Falar aqui, então, de desconfiança. Desconfiança, aquela coisa lá do treino do pai. Sim, vem, meu filho, vem.
O garoto duvidou: “Tem certeza, papai? Olha aí, vem, confia em mim, pai! ” Lição número um: não confia em ninguém.
E aí, o que ela fala ou ele fala? Pronto! É ele.
Eu tô aqui há dois anos, já aconteceu isso comigo. Meus exemplos de vida em casa foram de desconfiança, cobrança e julgamentos. Hoje eu sou uma boa pessoa, me disciplino no amor de Deus; você me ensina muito e sua opinião se tornou, para mim, mais relevante do que a dos meus pais.
Uhum, eu tenho 24 anos, sou um homem bonito, estudo bastante. Eu saio aqui de Goiânia, vou para São Paulo uma vez por mês para fazer uma pós-graduação. Beleza, me dedico bastante aos meus objetivos e procuro a justiça de Deus para minha vida.
Que beleza! Escrevi uma vez aqui para você: eu sinto que eu preciso de ajuda, eu não consigo confiar, Caio, acreditar em relações sinceras e verdadeiras. Eu estive na CCB por 10 anos e vi que a ética de Cristo não estava naquele ambiente.
Para quem não sabe, é a Congregação Cristã do Brasil, né? E vi que a ética de Cristo não estava naquele ambiente que defende uma moral hipócrita. Uhum, quando eu estou sozinho, ou seja, solteiro, me sinto feliz, sabe?
Mais leve. Consigo refletir mais e pensar mais nas coisas de Deus. Quando eu tô namorando, eu fico muito ansioso, com uma carga muito grande.
Eu fico um pouco diferente, sabe? Com humor diferente. Eu sei que a culpa não está nelas e sim em mim.
Hoje, eu tenho a consciência de que tudo aquilo que vi e vivi influenciou diretamente a minha vida. Mas eu tento todos os dias fazer diferente. A minha mãe fugiu com o marido da tia dela.
Agora, ele falou: “Sério, né? Mandou uma bala aqui, não sei o que. ” Tudo bem.
Assim como são as pessoas, são as criaturas. Mas quando chega, diz minha mãe, aí você sai do coletivo para um privado intrauterino. É um negócio que mexe nas vísceras da placenta.
Meu Deus, a mãe! A minha mãe o quê? Fugiu com o marido da tia dela no passado!
Ah, fugiu com o tio dele, o marido da. . .
Ah, não! Da tia dela. Ela fugiu com o tio dela por afinidade, com o tio dela, certo?
É isso. Fugiu. Porque eu conheço relacionamentos onde a tia morreu e o tio se apaixonou por uma sobrinha e casaram, e dividiram a família num primeiro momento, mas depois, devagar, os anos vão passando.
Aí todo mundo vai parando de ver o tio por afinidade, porque não era um tio consanguíneo, tá? Era o padrão. Não era o marido da tia, igualzinho o caso.
Então, passaram a ver o tio por afinidade apenas como o marido da fulana e deixaram devagar de ver a fulana como a sobrinha dele, e passaram a ver só a fulana. Porque, um negócio meio duro para a família, volta a observar. Não tem nada do ponto de vista do DNA, da consanguinidade.
Não tem nada incestuoso acontecendo. O que tem é uma unidade psicológica, dependendo da idade em que o tio conheceu a sobrinha. Quando o tio e a sobrinha se conhecem em situações muito.
. . [Música] Terra.
Cada vez fica mais incestuoso psicologicamente. Por exemplo, você vira e se apaixona por uma sobrinha sua que você viu nascer. Depois, ela virou uma mulher e você, com 20 e tantos anos a mais do que ela, se apaixonou por ela, e ela por você, e vocês fogem juntos.
Imagina a cacetada na cabeça da família. É poderosa. A gente está falando não é de incesto consanguíneo, a gente tá falando é da incestuosidade psicológica.
O coletivo se sente confortável pensando que um tio, mesmo que não seja consanguíneo, ele é um tio de fato e de verdade, vai tratar aquela pessoa como se fosse um pai. E é isso que choca o coletivo familiar. E eu imagino o que possa ter provocado no caso deles quando a relação já é posterior.
Ou seja, você se torna tio de uma menina já mocinha ou já mais adulta um pouco. Demora muito tempo. Primeiro, do lado do tio, por idade.
Precisa ter uma alma paterna para ele sair acolhendo pessoas que ele não gerou, não viu nascer, que já são adultas e são totalmente pessoas diferentes que ele está conhecendo agora. Portanto, não existe nenhum nível de visceralidade psicológica, de vínculo entre eles. Então, nesses casos, quando a pessoa que entrou de tio na história não tem uma alma paterna para fazer esse acolhimento, fica.
E do lado de lá encontra assim uma sobrinha também que diz: "Tio gatão, que que meu tio, pelo amor de Deus! Eu tenho um tio que Deus me livre, não sei o que". E aí as coisas podem acontecer, como toda hora acontecem.
Uhum, e aí ele diz o seguinte: minha mãe fugiu com o marido da tia dela no passado. Uhum. E eu mesmo, quando pequeno, vi tudo aquilo.
Meu pai sempre foi um pegador nato. Ah, então ele dá uma risadinha. Parece ser engraçado, mas a minha família do lado dele se orgulha de serem todos muito pegadores.
E hoje meus filhos. . .
Mas onde você tem uma cultura de pegadores, você tem uma cultura de infidelidade. Sim, porque como você terá uma cultura de homens pegadores sem que ao mesmo tempo sejam todos infiéis? Altamente infiéis!
Claro, claro, porque se eles são pegadores na adolescência, solteiros, na primeira juventude, são pegadores, mas. . .
A idade vai chegando, eles casam, têm filhos e continuam homens pegadores. Isso é o lado e a interpretação machista da história, porque o lado real da história são todos homens adúlteros, infiéis, incapazes de serem dignos de confiança. Esse é o fato.
Aham! Realidade nua e crua. E essa é a realidade.
E aí, hoje meus tios me têm como referência disso, sabe? Mas, sinceramente, isso por dentro me machuca demais, pois eu não tenho relações amorosas sinceras desde que terminei meu relacionamento. Agora, como ele, um garoto bonito que faz um curso em São Paulo, está crescendo, os tios estão projetando, claro, o início da brotada dos tios no novo sobrinho.
Bonitão, ele é o novo, e aí você agora tem que honrar isso: a frustração dos nossos pintos semiacabados e ser o grande pegador da família. Então, nós te ungimos, toma o bastão, fica com a espada, meu filho, da família o CRO é teu. Isso, Deus te livre!
Uma coisa eu lhe falo: não lhe digo, uma coisa eu lhe falo, meu filho. Eu lhe falo; a coisa tá só na base do "eu lhe falo". Eu lhe falo.
E aí, pois então, Caio, desde que eu terminei meu primeiro namoro, sabe, eu não tenho relações amorosas sinceras. Desde que terminei meu primeiro namoro, ajuda, Caio! Você pode até achar minha história engraçada.
Eu até me divirto com isso, mas eu estou chorando aqui na mesa. Eu não acho engraçado porque ele é um garoto que tem tudo para dar certo e pode se enrolar, justamente aí pode se enredar, é enlaçar numa coisa dessa, como a maioria. Eu conheço, vejo e assisto há décadas, centenas, milhares de pessoinhas com tudo, tudo, tudo para darem certo na vida e não conseguem ir adiante porque sucumbem a inseguranças herdadas, e quase todas elas muito semelhantes à sua descrição.
Muitas delas têm a ver com essas frustrações em casa. No seu caso, é tríplice: você começou com a igreja, com falsas éticas; você via que eram de fachada e você, então, disse "não, não dá para confiar". Ao mesmo tempo, você tinha um choque familiar da sua mãe ter deixado todo mundo perplexo porque ela fugiu com o tio dela e dividiu a família.
E você deve ter ouvido uma quantidade enorme de vezes o pessoal dizer "nunca pensei, meu Deus, logo a fulano, logo a fulano, logo a tua mãe, mulher, meu Deus! ". É por isso que a gente tem que trair mulher mesmo, porque mulher não é de confiança.
É o papo dos homens da família que querem agora que você fique, seja herdeiro do. . .
Eis que te falo, é, é, e que te falo. Te falo, é o que te dou. Te dou o que te falo.
Querem que você seja o herdeiro da infidelidade deles, e o trauma da sua mãe, a meu ver, é o que é mais forte na sua vida em relação a dizer que você não deve confiar nas mulheres. O seu treinamento é medonho, meu filho! Você tem uma herança machista, cultural, de pegação e de infidelidade.
Portanto, a mulher é um ente de uma categoria não confiável, e ela está aí para não descobrir o que a gente faz. A gente não está aí para deixar de fazer nada; a gente só tem que aprender a fazer sem se entregar. Não é assim que funciona?
O espírito aí dos teus tios tem a justificativa que eles usaram para reforçar o estado de infidelidade deles, que foi o que ocorreu com a sua mãe, e que eu creio que dentro da sua casa foi algo que repercutiu e ecoou para sempre nos porões da alma da tua casa, do teu pai, a tua infância até hoje. E as mulheres com as quais você se relaciona se tornam todas elas simbolizações dessa sua angústia, dessa sua insegurança. Aí, meu querido, não adianta!
Você pode fazer doutorado, pós-doutorado; você pode ganhar grana, pode ser um cara lindão, mas você vai ser infeliz pra caramba, não vai confiar em ninguém porque acha que todas as pessoas são do jeito que disseram a você que as pessoas são e que todas as mulheres são exatamente como os homens da sua casa são. [Música] E quando um homem faz todas as mulheres sentirem, pensarem e desejarem exatamente como um homem pensa, sente e deseja, quando isso é transferido para a mulher, aí a insegurança desse indivíduo traumatizado cresce absurdamente, porque ele fica, toda vez que ele sente um tesão, dizendo "a menina que eu namoro deve estar comigo, pesão também". Toda vez que passa uma mulher, e você, sendo criado numa cultura dessa de pegadores, observa a mulher, você diz "a menina com quem eu estou deve ter o mesmo impulso".
Você vai transferindo, como todo mundo que vive o que você vive, vai transferindo para a natureza feminina o que há de pior, mais voluptuoso e mais inseguro na natureza masculina. Mas, na realidade, não é assim. Graças a Deus, a maioria das mulheres não são como os homens.
E graças a Deus existem ainda muitos homens que, aprendendo isso e desejando não existirem para serem dominados pelo cetro peniano que carregam entre as pernas, há homens cada vez mais. E aí você identifica, não em quantidade na sociedade, mas qualitativamente, identifica pessoas que vão dizendo "não, não é assim, não é assim que eu tenho que ser, não é assim que eu serei. Eu não ficarei porque querem ficar comigo; eu não tenho nada a provar.
E eu, quando ficar, confiarei. Quando eu achar que alguém é digna de ter uma relação, eu me entregarei sabendo que, se a pessoa me trair, não me traiu a mim, traiu a si mesmo". É que o machismo ainda está muito presente na sua cabeça, meu filho!
Essa casa machista ainda tem um. . .
Poder enorme de dizerem a você: aqui, quando uma mulher trai, cresce um chifre na cabeça de um cara. Não, quando uma mulher trai, sai um chifre do rabo dela! Você entendeu?
Sai um chifre da pepeca dela; não nasce chifre na testa de homem nenhum! Chifre nela, nela! O resto é papo machista.
Gente, quando brinca aqui de "Olha o chifre", brincadeira! O chifre está na vida de quem chifrou. O que chifra, chifra-se mesmo.
Não tenha medo ou pena de ninguém que foi enganado; tenha misericórdia e compaixão do enganador. O enganado não perdeu nada; ele perderá se ele for o enganador. Enquanto a nossa mente não se condicionar de que a interpretação é o oposto do ensinado, a gente não vai ter a tranquilidade que só o evangelho dá para caminhar, vendo a vida assim e não se sentindo lesado porque alguém fez mal a si mesmo, traindo a gente.
Pena que o outro tenha feito isso. Graças a Deus, você não fez! Não foi você, então confia, meu filho, e não siga esses tios nem essa cultura perversa; fuja dela.
Se a minha palavra tem algum sentido para você, ouça o que eu estou lhe dizendo e estribe nessa confiança. Escolha pessoas de caráter, gente legal, cheia de meninas que não traem! Você sabia?
Cheia de meninas que não traem! Eu conheço tanta menina legal, que tudo que quer é encontrar um cara legal para ficar. Elas não traem, nem os homens que não são legais.
Enquanto elas estão, tem umas que até, depois de terem estado com um cara que não era legal, dão um intervalo longo para ficar com outra pessoa. Agora, imagina aquelas legais, de caráter bom e sólido, buscando um relacionamento saudável. Quando encontram, é só a gente não ficar impressionado com carinhas e boquinhas.
Procurar não só externalidades e exterioridades, mas densidades e essências. Quando a gente encontra essa qualidade, quase sempre pode ter certeza de que essa pessoa não é outra coisa a não ser alguém com quem você pode ter uma relação bonita, digna, fiel, leal e confiante. Os homens é que nunca se entregam, ficam sempre puxando, dando a entender que estão, mas não estão, gerando insegurança, profunda insegurança nas mulheres que às vezes dizem: "Ah, não vou ficar de jeito nenhum, porque esse cara nunca se entrega".
Esse cara nunca se deita, ele nunca confia; ele não fecha o olho e se entrega. Só gente corajosa faz isso; covardes vêm apavorados. E beijo, meu filho!
E aí, tanta mulher legal, né? Cara, muita! Tô ligado, querendo coisa boa, preferindo ficar só do que mal acompanhada.
Sim, graças a Deus que ainda tem algumas que não nivelaram por baixo, que não têm um "meu bandido favorito", é muito B ou é bandido. Se é bandido, eu não quero! Um dia que aparecer um cara que não seja um bandido.
. . [Música] Amém!
VNV TV, o canal é você.