Uma das maiores fabricantes de calçados do país é uma empresa fundada por Irmãos Gêmeos, que começou sua história fabricando embalagem para vinho, descobriu que dava para fazer sandália com plástico e hoje vale quase R 5 bilhões deais. Eu estou falando da Grend, dona de marcas como Melissa, Heider e Ipanema. Mas o império da família fundadora da Grend vai além disso.
Eles também controlam a Vulcabras, dona da marca Olímpicos e operadora da Bizuno e da Underar Armor no Brasil. E eles ainda têm negócios no mercado imobiliário, na agropecuária e até na fabricação de móveis planejados. É por isso que nesse vídeo da série Negócios de Família vamos conhecer a história da Grendene, os outros negócios dos irmãos Grendene Batelli e como as duas empresas de calçados dessa família estão hoje.
[Música] A história da Grendene começa em Farroupilha, no interior do Rio Grande do Sul, em 1971. Com 21 anos, Alexandre Grandene Bartelli fundou uma empresa para fabricar telas plásticas para garrafões de vinho. A ideia da Grendene Plásticos veio do avô e o desenho das peças foi feito pela mãe do Alexandre.
A aposta da família era que o produto substituiria os artesanais cestos de vime que embalavam os vinhos produzidos na Serra Gaúcha. A ideia deu tão certo que um ano depois o gêmeo de Alexandre, o Pedro Grendini Bartelli, se juntou aos negócios para dar conta da demanda. Com as máquinas injetoras de polietileno, a dupla logo começou a fabricar outros produtos, como espremedores de frutas, cabos para facas, bombas de vácuo e peças agrícolas.
Mas a grande virada veio em 1978, quando depois de muitos testes, a companhia conseguiu lançar seu primeiro calçado de plástico, a sandália no ar. Esse calçado era produzido mais rapidamente e tinha um preço mais acessível que uma sandália tradicional. E os irmãos logo perceberam que aquele negócio era mais lucrativo que fazer peças plásticas.
Um ano depois, inspirada nas sandálias de tiras dos pescadores da Riviera Francesa, eles criaram uns de seus produtos mais emblemáticos, a Melissa. A sandália colorida e perfumada inaugurou o chamado merchandising de calçados e novelas. Naquela época, as novelas costumavam fazer propagandas quase que exclusivamente de marcas de automóveis e bebidas.
E o departamento de merchandising ainda era algo pequeno nas emissoras. Mas a Melissa conquistou seu espaço e depois de aparecer nos pés da personagem Júlia interpretada por Sônia Braga na novela Dance em Days, a sandália explodiu em vendas. Só no primeiro ano a Grendene vendeu mais de 5 milhões de pares da Melissa.
Só que outros fabricantes de calçados logo passaram a copiar a sandália buscando um novo diferencial. Os irmãos Grend então investiram em pesquisa para criar um produto consolado de PVC expandido. Com essa tecnologia, em 1986, eles lançaram os chinelos Hider, que marcaram a entrada da Grend no segmento masculino.
A partir daí, a Grend foi criando novas linhas, como a Grenda em 1994 e a Ipanema em 2001. E em todos os lançamentos, a empresa investia em um marketing pesado e com nomes bem conhecidos pelos brasileiros. eram atores, modelos, apresentadores e até atletas.
A entrada da companhia na bolsa aconteceu em 2004 e os irmãos granden estiveram à frente dela até 2013, quando deixaram a presidência e a vice-presidência para assumir posições no conselho de administração. Mas a Grenden, como eu mencionei no começo do vídeo, não é o único negócio deles. Os irmãos Grendenes sempre apostaram na diversificação dos negócios.
O Pedro, por exemplo, também é criador da Nelori Grindeni, uma das maiores produtoras de touros da raça Nelor do país, que ele fundou em 1981. Já o seu irmão, Alexandre é hoje o principal acionista do grupo Unicasa. A empresa é uma das maiores fabricantes de móveis planejados do país, com marcas como Delano, New e Casa Brasileira.
Quando estreou na bolsa, em 2012, a empresa chegou a valer mais de R$ 1 bilhão deais, mas hoje seu valor de mercado é de pouco mais de 100 milhões. No segmento imobiliário, o Alexandre também ficou famoso por tomar o controle da IVEN, comprando ações da construtora quando elas estavam bem em baixa em 2015. E os irmãos também tentaram trazer diversificação pra própria Grinden em 2014, eles criaram um negócio de móveis feitos de plástico em sociedade com o designer Philip Stark e os empresários André Esteves e Nizanguanais.
Mas a empreitada não funcionou. A grande vocação dos irmãos Grend parece estar mesmo no setor de calçados e a prova disso, além da Grendene está na Vulcabras. A dona da Olímpicos começou sua história com os Gren em 1988.
Na época, o negócio enfrentava grandes dificuldades financeiras e os irmãos resolveram comprar a companhia. A Vucabras tinha sido fundada 36 anos antes, em 1952, e seu primeiro produto foi um sapato de couro com sola de borracha chamado 752, que se tornou um ícone nacional. Quando os irmãos Grenden assumiram os negócios, a Vucabas era a segunda maior fabricante de calçados do país e já tinha entrado na categoria esportiva.
Naquela época, ela tinha o licenciamento para produzir e vender marcas como Adidas e Puma no Brasil. Com esse novo negócio em mãos, a partir de 1988, os irmãos passaram a dividir as companhias de calçados. O Alexandre manteve seu foco principal na Grendene, enquanto Pedro assumiu o dia a dia da Vucabas, estabelecendo estratégias que incluíam a diversificação de produtos e a expansão geográfica.
A Vucabas passou por uma série de mudanças em seu portfólio, sempre licenciando novas marcas esportivas para conseguir se manter nesse mercado. Até que em 2007 a empresa passou por uma fusão com a Asaleia e finalmente conquistou uma marca própria no segmento, justamente a Olímpicos, que hoje é considerada a maior marca esportiva nacional em volume de vendas. Mas a história da Vucabas tem um capítulo bem complicado.
Em 2012, diante de uma dívida bilionária, a empresa iniciou uma das reestruturações mais drásticas do capitalismo brasileiro. Em 3 anos, ela demitiu 30. 000 de seus 45.
000 funcionários e fechou 25 das suas 29 fábricas. A reestruturação foi concluída em 2015 e 2 anos depois a Vucabas fez uma oferta de ações e conseguiu quitar parte de suas dívidas e fazer novos investimentos. E hoje o foco e a gestão de Grendene e Vucabas são bem diferentes.
Apesar de seu início no Rio Grande do Sul, a matriz da Grendene atualmente está no estado do Ceará, na cidade de Sobral, onde estão seis de suas 10 fábricas. Por décadas, a empresa se destacou por seu modelo de produção verticalizado, com a fabricação de todos os componentes dos calçados, garantindo maior controle de custos e qualidade. Mas hoje as ações da Grend estão no patamar mais baixo desde 2016.
Isso porque a companhia encontra dificuldades para continuar crescendo, como em outros tempos, por conta da competição com as importações asiáticas e também o cenário econômico brasileiro. Uma das estratégias da companhia para mudar esse quadro está em suas operações no mercado externo. Por décadas, a Grendene só exportava seus produtos sem fazer comercialização direta em outros países.
Mas em 2021 a empresa firmou uma parceria com a gestora 3G radar de Jorge Paulo Lema e seus sócios para montar um negócio e atuar na comercialização de seus calçados no exterior. Ao todo foram investidos 75 milhões de dólares nesse projeto, mas os resultados não vieram como esperado. O aumento dos juros em vários países, os problemas logísticos e os conflitos regionais afetaram os negócios.
A Grendeni Global Brands tem prejuízo trimestre após trimestre e fechou 2024 com um patrimônio líquido negativo de R 55 milhões deais. Frustrada com os negócios, a 3G decidiu abandonar o barco e revendeu sua participação paraa Grendene. A Grend segue focada em fazer esse negócio render.
A estratégia atual é priorizar a rentabilidade da GGB e fazer novos aportes para manter o negócio funcionando. Desde que os fundadores deixaram a gestão, quem preside a Grandene é Rudlander, um executivo de carreira que começou na empresa em 1979. E os irmãos fundadores permanecem no conselho de administração.
Já na Vucabas, quem comanda o negócio desde 2015 é o filho de Pedro Grendi, o Pedro Batelli. Ele assumiu a empresa logo após sua reestruturação e colocou em prática o plano para focar a Vucabas no mercado esportivo. Para isso, a empresa licenciou a Asaleia e assumiu as operações da Mizuno e da Underar Armor no Brasil.
Com essa estratégia, em 2024, a Vucabas bateu o recorde de faturamento e de lucro, mas a empresa sabe que precisa encontrar novas fontes de receita para continuar crescendo. Uma de suas principais apostas é a incursão no varejo físico com abertura de lojas próprias da Under Armor. Já na Olímpicos, a Vocabras tem ampliado a oferta de produtos para o atleta de alta performance.
A marca sempre foi atrelada a um tênis mais popular, mas nos últimos anos tem investido em tecnologia e marketing para lançar tênis mais caros e competir com marcas como Adidas e Nike. E além de ocupar a cadeira da presidência da empresa, o Pedro também ocupa um assento no Conselho de Administração da Vucabas, ao lado de seu irmão André Camargo Batelli e de seu pai. Seja na gestão executiva ou no conselho de administração, a família Grendeni Batelli permanece próxima dos negócios.
O desafio atual é abrir novas avenidas de crescimento para Vucabras e Grendene, sem deixar suas marcas campeãs e seus públicos cativos para trás. Vamos acompanhar para ver quais serão os próximos passos.