Bom hoje Finalmente nós vamos falar um pouco sobre os capítulos 43 a 56 aqui de crônica da casa assassinada que é um romance do Lúcio Cardoso que estamos lendo coletivamente ou melhor dizendo que nós lemos coletivamente uma vez que este trecho sobre o qual nós vamos falar hoje é o trecho final aqui deste romance E aí antes de mais nada eu preciso explicar o porquê desse ato dentro dessas minhas post referentes a este Livro aqui o que acontece é que ã eu tenho um dia na semana para poder gravar os vídeos aqui pro Canal e
Justamente que é quarta-feira e ao longo do mês de novembro eu acabei me engajando em um compromisso que caía Justamente na quarta-feira então desde os vídeos que vocês viram ao longo do mês de novembro na verdade foram todos gravados em outubro né porque desde Outubro já estava mais ou menos me preparando para is isso mas sempre com a Esperança de sobrar um tempinho ou outro para poder enfim e vir aqui falar um pouquinho para vocês sobre esse romance do Lúcio Isso acabou não acontecendo quer dizer teve um uma quarta-feira em que eu até conseguiria e
ter aí uma folga só que assim o problema é que esse tipo de discussão é um tipo de discussão que toma algum tempo e não queria fazer nada correndo etc então resolvi atrasar um pouco para poder ficar é um vídeo mais ou menos como os anteriores para Não ficar nada corrido mas enfim feitas essas explicações Vamos à discussão evidentemente se você não está nesse momento do livro nem preciso te dizer que é melhor você assistir a outro vídeo uma vez que hoje eu vou falar do trecho final do romance O que significa que eu vou
revelar algumas coisas que podem estragar sua experiência de leitura Mas enfim feito esse aviso feitas essas explicações vamos a discussão no longino vídeo passado dessa série eu falei um Pouco sobre a noção do erotismo para o batai como um complemento à reflexões do Freud sobre o relacionamento incestuoso para falar um pouquinho da relação entre André e Nina e para poder continuar aqui nesse tópico eu vou falar agora bem rapidamente do que o Claude listr aborda sobre esse tema sobre essa mesma questão aqui em as estruturas elementares do parentesco que há um livro dele publicado Originalmente
em 1949 e aí veja logo no capítulo 2 da Introdução aqui deste livro O autor diz o seguinte a proibição do Incesto está ao mesmo tempo No Limiar da cultura na cultura e em certo sentido é a própria Cultura ou seja para o listr a interdição do Incesto é um Marco fundador da cultura por mais que em um primeiro momento Essa proibição tenha algo de Universal e portanto essa proibição poderia ser tomada como algo natural né uma vez que ela é observada em vários povos espalhados pelo mundo só Que como o autor aqui argumenta a
proibição tem um caráter meio coercitivo e portanto ele e essa proibição ela começa no plano da natureza digamos assim mas ela também representa essa passagem para o campo da cultura e essa reflexão vai ser muito importante pra gente olhar um pouco aqui pro romance do Lúcio Cardoso justamente porque dentro da organização da narrativa de crônica da casa assassinada o incesto assim como outras transgressões Como por exemplo o Suicídio e o adultério acontece no pavilhão que é esse lugar a margem na arquitetura da casa onde o desejo e a transgressão vem à tona e o Pavilhão
é um lugar que vai sendo aos poucos tomado por uma natureza que é tidda aqui como uma natureza incontrolável conforme esse mato vai crescendo esses palhando pelo lugar e os Meneses e não pedem Não mandam que nenhum empregado novo vá lá e dê conta dessa situação Portanto o incesto aqui ele está próximo da Natureza o que demonstra o lugar intervalar que o André e a Nina ocupam entre a natureza do desejo representada pelo Pavilhão e por outro lado a cultura da proibição associada à casa dos evidentemente que essa transgressão é associada ao relacionamento incestuoso entre
mãe e filho Eh cai por terra pelo menos parcialmente digamos quando no último capítulo do romance A Ana revela ao Padre Justino que na verdade O André é filho dela e não de Nina quando a Nina foi E aí a a a a justificativa seguinte né E aliás eu achei eh essa essa reviravolta um pouco estranha confesso a vocês por mais que seja algo enfim interessante que que dê novos contornos a à narrativa não foi sem algum estranhamento que eu olhei para essa revelação no final do livro mas enfim o que aconteceu foi que quando
a Nina foi embora da Chácara ela estava grávida e ela não sabia se o filho era Do Valdo ou do Alberto e na verdade que é o jardineiro e na verdade essa dúvida se mantém até o final ocorre que como a gente já sabia por meio das várias referências que foram sendo feitas ao longo do romance A Ana também teve algo com esse jardineiro e ela ficou grávida e isso não sabíamos ainda na mesma época em que nina esteve grávida só que ela sabia que o filho não era do Demétrio mesmo porque afinal de contas
a Ana já era casada há vários anos nunca teve Filho e agora se ela chegasse ao marido e dissesse que estava grávida dele e seria no mínimo estranho Então ela já sabia de antemão que o filho só podia ser do Jardineiro pensando nisso ela consegue ali convencer o marido de que o melhor a fazer seria ir até o Rio de Janeiro e tentar convencer a Nina a voltar à Chácara ou ao menos entregar para que convencer a Nina que entregasse a criança para que ela fosse criada como um Meneses legítimo né e a Ana ela
é Bastante ardilosa porque ela percebe que o Demétrio por mais que tenha ficado por um lado satisfeito com a partida da da da Nina da Chácara por outro lado ele ficou um pouco incomodado com isso porque Ana e a torcida do Flamengo percebem que eh Demetrio sente alguma coisa por Nina então a Ana percebe isso no marido vê a sua situação cada vez mais complicada porque ela tinha que sair dali o mais rápido possível para que essa gravidez não ficasse aparente Então ela consegue usar essa mistura de sentimento do Demétrio contra ele para convencê-lo a
deixá-la ir até o Rio de Janeiro Então veja contornado esse problema a Ana ficou no Rio a até o fim da gestação enquanto isso ela enrolava bastante o Demétrio primeiro dizendo que estava procurando a Nina depois dizendo que a Nina estava doente por isso tinha que ficar em tratamento etc etc etc e então a a a Ana consegue ficar toda a gestação todo o resto da gestação no Rio De Janeiro e só depois ela foi procurar a Nina e ficou sabendo que essa moça tinha deixado um menino no hospital o que representa a parte dela
na Vingança com contra os Meneses que vinha sendo arquitetada por Nina e Timóteo Desde o Primeiro Momento em que eles travam conhecimento e eu me lembrei que se não me engano na primeira carta que a Nina envia ao Valdo que é um dos primeiros Capítulos do romance ela havia mesmo mencionado que ela tinha deixado o filho No hospital né então isso tinha ficado esse esse detalhe para trás e Eu de vez em quando me perguntava Mas se a Nina deixou o menino no hospital como é que esse menino foi parar depois na chácara né então
é na verdade é porque a Nina tava falando a verdade o tempo todo então novamente é muito curioso notar como se confirma algo que eu já havia dito há uns dois vídeos Se não me engano que é me parece que a Ana é muito mais manipuladora do que a Nina o caso é que A Ana Ela come quieta digamos assim ao passo que Nina é escandalosa esplendorosa e por conta disso todas as culpas recaem muito mais facilmente sobre ela né mas enfim aí então nesse último capítulo existe mesmo a especulação de que eh o verdadeiro
nome do filho da Nina seja gla e que eu particularmente Achei um nome muito parecido com o nome de anjos ou coisas do tipo né mas Então veja diante disso a Ana simplesmente levou o filho dela Sabendo que a Nina tinha deixado abandonado a criança na maternidade a Ana levou o próprio filho para a chácara como se fosse o filho da Nina né E aí nós temos finalmente o André Portanto o relacionamento entre Nina e André Não foi incestuoso eh quando a gente pensa em termos técnicos mas na verdade esse recu porque não Deixa de
ser um recu tentar negar agora o incesto que aconteceu desde o começo do livro né E isso até me fez lembrar um Pouquinho do final do crime castigo do dostoyevski que é um final que ele não tem nada a ver com todo o resto do romance mas enfim eh mas o que eu ia dizer é o seguinte na verdade esse recu do autor em relação ao tema da relação incestuosa não é um recuo muito efetivo na medida que a nível moral a relação entre Nina e André foi legitimada como incestuosa porque tanto os personagens quanto
o leitor percebem esse Relacionamento deste modo o tempo todo então não adianta agora no final falar assim ah Eles não eram mãe e filho e tá tudo bem E a gente esquece tudo que aconteceu não né mesmo porque não fica muito claro se a Nina sabe que que o André não é filho dela assim como não fica muito claro também quer dizer não fica muito Claro não a gente sabe que o André desconhece a verdade então para ele ele vai ter que passar o resto da vida convivendo com o Fato de que ele teve um
relacionamento cestos com a própria mãe né Então veja que o peso e desse Tabu do Incesto permanece a despeito do fato de que no final se revele que eles não eram mãe e filho blá blá blá né então por mais que no fim das contas eles não fossem não tivessem essa essa ligação de sangue o fato é que o peso cultural do Incesto permanece até porque quem tentou ter uma relação incestuosa pensando nesses novos termos Agora foi a própria Ana que quando percebe que o André se parece com o Alberto ela praticamente agarra o garoto
né em uma cena que é ah tão patética que chega a dar até vergonha da Ana né Então veja só por mais que evidentemente que essa relação não tenha se concretizado ainda assim isso significa que a própria Ana incorreu em uma relação em uma tentativa de relação incestuosa com o filho agora pensando nesse segredo da Ana como um artifício narrativo e Pensando mesmo nessa personagem como uma representante daquela hipocrisia da sociedade de aparências da aristocracia mineira falida contra a qual o Lúcio Cardoso se rebela em Sua obra né Eu Li em algum vídeo passado eh
o trecho de uma famosa entrevista na qual ele diz que ele se rebela contra Minas Gerais né contra essa eh burocracia mineira Mas enfim e aliás pensando voltando na na linha de raciocínio que estava descendo aqui né Eu já havia cantado essa bola antes no início do romance A Ana apareceu primeiro como se ela fosse ali alguém desinteressante como se ela fosse mais uma peça na mobília da casa etc só que aos poucos ela foi se revelando bastante ardilosa ouso dizer que essa ambiguidade faz dela uma das personagens mais interessantes da nossa literatura até porque
tem um detalhe né se a Ana se provou uma pessoa manipuladora e invej nada impede e nós sabemos disso porque Nós convivemos a pessoa que mais narra o romance é a própria Ana então nós sabemos muito bem como ela é mas enfim se ela foi se revelando uma pessoa tão ardilosa assim nada impede que ela esteja mentindo sobre isso né sobre essa relação incestuosa e não ser na verdade uma relação incestuosa Mas enfim nada impede que ela esteja mentindo sobre isso também para poder ali ter algum tipo de Pecado para revelar porque isso A Ana
queria o tempo Todo ser tão relevante quanto a Nina e se a Nina era relevante por ter um pecado então se a Ana se a Ana fosse vista pelo Padre Justino como pecadora isso a tornaria alguém mais interessante também né mas enfim pensando nisso tudo o o tema do segredo atravessa todo o romance e isso só reforça a mineiridade digamos da narrativa uma vez que no Imaginário Popular O Mineiro aparece sempre como alguém calado como alguém desconfiado Tem até aquele ditado né que O mineiro come quieto esse tipo de coisa até porque como eu disse
em mais de uma ocasião ao longo dessa série de vídeos o romance é também o retrato daquilo que o Gilberto Freire chamou de eh característica patriarcal da sociedade brasileira e que o Lúcio Cardoso associa a essa aristocracia mineira pois bem pensando nesse tema da mineiridade mesmo o fato de Minas Gerais ter muitas regiões montanhosas já favorece na literatura o Ensimesmamento dos personagens o que abre espaço para essa postura calada desconfiada E por aí vai então esse isolamento bem como o cotidiano sempre igual acaba gerando uma desconfiança em relação a tudo aquilo que representa algo novo
em relação a tudo aquilo que oferece a possibilidade de novidade E no caso do romance quem ocupa essa função é a Nina daí a desconfiança que os Meneses acabam estabelecendo para com ela Além disso o próprio espaço dessa chakara faz Lembrar o espaço da casa grande que foi aos poucos entrando em decadência principalmente porque Logo no início do romance O autor já nos Localiza em algum ponto da primeira metade do século XX ou seja se a família Meneses representa figurativamente Minas Gerais nós estamos aqui falando de um estado ou pelo menos de um grupo social
pensando nas grandes oligarquias que no passado teve a sua glória por exemplo eh durante a época do ciclo do Ouro mas que no início do século XX por causa de todo o Êxodo Urbano por causa da industrialização e principalmente da ascensão da burguesia esse esse grupo social foi entrando em decadência por não conseguir se adaptar a essa modernidade emergente tem um outro romance do qual gosto bastante evidentemente que o contexto é outro né são é outra região do do do Brasil mas que aborda a mesma questão eh e a partir da chave da Loucura diga-se
De passagem que é lá o angústia do Graciliano Ramos né se você pega lá o personagem principal daquele livro O luí da Silva ele é esse representante de uma aristocracia que foi perdendo o poder tanto que os antepassados do Luiz da Silva eles tinham sei lá cinco ou seis sobrenomes E aí conforme o tempo foi passando o nome da família foi se perdendo foi diminuindo e até chegar ao ponto de ser simplesmente esse da Silva Né E quando Luiz da Silva chega à capital ele acaba se deparando com um típico representante da burguesia emergente que
é aquele sujeito cujo nome eu me esqueci agora mas eu vou deixar aqui na tela que é o sujeito que acaba enfim tendo um relacionamento com a suposta noiva do luí da Silva né Então veja que essa temática de uma aristocracia que vai perdendo influência por não se adaptar à modernidade tanto quanto a burguesia Conseguiu se adaptar é algo recorrente na nossa Literatura e é exatamente isso que acontece com os Meneses quer dizer eles se apegam às regras de um mundo que já não existe mais e é por isso que por exemplo o Demétrio como
legítimo representante daquela visão de mundo patriarcal não tem voz mesmo sendo o primogênito da família e portanto mesmo sendo considerado como a pessoa mais importante da casa e e mesmo pensando que ambas as mulheres da família traem Os maridos ou ainda no caso do Timóteo existe aqui em crônica da casa assassinada uma rasura daquela masculinidade hegemônica a autoridade da figura masculina como algo nuclear da família é problematizada aqui esse esses casamentos eles são problematizados aqui então esse culto à família diz respeito a tentativa de preservar o passado para dar sentido à individualidade de cada Meneses
no presente só que o problema é que essa memória do passado acaba Gerando um presente meio Assombrado por aquele mundo que foi aos poucos deixando de existir e é por isso que a a descrição que é feita em alguns momentos aqui da Chácara dos Meneses é como se o narrador estivesse descrevendo sei lá e como se os narradores né essem descrevendo casas mal assombradas nesse sentido então o câncer que vai corroendo a Nina representa o apodrecimento da família Meneses que por sua vez representa essa aristocracia decadente Da província que se fechou em torno de si
mesma como se estivesse em uma prisão e como o câncer é essa doença que se espalha em silêncio até chegar ao ponto de se tornar Irreversível essa fam família vai acabando aos poucos por ser atacada por um mal que é ao mesmo tempo interno e externo de modo que o câncer da Nina é o câncer moral dos Meneses assim como a morte dela é a morte metafórica da família e da própria casa que vai ruindo como se estivesse sendo Corroída de dentro para fora que é uma imagem que diga-se de passagem aparece com recorrência ao
longo do romance essa imagem da casa sendo tomada por um mal que vem de suas entranhas e que vai se refletindo em seu aspecto exterior Mas enfim eh eu fiz toda essa tangente enorme para dizer o seguinte um dos modos de rasurar essa visão de mundo tradicional é por meio dessas várias transgressões e se por um lado o tema do Incesto é aqu matizado no Final do romance por outro lado existe aqui também uma outra transgressão que esta sim se mantém até o fim que é a última relação entre o André e a Nina esse
trecho do romance representa uma transgressão na medida em que ele acontece quando a nina está praticamente morta mas ainda assim ela é objeto do desejo sexual do André Então por mais que a Nina ainda estivesse viva parece que se trata aqui de um caso de necrofilia uma vez que ela está Praticamente inconsciente por seu estado por estar ali eh em estado terminal E aí eu me lembrei que antes a Ana também protagonizou uma cena que beirou a necrofilia quando ela ficou ali acariciando o corpo do Jardineiro enquanto ele agonizava ela chegou até a beijar enfim
ambos os trechos têm algo de grotesco na medida em que neles a imagem da morte se confunde com esse impulso da vida né no caso do Alberto os movimentos Do corpo dele durante essa agonia eh não são vistos pela Ana como um sinal de que ele estava agonizando mas sim como se fosse a emoção dele por pensar que ela era a Nina ao passo que no caso da Nina primeiramente o André diz que Ela demonstrou que também queria que aquela fosse a última relação deles o que não faz muito sentido porque como eu disse a
Nina estava praticamente morta e aí é preciso lembrar que quem está narrando tudo pra gente é o André né Então às vezes pela perspectiva dele ela estava meio que sendo recíproca mas na verdade isso não pode pode ter acontecido eh e depois essa imagem cadavérica dela é praticamente fecundada por esse rapaz e esse recurso ao grotesco não só é chocante mas também acaba reforçando o modo como o autor questiona aquilo que é aceitável ou não pela sociedade e no trecho depois que o André tem ali essas relações com a Nina praticamente morta Ela começa a
exalar um cheiro de putrefação que logo vai se espalhando pela casa e aí eu fiquei pensando que esse cheiro ele tem vários sentidos pode ser ã por conta desse pecado cometido que vai se espalhando pela casa mas também pode ser Porque durante essa última relação o André acabou machucando a Nina e isso agravou o estado dela até porque tudo é muito violento e segundo o batai aqui em o erotismo né O fim último do erotismo é a Morte e a violência e é Por isso por exemplo que mesmo o vocabulário que a gente usa para
falar de sexo quase sempre tem algo ligado à violência Pensa aí por exemplo a palavra ela pode ter essa conotação eh sexual mas ela também pode ser usada no sentido de prejudicar alguém né eu vou com aquela pessoa né Então veja que eh existe mesmo no no na nessa semântica que nós usamos em em contextos eh sexuais ela pode também ter se deslocar para essa Perspectiva da Violência Então veja que assim como o tema do Incesto já havia Aparecido de outro modo antes né Eu acho que eu cheguei a mencionar para vocês que de certa
maneira o fato do Timóteo se vestir com as roupas da mãe também eh funciona ali quase como um ato incestuoso como se ela estivesse como se ele estivesse querendo ter a mãe apenas para si né Eh assim então como o tema do Incesto já havia Aparecido antes esse tema da Necrofilia também aparece de um jeito diferente pensando no Capítulo e da Ana com Alberto por exemplo e outra coisa que aparece com recorrência ao longo da narrativa são as descrições tivas então por exemplo aquele cheiro de Violetas que substituiu o cheiro de rosas da época da
Dona Malvina Menezes vai aos poucos por sua vez sendo substituído pelo o cheiro de algo podre que vem do quarto da Nina e Em ambos os casos o cheiro parece denunciar a proximidade da Morte Afinal de contas se não fossem pelas Violetas O Alberto não teria se aproximado da Nina e consequentemente ele não teria atentado contra a própria vida depois Além disso essa mudança no cheiro acaba acentuando a ideia de que aquele corpo que antes gerava desejo vai aos poucos dando asco até porque o cheiro de algo podre manifesta no plano simbólico a decomposição da
própria família e da própria casa tendo em vista Que o cheiro se espalha pelos cômodos E aí eh a Ana até recomenda aos empregados que abram as janelas etc mas ainda assim esse cheiro Parece que fica impregnado pela casa toda né e a descrição disso tudo é atravessada pelo grotesco que é uma marca estilística do Lúcio Cardoso desde o seu primeiro romance mesmo porque desde maleita e Salgueiro sobre os quais já há vídeo aqui no canal o autor já havia usado a doença como um artifício estético né lá em maleita você Tem pelo menos dois
momentos em que a doença tem um um um tratamento estético interessante né sendo que uma é a varía e a outra é a própria maleita é ao passo que em Salgueiro a doença da vez e a tuberculose e aqui em crônica da casa assassinada o autor acaba tratando do Câncer como essa doença que vai tendo um tratamento estético curioso E aí eu me lembrei de um detalhe importante já na epígrafe aqui de crônica da casa Assassinada existe essa ideia de um corpo que fede e se decompõe por a epígrafe é retirada do Capítulo 11 Versículos
3940 do Evangelho de João e nela se lê o seguinte Jesus disse tirai a pedra disse-lhe Marta irmã do defunto Senhor ele já cheira mal porque já está aí há quro dias disse-lhe Jesus não te disse eu que se tu creres verás a glória de Deus né Então veja aqui nós temos essa imagem de um corpo que se decompõe de um corpo que fede mas ainda assim Nessa epígrafe existe essa possibilidade de reviver os mortos e é basicamente isso que nós acompanhamos ao longo de todo o romance conforme vamos entrando em contato com esses vários
depoimentos cartas e entradas de diário que vão reconstruindo essas ruínas do passado e revivendo os mortos só para usar aquela imagem benjaminiana das teses sobre o conceito de história e aí por falar nele eh o Walter Benjamin escreveu um texto que eu Acho que eu já citei em outro vídeo aqui sobre o crônica da casa assassinada que é esse origem do drama trágico alemão eh e nesse texto aqui o Walter Benjamin comenta sobre Como o teatro Barroco tratou a morte como algo contínuo principalmente em se tratando de figuras ligadas à monarquia porque essas figuras surgiam
no palco como uma imagem tão petrificada da história que elas acabavam afastando qualquer ideia ligada ao símbolo ou a abstração Ou seja no Barroco a morte é algo principalmente material e por isso ela se manifesta fisicamente e isso se liga ao fato de que no Barroco o corpo do pecador sofre Pelos Pecados cometidos né então é é um é um texto bastante complexo como sói acontecer com os textos do Walter Benjamin mas ainda assim eu sugiro fortemente que você leia aqui eh esse esse texto porque é um texto interessante pra gente pensar Nessas questões de
como a morte pode Estar ligada com uma representação específica da história en então fica aqui essa recomendação mas veja essa materialidade da Morte Ah e a noção de que a doença é um castigo aparecem com frequência ao longo aqui do cronica da casa assassinada sobretudo quando a gente pensa nos últimos capítulos do livro é quase como se a própria Nina fosse esse câncer que vai e volta várias vezes ao longo dos anos e o Demétrio funciona então Então como se fosse ali Um médico que tenta a todo custo livrar o corpo da família Meneses dessa
presença invasora que deve ser retirada então A Nina é quase como se fosse um câncer Reincidente ali na vida dos Meneses por outro lado a Ana Vê nesse adoecimento da rival um sinal de que Deus existe na medida em que um câncer seria a punição pelos pecados pela degradação espiritual e moral da Nina então não me parece à toa o fato de que a primeira pessoa a perceber o cheiro de Coisa podre é a própria Ana né então ela é a mais interessada nisso E aí veja eh enquanto eu tava lendo esses trechos finais do
do do romance eu me lembrei que a Susan sontag ela tem um livro que eu procurei aqui em casa e não achei é um livro da capinha amarela que se chama a doença como metáfora eh e aí nesse livro A autora defende que doenças como o câncer e aí depois ela expande essa reflexão para tratar da aides nesse outro livro aqui chamado Aides e suas metáforas né inclusive hoje em dia essa minha edição aqui é uma edição um pouco antiga deixa eu ver de quando que é ela é de 1989 né que é um um
pouco um pouco depois se não me engano daquela outra edição do a doença como metáfora eh mas hoje em dia esses dois livros eles são publicados no mesmo volume pela companhia das Letras lá em a doença como metáfora e depois aqui em a aides e suas metáforas a Susan sontag defende que Doenças como câncer e a aides tem um peso social tanto é assim que é muito comum ouvir coisas do tipo tal coisa é o câncer da sociedade ou então o uso de um vocabulário militar quando os médicos dizem que é preciso lutar contra o
câncer a pessoa venceu a doença etc etc etc e a pessoa é uma sobrevivente de tal coisa né E aí novamente eu não achei aqui o meu a doença como metáfora eh mas aqui ess aides e suas metáforas A autora aprofunda essa reflexão né E aí Novamente se você se interessa por isso e os livros da sonan sontag são todos muito interessantes né Ela escrevia muito bem eh Se não me engano aquele a doença como metáfora ela publica depois que ela própria tinha feito um tratamento por conta de um câncer que ela teve e esse
aides e suas metáforas ela faz 10 anos depois e durante ante o auge da epidemia de HIV então enfim né Eh esses dois livros então como eu já disse eles são publicados atualmente quer dizer eu nem sei se eles são publicados se esse livro está ainda facilmente localizável aí Eh mas a companhia das Letras naquele selo companhia de bolso publica esses dois textos no mesmo volume agora e mas enfim voltando ainda segundo a Susan sontag a até mesmo o contato com uma pessoa que sofre dessas doenças graves dessas doenças que T um peso social muito
forte E até mesmo contato com essas pessoas pode ser visto como um modo de transgressão quase como se a doença fosse um mal espiritual que passa de pessoa para pessoa e aí pensando nisso tem três trechos aqui no romance que tem um peso ainda maior A partir dessa reflexão proposta pela Susan sonac primeiro essa relação entre o André essa última relação entre André e Nina segundo o momento em que a Nina queima os seus vestidos né com medo de que os Vestidos a contaminem com o câncer porque aquele Episódio da queima dos vestidos Ela já
sabia quando aquele Episódio aconteceu ela já sabia que estava doente né então ela fica com medo de se contaminar ainda mais com aquelas roupas e o terceiro momento é a cena em que o Demétrio protagoniza H um verdadeiro escândalo sem querer quando ele vai tentar se livrar logo das roupas da Nina assim que ela morre Como se até a presença das roupas Da defunta eh fosse algo perigoso fosse algo pernicioso à saúde da família Meneses que já está nas últimas diga-se de passagem né e assim como esse câncer foi se espalhando a estrutura do romance
também se espalha uma vez que afinal de contas nós estamos falando aqui de um livro que é narrado por 10 pessoas diferentes além disso esse caráter fragmentário da narrativa acaba reforçando a tensão entre os diferentes modos de ver o mundo desses personagens De maneira a criar assimetrias a partir de uma mesma imagem e aí eu me lembrei de uma coisa tem um um filósofo um estudioso francês enfim chamado jean-pierre vernan eh que escreveu um livro intitulado o indivíduo a morte o amor em dado momento daquele livro O vernan diz que a palavra grega sema deu
origem tanto a palavra signo pensando em signo linguístico por exemplo pensando na linguagem eh quanto a palavra Sepultura pensando nisso o livro O Romance crônica da casa assassinada é esse grande signo ou essa grande sepultura que assinala a presença e ao mesmo tempo a ausência da Nina outra coisa importante é que a corrupção do corpo da Nina reflete certo sentido a fragilidade da própria chakara já que ao longo de todo o romance a casa é descrita como um corpo que se desfaz Principalmente nos Capítulos narrados pelo médico cujas descrições da casa Antecipam a decomposição do
corpo da Nina assim como o luxo da casa espelha a beleza dessa personagem que sempre é descrita como uma mulher deslumbrante tanto é assim que eu vou até reler um trecho do primeiro capítulo que é um capítulo narrado pelo André e e eu me lembro de ter lido esse mesmo trecho no primeiro vídeo dessa dessa série isso que eu vou ler está na página 22 dessa Minha edição aqui que tem um momento em que é dito o seguinte era Inútil relembrar o que ela fora mais do que isso o que havíamos sido a explicação Se
achava ali Dois seres atirados a voragem de acontecimento excepcional e subitamente detido ela crispada em seu último gesto de agonia eu de pé ainda sabia Deus até quando o corpo ainda vibrando ao derradeiro Eco da experiência e aí ele continua dizendo nada mais me apetecia se não vagar pelas salas e corredores tão tristes quanto Uma cena de que houvesse desertado o ator principal e todo o cansaço dos últimos dias apodera-se do meu espírito e a sensação do vazio me dominava não um vazio simples mas esse nada total que substitui de repente de modo irremissível tudo
o que em nós significou impulso e vibração cego com gestos manobras debruçava minhas janelas atravessava quartos a casa não existia Mais e eu achei muito interessante esse trecho e eu me lembrei dele e ao longo dessa minha última leitura do dos Capítulos finais do romance sobretudo porque veja e a ambiguidade desse pronome ela aqui né era inútil relembrar o que ela fora porque afinal de contas aqui a gente fica pensando ele tá falando da Nina que estava ali morta né porque o livro começa com a morte da Nina ou ele tá Falando da casa porque
ele tá falando disso que ela como é que é era inútil relembrar o que ela fora e aí você pensa tá ele tá falando da mãe que morreu mas aí depois ele começa a falar que el que ele ficava andando pelos corredores se debruçando nas janelas e que a casa não existia mais Então veja que aqui nós temos posto de maneira posta de maneira bastante é Clara essa confusão essa ambiguidade entre a Nina e o espaço da casa dos Meneses e não apenas isso assim Como o corpo da Nina vai sendo destruído pelo câncer à
vista de todo mundo no fim do romance A gente fica sabendo que a casa está toda carc comida e ela foi invadida pelo bando de um sujeito de um de um eh criminoso da região chamado Chico herreira pouco antes de uma epidemia se espalhar por Vila Velha Então veja se a Nina morre a chácara desaparece tanto é assim que sempre que alguém morre ou adoece na chakara a casa é descrita como um espaço deteriorado né E aí enfim principalmente novamente naqueles capítulos eh narrados pelo médico e Quem narra tudo isso Quem narra esse desfecho da
da da casa dos Meneses é a A última pessoa da família e o Curioso é que essa narrativa última da Ana acontece no momento em que ela fica no pavilhão né onde o Alberto morreu onde aconteceram os vários encontros incestuosos entre Nina e André e ao longo dos anos esse lugar foi sendo Convertido em uma espécie de quarto de despejo ou seja A Ana é um resto ela é aquilo que sobrou e Ficou ali esquecido como um traste inútil né igualmente curioso é o fato de que o romance começa e termina com mulheres morrendo além
da própria casa que é construída como essa entidade feminina que foi invadida por estranhos e acabou sendo destruída tal qual a Nina foi invadida pelo André naquele naquele trecho da última Rela entre os dois e aí essa circularidade só Reforça algo que eu disse em um vídeo anterior que a Ana e a Nina funcionam como duplos tal qual o Timóteo é um duplo da Maria Sinhá cujo retrato fica escondido no porão como esse elemento recalcado que depois volta que depois vem a tona com a aparição do Timóteo durante o velório da Nina de igual modo
o André funciona como um duplo do Alberto já que a Nina a Ana e depois o Timóteo percebem que esse rapaz é extremamente parecido com o antigo Jardineiro e ao perceber isso o Timóteo chega a confundir os dois e dar um tapa no cadáver da Nina que é só uma das várias coisas que acontecem e das várias coisas escandalosas que acem durante o velório mas antes de falar do velório em si é preciso dizer que depois de receber a Extrema unção e de ser acompanhada por um médico que o Valdo mandou buscar na capital a
Nena morre ou não uma vez que tanto o Valdo quanto a Bet que é a empregada da casa tem a impressão de que Ela ainda não morreu e só está com os olhos fechados e Por falar nisso esse trecho todo é bastante perturbador Mas independente disso independente do fato de que talvez a nen esteja Viva o Demétrio manda que retirem logo o corpo da cama para começar a fazer o velório já que ele quer se livrar logo dessa cunhada e ao mesmo tempo ele quer convidar o barão para ir até a chácara né E toda
essa cena é horrível porque a pele da mina ficou grudada no lençol em Que ela esteve deitada o tempo todo né Eh por conta do do avançado grau de de de decomposição ah ao qual o o câncer a submeteu né então a Ana simplesmente pega um outro lençol joga no corpo da Nina enrola a Nina nesses lençóis e coloca tudo sobre a mesa de jantar quase como se a Nina fosse ser comida pela família Meneses o que não deixa de ser verdade uma vez que os Meneses consumiram a vida dessa pobre Coitada e assim como
a chácara vai ser saqueada Depois o corpo da Nina é passado de mão em mão nesse trecho né conforme vão levando ela até a mesa da sala de jantar tudo isso só reforça o caráter grotesco que fica ainda mais acentuado durante o velório que ao invés de ser um momento solene é praticamente um carnaval muito embora a simplicidade de tudo vá contra todos aqueles luxos dos quais a Nina sempre gostou uma vez que como eu disse ela é enrolada nesse lençol né ela fica ali com uma roupa qualquer e colocam Simplesmente quatro velas ali eh
vela simples perto dela então ela que sempre foi uma mulher que gostou de vestidos Fabulosos etc é velada nessa pobreza extrema E aí nós temos várias coisas que vão acontecendo de modo progressivo nesse velório primeiro é esse momento então que jogam o corpo da Nina na mesa depois o momento em que o Demétrio se desespera para jogar fora as roupas da Nina quase como se por osmose essas Roupas fizessem com que a própria Nina continuasse ali vivendo na casa dos Menezes e ao ver essa cena o Valdo se atira contra o Demétrio e os dois
saem rolando pelo corredor na frente de todo mundo ou seja justo Demétrio que sempre se esforçou não atrair a atenção dos vizinhos protagonizou a cena que foi ali o último prego no caixão da família Menezes E e essa cena é importante porque depois dela ou melhor dizendo nela o Valdo confirma algo que ele vinha E pensando desde o momento em que ele percebe a conduta do irmão para com o cadáver da da Nina porque o o Valdo ele percebe que tem alguma coisa muito estranha nesse procedimento do Demétrio E aí ele vai conversando com uma
pessoa e com outra até que ele descobre que Anos Antes aquele mesmo revólver e que o Valdo havia usado para atentar contra a própria vida tinha sido comprado pelo Demétrio para poder eh eh expulsar uma praga que rondava pela Chácara etc etc Etc Então veja que esse momento é um momento importante porque ele representa mesmo essa cisão na família Meneses né então ali os laços afetivos já haviam sido completamente eh desfeitos se é que a gente pode chamar de Laços afetivos porque assim eh a gente pode dizer tudo dos Meneses menos que eles tinham afeto
um pelo outro mas enfim outro trecho que é bastante eh surpreendente nesse velório é o momento em que uma vizinha chamada Angélica pede os vestidos na Nina para doar para um orfanato da região isso me fez lembrar da personagem título da peça Angélica do Lúcio Cardoso né eu já fiz um vídeo falando dessa peça no canal o link para ele vai estar na des E e essa personagem aqui ela é uma senhora que seduz jovens Órfã usando vestidos luxuosos né para comprá-las digamos assim eh e essa senhora é uma verdadeira vampira né então não me
parece coincidência o fato de que essa vizinha Que aparece aqui no no velório da Nina se chame angé que esteja interessada nos vestidos e luxuosos da defunta Mas enfim né e interessaram nesses vestidos para dá-los para as jovens Órfã da região Esses são muitos detalhes que não me parecem à toa eh mas enfim outro momento que foi assim muito emblemático para esse velório da Nina foi a chegada do famoso Barão e aliás tudo é muito ridículo porque o Demétrio ele se atira nos braços do Sujeito fingindo que está sofrendo muito etc etc confirmando que ele
estava com pressa justamente para poder receber a visita do barão o quanto antes porque vamos nos lembrar que ele passou a vida inteira praticamente ansiando pelo dia em que o barão cruzaria os umbrais da Chácara dos Meneses e isso finalmente acontece né E na verdade a gente percebe assim que esse Barão é um verdadeiro embuste até porque pelo que eu saiba qualquer pessoa poderia comprar o título De barão sem necessariamente fazer parte da nobreza pelo menos aqui neste momento histórico em que a narrativa se passa mas enfim esse tal Barão ele chega em um carro
velho e barulhento jogando ali fumaça para todo lado né ã esse Barão ele é descrito como alguém gordo e baixinho tanto que ele tem um momento que ele senta numa cadeira e ele fica balançando a as perninhas assim porque ele é tão baixinho que o pé dele não encosta no chão né ou seja ele é uma Pessoa baixa em todos os sentidos da expressão E para completar ele fica ali tá acontecendo veló ele fica em um canto comendo alguns Quitutes que ele vai tirando de um embornal que Ele carrega a tira colo e aí início
ele vai jogando migalha para todo lado né então em suma é quase como se esse Person agem do barão fosse uma caricatura que ridiculariza a aristocracia que ele até pelo nome como é chamado representa mas o auge do Grotesco e da carnavalização desse velório que mais parece uma festa invertendo o famoso aforismo do do Clodovil e porque esse trecho inteiro é praticamente uma paródia de Cerimônia fúnebre Mas enfim o o auge ali do da carnavalização desse velório é a Entrada Triunfal e majestosa do Timóteo e aí o que aconteceu foi o seguinte assim que a
Nina chegou à Chácara ela e o Timóteo se aliaram para destruir os Meneses a parte Da Nina foi abandonar o filho no hospital ao passo que a parte do Timóteo foi expor toda a falsidade e toda a mediocridade da família e isso acontece justamente no momento em que o Timóteo pede que a Bet vá colher ali algumas Violetas para que ele levasse até o caixão da Nina mas ele diz que só faria isso depois que o barão chegasse porque assim o ato do Timóteo atingiria a pessoa certa aquela que representa com maior ênfase o espírito
dos Meneses como Nenhuma outra que é o Demétrio né então o o Timóteo sabe que se Ele saísse do quarto com o barão presente o Demétrio se escandalizar completamente e é justamente isso que acontece E aí como eu acabei de citar a Bet uma coisa que a gente fica sabendo Nesse final do romance É que na verdade ela é estrangeira se bem que isso meio que já estava na nossa cara pensando nesse apelido que ela recebe né mas enfim Ainda assim eu achei um um dado curioso Sobre a personagem e assim que o Furor Pela
chegada do barão diminuiu o Timóteo entrou na sala de jantar onde estava acontecendo o velório carregado em uma rede por três empregados todo maquiado com tranças no cabelo e adornado ali com as joias da mãe o que faz dele uma figura meio cômica diga-se de passagem só que com isso ele desrespeita não só a família e especificamente o Demétrio como também a própria nina já que ele Acaba roubando a cena e fazendo com que todas as pessoas praticamente se esquecessem de que elas estavam em um velório e não satisfeito com isso ele ainda dá uma
bofetada no cadáver ao confundir o André com o Alberto e não só isso porque páginas depois durante uma discussão com o Valdo o André também vai vai cuspir no cadáver da Nina ou seja esse cadáver ele é constantemente desrespeitado por todas as pessoas e por todas as por todos os Eventos que vão acontecendo ali durante esse velório e tudo isso é narrado Principalmente nos Capítulos do livro que o próprio Timóteo está escrevendo porque se revela que ele está escrevendo um livro de Memórias e É nesse livro que ele narra toda essa sua Entrada Triunfal né
E aí finalmente diga-se de passagem o Timóteo assume a narração de alguns Capítulos e depois de fazer todo aquele escarcel ele acaba passando mal e saindo de cena né E esse tratamento degradante Que o corpo da Nina recebe me fez lembrar de um romance muito bom do William faulkner que é esse aqui né enquanto agonizo nele a matriarca de uma família Se não me engano o nome da família é burden mas enfim eh a matriarca dessa família morre e os filhos decidem levar o corpo da mãe até a terra natal dela E para isso eles
vão cruzar todo o Mississippi só que no meio do caminho o corpo vai se decompondo os urubus tentam atacar o cadáver os filhos Tem um momento em que esses filhos Eles vão passar por um rio E aí eles deixam o caixão cair dentro do Rio E aí Entra água no caixão o corpo da mãe sai boiando enfim né Então veja que tudo isso eh eh acaba de tem um outro momento em que o caixão ele quase pega fogo porque eles estão passando ali por um determinado lugar enfim Além disso né pensando nesses pontos semelhantes ambos
os romances TM vários narradores aqui como eu disse tem 10 narradores aqui se Não engando tem 17 ou algo do tipo Resumindo a casa é praticamente invadida pela vizinhança o que me fez lembrar bastante daquele filme de 2017 chamado mãe e todas as pessoas da vizinhança que foram até ali estavam muito mais curiosas para entrar em contato com o Fausto da família menees do que propriamente tristes com as circunstâncias que as levaram até aquele lugar tanto e assim que chega um momento que tem gente Rindo de toda aquela situação como se as pessoas estivessem sei
lá na praça no bar ou coisa do tipo em meio a tudo isso o André vê a Nina dentro do caixão tem aquela sensação de estranhamento que o Freud chamou de inf familiaridade E aí veja segundo Freud quando a gente vê um cadáver aquela imagem representa algo que a gente conhece mas ã esse algo Ressurge a par partir do signo da diferença o que causa algum tipo de desconforto pois bem esse desconforto Aumenta a revolta do André por ter sido abandonado Pela nina em meio a esse clima Geral de morte é como se eh o
próprio André nascesse de novo por no fim das contas é isso a partida do André representa o surgimento desse novo homem que de deixa para trás a as ruínas de todo aquele mundo que já não existe e que era representado pelos Meneses e é por isso que ele que passou o livro todo como se estivesse tateando no escuro buscando por alguma coisa vai embora Correndo da chácara com a certeza de que ele queria ir para um lugar mais longe possível da família menees principalmente pensando no pai dele né no suposto pai dele e que era
o Valdo outra coisa interessante é que a morte da Nina em certo aspecto é o Ponto Central A partir do qual o destino de todos os outros personagens será definido então é é por conta da morte da Nina que o Timóteo sai do quarto para poder se vingar do Demétrio é por conta Da morte da Nina que o barão vai visitar a chácara é por por conta da morte da Nina que o Valdo percebe que o Demétrio fez de tudo para se livrar da da Nina no começo do romance eh a desmoralização da família diante
dos moradores de Vila Velha acontece por conta da morte da Nina a partida do André acontece por conta da morte da Nina e por aí vai E assim a gente chega finalmente ao fim da narrativa sendo que esse último capítulo é narrado pelo Padre Justino eh Que Como o próprio nome dele sugere é um homem justo eh e aí ele diz que primeiro ele resolveu contar a sua versão dos fatos para corrigir as possíveis distorções e segundo ele reconhece que no fim das contas A Ana foi mais uma vítima de Todas aquelas circunstâncias que foram
aos poucos anulando a sua individualidade o que não deixa de ser verdade mas ao mesmo tempo eh isso não a exime de toda a culpa que ela tem mesmo porque essa Reviravolta na questão do Incesto acaba estabelecendo uma crítica a toda aquela postura conservadora da própria Ana O que resta da casa então assim como da família Menezes é esse grande signo ou essa grande sepultura que é o próprio romance sendo que Os Diários do André bem como todos os os outros documentos que ajudam a narrar tudo isso não são mais do que os restos dessa
casa que já não existe a não ser no campo do discurso e um discurso que Oscila o tempo todo entre o grotesco e o Sublime pensando nas descrições Ora incômodas ora poéticas que aparecem aqui e por mais que como eu disse antes em um vídeo anterior a gente não tenha aqui uma mudança significativa no estilo para diferenciar esses narradores né ainda assim para além daquelas diferenças de ponto de vista que Eu mencionei em vídeo anterior outra coisa que diferencia essas vozes é o tipo de reflexão que cada uma tece então por exemplo já no Primeiro
capítulo e também sua última aparição o André reflete sobre a morte por outro lado a Ana reflete o tempo todo ela se pergunta o tempo todo sobre o que é a verdade e sobre como ela se aproxima ou se afasta da noção de Fé ao passo que o Timóteo por sua vez faz toda uma reflexão sobre a beleza né E sobre o significado da beleza e aí enfim eh eu vou aqui procurar agora alguns Alguns trechos que eu acho que são significativos para poder ler aqui nessa Nessa última conversa sobre o livro e depois que
eu L algum desses trechos eu já vou encerrar os meus comentários sobre crônica da casa assassinada por exemplo aqui ó na página 441 em um capítulo que é narrado pelo Valdo é o Capítulo 41 e ele diz o seguinte sobre a Ana nunca deparei minha cunhada sem experimentar certo malestar não havia dúvida de que ela era discreta calada e via-se até que se esforçava por todos os modos possíveis para ocupar um Espaço mínimo mesmo assim no entanto não podia me furtar a impressão de que ela vivia sob a injunção de um pensamento oculto e que
todos os seus gestos mesmo os mais banais e os mais desprovidos de intenção obedeciam a um móvel calado que ela não tinha coragem de expor a ninguém né E aí mais adiante como Ana havia assimilado o sistema dos Meneses como se incorporar a austeridade da chácara e aprender a ser calada e parcimoniosa de gestos Nina ao Contrário jamais se adaptara vivia no ambiente como uma Perpétua excrescência sempre pronta para partir voltando sempre por outro lado aqui no capítulo 45 durante a última confissão a primeira parte da última confissão de Ana tem um momento em que
ela começa a falar sobre essa doença da Nina daí ela diz isso está na página 445 aquele ainda não era devo esclarecer desde já o mau cheiro contínuo Insinuante que durante muitos e muitos Dias nos perseguiu impregnando roupas copos móveis e utensílios tudo enfim com o seu açucarado alento de agonia era a primeira vez que vi alguém assim se decompor como sob esforço de violenta combustão interna e aí na página 446 eh ela diz ela começa a falar sobre a chakra Então veja ela tá falando do corpo da Nina e aí logo em seguida ela
já emenda uma reflexão sobre a própria chácara e daí ela diz quem quer que a visse de longe estranharia seu aspecto De coisa invadida e violada no entanto na metamorfose que a alterava e isso desde o cima Até a sua mais secreta estrutura havia um silêncio uma espera que lhe emprestava uma dignificante um dignificante tom humano vendo-a era impossível não reconhecer a a importância do momento como que em sua estática atenção ela aguardava que a Rajada passasse ela prestava atenção com seus ouvidos de pedra seus Nervos de pedra sua alma de pedra silente e Evocadora
como um instrumento de música morto na vastidão do campo o ar de doença que a tudo impregnava e aí enfim ela vai eh descrevendo Quais foram as suas reações diante esse corpo da Nina então em um primeiro momento a Ana fica muito chocada com aquilo ela nem quer ficar sozinha com a Nina que está ali se decompondo mas aí depois quando ela vê nisso um sinal da presença de Deus a Ana ela pega as roupas toda suja de sangue e De pus da que a Nina estava usando e ela começa a dançar com essas roupas
isso até me lembrou um pouco daquele filme Pearl né mas enfim deixa eu ver aqui vou ah sim eu não vou ler o o trecho em que o André tem a última relação com a Nina porque né é um trecho um pouco pesado não vou fazer isso aqui com vocês mas enfim se você quiser Releia o trecho sozinho aqui isso que eu vou ler tá na página 465 e faz parte do capítulo 48 que é uma Parte do diário do do André e aí A nina está ali nas últimas né ela na verdade está mais
morta do que viva E aí o o André diz o seguinte para ela se Deus existe não há de permitir que você tenha repouso do outro lado e de rezar todas as noites para que ele atormente sua alma e nunca mais a deixe em sossego E aí nesse momento porque ele tá falando isso porque eles não quer ficar sozinho ali na casa sem a Nina aquela coisa toda e aí nesse momento a Nina quando ela vai Morrer ela pronuncia o nome do Alberto né E aí e o o André diz o seguinte na página 466
talvez fosse ela precisamente ela mas essa outra real e secreta que eu jamais conhecera mas que a morte Afinal fazia vir à tona e que permanecera soterrada durante todo esse tempo afundada em seu mistério em seu desespero e na lembrança das vezes que assim também estremecer de amor Finalmente eu a surpreendia como se Surpreende um animal na armadilha sem forças para sofrer ar a invasão da morte que rompe mesmo as portas mais bem trancadas cedia fazendo emergir aquele nome em sua consciência derradeira e aí um pouquinho mais abaixo quando a Nina finalmente morre ele diz
sentia que ela realmente começava a morrer porque sua presença como um fluido que se esgotasse também principiava a se afastar das coisas a desertar dos objetos Como sugada por uma boca enorme e invisível Tudo que significava seu calor reflua dos os objetos que ela tocara em vida e que aguardavam até aquele momento a marca inesquecível de sua passagem como sob efeito de uma droga eu olhava para todos os lados e via escorrer essa presença dos móveis da cama das janelas e dos cortinados E aí ele continua essa mesma reflexão esse trecho aqui que eu vou
ler agora na página 486 faz parte do Capítulo 51 que é um depoimento do Valdo ele diz as janelas abertas como que Vigiavam em plena escuridão se bem que aquelas as pupilas acesas não se movessem E como que fixassem uma outra paisagem aci e superposta aquela que constituí os velhos pastos em torno do Lar onde eu nascera em que época em que ocasião do passado teriam permitido uma tal invasão daquela casa uma tão absoluta quebra de suas severas leis uma entrega tão total à curiosidade dos vizinhos que sempre haviam esbarrado contra os seus muros inacessíveis
não Conservava mais a mínima dúvida de que essa invasão significava o fim o fim completo dos Meneses os vizinhos se achegam e eram eles que denunciavam esse fim como um pleno como em pleno Campo os urubus denunciam a rez que ainda não acabou de morrer e também dentro de mim como se obedecesse ao mesmo ritmo de destruição alguma coisa se desfazia era possível realmente que a chácara ruísse viesse ao chão e nos arrastasse no seu vórtice de pó Envolve-me uma atmosfera de festa muito pouco fúnebre diz-se ia mesmo que a pobre morta enrolada no seu
lençol estendida sobre a mesa era um fator que muito poucos levavam em conta a verdade é que se despersonalizar já não era mais senão motivo longin da reunião e os visitantes esquecidos conversavam aos grupos alguns até mesmo em voz mais alta do que seria conveniente julguei mesmo ouvir partindo de um dos extremos da sala uma risada que em vão se esforçava Para ser contida eo tudo estaria completo isento de qualquer lembrança de morte se ainda não vagasse por cima de nós insistente aquele cheiro de matéria em decomposição que desde há vários dias tinha no quarto
da agonizante o seu centro de radiação assim uma coisa interessante e importante que eu acabei esquecendo de mencionar antes é que depois de toda aquela cena do do velório o Timóteo acabou tendo um derrame cerebral né E quem revela isso novamente É o Valdo que como eu já disse em momentos anteriores o Valdo no início eu achei ele um personagem meio idiota mas depois ele foi se provando um sujeito muito observador eu comecei ele foi subindo no meu conceito conforme avançou o o romance Mas enfim e aí nesse mesmo Capítulo o Valdo ele tá ali
né diante do cadáver todo mundo já se espalhou e ele vê um rapaz chegando ao velor Ele não conhece aquele rapaz mas aí depois ele diz o seguinte na Página 528 o desconhecido que me acompanhava era André Aquele estrangeiro era meu filho e eu não havia reconhecido nem os seus cabelos al louros nem seu porte de rapaz feito nem seus gestos felinos e desconfiados né E aí eles dois começam a ter uma uma conversa tal e aí na página seguinte 529 é dito o seguinte ela está aí morta miseravelmente morta tão morta que a seu
peito não é possível pensar nada senão que é lixo um monte de coisa que a que a gente se dá com um pé Como o esterco de bicho isso Deus é o que somos tua efige como ensinam o que representamos é um disfarce do podre Ó quem tá fal falando isso é o André somos esta hora marcada este medo de derreter e não ser nada H injusto não há Piedade e sem piedade como imaginar Deus o poder de Deus o respeito de Deus então aí está Eis o respeito que tenho pela tua criação e no
movimento rápido inclinou-se sobre os restos da morta e cuspiu neles cuspiu não uma nem duas nem Três vezes mas inúmeras vezes até que se esgotou sua saliva e deteve-se estava exausto e o suor corria lhe pela testa E aí logo adiante o André diz o seguinte pro Valdo na página 530 quero que saiba uma coisa eu não o amo nunca o amei como a um pai não sinto como tal como não sinto que é minha mãe que já morda nesse nesse caixão Aliás não sinto nada em relação a meus parentes não amo nenhum ser humano
e quer saber por guarde isso porque se o contrário acontecesse bem Poderia ser que eu o amasse como a um pai e respeitasse aos outros e reconhecesse este cadáver como de minha mãe se isso não acontece é exclusivamente porque o Cristo é uma mentira veja esse trecho aqui aqui eh é muito significativo pensando em todas as reflexões de ordem religiosa que o Lúcio Cardoso Sempre colocou em seus romances sobretudo a partir de a luz no subsolo né então enfim de certa maneira essa declaração aqui o Cristo é Uma mentira é algo que ecoa desde lá
o terceiro romance da da da obra do Lúcio Cardoso né enfim então é um trecho B bastante bastante impressionante por conta disso enfim não vou ler mais nada aqui né até porque eu já li demais também e essa minha fala já está se estendendo bastante e aí para encerrar eu vou recomendar o filme A Casa assassinada que é um filme de 1971 com direção e roteiro do Paulo César saraceni Quem fez a trilha sonora desse filme foi o Tom Jobim Quem interpreta a Nena é a Norma bengel e a Ana é interpretada se ass sim
a norma bengel para quem aí assistir a toma ladak é a dona Daisy né a a Ana ela é interpretada pela TT Medina que foi a Zuleica daquela Minisérie da Globo chamada labirinto Ah o Valdo é o Rubens de Araújo né Então veja que é um elenco muito muito interessante e evidentemente esse filme Ele foi bastante premiado e ele adapta muito bem o o o romance O que não significa que ele seja completamente fiel à narrativa do Lúcio Cardoso até porque adaptação não é sinônimo de fidelidade então fica aí essa sugestão para que você assista
também ao filme A Casa assassinada como complemento de leitura não preciso dizer que esse daqui se tornou a melhor leitura que eu fiz agora em 2023 e este tornou um dos meus livros favoritos da vida apesar de ser Um livro muito eh árido né em várias passagens eh não sei quando mas eu pretendo um dia reler aqui este livro então fica a recomendação certo enfim é isso eu espero que vocês tenham apreciado essas nossas discussões sobre o crônica da casa assassinada eu tentei o máximo que pude eh fazer algumas reflexões interessantes sobre essa narrativa não
sei se eu fui feliz em todas elas né porque esse é um Livro que me fez mudar de ideia em vários momentos Mas enfim fica aqui o meu agradecimento a você que acompanhou toda essa nossa jornada né Eh e eu vou deixar na descrição desse vídeo então certinho as referências que eu fui usando né dos textos que eu fui usando o link pra Playlist com os meus outros vídeos sobre a obra do do Lúcio Cardoso e eu vou deixar por fim o link para o meu perfil no apoia e assim caso você possa e queira
Contribuir financeiramente com esse meu trabalho basta você entrar em contato com os planos de apoio e também com as recompensas equivalentes a cada um desses planos fica aqui o meu agradecimento às pessoas que já contribuem e para você que quer fazer isso mas que não pode fazê-lo financeiramente basta você mostrar para o algoritmo do YouTube que o meu conteúdo é relevante de algum modo então curta esse vídeo compartilhe comente etc E tal certo vemo-nos então nos próximos vídeos e um amplexo