As Narrativas Compartilhadas tem o prazer de ouvir hoje Raquel Lixo. Raquel é aluna do nosso curso de Letras, atualmente professora de inglês e português. Ela também está cursando lato sensu em Temas Transversais.
É professora na rede privada e também dá aulas particulares. Raquel teve a formação High School na Carolina do Sul, nos Estados Unidos. Durante o curso de Letras, Raquel teve uma grande participação em atividades com poemas, atividades teatrais em vários componentes curriculares e também na Semana de Letras.
Muito querida entre os colegas e apaixonada pelo que faz, ela vai contar um pouco hoje sobre sua trajetória educacional e seu desejo, que persiste até hoje, de se tornar essa profissional apaixonada. Raquel, é um grande prazer tê-la aqui conosco na Narrativas Compartilhadas. Seja bem-vinda!
Agradecemos desde já pela sua presença e você tem a palavra. Pode simplesmente começar contando desde onde você nasceu, até chegar à atualidade. Vamos conversando sobre essa sua formação.
Fique à vontade. — Você nasceu lá, então? — Eu nasci em Itapetininga, interior de São Paulo.
Então eu nasci há mais de cinco anos. Vim para Sorocaba, então eu me considero sorocabana. A maioria das minhas histórias aconteceu aqui.
Ah, mas minha família ainda vive em Itapetininga, então eu volto constantemente para lá. — E você é mais um irmão, é isso? — Eu tenho um irmão, né?
Ele é formado em Administração. — E seu pai trabalha com o quê? — Meu pai é perito criminal da polícia científica, e sua mãe?
— Meu pai também é professor. Ele foi diretor em Itapetininga. — Que legal!
E a minha mãe é professora universitária. — Muito bem. Então, só uma provocação: é importante tocar nesse assunto porque eu acho que a minha trajetória começa a partir desses exemplos que eu tive e que eu tentei, por muito tempo, negar.
Porque acho que, principalmente quando a gente é adolescente, a gente quer fazer algo diferente, né? Então, meu pai é professor, foi diretor; minha mãe é professora, foi coordenadora; meu avô por parte de mãe é professor, e ele é coordenador da Fatec; meu avô por parte de pai também é professor. Então eu queria fugir disso, né?
Fazer algo que fosse diferente, algo que fugisse dessa "regra", né? Mas acho que eu não consegui muito. E, com certeza, são grandes influências que eu tive, são pessoas que me ajudaram a enxergar a perspectiva da educação de uma outra maneira.
A entender o trabalho de professor de uma maneira que todo mundo da minha família é apaixonado pelo que faz. — E onde você fez o primário? — A formação inicial foi no Colégio Dom Aguirre.
Eu estudei lá desde a primeira até a segunda série, até me formar. Fiz intercâmbio e me formei nos Estados Unidos, mas toda a minha vida escolar foi no colégio. — Como foi isso?
— Olha, foi uma escola, eu tenho paixão por aquele lugar. Como um lugar que eu cresci e que fui muito bem recebida. Uma escola que possui essa característica, além de outras, mas de receber muito bem as pessoas e trabalhar pelas habilidades.
Foi muito enriquecedor durante a minha trajetória. Eu consegui me envolver com projetos e tive professores que me apaixonaram, né? — E por que algum tipo de literatura?
Como foi sua leitura lá nas primeiras séries? — Minha mãe tem uma teoria de que a televisão separa as pessoas. Então, a gente não podia ter TV no quarto e tinha que assistir TV todo mundo junto em casa, e tinha horário para isso.
Então, além de não ter TV em casa, que acho que eram uns grandes meios de entretenimento, eu tinha uma mãe que me incentivava muito, e que não me dava nada para comprar um livro, pelo contrário. Até hoje, percebo isso. Em aniversários e Natal, a gente costuma presentear uns aos outros com livros, e nós trocamos essas experiências.
Nós debatemos muito. Então, minha mãe, além de me presentear com livros, sempre perguntava: "O que seu livro fala? Me conta".
— Então, você sempre foi uma criança e uma adolescente muito apaixonada por leitura? — Sim! Eu li toda a saga Crepúsculo na época, que acho que foi uma das únicas séries que li, mas que foi muito importante para eu me apaixonar pelas narrativas.
Eu também gostava muito de livros voltados para meninas pré-adolescentes que abordavam a temática dos relacionamentos — tanto amorosos quanto familiares — e que tocavam em questões do corpo feminino, das variações de humor e de comportamento. Nessa fase… se é que você acredita… pelo menos, eu me sentia compreendida. — Eu acho que o jovem muitas vezes se sente deslocado.
— Sim, e esses livros foram que me acolheram e me fizeram perceber que não sou só eu que estou passando por essas questões. Vários desses livros me marcaram muito. Um que me marcou bastante foi a saga "Diário Otário".
Foi uma saga em que a narradora escrevia diários, de uma menina, que foi muito interessante. Eu me diverti muito. — Quantos anos você tinha, uns dez, onze anos, quando leu?
Ficando mais velha, eu gostava de ler muito sobre diversos temas, mas alguns livros marcaram a minha trajetória, com certeza. Assim, um deles, que até hoje considero de longe o meu favorito, é "O Guia do Mochileiro das Galáxias", de Douglas Adams. É uma série de livros, na verdade, mas o primeiro, né, que leva esse nome, na minha opinião, é um dos livros mais brilhantes que tecem uma crítica ao mesmo tempo de maneira muito leve.
Então, para mim, foi um livro apaixonante. Eu lembro que li o primeiro quando fui lá, o segundo, o terceiro. .
. Eu li o primeiro, o segundo e o terceiro, tantas vezes! "O Guia do Mochileiro das Galáxias", com certeza, é um livro que me inspirou.
Mas, basicamente, eu era muito curiosa. Então, lembro de uma coisa que me deixou muito feliz, uma questão que me deixou pessoalmente realizada. Semana passada, no curso de pós-graduação lato sensu que estou cursando, o meu professor de ética, que é formado em Letras e gosta de trabalhar a perspectiva da ética através da literatura, perguntou se alguém tinha lido um livro.
E ninguém disse que tinha, exceto eu. Eu lembro de ler esse livro quando tinha 15 anos; ele é em espanhol. Ganhei ele em espanhol e se chama "Ética para Amador".
Em português, ele é traduzido como "Ética para Meu Filho", porque Amador, na verdade, é o nome do filho do autor. O livro trata sobre ética. Então, eu lembro que sempre gostei de filosofia.
Tive um professor de colégio, Dom Aguirre, queridíssimo, o professor Romero Neto, que foi um dos professores que mais admirei e gostava. Eu me empenhava em sociologia e filosofia. Lembro até de chegar para ele e pedir auxílio com suas questões.
Então, eu era uma criança, uma jovem curiosa, né? E gostava de experimentar. Li muitos livros do meu irmão.
Eu li muito Agatha Christie, as histórias dela. Outro livro muito significativo para mim foi "O Perfume". Não liga para minha mãe falar.
É um livro que eu amo, e eu li esse livro que virou filme, mesmo que violento. Tem o filme "O Perfume" na França, tudo. Mas, assim, qualquer literatura, na verdade, me apaixonava.
Claro que alguns clássicos da escola eram um pouco mais difíceis devido à linguagem, mas alguns marcaram muito, como "Vidas Secas", por exemplo. Meu Deus, o que me marcou! Eu li na escola!
Lembro do vestibular, na verdade. Faz mais de um tempo! Eu lembro muito de "Vidas Secas", "Memórias de um Sargento de Milícias", "Memórias Póstumas de Brás Cubas", que também é um livro que me marcou, e "Dom Casmurro".
Hoje, minha cachorra se chama Capitu, em homenagem ao livro, né? E foram livros que me inspiraram. Sempre fui muito curiosa, sempre gostei de ler com rapidez e facilidade.
Folheava livros nos ônibus, e isso me abraçava. Tive professores que me inspiraram a ler. Então, durante o ensino médio, tive a Rosângela, uma professora maravilhosa, mas acho que principalmente a professora Claudinha.
Ela foi minha professora e despertou esse amor, principalmente pela literatura, pela maneira como ela ensinava. Foi sensacional. Então, além de você, daqui a pouco, falar um pouquinho mais sobre o colegial e o ensino médio, nós nos encontramos para você falar um pouco sobre Letras, tá bom?
Então, até daqui a pouco, quando continuaremos ouvindo a Raquel Lechugo. Até já!