o [Música] Olá bem-vindos e bem-vindos ao entrevista especial futura 25 anos eu sou o Tony bellotto eu tô aqui com você para relembrar momentos marcantes dessa história uma das coisas interessantes o canal futuro além dos programas que são feitos e bolados aqui dentro é o apoio que o canal da aos parceiros institucionais como o caso do Itaú Social que faz a olimpíada da língua portuguesa olha que coisa maravilhosa eu vou conversar hoje com uma escritora fantástica uma pessoa muito especial que é Conceição Evaristo ela já participou dessa Olimpíadas como homenageada E também como jurada então
pra gente começar o papo minha querida me fale o pouco como foi essa experiência com essa e da língua portuguesa olha para mim foi uma das experiências mais gratificantes foi participar justamente com uma escritora homenageada na olimpíada da língua portuguesa porque é um momento também que ajuda a legitimar a minha carreira ajuda a a legitimar a minha escrita É como se eu receber se mais um salvo-conduto para ser reconhecida como escritora e não tomar corruptos especial é o público de alunos é o público é de escola então sem sombra de dúvidas o momento marcante muito
gratificante importante mesmo na minha nesse exercício da escrita por [Música] a Terra é [Música] com muita alegria hoje que a gente vem celebrar a parceria com o Canal Futura esse canal que pode levar a olimpíada de língua portuguesa para tantas localidades desse país do Itaú Social essa é uma parceria que nos fortalece institucionalmente Então hoje é um dia de celebração interessante Conceição que ontem né Eu tava pensando aqui que a gente entrevistar assim muito honrado com essa possibilidade e fiquei pensando lembrando né Eu tô com vou fazer 62 anos eu lembrei que na minha infância
a a referência de uma escritora negra brasileira e era a Carolina Maria de Jesus com quarto de despejo que foi um grande best-seller um livro muito importante Mas é interessante como a visão machista e racista e elitista da época at achava Carolina de uma escritora as intuitiva como se fosse uma mulher que quase que escrevi por acaso né assim ela tem esse tom escrever e é uma coitada uma mulher sofrida que consegue escrever e não havia o reconhecimento a grande escritora que ela foi escritora mesmo no sentido da de dominar a técnica de ter um
uma relação inteligente né claro com a linguagem que ela desenvolveu e tudo isso e a gente tava conversando aqui agora pouco antes de começar a nossa entrevista e você me falou uma coisa muito que me bateu muito sobre a Carolina que foi que ela inspirou a sua mãe a escrever me conta isso achei tão bonita essa E aí e é eu quero voltar quando você fala dessa relação a inteligente de Carolina é com a língua e nós acabamos está trabalhando acabamos cinema o trabalho Carolina um trabalho inacabado Karina é uma escritora que vai se revelando
para para quem está vendo ela tá se revelando aos poucos e a realmente a relação termina com a linguagem é uma relação inteligente a relação de procura como qualquer um torneio eu acho que tem tem consciência que trabalha com a linguagem que trabalha com a palavra está sempre em busca da heparina Estava sempre em busca com a linguagem encontrava respostas diferenciadas E essas respostas diferenciada Que carinha na encontrado que Carolina criava muitas vezes e é ter uma certa dificuldade de ser entendida como uma literatura como criar sala e lendo Carolina nos anos 60 a o
quarto de despensa dela na época desperta uma curiosidade e uma polimento muito grande na minha família porque de certa forma nós vivíamos em Belo Horizonte o que que era o menino vivia nas coisas que são Paulo Interessante não havia uma identificação a gente fosse personagem de quarto de despejo porque nós conhecíamos nossos quartos e aí a minha mãe e 70 a minha mãe fazer quatro cinco anos depois a minha mãe começa a escrever um diário e como Carolina um diário que a minha mãe escreve não tem a extensão de Carolina A menina escreve é mas
a minha mãe também faz poesia como Carolina fez e também copia uma série de pensamentos né de reflexões como como Karina também então a Carolina desperta é na minha mãe esse desejo nessa possibilidade essa crença inclusive que escrita também nos pertence né a escrita ela ela a escrita leitura não pode pertencer somente a determinadas camadas sociais você tava falando sobre o desejo da escrita né você tava observando que você repara às vezes nessa população de rua nessas pessoas que às vezes perderam tudo então ali é delegadas né essa experiência de viver na rua literalmente e
você observa que alguns as pessoas estão escrevendo e você tem uma curiosidade enorme e o que será que elas estão escrevendo fala um pouco sobre isso achei tão interessante eu fico olhando para o Eu já vi vários momentos que o outro é está escrevendo e e o que me chama atenção que na balbúrdia da rua normalmente nesses momentos e você percebe que aquele sujeito escrevente é Está concentrado na atitude que está concentrada naquele momento as vezes que eu já observei isso eu tive tanta curiosidade tive tanta vontade de chegar e perguntar mas eu acho que
a mãe invasão quando eu como desconhecida vou chegar perto da pessoa cabelo e vou plantar uma pergunta Ah mas isso Michele muita atenção muita atenção que momento é este do sujeito né que que ele sujeito tá escrevendo ali né que que ele tá vivendo é naquele momento eu tenho muita curiosidade muita não sei se alguém já fez isso se alguém já fez isso me conta eu acho que não acho que vai ser vai ter que ser você mesmo Aliás você tem um conceito que a escrever vivência me fez pensar nisso essa tua narrativa aí do
morador de rua da moradora de rua escrevendo como é que esse conceito da escrevivência que você fala porque eu diria é a sua escrita que está é profundamente comprometida convivência está profundamente é comprometida É com a vida com o entorno e o que eu tenho dicas seguinte Às vezes as pessoas me perguntam a tudo que você escreve você viveu e possível por o inclusive de ter várias personalidades métrica esse após hiato de ciência eu teria que seu marido da consegue ciência se eu vou com livros de conta eu teria que ser um policial eu vou
para insubmissas lágrimas eu teria que ser uma outra personagem Então não é isso não é é uma experiência individualizada mas é uma vivência profundamente comprometida com a coletiva com essa observação eu já tenho uma possibilidade por exemplo de criar o personagem que é uma pessoa é que mora nessa situação de vulnerabilidade na rua e essa pessoa está escrevendo eu posso criar esse personagem sempre assim de população de rua Tá mas e se ajuntar desse sujeito com isso me dá elementos para criar os personagens Então essa escrevivência para mim ela é essa essa essa escrita profundamente
marcada pela vida na tua experiência como professora é que avaliação você faz do ensino da língua e da literatura na escola e será que é o momento de rever esses cânones que que você tem a dizer sobre isso olha eu acho que é o momento é de ver esses cânones mas quando eu digo beber não é por exemplo é a pagar o esquecer é esse esses essa escrita né esses esses autores autores que já está consagrado não é isso mas eu o que pode fazer uma leitura mais Ampla mais completa eu já assisti já li
por exemplo de um professor que trabalhou uma letra de rapper o junto com com poema de Carlos Drummond de Andrade Então acho que isso é possível você pode pegar um texto de um escritor de uma escritora é canônica e fazer uma relação você pode pegar texto é um conto e fazer uma relação com uma música por exemplo é Iracema com o texto criado e hoje o por uma autoria indígena Malta indígena contemporânea pois gente pegar e ir assim a muito trabalhar desde já de Alencar e trabalhar com o texto de Daniel munduruku e o que
que sairia eu tava pensando aqui se você chegasse hoje para uma menininha uma menina negra que que está se iniciando na escola e seu interesse pela literatura dia que você recomendaria que livros você recomendaria o que que você diria ela para ler Olha eu começaria por exemplo de uma escritora brasileira daí de São Paulo que eu gosto muito de ter um livro belíssimo que é a cor da ternura esse livro ele é o niver da é publicado pela STB mas a primeira publicação desse livro foi pela pela Mazza edições do livro primeiro tipo desse livro
é leite leite de Pente e ele vai aparecer já deu mas comercial com a cor de ternura um diria para ver a cintura e eu acho que tem várias vários porém poemas né eu não gosto nem de ficar citando porque quando você se você corre muito risco na citar alguns autores e não se deixar de citar outros né poetisa Eu gosto do ter uma poetisa algumas pessoas não gostam é um tom é eu acho que não se existe o nome que tinha denomina uma mulher que faz poesia que faz tipo assim que esse nome a
poetisa eu não acho nada demais usar esse logo uma poetisa de Salvador que eu gosto muito Liga Natália Oi Elisa Elizandra Souza é de São Paulo tenho Alan que é um cotista fico só lista daí de São Paulo Allan da Rosa tem letras musicais assim de Deus uma ro né de intensa poesia tem muito material para trabalhar na terapia muito mais puxa Conceição suas palavras são inspiradoras mesmo e é muito legal Realmente você é é uma voz muito lúcida é quando vocês sugerem né que essa menina Leia o Lima Barreto que Escute as letras de
rap é eu fico muito feliz aqui de ter conversado com você e encerro Nossa entrevista agradecendo a tua Lucidez E agradecendo a aula aqui que você me deu também muito obrigado concessão Foi um prazer falar com você e esse programa aqui gente fica disponível no globoplay valeu E aí