[Música] [Aplausos] bem-vindo bem-vinda ao podcast do promundo promundo pode ressignificando masculinidad e paternidade e hoje temos uma convidada muito carinho por você há 20 anos trabalhando na área da primeira infância né Ivânia que é Doutora em psicologia Clínica e cultura pela Universidade de Brasília e especialista em justiça da infância e juventude pela Universidade de Gênova eu nem vou continuar o currículo acho que ele vai surgir durante a nossa conversa Ivânia porque senão vou ter que ficar aqui meia hora né de todos os seus trabalhos né na frente parlamentar no Marco legal da primeira infância no
pacto pela primeira infância no na rede nacional da primeira infância Então eu acho que o nosso ouvinte vai conseguir entender mais toda a sua trajetória ao longo dessa desse bate-papo nosso e é um orgulho e um Prazer enorme estar aqui com você E Vânia nesse nosso podcast falando sobre masculinidades e paternidades mas que claramente né Tem uma interface fortíssima com as questões da primeira infância Então queria começar Ivânia você dando suas boas-vindas e podendo falar um pouco da sua expectativa também do que que você vem trabalhando e o seu histórico bom bom dia é uma
grande honra est aqui realmente assim eh uma das coisas boas da gente trabalhar nessa Área é conhecer pessoas realmente com a consciência como você né Miguel assim e o trabalho do Prom mundo que eu considero realmente muito estratégico então poder hoje conversar aqui com calma vai ser um um privilégio para mim também e essa parceria eu acho que pode ter assim realmente essa mudança estrutural que nosso país precisa e o mundo mas então realmente eu me sinto muito privilegiada por ter tido essa oportunidade né de ser psicóloga Inclusive eu fiz até um ano de direito
antes de fazer psicologia e não me arrependo de ter optado pela psicologia porque o ser humano para mim é realmente o que existe de mais importante no mundo e hoje né trabalhar nessa interface de desenvolvimento humano e políticas públicas eh me dá realmente essa consistência de algo que eu acredito poder ser realizado Então realmente assim Minha experiência Inicial foi como psicóloga judiciária né Eu comecei trabalhar com adoção em 1999 no tribunal de justiça tive uma grande sorte de ter uma equipe com uma gestora muito realmente assim motivadora e a gente conseguiu criar o pré-natal da
adoção que foi um dos primeiros Incrível essa essa iniciativa né eu tava lendo sobre ela e até hoje tem uma repercussão enorme né sim porque ele já foi esse embrião do que hoje né tá acontecendo a partir do pacto Nacional pela primeira infância de humanizar o judiciário de Trazer realmente essa visão do papel da Justiça junto com os outros atores como promotora de eh condições de exercício dos direitos né de ação de paternidade maternidade não só com aplicação da Lei fria então adoção antes era era quase buscar um documento na Vara da Infância e virou
uma preparação psicológica né um apoio paraa formação desse vínculo tão estruturante de ser pai e mãe então eu até depois dessa experiência tentei fazer meu doutorado para sistematizar né Como foi esse processo mas na época não foi possível porque o programa foi suspenso bem naquele momento um pouco mas foi essa experiência de perceber como a a a realidade social é construída né a partir de quatro encontros em grupo né a gente conseguia ver a mudança da relação das pessoas que queriam adotar com o processo de adoção e com a própria criança quando ou adolescente que
é mais raro quando eles chegavam então existe essa possibilidade de tecnologias Sociais que criam né novas formas de vivenciar os relacionamentos Qual qual é a ideia por trás do pré-natal da da o o pré-natal da adoção ele era até assim a gente traduziu Tecnicamente tá até num artigo transformando o tempo de espera em tempo de preparação antes do pré-natal da adoção no judiciário as pessoas se inscreviam para adotar né Isso já é toda uma explicação que leva um tempo pra gente conversar né Por que quando a gente vai adotar precisa ir no Judiciário né porque
a criança é um sujeito de direito então Alguém precisa garantir que ela enquanto não consegue se defender principalmente recém-nascida alguém vai estar observando se ela vai para uma família que não vai realmente expô-la de novo a outro risco principalmente de abandono Então se prepara se observa se habilita uma família para receber a criança que já não teve como ficar na família de origem e aí só que isso acontecia por meio de Uma entrevista uhum né uma visita domiciliar um processo e uma sentença que aquela pessoa ficava apta a adotar E aí que acontecia Sempre aconteciam
Mais pessoas querendo adotar do que crianças disponíveis Uhum E as pessoas ficavam muito tempo na fila de espera e a gente às vezes como Equipe técnica judiciária passava mais tempo atendendo o telefone para dizer pra pessoa qual era a posição dela na fila do que atendendo então aí gerou né com uma outra colega assistente Social e equipe a gente pensou vamos criar uma metodologia para as pessoas se prepararem Porque além disso mesmo né Nessa versão anterior com as pessoas bem intencionadas E esse processo só jurídico quando chegava a criança a gente percebia que as pessoas
eh se sentiam assustadas que que eu faço agora então interessante a gente Já pensaram então num numa num processo metodológico mesmo do do trabalho sim a gente criou primeiro até uma uma palestra coletiva Né Para todas as pessoas que queriam adotar receberem as informações e compreenderem qual era o significado da adoção o papel do Judiciário né E aí então elas eram convidadas para fazerem parte dos grupos paralelamente a essa questão processual de apresentação de documentos entrevistas visita domiciliar para conhecer o contexto onde a criança seria né colocada em família por adoção Uhum aí esses grupos
também eu realmente eu gosto muito desse eh dessa Contribuição da Psicologia por meio não só da do atendimento individual que às vezes é o mais clássico né de consultório mas dessa metodologia grupal então várias pessoas que tinham é fundamental né ela ela cria é quase um um processo de de conscientização né é de desmistificação daquilo que você pode exercer na área do cuidado isso é muito legal porque Justamente a gente criou os métodos Eram quatro temas né Por grupo Por encontro e o primeiro chamava justamente mitos e preconceitos Ah é que olha eu nem sabia
né sabia até mais e preconceitos so gradação e era muito impactante essa experiência realmente foi a minha escola né para depois todo esse trabalho de de paraa frente parlamentar da primeiraa infância ajudar na construção do Marco legal e do pacto Nacional porque ali foi isso na pele né você vê as pessoas que chegavam por melhor das intenções mas que não tinham Tido acesso à informação tanto informação própria mas reflexão e vivência né reflexiva e emocional do que era ali a questão de se tornar pai e mãe pela adoção então o pré-natal era como se fosse
a preparação da adoção antes mesmo de ter a identificação de uma cri criança a ser adotada ISO e o parto Então seria a adoção em si que é o momento da adoção e depois um um pós né de primeira infância ou segunda infância dependendo né Depois da adoção Exatamente a gente inclusive cham Já pensou nesse processo de gestação psicológica coisa boa né porque aí as pessoas por exemplo já é difícil ser pai e mãe né biologicamente né você não existe esse mito do amor materno e ninguém nasce sabendo ser mãe Enquanto Mais pai né E
aí imagina se é quando é pela adoção que você nem vivenciou esse processo da gestação biológica de uma hora para outra chega uma criança então você tem mais ainda necessidade de eh Ajudar ter elementos para quando isso acontecer a pessoa né tá disponível pra criança e não tá tipo assim aprendendo junto ali na hora que a criança tá precisando de um adulto já mais preparado para esse momento em função de tudo que a criança passou então foi muito assim exemplificativo dessa ân do que vocês também fazem no Prom mundo que aí realmente eu tenho essa
noção da importância dos grupos que vocês Construíram a metodologia P principalmente né que é a que mais tem a ver com a primeira infância onde eu atuo mais e junto com essa Associação com a masculinidade E também o programa m de mulher né É tudo realmente a gente até usava no pré-natal da adoção nessa época Tríade e vocês têm essa Tríade né desse lado no caso da adoção era Tríade a família que que gera uma criança e não pode exercer a maternidade quem quer adotar e a própria criança que é um Sujeito de direito e
o judiciário já com esse papel de fazer essa mediação mas não só o judiciário na parte do direito mas a gente com a equipe da psicologia da Assistência Social da pedagogia compondo também já intersetorialmente essa preparação e um exemplo para fechar essa experiência Uhum que realmente foi minha oportunidade né de vivenciar o que precisa ser feito também como política pública e também como parceria em sociedade civil é que antes de existir Pré-natal da adoção as pessoas ficavam às vezes do anos até chegar à criança e principalmente a maioria na época 80% queria adotar meninas recém-nascidas
brancas aham então o tempo de espera era maior né porque tanto chegavam menos quanto mais pessoas queriam aquela característic e tinha essa possibilidade de dizer o que o qual o perfil que queria é essa é uma questão bem polêmica né porque assim existe essa questão até da questão racial mas o que a gente Percebe na psicologia é que quando também a gente às vezes eh não considera um pouco essa abertura do que a pessoa se disponibiliza para se tornar mãe e pai o risco da criança ser devolvida aumenta aham então justamente isso é muito bacana
eu vou trazer esse exemplo que foi uma realidade promovida pela por essa construção social né nada é dado a gente construiu um novo contexto que gerou uma nova realidade que é essa experiência do pré-natal Porque então antes do pré-natal era essa lógica de se achar que para ser pai e mãe tinha que ser um bebê Uhum Então quando a gente criou essa metodologia as pessoas inclusive aumentaram esse espectro do que significa ser pai e mãe e começaram a perceber que poderiam adotar crianças maiores Inter racialmente e não com deficiência alum uma doença Então ess esse
processo não era só diálogo no sentido de maso era um processo formativo basicamente formativo Era Um percurso porque instrucional né ele era realmente de reflexão e trazer consciência do que é né essa experiência de paternidade maternidade exatamente então aí foi criado não existia então nessa invenção essa metodologia até foi uma ideia minha que eu criei na época da pessoa rememorar reviven quando ela própria foi criança e legal e até depois disso a gente perguntava e se você ninguém conseguia se lembrar muito por exemplo com menos de TRS ou 5 anos e aí A gente perguntava
e se você tivesse perdido seus pais com TR e 5 anos né Então essa oportunidade da pessoa se colocar no lugar da criança que precisa de uma família você não poderia mais ter uma família porque você tinha três e 5 anos porque na época 2000 né que esse programa foi criado era essa realidade crianças de 3 5 anos em diante já tinham dificuldades de serem né desejadas por quem buscava adoção E aí as pessoas saíam desse grupo e mudavam Esse perfil Uhum Então eh essa vivência outras e outras né que tem interesse dando testemunhos e
podendo ser referência nesse processo então Essa realmente é uma experiência que se falamos né teve tivemos eu mesmo nunca tive uma oportunidade de explicar nessa esse preliminar de entrar no pacto no Marco legal da primeira infância que foi essa vivência do pré-natal da adoção de construí-lo desde 2000 Porque então antes de ter essa gestação psicológica Por meio desse grupo né que a época era um nome pré-natal da adoção a pessoa ficava esperando mas aí quando a gente chega chava o grande dia né chegou né a seu filho vem aqui iam conhecer aí as pessoas que
estavam muito ansiosas há dois anos esperando elas chegavam e assim como se olhasse assim Ah chegou que que eu faço agora né porque não tinha tido essa oportunidade E aí depois do pré-natal aí a gente chamava e a pessoa meu filho chegou minha filha Chegou lindo lind então realmente você imagina pra própria crianç emocionado agora queer coisa iante é muito poderoso esse papel dos grupos reflexivos e formativos né esse momento que eu vi meu filho né na barriga da da Cláudia né naquele momento do examente e imagina pra criança você ser recebida com esse realmente
né Eh esse olhar já de filho não deixa eu ver se ser você mesmo quem é você porque não teve esse processo prévio dessa gestação olhar de amor né Naquele moment vir um olhar que pra criança já é uma attim diferenciado Então teve todos os benefícios né E e aí depois então dessa oportunidade 2000 2000 até 2003 a gente inclusive aumentou né antes de existir essa oportunidade dessa metodologia a partir do Judiciário eh o número de bebês entregues recém-nascidos para serem encaminhados para adoção por meio do Judiciário que é a estratégia de política pública de
pro de existe até esse questionamento que Adoção não política pública né mas de proteção da criança com a Instância do Judiciário para ela ser acolhida com segurança jurídica ela deve ser encaminhada né quem quer entregar para adoção para o judiciário e ali se preparou a família para acolhê-lo Então essa mediação do Judiciário que foi até meu objeto de pesquisa no doutorado Uhum E aí eh antes dessa construção do M pré-natal anualmente a Média eram de 35 crianças 30 por ano entregues para adoção por meio do Judiciário quando a gente fez esse nacionalmente no D no
D experência foi do beleza nem nem existiam dados nacionalmente naquela época não existia como até criar essas estatísticas porque o sistema de estatístico foi criado só depois Uhum mas a gente fazia essa análise no na Vara da Infância do Distrito Federal E aí depois então nos três anos seguintes que a gente desenvolveu o pré natal da adoção 2000 2001 2002 aumentou para 70 74 74 a o encaminhamento de recém-nascidos dobrou por meio da do Judiciário quer dizer as próprias pessoas começaram a confiar no sistema a maternidade os próprios adotantes sabendo quem eram os outros que
estavam na fila começaram eh eles próprios quando alguém por fora né Queria que eles adotassem eles encaminhavam pro Judiciário Então foi até uma solidariedade grupal por essa construção de vínculos entre os próprios Interessados em adotar não e e eu vejo que a sociedade civil entrou forte também porque eu tava até analisando os dados são mais de 300 grupos de apoio adoção da sociedade civil hoje no Brasil né então isso transbordou do Judiciário para uma preparação também da própria sociedade civil em usar metodologias como essa né isso aconteceu aqui exatamente no DF porque na época minha
chefe no seção de a Mariusa Barbosa Ela assistiu uma no evento em São Paulo essa Esse início da criação de grupos de apoio adoção pela sociedade civil trouxe essa ideia pro DF e o grupo atual né que na época er o grupo de apoi adoção conchego que até mudou o nome agora para grupo de apoio à convivência fam mulher Comunitária conchego se criou por sugestão da chefe de adoção da bara da infância a Marila que inclusive hoje também participa do grupo de apoio depois de se aposentar Então essa parceria sempre foi assim realmente né Eh
iní noss eu não sabia a gente conhece né a gente se conhece há tanto tempo mas que bom que a gente tá aqui no podcast podendo falar sobre isso porque é um resgate mesmo de uma experiência incrível e naquele momento Ivânia o qual era a participação do homem assim o que que você observou ou ou não prestava muita atenção ainda nisso o que que você como é que você relembra um pouco né E essa participação do homem ou era mais da mulher também naquele processo e eu Tava até refletindo sobre isso quando eu tava vindo
para cá né sobre essa lógica da adoção e paternidade que na verdade na minha experiência empírica não tô lembrando de ter visto isso já escrito eh é mais fácil pro homem adotar do que pra mulher Olha que legal porque geralmente ali eh eu não tô com os dados dessa relação de quem adotava era mais casal mais solteiro mas a maioria de solteiros eram mulheres que adotavam a maioria eram casais e e existiam também Já né demandas de adoções homossexuais que aí eram mais homens e a gente trabalhava também essa preparação né paraa proteção da criança
contra o preconceito social que as pessoas sofria e a criança eh e também precisava já ter essa proteção extra e já não existia nada dessa discriminação desde aquele tempo graças a Deus ali era muito baseado em estudo né o trabalho do da Vara da enfans do DF então Eh era uma questão que eu percebi assim se por um Lado em função por exemplo é interessante né que quando no pré-natal eh da adoção o homem participava junto com a mulher antes de existir isso no pré-natal biológico antes de existir né É incrível inclusive assim eu tenho
uma colega Será que não foi usado até como base para se pensar isso no futuro é o pré-natal psicológico do Distrito Federal foi porque a Alessandra ris construiu o pré-natal psicológico no Agami nós trabalhamos juntas na Universidade Católica dando aula ela soube do pré-natal da adoção e ela conta que foi a inspiração para ela criar o pré-natal psicológico no na maternidade e envolver os pais e tem inclusive pesquisas dela que é uma brilhante cientista também de mostrar que esse trabalho do pral psicológico né Independente de ser adoção que era no hospital biológico mesmo reduz a
depressão materna e ela fez o doutorado dela justamente muito inovador Dissociando essa relação da depressão materna com fator hormonal já associando com o fator de gênero então muitas vezes a depressão materna né que as pessoas acham que é só eh pela questão hormonal era associada a essa relacionada a falta de apoio que a mulher sentia do próprio parceiro do marido já era uma questão G ho se comprova cada vez mais isso ela fazer se transformou na metodologia do pré-natal psicológico e aí o pré-natal do parceiro realmente veio né 2006 Eh acho que foram vários momentos
né convergentes e e não dá para apontar uma linearidade mas que mostraram que realmente quando tem essa participação conjunta todos se beneficiam é mais um exemplo Ivani eu acho que na na sua carreira né Sempre lendo sobre o seu histórico é o compromisso de levar eh inovações que Que tenam participação da sociedade civil mas que fortaleça a política pública né com ferramentas que possam Ser implementadas para inclusão né então eu acho que você sempre teve esse pensamento né nunca foi uma questão assim de fazer um projetinho piloto numa comunidade específica e ficar ali e dizer
Nossa que experiência linda Era sempre foi o seu intuito Trazer isso né Eh dentro de uma de um arcabouço muito maior e que foi sua transição paraa primeira infância você não ficou satisfeita só com a questão da adoção né quis ir pra frente é então que Oportunidade de poder contar essa história né porque a gente nunca tem muito tempo de conversar mas aí o percurso foi realmente eu me sinto muito feliz pel por essa história ter sido possível porque eh eu me impactava muito na adoção com a falta de consideração da criança como sujeito de
direitos Uhum Então realmente assim a minha motivação maior eu acho que é uma empatia pela criança né como é ser criança no Brasil e na adoção até hoje infelizmente apesar De tantos trabalhos existe um modelo muitas vezes adult cêntrico né onde o interesse de quem quer adotar parece que é prioritário e não existe o direito a adotar do adulto não existe o direito à adoção E aí eu posso contar como isso foi a consequência depois de ter trabalhado Noal da adoção existe o direito à convivência familiar e Comunitária que caso não seja possível na família
de origem ou extensa em última hipótese é pela adoção e é um Direito da criança e aí vem o nosso maravilhoso artigo 227 S que tem a ver com isso que você falou né esse artigo é muito feliz né Muito inspirado também internacionalmente na convenção do dos Direitos da Criança é Global acho que é interessante a gente contextualizar que o Brasil tem esse diálogo com o mundo né Foi todo esse movimento que o Brasil traduziu bem no artigo 227 da prioridade absoluta que já fala família estado e sociedade então já é intrínseco não tem Como
a gente cuidar e outra coisa que me influenciou né o meu mestrado foi sobre semiótica pana que parece que não tem nada a ver mas ele já me mostrou filosoficamente a importância dessa Tríade né esse esse eh filósofo da linguagem ele dizer que nada nenhum significado é possível sem o mínimo de três elementos em interação então eu sempre me guiei por esse três e esse três tem família sociedade estado se um falta realmente as coisas não Conseguem estar nessa nesse direito integral eh mãe pai e criança pode ser função parental né não necessariamente relacionado mas
eh na adoção também a criança a família que que adotar e a família que gerou então sempre quando a gente traz esse mínimo de três elementos e alguém que precisa fazer esses três elementos se conversarem eu acho que para mim isso é o que orienta o meu papel como psicóloga tanto no nível individual familiar Grupal político institucional E aí veio inclusive então nessa trajetória a época em 2003 criaram um projeto de lei 1756 2003 com esse nome de ser a lei de adoção e quando a gente Lia esse projeto de lei ele contradizia no fundo
no artigo dos 23 porque ele eh tirava toda essa lógica da necessidade de habilitação prévia de quem quisesse ah tirava tirava ele ele ele ele dizia que era pro interesse da criança mas no fundo a motivação dele foi muito de Adultos que achavam demorado o processo de adoção mas como não ser demorado né porque de novo sobre a lógica do direito do adulto exatamente né É E quando você fala o direito à adoção você no fundo também corre o risco de eh vitimizar mais ainda as famílias em situação de pobreza que muitas vezes se acha
que elas não ficam com o filho porque não querem mas é porque elas não conseguem cuidar nem delas mesmas né é um ciclo do abandono onde a última Violação dessas famílias é não conseguirem nem ter o direito a serem pais e mães do próprio filho e existe uma existia mais ainda agora se melhorou né Eh uma demonização dessas famílias e da própria mãe que entregava como uma mãe ruim e aí depois teve um grande livro mãe abandonada né um ciclo de abandono então a necessidade de fortalecer as políticas públicas de apoio à famílias e não
simplesmente achar que a solução era Tirar as crianças e colocar em famílias ricas que se necessáriamente seriam melhores e psicologicamente a gente percebe o impacto para quem é adotado de simplesmente parecer que nada aconteceu e agora por melhor que você seja quem me adotou existe uma parte da minha história que tem a ver com essa outra família Então essa integração eh nesse projeto de lei tinha um artigo que autorizava por exemplo uma mulher autorizar tá eh autorizar tipo assim Você vai na maternidade de uma cidade do interior pega uma autorização e fica com o filho
da da pessoa sem ninguém ouvi-la sem entender a motivação sem ver se outro familiar da da gestante também poderia manter a criança na família de origem Então ele era muito contraditório E aí naquele projeto de lei que eu estava no meio do doutorado sobre adoção eh eu comecei a ter essa experiência de ir ao Parlamento e ver como era o processo de construção de leis até então Você ficava mais na parte né do Tribunal de Justiça de Brasília fazendo esse trabalho mas não tinha ainda essa Ponte no legislativo então eu eu entrei no tribunal de
justiça de 99 Trabalhei na dação até 2005 esse projeto de lei foi em 2003 e aí como eu estava no meio do doutorado eu ia muito também como estudante como pesquisadora doutoranda e comecei a analisar e tentar ajudar né fui no primeiro audiência que por sorte não pode ser aprovado naquele dia porque Seria aprovado assim desmontar primea audiência do eh do projeto proo de lei da adoção é que já aprovaria na primeira fase na Câmara e ali por uma um procedimento eles não puderam naquele dia eu comecei a conversar com cada um o A autora
o autor da lei a relatora a presidente da Comissão E aí eu percebi isso que a decisão da aprovação do projeto era diretamente relacionada com o nível de informações que eles tinham E aí eles não tinham essa informação que A gente tinha a partir da do trabalho do Judiciário e conforme as informações então eles reviram eles próprios não não dá para aprovar agora e reabriu e ele só foi aprovado finalmente virou lei em 2009 então virou um processo de 6 anos onde aquele projeto de lei original teve dois substitutivos e deixou de ser a lei
de adoção para ser a lei do direito a convivência mulh Comunitária e Que bom então né atrasou mas por uma boa causa não é na verdade é o tempo necessário Para construir tudo que faltava ali e ali nesse projeto então foi a oportunidade inclusive de institucionalizar como obrigatória a preparação para adoção que foi viável também a partir dessas experiências que a gente teve com o pré-natal da adoção e a gente aprendeu muito com o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul também a Silvia nabinger foi uma grande especialista que ajudou sempre né A Equipe
técnica do DF que criou essas Inovações também então aí disso tudo Ficou claro e aí foi depois né que eu em 2013 fui cedida do tribunal de justiça para trabalhar com a frente parlamentar da primeira infância mas nesse percurso no judiciário eu acho importante falar porque às vezes a primeira infância ela era muito vinculada ao executivo sociedade civil legislativo e o judiciário era muito distante Uhum E aí só que a gente das equipes técnicas tem essa clareza que não é distante então eu Após ter ficado 5 anos na adoção na Vara da Infância eu tive
também uma grande oportunidade na vida que faz sentido muito para mim tá aqui que aí eu fui a primeira psicóloga do Brasil praticamente a trabalhar com a criação da Lei Maria da Penha então A lei foi criada né em setembro de 2006 agosto aliás acho vamos diz de agosto de 2006 né A Lei 11343 e se criou então a vara de violência doméstica familiar contra a Mulher do DJ dft e eu fui trabalhar nela Então a gente criou metodologias que não existiam essa experiência me marcou muito por várias questões uma realmente ter essa e clareza
do significado da violência de gênero agora metodologias direcionadas ao atendimento de Mulheres vítimas viol também tive essa oportunidade de criar essas metodologias ali junto com a equipe sempre é um trabalho coletivo foi na mesma época que surgiu as delegacias Das da mulher mais ou menos na mesma na mesma época né na verdade é interessantíssimo judiciário houve uma competição para ver quem era o primeiro tribunal que criava a vara de violência quando a Lei Maria da pinha foi criada então TJ Mato Grosso do Sul e TJ dft TJ Mato Grosso do Sul foi antes porque criou
de madrugada uhum ah foi assim e o TJ criou mas aí eu que boa competição hein Muito interessante mas o qual foi a experiência interessante nessa lógica do Que a gente tá falando né de de tecnologias de humanização porque assim que eu vejo né paternidade masculin Acho que tudo que a gente trabalha na Ivania é dentro de uma de uma orientação de humanizar o serviço é exatamente isso é que falta né porque a gente tem a plataforma de direitos mas falta a humanização do serviço por isso esses temas são tão importantes mas mas aí a
gente não tinha tanto essa plataforma de direitos então isso eu me Sinto muito feliz por ter tido a oportunidade isso tinha uma constituição de direitos mas não tinha realmente ali o a coisa esmil Sada tivemos e assim e para mim o que que mais me marcou da experiência com a Lei Maria da Penha é o poder da Lei assim como psicóloga e eu acho muito interessante a gente eh eh olhar a lei como algo que não é só do direito e do do operador do direito né mas é do psicólogo é do assistente social é
do Cidadão cada um realmente a lei é de todos e aí o olhar pelo menos na minha vivência de um psicólogo sobre a Lei me deu mais clareza naquela época que eu fiz o mestrado sobre o papel da linguagem Então como a linguagem construir a realidade como a lei essa linguagem porque no artigo da Lei Maria da Penha que definia os cinco tipos de violência eu vivi isso na pele o homem chegava e falava assim mas eu não eu não sou violento Eu não bati Uhum Então não Existia que nos nossos grupos até hoje grupos
de homens e pais que a gente faz em várias comunidades em vários serviços eles vêm com essa impressão tanto é que nós temos um dia para explicar o que que é as os tipos de violência que existem né E muitos não sabiam exatamente então eu vivi isso em 2006 e tive uma juíza maravilhosa que que era Dra Marília Vasconcelos e um promotor de justiça incrível Então já foi uma Tríade ali que É uma equipe interprofissional foi a melhor experiência Inter ional dentro do Judiciário todos os casos primeiro passavam pel pela psicologia depois pra audiência e
com promotor conção de fatores não era só exatamente e eu tinha voltado na época do meu doutorado na na na Itália onde Lá também tem um modelo muito interessante dessa integração judiciário e Psicologia e foi possível colocar em prática e aí imagina o homem chega e fala primeiro eles reclamavam Por que que só tem a lei de violencia contra a mulher tinha que ter a lei de violencia contra o homem Então você já percebe né no gênero mas se não existisse uma Instância onde eles pudessem refletir sobre o significado do processo essa própria eh aplicação
da Lei não teria o efeito então Eh eles precisavam dessa oportunidade de entender Por que que violência psicológica é violência O que significa violência psicológica não é algo que as Pessoas tinham tido acesso para poder até ter um comportamento diferente então eu eu fiquei muito impressionada com esse poder da lei de tornar visível coisa que as pessoas não entendiam e aí por consequência agiam de uma forma eh né sem conhecimento de causa e não se responsabilizavam e com desdobramentos que você pode a partir daí oferecer metodologias em função da Lei exatamente dizer assim não o
o governo ele tem que implementar isso em função da lei né Você tem que fazer o que tá dito na lei ISO e até hoje eu acho que não se fez o suficiente em relação a Lei Maria da Penha que eu acho que aí o promundo eu sou muito impressionada com realmente essa eh também eh criação de oportunidades que vocês trouxeram por meio das metodologias que vocês construíram eu vejo muito tudo está em construção né eh e aí que na mesma época a gente tava por exemplo criando a metodologia do Programa H antes mesmo do
Programa P era o Programa H né que era a questão realmente de trabalhar as masculinidades a violência baseada em gênero né a gente eh então naquela época a gente não conheceu metodologia H porque mas a gente criou grupo só de autores de violência uhum isso também era uma coisa que muitas pessoas se assustavam colocar na mesma sala os autores homens de violência contra mulher e conversar com eles então você também percebe são pessoas não são Simplesmente criminosos como né se rotula assim pelo processo então eu vejo essa usina de produção de subjetividade a partir dessas
instituições né Que Tem que aplicar a lei Mas com esse olhar do que tá por trás dessas penas desses crimes que são seres humanos e que agem Com base no acesso ou não a formação humana que eles tiveram então aí depois dessa experiência eu fui convidada para trabalhar com o setor de usuários de drogas do TJ dft em 2009 porque eu tinha Feito uma formação em redes sociais então tive outra Grande Mestre além da cab que foi a Lia San Nicola né uma assistente social italiana que criou muito uma abordagem de redes sociais que fez
muito sentido para mim e aí a gente foi descentralizar o atendimento a usuários de drogas do TJDFT porque quando ele era Centralizado só ali no fórum até aqui perto eh que funcionava o nups na época núcleo psicossocial era difícil o acesso né pessoas virem de Braslândia Planaltina E aí foi criado e esse foi o meu convite para eu ajudar na metodologia de itinerância as equipes irem até as várias ras atenderem nos juizados especiais criminais isso dobrou o número de atendidos itinerário em que sentido era uma itinerância eraa uma van era uma um trailer que se
levava era um transporte do trib não conforme o número de pessoas Mas em vez do do eh jurisdicionado vir ser atendido onde estava o serviço aqui no centro da Cidade a gente e a equipe atendê-lo aonde ele mora Planaltina Braslândia Ceilândia taguatin Guará del isso então a gente ia até Uhum Então essa ideia de buscativa também foi muito vivenciada como algo que fazia sentido né você ir a ampliação do acesso à justiça por esse movimento de ir até onde realmente a pessoa tá em raiz e a comunidade dela inclusive não é só atender a pessoa
a gente fazia trabalhos em rede a gente fazia reuniões de rede conversando com As instituições daquele Território que precisavam estar Integradas para atender aquela situação de usuários de drogas hoje vários programas assim a visita domiciliar né da primeira infância né o o profissional de saúde da família do agente comunitá de saúde Então tudo aquilo né tentando chegar ao máximo próximo da família e o que que tem a ver com primeira infância ISO tudo né então assim realmente para mim é o fio da meada com dutora assim eh que eu acho Que além de primeira infância
é o desenvolvimento humano porque quando a gente entende a primeira infância no contexto do desenvolvimento humano fica mais fácil também da gente perceber que ela não é uma questão de faix etário ela é uma questão da pessoa né e os momentos estratégicos de desenvolvimento que a gente não pode negligenciar e que o investimento na primeira infância significa parar de negligenciar esse começo da vida mas então nessa Experiência com a atenção a usuários de drogas pelo Judiciário eu tive duas eh grandes realmente lições muito importantes que depois repercutiram pra atuação atual uma é além dessa questão
da gente eh fazer essa buscativa né e promover a medida eh educativa porque não era penalizado usá de drogas ele tinha uma medida de reflexão sobre os riscos até né porque o que significa usar drogas então conforme a interpretação Você tem uma abordagem ou Não né E aí a gente tinha essa oportunização de grupos reflexivos sobre os riscos que eles também poderiam estar sofrendo em função dessa dependência não é só uma questão é errado é certo não é o que isso realmente tem de consequências para sua saúde paraa sua eh profissão paraa sua socialização então
ess seus relacionamentos né relacionamentos exatamente e por trás do uso de drogas né nessa abordagem que eu vivi assim tem a mesma lógica da Primeira infância a questão do vínculo né muitas abordagens falam dessa vulnerabilidade pra dependência química pela patologia do vínculo e onde que se começa esse vínculo é a mesma lógica da primeira infância eu acho Ivani que a gente vive Exatamente isso no contexto das masculinidades e paternidad paternidade é uma janela de oportunidade Uhum mas a sensação que eu tenho porque aconteceu comigo eu falo em causa própria né que é uma questão de
redução De danos o que essa formação nos trouxe e que realmente o Tudo começa no pré-natal né O que a gente táa até conversando né o outro moment que a única forma de criar uma trajetória diferente desde o início é no pré-natal o resto a gente fica realmente trabalhando as reflexões etc trazer do subconsciente porque o que eu eu acredito que aconteça é que a gente acaba sendo bombardeado no nosso subconsciente né de que aquilo é o Normal Aquilo é o padrão e a gente não e tira da gente a consciência do que é a
verdade né Por exemplo eu falo sempre na igualdade de gênero salvou minha vida mas eu tive que ter essa Consciência em função disso de grupos reflexivos de um trabalho muito individual da paternidade que me abriu muito esse caminho né Eu nunca me senti numa situação eh de vulnerabilidade socioeconômica Lógico que não né mas nessa situação da Formação machista aí eu ficava lembrando gente quando eu era adolescente né fazia bullying falava sobre essas mesmas coisas forçar Ava um padrão que tava no meu subconsciente eu tinha que atingir o seu subconsciente mas nunca com um amigo a
gente conversava isso no nível consciente exatamente dizer assim por que que que que a gente faz isso né e e o mal que isso nos causa Então se isso não acontece E aí vai né porque eu tô cada vez mais convencido Ivan não sei se Você concorda com isso eu tô analisando alguns estudos que nós nascemos predisposto e nós nascemos predispostos ao cuidado Uhum mas nos tiram isso uhum Principalmente quando a gente fala de masculinidade porque quando a gente vai brincar a gente não pode brincar de cuidado ou de né autoc cuidado a gente tem
que brincar é de violência a gente tem que brincar de jogo de Homem de menino não pode dançar não pode ter uma né um um um uma reflexão corporal mental Sobre é o que é ser humano né antes de ser homem então a gente perde a consciência do que é ser humano e aí eu acho que toda essa nossa trajetória a sua eu fico assim boqui aberto né porque quando você fala do pré-natal da adoção eu acho que é exatamente isso né como é que a gente consegue desde o início fazer porque depois o resto
é redução de dano Então você chegou no ponto aí é justamente a minha trajetória de tipo assim chega vou Realmente agora fazer o que muda isso essa noção que eu comecei você tava vendo aqui aqui aqui já tinha o pré-natal ali da adoção e você falou tem alguma coisa aqui Sens não e a sensação traduzindo era de enxugar gelo é Então realmente no TJ eu fiquei de 99 a 2013 E aí a conclusão é assim gente a gente tá chega num nível que a única né alternativa é redução de danos eu ficava Nossa essa pessoa
merecia ter sido atendida antes de chegar nesse ponto Uhum Então a gente também como profissional sente muito muito assim frustrado porque eh você percebe que essa pessoa merecia direito de verdade não só uma redução de danos né E por que que essa política pública e essa família e Essa sociedade não chegou antes né e a gente fazia tal da inclusão perversa só começa a ser visto como sujeito de direitos depois desse sofrimento dessa violação dessa judicialização Então nesse momento aí eu né tive esse contato Especial com a construção do Marco legal da primeira infância e
foi um seminário que mudou minha vida né é o primeiro internacional em 2003 e a partir de Então eu fui nesse processo de ser cedida para me dedicar exclusivamente a isso O seminário internacional era sobre o Marco legal não foi na Câmara dos Deputados em 2013 primeira iniciativa 16 17 188 de 2013 na câmara com 15 países realmente eu tive a oportunidade de conhecer a Alessandra Schneider também indicada pela Silvia ner que me né divulgou um dia anterior por sorte eu tava de licença de capacitação e fui passei TRS dias e aí tudo que eu
acreditava fez sentido que é essa lógica de desde que eu escolhi psicologia em vez de direito dessa lógica de cuidar do ser humano realmente e foi tão assim incrível para mim aquele evento além de conceitual e e científico e político ele tinha a última apresentação feita pela prefeita da Cidade onde meu pai nasceu que foi o primeiro primeira infância melhor pim Rural do mundo que tá até na BBC de Londres em inglês e ela era vizinha do meu pai e a mãe dela comadre da minha avó e aí ela mostra o vídeo da pessoa e
eu nem sabia disso e ela fala esse monte onde a pessoa a visitadora domiciliar tá indo fazer visita era da sua avó aí eu falei gente faz se conecta sempre essa coisa muito pessoal né é um trabalho interessante a Gente se conecta a as questões de direitos humanos e do ser humano mas a gente se conecta também como indivíduo né porque a gente faz esse essa retrospectiva né da nossa vida da vida da nossa família isso que é interessante nesse trabalho é porque o nosso trabalho né que nó nós trabalhamos com tecnologia humana ser humano
nem sei se a palavra tecnologia porque parece que para ter valor a gente tem que encaixar o humano nessa lógica né do mercado e das Máquinas Eu acho que o humano precisa estar acima e é complexo mas essa essa visão eh refletida não são metodologias improvisadas né nesse sentido de Tecnologia de ter fundamentos princípios avaliações e que possam ser replicadas né is que tem uma transformação maior também mas isso então eu acho que quando a gente trabalha na área do do humano nós somos os instrumentos de trabalho então é a nossa subjetividade que é um
Instrumento de trabalho e aí é a nossa história as nossas vivências né as nossas dores e as nossas eh oportunidades então por exemplo eu tive uma grande oportunidade na vida que eu acho que eu tive que é que faz realmente assim essa essa motivação para também querer que outros tenham essa oportunidade eu tive um pai muito bom uhum uhum assim o meu pai inclusive pai cuidador não e que além de cuidador ele me valorizava Sabe aquele pai que olha Você nos olhos e te dá valor eu acho que é isso que eu gostaria que fortalecer
a multiplicação do promundo da paternidade das Crianças terem pais preparados para entender o valor do seus filhos e filhas eu acho que essa é a melhor coisa a melhor necessidade que uma criança precisa e como a gente já falou né A mãe já tem às vezes mais essa oportunidade Cultural de estar disponível para essa vinculação Com certeza não você vê essa situação né vamos supor que um pai ou Uma mãee chegue para uma criança de 3 anos e digga o seguinte só essa frase Menino não chora é qual é a repercussão disso na vida inteira
desse ser humano uhum né Eh vai diretamente pro nosso subconsciente essa informação né é alguém que a gente respeita que que a gente ama loucamente né E que aquilo vai realmente percorrer todo a nossa trajetória de vida né então Eh por isso isso que eu acho né que qual o melhor momento de trabalhar Masculinidades trabalhar igualdade de gênero trabalhar paternidades é no pré-natal isso então aí a gente pensa Por que que isso não acontece ainda né então assim eh já tem há anos né a gente est 20 anos 10 anos mais específico o Marco legal
e as coisas estão lentas e aí a gente poderia já ter pra Natal psicológico e para Natal do parceiro em todos os cza se você vai numa numa clínica médica com a sua mulher grávida Como foi o meu caso com o primeiro filho E você entra na na sala do obstetra e só tem uma cadeira e é pra mulher isso é muito forte né como imagem né você não faz parte dessa relação você tem que ficar em pé né e eu vou falar só com essa mulher né então como eu posso me sentir gestante se
eu não tenho um espaço de sentar e conversar com esse médico né então isso realmente é um dado muito simbólico que eu acho que paralelamente a ele é outra coisa que é chocante eu Acho sinceramente um crime é também o tempo de licença paternidade de CCO dias né se a gente enquanto país diz para um homem eh nasceu seu filho você tem cinco dias e às vezes eh né se a sexta já perdeu o sábado e domingo e a mulher tem 4 meses você já tá dizendo para ele você não tem que cuidar Uhum Então
assim eh e e qual o desafio da gente mudar esse cenário então o Marco legal da primeira infância então a gente saiu acho que assim a contribuição mais forte que aí Assim explícitamente que eu acho que realmente eu consegui dar foi nesse momento que ele previa o aumento de 30 dias de licença paternidade e teve uma resistência e eu o Marco Legal foi um milagre né porque foi um um ano né de copa do mundo e mudança de legislatura e a gente conseguiu aprovar por unanimidade e o texto ser ou construído com a escuta Ampla
da sociedade civil dos parlamentares 23 parlamentares terem tido a oportunidade de participar da Formação do curso em harva da comissão especial imagina se ter 50% de parlamentares que tiveram oportunidade de passar uma semana refletindo sobre o tema seminário internacional seminários regionais duas audiências públicas então e tudo em um ano Mas a dois pontos mais sensíveis foram três né a licença paternidade que aí tiveram resistências e muitas vezes das mulheres no sentido de Nossa o meu marido teria me atrapalhado atrapalhado então o que que Significa isso eh a inviabilidade de aumentar licensa maternidade essa foi vetada
e a dificuldade de eh publicidade contra criança que também não er interesse das empresas além de sala de amamentação mas aí nessa hora para salvar licença paternidade a ideia foi justamente para romper essas resistências de que o homem poderia dar mais trabalho paraa mulher em vez de apoiar Foi criar condicionalidade né que para tirar aquela licença estendida e Não ficou não conseguimos 30 dias ficou 15 mas já era né uma janela de abertura e para empresas que aderissem né a sim só para empresas né que fizessem parte do programa empresa cidadã e foi então que
ele fizesse uma preparação prévia para ter direito a esses 15 dias de licença estendida e foi tão realmente improvisado que não se esperava essa resistência que quase vetou aquele artigo que não existia uma preparação para como ele então vai realizar essa Preparação e no dia seguinte da aprovação da Lei aí as pessoas dizem aonde que ele vai fazer essa preparação então foi essa interface muito estratégica do pré-natal do parceiro do Ministério da Saúde que inclusive Então tinha essa capacitação pros profissionais fez uma nota técnica adaptou e os homens puderam fazer né por meio do Ministério
da Saúde essa formação prévia para ter o direito dos 15 dias a mais e esse é um ótimo exemplo De interface né o próprio pré-natal do passeiro e o programa p porque o pré-natal do parceiro ele foi criado e aí foi quando eu conheci a Angelita né uma pessoa também incrível que tá aqui no promundo hoje eh dentro do departamento de saúde do homem não era da criança nem da mulher aliás essas caixinhas são difíceis né a saúde da mulher de um lado da criança do outro do homem do outro a gente como conecta é
família essa relação Interdependente E aí o objetivo principal era promover que o homem fizesse eh atenção primária que ele pudesse eh né conseguir fazer os exames preventivos uma isca então el leva a mulher para fazer pré-natal vamos chamar para passar os exames para ele porque o gasto com saúde pública do homem na facee terciária é absurdo no Brasil o sofrimento o resultado menor é uma prova de como o problema realmente não é só a Mortalidade A morbidade exatamente e doenças evitáveis então se eu acho que um sintoma da falta de Cultura de cuidado né a
gente não evita doenças evitáveis porque não se dá o direito de se cuidar e o homem nesse sentido ele é vítima desse sistema onde ele não se cuida e aí então o pré-natal do parceiro foi uma estratégia de aproveitar essa ida do homem ao ao equipamento de saúde o posto de saúde porque ele nem vai né até Isso parece a coisa de mulher se Cuidar e E aí ah P só vai quando a situação tá nas últimas né com custo altíssimo pro sistema de saúde eu tive até um primo ele teve que ser levado ele
tava com covid não queria ir né pegaram e botaram no carro então poderia ter morrido então nem vai por conta própria B mas eu vou pro urologista e muitos vão homens que chegam lá né na recepção são as mulheres praticamente empurrando os homens para entrar lá dentro eles entram duros né Eu até fui num num num desses Eh eh apontamentos da da minha mulher né uma um horário que ela tinha marcado eh com a ginecologista e esperei ali na recepção com as mulheres para saber como é é que não aí é troca de informação todo
mundo conversando todo mundo ali muito interessado em em receber aquele serviço e nós homens não né somos um Então eu acho que é essa lógica que eu aprendi muito com PR mundo eu sou muito grata a tudo que eu aprendi com vocês também nesse percurso né porque vocês eh Mostram essa lógica de ficar mais claro ainda que é um direito do homem ser pai né que é bom para ele vocês traduziram isso numa metodologia que não é um favor não é um fardo não é um trabalho é uma oportunidade como ser humano e para mim
isso toca muito né eu conheço muitos homens que não percebem a oportunidade de ter um filho que realmente né não não não se dedica não aproveita a oportunidade de interagir com o filho eu realmente Até porque eu fiquei tanto Tempo trabalhando com adoção tantas pessoas querendo ter filhos sem conseguir que para mim o valor de um filho de uma filha é algo assim incrível né quando a gente vê pessoas que queriam ter tido filho não conseguiram e até fizeram tratamentos não conseguiram Independente de terem dinheiro e aí você p v pessoas que têm filhos e
não dão importância não tiram Nem cinco dias de licença de paternidade mesmo os poucos dias conheço homens que nem tiraram sabe Que aí prefere sei lá ir para uma praia do que do que tipo levar o filho para uma viagem que que a criança ficaria feliz você tem toda a razão sabe que eu tô passando por um momento muito interessante né porque quando aí eu acredito realmente na igualdade de gênero no cuidado porque tenho dois filhos que saíram de casa um foi paraos Estados Unidos estudar outro foi para para São Paulo estudar e eu estou
sentindo a síndrome do ninho vazio da Mesma forma que seria naquilo que a gente tem como estudo que recai mais sobre a mulher e tal mas é a mesma sensação às vezes eu tô olhando assim para uma coisa Cai as lágrimas e eu não preciso nem chorar As Lágrimas só rolam né e e o o cheiro a convivência o momento aquele né e o cuidado já fazia minha parte né da minha vida de direito né assim de já era um direito meu cuidar né exatamente então quando sai eu entendo acho maravilhoso que bom vai Mesmo
né Eh crie asas e e o bom pai deixa aí a boa mãe deixa aí siga seu né mas a o sentimento é exatamente o mesmo né é quando você tem essa experiência é um sentimento de dor mas ao mesmo tempo é um sentimento humano é um sentimento que tem que ser vivenciado porque quando você vivencia isso você enriquece sua vida né porque nós temos que vivenciar as coisas e o cuidado é a melhor forma da gente vivenciar Nossa humanidade Pois é o relacionamento humano né o ser Humano é um ser de relação e a
relação com alguém gerado ou adotado alguém nessa relação do que significa filho pai mãe filha porque também eu acho que essa lógica é importantíssima né eu tenho refletido isso ultimamente de falar em maternidade paternidade parentalidade que é Superação do que se significa criança né a família e essa relação de parentalidade transforma uma criança em filho e filha eu gostava muito de Usei uma referência no meu doutorado que era Uma tese chamada de de menor a criança de criança a filho não é só uma criança criança É genérico mas filho é quando tem essa relação instituída
que é o que a criança precisa né de ter Realmente esse vínculo estrutural porque nenhum ser nasce tão dependente quanto o ser humano né Os seres animais conseguem sobreviver até sozinhos em muitas situações o bebê não consegue então é nós somos o ser de maior dependência então a figura que exerce a maternidade E a paternidade são fundamentais para sobrevivência E aí você desenvolve o afeto e mesmo pesquisas como macaco por exemplo já mostraram que mesmo entre o leite e o carinho o próprio macaquinho prefere o carinho então o afeto é é uma necessidade humana visceral
E aí precisa dessa figuraa que esteja disponível para ser essa figura materna e paterna como condição de sobrevivência de Formação eu acho que a criança se vê nos olhos da mãe e do pai e por outro Lado é muito importante esse trabalho que eu acho que é o momento agora histórico que tá nessa janela de oportunidade no Brasil de aumentar a licença paternidade que pro pai também por mais que queira ele estar disponível para essa vivência ele precisa da elaboração do órgão empregador Uhum Então precisamos de empresários que se percebam responsáveis por viabilizar a formação
do ser humano nessa hora que alguém um trabalhador empregado uma Empregada tem um filho e uma filha como compatibilizar trabalho e família eu acho que realmente essa descompatibilização e essa questão Cultural de achar que trabalho é superior a família transtornos terríveis transtornos que prejudicam o próprio trabalho economia também do com custo altíssimo Então na verdade assim às vezes eu eu até assim me inconforme ouvi tipo assim intersetorialidade é uma Utopia Intersetorialidade é muito difícil eu acho que Inter realidade é o mais Óbvio uhum o que eu acho difícil é como a gente conseguiu fragmentar tanto
como a gente conseguiu desconectar tanto como a gente não percebe que tudo tem a ver com tudo então por exemplo eh o pacto Nacional pela primeira infância foi até isso né perceber que o judiciário faz parte intrínseca não era uma ilha distante agora os tribunais de contas fazem parte intrínseca e as empresas Fazem parte intrínseca e parece Oh agora começaram mas gente sempre compacta a sociedade civil também entrando a empresa entrando né num pacto pela primeira infância sim a sociedade civil já era muito protagonista né junto com o governo acho que assim desde do codip
né que aí a história do pró-mundo eu sou muito fã de vocês porque eu acho que a história da primeira infância No Brasil se confunde com pró-mundo né Vocês estão ali desde essa origem do codip comitê de Desenvolvimento integral da primeira infância criado pelo Fernando Henrique com a comunidade solidária que já começou est com esse livro de intersetorialidade que aí depois né der planejamento estratégico já definindo questões de rede né soci Já pensou poucas pessoas TM acesso a essa história tão importante eu acho que se a gente não respeita a história raiz a gente perde
tempo a gente acha que tem que Reinventar a roda e a gente em vez de Seguir pra frente fica eh igual seivo refazendo e desconsiderando o trabalho bem feito né de tantos atores eu acho que a gente precisa também ter essa eh essa direito à história uhum porque a gente nem temo deações a gente reinventa Rod uma geração de primeira infância já ficou para trás de no ex eu eu acho que isso é o é o que é mais triste né absurdo mais preocupa são vidas por isso que eu às vezes pareço ansiosa né Porque
Para mim realmente enquanto a gente tá aqui quantas crianças né formaram quantos bilhões de sinapses ou deixaram de formar ou deixaram de se alimentar ou ou sofreram violência então a gente não tem tempo a perder e precisamos nos respeitar todas essas construções históricas e que sem todos participarem se respeitarem a gente não avança agora em relação a esse momento histórico Ivânia eh o Marco legal da primeira infância antes do Marco legal o que Levou à discussão do Marco legal foi a criação da frente parlamentar da primeira infância foi o próprio codip Ah foi o próprio
codip é o codip em 1999 que foi criado né pelo decreto presencial ele mas ele já teve um motivo né ele teve eh muito os movimentos da da década do cérebro que foi chegando no Brasil né com esse descober essas descobertas da neurociência que o Banco Mundial pautou né todos os países para importância Inclusive a partir da Pesquisa do James hackman né que é de 2000 também Uhum E que ele traz a perspectiva que primeira infância é investimento qualquer recurso disponibilizado é um investimento com retorno concreto e que se tornou prêmio nóbel porque ele provou
isso ele até foi prêmio nóbel por outra questão mas ele fez essa pesquisa Mas isso é bom e é ruim né é maravilhoso que chegou nesse nível de conseguir comprovar matematicamente mas é triste que precisa Dizer que tem retorno financeiro pra gente dar valor pro ser humano é verdade assim isso o valor do ser humano deveria ser benefício né é tipo tem que provar que vale a pena pelo dinheiro e não pelo valor da vida né da pessoa e da criança que é um potencial infinito né que é a semente da humanidade Mas então eh
existiu todo esse movimento Internacional e uma pessoa que eu acho que se reconhece pouco no Brasil que participou disso Internacionalmente e teve uma história pessoal no Brasil porque o pai dela foi professor da UnB é a Mary Young também a Mar então a Mary Young ela foi essa pessoa que foi diretora do Banco Mundial que foi professora de primeira infância em Harvard que foi de onde vi essa ideia também de construção do programa de liderança executiva em primeira infância em Harvard que ela era professora lá né conheceu asm terra que que tanto foi coordenador do
codip enquanto Coordenador do comunidade solidária com a Rute Cardoso uhum eh 99 nessa época Como foi Quem criou a frente parlamentar da primeira infância autor promoveu essa participação né Essa própria ideia com a Mary Young do curso em Harvard onde os primeiros participantes eram deputados que viraram prefeitos secretários então criou uma que propriamente até a fundação cicília solto V Gal tomou conhecimento da primeira infância a partir desse movimento né indo conhecer O pin e também teve um protagonismo muito grande depois se dedicando só isso E vocês desde a origem né nesse planejamento estratégico do qual
quando se finalizou codip pelo término do governo se deu continuidade por meio da rede nacional primeira infância que aí também existiu o estudo do ipé em 2010 que ajudou na construção do Plano Nacional da primeira infância então assim foram muitos atores e eu acho que é muito bonita essa integração do Governo e da sociedade civil eu acho que não dá para ter política pública sem essa governança colaborativa sem dúv sem dúvida e aí eu acho que então a gente ainda Precisa melhorar e o pacto Nacional pela primeira infância tentou fortalecer isso com mais eh instituições
que se percebessem parte dessa responsabilidade compartilhada e e o momento agora né quando completaram 5 anos do pacto agora no TST no seminário 29 30 de agosto foi muito bonito né Porque nesses 5 anos de mobilização mais institucional porque a política pública precisa dessa estrutura pública a gente já tem princípios diretrizes mas precisa da estrutura de governança e gestão que demanda máquina e o pacto ajudou muito nessa parte institucional eh e terminou com essa lógica de propor a criação de uma rede entre universidades além da rede entre empresas pela primeira infância e no decorrer dele
já nasceu a rede entre os Tribunais de contas da União a sociedade cidip viil já tem muito forte esse movimento da rede nacional Primeira Infância os tribunais eu falei pouco aqui da minha área né mas um dos resultados estruturantes e imprevistos na história da da primeira infância é a construção da política judiciária Nacional da primeira infância então o pacto ele promoveu diagnósticos que não eram só do Judiciário tanto que ele conclui com recomendações para todos os Poderes paraa sociedade civil Mas aí o judiciário da sua responsabilidade teve a alada de criar política baseada no resultado
dos diagnósticos isso eu acho uma lição muito importante da primeira infância para todo o país todas as políticas públicas como o marco legal foi né É foi uma lei pautada em evidências científicas com escuta né muitos eventos né muitos congressos muito debate e e no âmbito internacional e nacional né dentro desse movimento Internacional pela primeira infância muito bonito né vieram 15 países em 2013 a China por exemplo saiu da câmara e foi lá no Rio Grande do Sul conheceu pim e mudou a política de primeira infância na China a partir do Brasil e a gente
não se dá D valor e não valoriza esses detalhes né É verdade porque na Esfera Econômica Você tem blocos né o bloco da Ásia o bloco Os brixo e tal parece que a primeira infância não a gente consegue chegar a todos os países né só trazer o Tema e como debater isso mas eu acho que a gente tá no momento de ter conseguido conceitual conhe né pesquisas mas não pragmaticamente Hum então pragmaticamente eu acho que uma oportunidade no Brasil agora que talvez não esteja tão divulgada E aí eu acho que é triste porque às vezes
alguns setores não não não reconhecem o valor dos outros né então por exemplo a partir do pacto foi muito importante eh todos os movimentos anteriores foram Divulgados e eu acho que agora também precisam divulgar o que aconteceu a mais que é a política judiciária no significado concreto que que significa eh ela instituiu uma grande inovação no judiciário Inclusive eu voltei para o tribunal de justiça agora depois de mais de 10 anos cedida né que após a conclusão do pacto para trazer isso de volta né para quem também financiou no meu trabalho esse apoio pro nacional
e agora aplicar aqui no d a implementação Da política judiciária porque imagina que ela eh realmente coerentemente com que o Marco legal diz que tem que ter um atendimento integral ela determinou a criação de um comitê intra judiciário e Inter judiciário então mostrando que direitos da criança não é só responsabilidade de Vara da Infância também é de vara de violência contra a mulher Essa mulher tem filhos está gestante vara criminal os pais presos e Mães Têm filhos vara de família mesmo ela não tinha esse olhar específico que como os filhos estão sofrendo diante da Separação
dos pais não se oferece uma metodologia de cuidado nesse momento a guarda compartilhada é mas é só processual e como é esse lidar com a separação como é esse Amparo psicológico eu lembrei no no Canadá Você lembra tava lembrando e aí lá eu vi um programa tão interessante parachutes paraquedas tinha um grupo entre filhos de pais separados Né as próprias crianças que vivenciam isso na adoção aconteceu isso grupos entre adotados e eles não se sentiam mais estranhos né E se apoiavam então tem muitas possibilidades que não são ainda disponibilizadas paraas crianças que vivenciam eh coisas
que chegam no judiciário mas não só essa política que é cuidar do que acontece a partir da judicialização mas ela quer principalmente prevenir a judicialização Então ela muda essa Própria noção do Direito do significado do Judiciário de trabalhar também no apoio ao que a gente convencionou chamar de direitos positivos não só quando a criança sofre uma violação que aí abre um processo mas o direito ao brincar a apoio à parentalidade então por isso que a gente divulgou no plano de ação Nacional da primeira no plano de ação da política judiciária da primeira infância nacional e
também cada tribunal construiu o seu essa metodologia do Programa P que no pacto foi reconhecida por um comitê com várias instituições Unicef eh Ministério sociedade civil porque o pacto foi todo comitês né interinstitucionais e escolheu vocês né a metodologia p como a melhor prática da sociedade civ mundo da sociedade civil porque é eu acho que essa é a maior carência no Brasil é fortalecer realmente o exercício da paternidade e que não é só dizer seja pai ou reconhece seu filho isso faz você ser pai precisa Dar esse apoio desse grupo de Constituição psíquica dessa função
é e o que eu acho que o programa P ele é é importante Exatamente isso porque ele tem a metodologia da redução de dano que e introduzir realmente os homens dentro de uma de uma perspectiva de cuidado mesmo com uma formação totalmente desigual de gênero no Cuidado né mas também a valorização disso iniciar tanto com a mulher e com o homem no pré-natal né então tem esses dois momentos do Programa P que eu acho que traz essa essa perspectiva de transformação né que você pode refletir aqui sobre o que aconteceu na sua trajetória você tem
essa oportunidade agora de ver a paternidade como um direito mas também repercutir isso na aquela criança que vai que vai nascer tanto sendo menino ou menina independe né Isso é muito psicológico né interessante isso é muito psicológico teve um artigo que eu ouvi Mas eu não Anotei a referência Eu queria tanto achar que diz que também a epigenética que foi a a uma das fundamentos da primeira infância que o modo como a mulher foi cuidada fica inscrito geneticamente E aí essa memória Volta quando ela el ela se torna mãe ela tá gestante e o homem
precisa mais ainda porque não tem essa coisa biológica mas que nesse momento realmente que você trouxe bem né de de nascer uma criança para Cuidar dessa criança a gente Reviven a própria a própria primeira infância então e a e sinceramente né algumas coisas eram melhores do que hoje em alguns pontos por exemplo o tempo de ficar em casa eu acho que não menos celular menos televisão tinha mais tempo de convivência isso né a escola tinha um tempo que eu acho que a criança também ficava mais em família não só na escola então assim a convivência
Tinha alguns momentos do brincar em comunidade o brincar na rua entre as crianças né eu Também jogava queimada embaixo do bloco você não vê mas as crianças descalço mesmo né é subir em árvore hoje então existiram perdas desnaturalizantes a própria parto natural né era era mais frequente hoje se acha que é até melhor ser medicalizado e a ciência mostra que a cesariana é um grande já eh direito roubado das mulheres né quando não é necessário por indicação médica que o parto natural é melhor paraa mulher e paraa criança e às vezes Também o interesse do
médico tá se sobrepondo então tivemos perdas né humanas dessa na do que a ciência mostra que é importante o próprio tempo de amamentação a gente tá ouvindo lugares que a creche tá pedindo para criança poder ser amamentada mais porque tão tirando da amamentação para colocar na creche e não se entende né Qual o impacto disso para para lógica da formação humana mas eh por outro lado nós tivemos Eh essa questão da licença paternidade poder aumentar e do homem poder ter mais essa oportunidade de vivenciar o papel de pai porque eu acho que isso realmente antes
era mais difícil mas Ivânia você trouxe aí uma questão do intra intersetorial né do do Judiciário impressionante como esse movimento né que vem a partir do pacto mas também a partir dos consensos trouxeram hoje ainda brechas né mas espero que seja o padrão no futuro por Exemplo na casa na questão dos presídios essa experiência por exemplo da brinquedoteca no presídio ainda é uma brecha né ainda é é um início mas esse tipo de formulação né como ele tem consequências diretas até em presídios né Então essa experiência eu queria até que você falasse um pouco sobre
ela porque eu acho que ela é um exemplo concreto disso que você tá falando são outras brechas que estão sendo criadas também mas essa é impressionante isso Isso na verdade realmente é um exemplo do do que o pacto trouxe de contribuição né ele tirou da invisibilidade as crianças que estavam pagando as penas junto com os pais em situação de encarceramento primeiro que o Marco legal ele trouxe a questão da prisão domiciliar né em caso de prisão preventiva a mulher deveria ficar em prisão domiciliar se tivesse gestante ou com filhos na primeira infância Então se prendia
a mulher e não se percebia que Tava tirando a mãe do filho ou que tava deixando a criança nascer dentro do presídio imagina toda a ciência que mostra esse momento que o atá as Primeiras Experiências impregnam né a subjetividade e a criança nasce num presídio né crianças que até TR anos nunca tinham visto ISO grama então eh não tinha essa visão da criança tá ali naquele contexto e o Marco legal trouxe essa luz e aumentou Então essa esse direito a mãe tá em prisão domiciliar Paraa criança também poder tá sendo preservada e e não perder
a mãe mas não basta né prisão domiciliar tem que ter esse aparato desse apoio com programas como de o pin fez uma experiência que também foi premiada como boa prática de associar a visita domiciliar enquanto a mãe tava em prisão domiciliar Porque sozinha essa mãe né para ela ter chegado um ponto de ser presa Possivelmente já era uma rede frágil Então tem que trazer a rede junto com a prisão domiciliar de Apoio e também mães solos né Aí tem essa questão né como é o gênero nessas mães que são presas que ficam mais abandonadas se
são presas e etc mas aí então em relação a foi feito um diagnóstico e o papel do homem também então aqui teve o juiz né Eh Fernando saxa do TJ Goiás que já tinha criado o programa amparando filhos tentando né fazer essa proteção dos filhos diante da prisão dos pais e no pacto ele ampliou isso pro presídio masculino de Alexânia Que gente era assim apavorante né antes para a criança visitar o pai preso a criança passava por revista íntima Olha que violência meu Deus e tinha que encontrar o pai dentro da cela Imagina isso para
uma criança informação e aí ele né construiu eh o uma brinquedoteca ao lado então agora é o contrário o pai passa por revista né e encontra a criança na brinquedoteca no ambiente da criança para ter essa convivência isso é tão Impactante realmente eh por exemplo você deu uma palestra Lembra no CNJ no dia da mulher e transmitiu para esses homens desse presídio alexand assistirem eles viram a sua palestra sobre o cuidado né o cuidado desde dentro né esse papel da masculinidade para dentro e para fora eles assistiram Olha que oportunidade esse homem enquanto tá no
presídio com tempo ali poder ter a oportunidade de refletir sobre o que significa ele pro Filho dele ele como pai e ao cuidar desse filho isso que eu acho assim psicologicamente muito poderoso principalmente como você falou desde do pré-natal ele tem a chance de cuidar dele próprio que não foi cuidado quando ele era criança é isso que a gente estava falando antes né que geralmente os homens não eram presentes culturalmente e esses homens de hoje não tiveram o pai que a gente quer que ele sejam então com esse apoio externo eles Reviven cam e se
dão essa oportunidade de se cuidarem para conseguirem cuidar desse filho de forma diferente então realmente como você falou benefícia ele próprio ele próprio a maior oportunidade realmente desenvolvimento para qualquer adulto é cuidar de uma criança eu sinceramente como psicóloga essa é uma visão pessoal minha eu acho que ao cuidar de uma criança você se implica você revisa para que que eu existo que mundo Eu ofereço para essa criança o que Que é que realmente importa que que eu quero transmitir de legado para um novo ser que nasce nesse mundo hoje para que que eu a
sustentabilidade que mundo a gente tá deixando pras crianças que nascem hoje é incrível isso porque por exemplo com grupos de paternidade que nós fazemos nós levamos eh bebê bonecas né de bebês e e de troca de fralda etc e rapidamente mas é muito rápido eles perdem a inibição é isso é uma é uma Mística que A gente a gente cria na nossa cabeça umas coisas né pessoal ri mas mas você vê que rapidamente criou uma intimidade com aquilo tipo assim né de de eh e estamos falando de uma boneca né estamos falando de papinha estamos
falando de comida estamos falando de roupinha e e eles têm jeito sim levam muito jeito porque eu acho que nós já nascemos precondicionamento eles tem capacidade de criar histórias pro PR as crianças é porque eles não não Exist existiu uma um estímulo a isso né a sociedade não deu um estímulo e e a própria estrutura né de saúde educação de assistência não não tava ali para isso e de família essa questão cultural né Muito muito de família e aí eu gost a sua fala me fez lembrar de uma frase que eu gosto muito que é
assim que o maior aprendizado da primeira infância é a confiança então a gente nasce no mundo Imagina a gente chega como se fosse um extraterrestre que chegasse na terra um Bebê tava lá na barriga chega nesse mundo o que que é esse mundo essa luz esse cheiro essa dor por fome eh Será que eu vou eh qu não consigo trocar minha própria fralda não consigo trazer minha comida não consigo me cobrir Então se vem alguém que responde a isso ele esse mundo é bom esse mundo é amigável né Tem muito nesse filme no começo da
vida então esse adulo Aconchego né Tem um calor do Aconchego é olha que coisa mais Profunda isso eu você me remeteu assim quando eu tive eu tive tenho dois filhos né Graças a Deus assim é uma experiência que realmente eh transformadora e eu lembro quando minha filha nasceu ela no meu colo e eu me veio essa sensação ninguém confia tanto em mim como essa criança porque a criança no seu colo Ela depende totalmente de você ela ela deposita toda confiança em você pai e mãe então assim você se assim eu até eu ia falar isso
Antes e lembrei que na minha experiência de usuários de drogas que é a segunda questão que eu aprendi muito naquela experiência foi que em casos muito grave de dependência química muito difícil porque é uma coisa motivacional a pessoa tem que escolher né Se deixar ir para um tratamento você não pode impor que a pessoa né se trate mesmo na dependência química que ameaça a própria vida dela e eu percebi que uma das coisas mais motivacionais para uma pessoa ter Vontade de se tratar numa dependência química muito grande era um filho e aí eu tentava sempre
entender porque um filho e aí me me V essas essas imagens assim porque ele tem a oportunidade de cuidar de alguém e esse alguém e indiretamente passa para ele você é importante então essa pessoa Às vezes não se sente importante para ninguém esse usuário de droga limite e um filho o filho significa isso não existe ninguém mais Importante do que para um filho do que a mãe e o pai então ele passa eu preciso de você você é importante para mim isso vira uma motivação para pessoa querer não morrer querer trabalhar querer se cuidar para
cuidar do outro são os detalhes Néia o cuidado por exemplo eh a formação masculina Às vezes o pai não olha pro olho do filho né Uhum é tipo assim um cuidado totalmente aleatório né mecânico então obrigatório né como cuidado vai até dentro de um olhar né eu Lembro com a minha filha que eu ficava né quando ela era bebê para fazer ela dormir eu gostava muito de deixar ela na minha frente olhando para ela né eu conheço os olhos da minha filha melhor do que ninguém ela deve conhecer os meus olhos muito bem né ao
ponto de um olhar dela eu já sei o que ela tá pensando exatamente Olha que oportunidade existe isso é impagável é isso que eu penso Gente o que que adianta a pessoa ter todo o dinheiro do mundo e se privar Dessa experiência porque é esse olho no olho que faz a gente se sentir humano né a conexão que você sempre fala né os vínculos os laços conexão E e essa conexão nesse vínculo primário do primário né eu gosto das lógic primeira infância o que vem antes o que vem primeiro quem são as primeiras pessoas estruturantes
de um ser humano é esse vínculo de quem assume esse papel de pai e de mãe então existe algo mais importante na vida do que você ser esse Alguém a partir de alguém a partir de quem alguém se constitui como ser humano é insubstituível por babá eletrônica insubstituível por televisão insubstitu não dá para terceirizar e as pessoas estão terceirizando pagando creches caríssimas para ganhar dinheiro no fundo entregando o maior tesouro que se tem né quem é que tem a sua herança histórica a sua continuidade eh do seu Legado de vida quem que vai levar Seu
nome quem que vai levar sua visão de mundo quem que vai legado né Mesmo que seja um legado biológico mas o seu legado existencial né quando a gente vai quem fica então eu o mundo acho que tá numa grande crise de valorizar não entender que não existe nada mais importante mesmo já tem várias conquistas é muito bacana né vários vídeos que vocês mesmos mostram né jogadores de futebol criticados porque não jogaram quando o filho nasceu e o Próprio né coach alunas né treinador cer quem vai substituir um pai ali um avô na hora que nasce
um um um neto um filho ninguém e aí você vai desperdiçar esse momento o que que você tem de mais importante para fazer sem ser isso todo o resto Alguém pode te substituir Teoricamente Mas você quer ser substituído nisso então essa lógica de que é a maior oportunidade para uma pessoa poder vivenciar essa oportunidade e e para além da biologia Né a gente tá falando muito de pai e filho mas pode ser um sobrinho eh qualquer criança que dê a oportunidade de você estabelecer vínculos e você permitir ser o mediador da Humanidade para esse ser
que precisa dessa mediação e isso realmente vai se expandindo dessa lógica pra comunidade pra sociedade pra responsabilidade que aquele frase é muito interessante também né que eu já vi iniciativa tanto da msk também que dizem né que todos os os Filhos dos outros também são Nossa responsabilidade Então essa lógica também de que de que somos todos uma comunidade de seres humanos responsáveis uns pelos outros não só pelos nossos próprios filhos biológicos mas pelos filhos de Todos precisamos que né uns cuidem dos filhos dos outros ex cuidado social né o cuidado com a coisa pública o
cuidado com o meio ambiente o cuidado aí repercute em tudo né repercute absolutamente em tudo então as Consequências que nós estamos recebendo hoje vem muito do cuidado da falta de cuidado que começa no pré-natal né então esse trabalho todo essa sua trajetória Ivânia é incrível e a gente tá acabando né esse essa conversa maravilhosa Ivânia que eu você possa vir outras vezes aqui mas eu queria uma última provocação né que qual seria sua Utopia então em relação a esse processo de transformação tanto da primeira infância da adoção de questões de presídio judiciário Paternidades masculin queria
te deixar livre para uma última reflexão sobre a sua Utopia eh uma Utopia eu queria várias convites aqui que nessa política judiciária que que realmente seja essa janela de oportunidade pra gente conectar o acesso a essa metodologia de oportunidade de ser pai e de ser mãe de ser um homem livre da do machismo né porque vocês marcaram muito com essa lógica de Principal vítima do machismo é o próprio homem que se priva né dessas relações sem ser pela violência Sem dúvida eh que a gente possa levar isso de fato que a gente saia do papel
por meio desses comitês que criaram os planos de ação em todo o Brasil para levar a oportunidade do homem que tá preso poder realmente eh receber isso nesse momento e sair dali transformado o menino no sócio educativo também já sair dali e as pessoas percebam que ele além de ter uma Inclusão produtiva acesso a uma aprendizagem ter o acesso a pensar que pai ele quer ser que pai se ele já é né E a gente não reproduz esses abandonos não não desconecte mais porque a primeira infância tá no homem em todos os níveis trabalhador ou
encarcerado ou estudante ou no socio educativo ou na instituição de acolhimento ali com 17 anos que a primeira infância não é algo desconectado desse todo e a gente Aproveite a partir da primeira infância Para todos terem a oportunidade de valorizar né esse papel de ser além de cidadão de ser filho de ser pai de ser mãe de ser companheiro de ser parceiro de ser marido de ser realmente eh ser humano nesses relacionamentos eu acho que a minha maior Utopia é que o ser humano seja colocado em primeiro lugar e esse ser humano que mais precisa
é o que tá mais novo ali no começo da vida obrigado Ivânia foi um prazer est aqui com você Né então foi isso gente eh esse termina o episódio aqui do nosso PR mundo pode ressignificando masculinidades e paternidades tivemos aqui com Ivania GES uma grande companheira de 20 anos aí na pela causa da primeira infância e até o próximo episódio