e eu cresci ouvindo que em briga de marido e mulher ninguém mete a colher e eu sou de uma geração que assistiu algum júris onde os homens que matavam as mulheres eram absolvidos por legítima defesa da honra isso não tem 40 anos e de lá para cá felizmente muita coisa mudou infelizmente com todas as mudanças nós ainda enfrentamos esse ânsia que é a violência contra a mulher a violência de gênero é e eu trabalhei no Conselho Nacional de Justiça eu fui conselheira de 2007 2009 na ocasião a Lei Maria da Penha tava no nascedouro mas
não tínhamos uma legislação específica para a gente tentar violência contra a mulher era comum que as mulheres agredidas procurarem ajuda em delegacias ou na justiça e ouvissem respostas inadmissíveis em inaceitáveis e melhor com ele vai para casa ele tá sustentando e você não vai brigar com pai dos seus filhos você não quer o pai dos seus filhos na cadeia Essa realidade mudou muito rapidamente nesses últimos atos 13 anos 14 anos a Lei Maria da Penha é a lei mais conhecida do Brasil e o que nós imaginávamos quando essa lei foi promulgada aquela seria suficiente para
isso e a violência contra a mulher que a violência contra a mulher não nasce de uma hora para o violência contra mulher se consolida em uma sociedade desigual na perspectiva de velha uma sociedade que aceita inferioridade da mulher acha natural que a mulher seja vítima da violência EA violência não nasci também com feminicídio nenhum homem acorda e mata mulher no fim do dia ela insidiosa ela se apresenta de uma forma muito invisível no primeiro momento ou por meio de agressão verbal ou por meio de desqualificação ou reduzindo a auto-estima da mulher de forma que ela
não consiga reagir a nenhum tipo de violência e de repente essa violência não não consegue mais ser contida quando a Lei Maria da Penha foi promulgada o que se imaginou é que a simples existência a cólica dessa lei EA visibilidade dos agressores seria suficiente para reduzir ou para estancar violência nós não tínhamos até então é número sou estatísticas que pudessem demonstrar o aumento ou a redução da violência ao longo do tempo passados mais de dez anos infelizmente o que nós temos assistido é o recrudescimento da violência e ao aumento no número de violência de agressões
e de feminicídios crimes praticados contra a mulher no Brasil não é de estranhar o que toda a nossa sociedade foi estruturada e cresceu sob o manto do patriarcalismo e do machismo as mulheres que só puderam e a escola no Brasil em 1827 e as faculdades m1879 direito de votar só em 1934 e só em 1962 62 vejam vocês um ano a minha mãe casar pois dispensada a autorização dos maridos para que as mulheres pudessem trabalhar a lei do divórcio só entrou no nosso ordenamento jurídico em 1977 e só em 79 que as mulheres foram autorizados
a praticar qualquer esporte eu tô fazendo uma cronologia dessas leis para vocês perceberem até 1980 as mulheres não podiam ingressar nas Forças Armadas e também em 1980 a virgindade deixou de ser causa de anulação de casamento porque até 80 um homem casar-se com uma mulher que não fosse virgem tem o direito de devolver a mulher e anular o casamento então é essa trajetória e essa cronologia diz muito sobre uma sociedade que passou séculos sendo construída e afirmando normas de direito só para os homens Escolinha das mulheres desse jeito e Tratando as e como inferiores no
reconhecimento de direitos e de proteção quando emerge o movimento feminista EA importante se afirmar feminista sim porque depois que que as redes sociais naturalizaram a ignorância a imbecilidade as pessoas estigmatizaram o termo do uso feminismo mas feminismo é afirmação de direitos feminismo é reconhecimento de que não há liberdade nem democracia e uma sociedade que distingue homens e mulheres em direitos e obrigações então quando emerge o feminismo e as mulheres começam a espaços ir ao invés da violência diminuir a violência aparece se potencializar e aumentar porque é quase como desespero e uma reação desesperada pela Prefeito
ação no poder pela força os números que chegam hoje com a Lei Maria da é uma terra dores e o que nós temos percebido é que não só a prisão é a medida adequada para enfrentar esse tipo de violência ali a Ele o punitivismo EA Concentração da demanda no objetivo do aprisionamento tem levado ao sucateamento de outras medidas que são tão ou mais importantes para enfrentar violência contra a mulher a Lei Maria da Penha tem medidas de proteção e importantíssimos dá uma orientação que se dá para as mulheres quando são vítimas da violência é para
que elas Não esperem que a violência cresça para denunciar aqui no primeiro grito na primeira agressão no primeiro abuso no primeiro escárnio que elas procurem ajuda porque é possível pensar a violência o ciclo crescente da violência quando essa de novo e a tempo EA hora que você espera muito tempo muitas vezes nós temos visto lamentavelmente que a mulher espera espera espera espera porque não acredita que aquele homem que ela amou aquele pai dos filhos dela que aquele companheiro que era apaixonado não acredita que ele será capaz de uma loucura que não será capaz de chegar
ao evento morte E isso acontece e nós temos visto casos e até mesmo com a medida de proteção aplicada com a proibição da aproximação o homem vai até a mulher e não só mata a mulher como se mata em seguir então isso nos faz refletir sobre ações que talvez devam ser implementadas e divulgadas que podem ser mais efetivas no enfrentamento à violência e isso não bastasse o só da atuação da Justiça funcionasse de um conjunto de saberes que formam uma sociedade da cultura da e da educação sem a comunicação Entre esses saberes dificilmente só com
atuação da espada da justiça do aprisionamento a gente consegue enfrentar a questão da violência então é importante que a criança cresça no ambiente de Educação de cultura que a lenda a igualdade como princípio democrático como princípio humano de convivência social uma criança que cresce nesse ambiente dificilmente aderir a a violência de gênero a violência de gênero ela atravessa a formação da sociedade desde a infância quando se estimulam estereótipos de meninos e meninas isso pode ser para mim isso é coisa de homem e isso é coisa de mulher a força é coisa de homem a fragilidade
é coisa de mulher quando você fortalece esses estereótipos ao longo da vida o que você faz é contribuir a população desse tipo de violência o machismo é a causa do recrudescimento da violência contra a mulher não é possível vencer a pauta da violência imaginando que a sociedade pode continuar adotando práticas mágicas fichas e perpetuando discursos piadas e práticas e ações que impliquem na desigualdade não é possível que numa sociedade de homens e mulheres não ganham o mesmo salário para praticar as mesmas atividades nós consigamos reduzir a violência não é possível que uma sociedade que naturaliza
algumas ações de violência simbólica o meio de propagandas por meio de exibição de mulheres como objetos não é possível que a sociedade Imagine que a e não vai aumentar isso é causa e é feio não é mimi a violência existe infelizmente mesmo sabendo que que a desigualdade que nos estrutura faz com que as mulheres pretas e pobres sejam mais vítimas de violência de gênero que as mulheres brancas ainda nesse contexto existe uma igualdade muito grande existe uma similaridade muito grande na prática da violência contra mulher mulheres pobres e mulheres ricas têm sido normalmente naturalmente mortas
pelo fato delas serem mulheres infelizmente no final do ano passado na véspera do Natal eu tive a tristeza de ver morrer esfaqueado uma colega de profissão uma juíza que foi morta pelo ex-marido na frente os filhos isso ocupou as primeiras páginas de jornal e superior ou uma indignação muito grande Como cria indignação todos os fatos que nós revelamos sobre o feminicídio só que a cada feminicídio que se soma ao anterior nós acabamos naturalizado as mortes e as mulheres e não é possível viver em um país e normalize tantas mortes por motivo nenhum pelo fato da
desigualdade de gênero estruturar a sociedade é bom jogar luz nesse assunto é bom iluminar esse essas cadernos que historicamente eram levadas para invisibilidade como se fosse feio vergonhoso ser vítima da violência à mulher nunca é responsável pela violência que ela é submetida se alguém tem que ter vergonha isso é moralmente é reprovado pela atuação é o agressor e esse discurso nós só conseguiremos consolidar-se todos os saberes trabalharem para esse fim eu penso que se as notícias sobre feminicídio cê sobre violência contra a mulher começarem a ser alardeados da pessoa do agressor não da vítima talvez
esse seja um caminho porque a mulher mesmo quando o vítima da violência ela é noticiado e ela continua sendo violentada com a perpetuação do corpo exposto da história exposta nunca a notícia é pulando matou a mulher a mulher foi morta EA exibição da imagem é sempre a mulher fragilizada e e inerte essa também é uma linguagem simbólica que que precisa ser enfrentada por esse pacote de Combate à violência então ter uma lei Maria da Penha é um luxo a Lei Maria da Penha uma das melhores do mundo no enfrentamento à violência de gênero mais uma
lei sozinha não muda cultura não muda educação convites que eu faço vocês é que tá num do seu lugar comece a se perceber como alguém que perpetuou essa desigualdade de gênero e começa a fazer um exercício diário para mudar para olhar de outra forma para desigualdade para se indignar e se indignar não paralisando diante de estampa Dori de tanta violência mas de se indignar contribuindo para mudar nem que seja na educação dos filhos ou um toque que se dá algum colega de profissão algum amigo muito próximo quando ele tenta fazer uma piadinha a estação de
engraçado e achando que isso não repercute na perpetuação da violência felizmente o mundo muda o nome do Buda e os nossos preconceitos devem ser desmontadas e desconstruídos com as mudanças felizmente nós temos a capacidade de entender Nós aprendemos a falar nós somos seres da racionalidade que então nós temos a capacidade de entender essas mudanças e de criar formas diferentes de comportamento isso é um urso né gente nem todo mundo consegue alguns nos perceber agentes dessa chance protagonistas dessa porque depende individualmente sim de cada um demais a alteração dessa percepção de que mulheres podem ser vítimas
da violência O que são desiguais afirmar a igualdade é na nossa obrigação a Rosa e dizia que ela sonhava com um mundo em que nós sejamos socialmente iguais humanamente diferentes e totalmente livre é esse mundo que eu sonho também que eu convido vocês a sonhar gostou desse vídeo Então aproveite porque tem muita coisa boa te esperando aqui inscreva-se e