Boop Fiction é um filme sobre multiverso. Tá, pode parecer uma afirmação maluca para um filme de gangster dos anos 90, mas existem detalhes escondidos bem diante dos teus olhos que vão comprovar isso. Se você prestar bastante atenção, [música] vai perceber que existem falas em momentos específicos que dão a entender que Poop Fiction não conta uma simples história tradicional, mas sim múltiplas histórias em múltiplas realidades diferentes.
E isso daqui você com certeza ignorou esse tempo todo. Primeiro, como é possível que uma personagem mude completamente de discurso de uma cena para outra sem que ninguém perceba a diferença? Que que explica o destino de um homem ser marcado por objetos de uma determinada cor que aparecem em locais impossíveis?
E o mais bizarro de tudo, como é que o Tarantino conseguiu usar a câmera para transformar um assassino cruel em uma figura divina bem diante do seu nariz, sem dizer uma única palavra? Eu vou te mostrar agora exatamente como é que o Tarantino conduz as nossas emoções e guia o nosso olhar durante todo o filme, em cada cena, em cada detalhe, em cada segredo escondido no filme. Então se prepara, pois agora a gente vai decifrar todos os segredos que o mestre da violência escondeu em cada quadro desse grande clássico.
O filme nos conta quatro histórias paralelas que são apresentadas através de uma narrativa não linear. E é justamente nesse vai e vem que as pistas começam a aparecer. História um, Jules e Vincent, o acerto de contas.
A primeira história acompanha os capangas Jules e Vincent em uma missão matinal, onde eles precisam recuperar uma maleta misteriosa que pertence ao chefe deles, o Marcelos Wallace, e que tá em posse de uns jovens liderados por um cara chamado Bret. O clima no apartamento é de uma tensão que você sente na pele, onde um simples diálogo sobre hambúrgueres serve como prelúdio para uma execução fria e calcular. E eu já posso te adiantar que só nessa sequência, desde a ida deles ao apartamento, até o momento exato da execução, há diversas pistas que o Tarantino escondeu magistralmente para contar pra gente muito além do que os nossos olhos numa primeira olhada consegu perceber.
Mas daqui a pouco eu vou te falar mais sobre isso. História dois, Vincent Vega e Mia Wallace, o encontro proibido. A segunda trama foca exclusivamente em Vincent Vega, que recebe a perigosa missão de entreter a esposa do patrão, Mil Wallace, enquanto o Marcelos está fora da cidade.
Mas o que começa como um jantar é excêntrico no Jack Raptins, regada milkshakes de 5, silêncios incômodos e um concurso de twist rapidamente se transforma em um pesadelo. Vincent precisa lidar com uma overdose acidental que coloca a vida de Mia e a dele própria em um fio de navalha. Ela pode morrer por conta da droga e ele pode morrer porque a esposa do chefe dele morreu com ele.
Tudo isso culminando numa sequência com o ritmo angustiante de tirar o fôlego na casa de um traficante de quinta categoria enquanto ele tenta trazer a Mia de volta à vida com uma dose de adrenalina. Terceira história, o boxeador Butt. O peso da honra.
Agora o foco muda para Budtit, um boxeador veterano que faz um acordo com Marcelos para cair no quinto round de sua última luta, mas But decide apostar em si mesmo e acaba ganhando a luta, matando seu oponente por acidente no riming. Seu plano era perfeito, trair o chefe, pegar a grana e fugir. Quer dizer, se ele não tivesse esquecido o seu bem mais precioso, né?
O relógio dourado que atravessou gerações na sua família. No começo da história do Butth, nós vemos o peso que esse objeto carrega desde a sua infância. Ao voltar para buscá-lo, ele acaba cruzando o caminho do Vincent, o mata com total frieza e logo na sequência acaba se deparando com o próprio Marcelos Wallace na rua.
Só que os dois terminam amarrados no porão de uma loja de penhores reféns de um cara sádico chamado Zed. Bud consegue se soltar, mas daí encara um dilema. Fugir e deixar o chefe para morrer ou voltar e resolver a parada com as próprias mãos.
Ele decide voltar e a forma como ele escolhe a arma. Para esse acerto de contas, muda tudo que a gente entende sobre aquele personagem, além de esconder um dos detalhes de direção de arte que eu acho mais bacanas em filmes que eu já vi na vida. História 4ro, Jules e Vincent, O milagre e a Ruptura.
Finalmente vamos chegar na parte onde as coisas começam a ficar muito estranhas. Nós voltamos no tempo pro exato momento do apartamento do Brad, mas dessa vez a história continua além da execução. Descobrimos que havia uma quarta pessoa escondida no banheiro que descarrega um revólver contra Jules e Vicent.
Mas inexplicavelmente ele erra absolutamente todos os tiros. A partir daqui, a história toma um rumo completamente diferente. Um acidente sangrento dentro do carro obriga a dupla a buscar a ajuda do metódico Mr Wolf para limpar a cena em tempo record.
E é nesse trecho onde eles terminam tomando café em uma lanchonete que algo parece fora do lugar. E eu nem tô falando do assalto lá do Pumpkin e da Honey Bunny que acontece logo depois. É algo que vai muito além.
é um detalhezinho de nada, mas que muda absolutamente tudo. E a primeira pergunta que eu te faço é: você sabe dizer por que o Tarantino decidiu separar a manhã desses dois caras em duas histórias diferentes dentro do mesmo filme? Será que é apenas para confundir a linha do tempo fazendo uma história não linear?
Ou porque na verdade o que aconteceu naquele apartamento criou duas realidades completamente distintas? Pra gente começar a mergulhar em todos os segredos escondidos dentro de Poop Fiction, eu preciso começar observando como é que o Tarantino usa a câmera para nos dizer quem manda em cada cena. Afinal, nada cinema é por acaso.
E não só isso, logo no começo já tem várias pistas no roteiro que indicam a teoria das realidades paralelas. Saca só. Um pouco antes do Julies e do Vincent chegarem no apartamento do Bret, os dois têm um diálogo sobre pilotos de série de TV, que é o primeiro episódio que é feito para testar uma série antes da emissora encomendar uma temporada completa.
E nessa conversa, o Vincent diz não entender nada a respeito disso, porque ele não assiste televisão. Guarda essa informação que ela vai ser muito importante daqui a pouco. Daí temos a cena no apartamento do Brat.
Quando Jules está conversando com ele, repara como os enquadramentos colocam Jules acima da situação. Ele surge muito maior que o Bret no quadro, quase como se não coubesse ali. É uma posição de domínio absoluto.
E aqui tem uma curiosidade muito interessante. Repara nesse detalhe na direção de arte. Logo atrás do Jules, o suporte da cortina na parede forma um crucifixo perfeito.
Aqui o filme já está te dando um spoiler do que vai acontecer com Jules no final do filme, quando ele basicamente se converte ao cristianismo em uma fração de segundo. Esse jogo de poder se repete com o Marcelos Wallace. O Tarantino se recusa a nos mostrar o rosto dele no começo.
Ele surge apenas de nuca, tomando quase todo o enquadramento que é repleto de luzes vermelhas, indicando a violência que cerca ou que está prestes a cercar ele momentos a seguir na narrativa. O mesmo acontece com a Mia. Primeiro a gente vê os seus pés, depois a gente vê ela de costas e somente por último vemos o seu rosto por completo.
É o mistério sendo construído através das lentes do filme. E até mesmo a conexão entre os personagens é física em termos de enquadramentos. Quando a Mia e o Vincent estão desconfortáveis no jantar, o Tarantino enquadra eles olhando para fora do quadro, ao invés de para dentro do quadro, como eu tô indicando com as setas aqui na imagem.
Mas conforme eles começam a se conectar, especialmente quando falam sobre silêncios incômodos, os enquadramentos mudam. Eles passam a olhar para dentro do quadro, quase como se estivessem encarando um ao outro diretamente finalmente, né? Porque eles estavam olhando para locais totalmente opostos.
Com o jogo de câmera agora dando a entender que eles estão convergindo o olhar pro mesmo ponto ao invés de pontos distintos. Agora também existe um padrão visual obsessivo com a cor dourada que guia todo o destino do B. E esse detalhe percebido pelo Rob Agis o canal dele é de explodir a cabeça.
Tudo começa com a história do relógio dourado contada pelo personagem do Christopher Walker. Repara como a cena é inundada por tons dourados. No presente, quando acorda, ele está vestindo dourado, as pessoas no quarto estão de dourado e até o carro que atinge ele quando ele tá fugindo do Marcelos Wallace também tem um tom dourado.
E como se não bastasse, se você reparar bem, tem um relógio de parede aonde você vê escrito papai. E o relógio é de que cor? Dourado.
Esse é o detalhe de direção de arte que eu acho mais bacana, não somente desse filme, como de praticamente todos os filmes que eu já vi. O ouro não é apenas riqueza. Aqui é o símbolo da honra ferida do Butch.
Mas Tarantino também usa o som para te deixar em alerta. Lembra quando o Butt volta para casa para pegar o relógio? No momento em que ele mata o Vincent?
Ouvimos um alarme vindo da torradeira, representando o perigo que ele ainda está correndo. Aliás, será que você reparou que essa manipulação através do som já tinha começado um pouco antes disso? Durante o trajeto do Butt até o seu apartamento?
A cena é totalmente inundada de sons de helicóptero, sirenes e outros sons de perigo antes mesmo de ele chegar lá. É exatamente esse tipo de investigação que eu faço com os meus alunos dentro do Decifrando Cinema 2. 0.
O método perfeito para você que quer aprender a enxergar um filme com o mesmo olhar de um diretor de cinema e também aprender a fazer os seus próprios filmes, mesmo que você nunca tenha estudado o cinema antes. Aproveita os 15% de desconto no QR Code aqui na tela e também no link da descrição. Só que antes de falar sobre a teoria das realidades paralelas, eu preciso falar do detalhe que eu mais gosto desse filme.
E ele acontece num reflexo na tela de televisão quando o butt está sozinho com a sua namorada. Repara bem nesse enquadramento. A câmera vai se aproximando enquanto vemos o reflexo da esposa dele, da namorada, na televisão, com homens armados correndo na tela.
E a justa posição dessas imagens faz parecer que os homens armados estão correndo atrás dela, apontando as armas para ela. E é justamente por ela estar em perigo que faz o personagem se motivar a sair dali e resolver o problema. E agora vamos falar sobre a teoria do multiverso.
E um dos momentos chave é lá na cena da lanchonete. Quando o filme começa, a personagem Han Bunny grita uma frase antes do assalto. >> Mas quando voltamos para essa mesma cena no final do filme, ela diz quase a mesma frase com uma ligeira diferença.
Isso não é um erro de continuidade, é uma pista de que estamos vendo dois universos distintos, ou pelo menos é o que diz essa teoria. Olha para esse outro momento lá com Vincent Vega. O Vincent conta pro Jules que ele não vê televisão e por isso ele não entende nada sobre séries de TV.
Só que mais tarde, no final do filme, ele discute séries de televisão com uma propriedade impressionante, citando detalhes que ele supostamente não deveria saber. Ele chega a comentar sobre a série Cops de um jeito que contradiz totalmente o mesmo Vincent lá do começo do filme. Essa teoria que eu vi lá no canal Cracket sugere que talvez nós não estejamos vendo a mesma linha do tempo.
Tarantino pode ter nos mostrado fragmentos de universos paralelos aonde pequenos detalhes mudam. Uma frase gritada, o conhecimento sobre televisão ou até mesmo o destino de um personagem. Pequenas variações que denotam que talvez não estejamos vendo os mesmos personagens dos mesmos universos.
E quando o filme encerra com o Jules e o Vincent saindo da lanchonete, vestido com aquelas roupas de surfista totalmente caricatas, a gente ri do absurdo da imagem. Mas o verdadeiro choque é perceber que o Vincent que sai por aquela porta pode não ser o mesmo Vincent que a gente viu entrando no prédio lá no começo do filme. 15.
000 inscritos, quer dizer, 16. 000 já. Gente, muito, muito obrigado por você que tá aqui curtindo os vídeos, se inscrevendo no canal.
Isso é inacreditável. Foi tudo isso em menos de 3 meses. Vídeo com 200.
000, 160. 000, 150. Gente, loucura total.
Não esperava por isso. Muito obrigado a vocês que estão acompanhando, que estão comentando, que estão pedindo filmes. Gente, isso é demais.
Muito obrigado. Estamos junto. Eu tô pensando em abrir um clube de membros pra gente estreitar relações e você poder escolher diretamente cada filme analisado e receber com antecedência os vídeos de análise.
Que que vocês acham? Comenta aqui embaixo. Me segue lá no Instagram que todo dia tem notícias, novidades, fofocas, curiosidades do cinema.
Daqui a pouco eu tô voltando com as dicas diárias de filmes. Vocês vão gostar bastante do que eu vou postar por lá. Curte esse vídeo, se inscreve no canal e se você ainda não viu a minha análise de hereditário que está tão boa quanto essa aqui de Pop Fiction, aperta na tela que tá aparecendo aqui agora e assiste agora mesmo essa análise que eu tenho certeza que você vai adorar.
Mais uma vez, gente, muito, muito obrigado por todo o apoio. Estamos junto e [música] vamos continuar crescendo e postando vídeo, quem sabe em breve dois vídeos por semana. Forte abraço e vida longa ao cinema.
Yeah.