[Música] Boa noite estamos na semana da Consciência Negra uma oportunidade para refletirmos sobre a situação dos negros na sociedade brasileira o 20 de novembro foi escolhido por ser o dia da morte de Zumbi dos Palmares símbolo da Resistência e da luta contra a escravidão no 3 a 1 desta semana nós vamos discutir a participação dos negros e movimentos históricos e refletir sobre as políticas públicas voltadas para a questão racial no Brasil estão conosco coordenador do centro de informação e referência da cultura negra da Fundação Cultural Palmares Carlos Moura o sociólogo e coordenador do centro de
convivência negra da universidade de Brasília Ivair dos Santos e o secretário de promoção da Igualdade racial da Bahia Elias Sampaio antes de começar o debate nós vamos assistir uma reportagem sobre esse tema em diversos momentos históricos do nosso país o movimento negro esteve presente desde a liderança de zumbi que guiou os ex-escravos para escaparem do cativeiro e organizou uma sociedade própria o quilombo os negros foram a maioria dos revoltosos na conjuração baiana de 1798 também conhecida como revolta dos alfaiates o movimento lutou tanto pela libertação dos escravos quanto pela independência do Brasil em relação a
Portugal num país que foi o último das Américas a libertar os escravos a participação social dos negros foi restrita durante o império a lei que proibiu o tráfico negreiro foi de autoria de um branco mas os abolicionistas destacando-se José do Patrocínio fizeram pressão significativa pela lei do ventre livre e por fim pela Abolição pouco antes do fim da escravidão o líder negro Francisco José do Nascimento fez sua própria revolução em Fortaleza impedindo que navios Negreiros atracasse no porto cearense a bravura deste Jangadeiro foi eternizada com apelido de dragão do mar e fez do Ceará a
primeira província do país a libertar seus escravos em 1910 João Cândido um simples marinheiro negro liderou a chamada revolta da Shibata contra as péssimas condições oferecidas pela Marinha e foi imortalizado na música de Aldir blanck tornando-se o Almirante negro dos mares a nossa história ela é toda feita também por essa população negra desconhecida do grande público a luta pelo reconhecimento social durante todo o século XXX foi tão difícil quanto a batalha travada pelos abolicionistas não há como esquecer a liderança do ativista Abdias do Nascimento maior defensor da Cultura e da Igualdade racial o caminho para
uma igualdade total e o fim da discriminação ainda é longo mesmo com as recentes políticas públicas a população negra apresenta Altos percentuais de desemprego de pobreza e de baixo nível de escolaridade e o número de mortes violentas assusta só em 2010 morreram 139 mais negros do que brancos no Brasil o racismo no Brasil ele é estruturante assim como a desigualdade Econômica ainda há nós já temos mudança na Perspectiva da conjuntura mudanças mais superficiais mas estruturalmente o Brasil ainda é muito racista Professor Carlos Moura Você concorda com essa avaliação que vem sendo feita de que a
partir da aprovação da Lei das cotas houve um avanço significativo da participação eh do negro não só na universidade mas também eh em termos de mercado de trabalho de emprego e renda esse dado É assim É objetivo já tem estatísticas que mostram isso a a chegada das cotas as Universidades trouxe vários benefícios à comunidade Negra além do benefício específico que era o de entrar na univers unidade e entrar na universidade provando os méritos porque eles são submetidos à prova não é só há uma diferenciação de peso mas eles passam pelo processo de prova então esse
o benefício principal mas o benefício também de proporcionar a sociedade a discussão do racismo no Brasil né a esse racismo que é submarino invisível então de repente eh a sociedade foi acordada uns contra outros a favor mas o tema foi jogado antes disso praticamente só nós militantes do movimento negro é que denunciamos o racismo e que buscávamos as causas do racismo eh Além disso as cotas também abriram caminho para a discussão Conforme você coloca dentro do empresariado dentro da sociedade civil de um modo geral portanto eh constitui um dos caminhos importantes para a superação das
desigualdades que impedem desigualdad essas que impedem a comunidade nega de se beneficiar do processo de crescimento e desenvolvimento do país e diria Elias que o que essa questão vamos dizer assim da cota ela é um como se fosse assim um Marco histórico se a gente pega vamos dizer assim da desde Abolição seria assim o primeiro fato an com relação a à participação integração do negro a sociedade brasileira ou tem algum outro Episódio nesse meio caminho aí do ponto de vista institucional que possa servir de referência eu diria que do ponto de vista institucional eu acho
que estabelecimento da política de cotas né inclusive com o crescimento porque as cotas agora elas não se restringem apenas ao acesso às universidades né mas ela estabeleceu um Marco no debate e em relação às questões raciais no Brasil agora eu enxergo que de algum tempo para cá do ponto de vista institucional essa questão ela já vai já vem sendo eh já vem acontecendo a partir de um processo que não está restrito à questão da política de cotas por exemplo a política de cotas dá como referência o estado da Bahia nas universidades Ela já tem 10
anos nas universidades públicas estaduais principalmente na Universidade do Estado da Bahia né e na Universidade Federal da Bahia tem mais ou menos algo em torno de se a 7 anos tá tá E Agora Nós temos esse processo mais amplo Mas a gente não pode deixar por exemplo de trazer pro debate para tentar enxergar essa questão como um processo mais sistêmico por exemplo o decreto 448 87 de 2003 que foi a regulamentação das terras e Comunidades Quilombolas que isso também faz parte de um processo histórico de resgate né dessa questão e historicamente Eu costumo dizer azedo
que as questões relacionadas a o combate ao racismo e a tentativa de realmente transformar o Brasil num país mais igual elas aconteceram desde antes desde dentro do próprio Navio Negreiro porque os próprios navios Negreiro houve as revoltas né a assim que o que o que os negros chegam no Brasil que são traficados e vem pro Brasil né sequestrados e botam os pés aqui históricamente são várias as manifestações né então agora a propósito disso a Bahia é um vamos dizer assim um tem duas pelo menos duas revoltas lá muito importantes que que tem um vamos dizer
assim um com programa eh revolucionário paraa época e talvez até pros dias atuais verdade que é a revolta dos alfaiates né foi citada aqui na reportagem E tem também a dos malés né foi uma Pois é a a revolta dos alfaiates para nós se chama revolta dos buzos inclusive os heróis de Búzios hoje a partir da sanção da presidenta Dilma no ano passado eles são heróis nacionais considerados heróis nacionais inclusive de novo eu volto para esse processo sistêmico né os heróis de Búzios que são os heróis da Conjuração que são os heróis da Revolta dos
alfaiates eles eh eles passam a ser heróis nacionais a partir de um de um de de uma reivindicação do movimento negro da Bahia tá certo encabeçado por vários várias várias eh várias lideranças várias lideranças mas ultimamente eh tem trazido quem tem trazido muito fortemente esse debate é o próprio Olodum o bloco afro ludum a partir da presidente do presidente eh João Jorge Mas também de outros atores que antes mesmo do ludum levaram essa discussão paraas ruas através de um trabalho agora por que buos porque o buos era o que identificava uma pulseira com buzos identificava
os os líderes do movimento então para o movimento o movimento negro a referência aos Búzios ela é extremamente importante então mas antes disso o caderno de Educação do ilae por exemplo que é uma grande referência a partir de um trabalho de um professor chamado Antônio Godi já trazia a discussão da Revolta dos buzos então isso foi colocado em em na Legislação Federal a na discussão do congresso a partir de uma proposta eh vinda do movimento negro mas encaminhada pelo Deputado Luiz Alberto do PT da Bahia e finalmente a gente consegue em 2011 colocar escrever os
heróis quatro heróis de Búzios o João de Deus Manuel Faustino Luis Gonzaga das Virgens e Lucas Dantas como heróis nacionais então este é um processo que a gente vem que a a sociedade brasileira E aí dentro inclusive da do protagonismo de lideranças do movimento negro vem construindo com algum tempo institucionalmente nós não podemos deixar de fazer referência não só a política de cotas mas um Marco fundamental do ponto de vista da institucionalidade brasileira que foi a criação da cpir também em 2003 pelo presidente Lula e o desdobramento dessa dessa questão a partir daí sem esquecer
o Marco fundamental que é a Fundação Cultural Palmares que tem muito tempo e aí o Moura tá aqui presente ele pode falar isso com muito mais propriedade ou seja esse processo é um processo que tá sendo construído há muito tempo inclusive com manifestações locais estaduais do Estado de São Paulo tem algumas referências nessa linha então a política de cotas de certa forma azedo eu acho que foi um elemento que conseguiu amalgamar na sociedade como um todo um conjunto de de de de de de interferências e iniciativas que tem sido construída por todo no movimento negro
brasileiro em determinado momento da história na minha eh como é que eh você vê essa relação entre a questão vamos dizer assim dos movimentos que são genuinamente movimentos de escravos lutando para se libertar da escravidão e a questão da formação da identidade nacional e a construção de uma nação independente em que eh não eram só os escravos que estavam envolvidos nisso eu vejo da da seguinte forma primeira questão da mineração é importante você citar isso porque em São Paulo agora tá vendo uma exposição no museu afro brasileiro de tecnologias que os africanos trouxeram para poder
Eh vamos dizer implementar a produção de cana de açúcar na mineração porque normalmente quando se fala da da contribuição dos escravos normalmente você fala da da religião da cultura da música da língua aí você não fala dos equipamentos da tecnologia que eles tinham naquela época tanto paraa mineração quanto para as outras áreas eh e dos equipamentos que eles acabaram criando eh no Brasil e o museu alfra de São Paulo eles fizeram uma uma exposição essas peças que foram construídas eh por por escravos e tal e essa questão da mineração ela vocês Me cham atenção em
Minas Gerais me fe uma atenção de duas coisas importantes a primeira delas o papel da mulher negra escrava que também é pouco pouco falada a mulher negra escrava era que era que controlava a o comércio dos or fut granjeiros em toda em todo o país aquela mulher que saía com aquela sacola cola de frutas de legumes e que passava vendendo isso e nas nas na cidade inteira e quem fazia isso eram essas mulheres negras que fiz que controlavam esse processo tanto é que Portugal tentou de alguma forma criar mecanismos para diminuir essa esse esse esse
Comércio e em detrimento eh dos portugueses que estavam começando a constituir o seu o seu comércio no no país e essa mulher ela ela foi importante não só por conta dessa desse controle de comércio mas também porque ela liderou e ela sustentou boa parte das alforrias as alforrias que foram constituídas eh durante todo o processo de escravidão foram as mulheres negras também que que de certa forma graças ao trabalho dela articulação dela a luta política delas elas também foram foram importante nesse processo eu acho que eh começo a perceber hoje tanto na fala de várias
lideranças políticas nacionais um certo reconhecimento da importância do negro eh no país mas não só esse reconhecimento eh mais senso comum que é através da música através da literatura mas um conhecimento de uma intervenção na no modo de ser ou seja o Brasil é o Brasil graças à presença da população negra ou seja esse Ser Brasileiro né só é possível só foi possível graças a essa massa enorme de de população negra que Veio cá isso está a identidade nacional é isso que nós estamos fazendo aqui hoje fazendo esse debate sobre sistema de cota sobre o
programa de avanço das políticas públicas e tal ele tem uma uma uma história eh recente do século XX né Eh que que é importante a gente não mencionar para não dar a entender que que foi a nossa geração que acabou criando o programa de ação afirmativa eh as gerações eh da década de 50 por exemplo que que F que fizeram o primeiro grande congresso do negro brasileiro naquele momento eles estabeleceram as bases da da luta eh que o negro viria fazend nos nas décadas seguintes então quando o abidon nascimento Guerreiro Ramos e vários solando Trindade
quando eles sentaram no Rio de Janeiro para fazer o primeiro congresso eh de negro brasileiro eh para discutir e hou naquele congresso uma ruptura muito grande sobre o que se o que se deveria reivindicar e tal tanto é que em 51 a gente já tem a primeira lei que é a Lei Afonso arinas mas é fruto da pressão dessa desse desse congresso eh negro que ocorreu na década de 50 vamos aprofundar um pouco isso no próximo bloco faremos intervalo voltamos já já [Música] [Música] estamos de volta com 3 a 1 que hoje reflete a questão
negra do ponto de vista histórico estou aqui conosco Carlos Moura coordenador do centro Nacional de informação e referência da cultura negra da Fundação Cultural Palmares Ivair dos Santos sociólogo e coordenador do centro de convivência Negra da Universidade de Brasília e Elias Sampaio secretário de promoção da Igualdade racial da Bahia o TR A1 foi às ruas para ouvir a opinião das pessoas sobre o preconceito racial você acha que ainda existe preconceito racial aqui no Brasil sim com certeza eu acho que existe sim a gente vê muito não talvez pela cor né porque aí tem a as
leis agora Que proíbem tal o cara vai preso o preconceito ele ainda existe mas com o passar dos anos as coisas estão melhorando muito as coisas estão leis normas decretos a coisa tá evoluindo bastante tá caminhando e eu vejo assim que muita coisa melhorou Existe preconceito de várias formas né até mesmo emprego Eu por exemplo uma vez eu fui numa loja né loja entre aspas tinha um patamar mais e eles não me contrataram questão da cor né eu senti um certo preconceito do do supervisor da empresa né Eu acho que isso é tá rolando demais
né você vê aí né como é que a gente vai conseguir passar vamos dizer assim transitar do direito que tá assegurado do ponto de vista da lei né paraa convivência plena eu fiz um trabalho de uma pesquisa que me levou 7 anos de trabalho eh levantando situações discriminações raciais e que chegaram à justiça tribunais de justiça do país inteiro ISO me levou 7 anos de tentar fazer esse levantamento eu tinha uma pergunta muito simples eu queria saber até que ponto a legislação criada a partirda da última constituição de 88 estava sendo implementada até que ponto
as pessoas estavam utilizando a legislação e o que eu encontrei foi o seguinte uma coisa é impressionante primeiro eh com a antiga legislação eh que é a lei famosa Lei Afonso Arinos que foi que vigorou de 51 a 88 quando eu fiz o levantamento dos casos que chegaram na justiça você não chegava a 10 casos que chegaram na justiça e depois hoje quando comecei a levantar levei 7 anos de garimpagem pelo país para levantar esses processos todos eu cheguei a números espantosos você não faz ideia ao caso o número chegou cheguei ao conto de milhares
Você tem uma ideia só no Rio de Janeiro entra 250 processos por mês no tribunal de justiça em relação à à questão racial a denúncia de dição racial você teve um crescimento assim uma progressão geométrica de crescimento e você vai dizer não eh que quem é que por que que isso aconteceu primeiro os meios de comunicação deram muita visibilidade a essa questão segundo as pessoas também passar a ter uma consciência dessa questão do movimento negro fruto dos movimentos sociais e começar a dizer ó tem um problema aí esse problema que as pessoas colocam assim que
tá diminuindo ou isso tá tá melhorando ou isso é meio meio camuflado não é nada camuflado isso é um processo muito sofrido muito e que boa parte da população negra eh sofre não é que sofre ainda nunca deixou de sofrer os americanos de certa maneira resolveram isso no com a com com com políticas afirmativas e chegaram o momento que elegeram Obama e agora reelegeram eh o Obama essa reeleição do do do Obama ela é uma uma um fenômeno talvez até mais importantes porque o contexto é completamente diferente Economia em crise eh a direita americana toda
se rearticulando eles chegaram no patamar agora eles fiz fizeram isso lá vamos dizer assim essa esse conflito ele continua existindo só que ele é discutido abertamente a Universidade de R foi criada logo após a independência que era universidade para negros então você vê a a diferença do caso de lá para cá a oportunidade na educação e superior lá foi dada Há quantos anos e nós aqui agora é que estamos Depois de muita luta conseguindo as cotas da universidade é eles aprovaram a doutrina sulvan obrigava as empresas Americanas ter um diretor negro Elas tiveram que sair
da África do Sul porque na África do Sul o governo não deixava exato aí a economia na África do Sul entrou em crise foi uma das causas da derrota lá do do apart na África do Sul foi a saída das empresas Americanas por causa da doutrina suiva agora vocês aqui eu nunca vi ninguém apresentar um projeto para obrigar as empresas a ter um diretor negro pessoal fala que não tem correlação de pelo contrário tem um processo fortemente aqui no Brasil o movimento negro vem trazendo essa discussão há muito tempo e e algumas algumas áreas governamentais
nacionais eh locais em alguns estados tem feito isso né E por exemplo no caso da Bahia a gente tá na premência de criar um programa de ação afirmativas para o empreendedorismo negro Inclusive a partir da da da da da manifestação e da provocação de grupos específicos na Bahia de do movimento negro que já estão fazendo isso porque lá eles fizeram o seguinte tem que ter um diretor negro ponto sim não eu vou na empresa vai vai vai mais longe vai mais longe aqui não tem isso vocês não brigaram não mas lá não é só só
negros né lá lá tem uma uma tentativa vai vai mais longe esse governo aí é mais fácil não vai mais longe mundo tentar levantar só uma questão o documento de 1950 feito pelo pelo primeiro congresso sabe o que el salão previn previn que deveria haver investimento na na nas empresas dos negros em 1950 imagina 50 já se colocaram na pauta isso tal em 84 o AB do Nascimento faz o primeiro projeto de lei eh propondo ação afirmativa e fala dessa questão de de cotas não só para para a universidade mas também o próprio Estatuto da
Igualdade racial recentemente aprovado já fala isso mas eu queria chamar atenção mas não tem uma lei que obriga as empresas a ter um diretor negro mas mas mas as leis eu não vejo vocês se movimentar por ISO aí você já teve e dois ou três exemplos de manifestações nossas de movimento negro eh no sentido disso que você tá falando e em 1986 nós fizemos um encontro aqui em Brasília o negro e a constituinte e se você for qualquer o telespectador for pesquisar nos analis da constituinte neste documento lá está isso diretores negros das empresas cotas
ah a questão dos remanescentes dos quilombos or nós reivindicamos nós batemos as portas do Judiciário do executivo do legisla agora os sinos não repicam por exemplo você pode entrar nos programas por exemplo as empresas públicas eu queria fazer uma observação por exemplo na Bahia na Bahia já era para esse negócio tá tá valendo lá em todas eu queria fazer uma observação esse sentimento que você demonstra que não é seu mas um sentimento mais Geral de que a não eu tô eu tô fazendo uma provocação branquinho aqui sou eu quer responder essa provocação eu acho que
a gente teria que pontuar questões repare uma é todo o processo histórico né que o movimento negro tem pautado o setor públic essa é uma questão a outra questão é a partir de quando o setor públic que é uma referência da sociedade como um todo e não é só do movimento negro portanto nós temos que cobrar da sociedade como um todo e não só do movimento negro quando o setor público começa a institucionalizar essa questão é essa a diferença que a gente tem que estabelecer Então esse processo E aí aqui mesmo trouxe uma referência importante
1951 já vai mais de meio século Tá mas quando é que o setor público que aí já não é uma responsabilidade do movimento negro e sim da sociedade como um todo porque lá estão representados todas as camadas sociais ele começa a se institucionalizar aí nós temos nós temos ações específicas a gente vai com questões desde a criação do conselho do negro em São Paulo aí vem ação Palmares este processo que eu estou chamando de processo sistêmico onde a gente se desdobra para pros Estados por exemplo né Eh entidades que são responsáveis por políticas públicas como
no nosso caso da Bahia a Bahia ela só tem apenas 6 anos de uma secretaria como a minha mas há 6 anos que o governo como um todo e aí chancelado pelo Governador não é uma proposição minha nem de ninguém mas atendendo as reivindicações e as demandas dos movimentos sociais do movimento negro particular ele faz um trabalho voltado para as políticas de promoção da Igualdade racial de forma transversal e eu tô quando eu falei a questão do empreendedorismo negro que nós já estamos discutindo institucionalmente para além do que o movimento já vem discutindo há algum
tempo é para dizer o seguinte a a evolução da institucionalização das nossas políticas como aconteceu nos Estados Unidos azido ela vem camadas então primeiro a gente fez reivindicações para entrarmos na universidade repare a questão das cotas foi um primeiro grande Elo o segundo momento é a questão do emprego porque já se discute também cotas alguns estados também já tem cotas para serviço público e agora nós estamos avançando para as políticas afirmativas no campo do Capital então se nós olharmos por essa perspectiva o que é que a sociedade vai enxergar E aí nossa obrigação é mostrar
isso que está existindo sim um processo que não é um processo que é o fim da história ao contrário nós temos assim eu tenho dito que a gente olha para trás e vê que a gente caminhou muito aí olha para frente a gente precisa caminhar bastante nesse aspecto Você tem razão agora por exemplo quando você traz a questão dos Estados Unidos eu tive recentemente em Atlanta para assinar um acordo inclusive de cooperação com o governo do Condado de fulton que tem maioria Negra dentro da cidade de Atlanta com o Governador Jaques Wagner que foi lá
eu não fui sózinho o governador do Estado da Bahia que não é nem Pado como você é um branco foi lá assinar esse acordo o que mais me impressionou lá Moura e Ivair a gente frequenta a gente chega lá nas universidades negras certo a House a stelman e a outra são universidades que tem muito mais tempo do que boa parte das universidades brasileiras são universidades negras mantido pelos negros Tá certo e que universidades que a estrutura que eles têm Universidad não faculdades são faculdades até individuais que a estrutura que eles têm às vezes é muito
melhor e mais Tecnicamente bem aparelhada do que muitas muitas estruturas daqui no Brasil então são processos históricos que tomaram rumos diferentes agora eu dizia que a gente tá guerra civil para acabar com com a escravidão né Deixa eu te contar para você a minha experiência não foi não foi um negócio fácil é deixa eu te contar Minha experiência aí você é de Brasília Você conhece a cultura dos DS aqui aqui aqui em Brasília você sabe o que significa ter um DS tem DS significa você vai estar ocupando um cargo de gerência ou de coordenação e
ganhando mais e ganhar mais em 2001 quando a gente eh começou a fazer uma discussão no governo Federal para implementação da ação afirmativa eh três Ministérios fizeram portarias para que os dasas pudessem ser contemplados pela população negra dasas não tô falando D isso quais Ministérios Ministério da Cultura Ministério da Justiça e Ministério da da da reforma agrária agrária eh você não faz a ideia a luta para que os dasas não ficassem no um no dois e no três porque até o três a gente tinha mas quatro CCO seis e você não faz ideia da da
dificuldade porque aí a questão era uma questãoa questão de mérito você tem um funcionário que tá trabalhando ali 20 anos que formou toda sua sessão Ele formou as pessoas e na hora de receber um dasas ele fica no um fica no dois aí fala assim é uma questão qu de mérito de competência tem que você tem que esse indivíduo tem que ser prestigiado então eu conheci casos aqui na planada de pessoas que passaram a vida inteira sonhando em receber um simples dasas e não e nós naquela época quando ele disse ó Isso é uma questão
simples Você sabe qual foi a área que teve menos rejeição foi a área de terceirizados quando el gente pediu que ter menos terceirizados tivesse que tivesse uma cota para negro tô falando para você em 2001 não é tô falando tô falando ontem hoje 2001 a a dificuldade para você e fazer foi muito terceirizado porque terceir terado você você contrata a empresa de engenharia uma empresa e seguinte nós quer quero que trabalhadores x trabalhadores negros estejam nessa nessa empresa que tem Engenheiros negros que tem a pessoa de informática Negra então foi muito mais fácil receber mas
a Luta pelos dasas 4 5 e 6 aqui na Explanada que é uma questão o seguinte você incorporar a população negra nesse processo foi uma luta Dura É uma questão legal é questão administrativa mas é o o o uma questão também de superação do preconceito quer dizer que eu digo a grande parte da sociedade precisa passar por um processo de conversão para botar para fora o racismo o preconceito porque senão não funciona vejam bem eh nós temos a lei k 89 a lei afons Arinos era era uma questão de contraversão e tal nós temos a
lei k e e que poucos como se conhece ali kó é de 89 9 né Carlos Alberto Oliveira Carlos Alberto Oliveira kó né que veio como fruto fo presidente do sindicato jornalista fo sindicato jornalista foi vice-presidente da Uni né E que a lei a lei ko veio em função do inciso 42 do o quinto da constituição que é aquele que criminaliza torna inafiançável a prática do racismo Isso tudo foi luta do movimento negro para que fosse aprovado na Constituição agora eh um companheiro nosso sofre a discriminação ele já começa tendo dificuldade com o policial da
esquina aí vai com o delegado chega no promotor e no juiz por quê eles desconhecem a lei Caó e evidentemente que também são carregados de preconceito e aí a coisa não funciona agora nós também temos dado grandes passos e aí vai também a correção da da identidade no sentido de conseguirmos aliados de outras etnias porque esse processo ele tem que ser um processo Global ele não será feito só somente por nós mesmos né as outras etnias terão que vir colaborar conosco e estão vindo agora é claro e aí eu me lembro do do lema da
bandeira de São Paulo não ducor ducor quer dizer nós é Queremos ser os condutores desse processo porque afinal de contas são 500 anos de de preconceito discriminação de preconceito e de exploração Vamos fazer vamos fazer o intervalo voltamos daqui a pouco falando um pouco mais sobre isso até já [Música] Voltamos com 3 a 1 que hoje discute a participação do negro em momentos históricos importantes do Brasil temos aqui aen de Carlos Moura coordenador doent Nacional de informação e referência da cultura negra da Fundação Cultural Palmares Ivair dos Santos sociólogo e coordenador doent de convivência negra
da universid de Brasília e Elias Sampaio secretário de promoção da Igualdade racial da Bahia nossa equipe foi às ruas e trouxe mais opiniões sobre a questão das cotas e do preconceito o Brasil para mim não é um país de negro não é um país de branco não é um país de amarelo e nem o índio Brasil é a criação de um novo povo com aação então nós temos que defender aação senão você vai estar defendendo a segregação e cota para Preto cota para Branco cota para índio em se tratando por exemplo da Raça Negra a
gente deve muito a eles a gente deve muito e e o povo ainda ainda tem esse preconceito é na hora de arrumar o trabalho eh no convívio social a gente percebe ainda que o pessoal sofre bastante ainda e somos todos iguais Olha nós não temos assim do ponto de vista histórico né Nenhum momento importante da história do Brasil você não tem a presença marcante do dos negros né Nós temos um problema no Brasil tanto de parte da da população indígena que se urbanizou que perdeu completamente a sua identidade éa e de parte do negro genado
mulato que não quer ser mulato ou ele quer ser negro ou quer ser Branco ele não não quer não admite mais que tem o pé em cada Canoa como é que nós vamos lidar com isso no futuro Olha eu eu eu vejo essa questão digamos do embranquecimento né ela tá muito ligada e voltando ao início da da nossa conversa a questão do preconceito porque veja bem aí ninguém ama aquilo que desconhece né uma comunidade né de povos escravizados como a nossa comunidade Negra né homens e mulheres escravid e que ouviu a vida inteira que ol
você é feio você não é inteligente não é E você não sabe trabalhar etc etc etc ela vai perdendo a sua autoestima ela vai perdendo a sua identidade porque ela não se vê retratada no cotidiano né então qual é o o o o trabalho do movimento negro e de seus aliados é de modificar essa situação por intermédio de informações isso já foi tocado aqui nem todo o africano africano escade chegou era analfabeto conheciam a técnica da minação conheciam técnica de de mercenaria carpetaria conheci técnicas de agricultura eh muito mais técnicas avançadas do que o colonizador
europeu eh o o trato eh de plantas medicinais a própria espiritual Para para dizermos que somos um país religioso então agora tudo isso é é preciso que brancos e negros tomem conhecimento disso tudo para que a autoestima de ambos seja elevada então e isso é um processo às vezes se você homogeniza isso com teração você tem um problema aí porque na verdade você acab acaba anulando ou esquecendo a contribuição histórica da população negra e todo o discurso da mgen Nação não nos ajudou a avançar a a combater a discriminação seja pelo contrário as pessoas são
julgadas pelo seu fenótipo pela sua pela sua aparência e pela sua aparência as pessoas deixam de trabalhar e as pessoas são assassinadas pela sua cor e isso você não pode negar então se eu como dizer Todos nós somos lá nós somos morenos S ponto de vista poético é muito bom mas S ponto de vista do dia a dia mas a venação é um fato é um fato mas sobre o ponto de vista do dia a dia você tem que enfrentar a a sua condição como negro a origem não pode ser descartada quer dier a origem
Negra você não pode eh passar por cima disso quando você passa por cima disso você você não tem sequer a possibilidade de fazer uma política paraa superação disso não é isso que eu que eu que eu que eu tô assim eh eh questionando o que eu tô querendo dizer é o seguinte nós temos um problema que é a exata compreensão do que que é a identidade ética num país traduzido que é a chave para você ter a convivência sem preconceito e sem discriminação é essa é uma das chaves essa então esse problema é uma coisa
muito complexa por exemplo você vive isso na Bahia é você tua tarefa lá é administrar isso como é que você administra ISO não veja eu eu eu enxergo obviamente né eu vou falar do meu lugar eu sou economista e da área de políticas públicas e e ativista militante do movimento negro S isso que eu sou mas e que eu acho até que uma discussão dessa tem um conteúdo antropológico extremamente profundo Mas na minha opinião não existe contradição entre identidade étnica com identidade nacional Nós criamos essa contrad ição por um processo histórico nosso aqui por exemplo
não existe nenhum país no mundo que seja puro etnicamente até que eu saiba não existe os países que foram os países imperialistas hoje então as grandes capitais do imperialismo hoje po o que é que acontece o que é que acontece nesses países nesses países alguns países que conseguiu se desenvolver um pouco mais né E principalmente porque também a gente não pode dissociar viu azedo da questão do avanço do ponto de vista da economia e de outro de outras estruturas para essa questão eles conseguem avançar com respeito às identidades étnicas e históricas o que a gente
tá dizendo é isso O que não pode o que a gente não pode e se furtar de discutir é que a história brasileira ela foi contada muito parcialmente é mas aí Aí eu pergunto Mas até que ponto quando vocês buscam a unidade do movimento negro você seja que eu falo não os negros os líderes que estão à frente do movimento negro não não cria uma espécie de padronização que é até a histórica por exemplo a escravidão doméstica na África era uma coisa predominante predominante ela vai servir de Base pro para vamos dizer assim pra restauração
em bases muito mais eh bárbaras e perversas da Restauração Romana pelo colonizador quandoe chega na África e como é que fica isso por exemplo é isso que vai explicar mais tarde a inversão de papéis na África do Sul em que o o o o o a tribo dominante que era era eram os zulus que eram as tribos guerreiras ela não se urbaniza porque o Souza que era tribo que era escravizada é que vai pra cidade trabalhar e aí inverte porque o Souza se a cultura estuda se moderniza né assume gera uma grande liderança que é
o que é o Mandela agora o presidente da da África do Sul é de origem Zulu é de origem Zulu mas a grande liderança quanto a pared na África do Sul era de origem chosa que era escravizada pelo Zulu então assim essas contradições elas elas de certa maneira tão assim eh elas estão subterrâneas Em certas atitudes que essa população missada que renega a origem e o sangue que corre na veia possa ter no sentido de não aderir ao movimento de ser condescendente com embranquecimento que são problemas que estão postos aí esse esses problemas pro Futuro
entendeu eu acho não só pro futuro porque você não constrói uma nação eh se você não reconhecer esses problemas se você não fizer um trabalho de trazer os principais talentos da população negra para a fazend ter uma participação na sociedade você não consegue construir por exemplo por exemplo Joaquim Barbosa que tá assumindo essa semana a presidência hoje hoje a presidência essa presidência hoje não ontem hoje essa presidência essa presidência é do do Supremo Tribunal Federal ele ontem já deu invertida num repórter chegou pro repóter isso é pergunta de branco tá então eh nós vamos viver
uma situação inusitada assim porque o o símbolo máximo do Poder instalado no Brasil é o presidente do Supremo Tribunal Federal não p pessoa física o cargo de presidente do Supremo Tribunal Federal é a representação do Poder instalado no Brasil nós temos um negro assumindo o poder instalado e predisposto a fazer o que sempre fez na vida inteira que é contestar toda e qualquer forma de discriminação mesmo que que ela pode até não existir basta que ele se sinta de alguma forma discriminado para contestar isso vai ter um um impacto tremendo nessa veja bem o o
Quantas vezes o Ministro Joaquim Barbosa e quantas vezes o do nó aqui já is CR de preto is coisa de preto e aí chega o momento que não nos é dado o direito de replicar quase que nós somos eh instados a a parar com a nossa luta porque olha os seus antepassados lá na África fizeram escravos os seus antepassados lá na África colaboraram com com o colonizador colaborar com a escravidão quer dizer então isso nos impede de forma alguma de lutar de trabalhar quer dizer são a a as contradições sobre as quais você falava aqui
e e do mal né você trazia as máximas do Mal Tung então é realmente é uma questão muito difícil e que precisa ser tratada enfrentada com muita galhardia e E aproveito para dizer o seguinte é muito bom que o estado brasileiro por intermédio dessa televisão né Por intermédio do do seu braço Executor que é a televisão nos dê essa oportunidade do debate do debate mas deixa eu lhe dizer uma coisa eu acho que a gente não pode cair numa armadilha né a identidade étnica o reconhecimento a luta a preservação de identidade étnica nós não podemos
desdobrar isso para necessariamente possibilidad de conflitos Tá certo quem quem criou a noção de raça azedo foi o racismo não é que a raça existia antes então o racismo ele cria essas essas diferenças de forma de tratamento das pessoas em função das suas particularidades pessoais para tentar tirar vantagens ou criar desvantagens para uma ou outra pessoa então assim eu não vejo na minha humilde humilde opinião que a questão da identidade étnica possa levar necessariamente a possibilidade de de conflitos os conflitos existem porque algum Em algum momento na história por divergências ou diferenças étnicas alguns grupos
quiseram se sobrepor a outros utilizando essas características aí eu quero falar um pouco dessa questão da escravidão em África ou em outro lugar Nunca a escravidão em África ela tem um processo histórico e algumas coisas totalmente diferente do que a escravidão que houve da Europa do século X para cá a escravidão do século X pelo pelo pouco conhecimento que eu tenho mas eu me arrisco a dizer aqui foi a única escravidão na história da humanidade que teve por base o conceito racial as outras não as outras o conceito era muito mais complexo em todos os
lugares na Europa também houve em outros lugares houve mas esse e o conceito aal para um grupo de pessoas de todo um continente repare então isso aconteceu no século X e esse é um dos focos de problema que nós temos até hoje porque veja bem Nós estudamos nas escolas Nós estudamos nas escolas né até pouco tempo atrás a gente tem tentado desconstruir isso que a formação do povo brasileiro era feito pelos europeus né os indígenas daqui e os escravos trazidos da África nó os negros não eram esc não eram escravos na África Eles foram escravizados
por um processo histórico político econômico etc etc etc né e vieram aqui na na vieram não foram traficados a muitos deles traficados sequestrados não sabiam nem o que tava acontecendo vieram para cá então da forma que vieram então a gente precisa colocar isso no lugar correto pra gente não imaginar que o fato de de haver a identificação étnica que isso nos remete a uma história mais real de todo o povo brasileiro que inclusive nós devemos ainda conhecer melhor a história dos próprios indígenas que aqui vivem que a gente não conhece tanto mas a gente precisa
trazer isso também ou seja a identidade étnica a identidade racial a identidade religiosa isso não é necessariamente contraditório com a convivência em um país multicultural pluriétnico e também democrático Essa é a questão para encerrar Professor Ivair dos Santos é eu acho que primeiro eh eu quero recuperar a fala do do Carlos Moura que esse debate é importante é importante pro presente e pro Futuro eh porque primeiro você aqui é o mais mulatinho aqui eu você primeiro que raramente você tem um programa de televisão com três negros eh fal um par entrevistando fazendo provocação Então você
não tem essa essa outra coisa e é uma coisa importante é que você percebeu né ou seja nós temos hoje uma mudança eh você tem uma presença hoje de negros na classe média Negra essa nova classe média que traz novas reflexões Ou seja a gente eh Quando você vê as falas né ela fala do negro como vítima de alguma coisa esse processo tá se transformando você tem hoje uma Juventude muito altiva muito eh muito reivindicativa e tal e tem um olhar ou seja de Várias Vários profissionais que estão se apresentando e o exemplo máximo disso
é a figura do Joaquim Barbosa Então as contradições que você viu Nessa fala do Joaquim elas vão se aprofundar ou seja elas não estão elas porque na medida que você tenha mais profissionais ocupando cargos importantes de destaque as as contradições vão aparecer e vão se se colocar e isso isso eu tô vendo com muita muita clareza a partir dos program de ações afirmativas onde você tem cada vez mais negros falando o que que eles realmente pensam falando de forma altiva de forma em que possa ser ouvido então Eh eu eh sempre percebo que na que
nas nas entrevistas na reportagem que fizeram há uma uma coisa que é senso comum Ah há preconceito há não há e tal sempre aquela não tem preconceito tem e tal mas nunca se pergunta e os racistas onde eles estão Será que se tem racismo tem que ter racista Tod lugar então onde eles estão estão em todo lugar em todo lugar como é que qual é o papel que eles TM temos que tomar em relação a isso se eles existem e estão atuando para impedir que as políticas públicas de ação afirmativa possam ser implementadas o que
é que nós temos que fazer como brancos e negros em relação a essas pessoas porque uma coisa Falar que tem racismo outra coisa Falar bom tem racista também o que fazer com eles ó Nosso Tempo Acabou ficamos por aqui quero agradecer a presença dos nossos convidados Carlos Mouraí dos Santos e Elias Sampaio que nos deram a honra de participar do 3 a 1 até a próxima semana boa [Música] [Música] noite m