalidade do paciente, né? Que é algo que até então a gente falava, falava, mas a gente focava muito nas comorbidades relacionadas, né?
O diabetes lá, lá, e não olhava para isso, uhum, né? Que eu acho que é o que é mais estigmatizante da obesidade, sim, comprometimento funcional do paciente, né? Ele não conseguir exercer as suas atividades laborais, atividades do dia a dia, atividades de lazer, por causa da obesidade.
Então, isso é consequência direta da obesidade, e isso deve ser encarado como um fator que, junto com a adiposidade, classifica a obesidade como clínica, uhum, como esse paciente que precisa urgente de tratamento, né? Sim, eu tô até aqui na tela, Raísa, com esses 18 sinais e sintomas de obesidade clínica em adultos, né? Até porque em crianças, que são menos, acho que são 13, 16, 16 são 16, não me engano.
Mas então, eu vou, eu acho que quem tá nos assistindo tá curioso para saber quais são esses sinais e sintomas a partir dos quais a luz vermelha se acende, né? Opa, problema grave aqui, precisamos tratar para impedir consequências maiores. E aí, ao longo da minha leitura, eu acho que algumas pessoas, né, vão até meio que pensar: "Caramba, isso também", né?
Porque tem algumas coisas que não são tão intuitivas, né? Tem coisas que a pessoa ali, né, com obesidade, né, ela nunca imagina que aquilo ali vai ser um critério de gravidade, mesmo. Ela nunca associa, né?
Uhum. Eh, então, por exemplo, um dos sinais de obesidade clínica, que é essa obesidade luz vermelha, vamos dizer assim, nos adultos, é a apneia do sono, né? Ou seja, é uma alteração no sono, sendo determinante para se se determinar ali, então, né, a necessidade de um tratamento.
Claro que não isoladamente, né? Mas é um dos sinais aí, né? O sono precisa ser investigado.
Qual que é o padrão de sono naquele indivíduo? Uhum, exatamente. E até fazer agora, falando um pouquinho da obesidade pré-clínica, porque eu acho que assim, uma coisa que a gente tem que tomar muito cuidado, que acontece muito, por assim dizer, por influência de redes sociais e afins, né, é as pessoas dicotomizarem muito a situação.
Então, assim, cuidado com isso, porque essa definição, ela traz, né, essa possibilidade da gente dividir os pacientes em obesidade pré-clínica e obesidade clínica, né? Gente, obesidade é um espectro, né? E não necessariamente o paciente com obesidade pré-clínica, que é, né, pelo Statement, né, pelo posicionamento, um paciente que não tem essas consequências diretas da obesidade ainda determinadas, não é que ele não vai precisar de tratamento.
Ele também vai precisar de tratamento, até porque a gente vai querer, né, prevenir as complicações da obesidade, né? E muitas vezes esses pacientes têm doenças associadas. A obesidade que depende do tratamento da obesidade, acho que o caso mais emblemático é o diabetes tipo dois.
Diabetes tipo dois e obesidade caminham quase juntas, né? Sem uma ser razão direta da outra, mas uma contribuindo diretamente para o controle da outra. Então, tratar ambas, né, concomitantemente, é fundamental para a gente ter um bom resultado nas duas esferas, né, digamos assim.
E então isso é muito importante. Não é que o paciente com obesidade pré-clínica vai deixar de ser tratado; pelo contrário, esse paciente vai ser tratado, sim. Mas o que a gente está falando aqui, até em termos de saúde pública, é você priorizar, teoricamente, quem precisa de tratamento urgente.
Quem é aquele paciente que tem obesidade e eu não posso mais fechar os olhos para essa necessidade iminente de tratamento? Então, isso é muito importante. Até porque eu falo em termos de saúde pública, porque talvez políticas públicas sejam desenvolvidas para pelo menos priorizar esse paciente.
Hoje, a gente não tem quase nada de política pública para obesidade. Então, acho que a intenção é também essa: facilitar ao gestor de saúde a fazer políticas públicas que vão, finalmente, olhar para essa população com um pouquinho mais de carinho, com um pouquinho mais de empatia e, de repente, começar a definir por quem que eu vou começar o tratamento, que aí, nesse caso, seria para pessoas que necessitam mais urgentemente desse tratamento. Acho que tem esse lado do posicionamento, até para critérios em termos de saúde pública.
Raísa, para a realização de cirurgia bariátrica, o IMC era um dos critérios; ainda é, na verdade. E aí, tinha gente que ganhava peso propositalmente para ultrapassar determinado IMC, para que, então, fosse enquadrado ali nos requisitos dos programas de saúde pública e realmente se beneficiasse de uma cirurgia bariátrica. É, isso mesmo.
E até para começar o tratamento medicamentoso também acontece isso: a pessoa acaba recebendo determinados medicamentos. E para a gente ver assim como as coisas estavam meio distorcidas. Então, assim, acho que tirar esse critério do IMC tira esse peso, o tamanho das pessoas, de finalmente receberem um tratamento.
A gente vê isso muito com operadora de saúde, não necessariamente no Brasil, mas nos Estados Unidos, por exemplo. Tem um grande conflito com as operadoras de saúde em relação a isso, mas é até para ajudar nesse sentido essas pessoas, finalmente, receberem o tratamento que elas precisam, né? O tratamento, na verdade, não ser negado.
Porque isso que aconteceu: o tratamento não era negado por uma questão numérica. E falando um pouquinho dos critérios em si de obesidade, o que eles trazem, né, é que hoje o IMC. .
. esquece o IMC. Pode ajudar a gente; podemos até usar como medida de rastreio populacional.
Acho que o IMC tem essa validade. Então, para uma grande população, a gente tem o critério do IMC, é interessante, né? Mas quando você individualiza o tratamento, realmente a gente viu quais são as limitações.
Então, assim, qual que é a proposta hoje de classificação e diagnóstico de obesidade? Então, a gente tem que constatar excesso de adiposidade, independente do IMC. Excesso de adiposidade: como é que a gente vai fazer isso?
A gente pode fazer isso através de métodos complementares. E aí, a gente pode usar bioimpedância, a gente pode usar a densitometria de corpo inteiro, a gente pode usar o IMC mais uma medida antropométrica, que pode ser, por exemplo, a medida da circunferência abdominal, que a gente faz no consultório com a fita métrica, que não exige nada a mais para você fazer. Ou então, duas medidas antropométricas, e não precisar do IMC.
Então, assim, eu acho que nesse quesito até facilitou. A gente não precisa pedir densitometria para todo mundo, a gente não precisa pedir. .
. A preocupação de gastar mais. .
. não precisa, né? E o fato, às vezes, do paciente ter outras comorbidades ajuda até a gente também a diagnosticar, a gente dá importância, digamos assim, para aquele excesso de adiposidade.
Então, é isso. Acho que isso é importante. E uma outra coisa que chama atenção, cai, né, finalmente, o conceito de sobrepeso, que já é uma tendência que vinha de algumas classificações anteriores, propostas, algumas classificações novas que ainda não tinham ganhado tanta popularidade, digamos assim.
Mas que é um conceito que eu acho super válido, tipo assim. Porque a gente ficava até com receio, às vezes, de prescrever para paciente que tem sobrepeso, que a gente via que tinha benefícios do tratamento, mas a gente acabava ali com receio de prescrever, né, porque tinha aquela coisa da aceitação do paciente, o estigma e tudo mais. E hoje a gente sabe que, né, poxa, o IMC nessa história, né, não vai realmente me influenciar tanto na minha decisão.
Se o paciente tiver indicação, mesmo que não preencha esse critério, ele vai ser tratado. Dos 18 sinais e sintomas, já foi determinado quantos precisam ser atendidos. Não basta você ter um deles, já foi determinado quantos.
Não foi definido até se você for pensar nos métodos mesmo de diagnóstico, nos suplementos desse artigo. Ele fala de alguns pontos de corte, mas no artigo original mesmo, eles não falam de ponto de corte da densitometria, não falam de ponto de corte da bioimpedância, né? A gente sabe da cintura abdominal pelas classificações de obesidade.
Síndrome metabólica antes, mas essa é uma das críticas, né? Uma das críticas que as pessoas comentam aí no mundo é que eles dividiram tantos pontos de corte. Mas, teoricamente, basta uma dessas manifestações para você já considerar obesidade clínica, né?
Quanto mais gravidade, né? Mas basta uma. A questão do prejuízo de funcionalidade, acho que o próximo passo então será se o indivíduo tiver excesso de adiposidade e três dos 18 sinais e sintomas, ele já está ali apto a receber tratamento X.
Se ele tiver cinco dos 18, ele já está em um nível de receber tratamento Y, né? E aí, uma coisa que ele coloca também é que o IMC maior ou igual a 40, teoricamente, ou seja, os pacientes que têm obesidade grave. Aí, o IMC entrou para realmente reforçar a gravidade de alguns casos, né?
E realmente determinar que esses casos recebam tratamento, que são os pacientes com IMC maior ou igual a 40, né? Que hoje, inclusive, é o critério, por exemplo, de cirurgia bariátrica. Esses pacientes não precisariam ter comorbidades para receberem um tratamento cirúrgico, né?
Uhum, e independe. E também, assim, não precisariam necessariamente receber tratamento clínico antes para receber o tratamento cirúrgico, né? Para serem contemplados com tratamentos cirúrgicos.
Só estou falando isso porque no SUS existe essa obrigatoriedade de você ter algum tempo de tratamento clínico, dois anos, para o paciente ser contemplado com a possibilidade de fazer cirurgia bariátrica. No SUS, só são encaminhados direto para cirurgia os pacientes que têm IMC igual a 50. Só que aí, às vezes, um indivíduo com IMC de 37 tinha tanta gravidade quanto o indivíduo com IMC de 50, né?
Exatamente. O IMC de 40 poderia ser até mais comórbido, né? Em termos de consequências da obesidade ou doenças correlatas, né?
Então, é muito dicotômico, né? Eu acho que essa classificação vem também para a gente ter esse olhar mais individualizado, né? Pro tratamento dos pacientes com obesidade.
Eu acho que ajuda até em outros contextos também. Eu acho que nós, endocrinologistas, já praticávamos um pouco esse conceito no consultório, independente da definição, né? Nutricionistas também.
Eu acho que a gente já vem lutando por esse reconhecimento da obesidade como doença há muito tempo, né? Eh, mas eu acho que isso ajuda outros profissionais de saúde. Porque é isso: acho que você identificar o paciente que tem mais gravidade trata de tratamento, inclusive lá na atenção primária, né?
Aquele médico que está lá, que hoje a gente sabe como a obesidade é prevalente no país e a maior parte desses pacientes está no SUS, sendo vistos por médicos de atenção primária. Então, acho que é importante até para ele identificar os pacientes que precisam de mais atenção, e esses pacientes ele vai priorizar, por exemplo, para serem atendidos na atenção secundária, né? E assim por diante, né?
Então, esse objetivo mais abrangente, né? De saúde pública, eu acho que foi uma coisa que eles se debruçaram bastante assim, durante o texto. E aí, eu acho que ainda tem gente curiosa para saber quais são esses 18 sinais e sintomas.
Tá quase uma estratégia de segurar a audiência aqui, você vai liberando aos poucos alguns, né? Mas eu vou ler agora na sequência os 18 sinais e sintomas, tá? Então, ó: dores de cabeça recorrentes e perda de visão, que aí entra naquela questão da hipertensão intracraniana; apneia do sono, que é quando você deita e dorme e tem interrupções no sono por causa do excesso de gordura, que atrapalha o fluxo de ar e aumenta a resistência da via aérea, né?
Exato. Falta de ar, que aí também seria outro, falta de ar enquanto você está acordada mesmo, né? Que é um sinal que talvez o excesso de gordura atrapalhe a expansão dos pulmões por causa do músculo diafragma, que fica ali com mais dificuldade para expandir os pulmões.
Insuficiência cardíaca de fração reduzida, né? Quando o coração não se contrai direito para bombear o sangue, de uma forma bem simplificada aqui. Fadiga e inchaço nas pernas; essa é uma queixa muito comum, né?
Eh, raiz. Palpitações e ritmo cardíaco irregular, né? Palpitações e arritmias, por assim dizer.
Palpitação, pessoal, quando a gente sente o coração bater forte, né? Normalmente, a gente não sente o nosso coração bater; esse é o normal, né? Sentir o coração bater é algo extremamente desconfortável.
Uhum, eh. Sete: hipertensão pulmonar, que é quando a pressão da artéria pulmonar eleva acima do normal. Eh, oito: trombose venosa, que é aquela condição em que surgem coágulos dentro das veias, geralmente nas pernas.
Eh, e hipertensão, que é a pressão arterial alta, né? Dez: alterações metabólicas, né? Que aí, no caso, entram as taxas, né?
Raiz, colesterol, triglicerídeos, etc. Uhum, eh. Onze: aumento especificamente do colesterol LDL ou dos triglicerídeos, ou ainda os níveis de glicose, por exemplo.
Doze: doença hepática gordurosa, né? Também chamada de esteatose hepática. Muita gente, às vezes, faz uma ultrassonografia e tem uma capa de gordura no fígado, né?
O médico explica assim. Eh, treze: excesso de proteína albumina na urina, né? Que a gente chama, tecnicamente, de albuminúria.
Né, Raísa, que é algo que, às vezes, alguns exames de sangue, alguns exames de urina, na verdade, são capazes de acusar. Quatorze: vejam só, escapes de urina. Então, é mais um daqueles que eu comentei agora há pouco, né?
Que às vezes a pessoa não dá nem conta de que aquilo ali poderia ser um indicador de gravidade. Obesidade, menstruação irregular, que no caso aí é menstruação irregular, falta de ovulação e síndrome dos ovários policísticos, né? São sinais ali de problemas reprodutivos nas mulheres.
Deficiência de testosterona nos homens e baixa produção de espermatozoides é algo também muito esquecido, né? Dentro desse contexto da obesidade, faço até um adendo. Muitas pessoas às vezes se queixam de libido reduzida e, quando a gente vai investigar, a obesidade é um dos fatores também, né?
Dores nos joelhos e ou na bacia, né? No quadril, né? Um sinal ali de que talvez as articulações estejam sofrendo já.
Linfedema, que é algo inclusive que veio mais à tona nos últimos meses, né? Nas mídias sociais, principalmente, porque seria uma outra coisa que mexe com a forma física, principalmente de mulheres. Só lembrando que linfedema é diferente de lipedema.
Acredito que ele esteja falando mais de linfedema, mas a gente sabe que linfedema e lipedema são muito comumente associados. A verdade é que o lipedema também pode estar dentro do espectro da obesidade, mas são duas coisas diferentes. Inclusive, uma característica do lipedema é ele ser refratário ao tratamento da perda de peso, né?
Porque o lipedema envolve, na maioria das vezes, uma proliferação anormal de tecido adiposo. Isso, na verdade, está na definição de lipedema; a gente não consegue controlar muito bem com tratamento para perda de peso. Sim, então só para diferenciar esses dois termos, para não causar confusão: linfedema é mais uma coisa de uma dificuldade de drenagem dos membros inferiores, né?
Favorecendo, por exemplo, o inchaço, que também está na definição, né? Sim, então só para não confundir. E tem um critério extra aqui, esse aqui você já comentou, que são as limitações em atividades básicas do dia a dia, né?
Aí no caso, se a falta de mobilidade dificulta tarefas básicas como tomar banho, se vestir, né? Caminhadas breves, ali, enfim, exatamente. Então, uma crítica é que eles não consideraram problemas de saúde mental, né?
Falando nisso, já aproveitando aqui o contexto, não comentar isso eu acho que é uma crítica. Sim, sim. É porque muitas vezes a gente vê indivíduos, né, que sofrem com obesidade já cronicamente e aquele sofrimento acaba levando, por exemplo, ao desenvolvimento de uma depressão.
Isso é muito mais comum do que se imagina. Muito comum, muito comum. E não deixa de ser um comprometimento orgânico também, né?
Como se você estivesse tendo uma repercussão a nível de sistema nervoso central. Exatamente. E não foi contemplado nessa lista.
É uma das coisas que a gente mais vê no consultório. Talvez dessas doenças todas, essa seja uma das mais prevalentes. Sim, sim, né?
Dessas consequências todas, né? Seja, vou falar doença porque a intenção é ela, né? São consequências relacionadas diretamente à obesidade.
Não teoricamente doenças correlatas em si, que é diferente de diabetes, por exemplo. Mas, enfim, alterações de saúde mental, vamos colocar assim, numa maneira bem genérica, ficaram faltando aí nessa definição. Eu achei, mas é aquilo que a gente conversou agora há pouco, né?
O fato de não estar na lista não significa que profissionais especializados, experientes, não vão olhar também para outras coisas, né? Não vão valorizar também uma depressão, por exemplo, um transtorno de imagem, né? Um transtorno de compulsão alimentar, né?
Sim, então é uma das minhas ponderações aí. E acho que dessa definição, às vezes, assim, isso nem acho que para quem está ouvindo não interessa tanto, mas até para outros profissionais fica um pouco na dúvida. Até onde esses critérios extrapolam, né?
Outras doenças, né? Porque parece que são outras doenças. A gente tem uma definição de síndrome da apneia do sono.
A gente tem hipertensão intracraniana idiopática, né? Que, teoricamente, o que ele descreveu aí são sintomas dessas doenças. Sim, sim, sinais e sintomas dessas doenças.
Aí a gente ficou um pouco. A gente ficou um pouco com. .
. Pode parecer um pouco confuso, né? Mas a intenção foi ressaltar que essas consequências podem acontecer, de repente, sem necessariamente a gente ter critérios muito bem definidos para outras doenças, mas que essas alterações, elas já podem acontecer, de repente, até surgirem outras doenças, né?
Acho que foi mais nisso. Eu acho que é importante ressaltar também aqui, Raísa, que nem todas essas condições são necessariamente consequências da obesidade. Algumas das condições aqui listadas podem surgir mesmo fora de um contexto da obesidade, mesmo em alguém obeso.
Então, por exemplo, o indivíduo pode estar obeso e ter escapes de urina e não necessariamente os escapes de urina estarem relacionados à obesidade. Então, é muito importante, né, que quem estiver assistindo e ouvindo tome cuidado com a interpretação dessa lista. Na psiquiatria, a gente vê muita gente pegando os critérios diagnósticos e meio que interpretando aquilo ali como bem-career, né?
Fazendo autodiagnóstico, né? Às vezes até sofrendo para antecipação porque se encaixou em vários diagnósticos. Mas isso aqui é um guia essencialmente para profissionais e não para leigos, né?
Muito embora, né, ter o conhecimento desses fatores aqui, né, após ler essa lista, pode ser interessante para gerar insights e a iniciativa de buscar um profissional. É muito importante que vocês tomem cuidado com as interpretações que vocês, como leigos, fazem, né? Porque tem muitos fatores aqui nessa lista que precisam de uma interpretação mais abrangente e precisam estar encaixados dentro de um contexto mais ampliado.
Precisa se fazer uma linha do tempo para saber como surgiu, quando surgiu, como que. . .
A obesidade estava dentro desse contexto. Enfim, exatamente, temos que ter muito cuidado. Assim, usando um exemplo, né?
Para as pessoas entenderem isso: né, dores articulares. A pessoa pode ter uma artrite reumatoide, exato. Então, assim, é uma doença diferente da obesidade, né?
A artrite vai acontecer independentemente da obesidade, embora a obesidade possa estar relacionada com a piora das manifestações, né? E tudo mais. Mas a artrite reumatoide é uma doença, né?
Então, assim, eu acho que até o olhar do profissional é isso: você tentar, na consulta, né, através de uma anamnese e de um bom exame físico, que é isso que a diretriz traz, esse posicionamento, traz você realmente a descartar essas outras situações e, inclusive, direcionar os seus exames complementares para isso. Então, é também uma questão de individualização, né, gente? A gente precisa examinar nossos pacientes.
[Música] Tudo isso, imagina, a gente tem que avaliar, tentar avaliar o máximo disso. Assim, tudo isso talvez seja até impossível numa única consulta, mas assim, a gente tem que tentar abarcar na nossa avaliação todos esses fatores, inclusive excluir outras doenças. Não é fundamental que haja aqui também um alerta para os profissionais, né?
Porque é isso: se você pegar esse fator que você mencionou das dores articulares, e aí o indivíduo chega lá no consultório do médico, né, obeso, com uma obesidade já clínica, uma obesidade com repercussões ali variadas no organismo dele como um todo, e aí o profissional vai lá e vê: "Ah, você está com dores articulares! Está vendo? Você já está com uma alteração relacionada à sua obesidade!
" E esquece de investigar a fundo essas dores articulares, correndo o risco, então, de cair numa negligência, né? De, enfim, não investigar e deixar de diagnosticar, por exemplo, uma condição paralela à obesidade, como uma artrite reumatoide, por exemplo. Exatamente, exatamente.
Então, a gente precisa ter muito cuidado com isso, nós, profissionais de saúde e os pacientes que estão assistindo a este podcast, né, ouvindo este podcast, para que exatamente essas ideias não sejam confundidas. Assim, na verdade, esse posicionamento veio para ajudar, não para confundir ainda mais, né? Embora eu ache que ele vai ser refinado.
Eu acho que foi uma ideia inicial muito boa, a gente precisava disso, né? Eu já falei que quem trabalha muito na área já fazia isso, mas a gente precisava que o mundo reconhecesse isso, né? Então, acho que esse posicionamento veio como um divisor de águas nesse sentido.
E aí a tendência, inclusive, ele já foi aceito, né? Foi aceito por várias sociedades, inclusive. Bem, e tudo mais.
A gente faz essas críticas aqui porque nós somos profissionais de saúde, do trabalho na área. Então, assim, a gente tem esse olhar um pouco mais crítico, mas eu acho que a intenção global, assim, do posicionamento é muito interessante, né? E a partir daí, eu acho que vão surgir refinamentos, vão surgir pontos de corte, vão surgir subclassificações dentro dessa classificação, né?
Que, de repente, vão melhorar ainda mais tudo isso que a gente falou, né? Priorizar ainda mais os pacientes que precisam, mais, né, enfim. E estamos caminhando, né?
Eu acho que essa é a mensagem. Eu acho que a gente está caminhando para um futuro em que realmente, né, as pessoas com obesidade vão receber cada vez mais tratamentos, digamos assim. Sim, é isso.
Eu acho que a conversa que tínhamos que ter aqui, até para esclarecer nossos ouvintes, era justamente essa, né? Alertar, né, para o quanto a obesidade pode influenciar nosso organismo, o quanto de repercussões a obesidade pode trazer. E, né, o quanto isso está sendo considerado aí pela comunidade de médicos ao redor do mundo, para que, então, os tratamentos fiquem ainda mais bem direcionados, ainda mais abrangentes, ainda mais precisos e efetivos, para que, enfim, a gente consiga vencer essa pandemia de obesidade.
Uma pandemia que, assim, tem realmente um aspecto muito preocupante, porque a gente está falando de quase 1 bilhão de pessoas no mundo com obesidade e só aumentando ao longo dos últimos anos, e que não recebem tratamento. Pois é, o que é ainda mais alarmante, né? Quando a gente compara com outras doenças crônicas que talvez tenham o mesmo impacto tão significativo quanto, né?
A gente vê como a obesidade é negligenciada. Então, acho que a mensagem principal aqui do podcast é: vamos entender a obesidade como uma doença! Vamos ajudar e incentivar as pessoas que precisam de tratamento a procurarem um profissional qualificado para realmente descobrirem qual é a melhor opção para elas: se é tratamento medicamentoso, se não é, enfim, se é cirúrgico ou não.
Independente do que, essas pessoas precisam de ajuda, né? E precisam de nós, precisamos também da sociedade estimulando elas a procurarem ajuda, porque eu acho que falta isso, infelizmente. A obesidade, como eu sempre falei várias vezes aqui no podcast, é uma doença extremamente estigmatizada.
E a sociedade, né, com todos os seus ideais de corpos perfeitos, enfim, isso disseminado por redes sociais e até uma normalização, hum, assim, negligente, a perícia médica, vou colocar assim, negligente da obesidade, prejudica o tratamento da doença. Prejudica! Faz com que pessoas que precisam de tratar não procurem tratamento, e essas pessoas morrem.
Essas pessoas morrem por causa da obesidade, não é? Eu acho que isso é uma ressalva importantíssima ainda dentro dessa nossa conversa: essa questão da obesidade não ser apenas uma questão estética e de não ser apenas uma questão de aceitação do seu corpo. Sim, tem muita gente caindo na armadilha de ver a obesidade ali apenas como uma mera questão física, apenas como uma mera questão estética, e meio que caindo ali na.
. . Armadilha de aceitação.
Ah, eu tenho que me aceitar como eu sou e tal. E aí você acaba meio que sendo, eh, eh, eh, freado, né? Digamos assim, de buscar ajuda, de buscar o médico mesmo, de enxergar aquilo ali como uma doença que vai corroendo o nosso corpo por dentro, né?
Como um tumor que vai crescendo e consumindo a nossa saúde, né? É o que eu falei: essas pessoas podem até, usando o exemplo das classificações da classificação, serem as pessoas com obesidade PR Clínica, né? Sim, que são o que a mídia social traz como os obesos saudáveis, né?
Existe um, né, um paradoxo imenso nessa, que eu não vou entrar em tantos detalhes, mas essa pessoa também merece tratamento, porque essa pessoa pode ter aspectos que não necessariamente a medicação, eu, né? Não necessariamente eu vou prescrever a medicação para ela, mas elas têm aspectos que precisam ser melhorados. Essa paciente, esses pacientes precisam de cuidado com a alimentação, serem mais saudáveis, cuidarem do sono, cuidarem das doenças mentais associadas.
Então, o tratamento é também para isso, né? Para a gente melhorar a qualidade de vida do paciente, né? Todos os outros aspectos relacionados à obesidade que não são tão visíveis à população, né?
Então, acho que isso também é um recado do posicionamento, né? Então, vamos incentivar as pessoas a procurarem tratamento quando devem, né? Eh, acho que esse é o mundo ideal do endocrinologista.
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