Oi, boa tarde, bom dia, boa noite! Narrativas, partilha, compartilhar. .
. É um prazer hoje ter conosco Admira Eliziane, que também é chamado de Ademir Antônio. Feliz Gene!
Eu já expliquei aqui mesmo, né? Nós estamos aqui fazendo uma gravação para o Narrativas Compartilhadas. O objetivo é ser pedagógico e normalmente fica nas redes sociais, tanto no YouTube quanto em um blog chamado Narrativas Compartilhadas.
É um prazer então estar com vocês! Teremos três blocos. Cada bloco nosso demora em torno de quinze minutos, no máximo vinte minutos.
E, neste primeiro bloco, Admira vai falar a respeito do tambor à boleia do caminhão. O que é que é o Admira Efigênia? Para aqueles que já sabem, ótimo!
Mas, para quem não sabe, Admira Feliciano é o grande ator do teatro sorocabano. Ele é graduado em Ciências Contábeis pela Uniso, com licenciatura em História também pela Uniso, especialização em Arte e Cultura da América Latina, e formação para professor do ensino superior. Ele tem experiência docente em escolas particulares, principalmente voltado ao ensino médio, e é professor de História, mas também de Sociologia e Filosofia, principalmente na educação superior, onde os componentes que ele mais trabalha são Sociologia e Filosofia.
Ele vai falar mais sobre tudo isso também, e como ator, principalmente no contexto do teatro, mas também no cinema. Ele recebeu as seguintes premiações: Melhor Ator da Bienal do Ator em 1978, Ator Revelação do Festival de Teatro de Pindamonhangaba, Melhor Ator Coadjuvante no Festival de Teatro de Tatuí, Melhor Ator também com "Macbeth", e Melhor Ator do Festival Super 8. Ademir também foi indicado como Melhor Ator Coadjuvante em Gramado por um dos filmes do Polo 10, em 2019.
Tá ok, Ademir, seja bem-vindo! Um carinho enorme, uma satisfação enorme! Você aceitaria estar conosco?
Eu acompanho Admira há um tempo, mas as histórias a respeito dele são ele quem vai contar. E nós queremos escutar a história do próprio personagem central, que hoje é Ademir Feliciano. Então, seja bem-vindo!
Vamos lá, Admira, comece falando a respeito de você. Eu penso assim, seria legal você já contar onde você nasceu, sua formação lá do primário, né? E até depois chegar na atualidade.
Tá bom, então onde nasceu afinal, Admira? É sim, seja bem-vindo! Muito, muito obrigado, Roberto, por ter se lembrado de mim para fazer essa diferenciação.
Eu fico muito feliz porque acontecer de integrar tudo ao longo da minha vida, de alguma forma, parece que é um tipo de torre, as diferenças. Eu tenho muitas lembranças boas e, por mais que tenha tentado outras profissões. .
. Desculpe interrompê-lo, mas está cortando bastante a sua fala. Eu não sei se é importante você chegar mais perto, talvez do microfone, eu não sei.
A questão da internet também pode estar influenciando. . .
Ok, então eu vou começar do princípio. Como sou uma pessoa da comunicação, vou falar de 1952, que é o ano em que eu nasci, na Zona Norte de Sorocaba, totalmente rural. Apareceu um equipamento novo chamado máquina fotográfica, trazido por uma tia lá de São Paulo, e ela avisou minha mãe: "Prepare o Ademir porque ele vai ser fotógrafo.
" Minha mãe colocou a roupa bonitinha, escolheu um lugar bonito lá na chácara e fomos para a foto. Então, o que ela não teve o cuidado de colocar foi a distância, e colocou detalhes nas costas, porque eu não sei. .
. Eu era pequeno. Então, a minha primeira ação foi registrada.
Agora dá para ver, Atlético de Abreu, Isabela, você ainda bebê! Essa foi a minha primeira. Só dez anos depois que eu fui ver a primeira foto da minha vida.
Na escola primária, eu estudava na Vila Angélica, na Escola Izidoro Marins. Eu caminhava mais ou menos quase uma hora para chegar até a escola, descalço, com a cabeça suja de barro. A inspetora de alunos lá.
. . Ela punha a nu em cima dos tipos de cartões os tambores para a gente for sugar.
E um dia eu estava lá jogando e percebi que tinha muita gente fora da sala. A professora Dona Geni Rabello Lopes chegou e falou: "Você, reclama, essa poesia! " Estava no quarto ano da escola.
Eu peguei aquele texto, ele é um texto físico, eu fui apagar, e eu gostei da coisa. Falei: "Puxa vida, olha só, pessoas que não me conhecem, estou me apresentando! " Essa foi a minha primeira aparição inconsciente, sem ser avisado.
Na verdade, eu sou o único filho, sem colegas, uma infância sem muitos afazeres, o contato social era muito fechado. . .
A fase de não querer se ver no espelho, as espinhas. . .
Eu era forrado de espinhas e ainda inocente, com vergonha. E de repente. .
. Eu estaria tudo. .
. Rapaz, eu tinha auto-exclusão. Gostei.
Fui fazer o ginásio cereal na Escola Fernando Prestes. E lá eu tentei fazer torneiro mecânico, persista marceneiro, fundidor de metais, tapeceiro. .
. Nada! Aqui na verdade, se tivesse uma oficina de teatro para mim, eu não colocaria.
E aí fui fazer alguma coisa no Getúlio Vargas, em 1972, época em que Roberto e Samuel perambulavam pelo Getúlio Vargas, quando a gente se conheceu. Uma tal de Marilene Neiva tomou conta, uma fantástica senhora, e ela tinha uma equipe que fez um grupo de teatro. E escolhemos uma peça chamada "Esse em Casa".
E eu comprei as espinhas Hugo, que é um baita nome de um grupo de pessoas ricas! Sorocaba, moços bonitos, moças bonitas, e eles me deram um papel pequeno, sabe? Mas eu ia aos ensaios e era assim sumido; eles tinham a vida deles e, de repente, quando houve a estreia na casa do Getúlio Vargas, eu era um senhor de Souza.
Eu fui apertar o vídeo de pé quando comecei a falar meu texto, pedindo para reapresentar no dia seguinte, representando por causa do Ademir, por causa do Senhor de Souza. Alô, ele tem alguma qualidade agora, mas tudo inconsciente. Eu gostei tanto dessas experiências lá em 1970, né?
Que eu estava fazendo isso. Eu falei: “eu vou levar essa coisa de teatro na Fuga, bairro com a minha rua, rua de terra, tinha quatro, cinco casas, gente analfabeta como meus pais. ” Eu tinha meus primos.
O que eu contei para aí? Estou fazendo esse negócio de tirar o meio emprestado, um caminhão; o senhor fazia transporte de areia em Sorocaba. Eu falei: “moço, dá para colocar o caminhão no meio da rua?
Desce as graves que eu vou fazer tiara em cima,” e fiz uma campanha na vizinhança, levando a cadeirinha para assistir eu e meu primo fazendo dublagem, fazendo partes que eu mereço. Isso trazia, sem saber nada, nada da palavra "oi", e eu estava ali super contente na poeira, passar aqueles caminhões, índice a gente de pó. Eu levava eletrodomésticos de meus amigos para poder fazer cenário, então vinha recompensa; a vizinhança aplaudindo a minha iniciativa.
Aí tem uma sociedade aqui em Sorocaba chamada Cinco de Julho, no Matarazzo. A equipe do caminhão com motor é por essa entidade que tinha isso aqui, eu fazendo brincadeiras e eu te convidando para levar lá na 25 de Julho. Ainda doce, nos deram um tempo comigo, brincar, dinheiro nada, mas aí eu começo a ficar querendo repetir mais.
E é isso, seria o padre da paróquia da Vila Angélica passando pelo caminhão; salão para Portugal sair lá levar isto e, na boleia de um caminhão, de repente ver um tablado gigante, aquele palco único, música caseira. Aí agora meus primos vão fazer, e fizemos mais uma mesa. Oi!
E as coisas têm que acontecer. Não é eu nessa época, lá, trabalhando ainda em 1970. Trabalhava no armazém, pegava saco de batata, um saco de arroz, cravos Zinho, e, de repente, de uma dessas aquários, com essa apresentação com visão na paróquia, pode ser uma figura de um rapaz chamado Moisés.
Ele de longe, pela porta, ouviu, falou: “Quem é você? ” Falei: “Meu nome é Ademir. ” Aí eu sou Moisés.
“Ah, eu faço teatro. Você não quer ir participar de uma reunião? ” Por mim.
Tchau, tchau. Encontrei quem era. Eu fiquei muito feliz e ele me levou.
É mó, lembra carro de mulher. Paulo, o Ademir? Oi, boa tarde.
6, já parou? Ligar gravação? Não sei o que houve.
Aí eu acho que a internet. . .
Aí, viu, garoto? De uma pena. Eu não sei se você está me ouvindo.
Parou? E aí? Aí, o celular?
Oi, Ademir. Que pena, parou. A gravação parou.
É, eu acho que a internet aí deu algum problema. Logo depois que você falou que o Moisés te levou para uma reunião da lua, gravação toda. O correto seria que ligasse, recomeçasse a parte lá do Moisés.
O Moisés levou você para uma reunião? O que é? Vai fazendo, Rodrigo.
Fala devagar, tá bom? Pausado, porque daí talvez fique melhor. Agora vamos ver se a internet não vai cair de novo.
Aí, e o Moisés? Que tal? Me pegou o convite para participar de uma reunião para montagem de uma peça com a irmã dele.
Agora, minhas formas, isso foi lá no Sorocaba Clube. É uma peça de que corre ou de. .
. ela era a protagonista, mas eu tive a honra de fazer um papel velho, eu, com 18 anos, fazendo característica de um veio. E tive a participação, eu senti que, mesmo sem falar quase nada, eu estava no contexto.
Essa experiência foi boa e o molho usei; ele era assim, o rapaz da minha idade, servimos o exército juntos, e ele estava montante do grupo A, tema dentro, moto, terno de armadura em 1970. Aí resolveu mudar o astral. Uma peça como Antônio Rodrigues, só nas de dois, ousado, em 1972, lá no círculo italiano.
O rapaz ficava no mas nudismo, plena ditadura militar, e ele arriscou. Então, nós tivemos a temporada pequena. Ver se você pisar em seguida, arroba.
E ele agora convidou a irmã dele, Edenildo Gomes. Para quem não sabe, Edenildo Gomes é um expoente da nossa dança contemporânea. E está entre a gente para montarmos uma peça do Ronald Radde chamada Transe.
A impressão que nós participamos na de festival aqui em Sorocaba mesmo. E nós entramos nessa peça Transe e ficamos em segundo lugar, porque em primeiro lugar, ou Paulo Guedes e a Eliane Giardini, o pagador de promessas. Olha que cada coisa bonita, gente, tinha lá no início da década de 70: festivais, pulado, festivais estudantis, festivais estaduais, festivais nacionais, muita produção.
A gente estava respirando arte e eu, nesta época, já tinha saído do armazém e estava aparecendo na mídia, estava aparecendo nos jornais. A contragosto daquela senhora que estava me segurando na foto, do não, concordava. Se eu quisesse, perto da O Guinness, trinta e poucos anos de atividades, minha mãe assistiu a uma apresentação de quanto tempo.
Eles não sentiram o Ademir, nada, nada. Eles gostavam quando eu aparecia no jornal. Meu pai é o primeiro que recortava, né?
Fazia uns recordes: “Olha, você saiu no jornal. ” No fogo, quando eles vão estar lá. É, mas então, lá mesmo no Getúlio Vargas, eu dei continuidade para apresentações assim espontâneas, quando tinha algum trabalho de representar as poesias.
Aline Neiva, claro, ela 127, exame. Então comecei a fazer figurinha, fazendo cenários. .
. Não, não me lembro de ter. .
. Iluminação, nem trilha sonora, mas eu tinha criatividade e ideias interessantes. Eu usava materiais inusitados para fazer esse cenário, gostava muito disso.
E aí, estava se formando nesta base que eu iria explorar, né? Não é bom? Em 73, depois, nós tivemos as peças do Moisés pelo grupo Tema.
Apareceu um carinha chamado Roberto Gil Camargo, o Eric viu e achou que eu tinha potencial para entrar no grupo, velho do grupo a-ha. Quando me apresentou, o texto era "Diário de Anne Frank". Em 1973, é muito interessante.
E estreou naquele espaço muito gostoso chamado Teatro da Banda, para quem não conhece, na Rua Francisco Scarpa, lá embaixo, em frente ao Shopping Ciane. Um sobradinho lá que era de uma banda do seu Acácio, e ele alugou para a gente fazer os nossos ensaios. Olha, foi duro!
Pouco tempo, um ano, não sei exatamente quanto, mas tirou o celeiro de produções. Eu, Roberto Gil, Mauro Braga, Les Pires da Silva, Jandira Leite, a Cristina Labrune, tanta gente boa: João Batista, e nós estávamos ali dentro. O "Diário de Anne Frank" e a ousadia do Roberto.
E aí, abrindo o Teatro da Banda, levamos para o circo italiano, temporadas e temporadas no Parado. E aí, a gente foi participar de uma apresentação em Santos e, com isso, a ideia era levar a mudança, curtir o cenário de Alifranci. Era um só, que a mesa tinha bacia, tinha como, tinha cadeira, tinha espelho, tanta coisa!
Foi levado em um caminhão de mudança. Eu não me esqueço: o elenco inteiro descendo a serra e aquelas cadeiras balançando. Foi muito gostoso!
Então, naquele tempo do Teatro da Banda foi muito positivo, e o Rei estava mais engraçado. Em 75, me lembro que naquele tempo, para sua vida, essa coisa já era do grupo. Eu estava naquele grupo, parecia que era uma rodinha só: Grupo Artes, o Grupo Tema, e, de repente, apareceu agora o Grupo Maré.
O Grupo Maré, onde me vem à memória Gil Pinheiro de Melo, grande cenógrafo, grande iluminador, diretor. E esse moço fez de tudo para que a gente ficasse uma temporada genial na Getúlio Vargas, o mesmo palco onde eu tinha a saia do seu Souza. Eu estava lá, enfrentando a ditadura militar, o texto da Consuelo de Castro era um sucesso absoluto em muitas apresentações em festivais.
Eu e Cristina Labruna, qual que era o texto? "À Flor da Pele", na flor da pele, cor da pele. A direção foi do Celso Ribeiro, oi Celso, que dirigiu nós dois e foi muito bom, muito divertido.
E depois, em 75, a 76, continua "A Cor da Pele", e depois vem aquela ousadia do Celso ao montar "Entre Quatro Paredes". O sapo… e eu sou obrigado a confessar que aquela peça, por sermos da corrente existencialista, e eu não fui preparado, parece que não me deram, eu não tive a intenção, não busquei saber o que era filosofia existencialista. Então, eu fiz um trabalho tecnicamente satisfatório, mas, no fundo, no fundo, eu preciso aprender mais sobre isso, tá?
Então, começa a partir daí meu interesse em conhecer os porquês das obras. Não é simplesmente estar no palco e fazer, não! Tem que ter alguma retaguarda teórica, não é bom?
Então, nesse "Entre Quatro Paredes", eu tinha humildemente uma aparição de um minuto. Carlos Roberto Mantovani se doou nesse papel, hino. É, mas ele fez com muito amor, e a gente não pode esquecer dessa sonoridade maravilhosa.
Mas não é isso! E mais uma vez, correndo para o Festival São Carlos Santos, dizendo que naquela época, que ser nas apresentações sempre não parava. Agora assim como você, Roberto, dava aula de manhã e de noite, nós podíamos estar sempre com contexto na mão, trabalhando, trabalhando.
Claro, mas aquela preocupação de montar, de ensaiar, de bolar planos para o próximo espetáculo em 78. E aí… [Música] eu não sei de onde partiu a ideia de fazer a Bienal do Ator, radiador, Renault, Clio, Ixi, 1978! Então, nós vamos dar uma paradinha, tá, desse primeiro bloco, e nós já continuamos daqui a pouco, então, no segundo bloco.
Tá bom? Então, àqueles que estão assistindo, daqui a pouco nós começamos o segundo bloco. Então, até já!
E aí… e aí… e pronto! Aqui é o… e aí!