[Música] Olá, meu nome é Beatriz Lott, eu sou professora e nessa aula vamos tratar do preparo e da administração das vacinas. A oferta do serviço de administração de vacinas pressupõe que o farmacêutico já está cumprindo os requisitos sanitários e profissionais obrigatórios no que se refere às instalações aos equipamentos e aos materiais necessários. Ou seja, a farmácia já tem ou a clínica já tem toda essa estrutura.
Garantir as condições de assepsia na manipulação das vacinas é fundamental. Isso vai prevenir as infecções cruzadas vai oferecer também segurança maior para a equipe de trabalho e, claro, também para população que vai ser vacinada. Vacinas devem ser preparadas e administradas em área limpa, área onde tenha uma improvável contaminação por sangue ou outros fluidos biológicos.
São recomendações fundamentais no preparo: higienizar as mãos antes do preparo e após aplicação das vacinas, a outra recomendação importante é a gente evitar o contato direto das nossas mãos com agulha que está em uso ou com parte da seringa, por exemplo, com o bico da seringa, a gente deve evitar o contato com algumas dessas partes da seringa. Verificar a validade a integridade descritas em cada embalagem é fundamental e, idealmente, as embalagens devem ser abertas na presença do paciente. Antes da higiene das mãos, a gente deve dispor, na bancada, de todo o material que vai ser necessário e também é super importante conferir se tem espaço suficiente dentro dos coletores para fazer o descarte dos resíduos, sejam eles os perfurocortantes ou outros tipos de resíduos.
Também é muito importante cumprir às exigências de conservação das vacinas apresentadas em frascos multidoses. Seguir o prazo de uso e temperatura recomendada nas referências técnicas os fabricantes é fundamental. Por exemplo, o prazo em que se pode usar uma vacina condicionada em frasco ampola multidose após a sua abertura pode ser de poucas horas, por exemplo, 6 horas.
Deve-se sempre mantê-las na temperatura indicada: a temperatura geralmente é de 2 a 8 graus. E é fundamental registrar data e hora da abertura de abertura no frasco ampola, assim a gente consegue ter maior controle no prazo e o uso dentro do prazo determinado. Nunca deixe de inspecionar a integridade da vacina, de sua embalagem e também, claro, do prazo de validade da vacina.
Nunca utilizar vacinas que tenham sofrido interrupção da cadeia de frio. E, agora, um outro ponto muito importante é conhecer as especificações da seringas e agulhas. Isso vai permitir a seleção correta desses materiais.
Sobre seringas: existem seringas com capacidades e escalas muito diferentes umas das outras. Elas devem sempre atender ao volume a ser aplicado. Em geral, as vacinas têm volumes de meio ml, 1 ml, e em alguns casos, você pode ter doses menores como é o caso da vacina da gripe em que a dose é de 0,25 ml para crianças com menos de 3 anos de idade.
Seringas com bico em rosca, no qual se faz o encaixe da agulha através de um movimento giratório, são as mais indicadas para medicamentos através da via intramuscular. Então, para vacinas intramusculares, é melhor optar por essa seringas. É importante também utilizar seringas que têm um dispositivo de segurança, que é uma tecnologia que reduz o risco de acidente percutâneo porque ele isola a agulha após a realização do procedimento.
Sobre as agulhas: as dimensões descritas nas embalagens das agulhas contêm duas medidas; calibre e comprimento. Sempre, na embalagem, a gente vai encontrar a medida de calibre primeiro e, logo depois, a medida do comprimento, ambas em milímetros. É também importante saber que existe um código de cores do canhão da agulha.
Cada cor identifica o calibre da agulha, por exemplo, uma agulha que tenha um calibre de 0,7 mm tem um canhão de cor preta e várias outras cores para outros calibres. Ao escolher a agulha indicada para aplicar vacina, você deve considerar o comprimento da agulha necessário. A escolha do comprimento da agulha vai depender da via, do local da aplicação, da espessura de tecido subcutâneo que existe também no local da injeção, por exemplo, a administração intramuscular exige uma agulha mais longa que a administração de vacinas pela via subcutânea.
Para vacinas pela via intramuscular, geralmente as agulhas mais indicadas são as de comprimento de 25 mm. Esse é o comprimento suficiente para atingir o deutoide e o músculo vasto lateral na maioria dos pacientes. E esses são os músculos usados, mais usados, na vacinação.
Em crianças, agulhas de comprimento de 20mm podem ser mais adequadas, especialmente quando essas crianças têm um reduzido volume de tecido muscular. Nas injeções intramusculares em locais onde há grande espessura de tecido subcutâneo, aí já é recomendada a escolha de agulhas mais longas, porque assim a gente vai garantir a aplicação no músculo, que é o tecido correto. Para aplicação na via subcutânea agulhas mais curtas reduzem o risco de injeção intramuscular.
Por isso, elas são consideradas mais seguras e isso é para qualquer paciente, especialmente, nas crianças. Nessa via de aplicação a pele é o primeiro e único obstáculo que a agulha precisa ultrapassar. Estudos realizados recentemente em pessoas com diferentes etnias, idades, índice de massa corpórea, e isso é independente do sexo, esses estudos provaram que a espessura da pele é de aproximadamente 1,25 a 3,25 mm.
Optar por agulhas mais curtas é o ideal. Porém, fazer a prega subcutânea utilizando dois ou três dedos para pinçar o local e usar ângulo de 45 graus são também estratégias indicadas na aplicação de vacinas na via subcutânea, porque as agulhas mais encontradas na vacinação, para a vacinação, normalmente são agulhas de 13 mm, que hoje em dia são consideradas longas, elas aumentam o risco de aplicação intramuscular em muitos pacientes. Nas intramusculares na região dos glúteos e em obesos agulhas de 30 mm são preferíveis.
Porém, saiba que o deltóide e o vasto lateral é que são os locais indicados para vacinação. O manual de normas e procedimentos em vacinação do Ministério da Saúde, publicado em 2014, indica agulhas para intramuscular que vão desde 20 mm a 30 mm de comprimento e calibres que vão de 0,55 a 0,80 mm. A escolha do calibre da agulha depende das características do medicamento, em particular, da sua viscosidade.
Em vacinação, essa questão tem pouca importância porque as vacinas elas fluem facilmente em agulhas com calibres reduzidos. Seringas e agulhas são descartáveis e de uso único. Elas estão disponíveis em embalagens que mantêm a sua esterilidade e, geralmente, elas têm um prazo de validade que é de cinco anos.
Elas precisam ser armazenadas sempre em local seco, limpo, sob temperatura ambiente. É obrigatória a presença permanente de coletores de descarte de perfurocortantes no local para aplicação de vacinas. A higienização das mãos é uma das medidas mais simples e mais efetivas para prevenir a transmissão de infecções relacionadas à assistência à saúde.
A higiene das mãos pode ser realizada segundo diferentes procedimentos são eles: higiene simples nas mãos quando se usa água e sabonete comum; higienização antisséptica, que é quando se usa água com sabonete associado a um agente antisséptico; e a outra opção é a fricção antisséptica das mãos com uma preparação alcoólica. Agora vamos entender sobre os EPIs. Segundo a NR 32, os EPIs, descartáveis ou não, deverão estar à disposição em número suficiente nos postos de trabalho de forma que seja garantido o imediato fornecimento ou a reposição.
O uso de luvas na prestação de cuidados de saúde visa reduzir o risco de contaminação das mãos e, assim, protege o profissional de saúde e também minimiza a transmissão de microrganismos patogênicos aos pacientes. Uma das recomendações é: luvas não substituem a higienização das mãos. A proteção que as luvas oferecem, ela não é total e existem a possibilidade de contaminação da mão quando se tira as luvas.
As luvas não devem ser usadas indiscriminadamente e não são indicadas para administração de medicamentos injetáveis e vacinas pelas vias intramuscular, intradérmica, e também subcutânea. Mesmo assim, elas devem ser usadas nas seguintes situações: quando existir o risco de entrar em contato o sangue do paciente ou outro fluido biológico potencialmente contaminante; também são recomendadas as luvas quando a pele do paciente não está íntegra, por exemplo, se ele tiver um eczema, um corte, uma queimadura ou uma infecção na pele. E, também, é necessário usar luvas quando a pele do profissional não está íntegra.
E aí podem ser situações parecidas: eczema, presença de lesões abertas, com solução de continuidade, rachadura, pele seca, ou seja, nesses casos é obrigatório o uso de luvas. Quando houver indicação das luvas, os profissionais de saúde precisam usar luvas de procedimento, que são descartáveis e são não estéreis. Os materiais das luvas de procedimento normalmente são látex, só que no caso de alergia ou sensibilidade a essa substância, existem também luvas de procedimento feitas de vinil e nitrilo.
Apesar da não obrigatoriedade de utilização de luvas na aplicação de vacinas, se a instituição, ou seja, o estabelecimento de saúde, decidir utilizá-las, ele deve garantir a disponibilidade desse EPI para os seus profissionais. Luvas de procedimentos são de uso único. Além disso, depois de colocadas as luvas não devem ser usadas em outras atividades, por exemplo, escrever, fazer algum registro no computador, manipular o celular.
Esse cuidado vai evitar a contaminação das luvas e, também, do ambiente. Um outro cuidado é que as luvas devem ser descartadas nos coletores corretos logo após o término da aplicação da vacina. Agora vamos entender algumas dicas sobre preparo da dose.
O passo Inicial comum para preparação de praticamente todas as vacinas consiste em verificar as características organolépticas da vacina, se elas correspondem aos descritos nas referências técnicas dos fabricantes, por exemplo, cor, se existe a presença de alguma partícula, aderência do pó, a presença de características que estejam diferentes das escritas, por exemplo, um escurecimento, a presença de um precipitado, tudo isso pode ser considerado que a gente tenha uma suspeita de desvio de qualidade. Se esse for o caso, quando isso ocorrer, é necessário abrir uma queixa técnica no Notivisa, que é o Sistema Informatizado Nacional para o registro de problemas relacionados ao uso de tecnologias e de processos assistenciais. Os medicamentos injetáveis, e aí a gente inclui as vacinas, eles podem se apresentar nos seguintes tipos de embalagem primária: a gente pode ter seringa preenchida, que também é conhecida como seringa pré carregada, pode estar também numa ampola, que é mais raro, ou em frasco ampola.
É mais comum frase com ampola no sistema público de saúde e as seringas preenchidas também são muito usadas, mas mais comuns no sistema privado. As seringas preenchidas, elas são mais seguras, elas oferecem mais segurança, porque a dose da vacina já está pronta. O conteúdo do frasco ampola pode se apresentar em forma líquida ou sólida, o pó estéril, que pode ser liofilizado ou não.
No caso do frasco ampola, ele é um sistema que se mantém fechado durante todas as etapas do preparo da dose da vacina. Só que é importante utilizar a técnica asséptica no manuseio desses frascos, que é o que vai garantir a esterilidade do seu conteúdo, ou seja, a esterilidade dessa vacina. Outros cuidados fundamentais no uso de frasco ampola é utilizar uma agulha nova cada vez que você vai preparar, aspirar e também na hora da aplicação.
E nunca manter uma agulha transfixada na película de borracha do frasco ampola. A reconstituição da vacina deve seguir as instruções das referências técnicas dos fabricantes, especialmente a quantidade de diluente e o tipo de diluente que vai ser usado tem que seguir o que o fabricante recomenda. Ao se fazer a administração de suspensões, acrescenta-se o cuidado de fazer a ressuspensão, seja em frasco ampola ou seringa preenchida, isso vai garantir a dose correta da vacina.
A possibilidade de associar diferentes injetáveis numa só seringa, não é indicada, salvo se houver a recomendação do fabricantes. Pode acontecer da gente ter uma vacina que já é apresentada em um frasco ampola e uma seringa em que você deve reconstituir o pó que tá dentro do frasco a partir daquele diluente apresentado numa seringa preenchida. Fora esse tipo de situação, não se deve fazer a associação de vacinas diferentes.
As vacinas orais disponíveis no Brasil elas são disponibilizadas em bisnagas com conta gotas. Pode ser unidose, como é o caso da rotavírus, e pode ser múltiplas doses, ou multidose, como é apresentada a VOP, que a vacina oral contra poliomielite. Neste caso, essa última, ela só é disponível no sistema público de saúde.
Os procedimentos para preparar doses de vacinas injetáveis estão apresentados no material complementar dessa aula. Agora vamos conhecer sobre as vias de administração. As vias de administração de vacinas são a oral, a entradadérmica, a subcutânea e a entra muscular.
As vacinas aplicadas na via oral, elas têm uma absorção na mucosa e ação no trato gastrointestinal. Uma dica importante é: se a criança cuspir o regurgitar, a gente deve repetir a dose imediatamente, só que essa é uma indicação para o caso da VOP. No caso de Rotavírus não é necessário refazer ou não é indicado refazer essa administração.
Um outro ponto importante também é que a vacina do rotavírus, muitas vezes ela é aplicada junto com outras vacinas, no mesmo dia. E aí a gente deve optar por aplicar a Rotavírus primeiro, ou administrar a Rotavírus primeiro, para depois fazer as injeções porque, claro, ela é menos dolorosa do que as injeções. E a via intradérmica?
Bom, a via intradérmica é aplicada na derme, na pele, a vacina é aplicada na pele, e acontece a formação imediata de uma pápula logo que você faz a injeção. Essa via ela é usada para aplicação de BCG e antirrábica também pode ser aplicada nessa via, em alguma situações que o SUS recomenda. O local indicado para aplicação da BCG corresponde ao local onde fica a inserção inferior do deltoide, na face externa do braço direito.
Esse é um padrão internacional, universal. E a via subcutânea? Bom, nesse caso, o medicamento é administrado no tecido subcutâneo, que é o tecido conjuntivo que fica abaixo da pele.
Por ele ser pouco vascularizado, a absorção do medicamento através capilares é bem lenta e contínua. E, por oferecer menor risco da vacina atingir a circulação sanguínea, a via subcutânea é a via indicada para aplicação de vacinas atenuadas. Teoricamente, a administração de medicamentos por essa via pode ser feita em toda a superfície subcutânea.
Só que a seleção do local específico, dos locais específicos, para aplicar uma vacina pela via subcutânea, tem que considerar a espessura da camada de tecido subcutâneo, para comportar o medicamento, a ausência de músculos muito espessos próximos, a existência de proeminências ósseas e de nervos subjacentes. A maior parte das literaturas cita quatro regiões para se aplicar vacinas na via subcutânea ou injeções medicamentos na via subcutânea mas em vacinação duas regiões são as mais indicadas são elas: a face posterior do braço, dos braços, evitando a região próxima da axila e do cotovelo, a região da coxa, que é o mais indicado, a região que é a face anterolateral externo, evitando a proximidade da virilha e do joelho. Para a gente garantir que o medicamento seja efetivamente depositado no tecido subcutâneo é importante se observar aspectos como a espessura da camada subcutânea e, também, o comprimento da agulha, senão a gente corre o risco de aplicar no músculo.
Em regra geral, para um medicamento aplicado na via subcutânea, deve-se fazer a prega subcutânea, que é indicada quando a distância entre a pele e o músculo é maior que o comprimento da agulha e essa prega ela deve ser feita com dois dedos em formato de pinça, preferencialmente o polegar e o indicador, pode também usar três dedos, mas nunca usar a mão inteira. Não pode usar cinco dedos, senão você acaba atingindo o tecido muscular, que é algo que a gente não quer numa aplicação, por exemplo, de uma vacina atenuada. E a administração de vacinas pela via intramuscular ela depositar o medicamento diretamente do tecido muscular profundo.
O músculo, o músculo estriado, ele é dotado de elevada vascularização, ele tem muitos vasos. Isso gera maior velocidade de absorção quando a gente compara o músculo com o tecido subcutâneo. Os músculos mais indicados para aplicação de injetáveis eles têm grande área vascular, permitindo rápido absorção, que é o que a gente acabou de ver e eles também apresentam menor risco de lesão de estruturas como vasos de grande calibre, ossos e nervos.
Os locais mais indicados, considerados mais indicados e seguros, são o deltoide, os glúteos e o vasto lateral. Só que, desses, o deltoide e o vasto lateral são os mais indicados para aplicação das vacinas entra musculares. O deltoide tem vantagem de ser músculo de fácil acesso, ser seguro para pequenos volumes, é o local mais usado para aplicação de vacinas sempre, sempre foi.
Então, tem muito muita experiência em relação a aplicação de vacinas no deltoide, e o manual de normas e procedimentos do Ministério da Saúde, de 2014, recomenda o deltoide parar a partir de 24 meses de idade. Então, essa recomendação do deltoide a gente vê em várias literaturas na área de vacinação e nas próprias bulas das vacinas. A gente não deve usar o deltoide para aplicação de vacinas em casos onde se tem parestesias, paresias nos braços, o indivíduo que já sofreu mastectomia ou esvaziamento cervical também deve-se evitar.
O vasto lateral também é um músculo muito extenso, muito espesso, livre de vasos de grande calibre e de nervos e a grande vantagem do músculo vasto lateral é que ele é bem desenvolvido na criança, inclusive desde que a criança nasce. Então, ele pode ser usado para recém-nascidos para crianças e até mesmo crianças com mais de 24 meses de idade. Adultos também podem, mas é mais comum a gente ver a aplicação de vacinas em adultos no deltoide.
O que que o ministério, o manual do ministério, manual de normas e procedimentos do Ministério da Saúde, de 2014, fala é que, antes dos 24 meses de idade, antes de a criança completar 24 meses de idade, ela deve receber as vacinas intramusculares no músculo vasto lateral e nunca no deltoide e nunca também no glúteo. Sobre a posição para administração de vacinas, vacinas em geral: a posição mais indicada é aquela que mantém, que deixa o músculo do paciente bem relaxado, que ofereça maior conforto para o paciente e que facilite a delimitação: sentado em decúbito é sempre vantajoso, é sempre a posição mais, são as mais indicadas, porque se o paciente tiver uma síncope, ele não vai ter comprometimento nesse caso, ao passo que se ele tá em pé, ele pode ter um desmaio, pode ter uma síncope, e aí ter algum tipo de acidente, sofrer um acidente por causa disso. Os músculos deltoide e vasto lateral quando a gente compara eles com os músculos glúteos, a gente vai ver que eles oferecem uma taxa de absorção muito mais rápida, muito mais acelerada do que a região dos glúteos.
E a hipóteses aqui na região onde a gente tem os músculos glúteos a gente tem uma quantidade maior de gordura subcutânea e, por isso, a absorção é mais lenta. A seleção do local de aplicação intramuscular deve considerar a dimensão do músculo, que deve ser volumoso, bem desenvolvido, e também a condição muscular do próprio paciente, por exemplo, a presença de rigidez, flacidez, hérnias, parestesias ou atrofia. São possíveis complicações de injeções na via intramuscular: a administração da vacina ou do medicamento dentro de um vaso por uma perfuração acidental do vaso; lesão de nervos, que pode acontecer por trauma ou compressão acidental, que vai gerar paralisia muscular, por exemplo, no caso do nervo ciático, mas também pode acontecer no braço.
Uma outra complicação é a lesão inflamatória muscular, causada, por exemplo, pela administração de substâncias muito irritantes ou de grandes volumes. É raro em vacina. Lesão no osso durante a inserção da agulha, também pode acontecer, e lesão de articulações como, por exemplo, o ombro com consequente dor e restrição na amplitude de movimentos.
Atenção nesse aspecto porque: vacinas são aplicadas na região do braço, no músculo deltoide e, se errar o local da aplicação, você pode aplicar na região da articulação do ombro. Uma outra complicação é o aparecimento de infecções inespecíficas, abcessos estéreis ou sépticos, nódulos, fibroses ou, até mesmo, hematomas é uma outra complicação. A administração da vacina fora do tecido muscular, pela espessura elevada da camada subcutânea, por exemplo, em alguns indivíduos.
A via intramuscular deve ser evitada ou usada com precaução em pacientes que tem mecanismos de coagulação comprometidos por distúrbios hematológicos ou porque ele está utilizando alguma terapia anticoagulante. Nesse caso, a gente tem um risco maior de formação de hematoma, de um sangramento difícil de controlar. Se for necessário, a gente pode recorrer a utilização da via subcutânea no lugar da via intramuscular.
Se não for possível, utilizar uma agulha mais fina. Uma outra opção também é aplicar, no final do procedimento, quando se tira a agulha do local, fazer uma compressão no local da aplicação mais firme e mais prolongada, por exemplo, durando aí dois minutos. Então, a gente consegue conter esse sangramento, se realmente for necessário fazer na via intramuscular.
Na aplicação intramuscular, depois que a gente seleciona o músculo, a gente precisa delimitar, definir o ponto exato para se fazer a aplicação. São encontrados na literatura científica atual diferentes métodos para se fazer a identificação dos locais corretos para administração intramuscular. Para a identificação do local recomendado para injeção intramuscular no deltoide existem métodos diferentes: o método mais recomendado atualmente, ele utiliza o acrômio, que é o processo ósseo na região do ombro, como um marco anatômico.
A recomendação é fazer a injeção no ponto de interseção entre duas linhas uma delas é vertical e deve partir exatamente do centro do acrômio. A outra linha é horizontal. Essa linha deve seguir desde a extremidade anterior da axila até a extremidade posterior da mesma.
Na identificação do local recomendado para injeção intramuscular no vasto lateral cuidado que a gente vai ter é dividir a área que vai desde o joelho até o grande trocânter, que é a cabeça do fêmur, em três partes: a parte central, a parte mediana, que corresponde ao terço mediano do músculo vasto lateral, é o local onde se deve aplicar essa vacina. E na região do dorso glúteo: essa é uma região que é pouco indicada para vacina, mas é indicada para se aplicar soros e imunoglobulinas. O ventro glúteo é um local muito recomendado por muitas literaturas, muito seguro, mas na literatura em termos de vacinação o que o que se vê é que esse local deve ser usado apenas por profissionais que tenham sido capacitados para fazer a aplicação, saibam delimitar para fazer essa aplicação de vacinas no ventro glúteo.
Agora vamos entender um pouquinho melhor sobre as técnicas de administração. Cada via de aplicação tem procedimentos específicos a serem seguidos para a administração das vacinas. Alguns procedimentos são comuns a todas elas: são procedimentos fundamentais o profissional criar um clima calmo e seguro para realizar a administração da vacina; informar o paciente como que vai ser o procedimento de administração ou o cuidador quem tá acompanhando o paciente.
Também é necessário preparar a dose na presença do paciente só que a gente precisa manter a seringa e agulha fora do seu ângulo de visão, porque isso pode gerar uma ansiedade no paciente. Deve-se posicionar confortavelmente o paciente, isso em todos os casos também; planejar a contenção da criança para evitar acidentes, ou seja, garantir que ela fique imobilizada na hora da injeção; identificar o local exato para fazer a injeção; injetar o medicamento de modo lento e constante: 1 ml para cada 10 segundos é o ideal. Ao aplicar uma vacina pela via subcutânea, deve-se usar prega subcutânea, usando os dedos polegar e indicador da mão não dominante, e aí então a gente consegue evidenciar o tecido subcutâneo, formando aquela dobra, e aí a gente evita a aplicação intramuscular.
O outro ponto na via subcutânea é utilizar agulhas curtas e deve-se fazer uma angulação. Para que? Para evitar a aplicação no músculo.
O uso de um ângulo menor que 90 graus vai evitar este risco, vai diminuir este risco, e é necessário quando se tem agulhas muito longas, agulhas que aumentem o risco dessa aplicação no músculo. E, no manual do Ministério da Saúde, a orientação é, um manual de 2014, a orientação é ajustar o ângulo. Então, a gente deve sempre recomendar esse ângulo de 45 graus.
Ao fazer uma aplicação pela via intramuscular: o que que é muito importante? Utilizar técnica em Z. A técnica em Z, ou trilha em Z, permite selar o medicamento dentro do tecido muscular e aí a gente evita o refluxo dessa vacina que, no caso de vacinação, é importante a gente usar a técnica em Z porque a gente vai evitar que a vacina reflua, saia do músculo, passe ali dentro fique, se acomode no tecido subcutâneo e causa um evento adverso local mais intenso por causa desse refluxo.
Então, a gente deve deslocar o tecido com a mão não dominante, manter a pele deslocado o tempo todo. Essa pele deslocada vai ter uma função de válvula que vai evitar o refluxo do medicamento, e essa pele tem que ficar esticada até o final. Então, você injeta o medicamento, espera tempo recomendado e, quando tirar a agulha, solta a pele.
Uma outra indicação na aplicação intramuscular é usar agulhas com comprimento que atinjam o tecido muscular: agulhas com 25 mm de comprimento são as mais indicadas para a maioria dos pacientes. Aplicar com o ângulo de 90 graus, e isso também pode ser ajustado conforme o volume de tecido muscular no local da injeção, e se a massa muscular do paciente for pouco desenvolvida, por exemplo, crianças pequenas, indivíduos idosos ou muito magros, para garantir que o medicamento seja depositado no tecido muscular, também pode se fazer a elevação do músculo, que é uma prega muscular, puxando esse tecido, essa área entre o polegar e os outros dedos da mão. Sobre o uso de álcool na aplicação de vacinas: bom, a injeção é um procedimento invasivo.
Por isso, está associado a um risco potencial, teórico de infecção. Por isso que é importante a utilização de técnicas assépticas. A higiene das mãos, por exemplo, é fundamental.
A necessidade de se fazer antissepsia da pele com álcool 70% antes da administração de injetáveis ou vacinas pelas vias intradérmicas, subcutânea ou intramuscular não é consensual. Mas, se você optar por fazer essa antissepsia com álcool a 70, deve-se usar com uma compressa ou um algodão com álcool a 70%, deve-se fazer um movimento circular, como uma espiral, do centro para fora, evitar passar o algodão ou compressa mais de uma vez no mesmo local. Então, esse movimento circular como espiral, do centro para fora, ajuda.
E sempre esperar a pele secar antes de se fazer a administração da vacina. E sobre a aspiração nas injeções de vacinas? No caso das intramusculares, para elas serem aplicadas no deutoide e no vasto lateral: a maioria dos autores e instituições recomendam não fazer aspiração anterior a injeção, que é diferente no caso da gente aplicar injetáveis que não são vacinas, que muitas vezes são aplicadas na região glútea.
Nesse caso, ainda recomenda-se aspirar. Vacina, não. E vacina subcutânea?
Não é necessário aspirar mesmo, independente do local. E sobre medidas para evitar acidentes com material perfuro cortante, a gente vai ver mais detalhes em outra aula, mas um alerta: acidentes percutêneos podem acontecer se o profissional tiver o hábito ou esquecer e acabar reencapando as agulhas. É contra indicado também, além de reencapar, desconectar, separar a agulha da seringa após o uso.
Então, essas recomendações são consideradas recomendações padrão, independente da vacina, independente do paciente, sempre tem que se tomar esse tipo de cuidado: nunca reencapar agulhas usadas. Sobre cuidados posteriores a injeção, deve-se recomendar aos pacientes para fazer compressa fria no local da injeção por um período de 24 a 48 horas após a aplicação da vacina, isso vai aliviar reações adversas locais. E não é recomendado indicação, não é indicado, nunca, compressa quente em momento algum.
Qualquer que seja havia de administração e o local selecionado, independente do local, a gente deve aplicar vacinas sempre tomando cuidado de: a superfície cutânea estar íntegra, sem escoriações, inflamações, infecções, lesões, tatuagem, manchas, pintas, verrugas, até mesmo prótese de silicone, que aí seria algo mais comum no caso da região dos glúteos, não é muito comum no caso de vacina, mas é importante salientar isso. A gente não aplicar em áreas que tem proeminências ósseas, nódulos em endurecimentos, amolecimentos também, é um outro cuidado muito importante em toda a aplicação de injeção e vacina. Bom pessoal, preparar a dose da vacina e aplicá-las é apenas uma parte da sequência de várias etapas que o serviço de vacinação tem.
Só que são etapas que devem exigir de você muita atenção, muita dedicação e muito cuidado, porque só assim a gente vai garantir a segurança e a eficácia na vacinação. Então fica uma dica para vocês: o material complementar dessa aula apresenta todos os procedimentos detalhados relacionados ao preparo e as técnicas de administração de vacinas. E esse conteúdo vai ser ensinado de uma forma muito cuidadosa e muito detalhada e prática nas aulas presenciais.
Então desejo que vocês leiam, se aprofundam nesses conteúdos, para que estejam bem preparados. E espero revê-los em breve, no futuro em breve, em alguma aula. Bons estudos para vocês!