Olá, eu me chamo Sabrina do Amarilho, sou psicóloga comportamental, mestre em educação e também sou pós-graduada em análise do comportamento aplicada e terapia cognitivo e comportamental. Hoje, eh, eu preparei uma aula e eu vou est falando para vocês um pouquinho sobre o autismo, o conceito de autismo e os níveis de suporte. Vou est comentando um pouco sobre as comorbidades do TEA.
Então, eu vou começar falando um pouquinho sobre o conceito de autismo. A gente fala tanto sobre autismo, eu discuto muito com pais, mães, profissionais da área do autismo e às vezes até com profissionais da educação. E quando eu vou perguntar eh o que é o autismo, eles não conseguem definir o que é o autismo, o que acaba com certeza impactando na intervenção que esse profissional ou até que esse pai vai fazer com a criança com autismo.
Então vamos começar do conceito. Quando a gente fala de autismo, a gente tá falando de um transtorno que ele tem algumas características básicas. Quando a gente olha pro DSM, DSM é o manual diagnóstico e estatístico dos transtornos mentais.
E esse manual que é feito por norte-americanos, psiquiatras dos Estados Unidos, ele nos diz, ele nos orienta o que é o transtorno do espectro do autismo. Ao longo das décadas, esse conceito foi passando por várias mudanças lá no ano de 2013, uma nova mudança e eh vários transtornos que antes eram separados foram colocados dentro desse conceito de autismo. Então, hoje nós entendemos o autismo como dividido em três níveis de suporte.
E quando a gente fala de autismo, basicamente nós estamos falando de uma pessoa que apresenta déficites, Às vezes substanciais ou alguns déficits na reciprocidade de socioemocional, ou seja, na parte da interação dela com outras pessoas. Nós estamos falando de alguém que tem dificuldades em comunicação eh não verbal. Então, por exemplo, a comunicação gestual, às vezes o contato visual é prejudicado, mas também algumas dessas pessoas com autismo, elas têm dificuldades na comunicação oralizada, ou seja, nas palavras, na emissão de palavras para poder explicar aquilo que ela precisa, aquilo que ela deseja.
Então, nós vamos perceber que a pessoa com autismo, ela tem dificuldade de manter relacionamentos, manter interações sociais. Então, o ponto chave pra gente dizer que uma pessoa é autista, ela precisa ter algumas características básicas, que são dificuldades na interação social, dificuldades na comunicação. Se ela não tem dificuldades na comunicação, se ela não tem dificuldades na interação social, nós estamos falando de uma pessoa que talvez tenha traços de autismo, mas ela não é autista.
E ela ainda precisa ter uma terceira coisa, que são os padrões restritos e repetitivos de comportamento. Então, el a gente pode estar falando, por exemplo, de pessoas que se movimentam, movimentam os braços, movimentam o próprio corpo, se embalam paraa frente, para trás, correm em linha, ah, enfileram carrinhos, tem vários comportamentos que são eh repetitivos, que são também restritos, de interesse restrito. Nós vemos crianças com interesse em olhar, por exemplo, pra roda do carrinho girando e não pro carrinho como um todo.
Então, ela precisa ter eh dificuldade na comunicação de usar gestos, palavras para solicitar o que ela precisa, para manter um diálogo acontecendo. Ela precisa ter falha na interação social com outras pessoas, especialmente com pares. Muitas vezes nós estamos falando de pessoas com autismo, eh, que têm, eh, uma facilidade maior em interagir com adultos ou com crianças menores do que ela.
Se ele é um adolescente, interage com criança, se é uma criança maior, interage com a criança menor. E o pai e a mãe diz: "Não, mas meu filho interage". Só que quando tu vai olhar a qualidade dessa interação, quando a gente fala de mesma faixa etária, essa criança não tem uma interação.
Ela interage ou com adultos ou com crianças menores. Então, há uma falha na interação, especialmente com pares, com mesma idade. Nós também estamos falando de uma pessoa que pode ter uma insistência em rotinas mais rígidas ou insistência em mesmice, como eh assim está descrito na nos critérios diagnósticos.
Então, quando nós vamos ver a insistência em rotinas, nós percebemos pessoas que têm dificuldade em mudar a ordem das coisas. Ela sabe que no dia dela pela manhã, ela come, ela faz a tarefa, ela assiste e daí ela almoça. Então ela tem o café da manhã, passa por todo esse processo e daí ela almoça.
Se você quiser inverter a ordem, se algo foge da rotina, se vem uma visita inesperada, tudo isso pode desorganizar a pessoa com autismo, porque não está dentro da rotina habitual dela. E a gente vai observando que quanto maior é o nível de suporte, mais rígido alguns comportamentos tendem a acontecer, tendem a se apresentar, a se manifestar. Quanto menor é o nível de suporte, maior são as condições de comunicação e de interação social.
Portanto, mais flexibilidade é provável que você encontre na pessoa com autismo. Flexível totalmente não, porque a gente tá falando de uma pessoa com autismo, então ela vai apresentar a rigidez, mas conforme o nível de suporte é menor, maior é a probabilidade de flexibilização que essa pessoa vai apresentar no comportamento dela. Então, nós também vamos observar interesses muito específicos, às vezes fixos em determinado assunto, em determinado objeto, em determinado funcionamento de um equipamento.
Então, ele conversa muito bem sobre dinossauros, mas não consegue sustentar um diálogo sobre outra coisa. conversa muito bem sobre carros, mas quando você pergunta como foi o dia na escola, ele não consegue te contar como foi o dia na escola ou diz eh monossilabicamente bom igual eh sei lá, ruim, né? Então, nós temos toda essa falha de comunicação sobre outros assuntos que não são o assunto do seu interesse.
Então, perceba que eh eu estou falando aqui de um nível um de suporte que tem a condição de fala preservada, mas que eh não fala sobre todos os assuntos, fala sobre aquilo que lhe interessa. E também nós estamos falando de pessoas que podem ter uma hipo ou hiper, é reatividade sensorial. Pessoas que sentem muito mais, por exemplo, etiquetas, toque, ah, a água caindo na cabeça, tudo isso pode ser uma sensibilidade aumentada ou até mesmo diminuída.
Então, existem pessoas que se queimam, que se machucam, que andam sobre pedras e não sentem nada. Crianças que caem, se machucam de maneira grave, mas que não se queixam pros pais, por exemplo, de dor. Então você vê uma hipo ou hiper também reatividade sensorial desse organismo que é diferente.
Então, quando a gente fala de autismo, eh, pra gente poder encerrar essa aula, eu quero dizer que essa manifestação sintomática, ela sempre tem início precoce. Você não vai ver pessoas com autismo manifestando sintomas lá com 15 anos, com 20 anos, ou seja, eh não tinha nenhuma sintomatologia na primeira infância, segunda infância, adolescência e lá na fase adulta ele ele vira autista. Não existe isso.
O que pode existir é uma criança ter sintomas sutis por ser um autista nível um de suporte. Ele era oralizado, falante, mas esses sintomas passaram despercebidos, passaram como timidez, como ele é mais fechado. Ah, ele não, ele gosta mais de ficar sozinho, é o jeito dele.
Mas os sintomas estavam lá e isso às vezes na adolescência e na fase adulta ficam bastante evidentes por exigir mais da pessoa interações mais complexas. Então, a gente também tá falando que para ser autismo tem que ter um prejuízo significativo nessas áreas todas que eu comentei. Tem que ter prejuízo nas interações sociais, tem que ter prejuízo na comunicação e tem que ter comportamento restrito, repetitivo.
Se não tiver essas três coisas, não é autismo. Pode ser algo parecido com o autismo, pode ser um um outro transtorno que talvez também tenham alguns traços aqui que são semelhantes ao autismo, mas não o autismo em si. E a gente sempre tem que observar o diagnóstico diferencial, olhar para todos os outros transtornos, descartar outras hipóteses para daí chegar então nesse diagnóstico, porque a gente tá falando de um dos transtornos mais complexos do DSM.
Então, é preciso ser feito uma análise e uma avaliação com muita cautela. No na próxima aula, eu vou agora comentar com vocês sobre as características do nível um de suporte. M.