Olá, tudo bem? Primeiro eu quero dar as boas-vindas para você que está aqui para assistir este aulão de resumo da minha última edição da semana da psicopatologia. Segundo, eu quero te dizer que isso é algo que eu nunca fiz antes, mas que eu decidi fazer agora, porque eu tenho recebido muitas mensagens do meu Instagram de pessoas que não conseguiram acompanhar o conteúdo na nossa semana por falta de tempo.
Então, para ajudar você que tem uma vida corrida, eu decidi liberar este aulão aqui com o resumo dos principais conteúdos de cada aula. Conteúdos estes que você, psicólogo, não pode mais ignorar em pleno 2026. E terceiro e último, esse conteúdo ele vai ficar no ar por poucos dias.
Então não perca essa oportunidade, até mesmo porque no final deste aulão eu vou te dar uma nova chance de baixar os mapas mentais de todas as aulas, ok? Então eu vou repetir, o conteúdo que eu vou te entregar neste aulão não é algo opcional, é algo fundamental pra sua prática profissional, para que você consiga ajudar os seus pacientes e ter mais resultados na clínica. Então fique comigo aqui até o final, porque você vai ter também a última chance de acesso gratuito a este conteúdo e aos mapas mentais.
Então vamos começar na aula um, tá? O título da aula um da semana da psicopatologia foi o erro que pode comprometer todo o tratamento do seu paciente. Então, na primeira aula da nossa semana da psicopatologia, eu fiz uma convocação importante e eu preciso trazer isso aqui novamente.
Você que é psicólogo, você pode e deve diagnosticar os seus pacientes. E digo mais, você é o melhor profissional para isso, tá? E eu sei que isso é algo bem diferente do que muitos de vocês aprendem, mas é a realidade dos fatos.
E é diferente do que as pessoas dizem por aí também, né, de que diagnóstico é é um rótulo, diagnóstico ah põe um estigma do paciente, nada disso, ok? Diagnóstico é uma direção de tratamento. Diagnóstico não é rótulo.
Diagnóstico não é opcional. Diagnóstico é ferramenta clínica, é responsabilidade profissional e tem impacto real na vida dos seus pacientes. Então, qual que é o erro que pode comprometer todo o tratamento do seu paciente?
Justamente um diagnóstico errado. E na prática, o que que significa errar no diagnóstico do seu paciente? significa três coisas: diagnosticar quem não tem transtorno, não diagnosticar quem tem ou dar um diagnóstico equivocado entre os mais de 400 transtornos mentais que a gente tem hoje disponíveis no DSM.
OK? Existe um dado que eu preciso que você grave. A cada três pacientes que procuram atendimento, um deles vai receber um diagnóstico errado.
Imagine você procurar um profissional da saúde mental e você ter 30% de chance de receber um diagnóstico e um tratamento correto. Você percebe a gravidade disso? E quais são as implicações desses erros?
Uma das principais consequências é o atraso que o seu paciente tem no tratamento adequado. O que você faz com um quadro eh eh que um paciente melhora ao longo do tempo, né? O que o que faz com que esse paciente melhore ao longo do tempo?
E inclusive, né, o que o que vai eh eh fazer com que esse paciente tenha essa melhora ou não é justamente o diagnóstico, tá? Eh, não ter esse diagnóstico gera a manutenção do sofrimento e o aumento do problema do seu paciente. Então, o atraso do tratamento gera impacto emocional no paciente que começa a acreditar, ai nada funciona para mim, eu não tenho mais jeito.
Isso gera culpa, baixa autoestima, desesperança nesse paciente. E além desse impacto emocional, a gente também, óbvio, tem um impacto financeiro e social. OK?
Outro ponto crítico tem a ver com a medicação, porque quando o diagnóstico está errado, a medicação também está errada. E isso pode não só não ajudar, como pode piorar o quadro do paciente, tá? Então, eh, o impacto de um diagnóstico errado é muito grande.
Então, toda vez que você se perguntar, né, toda vez que você estiver diante de um paciente que recebeu um diagnóstico errado, você pode se perguntar: por que que esses erros acontecem com tanta frequência? Primeiro, diferente de muitas áreas da medicina, a gente não tem marcadores biológicos na psicopatologia. O diagnóstico em saúde mental, ele depende fundamentalmente da avaliação clínica e isso envolve critérios que em grande parte são subjetivos.
Segundo ponto, a gente não tem sintomas patognomônicos, ou seja, não existe um sintoma X que leve a um transtorno Y, tá? Então, os mesmos sintomas, eles podem aparecer ali em vários transtornos diferentes e se você não souber diferenciar nos detalhes, você erra. Terceiro ponto, o diagnóstico depende do relato do paciente.
E aí o paciente ele pode não lembrar direito, ele pode omitir informações por vergonha, ele pode não conseguir diferenciar o que é real do que é fantasia, do que é uma coisa da cabeça dele. Quarto ponto, a forma como você conduz a entrevista influencia diretamente no diagnóstico. Então, a interpretação das informações que o seu paciente traz é subjetiva e é por isso que você precisa também dominar este assunto.
E um ponto que eu considero fundamental também é os profissionais eles tendem a diagnosticar aquilo que eles conhecem. Então, se você não conhece um determinado transtorno, você simplesmente não identifica porque você nem sabe que aquele transtorno existe. Então, entende por que você tem que conhecer todas as categorias diagnósticas?
Porque isso é a base de você fazer um diagnóstico correto. E aí, se eu te perguntar, você domina todos os diagnósticos do DSM5TR hoje? Qual é a sua resposta?
Se a sua resposta for não, tem alguns que eu não sei, a gente tem aqui um problema gravíssimo. Você que é psicólogo, você precisa dominar, tá? Porque isso não é algo opcional, é a base do seu trabalho.
E eu vejo a maioria dos psicólogos reclamando de retorno financeiro na clínica, mas como que você vai ter um retorno financeiro se você não entrega o mínimo que se espera de um profissional de saúde mental? Você não consegue nem identificar o que o seu paciente tem, OK? Então isso é bem grave.
E agora a gente vai entender um pouco em que contexto esses erros mais acontecem. De forma geral, quadros mais graves são mais fáceis de diagnosticar, tipo esquizofrenia. Por quê?
Porque os sintomas são mais evidentes, são mais marcantes. Já quadros mais leves, eles têm sintomas mais sutis, mais inespecíficos e podem ser confundidos com outros transtornos ou até mesmo passar despercebidos, tá? Além disso, alguns transtornos eles são naturalmente mais difíceis de diagnosticar.
Um exemplo clássico é o transtorno bipolar. Eh, porque o diagnóstico ele depende da história de vida do paciente. Então, se eu avalio só a foto do momento, eu tenho uma chance muito grande de errar, ok?
E como que eu vou evitar todos esses erros que eu acabei de explicar aqui? A primeira resposta é muito simples. Você precisa se especializar e isso passa por dominar alguns fundamentos que são indispensáveis para quem quer diagnosticar bem em saúde mental, para quem quer oferecer isso pros seus pacientes.
E um deles é entender a diferença entre o normal e o patológico. Mas essa fronteira ela não é simples, tá? a gente tem aí uma infinidade de tentativas eh de traçar essa fronteira entre o que é normal e o que é patológico.
Mas a forma mais aceita hoje para traçar essa linha entre o normal e o patológico vem dos chamados 4Ds, aquilo que desvia do comum, 4D em inglês, tá? Eu vou, já vou falar aqui a tradução que não vai ser exatamente 4Ds, mas eh aquilo que desvia do comum, né, do sofrimento, a disfunção ou prejuízo clinicamente significativo e o perigo, tá? Seja para si ou pros outros.
Então, no final das contas, eh, a forma como a gente vai definir o que é normal dentro da psicologia, dentro da psicopatologia, é uma definição aí que parte da observação clínica, da entrevista diagnóstica e a gente vai levar em consideração os sinais e os sintomas do paciente, tá? E tem mais, mesmo para tratar paciente sem nenhum diagnóstico, você precisa também do conhecimento em psicopatologia. você precisa pensar em termos de raciocínio clínico.
Então, se o funcionamento daquele paciente se aproxima de determinado transtorno, o seu raciocínio vai dialogar ali com esse modelo, ok? Então guarda isso. Quando você estuda sobre diagnóstico, você não está só aprendendo a classificar, você está aprendendo a entender o funcionamento psicológico do seu paciente.
E entender sobre diagnóstico em psicopatologia não é algo opcional, é fundamental para você conseguir ajudar os seus pacientes e ter mais resultados na clínica, tá bom? Então esse foi aí um overview da nossa primeira aula. Agora a gente vai paraa nossa segunda aula, que foi uma aula mais técnica, então eu vou precisar bastante da sua atenção aqui, tá?
Então o título da nossa aula dois foi o modelo psicopatológico que todo psicólogo precisa entender para não ficar para trás, tá? Então, na aula dois, a gente estudou sobre o modelo psicopatológico, eh, que você precisa saber, que é baseado numa psicopatologia descritiva, também chamada de ateórica. Este modelo, ele tá vigente desde 1980 do DSM3 e ele se baseia na descrição de sinais e sintomas no tempo de duração, no prejuízo funcional, permitindo aí que diferentes profissionais falem a mesma língua pra gente ter uma padronização.
Outro ponto muito importante dentro desse modelo é entender que a gente não trabalha com uma causa única para transtornos mentais. E isso é muito importante, tá? A ciência já entendeu que os transtornos mentais eles são multifatoriais, ou seja, eles envolvem vários fatores ao mesmo tempo.
Genética, ambiente, história de vida, personalidade, ah, estilo de vida, estressores que a pessoa passa na vida. Então, eh, existe ali uma diferença central que você precisa entender. Correlação é diferente de causalidade para você não ficar dizendo que a pessoa tem um determinado problema porque ela perdeu a mãe, ok?
Eh, o que que isso significa? Que não é só porque duas coisas aparecem juntas que uma causou a outra, tá? Então, trauma não causa, perda de emprego não causa depressão, tela não causa autismo.
A gente tem vários fatores interferindo para que o TEPT, a depressão, o autismo e os outros transtornos mentais eh sejam desenvolvidos ali numa pessoa, tá? E dentro dessa lógica multifatorial, uma teoria muito utilizada pra gente entender o desenvolvimento dos transtornos é a teoria da tripla vulnerabilidade. Essa teoria, ela propõe que os transtornos eles surgem a partir da interação de três tipos de vulnerabilidade: a vulnerabilidade biológica, a vulnerabilidade psicológica geral e a vulnerabilidade psicológica específica.
Então, a vulnerabilidade biológica é o que você herda. predisposições genéticas, traços de personalidade. A vulnerabilidade psicológica geral está relacionada ao ambiente em que você cresce, as crenças que você desenvolve ali, né, sobre o mundo, sobre você, sobre os outros.
E a vulnerabilidade psicológica específica tem a ver com experiências concretas da sua vida, como, por exemplo, eventos traumáticos, tá? e a interação desses três fatores que contribuem pro desenvolvimento dos transtornos. Outro ponto muito importante que a gente precisa entender dentro desse modelo psicopatológico é a diferença entre cura e remissão, porque essa é uma dúvida muito frequente, tá?
Existe cura para transtorno mental? De maneira geral, não é o termo que a gente utiliza, a gente fala em remissão, tá? E aí eu quero eh que você guarde aqui uma definição central, que é muito importante, porque isso vai ser importante também para sua prática clínica.
Remissão não significa que o transtorno sumiu, desapareceu. Remissão significa retorno à funcionalidade. E aí dentro disso a gente tem dois níveis: remissão parcial, que gira em torno ali de 50% de melhora, e remissão total que gira em torno de 70% de melhora, tá?
Isso é muito importante. Então, perceba mesmo no que a gente chama de remissão total, ainda existem ali eh sintomas residuais, OK? Ainda existe ali alguma coisinha ali, 10, 20, 30%, tá?
O ponto central é que o paciente retorne à funcionalidade. Agora eu quero fazer um um ponto aqui, eu quero trazer para você um outro tema essencial dentro dos fundamentos da psicopatologia, que é o que a gente chama de semiologia dos transtornos mentais. E aqui eu já quero chamar a sua atenção que esse é um conteúdo que todo psicólogo precisa dominar na ponta da língua, tá?
Vamos lá. A semiologia psicopatológica é o que complementa a nossa entrevista clínica. É ela que vai ajudar a gente a chegar numa avaliação mais precisa e consequentemente num diagnóstico mais assertivo, OK?
Até porque, como você já aprendeu aqui comigo, a gente não tem marcadores biológicos para transtornos mentais. Não existe um exame pra gente fechar diagnóstico em saúde mental. Então, se a gente não tem exame, o que que a gente tem?
A gente tem sinais e sintomas para observar. E aí, junto com a entrevista clínica, é isso que vai sustentar o nosso diagnóstico. Então, você precisa dominar isso.
Isso não é opcional. O que são sinais e sintomas? sinal é aquilo que você observa, é o comportamento do seu paciente, é verificável diretamente.
Então, aparência, postura, forma de falar, autocuidado, expressões faciais, sintoma é aquilo que o paciente relata, é a vivência subjetiva dele, é o que ele sente, tristeza, ansiedade, ouvir vozes, os pensamentos, as emoções. Então, na depressão, o sinal pode ser a ausência de autocuidado. O paciente, ele não tomou banho, ele não fez a barba.
O sintoma é aquilo que o paciente te traz. Eu estou triste, eu estou desanimado, eu sinto culpa, eu não tenho vontade de fazer nada. Ok?
Outro ponto importante, como que a gente coleta essas informações? Através da entrevista clínica, da observação, da informação de outras pessoas que convivem com o paciente. Isso é fundamental, OK?
Porque tem alguns transtornos que são egocsintônicos. A pessoa não percebe que aquilo é um problema, ela sente como o jeito de ser dela. Então, por isso que é importante a gente entrevistar outras pessoas.
A gente tem também transtornos que são egodistônicos. O paciente percebe que aquilo é estranho, é diferente, que não fazia parte da vida dele antes, tá? E aqui entra um ponto central.
Diagnosticar bem não é conhecer somente os diagnósticos, é saber avaliar sinais, sintomas, saber conduzir entrevista. saber interpretar o que você tá vendo ali diante de você. É por isso que a gente precisa avançar ainda em outros fundamentos, tá?
Como as funções psíquicas, porque tudo isso junto é o que sustenta um diagnóstico bem feito, ok? E aí a gente vai falar agora sobre o exame do estado mental, que nada mais é do que a avaliação das funções psíquicas. Isso também faz parte da semiologia.
Por uma questão didática, as funções eh psíquicas, elas foram divididas em dois grupos, funções psíquicas básicas e funções psíquicas complexas, tá? As básicas são consciência, atenção, orientação, memória, sensopercepção, afetividade, vontade, eh, psicomotricidade, pensamento, juízo de realidade e linguagem. Já as funções psíquicas complexas são eu, self e personalidade, inteligência e cognição social, tá?
Só que mais importante do que você decorar a lista é você entender o porquê disso. Por que é importante avaliar as funções psíquicas? Porque os transtornos mentais eles não são apenas um conjunto de sinais e sintomas soltos, eles envolvem alterações no funcionamento global do paciente.
Então envolvem alterações justamente nessas funções psíquicas. E é aqui que entra um ponto muito importante. As funções psíquicas, elas estão diretamente ligadas à forma como a pessoa está, a forma como a pessoa existe no mundo.
Então, quando elas estão alteradas, essas funções psíquicas, isso impacta diretamente no modo de funcionamento do nosso paciente. E aqui eu quero que você grave uma regra muito simples. Quanto mais grave for o transtorno do seu paciente, maior o número de funções psíquicas alteradas, tá bom?
E aí, tá, como que a gente avalia essas funções? Principalmente através da entrevista clínica. Existem alguns testes e escalas que podem te ajudar, mas pra maioria das funções a gente vai avaliar mesmo com entrevista clínica, OK?
E outro ponto importante, essa avaliação é uma fotografia do momento. O que você avaliou hoje em termos de funções psíquicas não vale mais daqui a uma semana ou daqui a um mês, ok? Então você precisa saber observar, escutar, interpretar esses dados que você coleta ali conversando com o seu paciente, tá?
Então já deu para você entender que diagnosticar não é só saber a lista dos diagnósticos do DSM. você precisa entender o funcionamento, você precisa saber avaliar, você precisa integrar todas essas informações na sua prática clínica, tudo bem? Então, esse foi o resumo da nossa segunda aula.
Agora vamos pra nossa terceira aula, mais uma aula fundamental aqui que você precisa ter esse conhecimento. E aí, na aula três, a gente falou sobre o manual diagnóstico atual, que é o DSM5TR, tá? Então, a gente falou sobre dois pontos muito importantes.
Primeiro, o manual diagnóstico atual em saúde mental é o DSM5TR. E o segundo, a gente já sabe algumas coisas sobre o próximo manual, talvez aí um DSM6, OK? Então, para começar é fundamental que você sempre utilize o manual mais atual, que no caso agora é o DSM5TR, que foi lançado em janeiro de 2023.
Se você ainda está utilizando versões anteriores, você está desatualizado. E aí eu preciso reforçar isso. Trabalhar com uma versão antiga é trabalhar com uma coisa desatualizada e isso não pode acontecer, ok?
Então vamos entender juntos aqui esse manual e que a gente tem hoje, o DSM5TR, OK? Ele é dividido em três partes. A primeira parte traz orientações gerais ali sobre o uso do manual.
A segunda parte é onde estão ali os transtornos propriamente ditos. Aqui é que você encontra os critérios diagnósticos. Então, esses transtornos eles estão organizados por grupos de acordo com similaridade e também considerando o desenvolvimento ali ao longo dos estágios das fases da vida, tá?
Então, começa com a infância, com transtornos do neurodesenvolvimento e vai até a velice com transtornos neurodegenerativos. Hoje no DSM a gente tem mais de 400 diagnósticos. que estão organizados em 19 categorias.
E aí aqui já entra um ponto bem importante, não é pouca coisa, OK? Exige estudo, exige muito domínio e você precisa estudar sim tudo isso, tá? E a terceira parte do manual traz instrumentos de avaliação e modelos alternativos.
Então, ah, um exemplo que a gente tem nessa terceira parte é o modelo alternativo para os transtornos de personalidade, que traz ali uma abordagem dimensional. Então, a sessão dois é a que a gente utiliza, é nela a gente mais utiliza, né? É nela que a gente encontra as 19 categorias diagnósticas que estão divididas ali pelos capítulos do DSM.
Cada capítulo é uma categoria diagnóstica, tá? Então não tem como você fazer diagnósticos sem você conhecer todas essas 19 categorias, ok? E nessa sessão dois é que estão os critérios diagnósticos e os códigos, tá?
E aí, de forma geral, o DSM ele é apresentado a partir de três componentes principais: a classificação diagnóstica, os critérios diagnósticos e o texto descritivo. Para cada transtorno, o DSM ele vai apresentar um conjunto de critérios que indicam quais sintomas precisam estar presentes para que o paciente receba o diagnóstico e por quanto tempo. Além da parte dos critérios, o DSM traz a parte das características diagnósticas, que é a parte explicativa ali do manual, tá?
Onde ele traz o o critério e depois ele explica o critério. Então, é muito importante que você não leia só os critérios ali, os tópicos, mas que você leia também essa explicação eh que o DSM traz. Outro ponto importante é entender que muitos critérios diagnósticos são, em certa medida arbitrários.
tá? Especialmente nos transtornos de personalidade. Então, por que que pro border são necessários cinco critérios e não quatro e não seis?
Isso foi definido por um consenso, OK? E isso mostra, portanto, uma limitação do modelo categórico. Então, o DSM tem sim limitações, mas ao mesmo tempo não adianta vir com esse discurso de despatologizar, porque ele ainda é o melhor sistema que a gente tem hoje, tá?
E mais, é um manual que está em constante evolução. Então, não é à toa que já está se falando num DSM6, só que diferente do que algumas pessoas estão dizendo por aí, o DSM6 não vai ser lançado agora. A princípio, a data que foi divulgada pela APA é 2030 nos Estados Unidos, mas é só um deadline que eles estão trabalhando, talvez atrase mais ainda, OK?
Eh, normalmente quando a gente tem um lançamento de um DSM nos Estados Unidos leva um ano para chegar no Brasil. Então a gente tá falando aí de 2031, se tudo der certo. Então pode ficar tranquilo que a gente ainda tem vários anos de DSM5TR pela frente, tá?
E o que que a gente já sabe sobre esse próximo manual? Uma das propostas é a possível mudança do nome. Não seria mais DSM, né?
passaria a ser DCM, que seria manual, diagnóstico e científico. OK? Além disso, a proposta é tornar o modelo mais flexível, mais abrangente, com uma estrutura ali baseada em quatro grandes pilares: fatores contextuais, fatores biológicos, diagnóstico com níveis de gravidade e características transdiagnósticas.
E uma das mudanças mais relevantes que eles estão propondo é avançar para um modelo dimensional, ou seja, sair dessa lógica rígida de categorias e caminhar para uma avaliação mais contínua, eh, considerando ali graus de funcionamento. OK? E aí, talvez, o ponto mais polêmico de todos, dessa proposta pro novo eh DSM seja transformar o DSM num documento vivo com atualizações mais frequentes, ou seja, não esperar décadas, né, para lançar uma nova versão, mas fazer ajustes o tempo todo.
Então, a gente teria aí um novo DSM a cada ano, né? Então você já entendeu aqui a necessidade de se manter atualizado. O DSM também entende essa necessidade, está propondo isso.
OK? Então, tendo feito aí esse overview no manual, agora a gente vai pro resumo da nossa quarta aula, que foi uma aula importantíssima, a base do diagnóstico em saúde mental. Então, na aula quatro, a gente teve o método para conduzir entrevistas diagnósticas em psicopatologia com excelência.
Então, nessa quarta aula da nossa semana gratuita, a gente falou sobre o método para conduzir entrevistas diagnósticas. E aí eu quero começar falando algo essencial, que é a base de toda a entrevista, que é o relato do paciente. Porque sem o relato do paciente não existe entrevista, não existe coleta de informações e não existe diagnóstico.
Então é exatamente por isso que você precisa estar atento aí a três pontos fundamentais que influenciam diretamente neste relato. vínculo, o comprometimento mental do seu paciente e o recorte de tempo na investigação. Então, vamos começar pelo vínculo.
Se você não estabelece um bom vínculo com o seu paciente, a sua entrevista já começa comprometida e o seu preparo técnico é fundamental para facilitar essa comunicação e permitir que o seu paciente se expresse com o mínimo de interferência possível. OK? O segundo ponto é o grau de comprometimento mental e cognitivo do seu paciente.
Aí a pergunta aqui é o quanto o relato do seu paciente é confiável. Eh, o seu paciente tem alterações significativas nas funções psíquicas que podem comprometer diretamente o relato dele? E nesse caso, você não pode depender só do que o seu paciente diz.
Você precisa buscar outras fontes, familiares, pessoas próximas para checar as informações, tá? E o terceiro ponto é o tempo. O paciente ele não conta a história dele toda certinha na primeira sessão, ele vai trazendo aos poucos, OK?
E aí muitas vezes aquilo que é mais importante também é o mais difícil dele trazer. Então isso exige tempo, vínculo, confiança, tá? Então já deu para perceber que a entrevista clínica exige método e técnica.
E é isso que a gente chama de semiotécnica. E o que você precisa fazer na prática dentro de uma entrevista é primeiro coletar indícios de problemas. A partir desses indícios, você vai listar as possíveis manifestações de escrever cada uma delas e aprofundar.
E aí depois você precisa fazer uma triagem das áreas da psicopatologia, levantando ou descartando hipóteses diagnósticas. E por fim, você vai organizar tudo isso na lógica dos diagnósticos, ou seja, dentro da nozologia do DSM. Então, perceba que o nível de organização que isso exige não é uma conversa solta, o seu paciente fala e você ouve, não.
É uma investigação estruturada. E em alguns casos você ainda pode utilizar também instrumentos, escalas de maneira complementar, OK? Mas é complementar mesmo.
E aí agora eu quero te trazer aqui a regra de ouro da psicopatologia, que você precisa anotar e guardar isso, tá? Pacientes organizados, com um bom nível intelectual, fora de quadros psicóticos, eles podem ser entrevistados de maneira mais aberta. Já pacientes desorganizados, com prejuízo cognitivo, com estado psicótico, alto nível de ansiedade, precisam de uma entrevista mais estruturada.
OK? E agora eu vou te apresentar os 10 passos da entrevista diagnóstica para você seguir na clínica. Esses 10 passos eles se dividem em dois grandes grupos.
O primeiro grupo é a entrevista eh propriamente dita, a anamnese, onde você vai ali coletar informações, entender a queixa principal. E o segundo grande grupo é o exame psíquico ou o exame do estado mental, onde você vai avaliar as funções psíquicas do seu paciente. Ok?
Então vamos lá aos 10 passos. O primeiro passo é a coleta de informações. Então você vai começar com perguntas abertas, permitindo que o paciente fale livremente e aos poucos você vai direcionando, tornando as perguntas mais específicas.
Então você coleta dados básicos, história familiar, história e médica, eventos importantes da vida. O segundo passo é a queixa principal. E aí aqui você também registra nas palavras do paciente.
O terceiro passo é a investigação da história do problema atual. Então você vai explorar sintomas, duração, intensidade, fatores desencadeantes, o impacto na vida do paciente. O quarto ponto, o quarto passo é o histórico de transtornos mentais, tanto do paciente quanto da família e também o uso de substâncias.
O quinto passo é a história do desenvolvimento e o funcionamento atual, infância, adolescência, marcos importantes, eh aspectos atuais de trabalho, lazer, rotina. Então, até aqui eu tô falando da primeira parte da entrevista, né? E aí depois a gente vai pra segunda parte que é o exame do estado mental, onde a gente vai avaliar as funções psíquicas.
Aí a gente vai pro sexto passo, que é a avaliação do humor e do afeto. Então você vai investigar como o paciente se sente, como ele observa, como ele expressa isso. O sétimo passo é a avaliação do pensamento e da cognição.
Aí aqui você analisa a organização do pensamento, a lógica, a coerência do pensamento do seu paciente, a presença de delírios, obsessões, tá? O oitavo passo é a avaliação do comportamento e da atitude. Isso não vem de perguntas, vem da sua observação, postura, expressão, forma de se comportar, nível de cooperação do paciente.
O nono passo é a avaliação de risco para suicídio. E você precisa perguntar. Não é para evitar o assunto, não é para ter medo, não é para pedir desculpas por perguntar sobre isso.
Você precisa investigar isso, ok? E o décimo passo é a conclusão, onde você vai organizar tudo que você levantou, vai fazer uma síntese, vai ver se você entendeu corretamente o que o paciente disse e, se possível, você já levanta ali hipóteses, diagnósticas, tá bom? Esses 10 passos aí da entrevista te dão um mapa, é uma estrutura que te dá segurança para conduzir a entrevista com clareza, com organização, com precisão, porque é isso que no final das contas permite que você faça um diagnóstico bem feito, ok?
Mas é importante lembrar que mais do que qualquer técnica, qualquer método, qualquer passo estruturado, você precisa acolher o seu paciente que te procura em sofrimento, OK? Porque no final das contas, mais do que um profissional tecnicamente bom, que é muito necessário, o paciente precisa também de outra pessoa compreendendo ele, né? É isso que realmente faz a diferença na prática clínica, é isso que difere o nosso trabalho de uma inteligência artificial ali conversando com o paciente, tá?
Então esse é um conteúdo importantíssimo que eu resumi aqui para você, mas você precisa se aprofundar muito nisso, porque a entrevista é a base do diagnóstico em saúde mental, ok? E aí agora a gente vai pra nossa última aula, o conteúdo mais avançado de todos, de todos que eu trouxe até aqui, que é a aula cinco, o passo a passo que diferencia um psicólogo mediano de um especialista em diagnósticos. Então, nessa aula cinco, a gente falou sobre o diagnóstico diferencial.
E o que é o diagnóstico diferencial? É quando você está diante de duas ou mais possibilidades diagnósticas e daí você precisa decidir qual delas explica melhor o quadro do seu paciente, tá? E como que você faz um bom diagnóstico diferencial?
Existem cinco passos fundamentais que estão descritos ali na literatura científica. E é isso que eu vou te explicar agora de maneira resumida. OK?
O primeiro passo é você excluir transtorno factício, ou seja, você avaliar se o seu paciente está simulando sintomas de forma intencional para obter algum tipo de ganho, eh, de atenção, de cuidado, ok? O segundo passo é você excluir o uso de substâncias. Isso é fundamental porque existem drogas, existem medicamentos que produzem sintomas ali que se assemelham com transtornos mentais, tá?
O terceiro passo é excluir condições médicas de maneira geral. Então, algumas doenças clínicas também produzem ali, né, sintomas que também se parecem com transtornos mentais. Então, muitas vezes é necessário você encaminhar o paciente para um clínico geral antes de você fechar um diagnóstico, OK?
Somente depois de excluir substâncias e outras condições médicas, é que você vai pro quarto passo, que é determinar qual transtorno mental dentre aqueles transtornos do DSM ali melhor explica aquele conjunto de sinais e sintomas. E é aqui que entra um ponto essencial que eu já falei muitas vezes aqui nessa aula. Você precisa conhecer profundamente os diagnósticos.
Se você nunca viu a cor vinho, como que você vai olhar para essa minha blusa e dizer: "Esta blusa é vinho"? Você não vai conseguir fazer isso, ok? E aí, da mesma forma, se você não conhece um transtorno, você simplesmente não vai identificar aqueles sinais e sintomas que o seu paciente tem.
Ou seja, você não vai considerar que aquele transtorno é uma hipótese no caso daquele paciente, tá? E aí, automaticamente isso aumenta o risco de você fazer um diagnóstico errado. E o quinto passo é estabelecer os limites entre o normal e o patológico, traços e o próprio transtorno, tá?
E a a gente tem um ponto que é bem importante, né? Nem todo sintoma é transtorno. Então, muitas vezes o paciente ele tem ansiedade, ele sente tristeza, ele tem insônia e isso faz parte da experiência humana.
Não necessariamente é ali um quadro patológico por si só, tá? Para ser considerado transtorno, a gente precisa que tenha frequência, intensidade, sofrimento ou prejuízo clinicamente significativo. E esse é um ponto central pra gente fazer diagnósticos, tá?
Porque se você patologiza tudo, você também erra. Mas se você minimiza o que é transtorno, você erra também, tá? Então, fazer diagnóstico diferencial exige um raciocínio clínico, exige conhecimento profundo, exige prática.
Não é algo simples, mas é exatamente isso que separa um profissional mais ou menos de um especialista, porque o especialista ele não olha pro sintoma isolado e sai diagnosticando. Ele entende o contexto, ele organiza as informações, ele levanta hipóteses, eh ele testa essas hipóteses e ele chega em uma conclusão baseada em critérios técnicos, tá? E por falar em sintomas isolados, para que a gente entenda melhor a importância de ser capaz, né, de eh entender o sintoma dentro do contexto, eu vou trazer aqui um exemplo de sintoma e o que ele pode significar.
Isso se chama algoritmo diagnóstico. E a lógica é sempre a mesma. Um sintoma sozinho não fecha diagnóstico, ele abre possibilidades.
OK? Então vamos pensar aqui no sintoma alucinação, que é conhecido aí por ouvir vozes, tá? É um dos tipos de alucinação, alucinação auditiva.
Ah, muitas pessoas fazem uma associação automática. Se ouve vozes, então tem esquizofrenia, mas isso é um erro, tá? Eh, primeiro você vai descartar simulação, que esse paciente não tá inventando isso.
Depois você vai descartar uso de substâncias, depois você vai descartar condições médicas como delírium, né, que é um quadro aí eh neurológico, tá? Em seguida, você vai investigar se essas experiências são o que a gente chama de pseudoalucinações, tá? se o paciente tem insight ou não, se essas alucinações são transitórias, se isso tem relação com o contexto cultural ou religioso daquele paciente, se essas alucinações aparecem dentro de quadros de humor, se essas alucinações estão associadas a delírio, a desorganização, qual é o tempo de duração dessas alucinações e se o paciente apresenta outros sintomas psicóticos.
Aí, dependendo de toda esta combinação, você tem várias possibilidades diagnósticas. Transtorno psicótico breve, transtorno esquizofriniforme, esquizofrenia, transtorno bipolar com sintomas psicóticos, transtorno depressivo com sintomas psicóticos e várias outras possibilidades. Citei só algumas aqui.
Então, mais uma vez, ouvir vozes não é igual ao diagnóstico de esquizofrenia, tá? Você precisa fazer o caminho de exclusão e organização das hipóteses. Lembre sempre, diagnóstico é uma investigação, não é uma associação automática.
Você não olha um sintoma e você diz qual é o diagnóstico, qual é o transtorno do paciente, tá? Não. Você precisa investigar, organizar hipóteses, descartar possibilidades e só depois você vai levantar a hipótese mais provável.
Porque em psicopatologia nem tudo que parece de fato é. OK. Outro ponto extremamente importante quando a gente fala de diagnóstico diferencial é entender que nem todos os diagnósticos podem coexistir.
Existem situações em que os diagnósticos são excludentes. Isso tá descrito no próprio DSM5TR, tá? Isso acontece principalmente quando há uma sobreposição de sintomas ou quando um diagnóstico explica melhor aquele quadro do que outro.
Eu vou te dar aqui alguns exemplos para ficar claro. No caso de transtorno bipolar, tipo um, ele não pode coexistir com transtornos psicóticos primários, como esquizofrenia, esquisoaafetivo, esquizofreneforme, transtorno delirante. Isso porque para você fechar o diagnóstico de bipolar tipo um, os episódios de humor eles não podem ser melhor explicados por um transtorno psicótico primário.
Então, se o quadro se encaixa melhor em esquizofrenia, o diagnóstico é esquizofrenia. você não fecha a bipolar junto, ok? Então, qual que é o ponto aqui?
Diagnóstico. Não é simplesmente dar check em sintomas. Você precisa conhecer os critérios, eh, entender as exclusões, saber quando um diagnóstico invalida o outro.
E isso faz parte de um raciocínio clínico mais refinado. E mais uma vez, é isso que diferencia um profissional comum mais ou menos de um especialista em diagnósticos, tá? Ou seja, com tudo isso aqui que eu te passei, você viu quantos pontos são extremamente importantes para você dominar aqui que eu trouxe nessa aula de resumo.
Isso que eu fiz o resumo do resumo do resumo, tá? Porque as aulas da nossa semana da psicopatologia tiveram aí mais de 2 horas de duração cada uma delas, ok? Então aqui realmente eu trouxe bastante resumido porque psicopatologia, meus amores, é um mundo, tá?
Então, eh, eu trouxe realmente aqui o mais resumido que eu pude para você não perder esse conteúdo. E eu acho que foi muito importante aí você consumir esse conteúdo aqui para abrir seus olhos sobre a importância e a complexidade deste tema que muitos psicólogos negligenciam, mas que não pode ser negligenciado. Então, eu vou reforçar aqui o que eu falei no início deste aulão.
Imagine você procurar um profissional de saúde mental e ter 30% de chances de ter um diagnóstico correto. Entenda a gravidade disso, tá? E agora, para piorar, imagine que esses são os profissionais que querem ser mais valorizados e ter resultado na clínica.
Não tem como. A clínica é um trabalho em que você é recompensado pelos resultados que você entrega, pelo quanto você ajuda os seus pacientes. Sem isso, você não vai conseguir viver bem de clínica, sendo muito, muito honesta com você.
Então eu espero que este aulão tenha servido para te ajudar a entender o quanto você precisa estudar a psicopatologia, se aprofundar em todos esses temas que eu trouxe aqui para você, para você ser um psicólogo de fato competente e ser devidamente valorizado por isso. E é claro que tudo que eu falei aqui, você pode tentar estudar sozinho, mas não é fácil. Então, se você quiser a minha ajuda nessa jornada, venha ser meu aluno e eu vou te ajudar a ser um psicólogo competente e valorizado que eu sei que você quer ser.
Então, aqui embaixo você vai encontrar um formulário para preencher que vai te dar acesso aos mapas mentais de todas as nossas aulas. Preencha o formulário para ganhar esse presente adicional, OK? E a depender da sua resposta, a minha equipe vai entrar em contato com você, porque estamos com algumas vagas extras devido ao não pagamento de boletos na formação em psicopatologia, a mais completa do mercado, e também na melhor pós-graduação em psicopatologia do Brasil.
Essas são as duas únicas turmas do ano com bônus imperdíveis. Então, fique atento a esta nova e última oportunidade, tá bom? Eu posso te ajudar.
Eu espero você. Vamos juntos.