Vidas Secas romance de Graciliano Ramos diretor de dublagem Gustavo Lisboa Capítulo 5 o menino mais novo a ideia surgiu-lhe na tarde em que Fabiano botou os arreios na égua alazan e entrou a mançá-la não era propriamente idéia era o desejo vago de realizar qualquer ação notável que espantasse o irmão e a cachorra baleia naquele momento Fabiano lhe causava grande admiração metido nos couros de perneiras Gibão e guarda peito era a criatura mais importante do mundo as rosetas das esporas dele te limpavam no pátio as abas do Chapéu jogado para trás preso debaixo do queixo pela
Correia aumentavam-lhe o rosto queimado faziam-lhe um círculo enorme em torno da cabeça o animal estava selado os estribos amarrados na garupa e sim a Vitória subjugava-o agarrando-lhe os beiços o vaqueiro apertou a filha e fosse a andar em redor fiscalizando os arranjos sem se apressar livrou-se de um coice virou o corpo os cascos da égua passaram de rente ao peito raspando o gibão em seguida Fabiano subiu ao copiar saltou na cela a mulher recuou e foi um redemoinho na Caatinga trepado na porteira do Curral o menino mais novo torcia as mãos suadas estirava-se para ver
a nuvem de poeira que toldas imburanas ficou assim uma eternidade cheio de alegria e medo até que a égua voltou e começou a pular furiosamente no pátio como se tivesse o diabo no corpo de repente a filha arrebentou e houve um desmoronamento o pequeno deu um grito e a tombar da Porteira mas sossegou logo Fabiano tinha caído em pé e recolhia-se baseiro e cambaio os arreios no braço os estribos soltos na carreira desesperada batia um no outro as rosetas das esporas tinham sim a Vitória cachimbava tranquila no banco do copiar catando lêndeas no filho mais
velho não se conformando com semelhante em diferença depois da Façanha do pai o menino foi acordar baleia que preguiçava a barriguinha vermelha descoberta sem vergonha a cachorra abriu um olho encostou a cabeça a pedra de amolar bocejou e Pegou no sono de novo julgou a estúpida e egoísta deixou a indignado foi puxar a manga do vestido da mãe desejando comunicar-se com ela sim a Vitória soltou uma exclamação de aborrecimento e como o pirralho insistisse deu-lhe um cascudo retirou-se zangado encostou-se num esteio do Alpendre achando o mundo todo ruim e insensato dirigiu-se ao chiqueiro onde os
bichos bodejavam fungando erguendo os Focinhos franzidos aquilo era tão engraçado que o egoísmo de baleia e o mau humor disse sim a Vitória desapareceram admiração a Fabiano é que ia ficando maior esqueceu o desentendimentos e grosserias um entusiasmo verdadeiro encheu uma pequenina apesar de ter medo do pai chegou-se a ele devagar esfregou-se nas perneiras tocou as abas do Gibão as perneiras o gibão o guarda peito as esporas e o barbicacho do chapéu maravilhavam no Fabiano desviou o desatento entrou na sala e foi despojar-se daquela grandeza o menino deitou-se na esteira enrolou-se e fechou os olhos
Fabiano era terrível no chão despidos os couros reduzia-se bastante mas no lombo da égua a lasanha era terrível dormiu e sonhou um pé de vento cobria de poeira a folhagem das imburanas sim a Vitória catava piolhos no filho mais velho baleia descansava a cabeça na pedra de amolar no dia seguinte essas imagens se varreram completamente o juazeiros do fim do pátio estavam escuros destoavam das outras árvores Porque seria aproximou-se do chiqueiro das Cabras viu o bode velho fazendo um barulho feio com as arregaçadas lembrou-se do acontecimento da véspera encaminhou-se ao juazeiros curvado espiando os rastros
da égua alazão a hora do almoço sem a Vitória repreendeu este capeta anda leso ergueu-se deixou a cozinha foi contemplar as perneiras o guarda peito e o gibão pendurados num torno da sala daí marcou para o chiqueiro e o projeto nasceu arredou-se fez tensão de entender-se com alguém mas ignorava o que pretendia dizer a égua alazan e o bode misturavam-se ele e o pai misturavam-se também rodeou o chiqueiro mexendo-se como um urubu arremedando Fabiano a necessidade de consultar o irmão apareceu e desapareceu o outro iria rir-se mangar dele avisar sim a Vitória teve medo do
riso e da mangação Se falasse naquilo sem a Vitória ele puxaria as orelhas evidentemente ele não era Fabiano mas se fosse precisava mostrar que podia ser Fabiano conversando talvez conseguisse explicar-se a caminhar banzeiro até que o irmão e baleia levaram as cabras ao Bebedouro a porteira abriu-se um fato me espalhou-se pelos arredores os chocalho soaram a camisinha de algodão atravessou o pátio contornou as pedras onde se atiravam cobras mortas passou o juazeiros desceu a ladeira alcançou a margem do rio agora as cabras se empurravam metendo os Focinhos na água os cornos entre chocavam-se baleia atarefada
latia correndo trepado na ribanceira o coração a os Baques o menino mais novo esperava que o bode chegasse ao bebedouro certamente aquilo era arriscado mas parecia ele que ali em cima tinha crescido e Podia virar Fabiano sentou-se indeciso o bode ia saltar e derrubá-lo ergueu se afastou-se quase livre da Tentação viu um bando de periquitos que voavam sobre as catingueiras desejou possuir um deles amarrá-lo com uma embira dar-lhe comida sumiram-se todos chiando e o pequeno ficou triste espiando o céu cheio de nuvens brancas algumas eram carneirinhos mas desmanchavam-se e tornavam-se bichos diferentes duas grandes se
juntaram e uma tinha a figura da égua alazan a outra representava Fabiano baixou os olhos encadeados esfregou-os aproximou-se novamente da Ribanceira distinguiu a massa confusa do rebanho ouviu as pancadas do chifres se o bode já tivesse bebido ele experimentaria a decepção examinou as pernas finas a camisinha encardida e rasgada enxergar a viventes no céu considerava se protegido convencia-se de que forças misteriosas iam ampara-lo apoiaria no ar como um periquito fosse aberrar imitando as cabras chamando o irmão e a cachorra não obtendo resultado indignou-se e a mostrar a os dois uma proeza voltariam para casa espantados
aí o bode se avisou e meteu o focinho na água o menino despelhou-se da Ribanceira escanchou-se no espinhaço dele mergulhou no pelame fofo escorregou tentou em vão segurar-se com os calcanhares foi atirado para frente voltou achou-se montado na garupa do animal que saltava demais e provavelmente se distanciava do bebedouro inclinou-se para um lado mas fortemente sacudido retomou a posição vertical entrou a dançar desengonçado as pernas abertas os braços inúteis outra vez impelido para frente deu um salto mortal passou por cima da cabeça do bode aumentou rasgão da camisa numa das pontas e estirou-se na areia
Ficou ali Está telado quietinho um zum zum nos ouvidos percebendo vagamente que escaparam sem honra da Aventura viu as nuvens que se desmanchavam no céu azul em berrou com elas interessou-se pelo Voo dos urubus debaixo dos Couros Fabiano andava banzeiro pesado direitinho um urubu sentou-se apalpou as juntas doidas fora sacolejado violentamente parecia-lhe que os ossos estavam deslocados olhou com raiva o irmão e a cachorra deviam tê-lo prevenido não descobriu neles nenhum sinal de solidariedade o irmão ria como um doido baleia séria desaprovava tudo aquilo achou-se abandonado e mesquinho exposto a quedas coices e amarradas ergueu-se
arrastou-se com desânimo até a cerca do bebedouro encostou-se a ela o rosto virado para a água barrenta o coração meteu os dedos finos pelo rasgão coçou o peito magro o troféu das Cabras perdeu-se na ladeira a cachorrinha ladrou longe como estariam as nuvens provavelmente algumas se transformavam em carneirinhos outras eram como bichos desconhecidos lembrou-se de Fabiano e procurou esquecê-lo Com certeza Fabiano e sim a Vitória e um castigado por causa do acidente levantou os olhos tímidos a lua tinha aparecido engrossava acompanhada por uma estrelinha quase invisível aquela hora os periquitos descansavam na Vazante nas touceiras
secas de milho se possuísse um daqueles periquitos seria feliz baixou a cabeça tornou a olhar a poça escura que o gado esvaziara uns riachos Miúdos marejavam na areia como artérias abertas de animais recordou-se das Cabras abatidas a mão de pilão penduradas de cabeça para baixo não caiba do copiar sangrando retirou-se a humilhação atenuou pouco e morreu precisava entrar em casa jantar dormir e precisava crescer ficar tão grande como Fabiano matar cabras a mão de pilão trazer uma faca de ponta a cintura e a crescer espichar-se numa cama de varas Fumar cigarros de palha calçar sapatos
de couro cru subiu a ladeira chegou-se à casa devagar entortando as pernas banzeiro quando fosse homem caminharia assim pesado cambaio importante as rosetas das esporas te limitando saltaria no lombo de um cavalo bravo e voaria na Caatinga como Pé de Vento levantando Poeira ao regressar a Persia num pulo e andaria no pátio assim torto de perneiras Gibão guarda peito e chapéu de couro com barbecue o menino mais velho e baleia ficariam admirados