Bom dia, moçada! Tudo bem? Baita prazer reencontrá-los aqui, começando o mês de março, dia primo de março, com mais uma reflexão estóica.
Hoje, nesse ambiente aqui, tudo difere. Por aqui, em casa, eu estava gravando basicamente ali no escritório, né? , ministrando as minhas aulas, etc.
, etc. , ali no escritório. Aí a gente podia fazer um outro espaço também, dar uma variada, diferenciar um pouco o ambiente.
Falei: “Não, legal, bora fazer! ” Aí nós fizemos aqui esse canto pra leitura também, mas a minha ideia era continuar lá gravando no escritório. E aí a Bárbara, muito sutilmente, falou assim: “Você não quer continuar gravando as meditações históricas no escritório?
” Eu falei: “Não, eu queria. ” Assim, ela falou: “Não, você não quer. ” Aí eu falei: “Uai, foi desse jeitinho assim, eu não quero.
” Aí, “Então, eu não quero, né? ” Aí eu vim pra cá. Ah, eu tô aqui agora.
Que dó, né? Que dó! Então, para quem tá assistindo a gravação, ó a mãozinha, ó a mãozinha pedindo ajuda, moçada.
Primeiro de março, então, agora até o fim do ano eu quero fazer aqui; claro que quero! Até o fim do ano eu quero fazer as gravações aqui. Ninguém me tira daqui, né?
Né? Né? Exatamente!
Moçada, primeiro de março, com uma meditação intitulada “Onde a filosofia começa”. Eu só queria, a título de, vamos dizer, de rememoração, recurso mnemônico, lembrá-los do seguinte: de acordo com o nosso programa aqui, proposto pelos autores, nós vamos. .
. O livro está dividido em três partes. Se vocês forem ao sumário, de acordo com uma proposta de divisão do Epicteto, pra gente abordar melhor a questão estóica.
Então, primeiro a disciplina da percepção. A gente vem trabalhando isso daqui, o modo como nós percebemos as coisas, o modo como as afecções devem ser compreendidas, como nós devemos lidar com aquilo que nos chega até nós. Depois, nós temos a disciplina da ação e, finalmente, a disciplina da vontade.
Então, o ano foi dividido, né? Quatro meses para a disciplina da percepção, quatro meses para a disciplina da ação e os quatro últimos meses do ano com a disciplina da vontade. Em janeiro, a gente falou sobre clareza: clareza de propósito, clareza na leitura da realidade.
Depois, em fevereiro, paixões e emoções. E o mês de março é o mês de consciência: desenvolver uma consciência que nos leve a ter uma melhor compreensão da realidade que nos circunscreve. Então, o mês de março será todo ele dedicado a isso, motivo pelo qual já começamos com uma meditação do próprio Epicteto, que diz o seguinte: “Um lugar importante para começar na filosofia é este: a clara percepção do nosso princípio orientador.
” O que é o princípio orientador que nós devemos ter? É aquele princípio que, diante de todo o caos da vida, diante de todas as vicissitudes que são próprias da existência, diante de todas as oscilações que são próprias do existir, a saúde, a doença, o dia e a noite, a tristeza, a alegria, a luz, o escuro. .
. A vida é feita disso, né? Dessas oscilações.
Mas é aquela luz que se mantém como um farol no meio da tormenta, lá ao fundo, colocando o barco no rumo certo. E isso independe de apelos sociais, isso independe do que os outros acham ou deixam de achar, isso independe da opinião da maioria das ocasiões. Isso não interessa.
Interessa a mim, no momento em que eu estabeleço o norte. Não interessa o que está acontecendo ao meu redor. Esse norte tem que permanecer ali firme como um princípio orientador que só pode ser bem estabelecido, vai dizer Epicteto, e vão dizer os outros estóicos do período romano, por meio de reflexão filosófica.
Os nossos autores comentam o seguinte: a filosofia é intimidadora. Por onde começar? Com livros, palestras?
Eles vão dizer: “Não, nenhuma dessas coisas. ” Epicteto está dizendo que nos tornamos filósofos quando começamos a exercitar nossa razão orientadora e passamos a questionar as emoções, as crenças e até a linguagem que outros dão por certas. Uma vida filosófica é uma vida que, em alguns momentos, pode ser solitária, porque enquanto tá todo mundo correndo pra cá, você corre pra lá, dizendo: “Olha, eu não tenho nenhuma evidência, antes pelo contrário, de que o caminho que vocês estão seguindo é o melhor caminho.
” Eu tenho evidências em sentido contrário. Enquanto o senso comum tá apostando em uma coisa, você tá questionando as bases do senso comum. Então, se às vezes para ser popular é inevitável ser medíocre, como alguém já disse, a filosofia deseja o contrário disso.
Uma coisa que não nos interessa é a mediocridade; e a mediocridade, ou melhor, a não-mediocridade, ela é muito pouco popular. Então, se você quer ser abraçado, se você tá carente, né? , abraça uma árvore, mas não queira, por meio da filosofia, desejar acolhimento.
Porque o senso comum, de modo geral, é frequentemente antifilosófico. Aí vai para aquilo que realmente interessa: “Eu quero ser bem-quisto”. E para isso vou apelar às emoções das pessoas, à demagogia, às falsidades.
. . não!
Eu me mantenho firme nos meus princípios, independente de emoções, crenças e até da linguagem que os outros dão por certas. Pensa-se que um animal tem consciência de si mesmo quando é capaz de se reconhecer plenamente no espelho. Talvez possamos afirmar que começamos nossa jornada na filosofia quando nos tornamos conscientes da capacidade de.
. . Analisarmos a própria mente, os seus truques, os melhores caminhos, os piores caminhos, os enganos nos quais nós podemos cair.
Você pode dar esse primeiro passo hoje; quando fizer, descobrirá que, a partir disso, realmente ganhamos vida. Levamos vidas, para parafrasear Sócrates, que são realmente dignas de serem vividas. Finalizo com uma observação: Aristóteles, por exemplo, vai separar a alma humana, o existir humano em três partes.
O existir humano, eu falo, a concepção do indivíduo enquanto totalidade em três partes, ele vai falar que existe uma alma vegetativa, uma alma sensitiva e uma alma intelectiva. Ele vai dizer que, se você olhar a nossa parte vegetativa e a nossa parte sensitiva, isso eu encontro no mundo, nas outras coisas que já existem. Por exemplo, a parte vegetativa evoca elementos nutritivos que são próprios do mundo vegetal: nascer, crescer, nutrir-se, comer; isso eu vejo numa planta.
Então, isso não caracteriza o homem como nota distintiva, porque isso eu tenho nos vegetais. Nem a alma sensitiva é definidora do homem, pois os animais sentem: sentir frio, sentir calor, sentir dor, sentir um certo prazer. Então, isso também não contradiz discurso; eu sou bicho, eu sou planta, mas não sou ser humano.
Se eu quero ser um ser humano na totalidade da minha complexidade, ultrapassando elementos que eu encontro nos vegetais, nas plantas, ou elementos que eu encontro em qualquer outro animal, assim chamado irracional ou de consciência rústica, eu tenho que pautar a minha vida pela razão. É só o que me diferencia: a racionalidade. Por isso que isso daqui é o café com pai, o seu devocional mais racional de todas as manhãs.
Vamos em busca dessa consciência, desse princípio orientador racional, para obtermos os melhores resultados a partir dessas meditações. Não se esqueçam de curtir e comentar. Eu agradeço muito quando vocês fazem isso; eu leio todos os comentários, e a gente se encontra aqui amanhã, aqui nesse mesmo lugar, né?
Amor, aqui nesse mesmo lugar, porque é onde eu quero ficar. Ninguém tem nada a ver com isso. Beijo!