Módulo 5 Aula 3 O segundo efeito das operações motivadoras é o efeito alterador de comportamento. Nesse caso, as operações motivadoras agem sobre o comportamento aumentando ou diminuindo a sua frequência atual. E esse efeito pode ser de dois tipos.
O primeiro é o efeito evocativo. É o aumento na frequência atual de um comportamento que tem sido reforçado por um estímulo, objeto ou evento. Ou seja, o comportamento imediatamente aumenta de frequência.
O segundo efeito é o efeito abativo, ou seja, é uma diminuição na frequência atual de um comportamento que tem sido reforçado por um estímulo, objeto ou evento. Então, o efeito evocativo e o efeito abativo são opostos e o efeito evocativo é o aumento da frequência atual do comportamento e o efeito abativo é a redução da frequência atual do comportamento. Vamos a alguns exemplos.
O efeito evocativo aparece, por exemplo, na privação de alimento. A privação de alimento evoca comportamentos que foram reforçados com comida no passado. Por exemplo, pedir comida num restaurante ou para alguém, procurar por comida, qualquer comportamento que tenha sido reforçado com comida no passado, aumenta imediatamente de frequência caso eu esteja privado de comida.
Uma dor de cabeça, por exemplo, pode evocar comportamentos que produziram redução da dor de cabeça no passado. Por exemplo, tomar uma aspirina, usar uma compressa na testa ou se alimentar, se você, na sua história de vida, você percebe que quando você fica muitas horas sem se alimentar, você tem dores de cabeça. Então, comportamentos que produziram a redução da dor de cabeça no passado aumentam de frequência imediatamente caso a dor de cabeça apareça.
No caso do efeito abativo, vamos também a alguns exemplos. Pegando o exemplo da comida, nós temos que comer uma refeição diminui a frequência imediata da ingestão de outros alimentos. Esse é o efeito abativo.
Então à medida que eu vou comendo, ou que eu termino de comer a refeição, comportamentos relacionados a obter alimento ou mesmo ingerir alimentos imediatamente diminuem de frequência. Os efeitos da redução da dor ao tomar uma aspirina também se referem a um efeito abativo sobre o comportamento de procurar pela aspirina. Então se eu tomo um remédio, à medida que a redução da dor vai acontecendo, as chances de eu procurar remédios vai diminuindo, a frequência do comportamento diminui porque aquela operação motivadora já está se modificando e eu estou observando um efeito abativo sobre o comportamento.
Um brinquedo que se quebra, né, de uma criança e que já não funciona mais da mesma forma, pode ter um efeito abativo sobre brincar com aquele brinquedo. Aquele brinquedo já não é mais tão motivador e essa criança pode não procurar por aquele brinquedo específico ou não interagir com aquele brinquedo específico porque ele já não funciona mais, né, porque ele quebrou, algum mecanismo ali não funciona mais e não é mais tão reforçador assim. Então, você pode ter aqui um efeito abativo do comportamento de procurar ou de interagir com esse brinquedo.
A gente falou dos efeitos separados, mas esses dois efeitos acontecem ao mesmo tempo. Então a ingestão de alimentos, pegando um exemplo que eu falei dos dois efeitos, ele reduz a eficácia de alimentos como reforçadores, que é o efeito abolidor, mas ao mesmo tempo ele reduz a frequência atual de comportamentos de busca por alimentos. O efeito é sobre o reforçador como um potencial reforçador, o efeito reforçador, mas também o efeito sobre o comportamento, que aí é o efeito abativo.
No exemplo da dor de cabeça e tomar uma aspirina, então ao mesmo tempo quando alguém tem uma dor de cabeça, há um aumento na eficácia de um analgésico, eu falei aspirina, mas qualquer analgésico que sirva para reduzir a dor de cabeça, se há dor de cabeça, então o analgésico funciona como um reforçador, um efeito estabelecedor. quanto o outro efeito, aumenta a frequência atual de comportamentos de procurar pelo analgésico. Então os dois efeitos acontecem, nesse caso o efeito é evocativo, os comportamentos aumentam de frequência ou de probabilidade imediatamente, porque a dor está ali, eu preciso acabar com aquela dor.
Então, fechando esses efeitos, nós temos então que as operações motivadoras, elas têm o efeito alterador de valor, o efeito alterador de valor pode ser de dois tipos, estabelecedor ou abolidor, e nós temos o efeito alterador de comportamento, que pode ser evocativo ou abativo. Operações motivadoras são um assunto muito importante e muitas vezes negligenciado em cursos de aplicadores, de técnicos comportamentais, mas eles são um assunto muito importante na prática profissional, na maneira como nós vamos conduzir as sessões de atendimento. Então elas podem nos ajudar, as operações motivadoras, a explicar como a gente deve intervir, orientar as nossas intervenções, por exemplo, na ocorrência de comportamentos desafiadores.
Às vezes a gente observa comportamentos desafiadores do nosso cliente diante de tarefas difíceis. Essas tarefas muito difíceis, elas podem estar funcionando como operações estabelecedoras para comportamentos de fuga e de esquiva. Esse meu cliente pode estar fugindo das sessões de ensino porque aquela tarefa é difícil demais para ele.
E se eu consigo identificar que a operação motivadora é a responsável ou parte da explicação de porque esse aluno está apresentando comportamentos desafiadores, eu estou em melhores condições para fazer alguma intervenção, modificar a minha intervenção para que esse aluno deixe de fugir das atividades e consiga executar bem as tarefas e consiga aprender. Um outro efeito das operações motivadoras é o engajamento na sessão. Algumas vezes nós observamos que as crianças não parecem muito engajadas na sessão de ensino.
Isso tem a ver, às vezes, com os itens que foram escolhidos como reforçadores. Se nós não escolhemos bons itens como reforçadores, nós podemos não conseguir um bom engajamento na sessão, ou seja, esse aluno provavelmente não vai ter também um bom desempenho nas tarefas, ele não vai conseguir acertar, não vai conseguir aprender e isso vai fazer com que o nosso ensino não seja eficaz. A efetividade dos programas de aquisição de habilidades são uma terceira possibilidade de ajuda nas nossas intervenções a partir de operações motivadoras.
Então, características dos materiais, características dos aplicadores ou técnicos comportamentais, como a entonação, como a maneira como a gente interage com o nosso cliente, a estrutura do ensino durante uma sessão, podem ser operações motivadoras importantes, no sentido de serem estabelecedoras ou abolidoras, aumentando ou diminuindo eficácia de estímulos como reforçadores e também podem ter efeitos evocativos ou abativos, no sentido de aumentar ou diminuir a frequência de comportamentos ao longo da sessão. Então nós devemos estar atentos a isso, algumas vezes a gente escolhe materiais de ensino que podem ser pouco motivadores para criança e às vezes se eu usar um material um pouquinho diferente, Se eu falo muito alto quando eu interajo com a criança, isso também pode afetar o engajamento dessa criança, e nós estamos aqui falando de operações motivadoras. Se eu penso numa estrutura de ensino que pode ser muito chata para essa criança ou pouco motivadora, se eu tiver esse olhar para as operações motivadoras, talvez eu consiga melhorar o engajamento e conseguir desempenhos melhores dessa criança e mais interesse em participar das atividades.