[Música] presada Senhora imiscuindo no alu Nobre e sublime de vossa excelentíssima em ser advogada e Protetora da classe doméstica a qual prima por sua reinvindicação jogando-a contra os lares com promessas sobre modo desos como a de liberdade férias 8 horas de serviço repouso remunerado e outros e demais direitos adquiridos pelos demais trabalhadores estou de acordo obviamente com algumas restrições em hipótese alguma Dona laudelina ficará essa classe trabalhadora na mesma posição ao nível do operário pois os operários trabalh expostos a interpéries aos perigos aos intransigentes Caprichos dos patrões e sobretudo matam sua fome com alimento ganho
adquirido religiosamente com o suor do seu corpo tão mamente coberto por rústicas indumentárias não acontece o mesmo com as senhoras domésticas que a começar alimentam-se ao seu bel prazer são donas de casa vestem-se hoje com mais requinte às vezes superando suas patroas apesar dessas comodidades que as mesmas possuem 90% são vaidosas desobedientes faltosas nos horários humilham com palavras irreverentes a Marte patroa que por necessidade a suporta hoje sem mesmo essa objetiva e altruística ideia sua elas até têm a petulância de dizer à patroa que lhes dêu uma ou duas horas para irem ao cabeleireiro e
a manicure outro sim apesar de ser uma incumbência Deveras dura complexa uma legislação de grande senso equânime bilateral dando a César O que é de César com isso que as suas reivindicações fiquem sujeitas aos prejuízos causados com danos e objetos louças e demais submetendo ao justo desconto dos seus salários que lhe seja descontado também a sua estadia cujo terá um princípio bilateral para que prospere esse plano creia-me que obrigue-se essa ple de analfabetos que se preparem pelo menos rudimentar a título de colaborar aos seus esos para prosperidade e realização do seus justos anios uma escola
religiosa de aprendizagem deas maneiras Seria o ideal porque as empregadas são mal educadas mal agradecidas à patru em geral Desejo felicidades à senhora dona laudelina observador amigo Campinas 18 de Maio 1961 praticamente eu comecei a trabalhar aos 7 anos de idade como empregada doméstica e babá em minha cidade poos de caluda a minha infância não foi uma coisa boa me tratavam como negrinha Pererê macaca nunca me chamavam pelo meu nome laudelina h [Música] a gente negra não tinha o direito de frequentar alguns lugares de branco a gente não podia ir ao clube deles na igreja
a gente tinha que ficar sempre no fundo se a gente chegasse mais cedo e tivesse o banco vago e sentássemos a gente tinha que levantar Se chegasse um senhor ou uma senhora branco sem reclamar e assistir a missa até o fim de pé no fundo a minha avó era escrava me doou a minha mãe ainda criança pra família Junqueira era uma das famílias mais importantes de poos de Calda uma das fundadoras de poos de cauda minha mãe cresceu ali mesmo e mesmo depois de casada ela continuou sobre o julo deles eles não deixavam ela em
paz a qualquer hora do dia ou da noite ela tinha que sempre est à disposição da sinhazinha para fazer as vontades dela dia num domingo um Capataz foi até a casa da minha mãe cham dessa vez ela resolveu no ir porque tinha uns doces para entregar ela também era doceira da cidade aí o capat começou a bater na minha mãe com um chicote de rabo de tatu eu avancei nele se a minha mãe não me puxasse Eu acho que eu matava aquele homem de tanto ódio que eu tava eu tinha 16 anos pior é que
a minha avó assinava o sobrenome Junqueira naquela época era comum o escravo assinar o sobrenome de seus senhores e eles queriam que eu também assinasse mas eu me recusei e convencia a minha mãe que também não assinasse aí nós resolvemos assinar o sobrenome do meu pai Campos Melo foi a nossa Abolição meu nome de nascimento audelina de Campos Melo data de nascimento 12 de outubro de 1904 meu pai chamava-se Marco Aurélio de Campos Melo minha mãe chamava Maria Maurícia de Campos Melo e o local de nascimento Poços de Caldas Minas eu perdi meu pai com
12 anos eles cortavam madeira no Paraná para exportar cortava Pinhos para exportar eles viam o meu meus pais meu pai meus tios e mais outras pessoas juntava sempre 20 30 homens para fazer aquela aquela derrubada né que era naquela época era Machado né e Enquanto uns cortavam os outros ficavam na estrada para avisar quando passava o carro de boi passava as pessoas e meu pai ficou na estrada para fazer as pessoas parar porque tava cortando o Pinho e naturalmente demorou um pouco para terminar de cortar e o em vez do Pinho cair pro lado que
não tinha ninguém caiu pro lado dele matou minha mãe estava de dieta do meu irmão quando meus filhos voltaram paraa posse de Calda Então minha mãe para não contar que meu pai tinha morrido porque ela estava de dieta Então meus filhos disseram para ela ele tinha ficado que ele só I voltaria paraa poste de Caldas quando os outros fosse para substituir ele mas era para dar um tempo para m minha mãe não saber né então minha mãe naquela esperança que meu pai voltava né aí meu pai não voltou aí minha mãe já estava viva eu
estava com 12 anos comecei a tomar conta da casa Minha mãe foi trabalhar no Grande Hotel na lavanderia quando estava mais ou menos com 18 anos jelin cubea construiu lá em poste Caldas o hotel quana 18 anos que foi essa companhia lá essa essa essa equipe de Engenheiros para construir hotel foram vários pedreiros vários trabalhadores da construção civil e no meio foi a pessoa com quem eu casei chamava-se Henrique Ele também era Campos eu sou Campos duas vezes lá em postos né a senhora chegou a frequentar alguma escola até o terceiro ano no grupo escolar
da vid Campista não pode continuar Porque eu tive que sair da escola para ajudar a criar meus irmãos casei em postos e fui morar em Santos meu marido era Santista logo depois que nós fomos viver em Santos nasceu o primeiro filho né aí meu marido trabalhava numa grande companhia de construção e essa companhia que construiu a penitenciária do estado aí nós fomos morar em São Paulo nós ficamos até 34 em São Paulo até 1934 nós ficamos em São Paulo quando foi em 1936 nós eu pertencia a uma organização que foi desfeita pela pela política chamava-se
a frente Negra eu eu fazia parte dessa organização nós reunimos Que nós tínhamos uma sociedade lá em Santos chamada saudade de Campinas que era fundado por vários Campineiros que estava radicado em Santos Então eu fui convidada para ser oradora da turma Essa sociedade faz e o que a gente tá fazendo hoje reunir os grupos para conscientizar o Negro PR pra gente conseguia a elevação da raça a cultura né Então tinha Essa sociedade eu era uma das diretoras da sociedade eles ou os homens organizaram a frente Negra e dentro da frente Negra Então tinha vários departamentos
né Então tinha departamento de cultura tinha o departamento social tinha departamento político que era um partido político né a frente Negra e que tipo de atividade promovia a frente Negra reuniões reuniões festas né passeios a gente vinha a campin no bosque fazer piquinique então nasceu a ideia dentro da frente negra de fundar a departamento doméstico né a frente Negra participava das eleições na época lançava candidato conseguimos mas logo quando veio a repressão política eles fecharam né porque não queriam um partido de negros né dis que nós estávamos criando separatismo né então já tudo fechou nós
aí fundamos a associação de Empregados doméstica mas era mais beneficiente porque naquela época não se falava em sindicato né porque as domésticas foram destituídos das leis trabalhistas então ali nós fundamos departamento de arte culinária com do formou várias empregadas um diploma e tudo aí quando veio a guerra eu me alistei puxa preciso defender minha Pátria também né Aí estava fazendo inscrição recrutando as mulheres porque a guarda da cidade era não era Polícia Militar era guarda civil então eles foram pra Itália né aí eles convocaram as mulheres então eu lia no jornal Ass assistia pelo pelo
rádio na chamada eu foi me escrever eu sou o número 20 o que o senhora Fazia tudo que um soldado faz Só não fomos pra frente né tudo Abrir trincheira e fazia aqueles exercícios de guerra para levar os velhos pro pros pros coisas lá pro pros labirintos né os ataques Aéreos abria a trincheira carregava os soldados feridos eu dava expediente no Forte taipus aonde tava a maior força n que é na entrada da Barra Então eu fui escalada para para suprir os canhões né então a cada bomba tem carregava tinha que ter cinco mulheres para
para carregar cinco soldados né er mulheres brancas e negras Negra tinha uns quatro sempre a menoria né Eu fui a primeira me alistar no primeiro batalhão e no Segundo Batalhão tinha três no meu primeiro tinha só eu então eu fui sempre escalada eles achavam o comandante tudo Coronel Tenente pintto pessoa é um baiano que quando ele falava estremecia até a terra né E então nós fomos comandados por ele ele ficou n costas né a praia para tomar conta da entrada da Barra e então tinha que fornecer os dois as os dois agrupamento né maioria dela
desmaiava no sol quando tinha caminhada de Santos até São Vicente sol muito quente né maioria desmaiava na metade do caminho então eu é que tinha que carregar levar na na assistência tudo que o carro acompanhava a gente né e eu dei serviço no cemitério lá em Santo que é o cemitério dos granfinos no Paquetá e havia uma denúncia que as freiras e os padres é quem se comunicava com o inimigo quando os navios saíam carregados né de mantimento de soldados né então os navios nossos eram atacados em alto mar quase sempre na barra né Então
eu fui escalada para dar serviço lá porque denunciava umas freiras que tinha uma feira uma feira que ia todos os dias com boqueiro de flor para depositar no cemitério começou a despertar curiosidade Então eu fui para dar um serviço no cemitério disfarçadamente de serviço ela entrava na Capelinha da Capelinha ela tinha um aparelho então ela se comunicava né os padres da torre da Igreja de Santo Antônio na ponta da praia então eles é quem denunciava a saída dos dos navios saídas de Tropa quando eu descobri que essa a fereira levava a flor e ela se
comunicava por uma parelho ela foi presa mas não era mulher era era um homem vestido de freira né era um alemão vestido de freira aí em 46 o Getúlio reabriu os sindicatos e a associação também foi reaberto aí começou a funcionar tudo de novo né Aí quando reabriu o sindicato qu aquela época quem tava lá em cimaa era a Rússia né aí foi quando eu fui fazer meu título comecei a votar pela primeira vez aí nós começamos a a funcionar dentro da dos grupos né dos grupos vermelho né senhora votou no lcar express Eu votei
todas as vezes que ele foi candidato a Senador tudo Eu votei e vem votando na esquerda desde que comecei e como era a participação e dos comunistas né no apoio porque o partido era legal nessa época né É ficou legal porque era ilegal Durante a Guerra depois da guerra com a entrada com com a Vitória da Rússia o partido passou pra legalidade A então começou a funcionar tudo mas começou a funcionar tudo dentro da do esquema do partido né como era o trabalho da associação nessa fase de reorganização a fase de reorganização nós começamos como
era mesmo an trabalhando para aqueles necessitados procurando encaminhar as domésticas né no serviço Então tinha uma agência de colocação tinha um curso de alfabetização e nós tínhamos departamento beneficiente que forneci roupa forneci alimentação remédio e o senhor ficou em Santos Até quando até 49 cheguei aqui dia 13 de Janeiro de 1949 Por que a senhora vi para Campinas vim uma família que eu trabalhava lá em Santos após a guerra eu era governanta que ela viajava muito ela era portuguesa eu era governanta só ia lá para dar uma olhada na casa tudo né E ela me
convidou para vir conhecer a fazenda que ela comprou a fazenda aqui no kilômetro 11 em frente à Fazenda Mont deste então vim por uma semana estou a 42 anos em Campinas aí quando fez seis meses que eu estava aqui ela falou Sabe de uma coisa você que vai ficar aqui eu já tava gostando da fazenda né eu fiquei aí ela disse vamos abrir um hotel para repouso só para milionários quanto tempo a senhora ficou na Fazenda 4 anos e 8 meses fiquei tomando conta fiquei sendo a gerente da Fazenda meu filho fazia a contabilidade e
Eu dirigi o resto em 53 ela ficou doente precisou ser internada no berenar ela faleceu no berenar morreu em 53 53 dia 17 de julho 53 e a fazenda ficou para quem ficou pros filhos mas os filhos não entendia nada e não queria nem saber 55 aí nós fundamos aqui uma uma escola de bailados CR quem montou a escola eu e mais uma turma Campineiros e uma professora morava em São Paulo ela era baiana mas estava radicada em São Paulo ela dava aula aqui em Campinas numa escola de bailadas para branco mas os brancos não
aceitava negro ela era Negra ela é negra tinha muitas alunas mais branca do que negro nós formamos muita aluna Branca aí funcionou de 54 a 57 aí dali ia demolir o prédio nós fomos para antiga casa na rua con pião 80 aí quando o novaz entrou aí então foi pulado para abrir o viaduto aí então tinha que abrir a rua o segundo dia de de gestão dele ele mandou me chamar aí a senhor falou que o prefeito Rui Novais me chamou chamou para para entregar a casa né segundo dia de de gestão dele ele me
chamou para entregar a casa e quem foi me buscar foi o Lúcio GAT que era o secretário de gabinete dele quando chegou lá ele ficou de um lado l e Prefeito a senhora que é dona audelina de Campos m de sou e chamei a senhora aqui para me advertir que a senhora vai ter que entregar a casa da onde vocês estão instalados porque nós precisamos da demolir a casa pertencia a senhora pertencia o município né mas quem tem quem nos pôs lá dentro foi o ex-prefeito Dr Mendonça de Barros que quando eu cheguei aqui ele
era o prefeito 49 ele era prefeito em 50 que o o nov C atou a prefeito de Campinas a senhora solicitou ao Mendonça ceder a casa a casa e ele não cedeu e nós funcionamos lá ele tomou posse dia 5 de Fevereiro de 1955 o Novais nós ficamos 55 56 57 aí em 57 nós saímos mesmo pro livro espontâneo à vontade depois dali eu fui morar na José Paulino na quase saindo na Avenida E aí nós paramos com a academia organizamos até um baile de debutante de meninas negras A prefeitura já fazia esses bailes da
íp mas sem jovens negras pedimos à prefeitura e ela aceitou mas a íp resistiu aí denunciamos no jornal e ela acabou cedendo queríamos usar o mesmo Espaço Nobre a festa foi linda moram várias pessoas todo detrás desar Rigor até os brancos foram e todos caíram na dança aí tivemos a ideia de fazer o baile Pérola Negra foi o último baile porque logo depois a prefeitura fechou o teatro municipal [Música] saí da fazenda e fui para Campinas em 1953 lá eu comprava toda manhã o jornal Correio Popular e sempre vi o anúncio precisa-se de Empregada prefere-se
Portuguesa precisa-se de cozinheira prefere-se Branca aí eu pensei precisa acabar com esse preconceito fui até o jornal e reclamei pro jornalista brulo Mendes Nogueira que era comunista ele disse vamos acabar com isso precisamos acabar com esse racismo a senhora topa essa briga eu disse top a partir daí pararam os anúncios precisa-se portuguesa precisa ser branca foi a nossa primeira vitória aí o Bráulio disse já que topamos e ganhamos essa briga a senhora tem intenção de fazer mais alguma coisa paraas empregadas eu respondi que sim que eu tinha vontade de fazer uma associação como eu tinha
feito em Santos aí ele me apresentou o Pedro semionato que era presidente do Sindicato da Construção Civil ele deu toda a força a partir daí começamos a fazer várias reuniões para preparar a categoria fazíamos festas piqueniques mais reuniões Até que em 18 de Maio de 1961 fundamos a primeira associação beneficiente de empregadas domésticas de Campinas a rua do sindicato ficou lotada paramos o trânsito da Rua Barão de Jaguara a partir daí vieram outras associações em São Paulo Rio de Janeiro e eu fui ajudando nisso as patroas ficaram apavoradas diziam que a nossa Associação era comunista
quando foi 19 64 veio a falsa revolução do General Castelo Branco ele fechou tudo aqui 13 sindicatos foram fechados e nessa época nós estávamos fazendo um trabalho junto a eles e a associação também foi fechada junto com o pedido de fechamento da associação mandaram me prender fui eu e o presidente do Sindicato da Construção Civil Pedro semionato me colocaram numa sala e ele outra aí o delegado que me conhecia disse a Nena não é comunista ela é uma Idealista que trabalha em prol da categoria dela aí me mandaram soltar também abriram uma associação mas sempre
vigiada me reelege presidente em 1968 naquele momento as coisas andavam muito difíceis algumas patras fizeram a cabeça de suas empregadas dizendo que a nossa Associação era comunista que nós só sabíamos fazer greve contra elas algumas de nossas diretoras se uniram as patroas contra mim tentando me derrubar eu tive que representar a comunidade negra no Rio de Janeiro e alguns indivíduos aproveitaram para invadir o nosso sindicato na rua a Proença saquearam e quebraram tudo que podiam eles queriam um livro ata e o estatuto da associação para reeleger uma nova diretoria ligada às patroas eu tive que
sair mas elas não aguentaram tranco não tinham pulso firme a associação ficou fechada por 14 anos [Música] o que a senhora pensa né sobre o exercício da profissão de doméstica o exercício da profissão da empregada doméstica é uma uma Como é que se diz é difícil da gente poder cifrar porque empregada doméstica no dia ela ela faz Várias Vários trabalhos né ela vai tratar um serviço numa casa ela faz vários trabalhos né ela faz o trabalho de lavadeira de arrumadeira de cozinheira de passadeiras e tudo né e ainda não tem uma profissão não ela não
tá considerada ainda como profissional Mas ela é uma profissional que se ela faz tudo isso durante o dia ela é uma profissional e as lees não consideram empregada doméstica como profissional só consideram profissional aqueles que tem um diploma na mão aqueles que trabalham numa indústria aqueles que tem um nome ligado à profissão mas a empregada doméstica não é considerada a empregada doméstica tá relevada a segunda categoria E tá em segundo plano também porque além dos patrões não considerar ela como categoria as próprias leis também não não consideraram até hoje então ainda precisa lutar pela profissão
Então essa essa parte da empregada doméstica ainda a gente precisa lutar para adquirir ainda Precisa formar profissionais por isso que eu disse pras nossas meninas de hoje dentro do nosso sindicato nós precisamos ter um departamento profissional de arte culinária e economia domés Porque como Associação nós tivemos foi formada várias Então formou a arrumadeira formou o Garção formou a cozinheira dava um diploma então aí que eles consideram profissional Sindicato de empregad doméstico ée completamente diferente do sindicato tá enganada mas é diferente do homem por quê que a mulher vive dentro da casa trabalhando o homem não
o homem sai de manhã faz o serviço dele de noite ele vem a mulher trabalha de dia na casa do do patrão e de noite na casa dela ela faz dois períodos de trabalho e não é considerada pelas leis antes elas brigavam para que a empregada Dormisse no emprego que fosse escrava e não pagava nada com a maioria trabalhava troco da comida porque eles iam buscar lá nos cafundó do Juda aquelas que saíam da enchada chegava aqui ela não tinha condição de ser uma uma profissional ela não era nem ura ela não tinha então elas
achavam a Pat disse ah empregada não sabe atendia um telefone recebia um recado não sabe nada sei nada é sem educação tal ela veio do do do do nada a mesma coisa foi o escravo o escravo foi solto num campo aberto sem condição porque veio a mão de obra italiana os profissionais e eles foram jogado ao lado Sem condição de de vida porque eles não tinha o o o estudo o preparo que os italianos trouxeram a mesma coisa a empregada doméstica a maioria vem do escravo descendente de escravo a Branca o negro porque hoje todo
mundo é escravo eu digo não há hoje não há escravidão só pro negro não o branco pobre é escravo também então a gente tem que unir é o que sindicat falava assim PR mim a gente tem que unir para brigar junto poder adquirir Porque Nós também somos discriminado o branco também é discriminado você vê que o banco pobre não entra no Regato não entra num tênis clube não entra num num cultura diz que não entra porque ele é pobre nós vivemos num país que a porca sociedade a sor da política não conseguiu ainda chegar num
num termo porque quem está lá dentro são os senhores de Engenho são os donos das terr são os donos dos Canaviais são os donos dos Cafezais são os donos do Gado são os donos de tudo vai ter uma coisa também que essas três organizaç nossa as a sindical única a cgt o ricas pinica tem três conjuntos e os três juntos não tá fazendo nada se tivesse um só geral para mandar tinha força e como a Senor possível mudar essa situação para mudar tem que nós nós temos que nos conscientizar e reunir e organizar que esperar
dessa gente nunca nós vamos subir não nós é que temos que lutar todas as categorias não é só Metalúrgico nem Imobiliária nem não sei o quê é todas as categorias trabalhar em conjunto que esse partido do trabalhador que essas organizaç sindicais essa toda essa coisa que anda aí se una numa só eu não eu não gosto de de guardar quando eu vou num lugar desse eu gosto de falar a senhora acha que o brasileiro é um homem bem informado mal muito mal informado brasileiro é mais inado mas é mais informado por quê Porque ele também
se acomoda diz Amém por tudo A quem cabe a grita não é deses dos safados que estão lá sentados comendo e bebendo n nossas custas não é nós que temos que gritar é nós e nós não gritamos [Música] eu acabei indo trabalhar na comunidade Castelo Branco junto a alguns movimentos eh lá eu formei um grupo de mulheres da Periferia ligada à igreja católica fazíamos festas quermes lutávamos por creche melhorias do Bairro Eu nunca parei quando foi 1982 uma amiga bateu a minha porta era Marquesa ela me disse a senhora que era presidente da associação das
empregadas domésticas e nunca contou nada pra gente nós queríamos organizá-la de novo a senhora poderia nos ajudar nisso a partir daí começamos a nos reunir num dos Salões da igreja católica com este grupo isso durou um ano fizemos um novo estatuto aí começamos a nos reunir num dos Salões da catedral isso durou mais ou menos um ano elaboramos um novo estatuto já não éramos mais uma associação tínhamos nos Tornado profissionais em novembro de 1988 formamos o primeiro Sindicato das empregadas domésticas ganhamos até uma sede estamos na luta até hoje então eu resolvi doar a minha
casa pro sindicato seria uma subs eu tinha mais parentes na cidade e não queria que o meu imóvel ficasse pro governo de jeito nenhum então eu resolvi passar minha casa pro sindicato fui até o cartório e fiz um documento de uso e fruto que ficaria à disposição deles eles não poderiam um lugar doar ou vender para qualquer outro fim que não fosse para as empregadas domésticas e está lá até quando existir a última empregada doméstica no Brasil [Música] eu sou Olívia Araújo atriz e em outubro do ano passado de 2014 eu fui convidada para participar
de um congresso sobre empregadas domésticas em Salvador e a laudelina Campos Melo era homenageada e foi aí que eu tive contato com a história dessa mulher incrível e que tem muito a ver com a nossa história e eu me identifiquei obviamente com histórico dela porque é muito comum as nossas avós as nossas mães bisavós escravas no meu caso avó e mãe empregada doméstica com diferencial eh do tamanho da da indignação dessa mulher que fazia com que ela tivesse toda essa força para lutar para sair desse lugar comum que nos era destinado eu como atriz é
um é um personagem que a gente quer viver que a gente quer fazer e acho que essa história tinha que ser contada de alguma maneira tinha que ser imortalizada de alguma maneira porque isso é o resgate da nossa autoestima enquanto negro e enquanto mulher negra também isso faz toda a diferença pro nosso futuro para que a gente não volte a passar por situações que ela trata tão lindamente com a história dela e a minha tia-avó participou desses eventos aí da Associação das empregadas domésticas era uma reunião elas se juntavam para isso e a gente vê
hoje tanto tempo depois esse resultado Então para mim é uma honra e uma alegria participar deste trabalho [Música] Você Sabe tem hora que eu não gosto muito de discutir não porque não tem muita paciência saé tem um juiz aqui que diz olha chamou a avó chamei então a coisa vai ferver vai porque eu falo as verdade