bom bom dia a todos Esse é um dia muito especial porque nós começamos hoje o nosso territórios da da escrita e fazer esse dia especial ou mais especial tinha que ter uma aula inaugural então nós tivemos muitas ideias pensamos em nomes para trazer E chegamos à conclusão que nós duas queríamos fazer eh essa aula inaugural então eu sou Jan tiqu an e eu tenho aqui comigo a poeta Sinara ferreir Sinara teus cumprimentos Bom dia da mesma forma gostaria de dizer que estou muito feliz né de estar aqui ao lado da Jane e poder eh receber
vocês né nesse primeiro contato sejam todas e todos bem-vindos e bem-vindas a este curso e que possamos então estabelecer né uma ótima eh um ótimo contato uma ótima comunicação e hoje então vamos começar falando um pouquinho sobre o escrever o Ato da escrita né a nossa relação com a escrita para que vocês nos conheçam um pouco desse deste ponto de vista então eu iniciaria te perguntando Jane como é que a escrita surgiu na tua vida a escrita surgiu muito cedo na minha vida eu tenho um poema que eh era um poema de Páscoa que eu
fiz pro meu pai e evidentemente que não tem nenhum valor literário poema ó que te darei de paza o céu as nuvens por aí vai mas eh ele já demonstrava que eu tinha uma certa intimidade com a palavra escrita o que Não deixa de me surpreender Sinara eh porque não tinha livro na minha casa assim eh eu tive uma infância muito pobre Meu pai era guarda de trânsito e minha mãe era costureira então a minha mãe Eh estudou até o segundo ano lá do do fundamental e e meu pai se alfabetizou sozinho aos 21 anos
mas eh eles não tinha livro na minha casa mas tinha a minha mãe e tinha o meu pai eu acho que isso foi foi fundamental minha mãe era uma grande contadora de histórias e e meu pai tinha um respeito pela palavra escrita eh que eu acho que eu herdei dele sabe então eles os dois foram foram fundamentais não que eu soubesse que queria ser escritora né Sinara eu eu não sabia não tinha essa consciência Na verdade essa essa experência me veio eh quando eu fazia uma peça de teatro no no jul de Castilhos e a
peça era minha eu tinha dirigido eu tinha escolhido as roupas eu tinha eh preparado tudo os figurinos enfim era a minha peça e aí no na semana do colégio a gente eh foi apresentar e e tinha tinha combinado com a a professora era Nair tesser depois foi Nossa colega né senar Uhum E tinha combinado com a minha professora que ela ficaria de ponto se algum dos atores esquecesse alguma coisa era só chegar na beira do palco não precisava nem olhar para ela que ela diria o que que a gente tinha que dizer bom começou a
peça e me deu um branco eu não tinha noção do que eu tinha que dizer eu eu olhava pedindo socorro pros pros outros eh artistas e eles só faziam com a mão aí agora vai vai vai vai eu não sabia o que dizer então eu cheguei na beira do palco como tinha combinado com a professora e não olhei para ela como tinha sido combinado e não aconteceu nada e aí eu tive que dar um jeito de fazer ela entender então olhei para ela e fiz o meu olhar assim mais de pedido de Súplica e não
aconteceu nada e aí eu comecei a fazer assim claro todo mundo começou a rir não tinha como fazer assim e que que não vissem né E ela como ela sabia que eu tinha feito tudo tinha preparado e tudo ela começou a me dar uma força vai Jane quando mais eu fazia assim mais ela dizia vai Jane continua tá muito bom e assim nunca ninguém me deu tanta força no único dia que eu não tivesse conseguido usar para nada Mas uma coisa ficou em mim eu realmente não quero não vou ser atriz eh porque o grande
barato e a Grande descoberta daquele barato foi foi ver as minhas personagens vivas E aí eu tive certeza que eu queria ser escritor então eu comecei a a publicar nos jornais isso que a gente chama de literatura Marginal né comecei a publicar nos suplementos literários e até que chegou o primeiro livro ahi que maravilha a a relação a relação com a escrita sempre tem uma história né eu tenho uma história que tem alguns pontos de contato com a tua Eu também tive uma infância assim com poucos livros em casa minha mãe Eh comprava livros intuitivamente
quando batiam na porta naquela época que batiam na porta para vender e eu lembro que o primeiro livro que eu tive contato foi um dicionário e eu assim me apaixonei pelo dicionário porque ele tinha ilustrações também né então eu guardei aquele dicionário por anos assim e eu gostava de ler né os verbetes e mesmo não entendendo porque eu era pequena tinha 6 7 anos e Mas a questão assim da relação com o livro me encantava né Essa essa relação com a palavra mais tarde ela também comprou Eh aí de uma vizinha que tava se desfazendo
de uns livros uma coleção eh que era uma gramática e nessa gramática havia poemas e eu comecei a ler aqueles poemas nem prestava atenção né na na sintaxe ou na semântica as questões gramaticais não me não me tocavam Mas a partir dali eu comecei a criar uma sensibilidade assim paraa poesia e tentava escrever né então na adolescência eu tinha um diário no qual eu tentava escrever escrevia alguma coisa eh lembro assim que eu gostava do efeito que eu conseguia produzir né até que eu decidi fazer letras por essa paixão pela palavra minha ideia Inicial era
ser escritora mas em seguida assim no contato com o curso eu me apaixonei pela docência né então resolvi ser professora até porque seria iia também uma forma de sobreviver né financeiramente e não me arrependo foi maravilhoso amo né a dar aulas Inclusive durante muito tempo eh ministrei aulas de escrita criativa mas foi só assim eh em torno de uns 10 anos atrás que eu resolvi assim voltar aquele meu desejo né de escrever e escrever de uma forma mais sistemática E aí comecei a produzir né Eh meus poemas comecei a mostrar timidamente para uma pessoa aqui
uma pessoa ali até que mostrei para um escritor um poeta e ele me deu umas dicas assim disse assim ó tu tem que reunir muitos poemas para depois fazer uma seleção até que tu eh então escolha os os melhores que vão compor o teu livro né e e assim eu fiz então desde lá eu venho continuo dando aulas e escrevendo né E essa relação com a palavra Então sempre foi muito forte assim sempre foi uma uma algo que me me constituiu né que que deu sentido a enfim a deu sentido assim a ao desejo de
de se expressar né também fui sempre fui uma menina muito tímida né mas ao mesmo tempo eu queria me expressar e eu acho que a escolha pela área das letras tem esse esse aspecto assim de de querer se expressar tanto verbalmente quanto pela escrita Então essa que foi a minha história assim com com a palavra né e sempre foi a poesia sinar eh não eu também de vez em quando me aventuro no conto né até porque eu dou muitas oficinas de conto então eu tenho H já Participei de concursos literários escrevi um ganhei com um
conto eh já publiquei alguns mini contos né Tenho duas coletâneas em que eu reúno eh 20 autores que escrevem contos então também já me aventurei na narrativa né até porque eu tenho bastante em função das oficinas eu tenho bastante eh contato né com escritores com enfim com contos em geral vou te confessar que eu tenho uma uma inveja que é uma inveja boa dos Poetas porque Vocês conseguem Maravilhas eh Vocês conseguem colocar vocês T um poder de síntese mas é é um poder de síntese criativa então assim Vocês conseguem colocar numa frase o mundo e
e é parece que é um ato de Magia é uma coisa é uma coisa muito interessante e muito bonita e o que que é escrever para ti que que é escrever poesia Pois é escrever poesia para mim eu acho que é buscar uma palavra que parece inalcançável então muitas vezes assim eu sou atingida sou tocada por um sentimento por uma sensação às vezes e aí eu eu fico imaginando eu fico procurando a palavra para definir aquilo que eu senti ou aquela sensação que eu tive e nisso começa o processo da escrita né do do poema
tentar traduzir em palavras aquilo que parece que inicialmente não tem palavras e aí que vem o trabalho de lapidação de tentar cortar o excesso né de tentar falar em poucos em poucos versos às vezes num verso só eh aquilo que inicialmente parecia que não tinha palavras então é um pouco isso eu acho que o meu prazer escrever ele tá nisso assim de de conseguir chegar naquilo que eu senti eh através da da palavra da metáfora em geral né da e também da forma da sonoridade tentar eh estabelecer esse contato com aquilo que antes não tinha
eh palavras para dizer essa que é a minha e tem um pouco assim agora eu tava me lembrando de uma frase que eu gosto muito da clariss Lispector que é ã ela diz assim eu escrevo como se fosse para salvar a minha vida talvez a minha própria vida então eu queria te perguntar J Por que que Tu escreves né se tu já pensaste nisso o que que te move a escrever é eu o o meu processo de de criação é assim eu eu vejo alguma coisa ou eu sinto alguma coisa ou eh gosto ou não
gosto isso termina ficando guardado dentro de mim e quando eu vou sentar para escrever isso tudo que ficou guardado começa a vir e e eu eu tenho me perguntado eu sou daquele tipo de de de escritor que traz aquela traz uma cina consigo que é a pergunta de sempre por que escrever né então assim eh é bem fácil imaginar imagina um dia de sol lindo feriado as pessoas todas estão na rua e e o escritor tá lá sentado na frente do seu computador escrevendo e e esses momentos eles só T um jeito de recuperar e
não é ele não vai recuperar com as pessoas ele não vai recuperar aquilo que as pessoas estão fazendo que ele gostaria de estar fazendo ele vai recuperar eh quando um leitor pegar o seu texto para ler então eu sempre eu sempre acreditei eh sempre acreditei nisso e eu tenho eh a convicção de que eu escrevo porque é a melhor forma que eu tenho de estar junto à pessoas e e mais do que isso eu preciso disso né eu preciso disso então eu preciso da literatura eh para viver acho que a Clarice disse isso maravilhosamente bem
mas e realmente eu preciso da literatura para viver me diz uma coisa tu tu és tu de programas assim todas as segundas-feiras de manhã eu vou escrever é eu já tive f que eu consegui fazer isso né Teve uma época que eu tava me organizando para para participar de um Concurso Literário os meus poemas e aí eu estabeleci que toda sexta-feira eu dedicaria du horas para isso e foi muito bom na época mas em geral eu não tenho essa esse hábito assim estabelecido né eu tenho fases então tem fases que eu tô mais ativa que
eu escrevo assim eh estabeleço um horário ou então escrevo sempre que vem né uma ideia uma sensação Às vezes a experiência ela é tão forte que é impossível não escrever né então esses tempos eu fui eh visitar a lápide do meu pai e eu não tinha conseguido ir depois que ele faleceu vai fazer 3 anos e foi muito forte a experiência aí eu eu assim aquela aquela sensação que eu não tinha palavras né acabou virando palavra eu trabalhei em cima e consegui expressar então eh acho muito legal assim quando o escritor consegue né estabelecer tem
escritores que dizem que dedicam né um turno por dia para escrever acho muito bacana recomendo que os meus alunos tenham essa esse esse tempo né paraa escrita e acho que funciona bastante mesmo que a gente Ache que não vai escrever nada muito bom naquele momento tá meio meio sem ideias mas o o fato de sentarmos para escrever seja no computador seja diante da folha em branco né já te ã te condiciona de certa forma a escrever e escrever também é um hábito Então acho muito bacana E aí eu te perguntaria a mesma coisa J como
é que é para ti tu é metódica nesse sentido ou não eu acho eu acho um barato os escritores que que conseguem fazer isso eu tenho um amigo luí Antonio Brasil que ele escreve todas as manhãs e eu acho maravilhoso eu eu não consigo mas eu não consigo em função das escolhas que eu fiz da minha vida né eu fui 8 anos diretora do suetas fui vice-reitora 4 anos então eh a gente não consegue estabelecer um horário para escrever eh em função dessas coisas todas que a gente vai termina assumindo embora a literatura seja o
mais importante de tudo na na minha vida eh Então não é assim que funciona para mim mas é muito interessante também porque eu fico com a história eu tenho eu tenho 23 livros publicados são livros é muito interessante metade para adulto e metade eh eh juvenil e tem um infantil então Eh eu eu tava dizendo que eu não eu não nunca consegui assim né E E essas Essas atividades me me tolam muito né de escrever mas o que é curioso era isso que eu queria dizer eu tenho um processo mental muito longo eu eu vivo
muito tempo com as minhas personagens então Eh quando eu sento para escrever eu tenho a última frase eu preciso da última frase claro que quando quando eu começo a escrever nunca vai nunca vou terminar naquela última frase né mas eh acho que o grande barato do escritor é é é o momento que ele tá escrevendo né e e eu sempre sempre achei que que era conversa de escritor para televisão dizer que os seus personagens ganham autonomia e no entanto eu já terminei livros chorando eu já terminei eh livros rindo eu já E isso não é
outra coisa senão a autonomia né a gente ri eh do desconhecido a gente não rid do do conhecido né E e aí eu identifico a a tal da Autonomia de que o ericon falar mas meu processo de criação é muito simples tem tem vários processos né Eh eu acho que o mais completo e o mais bonito foi da Clarice da Clarice lispa ela ela Ela vivia escrevendo Então assim se ela tava no cinema ela esc escrevia atrás da caixa de fóssil se ela tava no restaurante Ela escrevia no guardanapo onde ela tava Ela escrevia e
jogava dentro de uma gaveta aí quando ela tinha a espinha dorsal do do do texto ela ia na gaveta e montava como uma espécie de quebra cabeça isso foi tão absolutamente eh Fantástico isso foi tão tão incrível que quando a Clarice morreu a Olga foi na gaveta e montou os pedaços e escreveu pulsações que é o livro cósimo da clariss então é genial né é absolutamente gen é meu não é o meu é é talvez o mais comum é uma outra escritora chamada Clarice spect não a patrcia be fiquei com a Clarice na cabeça Patrícia
Beans sentava diante da do computador escrevia uma palavra solta outra palavra solta outra palavra solta repende uma palavra puxava uma outra palavra formava uma frase e a frase puxava e pronto ela entrava dentro do texto já fiz essa experiência é bem legal mas eu acho assim eh o que eu diria para para o pessoal do território eu diria assim ó tenham com você sempre uma caderneta acho que isso é fundamental fundamental para um escritor Tenham sempre uma caderneta e aquilo que você vocês acharem que de alguma forma toca a sensibilidade de vocês escrevam ali na
caderneta e quando sentar para escrever pode ter certeza que vocês vão usar tudo aquilo que Vocês anotaram eu tenho uma cadeneta e tu eu tenho várias eu sou um pouco desorganizada tenho várias e escrevo no celular também mas eu acho essa essa essa ideia assim fundamental né de que nós deixamos escapar Quando essas sensações esses sentimentos essas enfim esses enredos ideias surgirem Anota e eu acho que ter rituais é importante para fazer qualquer coisa eu lembro da eu estudei no meu doutorado a Isabel aliende Sim e ela tem uma história muito interessante que todo dia
8 de janeiro ela começa um romance novo é eu acho É e ela também tem né essa possibilidade de se dedicar só à escrita ela foi jornalista e depois de um tempo ela se dedicou só à escrita e também tem uma rotina assim de de fazer o café dela acordar cedo parece que às 5 da manhã e enfim dedicar ali algumas horas para isso claro que né Nós estamos falando de outra realidade e assim como tu jan eu também tive que me dedicar né a a nós mulheres também também temos a questão dos filhos né
da casa né Por mais que alguém nos ajude sempre recai mais sobre nós sim e a profissão então eh São realidades cada escritor né vai achar o seu modo né o seu Ritual e fazer o que pode né O que o que for possível mas o bonito é isso é que cada pessoa acha a sua forma eu lembro de um depoimento da Maria carp né que ela dizia que ela escr assim na cozinha enquanto tava cozinhando escrevia na caixa de maizena né vinha a ideia e ela ia lá e escrevia então que as pessoas não
viam ela sentar para escrever e no entanto ela tem uma obra A Maria carpa é uma poeta Gaúcha tem uma obra imensa mais de 20 também assim como a Jane né mais de 20 títulos e foi uma pessoa que começou a escrever mais tarde né por isso que eu tenho uma eu fico mais consolada assim que eu também acabei né Eh começando mais tarde em função também de todos os envolvimentos que a vida às vezes nos pede né Eh Jane queria te perguntar se tu tens assim eh um autor ou autora que para ti foi
fundamental para tua escrita que te inspira que te foi uma espécie de Mestre Para ti eu eu tenho sim eu tenho eu tenho vários né Uhum E fundamentalmente são aqueles que seguem a linha intimista uhum né então Eh eu eu não eu não sou uma contadora de aventuras eu não sei fazer isso eu sei é contar as emoções então ó aí me passou detalhes do Roberto Carlos são tantas emoções bicho mas mas assim eh realmente não não sei contar histórias eu sei contar sentimentos das pessoas e e a história termina sendo um suporte para eu
contar esses sentimentos para eu fazer essa literatura que é intimista então assim eh no Brasil Clarice respa Caio Fernando Abreu que assim sou apaixonada pelo Caio eh a uma escritora chamada Raquel Jardim que morreu esse ano eh assim no Bras a Hilda ril também eu acho que no Brasil são esses mas assim nomes internacionais Virgin uf sem sem sombra de dúvida eu também gosto do prust uhum penei penei para ler eh os livros dele Sobretudo o o tempo perdido acho é que assim penei para mas ah e faulkner também mas eh é muito bom ele
é muito bom é muito bom eu tenho alguns livros que assim que não que eu tenho muita dificuldade mas mas no fim tu tem que reconhecer né que são que são realmente muito bons então assim ó eu eu hoje eu tenho 72 anos então eu hoje eu eu talvez há um tempo atrás eu dissesse ah este aqui eu quis fazer igual a ele eu hoje acho que todo texto que eu leio e que eu gosto me influencia sabe legal e e e decidi assim ó que depois dos 70 eu só leria os livros que eu
já li e que eu gostei né mas é então sável porque tem tanto escritor jovem tanta gente boa publicando né Uhum que eu não não desfrutaria desses desses textos então isso não dá para fazer Ah legal eh eu também assim tenho algumas autoras que as principalmente mulheres né Eh mas também alguns autores que eh vão mais paraa linha do da prosa poética e tu me perguntaste se eu escrevo em prosa às vezes eu percebo que a minha prosa tende assim para um discurso mais poético justamente por essa eh minha preferência e talvez pelo meu contato
né Inicial com poesia ter sido assim tão marcante mas eh é muito bom né a gente poder refletir sobre é muito bom a o nosso processo criativo é e e e e o que que é poesia o que que tu ensina paraos seus alunos poesia é poesia é Ah é uma pergunta difícil difícil né É É difícil porque poesia é muita coisa né Eh poesia eh a poesia ela não tá presente só no poema primeiro lugar assim a poesia pode estar numa numa paisagem ela pode estar num num encontro entre pessoas que se amam ela
pode estar num filme ela pode estar num romance num conto e no poema então a poesia é esse modo assim de de encontrar as palavras para mim né aquelas palavras que aquelas palavras as únicas palavras possíveis de dizer certas coisas eh geralmente de modo metafórico a partir de imagens né Eh se consegue a poesia é isso é é aquela combinação de elementos que produzem em nós um sentimento poético assim um uma certa Revelação uma certa descoberta do mundo então para mim poesia é isso né E quando converso os meus alunos é mais nesse sentido até
de diferenciar poema de poesia de mostrar que a poesia tá em tudo e isso tu sabe que eh eu acho que a poesia ó vou eu vou eu dar palpite aqui mas eu acho eu acho também que a poesia tá em tudo e e que os poetas eles eles terminam fazendo da poesia eh o seu modo de ser isso eu acho eu acho que isso o o o o cara que trabalha com narrativa também mas isso eu acho importante a gente a gente eh ressaltar a gente dizer para o pessoal que tá entrando agora no
territórios por quê gente eu sou professora 40 horas né dedicação exclusiva Sinara também é professora 40 horas então é por semana eu sou 40 horas eh professora Mas se vocês me perguntarem o tempo que eu sou escritora no meu dia eu sou todo o tempo né não tem essa possibilidade de avolar dou uma aula e ven embora aí a professora ficou lá na sala tudo bem mas o escritor não pode se dar o luxo de você escritor agora daqui a pouco mais eu não sou não o escritor é 24 horas por dia escritor o poeta
é 24 horas por dia é o romancista é 24 horas por dia escritor é um é um modo de ser né E daí assim ó eu fico pensando que o que a gente faz é é o que a gente anda atrás e o que faz é a cristalização do sentimento né o poeta Então para mim é tão interessante porque vocês Vocês conseguem pegar um instante e cristalizar aquele instante né E aí e do Cristal saem múltiplas cores né Eu acho eu acho isso muito lindo acho muito muito lindo então assim eh quando a gente termina
um livro é bom é bom eh quando chega os originais eh quando a gente manda os originais paraa Editora é bom quando a gente vê o O livro é bom mas escrever é uma outra coisa não é é o tempo todo é o tempo todo eu acho eu acho lindo isso e eu tenho ouvido eh muito ultimamente que a arte existe porque a vida não dá conta de tudo né do ser humano sabe que eu acho que isso tem tem todo o sentido isso faz todo o sentido uhum eh ainda mais para esse tempo que
a gente tá vivendo que ele é eh ele é o o avanço cada vez maior da tecnologia e a gente tá sendo atropelado pela tecnologia né E quando a tecnologia tá em alta digamos assim ela cria um um sombreamento sobre as humanidades e eu acho que isso a gente tem que cuidar a gente tem obrigação de cuidar e e isso é também papel da arte todas as artes e da literatura que é de de garantir os os traços de humanidade que terminam se perdendo com com a técnica E tu o que tu acha é eu
lembro te ouvindo assim daquele texto do Antônio Cândido o direito à literatura né ah maravilhoso maravilhoso então de certa forma o territórios da escrita e tem esse papel também né de proporcionar esse direito à literatura no momento em que propõe eh essa formação para as pessoas que desejam enfim escrever e eu acho que sim que a a literatura ela é fundamental para humanização para nós nos sentirmos eh nos identificarmos com aquilo que Lemos e lá pelas tantas né termos os nossos as nossas revelações né em relação à nossa própria vida e um pouco também de
descanso desse mundo tão difícil que a gente vive né com tantas eh com tanta violência com tanta desigualdade Então acho que a literatura tem essa função também social né além de de ter uma função psíquica de nos dar eh alívio de nos salvar de certa forma eh podendo dizer né coisas que não poderiam ser ditas de outra forma Ela também tem essa função social de eh nos fazer enxergar né a realidade com lentes mais críticas e de modo a poder transformar né então acho que o território da escrita territórios da escrita é é é um
modo de concretizar né essa essa essa função da literatura é é uma ação né é um grande projeto por um lado por outro é uma ação precisamos de muitas ações mas é essa forma assim de é importante né é proporcionar né esse espaço para as pessoas eh escreverem suas próprias histórias as suas próprias seus próprios H sentimentos emoções Sensações sabe que eu sempre eu sempre duvido muito da pessoa que diz assim do escritor que diz não não ten nada a ver com a minha personagem não ten nada a ver com com o que eu escrevi
não tenho nada eu sempre eu sempre duvido muito disso eu acho que os textos da gente traz trazem sim eh pedaços da Alma da gente os texos da gente eh trazem eh as nossas preocupações os nossos sentimentos todos e mesmo mesmo quando eu ouvi de alguém uma história isso é filtrado pela minha emoção e quando é filtrado pela minha emoção termina sendo meu também né Eu acho que a gente pode a gente pode eh dar uns avisos pro pessoal e que é assim primeiro nós assinar e eu Eh estamos muito muito felizes de estar junto
com vocês no territórios nós vamos acompanhar todo mundo e e a gente deseja que vocês sejam também felizes durante durante o curso e assim eh essa é a nossa aula inaugural e pelo lá pelo fim de semana vocês vão receber uma senha e vocês vão eh poder entrar no na plataforma mudo e aí vai ter bom então nós agora vamos passar umas instruções para vocês primeiro eu quero ratificar o nosso agradecimento por você vocês terem se inscrito no territórios da escrita e que há uma iniciativa muito feliz do ministério da cultura e da Universidade Federal
do Rio Grande do Sul então vocês vão eh receber durante essa semana vocês vão receber um o uma senha uma forma de entrar no Moodle depois eu vou mandar isso por escrito para vocês então vocês vão colocar lá o seu nome de usuário e a senha que vocês vão receber e vão entrar direto vocês vão cair direto na trilha que vocês que vocês escolheram eh a gente tá com a capacidade máxima em todas as salas bom que que vocês vão encontrar nas trilhas vocês vão encontrar módulos eh e eu acho que a Sinara pode explicar
direitinho o que eles vão encontrar é então por exemplo eu vou dar o exemplo do meu módulo que é o módulo é a trilha do conto então a trilha do conto vai ter cinco módulos cada módulo tem cinco aulas no caso do conto pode variar um pouquinho nas outras trilhas mas é parecido tá então são módulos que contém aulas no momento vocês vão ter acesso aos três primeiros módulos de cada trilha e esses módulos Então vão ter aulas né gravadas em vídeo eh com a disponibilidade de exercícios podcasts enfim todo um material didático para vocês
acompanharem o curso e também nós vamos abrir alguns eh fórums paraas dúvidas Então vocês vão ser eh essas dúvidas né Vocês vão poder sanar com os monitores e conosco também então estaremos acompanhando todo o processo né orientando da melhor forma possível é é um módulo por mês isso isso então cada módulo dura um mês então tem um módulo um cinco aulas e tem exercícios para serem feitos e esses exercícios ao longo dos cinco módulos eles vão ser avaliados pontuados né 40% tento então da avaliação recai sobre esses exercícios e depois ao final depois que vocês
tiverem feito todos os módulos aí vocês vão fazer um projeto final né de de de escrita Então vai ser um projeto que vocês vão dizer né já vão apresentar H um sumário Aí dependendo da trilha vocês vão ter as orientações precisas de como fazer esse projeto final né então por exemplo no conto vocês vão apresentar o Sumário e já produzir alguns contos assim como explicar Qual é a proposta do livro tá então esse projeto final vai valer 60% eh da nota de vocês eh eh A ideia é que de de 1000 eh cursistas nós vamos
tirar 100 como é é que a gente vai tirar 100 nós vamos formar um grande comitê eh de escola pública de eh universidades e quem vai eh decidir quem serão os 100 é este comitê Eh quero dizer para vocês que a Sinara e eu nós ficamos fora deste comitê Então os 100 os 100 alunos eh que forem escolhidos vão ganhar uma bolsa para produzir Ou seja a bolsa é para escrever o seu livro com tranquilidade eh se eu se eu fosse fazer é só uma sugestão Se eu fosse fazer eu aplicaria pelo menos uma parte
desse dinheiro na impressão do livro e Se vocês fizerem isso a gente vai atras o livro de vocês e e a gente vai mostrar o livro como resultado da territórios Ok então vai ficar o módulo eh no site durante um mês vocês têm aulas lá que podem ser aulas semanais e não esqueçam de depois de cada aula mandar os exercícios pra gente também vai vão ser explicados direitinho eh como vocês vão colocar no Moodle os seus exercícios ok Então acho que é isso né Sinara Acho que sim e aí né no na à medida que
vocês forem tendo dúvidas nós e os monitores estaremos à disposição para ir eh então respondendo a essas dúvidas fiquem bem tranquilos e tranquilas né que eh vocês vão ter todo esse apoio muito bom então de novos nós temos grandes expectativas acho que a resposta de vocês vai ser uma resposta muito boa porque vocês foram selecionados entre 23.000 candidatos parabéns e sejam muito bem-vindos