Bem-vindo ao canal Cosm Rímoli. Sou jornalista esportivo há 39 anos. Trabalhei 23 anos no Jornal da Tarde. Tô a 17 na Record e eu trago pessoas importantes do esporte pro canal que sempre acrescente alguma coisa a você. Tô trazendo um psicólogo, se você precisar. trazendo um jornalista de formação, não de acadêmico, e uma pessoa que assim transborda neurônios, mas ela foi testemunha de um fato esportivo Importantíssimo. Ela se chama Ricardo Seon. Muito obrigado por ter vindo até esse humilde canal. [Música] pode mostrar a sua bela voz para quem tá acompanhando a entrevista e dizer o
que que aconteceu com o Ronaldo em 98. Esse é Cosm Rímul que eu conheço há mais de 30 anos e que me faz arrepiar e aceitar o convite dele foi a coisa mais fácil que eu pude fazer. Bom, mesmo sabendo desta Pergunta difícil, porque é uma pergunta que me persegue. A gente não escolhe eh os amigos, perdão, a gente não escolhe a família, a gente escolhe os amigos. E eu tenho um amigo aqui na frente. Eu tenho outro amigo chamado Ronaldo. Ser amigo no mundo do futebol é algo muito diferente de ser amigo aqui. Você
tem que saber lidar com os jogadores. Fui amigo principal do Roberto Carlos por mais de 20 anos, a Ponto dele me convidar a ir quando ele ganhou. Você lembra, a bola de prata da FIFA? o primeiro defensor da história do futebol a ser agraciado com esse prêmio. Fomos juntos, me escolheu para ser o acompanhante dele. É muito difícil quando você tem que se adaptar o tempo todo. E ao Ronaldo talvez foi o mais fácil de todos, porque é uma pessoa de uma de uma pureza interna, não externa. externa. Ele é malandro, ele é esperto, Ele
sabe o que faz, tem o toque de mim, mas dentro dele é uma pessoa que é o tipo da pessoa que se fosse só aquilo, eu gostaria que minha filha casasse com ele. Dito isso, eh, nós nos aproximamos muito. Eu não sei se você teve lá quando o Brasil jogou na Noruega, em Oslo, não. Nos amistosos. O Brasil nunca ganhou da Noruega, como você sabe, o aviãozinho do Zagalo e tudo mais. E ele tava no Barcelona. Eu vou Começar a história para que você veja como é interessante o passo a passo. E ele me pediu
uma um favor. Ele tava ele tava naquela época na Holanda. Eh, e a gente conversou e ele tava muito chateado com a revista Placar, porque falaram que ele comprava 30 CDs porque tinha dinheiro, nove jaquetas de couro. Eu falei: "Não tem como ajudar. Os jornalistas escrevem o que quer e você tem que aprender a lidar com os jornalistas". não responder Sempre o que eles pedem, porque eles querem as coisas mais eh que vendam e é delicado, nem todo jornalista, óbvio. E aí nessa outra viagem ele falou: "Careca, eu vou pra Itália, paraa Inter. Eu só
fiz isso. Como você fazer?" Então assim, essa era a relação. Mas esa aí, você que tava cobrindo, eu tava, eu tô trabalhando. Eu sou freelancer. Sou freelancer. Na época eu trabalhava pro jornal da Noruega. Eu sempre fui freelancer. Então eu dou ao aos jornais, Revistas, sites, televisões e rádios essa brasileirade nossa. Pelos meus idiomas, pela minha experiência, eu consegui abrir os mercados mostrando um Brasil explicado em miúdos. Ontem à noite eu fiz uma matéria sobre o porqu do Brasil estar tão atrasado diante da Argentina em árbitros, dirigentes, jogadores e treinadores. E você tem que alguém
tem que explicar que os últimos seis presidentes, incluído atual, tiveram problema na justiça, que dois Não pode sair do Brasil porque serão presos, de que três foram irradiados para sempre do futebol mundial, de que o atual foi proibido de exercer a presidência e de que ele ganhou uma eleição com 100% dos votos como na Coreia do Norte, Síria e Rússia. Ninguém ganha com 100%, o Putin não ganha com 100% dos votos. Então, explicar isso é o que eu faço. Eu tava na Noruega e ele me fala sobre a Inter de Milão e eu falei: "Não
faça isso, você já está em Barcelona, bem, você tem teu cachorrinho que o gerente do Banco de Castelo de Fels, a cidadezinha perto de Barcelona, deu para você, já entraram no teu sangue, já debulharam você inteiro, não vão mais te encher a paciência. E a Itália é o inferno, a liga italiana do cátio. E ele foi, ele foi e eu vou chegar em 98, quando ele se transferiu pra Inter de Milão, você lembra os dois empresários dele, o Alexandre e o outro que foram presos, enfim. Sim. Um Falcatru. Isso. Eh, pessoas do Rio de Janeiro,
tal. Alexandre Martins era um e outro, não recordo o nome. Reinaldo Pita. Reinaldo Pita. Reinaldo Pita. Eh, falaram, a gente tá preocupado porque a gente tava no no hotel Santa Sofia de Milão e um hotel Nove estrelas e eles estavam preocupados porque a Itália não é Espanha. Os italianos são, eles mordem, o espanhol não. E eu falei: "Olha, eu moro em Roma, tava morando em Roma na época, tinha tinha feito o a Morte do Sena para TV Bandeirantes, começado a lidar com televisão e fazia TV japonesa. E eu falei: "Olha, eu tô disposto pelo meu
carinho, pelo pelo Ronaldo, a abandonar a minha carreira e ser a mão direita dele, porque ele precisa. Alguém que ensine italiano devagarinho, alguém que explique o que é a mídia italiana, alguém que explique como é o futebol italiano, ele não sabe." Só uma um parênteses, o Kaká uma Vez tava lançando um produto da LG aqui em São Paulo, não sei se pode falar a marca. Sim. Eh, e ele me abraçou no corredor e falou: "Ele tá vindo pro Milan. Eu juro para você, ele falou: "Como é a Itália? A véspera de ir pro Milan é
assim". Então eu falei: "Eu tô disposto". Mas você falou isso para ele e ele tava sentado. Ele falou: "Eu quero, eu quero, eu quero, porque o Careca me conhece, sabe? Eu não quero ter gente estranha perto de mim". Ele Era muito grande, Cosmic. Ele era muito grande. Claro que o empresário italiano que ele tinha não aceitou, queria controle total. A história do Ronaldo na Inter não foi boa, por mais que o Mácio Morati, presidente da da Inter, adotou ele, a esposa, a recuperação, tudo que você quiser. Mas ele não foi feliz. Ele não foi feliz.
Não sei, porque a Itália ele morava, eu dormia na casa dele em Milão, em frente ao estádio, dormia, dormi Quatro vezes. Ele namorava a Susana Werner. Eh, a Itália é perigosa. A Itália é perigosa. Ele foi colocado num caso de que ele tinha, o nome dele estava no caderno de uma cafetina lá. Ele foi isento depois. Mas a Itália não é a Espanha. Você vê a Espanha, você vê os casos dramáticos na Itália e ele caiu muito. A mídia e atacava e depois levantava. O nome fenômeno veio de lá, Adriano, l'imperatore, Ronaldo e il Fenômeno.
Eh, mas ele não era feliz. em Barcelona ele era feliz. Tanto é que Messi pode jogar na Lua, vai morar em Barcelona, Neymar pode jogar no no Jabaquara, vai morar em Barcelona e tantos outros, porque Barcelona é legal e ele devia tá morando lá. E aí o italiano não me deixou. E aí eu vou te contar o último episódio para chegar em 98. Aqui você fala, pode ficar tr Obrigado. Obrigado. Tô tentando ser curto. Não, pode falar. Ele tava lá, a gente ficou amigo, ficamos em contato, a gente falava por telefone, comecei a dormir na
casa dele uma vez, outra vez, tal. Até que um dia o programa que teve, teve aqui no Brasil, o doqc, que lá na Itália chamava asas, leiene porque tirava sarro e é argentina, é um formato argentino. E aí eu comecei a trabalhar nesse programa, comecei a trabalhar nesse programa. Eu fui a primeira hiena estrangeira, era muito popular, fiz 1 2 3 4 até que falaram: "Você tem a cara do Ronaldo". E aí aconteceu uma coisa, voltando com aquela reunião, que o Ronaldo tinha que sair do hotel. Eu era muito parecido com ele. Você lembra disso?
Os dentões e tal. E aí eles me pagaram para eu sair pela porta da frente do hotel Regina Sofia. Não era Santa Sofia, Regina Sofia. Rainha Sofia. Sim. Eu saí pela frente, a massa de jornalistas veio atrás de mim e ele saiu por trás e foi embora para onde ele Tinha que ir. Foi muito legal. E aí, esse episódio foi recordado e aí fizemos umcaldo no aniversário dele, no qual eu deito na cama com ele no quarto de hotel, vem alguém com a câmera. Ei, Ronaldo cumple ano, felicidades, feliz aniversário. Levantam a a coberta e
tô eu lá. Ronaldo, tudo bem? Como é que você tá na Itália? Não, eu não sou. E eu não sou no Ronaldo. E aquela coisa é muito engraçado. Ficamos amigos. Voltando a 98, eu tô trabalhando Pela FIFA. Minha vida muda completamente. Agora eu não sou mais jornalista, eu sou FIFA. Eu tenho terno, eu tenho que cuidar da imprensa, eu sou uma pessoa que tá dentro. Não, mas esa aí, vamos detalhar como é que você entrou na FIFA, o que que aconteceu? Vamos deixar o Ronaldo um pouquinho do lado. Vamos deixar o Ronaldo do lado. Ronaldo.
Eu sou freelancer, viajo o mundo todo e batalho. Não é fácil não ter salário. E a Arábia Saudita criou Criou uma competição. Ela já, o que vocês hoje, que nós hoje vemos da Arábia Saudita, já começou nos anos 80 com o príncipe, filho do rei, que na época tava vivo, tava bem. Ele queria que a Arábia Saudista, a Arábia Saudita fizesse parte desse mosaico. E ele criou com a FIFA a Copa das Confederações que não existia. Você lembra disso? O Brasil foi o episódio do cabelo cortado de todo mundo, que zeraram todo mundo, que Juninho,
Leonardo brigaram. Você estava Lá, não sei. Na Arábia Saudita, foi 1997. Saud e foi difícil para caramba trabalhar na Arábia Saudita. Lembrando assim que eu sou de origem judaica. era totalmente proibido. Teve uma resenha no hotel com jogadores toda a noite que eu não tive o que fazer. E eles me perguntavam o que que é religião, como é que é o muito legal. Eu sentado com Romário, Carlos Germano, com com Tudo Dunga uma loucura. E eu falava, Aí o Romário começou a tirar sarro de mim. Engraçadinho o Romário. E quando vinha um áre assim: "O
se ti judeu? Judeu aqui, judeu, judeu ficar brincando comigo, falando: "Romário, por favor, é minha vida aqui." E aquela situação foi vista por alguém que eu com jogadores. Isso a segunda vez que aconteceu na minha vida. Primeira foi em 91, que eu te conto depois que eu fui morar na África por causa disso, por causa da minha proximidade de jogadores. Eu tô Ali e aí me diz: "Olha, o pessoal da FIFA quer falar com você depois do jogo, do primeiro jogo do Brasil. H, eu tava marcado e aí tava todo mundo, na época não tinha
zona mista ainda. Eh, e eu vou te dar uma exclusiva daqui a 2 minutos. Opa. A gente tá embaixo do estádio, tinha um palco com seis cadeiras, o jornalista embaixo. Aí veio o chefe de da FIFA sentar no meio, veio o Zagalo, o Roberto Carlos, o fenômeno Ronaldo, um árabe e duas cadeiras vazias. Todo mundo ali esperando ouvir o que que o Zagalo, né? Copa do Mundo é daqui um ano. Timão, Leonardo, tava todo mundo lá, lembra? Era o time dos sonhos. E eles, bom, vamos começar a conferência coletiva. Vamos começar agora as perguntas. Estamos
aqui com Ronaldo, Roberto Carlos, Zagalo, o nosso tradutor em árabe. E aí todo mundo fica quieto, Fica olhando um pro outro. Que que tava faltando? Alguém que fale português. Portug evidente. A FIFA simplesmente esqueceu. Detalhe, né? Um detalhe bobo. Olha o que a FIFA é. E aí o cara do meio fala, o Kit Cooper, né, o inglês, fala: "Somebody speaks English and português". Alguém fala inglês e português? Todos os nossos companheiros. Setion. Setion. Sim. Aí eu fiquei assim, por favor, você pode subir ajudar a gente, né? Eu sou Pequeno. Agora eu sou freelancer. Eu tô
rezando a todos os deuses e entidades para receber a bendita e e credencial da FIFA pra Copa de 98. Quase freelancer não é credenciado fácil, garantido. E aí eu, claro que eu vou te ajudar, né? Sou sou escravo, faço o que vocês quiserem. Aí eu tô passando assim por trás para pegar a cadeira. Ronaldo passa a mão em mim. O Roberto cara fala: "Eu vou te ferrar". E o Zagalo fala: "Tadinho". Aí eu sento e primeiro pergunto: "Ronaldo, Como é que você enxerga esse Brasil novo que tá aqui, que tem um potencial grande de voltar
a ser campeão do mundo depois da última Copa?" Aí ele começa a falar, ele fala, ele fala, ele fala e ele não para. Ele fala e ele fala e olha para mim e faz assim e ele fala e todo mundo morreu de rir. Aí que que eu fiz? Peguei e consegui traduzir tudo. Comecei do fim e aí foi demais. Aí eu trabalhei todas as os jogos do do Brasil foi campeão. Ele deu 6 a 0 na Austrália e tal. Final Da Argentina, né? Exatamente. Foi maravilhoso. E aí acabou acabou a a competição. Falei: "Ah, vou
ver o cara da FIFA agora. Ele vai me dar uns 3.000 no mínimo, né? FIFA. Ele chega, vem no hotel do Brasil, me estende a mão. Você já deu gorgeta para pr pra manobrista com o dinheiro na mão dobrado?" Foi isso que ele fez comigo. Eu abri, tinha 200. Falei, falei: "Não é muito, não vai quebrar a FIFA is". Aí falou: "Isso é da minha parte, que a FIFA não tem Orçamento para freelancer. Desculpa, sou seu escravo novamente." E fui para casa. Morava na Hungria, em Budapeste. Fazia Fórmula 1 paraa rádio Capital. E aí eu
recebo uma carta em Budapest em fevereiro de 98, 2 meses depois. O senhor está convidado para o workshop da FIFA em Paris. adjunto aqui está o bilhete executiva Budapest Paris e de volta. Hã, que sensacional. Eu achava que era credencial. E aí eu fui para Paris e Inventaram um cargo porque não havia, você lembra? Eu fui o primeiro chefe de imprensa da FIFA dedicado a uma seleção. Por quê? Porque nós somos muito complicados com a nossa rádio, a rádio brasileira, né? né? Não sei se você lembra que eu fiz lá em Ozorla Ferrier, onde o
Brasil treinava uma separação de TV, rádio e jornal. Eu lembro do curral que a gente estava, eu criei esse curral, tinha os brasileiros, você ficava chateado que os portugueses Aproveitavam também. Sim, dis uma invenção. Era cotuvelada para todo lado. E aqui vem exclusiv. Então diga, você sabe o que é zona mista? O que é zona mista? Sim, sei. Tá em todo lugar. Até no show do Bom Jovem tem zona mista. Seu colega aqui foi um dos quatro que participou da criação do conceito de zona mista que foi criado pela FIFA em 97 para que em
98 os jornalistas não perdessem os atletas. Criou-se o conceito de zona mista, aonde eu não Posso forçar, eu FIFA não posso forçar o jogador a falar, mas vou forçá-lo a passar pelo ziguezague. Ele que tem a capacidade de dizer não por Cosmin Rímulo, eu não vou falar com você. E você tem o direito e o espaço, sem a minha intervenção de aproximar-se ou como se diz, abordar o atleta. Eu, graças a Deus ganhei um prêmio por isso, ganhei $2.000 e e por ter criado e nós usamos a zona mista em 98 pela primeira vez no
campo de treino do Brasil foi Também a primeira zona mista por profissão, ou seja, o jornal pode entrar em todas, mas não pode perguntar. O rádio não pode entrar na televisão e não pode. E quando entra no no jornalismo escrito, ele não pode perguntar, pode ouvir. Lembra disso? E ainda tinha os idiomas, tinha em espanhol, tinha em francês. E eu fazia tudo isso. E assim eu cheguei na FIFA e fui o primeiro. Hoje todas as copas tem pessoas que fazem isso, são chefes de Imprensa dedicados. Infelizmente a CBF não gostou de ter uma pessoa que
não fosse do meio e eu fui retirado, tiraram o pão da minha boca. Eu ganhei duas vezes em duas copas o funcionário exemplar. Tenho duas medalhas de ouro da FIFA. Vocês jornalistas adoraram isso. Não, o trabalho foi ótimo. A gente conseguiu ter uma uma simbiose legal. O acesso quem não tinha ingresso a gente conseguia. que jornalista precisa de ingresso. Eu lembro o de Mário Toginhó, Veterano do JB, mais de 60 anos de idade, ficou sem ingresso, eu consegui o ingresso para ele, então era bom e a imprensa não se fez ouvir. E eu, infelizmente, depois
de 2006, perdi esse emprego maravilhoso que eu ganhei, graças a Deus, o suficiente para me manter como freelancer. Voltamos agora a 98. Esse meu acesso de terno Luis Viton, credencial da FIFA, me fez ficar muito próximo dos atletas. Então, mas você fazia exatamente o quê? Como que era a Sua rotina? Você acompanhava os treinos? Você acompanhava ia na concentração? Como é que era? Perguntado. Muito bem perguntado. O trabalho meu era ser o homem de ligação do Brasil com a FIFA em tudo que tem a ver com comunicação, não com uniforme, não com balde de água.
se precisar de um rodo. Não, eu era o homem que, caso haja uma comunicação da FIFA com o Brasil e Brasil com FIFA, número dois, eu era o responsável chefe de toda a atividade de Imprensa nos treinos oficiais da FIFA, não no treino do Brasil no hotel, ali é coisa da CBF. E número três, nos estádios, no dia de jogo, eu era responsável pela pelo credenciamento, pelos bilhetes, pelos ingressos. Eh, porque ali a FIFA tem um sistema, né? Primeiro agências internacionais globais e vai descendo, eh, jornalistas do país que tá jogando. Então, era resposta por
isso. E, finalmente, pela coletiva isonista, um trabalho enorme. Eu dormia Duas vezes, duas horas por dia, mas eu era feliz, eu era muito feliz. E como é que foi para você essa caminhada do Brasil em 98? O que que você com essa com essa memória incrível? Conta aí, por favor. Extremamente interessante. Eu criei um laço muito forte com o Aldair, com Cafu, com Carlos Germano. Eu respeitava o espaço da seleção, não ia nos treinos da CBF para não incomodar. Eh, os assessores de imprensa do Brasil na época, Nelson Borges e um assistente Dele foram muito
inteligentes e eles só falaram: "Ctião, toca, você aqui sabe lidar. Isso foi sensacional para vocês e pra gente." Todo mundo tinha sua exclusiva de uma pergunta, duas. Se eu falava CM, não pergunta três, por gentileza, porque teu colega da Folha também tem direito a ter uma exclusiva e aí funcionava. Houve uma gestão equalizadora e a FIFA usou isso. Então assim, só para te para você entender, eu fui o primeiro a fazer zona mista, o Primeiro a ser o chefe de mídia dedicado e o primeiro a ser chefe de comunicações de Mundial de Clube no ano
2000, que você lembra, teve aqui o Mundial de Clube em São Paulo. Esse mundial que nós vamos ter agora nos Estados Unidos é baseado e não tinha manual. Então eu também tive que porque todo evento da FIFA os profissionais recebem um guia, um manual. O Mundial de Clube de 2000 nunca existiu antes. Então de repente eu sou responsável pelo Morumbi e pelo Maracanã. De repente eu tenho Maracanã, o Maracanã na minha Morumbi. Aí eu criei o sistema, não sei se você lembra, das pinturas. Você sa de imprensa, tinha faixas pintadas na parede no Mumbi, uma
vermelha, uma amarela, uma azul. Então se você é jornalista de pressa escrita, segue o azul, você não vai se perder. Se você é fotógrafo, segue o amarelo, faz direto ao campo. Isso nunca aconteceu. No Maracanã a gente fez o centro de imprensa, as cadeiras da tribuna de Imprensa, tanto que a Globo pegou, as cadeiras eram giratórias, não incomodavam, tinha tomada. Primeira vez que aconteceu no Maracanã. Então a gente sabe o nosso trabalho. Então ter um cara de dentro para trabalhar para dentro foi bom. Mas a CBF, como eu disse, isso nunca vou deixar de dizer.
A CBF me tirou, tirou o pão da minha boca, troco de nada, porque eu nunca fui inimigo da CBF. E e a comunicação, olha, nas últimas oito copas eu estive, piorou Muito, a gente não tem acesso e aí que tem um clima de guerra entre imprensa e seleção brasileira. Mas vamos lá, 98. Começamos a relação com os jogadores. Eu ia no, eu era o olha, você como jornalista sabe a emoção que é de repente você está no túnel e você responsável de fazer isso aqui, ó. 5 minutos, por gentileza, dentro eu entrava no vestiário do
Brasil Cossmico. Au, incrível. Eu via os caras se aquecendo, eu via a Dunga batendo bola, Eu via Roberto Carlos conversando e preparando meião. Claro que eu respeitava a privacidade, não ficava mais de meio minuto. Eu levava, e aqui é importante você recordar, aquela folha que você recebe dos titulares, quem tá no banco, quem não tá disponível. Para aquelas pessoas que não sabem, os jornalistas, os VIPs, eh, as pessoas que estão trabalhando no estádio recebem uma folha cerca de uma hora antes do jogo. Escalação, o nome do árbitro, dos Bandeiras, hoje do VAR. E nessa escalação
ainda é como hoje você tem três linhas, então Brasil e aí você tem os então Brasil tá em cima e embaixo e paralelo assim do lado os nomes. Então t assim, vamos supor Dida, GK, goleper, goleiro, ele é titular. Então tem a fileira titular, reservas, ND não disponíveis. Então você tem os 11 titulares, os reservas e cada jogo eu levava a folha vazia. Aí me chamavam, eu voltava, eu eu Entrava no vestiário com muito respeito para não, né, saía imediatamente, ou seja, não vou ser pessoa chata, não vou aproveitar, mas entrar e sair. E era
o cara que falava: "Olha, o árvore vai chegar daqui a pouco, olha vocês t 5 minutos para sair para ir pro turno que o time tá saindo". E pegava essa folha e levava pro chefe que dava o OK, mandava imprimir voluntários e puf, pulverizava e chegava pra gente na Exat pelos voluntários. Os jogos foram seguindo. Eu criei uma ligação muito forte com outro com Aldair, o Cafu, Carlos Germano e mais algumas pessoas. Eu eles me pediam chiclete, então eu sempre tava com o terno todo engomado, eu no túnel com as duas seleções. E eu não
podia mostrar emoção. Só que o meu trabalho era assim: enquanto o Brasil ganha, eu ganho dinheiro. O Brasil eliminado para casa. Então eu rezava. Aí o Brasil marcava gol, fazia assim: [Risadas] "Vou ficar mais um jogo". Hum. Mais dinheiro, mais trabalho, mais FIFA. Era tudo. Hotel cinco estrelas e relógios e bolas e roupas, Adidas. Ch. É uma, um absurdo. Quem mais não precisa, mais recebe de graça. Ingressos. Um absurdo, mas sempre respeitando a CBF. E aí foi indo, o Brasil foi ganhando os treinos que fomos criando esses currais paraa imprensa trabalhar. O Roberto Carlos falava
espanhol com imprensa espanhola, Argentina. O Leonardo falava francês que francesa, falava inglês. Os jogadores colaboravam, eles sabiam que o Ce tava lá para não deixar ninguém fazer mais do que três perguntas. Eu falava: "Ó, daqui a pouco cóm vai chegar o Roberto, vamos liberar, são oito perguntas aqui e tal, vamos fazer isso hoje para que eles voltem amanhã". Então, funcionou. Eu tenho muita honra de ter sido isso. E aí chegou semifinal, tal, uau, ganhamos da Holanda. Lembro um sofrimento danada Pênalti sofrimento danado. E aí chegou o dia da final, eu ia pro outro da seleção,
entrava até uma parte, saía, respeitava. Estávamos nós lá em Ozo da Ferreira, La Ferrier, sentados na calçada vendo você entrar digníssimo com Não, tinha roupa de esportes também tinha roupa esportiva da FIF. Até hoje eu guardo, inútil, mas eu guardo. E aconteceu o que aconteceu? Não, o quê? É o quê? Lembra que Então aqui vem a questão. Entenda bem, Cm, essa não é a Minha história. Então existe uma questão ética mínima que eu não posso me autopromover, como tá acontecendo aqui, no sentido de que eu estou me me expondo, em base a segredos e coisas
pessoais de outras pessoas. Mas dito isso, posso te dizer o seguinte, eles foram lanchar. Você tá querendo dizer, então eu vou falar um segundo. Eh, o pai do Ronaldo tinha ido, eh, pai e a mãe do Ronaldo tinha uma mansão lá, onde o pai do Ronaldo e a mãe já tinham se separados. O pai do Ronaldo estava com a digníssima namorada, a mãe do Ronaldo estava com o digníssimo namorado. Há uma história que chegou paraa imprensa que a relação entre o namorado da mãe do Ronaldo não era boa e isso teria criado um grande problema
na cabeça do Ronaldo. Seguindo essa história, há também a história do Bial e da Susana, que os dois estavam sempre trabalhando juntos. Isso chegou de uma Maneira estranha na concentração. Dito isso que você não pode dizer, pode seguir. O que eu posso te dizer é que a carga emocional negativa e positiva sobre o Ronaldo foi acima de que ele poôde aguentar. Ele ele ele ele ele era um mascote dos jogadores. Vivendo ali dentro, todos gostavam, cuidavam. E claro, o melhor atleta, eh, era a explosão dele em campo e o sorriso contínuo e, enfim, toda Aquela,
aquela maneira endiabrada de ser. Mas ao mesmo tempo as pessoas que estavam fora, que você mencionava, todo santo minuto falavam com ele e tava na modo celular na época. Na época começou, então ele tinha acesso a celular. 94 não tinha acesso de celular. E eu não vou te dizer se isso foi a causa. Ninguém pode dizer. Então ele tomava também infiltrações de voltarem no joelho. Exatamente. Então você tem a Pressão social familiar, você tem a pressão do medo do menino de não poder jogar. Você tem a pressão da questão do namoro, você tem a pressão
do futuro dele e você tem a pressão do jogo que jogar a camisa do Brasil. Nós vemos hoje o que a camisa do Brasil faz com atletas da seleção. Vinícius Júnior vira Maria Mole. A camisa é muito pesada, Cosmo. É muito pesada. Para você ter ideia, um grande dirigente da CBF chegava na FIFA para reuniões com uma Sacola, pegava essa sacola plástica, camisas do Brasil novas e jogar, passar pelos escritórios e jogava a camisa do Brasil. Então nós estamos falando de uma coisa muito séria. Nenhuma camisa é assim mesmo que funciona. Como não entendi? Jogava
nada quando os os os os os representantes da FIFA, os escritórios da FIFA, as pessoas importantes, recebiam camisas de presente do Brasil. Ah, entendi. A CBF, esse grande dirigente, passava com Camisas e dava de presente, mas jogava as camisas. Era humilhante pros caras da FIFA, mas era uma camisa do Brasil. Eu, como funcionário da FIFA teve três pessoas do Comitê Executivo, que é o máximo da FIFA, que me pediam, você tá lá dentro, pede uma camisa do Ronaldo. Pô, mas o o Bláter me pediu uma camisa, vou te falar claro, o Bláter me pediu uma
camisa. Mas o Ricardo Teixeira tinha boa pontaria quando ele jogava as camisas. Eu não posso dizer porque eu Não estava no local. Olha como Olha, deixa. Ah, tá sorrindo por quê? Mas ele tinha boa pontaria. Mas ok, vamos seguir. Vamos seguir. Vamos ser. É. É, tá vermelho. E aí o que aconteceu foi que o grande processo foi eh o que aconteceu antes da final. O que aconteceu a final foi uma pressão gigante porque era a mídia tava muito presente. Esses problemas todos que eu mencionei criaram uma ansiedade em Muitos atletas. Não é só o Ronaldo.
Muitos atletas passaram noites em branco e eles não falam. Se conversav, falava: "Tá difícil dormir". É muita pressão. A comissão técnica era uma comissão técnica complicada. Como assim? Explica, por favor. Eles eles exigiam dos atletas algo que a gente viu depois em 2006 que eles não exigiam. Que aconteceu em 2006? Indemisciplina. 98 foi a super disciplina. Eles queriam ser campeões do Mundo de qualquer jeito. E a comissão técna tinha pessoas ali, entre elas o Américo Faria, extremamente profissionais, acima da média. Isso gerava um estresse muito grande, porque ninguém que você sabe como é, né? Me
dá um exemplo, por favor. Um atleta que chegava atrasado no ônibus era punido, montado. Eu não posso te dizer qual multa, mas um atleta que falava demais a zona mista era chamado atenção. Um atleta que não Descia pro lanche noturno era questionado. Tinha uma pessoa nessa comissão, você não sei se quantos você conhece, chamada Zico. A única pessoa equilibrada de verdade de todo esse processo, além do, acho que vou dizer a única, vamos ser claros, equilibrado, único. E você entend porque que eu tô mencionando. Ele era a única pessoa que conversava ao pé de ouvido,
suavizava a vida dos atletas. O Grande ídolo do Ronaldo é o Zico. E o Ronaldo não sabia mais o que fazer, porque ele falava: "Se eu não for campeão do mundo, vão vão me engolir sem sal". Isso foi muito forte com ele. Então, a razão do que aconteceu, ela pode ser explicada em vários lados, mas naquele lanche, no dia da final, eles voltam pro quarto. Quem estava no quarto junto era Roberto Carlos e Ronaldo. E eles tinham um ainda Tem uma um carinho muito grande um pelo outro e eles se se brincavam e aí chamavam
o outro de lixo. Ô lixo, ô lixo e tal. E depois me foi passado, óbvio que eu não tava no quarto, que o que aconteceu foi o seguinte, eles deitam para descansar, a televisão está ligada, eles conversam e aí o Roberto Carlos fala: "Lixo, hoje é teu dia". E o lixo Ronaldo não Responde. E o Roberto Carlos acho que tá dormindo. Tá bom, vamos deixar ele dormir, né? meu grande atleta, meu companheiro lixo não responde, ele tá ali deitado. Eles estão deitados e aí aquela coisa quase dormiu, de repente o Roberto ouve umf. Era o
corpo do Ronaldo caindo da cama. O Ronaldo ficou desacordado por mais ou menos 40 a 70 segundos. Isso é muito importante. Isso não te contam. Ronaldo Não estava conosco por, eu diria, desses 70 segundos, uns 5 segundos, ele estava out, fora. Começa a gritar, a língua do Ronaldo tá fora do da boca, começa a gritar e aí começa o trem de pessoas que entram, César Sampaio, Edmundo, que foi muito prestativo, ã, Leonardo, pessoas que começam a E não tem Zagalo, o Zagalo tá dormindo, não tem Zico, não tem ninguém. E até que desenrolam a língua
dele, vem, vem, vem um massagista e ele recupera os sensos, os sentidos, ele recupera e ele não tá muito bem, ele tá assim e ele levanta meio cambaliante e senta na na cama. Nesse momento tudo muda na seleção. Sabe quando um copo não tá quebrado, mas tá trincado, você não sabe o que vai acontecer daqui a 2 minutos é quebrar ou não. Essa era a seleção brasileira. É porque os jogadores não estão Acostumados com alguém tendo convulsão. Além do que os jogadores não entenderam o que aconteceu. Quatro jogadores somente sabiam. O resto foi abafado porque
tinha uma final hoje. Pelo rápido, a seleção brasileira, isso é uma das piadas, infelizmente, tinha dois médicos, o Lídio e mais um médico que era ortopedista. Esqueci o nome dele. Esqueceu nada. Você não quer falar não. Não, ele realmente não lembra. É o É o da mata. Não, não, não. Desconhecido. Não, não, não, não. Ele, ele, ele gordão carioca. Não, não, não, não, não, não, não. Tinha, tinha. Então, tinha três. Tinha, tinha o de barba que era o, o do Botafogo. Ah, o do Flamengo. O de Não, tinha o de Toledo. Não, tinha o da
Mata. Se eu sei que você tá falando. Da é não, esse não era não. Não, foi um outro, um ortopedista, um senhor, e levaram ele para uma clínica em Paris. O Ronaldo foi Para uma clínica com ortopedista. Com ortopedista. Essa para mim foi para uma das três grandes falhas. O fato de que não há quem possa abordar o jogador no momento de crise. Um clínico geral. Não havia ninguém próximo dos quartos. Quem atendeu foram os jogadores. Dois, quem levou o jogador pra clínica foi um ortopedista. E ele não teve problemas ortopédicos. Com todo respeito aos
Médicos, ele não teve problema ortopédico. Nós vamos ao estádio e eu perco o contato com a seleção. Eu perco contato com a seleção. Você vai para onde? Que que acontece você? Está. Eu tenho que ir pro estádio preparar o jogo. Você tá no estádio 4 horas antes do jogo. Cuidando do de onde? Do que? Cheguei. Cheguei. Tá muito nervoso porque eu sabia de 80% e eu tinha medo dele estar muito mal. Mas quem te avisou? Você tava do Lado, como é que foi a situação que que o Ronaldo tinha passado mal? Pessoas que estavam jogadores,
dois jogadores te ligaram e a situação tá meio complicada. Eu liguei, eu liguei, eu liguei. Ã, é muito forte que tá que eu tô te contando, porque o momento era muito grande, era uma final de Copa do Mundo globalmente, e a gente tinha que preparar o estado de França. O estado de França era um estádio novo, onde os ônibus entravam dentro do estádio, Correto? Eu lembro, a gente pisava no, a gente quebrava os compensados, era super novo e, e feito também, entre aspas, nas coxas também. E rápido. E rápido. Exato. E o estado de France
a gente chega chegava, tinha que andar um caminho, nosso carro, meu carro entrava dentro do do estado de França, eu tinha essa moral, como se diz, e eu parei, comecei a trabalhar o as mídias, quem vai entrar e eu, que que vai acontecer com a seleção? E eu ligo para as pessoas e Eles só me dão mais dados que ele foi paraa clínica, que ele já voltou. E aí veio a informação de uma pessoa da comissão que me ajudou muito, que disse que o caminho de Osuarla Ferrier, concentração do Brasil até o estado de France
foi como se fosse um carro de velório. Não houve samba, não houve música, só silêncio, os atletas fechados e o Ronaldo quieto. A comissão isolada na frente. os jogadores atrás. Não é assim que se vai Para uma final. Mas o Ronaldo já tava no ônibus? Não, ele estava na clínica. Na clínica. Clínica. Então você falou Ronaldo, perdão, errei. Na clínica. Eh, o ônibus chega e o Ronaldo realmente não está no ônibus. É isso que eu queria dizer. Eu recebo a seleção, mostro onde é o vestiário e eu não vejo o Ronaldo. Eu não vejo o
Ronaldo até o fim. Eu não vejo o Ronaldo. Bom, lembra que o Brasil ganhou da Holanda? Sim, os pênaltis, lógico. Lembra da folha que eu entrego? Sim. Bom, posso entrar, professor? Tá aqui a folha. Passam 20 minutos e eu tô querendo saber do Ronaldo. Ninguém fala mais nada. E eu tô dessa vez não me deixam entrar no vestiário. Não me deixam. Eu entro no vestiário, sim para pegar a a folha 2 minutos e eu vejo o Edmundo e o Dunga Conversando. Tinha um espaço, você olhava aqui do lado, você entrava numa porta lá direitinho a
sala do professor, sala médica, sala não sei do que e a esquerda dos atletas. Eu vejo o Ronaldo Não disponível. Eu mantenho a frieza, saio e antes de levar o meu chefe, eu decido tomar iniciativa aí. Posso entrar? O segurança fala: "Não, preciso falar com o professor que é o Américo que Faria, no Caso." Ele fala: "Pode entrar e eu entro agora. Eu entro agora tô dentro do vestiário. Eu vejo todos os jogadores. Edmundo vestido completo." Falou: "Professor Américo Faria, administrador da seleção brasileira". uma das pessoas que sabem mais de bola e de bastidor, no
caso, Brasil. Eu não posso colocar ND não disponível sem uma razão. Se você tem uma boa memória, você recebeu a primeira Folha sem o Ronaldo como explicação do lado. Você lembra qual era? É muito difícil de lembrar. Eu coloquei, ah, teve um choque na contra a Holanda. Exatamente. Falei, temos que colocar algo aí. Aí eu lembro da do gesto do Américo que Faria. Ah, coloca aí alguma coisa escândalo. Coloca, coloca. Eu não trabalho na CBF, mas estamos ali. Eu sugiro que a gente coloque que ele teve uma pancada forte um jogo contra a Holanda e
no tornozelo ele não pode Jogar. É, o Zagar falou: "É isso mesmo, que loucura". Eu coloco em inglês, dou na mão deles, faço eles assinarem e vai a vocês a folha e o mundo explode. Cadê o Ronal Galvão? Bueno, Cosm Rimon e cadê o Ronaldo? Ninguém sabe o que aconteceu com o Ronaldo. A única pessoa, e aqui vale a pena lembrar, que tomou a iniciativa de me ligar da mídia brasileira, sabe quem foi? Quem foi? Cajuru. Cajuru me ligou e falou assim: "O que é que está Acontecendo?" Não posso falar agora, mas o Ronaldo não
está no estádio. Sério? Posso falar isso? Claro, é um fato. Cajuru explodiu. Cajuru trabalhava na rádio CAD de Goiânia na época. Hoje é senador da República ou deputado federal, não sei muito bem. Senador, cada coisa que a gente vê no Brasil. Eh, mas um grande jornalista. Sim. E aí passam-se talvez 30 minutos, caos Total. Alguém me diz que a Globo tá desesperada. Tem que chamar no ar, tem que chamar o Ricardo. Tem que char. Aí o R não não Ricardo Seon. Ricardo Seon. Não, o Teixeira. Eu me contaram tal. Cajuru me liga de novo. Chegou,
não chegou. Vai jogar, não vai jogar. Agora cabe aqui uma explicação rápida do que é o T. Muito simples. A FIFA trabalha com T. T de tempo. Então T - 60 significa 60 minutos para começar o jogo. Então a Gente tem T - 120. As equipes têm que estar no vestiário e o árbitro já tem que ter verificado as credenciais. ter menos 90, as equipes têm que estar disponíveis para mostrar uniforme e assim por diante. Cosm tem menos 60, aquela página de de de elaborada com a escalação, acabou, é sagrada, não se mexe, nunca se
mexeu e nunca será mexida, menos e chegou pra gente com menos pro Brasil e chegou pra gente com o Edmundo como titular. Exato. Ponto. E Não vai ser mudado. É lei, é FIFA. acontecem o seguinte. E aí é uma coisa que também ninguém sabe. Eu cheguei pro meu chefe, entreguei e ele me responde em em inglês: "Os teus compatriotas estão tirando sarro da gente?" Porque ninguém aceitaria que o Ronaldo fenômeno não jogaria a final contra Zidane. Era era o absurdo absurdo. Falei: "Não, doutor, é isso mesmo. No caso, não é doutor, né? Mr. Cooper, é
isso. Não, não é possível. Aí começaram a ligar e o telefone dele toca, era o bláter. E eu ouvi claramente ele falando: "Claro, claro, presidente, vamos providenciar." Claro. E eu não entendi o que era. Vamos providenciar. Juro para você, Cómico, como se fosse ontem, eu lembro, vem um dos chefes voluntários, passados talvez 8 minutos, faltava T - 51, mais ou menos. Eu lembro direitinho. Mor Ricardo. Mor Ricardo. É Ronaldo taxi. Mor Ricardo. Ronaldo. Taxi. Ronaldo tá Chegando de táxi. Hã? 51 minutos. O cara tá chegando de táxi. Please, né? Me leva lá, tal. Ó, eu
não tô brincando, tô arrepiado. E aí eu chego, vou lá embaixo, onde chegam os carros e ônibus, um táxi cor baunilha, cor creme, sai o ortopedista do lado de trás e vai embora. Me perguntou: "Onde é que é o vestiário. Eu nem respondo. E vou pro Ronaldo. Ronaldo de short azul, camisa azul da seleção, sabe aquela camisa de Treino e a bolsinha de jogador embaixo do braço. É, [ __ ] quando é que é o vestiário? Eu vou jogar. Não, Rona, você não vai jogar. Já saiu a escalação. Eu vou jogar. Rona, você tá branco
que nem um papel. De Rona, você tá branco que nem um papel. Ele fez assim na minha cara e fala: "Fica tranquilo, vou jogar. Me leva." Aí eu levei e aí eu vi a cena da minha vida. Como é que foi? Eu abro a Porta. Abro a porta. O Zagalo parece que viu um fantasma. Ele dá dois passos, lembra? Jogadores estão à esquerda, professores à direita. Professor, eu vou jogar. O Zagalo fala assim: "Como? Eu vou jogar?" E aí é que o Zagalo famoso coloca o que é que vocês fariam no meu lugar. Lembra disso?
Colocar o melhor. Gló. E eu tô presenciando ali até que uma mão veio no meu ombro, era segurança Me empurrando para fora. Falei: "Você tira a mão de mim, eu vou sair sem você me empurrar". Havia um momento grave ali. Eu simplesmente vou para o meu escritório e depois de 3 minutos o mesmo segurança fala: "Cetião te chamando lá na vestiária. Estão me chamando, eu, o pequeno setion me chamando vestiário do Brasil. Fui lá, me botam na sala, nós precisamos de outra folha nova de escalação, limpa. Falei: "Eu não, não Tenho esse poder. Não pode,
nós cuidamos de tudo. Me traga a folha nova". Aí as ligações começaram. Começou uma triangulação de ligações entre o presidente e o presidente e o presidente e o diretor e o presidente e todo mundo. Eu tenho informação de que pessoas da Nike que estavam na tribuna ficaram loucas e pediram de qualquer jeito. Acho que eles não tiveram nenhuma influência, zero. E eu recebo a chamada do meu Diretor e fala: "Leva lá". Mas eu falei: "Tem menos 48". Faltam 48 minutos pro jogo começar. Ele faz assim para mim, eu levo a folha em branco e depois
de 6 minutos me chamam, me entrego a folha, Ronaldo titular, Edmundo no banco. Só que quando eu vou pegar a folha, eu vejo o Dunga com a mão na cabeça assim balançando o ambiente. Ninguém batendo bola. Ninguém batendo bola. O único que Tá se vestindo é o Ronaldo, que todo mundo tá vestido. Faltam 46 minutos para começar o jogo e eu tenho que levar uma nova escalação para os jornalistas mundiais sem ter a explicação, porque eu acabei de mentir, não mentimos que ele se machucou no tronzelo contra Holanda e assim foi que foi o papel.
Só que calma, mas isso é irregular. Irregular. Irregularíssimo. Isso é irregular. Ponto. Ele não poderia jogar. Então, desculpa, te cortei. Pode, pode Seguir. Não, é perfeita a sua colocação. É irregular. Então, e aí? E depois ele jogou. Calma. Aí passam uns minutos, tal, tudo ficou resolvido em T - 39. Ele vai jogar. Houve assinatura T -39. Eu lembro perfeitamente. E aí tem todas as cerimônias. Então eles têm que sair do do vestiário T -25. Então se for exatamente o tempo de T -39 até -25, 14 minutos. de confusão interna que eu não vi até que
sai alguém da da Da comissão, que você me permite não mencionar o nome, e me diz: "Olha, temos que evitar o acesso de qualquer pessoa aos atletas. Eu não quero, a CBF tem essa, tinha essa cachorra, não sei se ainda tem, de mandar de mandar na FIFA. na FIFA. Na época Teixeira era ridículo. Eles podiam mandar na FIFA, que é um absurdo, tem que ser dito. O Brasil tá hoje por causa dessas pessoas. Nós hoje sofremos nosso coração, nossa alma, Nossa vibração por causa desse desmando. E eu tinha que aceitar. Assim, foi em 2002 também.
Eu tinha que aceitar Brasil, mas eu fui treinado pela FIFA para ser chefe do Brasil. E o Brasil não gostou disso, porque ninguém manda no Brasil. Esse é o nosso problema. Nós achamos que somos os donos do mundo. Eu já tenho 61 anos. Chega a hora de dizer as coisas como elas são. Não é possível. Não é possível que a FIFA tenha que ouvir uma Federação, porque essa federação traz votos para ela. Eu fui despedido da FIFA com a pessoa, não vou fazer o Blatter. Me pediram desculpa, desculpa, me dando um cheque, pedindo desculpa e
me dizendo entre você e o Ricardo Teixeira, infelizmente eu tenho que ficar com o Ricardo Teixeira e assim Ricardo Teixeira e sua corja tiraram o pão da minha boca, eu voltei a ser um mero Jornalista com amo o que eu sou. Mas eu cheguei lá sem a CBF e a CBF não gostou disso. Não tem problema. Rancor zero. Me dá pena, a verdade. Me dá pena. Sou amigo de várias pessoas que foram inimigas minhas. Eh, os as amizades que os atletas têm comigo até hoje, do Pelé, Pep, Rivelino até o Neymar justificam que eu sou
uma pessoa correta e decente. Beleza, túnel, seleção sai. Lembra do copo trincado? Sim, eu lembro do olhar do Carlos Germano e do Aldair. Eles não me pediram chiclete. Pela primeira vez na Copa do Mundo. Eles não me pediram chiclete. Mãos dadas, você lembra que entraram de mãos dadas? Hitor Sena, se eu não me engano, alguma coisa assim. Entraram, pareciam zumbis. O Brasil perdeu o jogo ali. Ali o Ronaldo na frente, o a a pancada com o Bartz, com o goleiro francês, quando ele cai. Os jogadores, na minha opinião, teve jogador ali que não teve infarte
porque Deus gosta deles. Eles morreram de medo. Tem um atleta que me disse dentro de campo a gente viu a possibilidade do Ronaldo morrer em campo. Vou terminar toda essa história com uma coisa, isso até o fim do jogo. Depois, se você quiser, a gente pode falar da coletiva e tudo mais, mas eu acho que tem que ser dito também. Quando a seleção entra e o turno fica vazio, faltava T-1. Eu vi o Zico, repito, a única pessoa equilibrada de verdade que não entendo como Noel o chefe do futebol brasileiro há anos, o único jogador
que é idolatrado por todos os atletas. Não existe uma pessoa assim, pode deixar o que você quiser do Zico, do Neymar, do Ronaldo, do do Adriano, todo mundo ama o Zico. E não é à toa. Pessoa séria. Ele pega o Lídio Toledo, a única pessoa, Cosm que Falou: "Esse menino não poderia estar em campo. Ele passou por um trauma qualquer. Ele não poderia estar em campo depois desse malestar dele, ser submetido a uma pressão física de jogo de futebol profissional. Se acontecer alguma coisa com ele, eu e você vamos conversar muito sério. Literalmente. Literalmente. Incrível,
hein? Que postura. Postura. Incrível. Incrível. Se acontecer alguma coisa com ele, eu e você vamos conversar. Eu lembro disso. O Zico foi inteligente, educado e muito severo. Esse jogador não deveria jogar. Ele não deveria estar em campo se submetendo a esse esforço. Genial. É isso. Essa foi a história do jogo. O jogo acabou. Só para terminar, os jogadores voltaram no 3 a 0. Tinha uma rampa que levava ao túnel. As esposas jogadores franceses estavam ali celebrando com os com os atletas da França. O Brasil desceu, claro, emocionalmente desequilibrado. Nós somos Desequilibrados. Nós amamos, nós pulamos,
nós, isso não é bom no futebol. Você quer ser profissional, você tem que ser sério. E o Ronaldo tava chorando. E o Ronaldo me abraça e chora no meu ombro por 10 segundos. E aí ele vê o Zidane. Eu nunca vi uma coisa tão bonita no meu na minha carreira. O Zidani abraça o Ronaldo e e acarice o Ronaldo. Fala para ele ficar calmo e eles ficam ali vários minutos. Aí três jogadores da França vem, abraçam o Ronaldo. Uma cena indescritível. A França não celebrou em respeito ao Brasil. Olha o nosso respeito. A Alemanha parou
no 7 a 1 com o famoso Thomas Miller falando, vamos maneirar, não vamos marcar mais gols e a França não celebrou a Copa do Mundo ali. Bola para você. Agora vamos paraa coletiva. Estávamos nós enlouquecidos. Entramos naquela época Que a gente entrava até perto do vestiário, no vestiário praticamente. Aí chega quem? Você com o Zagalo. O Zagalo vou fazer ou você falou um dos dois, ele vai ter só um pronunciamento dos nós em a gente queria fazer milhões de perguntas para entender o que aconteceu, não sei o quê. E aí, por favor, havia na sala
480 jornalistas. Eles foram os que receberam o passezinho para entrar na zona mista. Esses jornalistas eram ingleses, franceses, italianos, alemães, obviamente brasileiros. E o Zagalo sobe e toda a FIFA desapareceu. Era eu e o Zagalo e o tradutor. Sim. Era o francês. Eu fazia as traduções também porque eu falo francês. E aí o Zagalo fala que eu ia fazer um pronunciamento, mas ele respondeu as perguntas. E o Zagalo falou: "O que que vocês fariam no meu lugar? E tudo mais." Como isso? Aí Veio o Mauro Leão do Dia. Não, não, Bel, desculpa, não, não houve
nenhuma pergunta. Nós não fizemos pergunta nenhuma. Não deu não. Ele ia fazer o Zagal. Ol, vê se vê se eu vê. Vamos lá. A minha versão. Olha, não vai ter pergunta. Aí o Zagalo ia começar a fazer a falar. Aí o Mauro Leão que tava do meu lado fal ó, mas o Zagalo, o que aconteceu? Aí o Zagalo começou a gritar com ele. Aí vem, mas não teve pergunta nenhuma. Ele começou a Falar, ele disse: "O que que vocês fariam no meu lugar quando o melhor jogador do mundo diz que pode jogar? Se eu, aí
ele fala, se eu não colocasse ele, vocês iam reclamar de mim. Se eu coloco ele, vocês reclamam de mim. E aí ele começa a falar. E aí o Mauro Leão, alto, como ele é, o jornalista, jornalista carioca, alto, jornal Odia. Sim. Disse: "Se você sabia que ele não estava bem, por que você colocou ele em campo?" E o Zagalo começou a gritar: "Você quer roubar aqui? A estrela aqui sou eu." E eu segurando ele, ele e o Zagar fal assim: "Não, me solta, me solta, eu vou falar." Eu falei: "Não, Zag." E aí a veia
do Zagalo começou a saltar e ele gritava: "Porque você quer aparecer?" O Ronaldo falou que ia jogar. Lembra disso? Sim, foi uma situação dramática que levou 3 minutos e meio, Quí o vídeo está no YouTube, todo mundo pode ver. É muito importante isso, ô CB, quando a gente falar os fatos. Sim, pode ser que alguém não goste do que eu falei aqui, pode ser que haja reações, ninguém vai me desmentir, porque quem quiser me desmentir vai ter que provar. E a gravação, por exemplo, da porque eu também posso estar mentindo, né? Eu posso estar criando
alguma coisa? Sim, mas mas eu sei que não. Então assim, essa esse vídeo tá em Vários no YouTube e tal, mostra eu fazendo assim, ó, com a cabeça pros voluntários, chefes começarem a tirar os microfones dos jornalistas, que era o microfone os microfones centrais da FIFA. E aí eu pedi para tirar o Mauro Leão, falei: "Ele tem que sair porque ele tá tem um pronunciamento, tem a chance de perguntas. Ele, ele acabou com o trabalho de vocês. Ele acabou com a coletiva. Ele explodiu a coletiva. Mas o Zagalo ia falar com a gente. Ele tava
falando. Não, ele tava fazer um um pramento. Tudo bem, mas ele não terminou. Perfeito. Perfeito. Então, mas a gente queria Perfeito, mas era uma decisão dele. Eu iria fazer pergunta. A diferença é essa, que a FIFA tem direito a fazer três perguntas. Se você vai no jogo da Copa, você sabe que a FIFA a primeira pergunta é sempre da FIFA e ele não pode recusar. O que não deu certo foi que o Zagalo não Conseguiu fazer o pronunciamento dele e nós não pudemos fazer a nossa pergunta. E do nosso lado vieram alguns policiais para pegar
o Mauro. Não, e a gente não protegeu não. A gente entrou em confus policiais. Foi uma loucura. Lembro. Foi uma loucura. A minha função era tentar dar uma coletiva. E eu acho que o Mauro errou. Eu falei para ele, eu acho que você errou. Se você guard Contasse até 10 e esperasse o término do pronunciamento, talvez. Mas você primeiro não era vez dele de falar. Então o Mauro não pode falar que ele não errou, porque não era a vez dele de falar. Ele ele fez uma coisa que você não faria, que é interromper alguém que
tá falando. Então o Mauro errou, é nosso amigo. Eu eu realmente acho um dos melhores jornalistas que eu conheci do Rio de Janeiro, mas não vou ficar fazendo média. E depois o que aconteceu Com você, o Zagalo? Então aí o Zagalo começou a ficar extremamente nervoso e eu tive, infelizmente, porque o Mauro gritava de volta, que concluiu, eu tive a a obrigação. Agora pensa bem, aquela coletiva tá sendo transmitida para o mundo, para o mundo inteiro. E quando eu levanto e falo: "Zagalo, acabou, eu não vou permitir mais. Ah, você vai ficar louco aqui, eu
não vou permitir mais. Não me deixa falar." Ele batime até que ele aceitou e ele foi embora Gritando. E aí os ingleses, principalmente e os franceses começaram a gritar porque eles queriam uma coletiva. Então o que você disse que não iria ter perguntas? Eles sim sabiam que havia, né? E aí foi que acabou a coletiva, o Zagalo passou mal atrás, foi uma situação muito séria, porque realmente foi um êxtase. Não, o Brasil perdeu a Copa do Mundo. A gente não sabe o que teve o Ronaldo. Ninguém sabe exatamente o que teve o Ronaldo, se foi
Epilepsia, se foi uma queda de pressão, se foi o que que foi, né? A gente não sabe, não há não há diagnóstico, nem ele sabe. Mas o Zagalo passou mal, passou muito mal. Ele ele perdeu, ele ficou sentado para se acalmar. Veio um médico francês e ficou do lado. Claro, ninguém sabia disso. Ninguém sabe disso. A gente ficou por ali uns 5, se o o Zagalo tava full, ele ia, ele queria falar, ele queria se defender e o e o Mauro, no caso, cortou e gerou aquele bateboca. E Ninguém quer ver bate boca na FIFA,
ninguém. E depois aí levamos os jogadores ao ônibus, né? E foi o luto, foi um luto total. Eh, você foi até o hotel? Eu fui até o hotel. E infelizmente os jogadores não tavam saindo dos quartos. Foi foi acho que o momento mais triste da carreira da minha carreira jornalística. Eu tinha lágrimas dentro do ônibus quando não. Eu subi no ônibus, saí do ônibus com meu carro. Eu tinha Acesso a tudo, mas eu também tinha que respeitar. Quem é que tava pior do time? Quem era as pessoas mais abaladas que você lembra? Cara, o Dunga
era o único que tava íntegro. O Dunga tava ali, o Edmundo tava completamente alterado. Como a que ponto revoltado? A ponto de que ele queria jogar. Falou que se eu Ele falou claramente, se eu jogasse a gente não ia perder. Ele falou isso. Falou porque teve aquela resenha que você conhece que Os atletas fazem no fim e tal. Agora quem tava, na minha opinião, quem tava mais revoltado era o Leonardo. Leonardo. Leonardo tava revoltado. Tava ele, ele não conseguia conceber porque ele fala francês, ele entende o que aconteceu, ele conversou com os jogadores. Foi, eu
vi ele assim, eu vi o Roberto Carlos muito nervoso, batendo a porta do do das malas do ônibus. Foi terrível. Foi foi um 3 a 0 que equivale Ao 7 a 1. Acho que na história, nos anais, do da seleção brasileira, você tem as as derrotas paraa Espanha em 38, aquelas coisas, mas o 3 a 0, o 7 a 1 e o 4 a 1 são muito marcantes. O que aconteceu? A seleção foi para foi pro TEL, pro Zé Ferrier e se dispersou, não quiseram ficar juntos. Mas o que que mandou pra FIFA depois desse
episódio da final? Tudo, tudo, tudo. Não, não, não pode mais eh jornalista interromper. perde a credencial, eh, vai ter sempre Um cara como eu funcionando de intermediário. Eh, a coletiva sempre é agora tem multas. Se o jogador não passa na zona mista, tem multa. Se o treinador não passa na zona na na entrevista, tem multa. Então, hoje todo treinador praticamente, acho que teve dois ou três casos só de treinadores que não foram falar um iraniano, tal. É obrigação. A CBF obriga, todos obrigam. Isso é para o bem da imprensa. Mas mudou tudo, todo o contexto,
porque foi a primeira vez que Houve zona mista, foi a primeira vez que houve esse escândalo de gritaria entre isso não existe. Não existe nem Inglaterra nos piores momentos. O Brasil marcou uma página muito forte da FIFA. Aquilo foi estudado depois para evitar. Eh, jornalistas são responsabilizados, o Mauro não foi responsabilizado. Eh, mudou tudo, mudou todo o conceito de zona mista, de credencia. Muita gente não se credencia mais pra Copa do Mundo. Se você não for De um meio forte, você não tem, é muito complexo. O credenciamento virou feito pelas pela confederação de cada país,
não mais pela FIFA. E isso é uma máfia, porque o jornalista que por acaso briga com a CBF não recebe credencial. Então mudou muita coisa para pior, para melhor, mas a zona mista foi testada e foi mantida para desde então, de 98. Foi o primeiro evento no mundo esportivo ou artístico que teve zona mista. Você tinha, você disse que você Saiu em 2006. 2002 você participou aterrou no gramado. Quem segurou o pódio pro Cafu subir fui eu. É verdade. Então é que como o Brasil ganhou não marcou tanto. Por quê? Como é que foi então
o trabalho? Vou repetir. Eu vou repetir. Como hoje eu sou uma pessoa mais autônoma, mais independente, não tenho mais os receios de antes, porque a gente vive no mundo, o mundo da seleção, da FIFA, você sabe como eu, tem que ser diplomático. Se você não tem, se você Não tem a capacidade, claro, você sende um grande meio, você pode até se permitir, mas você tem que ser diplomático, você quer chegar no jogo, você não pode criticar, você não pode bater de frente. E como freelancer era pior. Mas como é que foi 2002 para você? Para
você. Então eu acho que 2002 foi perfeito. Foi perfeito. Não, não podia ser melhor. Vou te contar rapidamente. Mas eu acho que nesse caso foi tão Perfeito para todo mundo, pros jornalistas, para mim, pra seleção. Foi fácil trabalhar mesmo. Foi fácil trabalhar. E a comunidade de jornais esportivos não fez nada para manter um privilégio que só o Brasil tinha. Quero lembrar para você, só o Brasil teve um chefe de imprensa da FIFA dedicado que a FIFA pagava salário para cuidar da imprensa brasileira. E a CBF, sabendo da desunião dos jornalistas, me retirou. Eu trabalhei em
outras copas, mas por trás Dos bastidores. Na Copa 2014, para eu conseguir trabalhar, foi feito um sistema para que eu não aparecesse. Eu não tive credencial, porque a FIFA tanto me quer, me queria que eu tive que trabalhar escondido. Eu nem sab, não lembro de você 2014, mas 2012 não, vocês não. Então eu trabalhei para FIFA várias copas, eh, incógnita. Não, então por que que você acha que então com 2002, o que que o Brasil fez certo para ganhar a Copa do Mundo nos bastidores? você que acompanhou. Então, o Brasil fez certo foi ter um
trabalho muito bem feito com a FIFA, um trabalho muito profissional com a com o staff da seleção, um trabalho muito inteligente ã do treinador. O Felipão trabalhou de maneira emocional o grande problema Ronaldo e o gigante problema Rivaldo. Você lembra que o Rivaldo não tava bem, não tava feliz, tava revoltado com todos, com tudo, com a mídia e o Felipão Conseguia fazer coisas que ele chegou até a pensar em abandonar qual a Totalmente. Lembro de uma situação onde o Felipão colocou a mão no estômago antes de um jogo e perdão, no fim de jogo, fim
de um jogo contra a Turquia. Ele colocou a mão na boca do estômago do Rivaldo e falou: "Toda essa raiva que você tem, esse esse sofrimento, essa intranquilidade, Riva, joga para eles, deixa eles ferverem no caldo do ódio. Guri, você tá Fazendo o teu trabalho e você faz parte de uma família. Aqui ninguém tem problema com você, então não se contamina, tira isso e joga para lá. E o Rivaldo foi o craque da final. Mas explica o que que tava acontecendo com o Rivaldo, por favor. O Rivaldo tava descontente com as críticas, com duas coisas,
com as críticas da mídia, que diziam que ele não tinha espaço como titular da seleção, ele era o camisa 10 e com dois ou três atletas que achavam que o Ronaldo é que tinha que ser o cara. Quando o cara não era o Ronaldo, o cara o Rivaldo. Ele tava chateado por chateado, porque ele até hoje ele tá chateado, não? Porque os atletas faziam o quê? Não havia uma confiança nele. O o Felipão falava claramente: "Quando está congestionado, bola pro Rivaldo". Você lembra disso? Sim. tinha congestionamento contra a Alemanha, Contra a Turquia, bola pro Rivaldo.
Todos os atletas são campeões do mundo. O que o Cléberson fez, o que o Júnior fez, o que o tô falando de de jogadores, talvez menos estrelas, foram essenciais do Marcos até o Rogério Ceni brilhante. Edmilson, pô, Edmilson é um ídolo, um rei que não é valorizado e me revolto. O que ele fez em campo era algo que comparava ao Dunga, que entre outras coisas é um craque de bola e as pessoas esquecem disso. Craque de bola, técnica, Refinamento. As pessoas só lembram da pancada dos absurd 90 ficou muito marcado. Um absurdo, porque é craque.
Veja, veja os lançamentos dele, veja o que ele fez no Stuttgart, na Fiorentina. um um príncipe em campo, mas brasileiro, pelo jeito, falta dois neurônios. Não é possível que o Dunga o que o Dunga fez no Japão, cara, o Dunga criou um time do nada que foi campeão do Japão. Um negócio incrível. E aqui parece que o Dunga não existe. Enfim, Eh, é, virou o símbolo de uma geração que perdeu. Exato. Mas é errado. Isso é TV Globo. Isso é TV Globo. Marcar um cidadão. Mas enfim. Então, não, aproveitando só, só só não, aproveitando só
essa só essa só essa esse parênteses que você abriu, qual a influência que a Rede Globo com com o monopólio que ela manteve por décadas tinha dentro da FIFA? Como é, qual era a relação dentro da FIFA? FIFA, por exemplo, na Copa do Mundo em 2014 foi total, mas a Rede Globo, por ter um monopólio, o que que ela tinha mais? Que que ela sempre teve a mais ou não tinha nada? Que que você viu? Tinha, tinha tudo. A Globo era a CBF em modo TV, tipo, explica, por favor. Tudo, tudo. Acesso total. Eh, bom,
eu tive um problema com um repórter famoso da Globo que entrou em campo. Você sabe que para entrar em campo você precisa ter um um jalequinho. Sim. Mas você não pode trabalhar em campo naquela época não podia trabalhar em campo. Que 98 ou 2002? 2002. E aí? Não, não, só vou olhar, vou estar aqui com a câmera. Mas você não pode não. Mas você sabe como é que é a Globo? Nós somos bom, de algum jeito ele entrou e eu fechei um olho. Mas tudo bem, você não pode trabalhar, OK? Que que ele fez? Ele
tirou um saquinho de supermercado e tirou o microfone de dentro e chegou a entrevistar um jogador. Ou seja, ele falhou, ele não foi nem sequer honesto. Agora a Globo pode tudo porque Os atletas queriam estar na Globo. O atleta não quer estar na na na TV que não tá ao vivo, que é o que acontece hoje com outras televisões, streams, o atleta quer aparecer. Eh, mas a FIFA não tem ligação direta com a Globo, porque você tem a empresa que vende os direitos. Na época era ISL, sim, foi corrupta e tudo mais, todos os questionamentos.
Aconselho as pessoas a lerem sobre a ISL, uma empresa que tava International Sports Licensing. Então, a FIFA recebia aquele apoio dali. Então qualquer pedido, a Globo pagava dinheiro para que outras outras não fossem sequer próximas a isso. Rádios sofriam porque os direitos de rádio e o Brasil e a Colômbia e o México são países de rádio, paixão, muita dificuldade, porque era Globo que liberava. Então, qualquer pessoa que ia fazer algo na Copa tinha que falar com a Globo e a Globo pagava por isso. Então Eu acho que ela recebia tudo que ela tinha direito. E
obviamente quando você é muito rico, paga adiantado quatro copas, você tem benéces, é impossível. Não acho a Globo desonesta, não acho a Globo, mas assim é muita moral, assim, não é possível. Eu lembro da festa de 2002, a Globo tava dentro do campo praticamente. É muito acesso. O acesso era total e ir restrito. Era a obrigação e buscar o jogador e entregar pra Globo. Então já não é já não é mais legal, eu Acho. Mas eles estavam dentro da FIFA tinha obrigação de buscar os jogador e entregar pra FIFA entregar pra Globo. Porque se pagava
a entrevista pós jogo. A Globo pagava o estúdio pós jogo. Tem um estudiozinho assim na porta do vestiário. É complexo. Agora, eu não acho que seja ilegal. A Globo nunca fez nada ilegal. Mas 2002, para terminar, foi sensacional o gol do Ronaldinho contra a Inglaterra, que que salvou o Brasil, aquele gol que ninguém sabe se Ele cruzou, chutou, ele chutou. Se você tem dúvida ele chutou, ele não cruzou. Eh, eu tava em campo, tava atrás do gol, eu vi ali que o Brasil ia pra final, eu sentia a força do Brasil ali. Eh, mas o
Brasil sofreu muito contra a Turquia, decisões erradas do árbitro. O Brasil ali podia ter saído da Copa. Foi o título, na minha opinião, dos que eu conheço. Não vi, vi 62 em gravações, 70. Eu vi todos os jogos, tinha 8 anos, mas eu revi, sei de cor, quem marcou o gol, Quem marcou o primeiro, segundo resultado, sei tudo, sei a escalação. No 2002, o Brasil não tinha a melhor seleção da Copa. A seleção teve a maior garra, teve a maior, agora se você olhar os jogadores da seleção 2002, eles eram sólidos, estavam em campo para
ganhar. Então, independente do grande talento, do jogo bonito, como se diz no exterior, o Brasil foi a equipe mais guerreira da Copa e mereceu estar ali com Ricardo Teixeira, Bláter, Cafu, Jardim Irene segurando, Marcos beijando minha careca. Foi sensacional. E agora, eh, também o Brasil foi o time, foi a seleção mais forte nos bastidores também, porque as decisões contra a Turquia foram absurdas. Foram absurdos. Absurdos. Eu não posso dizer, eu não posso dizer nada mais do que foram absurdos. Eu não tenho condições. O realmente foi absurdo. E a Turquia, lembra do número nove da Turquia,
como é que ele chamava? Não, não vou lembrar Não. Grande grande estrela. Rucur. Hucur. Sacan rucur. Exatamente. Isso mesmo. Ele falou para mim no vestiário, falou: "É, perdemos". Ele falou na coletiva, perdemos, mas pro Brasil tudo bem. Então, perdemos injustamente, mas o Brasil tudo bem. Quem quem quiser ver o jogo vale a pena. Eu posso só te contar uma história na volta da seleção. Não sei se a gente tá já há muito tempo. O Brasil voltou. Eu tava naquele Avião também. Eu sei que está naquele loucura. Eu sei que está naquele avião. Eu levei comigo
uns 15 daqueles protetores de cabeça da Varg. Sim. Levei uns dois. Maravilhoso. O Vampeta lá no fim do avião. Foi o avião que voltou. Bom, a minha história foi muito interessante. Eu tava assim com a FIFA, com a CBF. A CBF me demitiu no meio da Copa. Ah, num jogo. Dois atletas intercederam por mim. Marco Antônio Teixeira, secretário da CBF, disse para mim que eu tava cantando de galo. É, meu filho, é, não pode trabalhar quem trabalha certo não não tinha. Naquela CBF não tinha chance. E eu falei com a Velange, for jogo com a
China, eu fui restabelecido por ter ficado 8 horas diante do quarto do Ricardo Teixeira no hotel até ele levantar de manhã e suplicar para ele falar: "Eu não sei o que eu fiz, doutor. Me dá uma chance, eu não sei o que eu Fiz." E eles me ligaram 4 horas depois. Você está rebabilizando? Vamos ganhar? Falei: "Claro, doutor, vamos ganhar. Jogo da China, 5 a 0. Eu fui restabelecido. Foi horrível. Que ter foi humilhante. Foi horrível. Você entende por quê? Claro que eu entendo porquê. Entrei na FIFA inveja. Eu, óbvio, eu entrei na FIFA sem
a CBF. Ninguém nunca tinha entrado na FIFA do Brasil, nunca. Eu entrei pela porta da frente convidado, como eu falei, pela trabalho Que eu fiz na CBF não queria ninguém que fizesse nada com a FIFA que não fosse do time deles. Simples. Isso chama-se visão corrupta de mundo. Eu perdoo, mas eu não vou esquecer nunca, nunca, nunca. O que fizeram me humilharam. E eu sou modéstia parte uma pessoa muito séria. Eu tenho três faculdades. Eu trabalhei na FIFA 12 anos. Eles não tinham um argumento. Até hoje eu mantenho o contato com Blatter. Até hoje eu
tenho contato com Ronaldo. Até hoje eu trabalho. Nunca falei uma Mentira, nunca. Mas a falácia, a maldade foi de que simplesmente o Blatter me dá um cheque e me diz: "Eu sinto muito, Monami, meu amigo. Que triste, que absurdo. Isso foi depois da Copa 2002. Sim, agora que não se perca. Eu queria facultar da volta do Brasil. Não vai contar, mas um segundo só um outro parêntese que não pode, não posso passar batido. O que é que é que foi a ISL com a tua visão? Explica o que é, porque ninguém vai ler sobre a
ISL nesse Nesse mundo atual. Hoje nós estamos num outro mundo. Sim. Mas o que é? Não tem mais ISL. Era uma empresa criada pela FIFA na cidade de Zug, que fica um dist muito distante de Zurik. É uma cidade tax free, ou seja, não paga impostos. E aí a FIFA criou uma empresa para vender direitos. A FIFA não tem homem, né? Não tem nome. O homem, o homem que criou João Avelange. Ah, João Velange. Ah, é, é mesmo. Então, a troco de quê? A troco de ganhar mais dinheiro. Como assim? Então, ganhar mais dinheiro mais
poder. Mas como assim? Mas você não tá entendendo o que é o poder absoluto. Você conhece o poder absoluto? Então, mas o o que que é ess aqui? Discute comigo de de Bolsonaro e Lula. Eles não tem poder. Mas o que que a ISL fazia? Isso que a SL vendia todos os direitos da FIFA. Todos, todos. A FIFA fingia, entre aspas, que não tocava em dinheiro e a SL fazia tudo. Não é fácil. Eu namorei uma menina na Suíça, Hum, e ela trabalhava na na ISL. E o João Velange, que eu sempre respeitei, vou respeitar,
sei do histórico, mas me tratava como um gentleman. Era um dia entra mais, a gente sabe da história. Ele me disse uma vez em Zurique, em Zurique, ele chegou, começou a arrumar, duas pessoas arrumaram minha gravata na minha carreira, o Vanderil, Luxemburgo e o João, João Mirande. Ele arrumar minha gravata, falou: "Meu querido, saiba o Senhor que eu assim fazer assim, sa é mafioso isso. É uma é uma loucura. É o patino. Saiba o senhor que eu sei muito bem que o senhor está namorando uma menina da SL e nós da FIFA não mantemos contato
com a SL. Então, senhor, por gentileza, tome previdências. Que absurdo, que loucura. E você tomou? Eu tive que tomar. A gente namorava em segredo. Sorte que foi curto, foi rápido. Eh, minha namorada que tá aqui No estúdio já vai jogar tomates em mim. Mas, mas agora, então agora arruma sua cadeira e fica mais bonita. Agora me conta da volta que você queria falar. Não, acho que é legal. Eh, eu não, eu tava com a CBF preocupado. Sim, eu tava preocupado. Acabou a Copa do Mundo, eu fiz meu trabalho brilhante novamente, ganhei a a bendita medalha
de melhor melhor funcionário da FIFA. Sabe o que é isso, cara? Você tá falando de 2000 Funcionários e e são três que ganham. Eu ganhei ganhei uma. poxa, tá em casa, posso mostrar para quem quiser. E eu não sabia o que fazer na minha vida, porque eu já não posso ser jornalista, não posso ligar pro JT onde você trabalhar, falar: "Oi, posso trabalhar com vocês?" Você fala: "Não, pera aí". Além de não ser ético, porque a Folha fala: "Pera mas o cara tem informações internas da FIFA, ele vai trabalhar no JT". Julo. Então eu tava
queimado. Eu tava queimado Como jornalista. Eu tava, eu não sabia o que fazer com a FIFA porque a CBF me mandou embora na porcaria do meio da Copa. Cara, a gente passou da Costa Rica, eu não trabalhei no jogo da da eu fui obrigado a ir pro jogo da da da China, a paisana, eles não me permitiram, como eu te falei, passei a noite diante do quarto do Ricardo Teixeira, então eu tava preocupado, não sabia o que fazer da minha vida. Eu tô rico, graças a Deus, ganhei um monte de Dinheiro, para mim, claro, não
é milhões, mas ganhei um monte de dinheiro. E eu não sei o que fazer. Não sei se eu vou pra direita, pra esquerda, pro Japão, pra Coreia, não sei o que eu faço da vida. Já não morava em Budapeste. Aí foi horrível. E aí eu não sabia o que fazer. Minha mãe tava aqui em São Paulo, eu tava perdido. De repente uma ligação. Era o agente de viagem da seleção em Okohama depois da Final. E aí, Seon, tudo bem? Você quer voltar pro Brasil com o avião da seleção? Hã? O presidente mandou te convidar. Hã,
hã, falei, eu vou te responder já. Liguei pro meu diretor, falei e o meu quarto, cara. Eu ganhei tanta coisa naquela Copa. Eles eles enchiam a gente de presente, os japoneses, a FIFA, a Adidas. É, cara, até hoje eu tenho roupa Em casa no saquinho plástico, polos da Adidas e eu tava tudo esparramado no chão. Aí eu falo: "Kit, Mr. Kit, posso voltar, não participar da reunião de amanhã e voltar?" O Brasil me convidou e falou: "O quê?" "Claro, pode ir, você merece". Aí eu liguei a gente: "Ah, eu posso ir sim, vai ser uma
honra, não sei o quê". OK. Em 2 horas você tá em você tá você tá no aeroporto de Narita. Quê, cara? São 1:20 para chegar lá. Minha Mala aberta, eu taquei o que eu podia dentro de uma mala, deixei no quarto pelo menos dois tênis, uma jaqueta, um absurdo, não dava tempo. Peguei o táxi, paguei 200 do Não ia perder essa bocada, né? Eu não ia perder essa experiência. Cheguei lá, pegaram passaporte, lembra? A gente não passou por pro alfander, nada, não passou por nada. E aí voltamos Brasil. Beleza. Eu lembro naquele voo que a
gente tirou fotos com a Copa, não sei se lembra, mas eu lembro do Ricardo Teixeira com os pés em lembra que em cima dá. Você lembra disso? Conta você conta. Não, não, não faça. Boa agora vez. Agora eu já falei de conta. Não, eu assim eu eu demorei para entrar, cheguei atrasado e eu vejo Ricardo Teixeira com os pés naquela caixa metálica da Luivuiton, onde estava a Copa do Mundo que nós vencemos. Exatamente. E eu fiquei des, eu fui porque metade do avião era imprensa para trás e pra frente a delegação. E eu fui, Peguei
o fotógrafo, ficamos desesperados para tentar tirar a foto daquilo. Mas isso assim mostrou para mim o desprezo do Ricardo Teixeira ao futebol, a arrogância. É arrogância, não é desprezo, é poder. Ele fazia o que ele queria. Quando ele queria, do jeito que ele queria. Ainda bem que você também viu, porque eu me senti um louco. Falei: "Só eu vi isso, só eu não porque eu cheguei, eu vi porque foi cheguei atrasado, tava lá, se eu não me engano, Tava lá a namorada do Ronaldo, a Suzana tava no gol, o Vampeta foi para trás, encheu a
cara, super simpático, tinha sambinha lá do câmera da Globo, o Mosca, né? Mosca, tudo ótimo. E aí eu tô no avião feliz da vida. Feliz da vida. Paramos nos Estados Unidos, lembra? Japão, Estados Unidos. Fiquei conversando pelo menos 40 minutos com o Rogério Ceni, que tava revoltado por não ter jogado. Muito bom. Me aproximei muito do Rogério. Conheci um Cara, sinceramente, de uma inteligência, de uma capacidade intelectual, de uma maneira suave de conversar. é um cara que eu me orgulho de ter feito o futebol e conhecê-lo e ser um colega dele, poder ligar para ele.
Claro, não incomodo ele, mas desejo o melhor sempre para ele. Ã, e aí voltamos, aí pega o voo, chegamos em Brasília, todo mundo, não sei o que aconteceu com vocês, não lembro, mas eu lembro de que eu fui proibido de sair do avião. Então, mas Como eu fui um dos um dos primeiros a ficamos eu e Vet Sangalo conversando, a coisa mais surreal do mundo. A V Sanga tava, ela tava no vooa lá. A gente primeiro teve os os caças da Força Aérea Brasileira que falaram no Exato. Sim. Aí antes de descer o os jogadores,
eu desci que eu não tava aguentando mais descemos eu e Vet. Uma coisa de louco, louco. Se você reparar as imagens, ficamos esperando no Sagão porque o voo ia voltar. Fom não palácio não. A gente foi Esperar que a gente a gente ia pegar um outro avião para São Paulo. Foi uma loucura. Eu se ou esse mesmo avião, não lembro. Foi um caos, um caos. Bom, eu tentei até o o Palácio do Planalto e literalmente me foi colocada a mão no peito, falar o presidente, o presidente falou que você não pode ir. Eu fiquei muito
magoado. Jornalista nenhum foi. Mas eu não era jornalista. Ah, então bom. Isso é, isso é verdade. Agora você tão, a gente. Calma, calma, calma, Calma. Tem que ser rápido. Aí eu fiquei meio chateado. Aí chegamos no Rio, lembra? Lembro. E no Rio uma penca de atleta foi embora. Ah, não. Fui para São Paulo. Eu não fui pro Rio. Então você não veio? Bom, o voo foi pro Rio. É, eu fui para São Paulo. O voo da Vargue foi para o Rio. No Rio desce toda a delegação, todo o staff. Todo o staff. Cena su que
eu vou te contar, ninguém sabe. E aí eu vou lá no no cinturão das malas e tá lá o Ricardo Teixeira. Eu me aproximo dele, falo: "Presidente, olha a humilhação. Eu quero agradecer pela possibilidade, por tudo que o senhor me permitiu fazer de voltar a trabalhar. Quero dizer que eu tô na FIFA à sua disposição e mais do que tudo, eu prometo pro senhor que eu não vou fazer nada no futebol sem a sua anuência. Foi uma das maiores vergonhas que eu passei. Eu falei isso mesmo. Eu assumo e ele ele olhou para mim e
sorriu E foi embora. Tá bom, tá bom, tá bom. Eu achava que eu tava bem na fita. A partir de agora eu vou ter o apoio da CBF. Tô na FIFA. Todo mundo me quer bem na FIFA. Eu juro para você, eu achava que eu estava muito acima da cocada. Bom, aí teve aquele, você não tava, os jogadores seguiram para o carro de bombeiros, apedrejaram o carro de bombeiros porque não houve uma volta, não sei o quê. Foi o caos. Os atletas voltam. Quem voltou? Rivaldo desapareceu, foi pro Recife. Aí veio os paulistas, Marcão, Juninho
Paulista, Kaká, Roberto Carlos, ã, Edmilson, sei lá, Edmilson, quem mais? Teve uns oito jogadores. Estamos no Galeão, o avião tá lá, eu tô no avião de novo. No avião, sozinho, sozinho. Que louco. Cheio de roupa da CBF. roupa do seleção, rapaz, se eu fosse ladrão. Aí vem o Edmilson, fala: "Edmilson, eu quero ter um souvenir". Ele me deu a jaqueta dele. Que sensação. Claro que roubaram no pessoal no Rio roubou no avião e eu fiquei sem a jaqueta. Mas beleza, estamos lá sentados, os atletas estão lá e eu repito, lembro bem, Rogério Ceni, Marcão, Kaká,
Juninho Paulista, Roberto, campeão do mundo, titular, amiguinho, titulares, [ __ ] Tava lá o Roberto Carlos, irmão, tava tava o Marcão, campeão do mundo. Não que os outros Sejam menor, mas pelo amor de Deus. E o avião tá lá e não levanta voo. Levanta voo, não levanta voo, não é isso mesmo. Pode balançar a cabeça. Que loucura. Campeões do mundo abandonados. Aí vem o capitão e fala: "E aí? Falando comigo?" É. "E aí?" Eu falei: "Eu não sou CBF". É, o avião não vai levantar sem uma persona, mas não tem ninguém na CBF aqui agora.
Aí o jogador fala: "Quero me embora. Quero ir para casa, amigo. Yokohama. Yokohama Washington. Washington, Brasília, [ __ ] tava 50 horas nesse avião, ninguém aguentava mais. Você foi para São Paulo de Brasília, você não tem ideia. Você não tem ideia o que aconteceu. Aí me fizeram a então, eu assinei um termo de responsabilidade do avião, da seleção brasileira, senão não ia para São Paulo. Pior, o avião levantou voo, chegamos em São Paulo, não podemos descer. Por quê? Porque o senhor Geraldo Alquimim tava no aeroporto, Governador do estado de São prefeito, governador, não lembro. É
governador. Ele era governador ou prefeito? Governador. Governador. Aí entra no avião, senhores, parabéns. Não sei o que. Eram 5:40 da manhã. Não sei o que dizer. O Marcão fez assim que, meu Deus, o Sambódromo tá lotado de gente, tem 70.000 pessoas no Sambó esperando vocês. Não, não, não vamos, não sei o quê. Aí começaram a falar como se eu fosse o chefe da delegação. Me levaram Uma salinha, eu alquim, dois assessores, não sei o quê, pelo amor de Deus, tem batedor, não sei o quê. Vou lá, converso, volto, converso com os jogadores. Pelo amor de
Deus, tem gente que passou a noite acordada, o Marcão foi legal, fomos. Aí chegamos até o sambódromo, aí o Marcão faz assim: "Você agitou? Vem com a gente". Me fez subir no carro de bombeiro. Eu peguei o boné dele, eu me escondia. Quem sou eu para estar no carro de bombeiro? Passamos um Monte de maloqueiro, gente doida ali zoada na na no sambódromo. 6:30 da manhã era o, eu vou te falar que surreal no inferno, velho. Não, aí vem a pancada. Chegou, terminou o passeio, os carros bombeiros vão embora. E agora? E agora? E agora?
Que que eu faço com o Roberto Carlos? Entruntar. A única família que veio, a única foi a do Juninho Paulista, depois veio as do Kaká. O resto, meu amigo, cada um por si, Deus por todos. Cadê CBF? Isso não te contaram não. Que loucura. Eu assim olhando, falei: "Cara, eu tô com Rogério C, campeão do mundo de clubes, campeão, tô com Marcão, tô com o Juninho Paulo, tô com o Edmilson, tô com o Roberto Carlos, não tem como ir paraa casa". Alimin falou: "Pera aí, cara, ele arrumou batedores e carros pretos em menos de 10
minutos". Agora você imagina a cena. Campeões do mundo Com suas malas num cercadinho esperando o carro chegar do governo do estado de São Paulo, porque a CBF não tava lá. Que absurdo. É. E aí vieram todo foram embora, for embora, foemb da manhã, foi todo mundo embora. Eu lembro da família do Juninho Paulista, a única que se não tinha carro para ele também. Aí a pessoa foi indo embora. E sobre eu, que que eu faço? Para onde eu vou? Tem uma mãe que mora no Itaim, aí falou: "Tem para você também?" E simplesmente Daqui do
estúdio onde estamos, duas quadras morava minha mãe, me colocaram num carro preto, dois batedores. Eu cheguei aqui, o zelador fez assim: "Quem é isso?" Falei: "Eí acabou minha história de Copa do Mundo." Que loucura. Agora caminhando pro final, por mim, eu ficaria com você 8 horas. Eu tô esperando só seus livros. Eh, como é que é a vida de um freelancer, um jornalista freelancer no mundo? Você cobriu oito guerras, Cobriu Fórmula 1, cobriu Olimpíadas, como é que é a sua vida? 10 Copas do Mundo, como é que é a sua vida? Como é que 12
mundiais sub-20, nove mundiais sub-17? Como é que é minha vida? A minha vida é um caos, mas é um caos meu. Eh, eu vou te contar, é muito simples. Tem agora o Mundial de Clubes da FIFA nos Estados Unidos daqui a dois meses. Eu vou conseguir a credencial pela FIFA. Eu vou trabalhar para uma Revista da Coreia para quatro clientes no fala quantos idiomas? Eu falo oito idiomas, mas escrevo em seis só. Só escrevo em seis. redigir uma matéria. Eu vou trabalhar para quatro mídias do Japão, uma rádio inglesa e ninguém no Brasil. Você me
explica isso? Realmente, mas assim, o freelancer ele tem que ter alguma coisa, ele tem que ter o contato muito bom com alguém, ele Tem que ter ou um material que ninguém tem, ou ele tem que ter um jeito que ninguém faz. E eu acho que eu tenho esses três, eh, esses dois, os dois últimos, né? O contato hoje no Brasil e em alguns lugares não tenho mais. A internet acabou comigo. Antes da internet eu era o rei, eu fazia matérias por fax, eu cheguei a fazer matéria por telex. Eu cobri guerra por telex, que é
uma coisa que tinha h muito tempo atrás, a fitinha amarela que você passava. Eh, O celular e a internet acabaram porque agora todo mundo escreve. Eh, o jornal brasileiro, ele vai ter jovens de 20 anos, 22 anos que vão fazer um podcast, vão fazer, vão falar de homossexualismo e 50 palavras. Eu tenho agora, eu tenho os outros dois, eu tenho experiência, conhecimento e e contratos globais, o idioma. E o meu sistema, Cosm, eu nunca joguei bola profissionalmente. Eu não sei você, eu nunca joguei. E eu entendi uma coisa que Uma pessoa muito importante me disse
chamada Pelé. Ele falou: "Eu nunca escrevi uma matéria. Eu não ouso falar de jornalista. Eu acho que você não deveria ousar falar do que? O futebol." E aquilo me, isso faz muito tempo, que eu trabalhei com Pelé numa Copa do Mundo pela Mastercard. Copa de 90 e depois na Copa de 94. E eu decidi que eu só falo do que tem em volta do futebol. Eu não sei como o Brasil jogou. Eu falo assim, matéria que eu fiz ontem pra Coreia foi Schurle, Miller, Close, Kedira, um atrás do outro destruíram o Brasil naquele 14 de
junho de 2014. Leonel Álvares, não sei o quê, destruiu o Brasil no 4, Ricardo Teixeira, Zé Maria Marim, Mar. Então eu falo que tá em volta da bola. Esse é o freelance que eu vivo. Tive que desenvolver aptidões de rádio. Eu nunca pensei que eu ia falar: "Veijo, Amigos do Brasil, estamos aqui nos boxes da". Eu nunca pensei que eu ia falar assim, nunca. Eu fui o primeiro repórter futebolístico na Fórmula 1 dentro dos boxes da da foi foi 7 anos e sete temporadas muito engraçadas. Fui embora porque não acho Fórmula 1 esporte não é
um esporte. Aquilo não é um esporte é tudo menos esporte. Esporte é quando tem um esforço físico igual e todo mundo compete, um melhor, outro pior. Aqui não é aqui na Fórmula 1 não é Fórmula 2. É Fórmula 2 é o braço do cara. Eh, então eu tive que aptidão de TV, a aptidão de escrever para jornal e revista diferente, site, televisão, que eu nunca tinha feito até 93 e obviamente eh me adaptar a esse mundo novo aí que tá aí estourando como no teu, ã canal, né? Que isso aí eu quero agora penetrar de
maneira maior, mas realmente o que eu sinto muita pena é de que o Brasil é sensacional. Eu ganho dinheiro graças ao Brasil. Eu vendo sorriso, jogo bonito, Paixão, coisas emocionais. Eu eu eu vendo prazer e vende, vende. É uma pena que eu não consigo vender o que tem no mundo para cá, porque na semana passada um um árbitro da Série A peruana deu uma voadora no jogador que ia bater nele. Isso é curiosidade. Eu não consigo passar aqui pro Brasil. Então, freelan ter que saber dormir com raiva e acordar com calma e ser especial e
encontrar modos cada vez mais diferenciados. E cada vez que a FIFA final é credencial De freelance, eu estouro uma champanhe. 61 anos eu tenho, você viu, trabalhei na FIFA e até hoje eu sofro. Eu não sei se eu vou ter credencial pro Mundial do ano que vem. Você acredita nisso? Porque depende de pessoas que talvez não tenham a ver comigo. É muito louco. É muito louco ser freelancer. É muito interessante, porque você é dono no teu nariz, mas você depende de uma maneira muito difícil. Se você não for forte, agora quando alguém te descobre e
te dá O espaço como me deu no Japão, é maravilhoso. Eu dou. É assim, cósmico, dar opinião é o é o ponto máximo que a gente chega. Imagina o Paulo Roberto Falcão, ele chega na TV, tem um camarim, ele bota o blazer, aí coloca o microfone, aí ele fala no primeiro tempo três vezes, no meio, no intervalo ele fala duas vezes, aí depois ele fala no no no segundo tempo mais três vezes e no fim do jogo mais 2 minutos. Acabou o trabalho dele, ele deu a opinião e ele Ganhou dinheiro para isso. Esse é
o máximo que a gente chega. E eu cheguei nesse máximo com a BBC de Londres, com o Japão, mas ao mesmo tempo é o que eu te falei, agonia, angústia de você não saber se você vai ter credencial pro ano que vem. E isso faz o meu coração bater a 1000 e ter a adrenalina de fazer cada vez mais produzir, porque eu sei muito do que acontece em volta do futebol. Não escrevi livros, não tenho o canal de de podcast, mas eu fico pensando, temos Agora em o Mundial de Clubes com quatro brasileiros que nunca
nenhum país chegou a ter quatro times. Temos a Copa do Mundo 26, depois temos a Copa do Mundo de Mulheres aqui no Brasil, temos a o Mundial de Clube, perdão, a Olimpíada de Los Angeles 28, a Copa do Copa de Mundo de Clubes 29, a Copa do Mundo 2030, Argentina, Argentina, Uruguai, Espanha, Portugal, aí tem a Copa do Mundo na Arábia Saudita. E vou te terminar falando uma coisa só. No ano passado eu Recebi dois prêmios fora do Brasil. Um por ser a pessoa que fez mais campeonatos do mundo em um período curto. Eu fiz
o Qatar, Copa do Mundo, fiz o Mundial feminino na Austrália, fiz o Mundial sub-20 na Argentina, fiz o Mundial sub-17 na Indonésia, fiz o Mundial de Clubes na Arábia Saudita. E a segunda, por ser a pessoa que tem mais Copas do Mundo, sub-17, sub-20, geral e mulheres, eh, de uma entidade Suíça, eh, ninguém tem mais eventos da FIFA do que eu. Grande coisa pro Brasil, mas para mim mostra que eu sei trabalhar e que eu vale alguma coisa e quem sabe o Brasil também possa desfrutar do meu conteúdo em breve. Bom, Ctião, dá essa mão
aqui. Um orgulho ter você como jornalista, como ter companheiro de profissão e com certeza eu só te falo uma coisa, existe também vida. Viva um pouco, por favor. Se tá bom. Obrigado. Obrigado você. Um abraço E um prazer estar com você, mas sobretudo pela postura e o espaço que você abre, você deixa falar, você deixa fluir e é isso que o ouvinte e o espectador merecem, o tempo. O apresentador não é o centro, é o entrevistado. E parabéns, não é qualquer um que faz isso. Parabéns. Ah, muito obrigado. Só para terminar, só faço isso, só
trago aqui quem eu acho que acrescenta e você acrescenta muito para esse jornalismo do Brasil. Muito Obrigado. Tudo de bom. Yeah.