[Música] Olá pessoal espero que vocês estejam bem Voltamos com mais uma semana do nosso curso variação e mudanças linguísticas muito bem-vindo muito bem-vinda muito bem-vindos eu sou professora Beth Cardoso na aula de hoje nós vamos ver a variação Regional antes disso vamos Recordar brevemente o que vimos até agora no nosso curso nós observamos a quantidade a variedade de idiomas que tem no mundo como as línguas estão em constante transformação os vários países que falam português como idioma oficial vimos também que o português tem variação e mudanças específicas em cada um desses países e dentro do
país há uma diferença entre regiões grupos de pessoas e isso pode provocar variação e mudanças na língua Daí o nosso tema a disciplina que estuda essa variação e mudança linguística é a sociolinguística e a gente dedicou um bom tempo estudando observando os principais autores as principais teorias dessa disciplina estamos em processo mas já vimos uma uma quantidade já temos uma quantidade de informação sobre ela nós também observamos que a sócio linguística tem como principal característica e inovação o fato de pensar a língua como algo Vivo e estreita relação com a sociedade formada por instituições grupos
e pessoas que adaptam a língua para suas realidades modificando a sua linguística nós vimos ela é muito disciplinar e mantém diálogo principalmente com antropologia com a sociologia e a geografia e nós vimos que ela está uma das principais teorias da sociolinguística é a teoria da variação e a variação está dividido em interna e externa nós já Vimos a variação interna e hoje a gente avança para externa vamos Recordar quais são os tipos de variação interna da língua a variação lexical a variação fonológica a variação morfológica e morfossintática e a variação sintática e a variação discursiva
depois nós vimos a as variações externas da língua a variação Regional que é o que nós vamos ver hoje então hoje a gente começa a variação externa primeira delas a variação Regional depois a variação social depois a variação estilística e a variação na fala e na escrita Então vamos iniciar as nossas os nossos estudos sobre a variação Regional ou geográfica essa essa variação a gente pode começar a pensar nela buscando um pouco da nossa experiência pessoal Você já percebeu que você pode identificar a origem de uma pessoa ouvindo a sua fala ouvindo o modo como
ela fala você consegue identificar ou ter uma ideia de onde aquela pessoa vem então a uma fala específica do paulista dinheiro do baiano da pessoa que vem da zona rural da pessoa que é da zona urbana mas o que que exatamente o que que permite essa avaliação e o que que está em jogo aí né porque é muito importante também que essa esse essa nossa capacidade de identificar esse sons esse sotaques não caia em caricaturas em preconceitos banalizações né Por exemplo preconceito Recreativo que é a famosa fazer as piadinhas com as origens de um e
de outro buscando depreciar a condição ou a existência de uma pessoa então esse esse O que poderia ser um recurso acaba se tornando uma fonte de preconceito e discriminação essa questão do preconceito Recreativo por exemplo o que a gente vê com frequência em telenovelas em programas humorísticos reforçando que são momentos em que se reforça estereótipos negativos nós vamos nessa aula e nessas aulas que vem né as próximas em que vamos tratar da variação externa a língua nós vamos ver a teoria os métodos e a pesquisa da sociolinguística que servem para evitar essas impostoras tanto nas
nossas salas de aula como professores mas também na sociedade enquanto cidadãos a variação Regional é aquela vinculada ao território de origem do falante e pode ser estudada comparando lugares diferentes podemos comparar por exemplo países Brasil e Portugal ou regiões de um mesmo país Nordeste e Sudeste do Brasil Rio de Janeiro e São Paulo nesse caso estamos comparando estados de uma mesma região São Paulo e Araraquara nesse caso estaríamos comparando cidades de um mesmo estado Mooca e Santana nesse caso estariamos comparando bairros de uma mesma cidade São bairros da cidade de São Paulo zonas urbanas e
zonas rurais ou do interior né também é um tipo de comparação Regional então por exemplo a pronúncia da vogal e iu da vogal pretônica ela pode ter uma variação ela tem uma variedade de pronúncias no nosso país não é então o modo como alguém de São Paulo diz peteca e moderno é diferente do modo como alguém diz alguém pronuncia essas palavras na Bahia peteca moderno né a gente a gente vê aí a diferença do e do e do Oi do o né que cada região vai colocar em uma força maior na pronúncia dessas pré dessas
vogais pretônicas por exemplo também a pronúncia do fonema R em final de sílaba então porta em São Paulo no interior pode ser e no Rio de Janeiro a gente pode ouvir porta né então cada região vai vai pronunciar o r de uma forma outros exemplos é aqui de vocabulário né não de pronúncia mas de vocabulário então abóbora e jerimum em cada lugar esse o referente é o mesmo né o fruto mas a palavra vocábulo para defini-lo pode mudar de região para região Bergamota ou vergamota tangerina laranja cravo Mimosa mandioca aipim macaxeira pão francês Pão de
Trigo cacetinho polenta e angu banheiro toalete WC coisa troço trem estojo penal mulher dona senhora negócio venda pipa papagaio vaso bacia privada casinha são todos palavras que são sinônimos né mas que tem um uso Regional após que Muitas delas você nunca tinha ouvido falar não é dependendo da região que você está muito bem essas diferenças de onde vem né quero que vocês também percebam que a indicação nessa semana de textos muito potentes textos teóricos de grandes pesquisadores da sua linguística no Brasil e no mundo que pensam sobre essa questão então vocês vão encontrar ali uma
densidade e vão perceber o quanto a sua linguística é muito disciplinar porque aqui nesse tema muito importante o que a gente tem de pesquisa historiográfica pesquisa geográfica então para a gente pensar como essas diferenças vão sendo formadas em nosso país a gente tem que entender um pouco da história do Brasil e da história da formação da língua portuguesa no Brasil tá então vai ser vocês eu aposto que vocês vão gostar muito delicioso estudar história não é ter essas informações e saber a origem da nossa fala da nossa língua dos nossos hábitos culturais então a etnia
colonizadora de uma comunidade interfere nessa variação no modo como as pessoas falam então lugares que foram colonizados por portugueses italianos espanhóis holandeses alemães japoneses eles vão ter suas características específicas ligados a essa população e a esses idiomas que chegam e interagem com a língua portuguesa e entre si tivemos também a contribuição dos povos originários indígenas e escravizados africanos esse tema ele vai ficar para próxima aula né Ele é denso Também merece uma atenção Nossa mais específica nós vamos desenvolver uma próxima aula por enquanto continuamos aqui com a questão do dessa variação Regional tem três conceitos
que eu gostaria de destacar para vocês que é a questão da Norma padrão Norma popular e Norma culta importante isso para sócio linguística importante isso para as nossas reflexões aqui porque a gente já começa a ser a vizinhar de uma questão que eu imagino já esteja rondando a sua cabeça porque já estamos na quarta semana do curso que é bom o que que a professora Beth tá falando então quer dizer que não tem certo não tem errado Cada um fala do jeito que quiser aqui e vamos né não é isso é não é isso que
estamos falando então acho que daqui para frente isso começa a ficar mais claro certo com as leituras com os exercícios e com as vídeo aulas então um conceito que ronda essa essa o esclarecimento dessa questão é Norma padrão Norma popular e Norma culta ou seja não tem uma Norma apenas né então o que que seria a norma padrão um instrumento de política linguística para contornar a diversidade linguística Regional e social ela foi estabelecida por meio de instrumentos normativos como gramáticas e dicionários e serve para uniformizar a língua Vamos guardar essa expressão uniformizar a língua Norma
Popular falada por pessoas não escolarizadas possui suas próprias regras de funcionamento que não correspondem necessariamente aquelas da gramática e a norma culta que é usada por pessoas letradas durante suas práticas de fala e escrita e ela é mais formal essas definições elas estão aqui resumidas Mas elas foram retiradas por mim do livro do Faraco Norma culta brasileira desatando alguns nós e de hilari e Baso o português da gente são das obras que eu recomendo muito a leitura tão importante aqui para a gente memorizar né são temos normas diferentes a padrão a popular e a conta
vamos avançar mais um pouco então o unificar a fala expressão e os modos do uso da língua pois Quais as consequências disso de termos um projeto hipoteticamente temos um projeto de unificação Temos que falar todos da mesma maneira caso contrário haverá castigos haverá discriminação haverá preconceito Qual é quais seriam as consequências Vamos pensar um pouco sobre isso discriminação de pessoas que usam vocabulário pronúncia ou maneirismo de suas regiões de origem isso também pode empobrecer a língua pois reduz Apenas um modo de uso dificulta a alfabetização e letramento de quem não está no espectro considerado padrão
Ou normal e impacta no desenvolvimento da fala e da escrita de que modo que Impacta para explicar isso eu trago aqui uma citação a dicotomia oralidade escrita ao mesmo tempo em que se peca por se por Pretender ser a escrita um registro regular natural e inequívoco da fala peca-se por se priorizar a primeira em detrimento da segunda escrita e oralidade tem suas peculiaridades que as tornam únicas em suas diferentes modalidades por outro lado fica difícil isolar a primeira num trabalho dissociado da prática priva da língua Isto é da fala e da oralidade assim para que
se promova o ensino eficaz da língua materna faça necessário demolir a barreira que separa essas duas práticas indissociáveis da língua na sociedades letradas fecha aspas foi um texto da Janete dos Santos letramento variação linguística e ensino de português é um artigo publicado na revista linguagem em discurso e cumprimentando essas ideias que a Janete está trazendo né de como dificulta essa essa polaridade essa relação fale escrita e a valorização maior da escrita do que da fala eu trago também marcuch que reforça que se parte sempre da oralidade para escrita trabalhando as diferenças e semelhanças entre as
duas modalidades visto que o fim maior do ensino de português abre aspas é pleno domínio e uso de ambas as modalidades nos seus diferentes níveis Então como a criança que está ali na sua sala de aula sendo alfabetizada sendo letrada ou não tendo estando com você em outros em outros momentos de formação e de troca ou até de outras disciplinas como é que a gente vai respeitar e incluir o modo como ela fala e a questão da escrita Qual é a atenção a escrita cobra muito mais a norma padrão e até a norma culta e
na fala há um espaço maior para Norma Popular o nosso desafio como professores é acolher e trabalhar com respeito essas diferenças das normas Na expressão dos nossos alunos seja Na expressão oral seja Na expressão das suas mais um trecho da Janete para a gente refletir não se está defendendo aqui que tudo vale ou o que vale tudo ou que a gente não precisa entrar com uma ação de correção ou de auxílio que no trabalho de ensino-aprendizagem de língua materna não haja princípios normatizadores a serem estudados e aprendidos e sim que o ensino de língua materna
seria mais interessante e eficaz se pautado numa reflexão sobre as variedades linguísticas despojadas de preconceitos a fim de que o estudante percebe esse trabalho como estudo de uma língua não artificial para conversar com a gente sobre esses pontos nós vamos inclusive receber uma professora que tem uma experiência Ampla com essa questão da variação regional em sala de aula é isso pessoal nossa aula sobre variação Regional termina por aqui essa parte porque temos ainda a discussão da influência dos povos originários na formação do nosso idioma até já [Música] [Música]