Essa é a sequência das aulas da disciplina de política externa como política pública e vamos tratar de alguns temas mais específicos da política externa que em algum momento vão ter uma interceção e com a política interna mas são temas importantíssimos que não podem deixar de ser tratados em qualquer disciplina que trate de política externa esses eh quatro essas quatro páginas que estão aí na na tela representam is são quatro páginas as primeiras páginas de cada um dos textos selecionados o primeiro deles aqui o texto que fala da política externa brasileira do Professor Carlos Milani o
segundo do lentner do Marcel merley um autor francês um Historiador francês que trata de questões das relações internacionais a partir de perspectivas da história e também da sociologia e o outro texto que é um é um capítulo de um livro publicado pela Clotilde Ribeiro esse livro é derivado da dissertação de Mestrado dela que foi orientada pelo professor Milani que é o autor desse primeiro texto eh esse o livro foi publicado em 20009 e é a adaptação da dissertação de mestrado no texto aqui no no primeiro artigo que é de de 2013 é apresentado aí a
a ideia de que existe um debate eh sobre uma maior permeabilidade principalmente a partir dos anos 1990 de novos atores atores institucionais no caso que o texto trata principalmente novas agendas também na formação na formulação da política externa eh instituições que antes não participavam da política externa passaram a atuar também nesse campo e o segundo texto já um texto que não traz um estudo de caso específico mas diz o seguinte ó política pública e e política externa são dois ramos aí dos estudos da política que podem eh trabalhar em conjunto mas isso ainda é pouco
explorado Em geral os analistas de política externa e os analistas de políticas públicas olham para os seus objetos de estudo a partir somente das suas literaturas principais e um não aborda de maneira profícua as as abordagens eh teóricas da outra área e que pro lentner isso e uma grande uma grande perda porque pode se explorar e aproveitar muito se um uma área atuar olhando também para a literatura da outra já o livro docel ele é dos anos 1980 então Eh é um livro que faz uma uma análise histórica traz exemplos históricos de de longa data
mas ele principalmente aborda que existe uma visão que ele chama a visão tradicional do que é a política externa que mesmo após as as grandes reformas com implantações na Europa séculos passados com a implantação de monarquias parlamentares e com o poder legislativo ganhando mais espaço em relação ao poder executivo eh com o fim de monarquias instaurações instauração de repúblicas mesmo assim essa visão tradicional da política externa ela segue ela ela perdurou por muito tempo mas há algumas evidências de que isso tem mudado um pouco em nos períodos mais recentes no caso aqui ao período do
do da publicação do livro anos 1980 mas já desde antes tinha evidências de que isso vinha mudando e de que alguns aspectos dessa chamada visão tradicional eh tentou se modificar mas não conseguiu então ela permanece e o no livro da cloti de Ribeiro ela trata de uma questão importante fundamental que é paradiplomacia Ou seja a a a diplomacia exercida não só por um governo Central mas por outros por outros ent entes eh Federados ou entes do governo público do entes entes do governo entes públicos que atuam na área do governo eh que também é uma
questão importante quando se estuda política externa e relações internacionais então bem vou retornar aqui também para Recordar aquele eh diagrama aquele organograma colocando aqui A política externa com seus espaços internos decisórios a política pública também colocada ali quase com como um sinônimo de política interna também no seu espaço específico com um espaço aqui onde uma eh age se sobrepondo a outra ou em conjunto com a outra que ambas TM os seus espaços na as relações internacionais de maneira mais Ampla E além disso As definições para cada um desses espaços onde atuam aí cada cada um
dos atores e onde são tratadas cada uma das agendas específicas de cada um desses espaços da política bom eh é partindo dessa ideia eu prossegui fazendo uma abordagem sobre o livro do Marcel Merle esse livro o livro completo ele está disponível aqui nesse site da Biblioteca Nacional da França e para leitura online tem um livro o livro inteiro disponível é um livro bastante difícil de ser encontrado o livro físico e o que que ele traz a ideia que ele traz nesse nesse livro quem já fez a leitura do texto já já viu e eu vou
passar brevemente aqui para depois discutir isso a partir daquela ideia ali de política externa política pública e relações internacionais e diz o seguinte bom existe uma visão uma visão tradicional de que a política externa é uma atividade específica que está destacado ou ou específica subtraída das leis que em atividade política erigindo se como um domínio particular Então ela é específica ela é particular no qual a inteligibilidade e o controle serão acessíveis somente a uma elite privilegiada Então o que o Marcel Merle diz é que na visão tradicional da política externa ela é isso que está
aqui descrito se destaca dos outros Campos da política os atores são destacados de todos os outros atores que fazem parte da política também eh e isso é Reflexo da própria formação dos estados nacionais da relação entre poder autoridade e o próprio estado nessa relação de que o estado detém o poder a partir de uma autoridade consegu concedida por todos os demais que fazem parte de esse desse estado que fazem parte dessa sociedade essa discussão que ele traz de maneira relativamente breve no texto é uma discussão que se encontra aí nos clássicos da nos nos clássicos
da formadores do pensamento político que vieram a ser eh utilizados para todas as demais obras nos séculos seguintes principalmente nas ideias de em parte de Maquiavel mas principalmente e hobbs e John Lock e em grande parte com o jean-jacques Rousseau que tem uma abordagem um pouco diferente mas principalmente e Thomas hobbs e John Lock e inspiram aqui essa essa abordagem que o Marcel merley faz sobre esses elementos no seu livro e nessa relação entre poder e estado o que que ele aponta lá que bom é possível existir sociedad sem um estado mas não existem sociedades
sem um poder e esse poder ele é exercido por uma autoridade então a a eh a visão é o reflexo daquilo que se olha hoje nos Estados nos estados nacionais então a sociedade há uma disputa por poder na sociedade e há uma figura que representa esse poder e que governa essa essas sociedades de maneira é o que se encontra já desde muito tempo na formação do sistema de estados essa autoridade é aquela que exerce o poder político e o poder militar desde a formação dos estados eh nacionais e representa o grupo esse grupo social que
ele governa e representa perante os grupos rivais Ou seja no caso de um sistema de estados perante os outros estados eh no caso de eh sistemas de sociedades diferentes podemos dizer diferentes eh grupos indígenas que ocupam um determinado um determinado espaço tem essa mesma Lógica tem uma figura da de autoridade que detém o poder e que tem a palavra máxima a última palavra a palavra principal perante grupos grupos indígenas rivais que habitam a mesma região o estado institucionaliza esse poder no chefe di o poder não é só simbólico ele é um poder institucionalizado para o
primeiro ministro para o presidente para o monarca a partir da formação dos estados estados nacionais esse passou a ser um poder institucionalizado muito bem aqui o o chefe ele pode delegar determinadas atividades políticas assim como o presidente Ele delega Quem são os ministros da educação o ministro do trabalho o Ministro da Economia ele também pode designar alguém que vai representar o grupo perante as outras unidades semelhantes que em primeiro lugar nos modelos atuais é o ministro de relações exteriores e os seus comandados Então essa que é a lógica que o merley olha para a a
questão do poder e do estado na formação das sociedades e como que esse poder é colocado uma uma figura de autoridade é investida desse poder ele passa a ser o representante principal perante daquela sociedade perante outros grupos podendo delegar essa função a outros veja só ele vai delegar a função e delegar poder ao ao ao seu representante aí é uma prerrogativa também dessa figura Central de autoridade e quais são os elementos que ele coloca para essa visão tradicional especificamente da política externa agora não estamos mais falando da política em geral aqui é especificamente A política
externa Primeiro as relações exteriores ficam essencialmente sob responsabilidade do Poder Executivo temos aqui o um desenho representando os os três poderes O Poder Executivo ele centraliza a maior parte do das responsabilidades e da capacidade de ação quando se trata de temas de política externa Poder Legislativo nessa na questão do equilíbrio dos três poderes e nesse no no sistema de freios e contrapesos que rege as constituições eh liberais em Estados Democráticos nesse modelo de modelo de estado que o sistema internacional está conformado Atualmente é muito comum que o poder poder executivo ele necessite da aprovação do
Poder Legislativo nos temas relacionados à política externa o que se verifica se você analisa processos de tratados internacionais por exemplo que são assinados pelo do Poder Executivo e submetidos ao poder legislativo eh para aprovação para que o poder executivo possa colocar em execução eh na maioria dos casos na grande parte dos casos esse processo passa pelo poder legislativo passa pelas comissões legislativas pelo plenário alguns casos Há algum debate às vezes até algum desentendimento sobre um ou outro tema mas o mais comum de acontecer é que o poder executivo apresente temas de política externa e esses
temas passem pelo legislativo sem praticamente nenhuma mudança então o mais comum que se vê hoje é que o legislativo ele referenda as ações do executivo em política externa apesar de ter a prerrogativa eh em muitos casos de a a prerrogativa de propor emendas ou de vetar algumas matérias em política externa mesmo tendo essa possibilidade pela pelo formato constitucional da maioria das democracias liberais eh pouco o legislativo faz isso Se vocês forem pesquisar a maioria A grande maioria dos países vocês fizerem uma pesquisa sobre processos relacionados à política externa que foram eh colocados no legislativo apresentados
por um membro do executivo o presidente ou Ministro de relações exteriores ou um ministro da economia eh o mais comum a grande parte vai retornar sem nenhuma mudança para ser colocado em execução o papel do Judiciário nos processos relacionados à política externa ele é um papel secundário no nesses modelos Democráticos liberais constitucionais então enquanto que o Executivo eh tem aí uma uma primazia no no tratamento da política externa e o legislativo Embora tenha a possibilidade também de vetar ou emendar os processos raramente faz isso as prerrogativas constitucionais se você pesquisar as legisla legislações da América
Latina por exemplo as constituições da América Latina você vai encontrar que o judiciário ele tem o papel eh de analisar principalmente de analisar casos em que um tratado internacional vai ser denunciado ou seja país faz parte de um de um tratado internacional assinou um tratado faz parte do grupo de países que segue o que está previsto naquele tratado mas por algum motivo o Executivo por exemplo eh informa que o país vai deixar esse tratado eh para deixar esse tratado ou seja fazer a denúncia do tratado em geral o judiciário é consultado nesses casos há alguns
casos como por exemplo na Colômbia em que os processos que são apresentados um tratado internacional por exemplo depois de apresentado pelo executivo tratado pelo legislativo antes de ser devolvido ao executivo ele passa pelo Poder Judiciário para fazer a revisão de constitucionalidade então há casos e e esses não são tão difíceis de ser encontrados em que o processo passa pelo executivo e pelo legislativo colombiano e quando chega ao poder judiciário ele é devolvido para essas duas instâncias para fazer ajustes para que não haja eh nada fora daquilo que a constituição Colombiana prevê mas não é comum
que isso aconteça a Colômbia tem esse mecanismo mas por exemplo e Chile e Ina por exemplo não tem eh previsto esse mecanismo eh exceto para casos de denúncia de tratados internacionais outro outro elemento eh que o Marcel Merle apresenta que aqui no seio do executivo as relações são tratadas ao nível mais elevado da hierarquia política e o que ele quer dizer com isso bom existe um poder executivo aqui eh um poder executivo nacional e das de cada uma das das unidades das unidades menores aqui um exemplo no caso do Brasil eh poder executivo da União
dos Estados do Distrito Federal e dos Municípios eh cada um tem prerrogativas cada um tem também deveres diferentes mas o Marcel Merle cita o seguinte Olha é por mais que o tivo possa ser eh diferenciado possa haver diferentes níveis No Poder Executivo A política externa ela tradicionalmente é vista como algo que é tratado aqui pelo poder executivo mas aqui no âmbito da União no âmbito do Poder Federal mesmo os executivos dos Estados exemplificando com o Brasil do das unidades da Federação ou dos municípios eh tendo alguma ação internacional política externa é coisa do Poder central
e quando ele fala de Poder Executivo eh no no nível na mais alto da hierarquia política ele refere-se aqui não apenas ao representante máximo do Poder Executivo seria o presidente ou primeiro-ministro mas aqueles membros de primeiro Escalão do gabinete ou seja os ministros de estado e dentro do conjunto dos ministros de estado o para a política externa o ministro de relações exteriores tem uma posição tradicionalmente diferenciada então é a isso que ele se refere quando diz que o executiv no executivo é tratado no nível mais alto da hierarquia política Outro ponto é sobre o monopólio
no Exercício das atribuições para os agentes da política externa um exemplo que cita ali no no texto é eh que ainda no século no século XVII mas isso se Estendeu depois por mais tempo qualquer assunto Internacional na França tratado na França isso não acontecia só na França também acontecia por exemplo eh em Florença no período de Maquiavel qualquer assunto internacional ele deveria necessariamente passar primeiro pelo Ministro de relações não não poderia passar primeiro por outra pessoa o ministro de relações exteriores teria que ter conhecimento de tudo o que acontecia no âmbito internacional ninguém poderia tratar
de assuntos internacionais sem que o ministro de relações exteriores tivesse conhecimento e sem que ele também desse a autorização para que isso acontecesse por isso um monopólio no Exercício das atribuições eh relações exteriores são temas específicos de Ministro de relações exteriores e isso já centraliza já deixa eh vai deixando Clara aquela ideia do início da aula daquela afirmação de que era apenas um pequeno grupo de beneficiados que poderiam tratar dos temas de política externa Outro ponto é que ah deveria haver uma profissionalização de alto nível para a aqueles que tratam da política externa isso tradicionalmente
sempre eh sempre aconteceu sempre eram pessoas muito capacitadas e de confiança do monarca por exemplo que nos séculos X no século XV nas relações europeias eles tratavam dos assuntos dos assuntos externos e no caso de do século X por exemplo eh havia havia inclusive distribuição de poderes específicos em que em alguns casos apenas o próprio monarca tratava dos assuntos internacionais eh porque só o só o monarca era visto como alguém capaz de tratar desse tipo de assuntos Esse foi um tema que foi debatido na na França Inclusive tem a isso é citado no brevemente no
livro quando ele fala que na França após 1945 houve uma mudança em relação a essa questão que para se trabalhar na diplomacia francesa era necessário um conhecimento uma aptidão e determinadas determinadas condições préviamente verificadas para que aquela pessoa selecionada fizesse a os estudos da escola diplomática então a seleção era prévia você não escolhia somente estudar na escola diplomática e a automaticamente iria eh teria você teria que ter aptidão para isso Ou seja eh tornar-se aqui um especialista profissional e não amador o que que aconteceu a partir de 1945 na França eh o a escola de
diplomacia foi colocada no mesmo nível das outras escolas profissionalizantes então Eh falando de maneira mais geral você fazia um concurso para entrar numa Escola de Formação eh de profissionais que teria um espaço para você depois disso escolher se você iria para a escola de Economia para a escola da política para a escola da administração ou para a escola da diplomacia então todos entravam eh todos entravam pelo mesmo processo seletivo digamos assim e selecionavam o a carreira que queriam seguir então o aquele que eh antes era selecionado para ser Diplomata ali ele poderia ser um economista
porque ele entrou junto com os demais assim como aquele que tem mais aptidão para a economia por exemplo poderia escolher a carreira diplomática na visão do Marcel merley que administração da política externa ela tradicionalmente era vista como uma questão para profissionais especialistas no tema o outro o outro elemento é em relação ao segredo das questões que são tratadas por aqueles que tratam os temas da política externa política externa ela envolve negociação ela envolve eh em grande parte da literatura vai se encontrar isso envolve o interesse Nacional algo muito amplo e o que como que isso
tradicionalmente é visto se você trata algo que é de um interesse de toda uma nação um interesse bastante amplo e você trata com todas as cartas na Mesa se a sua contraparte se aquele com quem você está negociando não faz a mesma coisa ele estará em vantagem ou seja o o seu interesse Nacional vai ser muito mais difícil de ser atendido do que o do que está no outro lado da sua mesa negociando por isso o diplom mata o responsável pelas relações internacionais pelas relações exteriores ele deve manter o selo do segredo nos temas que
ele tá trata com os negociadores dos demais países e essa é uma questão que o o merley até cita que no início do século XX foi até contestada e o ex-presidente Wilson dos Estados Unidos eh propôs Inclusive era um dos 14 pontos que o o Wilson propôs para uma reforma no nas relações na no formato das das relações exteriores eh dos países que uma das questões é que tudo o que fosse tratado pela diplomacia fosse Tratado de maneira aberta e não sob o selo do segredo porque isso geraria maior confiança entre as partes isso não
não foi embora todos os países à época tivessem com concordado com isso Nenhum deles levou adiante reforçando que eh a essa individualidade de cada estado no trato das questões de política de política externa ela é muito mais forte do que a clareza no tratamento das questões para ter a confiança das suas contrapartes se quando se tentou colocar essa questão do segredo da informação do controle da informação eh de uma outra forma de uma forma mais aberta ficou muito claro que nas relações entre os Estados a desconfiança é muito maior do que a possibilidade de se
construir um ambiente de confiança e aí ele faz algumas constatações sobre esses quatro pontos que formam aí a visão tradicional da política externa os quatro pontos que formam são in do executivo centralizada no executivo paraa política externa profissionalização da carreira são profissionais que tratam da política externa há um monopólio do controle do do tanto do controle da informações como do tratamento dos temas de política externa há um monopólio Centralizado nesses agentes da alta Cúpula do governo e a regra do segredo nas negociações ela é tradicionalmente vista como necessári no nas negociações em política externa e
o que que ele ele conclui nessa nessa introdução nesse capítulo que vocês leram eh mas que ele debate isso ao longo do livro como um todo é que essa iniciativa do executivo ela permanece desde lá do século XV século X e isso sempre foi muito forte e ao longo do tempo isso permaneceu o Executivo tendo primazia no trat dos temas da política externa a questão da profissionalização da carreira apesar disso ter mudado na França no início da segunda metade do século XX isso foi sendo reforçado ao longo do tempo porque todos os países Inclusive a
França mudou isso depois mas todos os países passaram a ter uma seleção muito rígida para quem vai entrar na carreira diplomática então isso foi se reforçando ao longo do tempo e a questão do monopólio do tratamento das questões de política externa eh na visão do merley isso já foi quebrado e lembrando que o livro dele é de 1984 então ele tá falando dos anos 1980 antes do fim da guerra fria Antes desse buom da globalização que aconteceu no final dos anos 90 início dos anos 2000 e nesse momento ele já dizia que essa regra do
monopólio já havia sido quebrada que é o que apontam também o o professor Carlos Milan e a professora Letícia Pinheiro lá no no texto sobre a política externa brasileira eles mostram que não existe mais esse monopólio outros Ministérios e outras agendas eh invadiram também A política externa e que a regra do segredo ela chegou a ser contestada ou seja o segredo nas negociações eu controlo as informações que eu tenho para ter mais poder nas negociações foi contestada mas não foi quebrada nada mudou então Eh são são os principais pontos que você lê o livro como
um todo do merley ele vai tratar ponto a ponto todos esses elementos seguindo Em relação aqui às constatações que o Merle faz no livro eh uma delas que política externa e política interna se se tornaram mais Independentes ao longo dos séculos e ao longo das décadas do Século XX principalmente política externa e interna são coisas já mais difíceis de separar uma da outra outra questão as democracias elas tendem a guiar A política externa a partir de questões internas e isso é um ponto que não existe objetivo de política externa descolado de um objetivo de política
interna hoje Isso já é muito claro e nas democracias há uma participação hoje muito maior de pessoas de grupos eh em em questões políticas internas então e no mundo globalizado muitas vezes é necessário se fazer algum tipo de ação exna algum tipo de ação de política externa para cumprir um objetivo interno então eh a política interna na nas democracias ela passa a guiar em grande parte os objetivos e as diretrizes da política externa Outro ponto é que países dependentes economicamente tem sua autonomia prejudicada é mais difícil para um país dependente conseguir determinar por si próprio
a sua política externa um país eh por exemplo que é um grande exportador de commodities e as mesmas commodi são produzidas por um país mais rico é difícil que esse país consiga fazer por exemplo eh um projeto autônomo de industrialização eh baseado nos lucros da exportação de comodities porque o preço das commodities ele é muito regulado muito mais pelo mercado que é capitaneado pelas grandes potências então um país economicamente dependente um país exportador de produtos Primar sempre a sua política externa ela vai ter que estar olhando para os objetivos maiores dos Grandes Atores globais cita
também que em algumas circunstâncias específicas é necessário se separar a política externa da política interna Então dependendo do tema a ser tratado pelos entes políticos é melhor separar essas duas coisas então a separação entre o externo e o interno apesar de terem se tornado aqui como citada na primeira constatação terem se tornado mais interdependentes não deixou de existir essa essa essa questão da diferença entre temas específicos da política interna e específicos da política externa pois bem voltamos aquele diagrama para verificar aqui dessas constatações o que nós podemos perceber bom em relação aos primeiros quatro pontos
onde é que eles se localizam aqui iniciativa do executivo quando se fala da iniciativa do executivo são as relações que o país tem diretamente com outros no âmbito no âmbito internacional mas também a iniciativa dentro do próprio do das instituições nacionais de se levar um tema de política externa para ser aprovado então quando se fala da iniciativa do executivo que permanece ele quer dizer que esse espaço aqui ocupado esse espaço decisório ocupado pelo poder executivo ele é continua continua sendo assim e ao longo do tempo em que se da formação dos estados nacionais pouquíssima coisa
mudou nisso a profissionalização da carreira que foi reforçada é outro tema que que está aqui dentro das questões de das questões de política política externa especificamente também o a quebra do monopólio dos temas de política externa aqui determinados temas de política pública conseguem ter um certo espaço conseguem eh se ramificar um pouco aqui para os temas da política externa e a ação aqui nas rel internacionais de atores não estatais Ele eles também conseguem hoje eh quebrar esse monopólio de temas monopólio de atores e influenciar na política externa Então essa nessa questão da regra do monopólio
dá para se dizer que eh isso esse espaço aqui exclusivo da política externa já está muito mais permeado por essas questões em relação à regra do segredo que foi segredo da informação que foi contestada mas permanece muito forte isso refere-se justamente a esse espaço das negociações eh o o espaço internacional da política externa não necessariamente aqui as questões internas aqui é que os profissionais aqui esses profissionais de carreira negociadores tratam com segredo as segredo as e controle das informações tudo que eles têm para negociar nesse âmbito internacional sobre as outras questões política externa e interna
tornaram-se mais interdependentes aqui esse espaço onde onde a política pública e a política externa se misturam Isso é uma constatação que antes se dizia que esse espaço não existia hoje é claro que existe no entanto como aqui no último o ponto às vezes deve se separar o externo do do do interno há ainda questões que são específicas de cada uma das duas áreas as políticas públicas também elas são objetivos gerais dos governantes que vão atender a demandas públicas específicas e é muito importante pensar que seja política externa ou política interna os governantes eles têm o
intuito de eh resolver os problemas públicos através de políticas públicas sejam elas exclusivamente políticas públicas ou ligadas à política externa eh porque o objetivo principal dos governantes é o sucesso nas eleições seguintes então a conta do dos governantes que tratam das políticas públicas ela é sempre feita em votos Se isso precisar eh ser executado através da política externa eles assim o farão então por isso esse ponto aqui que a política externa ela pode ser muito guiada pela política interna e em grande parte pela eh disputas disputa dos votos do eleitor eh nas eleições e o
voto do o eleitor vai lembrar daquele governante e se as políticas públicas realizadas atenderam às suas demandas demandas específicas e a questão de países dependentes ter sua autonomia prejudicada aí eh isso engloba todos esses todos esses aspectos um país dependente ele tem a necessidade de olhar para o âmbito aqui das relações internacionais em todo momento executando políticas públicas internas executando A política externa ou política externa que tem a ver com públicas muito bem esse essa foi uma abordagem mais mais longa um pouco sobre o texto do Marcel Merle e e isso é importante para que
fique claro é importante saber que a política externa tradicionalmente ela é vista dessa forma houve mudanças na nas questões teóricas Nas questões práticas ou seja no no empírico e no teórico houve mudanças ao longo do tempo mas essa é uma visão que apesar da abordagem do livro ser lá de 1984 eh isso dá para se dizer que permanece até hoje e um outro ponto que não pode ser deixado de lado quando se trata da política da política externa e principalmente se vai tratar de política pública é a paradiplomacia não há como se falar de uma
disciplina de política externa sem pelo menos dizer existe algo chamado par diplomacia e existe uma ampla discussão teórica sobre isso lá no texto da Clotilde Ribeiro ela aponta que o o Du tasek e os soldatos já utilizaram lá em 1990 e o termo paradiplomacia e microd diplomacia como atividades internacionais de entidades subnacionais entidades subnacionais seriam os governos dos Municípios os governos dos Estados governos regionais eles eh apontaram isso nesses nesses dois textos que estão aqui citados e aqui abaixo tem o nome do livro são os dois primeiros Capítulos desse livro se você vai tratar de
paradiplomacia esses dois textos aqui são são praticamente obrigatórios de serem lidos outra visão sobre a paradiplomacia é do derderian que trata como uma diplomacia não governamental Não importando se é do governo central ou não eh significa qualquer atividade internacional de caráter não governamental de atores não estatais isso isso é praticamente o a ampliação do do do termo de relações internacionais saindo só de relações entre os Estados para toda a relação que atravessa as fronteiras eh realizada por qualquer um dos atores então é uma uma ampliação que é mais difícil se trabalhar com esse termo do
do derderian porque ele é amplo ele é amplo demais então seria qualquer tipo de ação que ultrapassa as fronteiras e e e o professor Brian hawen e aponta Que bom a seguinte o termo do do derderian ele é complicado de se utilizar e ele diz um outro ponto a a a abordagem dos soldatos ele leva a uma situação de conflito entre o governo central e os governos não centrais os governos municipais então o governo Municipal que está fazendo algum tipo de de paradiplomacia eh ele está fazendo porque o governo Central não está dando conta de
fazer o que precisava fazer e e coloca em uma situação conflituosa esses dois entes o professor hockin aborda de maneira diferente ele coloca aqui que a para diplomacia que na verdade é uma diplomacia com muitos muitas camadas muitos níveis Então existe a diplomacia e principal a a que nós tratamos aqui a diplomacia do do que o Merle diz é essa que faz essa que tradicionalmente se diz que faz a política externa mas existem existem outros níveis de diplomacia eh então a os os Estados da Federação a o Distrito Federal dando exemplo do Brasil os municípios
e ou conjunto de municípios podem exercer atividades diplomáticas que não são as atividades diplomáticas centrais Então essas três diferentes visões são importantes se você vai estudar especificamente a paradiplomacia fala tá mas isso não é o mesmo que trazer para a política pública para o campo da política externa aí no debate acadêmico existe uma pequena diferença voltamos aqui àquela tela inicial onde tínhamos os os quatro textos e porque Por que que esses quatro textos fecham um primeiro ponto da disciplina são temas que não podem ser excluídos quando se trata de política externa o primeiro texto diz
o seguinte ó existe sim um debate entre política externa e política pública Esse é um debate que existe então se alguém disser não as duas coisas são estão separadas não existe política externa e política pública no mesmo debate você pode utilizar eh já de cara esse texto para justificar não esse debate existe sim um segundo ponto é que nas nos nos estudos que existem sobre os dois temas os estudiosos de um tema e os estudiosos de outro não utilizam as ferramentas metodológicas e as abordagens teóricas e os modelos analíticos uns dos outros e é possível
utilizar isso então aqui o que o lentner coloca é que cada uma vai para um lado mas é possível trabalhar em conjunto E extremamente frutífero eu concordo com isso e inclusive esse texto do lentner quando eh eh não foi esse texto que me despertou eh a vontade de tratar esse tema dessa forma mas na verdade ele reforçou a minha vontade de fazer isso quando eu estudei eh políticas públicas eu já conhecia as abordagens dos modelos de análise de política externa e eu olhava para os instrumentos da política externa Eu também pensava essas duas abordagens podem
trabalhar em conjunto A política a A análise de política externa ela vai até um determinado ponto mas as políticas públicas elas mergulham na realidade da sociedade o que a análise de política externa ela chega próxima de fazer isso mas não faz enquanto que as políticas públicas elas não estão preocupadas com alguns aspectos mais amplos das decisões institucionais Mas elas conseguem chegar eh conseguem chegar aos efeitos quais os efeitos que uma determinada política causa na ponta da sociedade no cidadão E então tem como olhar para a política externa e ver como é que a política externa
afeta a vida do cidadão que está na ponta que muitas vezes nem sabe o que é política externa mas a política externa Está sim afetando a vida dele Outro ponto é sobre essa visão tradicional da política externa Então temos aqui nesse esse debate política externa política pública nesse primeiro artigo eles abordam questões de como as relações internacionais A política externa eram tratadas de forma tradicional o que o Merle faz é mergulhar e colocar umas eh bases mais claras para essa visão tradicional apontando de certa forma as mesmas questões que o professor Milan e a professora
Pinheiro colocam no texto deles novas agendas eh estão nos temas estão sendo tratadas como temas de política externa novas pastas novos ministérios participam da política externa então eles estão debatendo questões que o Merle trata no seu texto e o livro da Clotilde Ribeiro que traz a paradiplomacia que é um quarto tema que não pode ser deixado de lado quando se trata de política externa por isso esses quatro textos formam um primeiro conjunto básico para se dizer existe uma visão tradicional da política eh externa existe um debate da política externa como política pública esse debate pode
ser aprofundado mas há alguns mecanismos já sendo tratados como por exemplo a paradiplomacia agora vamos a algumas observações específicas que eu eh fiz sobre essa temática bom o primeiro texto ele reafirma muitas coisas que o Merle trata mas não entra na discussão proposta por esse segundo texto aqui seja não diz a política externa como política pública é especificamente isto e pode se tratar dessa forma eles fazem um debate mais amplo e deixam claro que de um tema de de um período muito específico Mas conversa muito aqui com o texto do Marcel merley o segundo ponto
é o seguinte o texto do lentner ele não resolve o problema de como se trabalhar com as duas perspectivas ele aponta alguns caminhos então que o lentner diz aqui ó dá para fazer é possível tanto que dá vamos fazer no caso do merley eh ele indica mudanças que que ocorriam e aqui importante mesmo antes da dessa fase da globalização que viria após a Guerra Fria dos anos 90 início dos anos 2000 Então já nos anos 1980 o Merle apontava essa essas questões trazendo aí um estudo histórico e se olhar depois que o Merle tratou desses
temas pouco mudou dessas temáticas que ele que ele abordou e dessa abordagem que ele trouxe por isso um texto que continua sempre valendo a pena ser explorado E no caso do do último livro que trata da paradiplomacia eh a minha observação é seguinte que debate a ação de estados nacionais aponta que os estados estados nacionais têm responsabilidades diferentes dos governos centrais eh nesse ponto acredito que eh conversa com o a abordagem do rocking dos diferentes níveis da da diplomacia Eh esses diferentes níveis existem porque há responsabilidades diferentes em cada nível de governo então o o
governo local o governo o governo Municipal ele precisa preocupar-se por exemplo com abrir uma nova rua ou eh arrumar eh defeitos que há no asfalto da rua do seu bairro enquanto que o governo Nacional tem outras preocupações de fazer parcerias para importação de insumos para produção de vacinas por exemplo mas isso também pode ser feito por eh governos intermediários como governos dos Estados Então esse livro ele debate aqui atores subnacionais responsabilidades diferentes mas a paradiplomacia ela olha muito ela vem a partir da Ótica das relações internacionais e não das políticas públicas então a paradiplomacia ela
conversa muito com as relações internacionais ela conversa muito com os atores subnacionais ela chega a problemas sociais problemas públicos mais específicos do que a política externa mas ela não resolve a questão de ver quais os efeitos quem participa eh na ponta da sociedade na base da sociedade isso quem vai resolver é a bibliografia das políticas públicas mesmo as bibliografias as abordagens teóricas da para diplomacia não dão conta de resolver a questão eh na ponta Então ela fica em um nível intermediário a a abordagem par diplomática entre a política pública e a a a política externa
o que a paradiplomacia contribui para esse debate política externa política pública é que ela coloca claramente os entes subnacionais como responsáveis por ações internacionais E aí em que lugar desse organograma cada um desses debates se encontra o primeiro el localiza-se claramente no âmbito específico aqui da política externa apesar do do tema do título do trabalho ser a caracterização da política externa como po pública ele está claramente aqui no âmbito da política externa porque trata de uma maior variação maior participação de temas atores instituições no processo da política externa o texto do merley ele localiza-se também
no âmbito específico da política externa mas aqui conversando com as relações internacionais dando espaço para a discussão a discussão internacional não trata eh especificamente de temas aqui da da política interna e fala aqui que essa Fronteira ela se tornou mais interdependente aqui entre a política externa e a interna mas é um texto que trata essencialmente de política externa pouco se tem a debater sobre política interna utilizando o livro do Marcel merley o o livro da Clotilde Ribeiro ele enquadra-se aqui muito mais no âmbito das relações internacionais conversando um pouco aqui com política externa quando trata
da da paradiplomacia não deixa de fazer esse debate mas muito fortemente aqui nas nas relações que acontecem dos atores subnacionais diretamente no campo das relações internacionais Então seria aqui nesse lugar que se localizaria na minha visão essa abordagem da Clotilde Ribeiro e por último o texto do do lentner que como eu como eu abordei foi um interesse de pesquisa meu de ver como esses dois Campos aqui o da análise de política externa e de análise de política pública poderiam trabalhar em conjunto que seria esse espaço de intersecção aqui e o texto do lentner na minha
visão ele enquadra-se aqui não tratando de temas empíricos mas tratando Mais especificamente de eh preocupações preocupações acadêmicas e de como é possível que esses dois temas sejam tratados em conjunto