[Música] a tela do celular se ilumina e eu percebo que olho para o lado com receio de descobrir que é uma mensagem da escola do Luiz mais uma mensagem que que poderia ser dessa vez na primeira foi um susto horroroso eu fico mal só de lembrar eu não quis acreditar no que a coordenadora do colégio contou meu filho bate em alguém você não tinha nada a ver com ele o menino tão tranquilo tão obediente eu tinha certeza que essa professora devia ter se confundido ou então tava pegando no pé dele na verdade Eu ainda acho
que ela não gosta dele apesar de que agora eu já sei que ele também não colabora muito mas o que que a escola espera que eu faça mais do que eu já faço tirei o celular deixei de castigo se ele não melhora o comportamento em sala de aula porque a professora não tem domínio sobre a turma já não faz mais sentido que eles falam parece que a culpa é minha isso só piora a situação Será que eu mudo Luiz de escola [Música] eu não sei mais o que vou fazer como eu fiz chorando a minha
educação sinto que lá vem história como lidar com a responsabilidade de educar uma tarefa que é diária e não nos dá garantia nenhuma de sucesso partimos de histórias fictícias que são super reais para falar dos Desafios vividos pelas famílias sobre educação cuidado relacionamento e todos os afetos que atravessam essa jornada eu sou Joana London e eu sou Renata do laboratório inteligência de vida livre programa de educação emocional presente em Várias escolas do Brasil que ajuda os estudantes a conhecerem sobre seus sentimentos e desenvolverem habilidades para vida no podcast sinto que ela vem história vamos conversar
com convidados sobre situações que com certeza você já passou sem julgamento preconceito [Aplausos] Então vamos começar do começo alguns de vocês já podem ter ouvido falar no livro outros não fazem a menor ideia se isso é de comer ou de passar no cabelo Rê conta um pouco para gente que que é o nosso trabalho com Live Oi Jô borboletas na barriga aqui né primeira vez não podcast o que que é o Live né O que que é o laboratório inteligência de vida ele é um programa de educação só se emocional ele tá presente em mais
de 500 Escolas no Brasil desde a educação infantil até o ensino médio Vamos pensar o seguinte Quais foram os momentos mais marcantes da sua vida na escola a gente faz muito esse exercício por onde a gente vai quando a gente dá palestra para Famílias quando a gente conversa com os professores a gente lança essa pergunta e a grande maioria acho que é unânime ninguém pensa sobre o conteúdo que aprendeu A grande maioria das vezes é sobre aquele abraço que deu no colega quando ele precisava de um conforto ou a briga que levou todo mundo para
coordenação para a diretoria uma frustração enorme que fez a gente desmoronar ou um passeio que a gente fez com escola e Descobriu alguma coisa nova tudo isso na verdade permanece na nossa memória porque provavelmente isso nos tocou e a gente aprendeu alguma coisa com aquilo e quando eu falo que a gente aprendeu Será que não foram nesses momentos nesses momentos de corredor esses momentos de troca que a gente não aprendeu a escutar o outro ou que a gente não aprendeu a lidar com frustração ou a enfrentar os nossos medos eu fico pensando que para mim
nunca foi fácil entender o que que eu tava sentindo muito menos saber lidar com isso apesar de atravessar muito as minhas relações na escola atravessava o meu aprendizado na escola e o mais engraçado é que a minha escola era um lugar onde os sentimentos eram levados sério mas mesmo assim eu sinto que não foi um espaço que me ensinaram a falar sobre eles a pensar sobre eles e o livre nasce dessa premissa de Que escola é um lugar do sentir o que a gente precisa criar espaços de escuta e de fala para que ajude esses
alunos e esses adolescentes a terem uma ampliação da compreensão de si do outro e do mundo e a ideia desse podcast é justamente ampliar esse debate não só entre a gente do Lívia entre a comunidade escolar mas também e principalmente as famílias para isso a gente vai trazer especialistas diárias completamente diferente mas principalmente pessoas que podem contribuir nesses temas relacionados à educação sócio emocional dos jovens e das crianças e para esse episódio de estreia a gente tem aqui um convidado bastante especial uma pessoa que estudava no colégio católico Franciscano em Belo Horizonte e era um
aluno muito interessado e apaixonado por conhecer o mundo devorava a Literatura infanto-juvenil e gostava de passar horas imersos nas barças que para quem não é dessa época era como se fosse o Google de hoje onde a gente pesquisava tudo esse aluno cresceu se tornou mestre em psicologia Clínica E hoje é um renomadíssimo palestrante escritor que tá lançando livro agora e terapeuta de casais Alexandre Coimbra seja muito muito bem-vindo e muito obrigado por aceitar embarcar nessa aventura com a gente nesse primeiro podcast e É uma honra um prazer tê-lo aqui ai ai Mas que alegria tá
aqui com vocês Muito obrigado a parceria com o Lívia antiga ou o encantamento por vocês também é antigo e a possibilidade da gente conversar diretamente com as famílias é uma coisa que me agrada profundamente porque a gente pode usar cada uma dessas histórias para falar daquilo que a gente fala muito pouco e pode ser até que isso sirva para depois as famílias poderem conversar entre si pois sempre fico muito honrada de ter a oportunidade de conversar com Alexandre já que a gente está falando de educação só se emocional você trouxe né Essa Perspectiva da importância
disso verá uma inspiração para dentro da própria família acho que vale a gente situar um pouco melhor o que que é educação só se emocional é possível aprender a lidar com sentimentos não só possível como é inerente resistência humana nós estamos aprendendo o tempo inteiro a lidar com os nossos sentimentos porque eles não operam sobre nós da mesma forma ao longo de todo o ciclo vital então a forma como por exemplo vamos pegar aqui uma expressão emocional difícil para todo mundo a raiva a forma como a raiva opera num bebê numa criança um adolescente num
adulto na hora que a gente tá doente na hora que a gente está cansado a hora em que a gente está decepcionado em cada um desses momentos da vida a mesma expressão raiva opera de forma diferente sobre nós então nós estamos o tempo inteiro aprendendo a lidar com a raiva mas não porque ela é uma matéria difícil de passar de ano Mas é porque ela vai mudando o jeito em que ela nos atravessa e isso vale para todas as expressões da vida emocional de uma pessoa nós somos aprendizes o tempo inteiro e nós não precisamos
ter vergonha de sermos aprendizes ocupa que são os dois sentimentos mais comumente Associados à educação sócio emocional a pessoa tem vergonha de admitir que não sabe lidar bem com isso com aquilo e também se sente muito culpada Geralmente os adultos se sentem na obrigação de performar uma sabedoria inabalável no trato com as emoções isso ninguém tem para dar nem eu nem Vocês nem ninguém que está nos escutando como também se o tempo por si só pudesse dar conta de ensinar como lidar com sentimentos né acho que a vida ela nos dá oportunidades como essa mas
como é que a gente pode potencializar essa aprendizagem oferecendo caminhos o tempo por si só não vai essa garantia de amadurecimento emocional não inclusive Isso é uma armadilha achar que a passagem do tempo simplesmente nos prepara para esse tipo de aprendizagem não é verdade isso é uma aprendizagem consciente a gente tem que pôr energia nisso não adianta Só expressar raiva ou só dizer que está com medo só isso não não basta a gente está falando do processo de você entender como você se sente quando você sente medo o que que você sente quando você sente
raiva O que que você é levado a pensar a fazer em cada um desses momentos e o que que isso com você porque aí a gente entra numa discussão às vezes mais complexas assim você se sente envergonhado de sentir medo tendo 40 anos de idade e já tendo filhos adolescentes você se sente com medo de assumir que tem raiva do seu filho e dele achar que essa raiva pode apontar por exemplo para um desamor quanto mais a gente aprofunda nesse tema mais coisa a gente tem para descobrir sobre a gente por isso é que é
um aprendizado infinito mas eu não tô dizendo isso para desanimar ninguém não porque é uma experiência de educação muito enrnecedora para o coração quando a gente conhece sobre a gente através do filtro das emoções a gente se sente mais autor da própria vida e isso tem um ganho monumental de autoimagem eu passo a acreditar mais em mim eu sonho mais coisas eu desejo mais coisas eu realizo mais coisas porque Eu me conheço melhor e sei do que eu sou capaz Esse é um convite para gente crescer junto para a gente crescer numa comunidade de pertencimento
em que a gente não tenha medo de falar dessas coisas talvez parte dessa resistência tem a ver com esse adulto que sente que já aprendeu tudo né E que agora é hora dele de ensinar e o quanto na verdade a educação sócio emocional faz com que quando a gente está inteiro nesse processo a gente também Aprenda com os nossos filhos então eles mostrem para gente caminhos possíveis e as pessoas têm vergonha né de se colocarem no lugar de aprendiz como se fosse mostrar a falta e na verdade todo mundo é incompleto E que bom parece
que é uma vergonha não saber marcar o ponto o que acontece nesses momentos que a gente sente vergonha de ser aprendiz é porque a gente vem de uma cultura autoritária o autoritarismo é uma forma de estabe hierarquia por exemplo dentro da família mas isso pode acontecer em qualquer lugar social dentro do trabalho nas relações entre líderes religiosos e comunidade religiosa em qualquer espaço da sociedade a gente pode ter o poder exercido de forma autoritária ou de forma democrática o autoritarismo que ele traz para figura de poder é o seguinte mandato um você não pode errar
dois se você errar Minta não assuma o seu erro porque se você assumir o seu erro a pessoa que está hierarquicamente inferior a você vai montar em você e ela vai te dominar então paradigma autoritário ele impede que a figura de poder aprenda sobre isso porque ela tem que o tempo inteiro dar um exemplo inabalável que a meu ver desumaniza essa figura Porque nós não somos essas pessoas mas como nós nessa geração aqui de adultos que estamos aqui conversando nós viemos de uma educação autoritária nós somos autoritários em desconstrução nós não somos as pessoas democráticas
e horizontais que nós gostaríamos a gente ainda grita muito a gente ainda repete aquelas frases que as nossas mães dos nossos pais disseram para a gente a gente fala Meu Deus eu irei a minha mãe eu virei meu pai com os meus filhos Socorro Teve um dia que eu tava tendo um chilique o chilique assim como eu fiz mais velho perdi completamente estribeira E aí ele chegou para mim e falou assim calmamente olhando no fundo dos meus olhos falou assim pai preste atenção vá se acalmar Depois eu converso com você eu não vou conversar com
você enquanto você tiver nesse nível de descontrole eu parei e fiquei olhando para aquela cena e falei isso não aconteceria na casa dos meus pais se eu estivesse na posição dele mas o que que tava acontecendo ali o meu filho estava me Relembrando de um valor que eu já tinha colocado anteriormente que já é cultura dentro da minha casa sobre o respeito na hora do Diálogo eu errei errei feio e ele por não termos uma relação baseada no autoritarismo ele tem o direito de me pontuar e na hora que ele me pontuou eu pude aprender
com ele então ele foi meu mestre naquela cena ele foi meu mestre tô contando aqui uma história pessoal também para a gente desconstruir essa história do canal psicólogo né Deve ser aquela pessoa assim nossa é assim é muita gente quando a gente está por aí pelo Brasil afora a gente escuta algumas famílias falando mas na minha época não tinha isso e eu tô aqui bem eu não tenho problema tô vivo sobrevivia porque que você acha que ainda existe uma certa resistência em relação ao trabalho só se emocional até na história que a gente trouxe no
início do episódio né essa família que algum momento quase que desiste de falar sobre isso ou deixa de lado essa problemática porque tem dificuldade de lidar com isso por que que você acha que tem uma resistência em relação ao trabalho só se emocional não só dentro da escola mas isso atravessando depois e levando né na mochila para casa também é muito difícil a gente nomear mal-estar dentro da família porque isso aponta para falhas dos adultos e quando uma criança e um adolescente percebe uma falha do adulto ele tá diante de um dilema que é o
seguinte Será que se eu falar isso com a minha mãe com meu pai eles vão me amar menos Será que eles vão fazer alguma coisa ou você punido por apontar um erro deles ou será que eles só são as únicas pessoas que podem apontar os erros do outro eles falam dos mesmos eu não posso falar dos deles da parte da Criança e do Adolescente tem esse medo e da nossa parte tenho medo de assumir o tamanho dessa fissura o tamanho dessa fratura que a gente provoca na relação aproveitando o nome laboratório a família também é
um laboratório sou terapeuta de família para mim esse Ofício que eu amo é o diálogo com as pessoas que topam essa aventura de crescer juntas no mesmo espaço sendo pessoas diferentes de gerações diferentes de gêneros diferentes de desejos muito divergentes mas que compartilham um sobrenome a coisa mais comum da convivência familiar não é Harmonia é o conflito a família é um laboratório de conflitos é uma escola para a gente aprender a lidar com a diferença humana e se a gente colocar isso como um lugar de aprendizagem a gente está ali para depois que a gente
cresce até a nossa casa ter a nossa família e por o mundo tendo aprendido ali dentro daquela experiência primária como é que a gente lida bem com a diferença humana Então dentro desse laboratório podem acontecer as coisas muito violentas porque a violência ela tá dentro de nós a gente pode ser muito violento com quem a gente ama na hora que isso acontece se a gente não tem condição de nomear que isso aconteceu a pessoa que sofreu essa violência ela vai ficar sempre com essa pergunta Será que isso aconteceu mesmo Será que isso é o contrário
do amor indefinitivo isso aconteceu com aquela pessoa não me ama e essa violência gente não tem a ver deixa eu dizer uma coisa aqui que pode ser Uma Verdade Inconveniente a expressão da violência da família não é o contrário absoluto do amor ela é o resultado de uma série de fatores de desgaste e de pressões sobre as pessoas que acaba explodindo numa cena violenta eu não tô desresponsabilizando a pessoa que faz isso dizendo Coitadinha ela não é isso que eu tô dizendo a gente precisa olhar qualquer violência cabe né isso mas quando ela acontece quando
a gente nome e fala assim olha você foi violento comigo quando tem espaço para falar disso a partir do momento que a gente nomeia isso a gente também está construindo a estrada da reparação não se repara uma violência sem nomeá-la antes então quando a pessoa fala eu apanhei na minha infância para caramba mas eu tô aqui ótimo não aconteceu nada Vamos colocar uma lupa nessa história Aconteceu sim Aconteceu sim você sentiu humilhação vergonha medo e raiva quando você foi violentada só que você não teve oportunidade de colocar o nome no que você sentiu E aí
ao você ter silenciado essas emoções dentro de você você levou isso como um coquetel molotov dentro de você em algum momento da sua vida isso explodiu para algum lugar da sua vida você continua viva É verdade mas a ideia da vida não é só você sobreviver é você tá bem emocionalmente bem consigo como diz lá o Roberto Carlos né em paz com a vida com que ela é para você ter isso no seu coração para você fazer o que você quiser do seu tempo da sua energia dos seus relacionamentos então A ideia é muito mais
do que sobreviver quando as pessoas fazem isso fazem essa fala é porque elas não conseguem assumir o que elas viveram porque tem um medo aí de perder o amor desses pais de admitir que a coisa foi dura mesmo porque a gente também sofre quando a gente admite isso mas é uma jornada que a gente precisa passar e até uma falta de referência de como pode ser diferente né que eu acho que esse é um pouco o caminho dessa relação com a escola né poder ter referências de como que essa história pode ser diferente daqui aquela
pessoa viveu né abrir essa oportunidade também isso multiplica quando a criança vai pra escola os mini coquetéis Molotov tão ali e ebulição a criança conseguir gerir tudo isso que tá borbulhando nesse encontro aí sim tantas outras histórias tantas outras referências né como a Jô falou nossa pode ser diferente eu aprendi diferente em casa eu aprendi de uma outra forma em casa na minha casa eu não posso isso mas eu tô vendo meu colega fazendo o que que é isso na minha casa eu sou o rei e aqui eu tenho que esperar às vezes a criança
não consegue lidar com isso E aí a escola tem que ter algum tipo de contorno mas aí fica essa questão até que ponto função da escola fazer esse Contorno proporcionar essa aprendizagem só se emocional de ajudar as Crianças A nomearem que elas estão sentindo ou isso é só função da família porque muitas famílias Falam assim não os valores isso aí é em casa saber aprender a falar por favor obrigado se não chego na escola com educação é porque não teve em casa e aí não é a escola que vai resolver como é que fica esse
embate quem é a responsabilidade de poder proporcionar essa educação só se emocional Olha eu não trabalho com modelos subtrativos só com modelos aditivos então eu acho que é responsabilidade da escola da família e da comunidade eu tô chamando de comunidade o cara que entrega o leite o cara da banca de revista Eu acho que eu tô muito anos 80 com essas imagens chow-chow por comunidade eu acho que a gente está falando de todas as pessoas que transitam pela vida dessa criança e do adolescente que estão por exemplo fora da escola então são os colegas de
trabalho dos Pais os vizinhos todo mundo é corresponsável pela educação sócio emocional não de uma forma pedagógica mas vivencial tudo que atravessa a vida da criança e do adolescente é instrumento é insumo para a gente poder conversar com ela como ela tem lidado com aquilo que pode ser aprendido nessa história da escola eu acho que a gente ainda vem de um modelo que define a escola de uma forma muito conteúdo e pouco relacional a gente ainda acha que a gente está indo para a escola para aprender causa e três consequências da Revolução Francesa e não
para também aprender a se relacionar Então na hora que existe algum problema de relacionamento de um estudante com outro estudante ou com o professor ou com funcionário ou do professor com estudante porque professor é humano também quando a gente tem esse tipo de problema relacional Por que que a gente não pode colocar o conflito relacional como um processo de aprendizagem Qual a dificuldade que a gente tem para entender que aquele conflito é uma cena para a gente aprender igualzinho na hora que a gente tá fazendo um dever de casa e a criança coloca lá dois
mais dois ela coloca três e você fala não tá errado e ela paga e ela refaz ela tem uma coisa errada aqui tem que pensar direito aí como é que faz esse negócio e ela tá sendo convidada repensar a forma de se colocar naquele exercício porque que a gente não faz isso também com os conteúdos que tem a ver com emoções com relações dentro da escola eu acho que a responsabilidade sim daquele ambiente aquilo é um espaço de aprendizagem integral Então para mim educação só se emocional é uma forma de você trazer para reflexão as
coisas que estão sendo vividas ali enquanto a criança está aprendendo o que ela tá aprendendo para passar de ano a questão toda e a gente já falou muito disso em outras espaços que a gente teve juntos aqui o livre eu sobre o impacto da chegada desse trabalho só se emocional em casa né Na hora que as famílias começam a receber esses filhos com umas perguntas que eles não faziam com umas frases assim diferentes da cultura familiar e minha gente tô falando agora para cada um e um de vocês que tá me escutando que cuida de
uma criança de um adolescente a gente não faz isso sozinho a educação para a vida a educação para cidadania a educação outras relações dentro do espaço da cidade do território Aonde a criança e o adolescente habitam isso é feito por todas as instituições que ele frequenta é feito pela instituição religiosa é feito pelas instituições escolar feito pela família por todos os espaços que ele habita vivem em sociedade é entender esses processos E dialogar com eles e entender quem que ele vai ser em cada um desses espaços normalizemos isso como pauta do crescimento dos nossos filhos
isso inclusive alivia o peso da responsabilidade da família de ter que dar conta sozinha dessa parte da vida isso alivia sobrecarga materna por exemplo né a gente vive uma cultura que sobrecarrega muito as mães Então a gente tem mais coisas interessantes amplificando a percepção dos nossos filhos sobre a vida e a gente pode ter conversas deliciosas com eles aprender com eles aproveitar para colocar histórias porque não cultura familiar trazer exemplo do que você já viveu do que a sua mãe já viveu do que a bisavó dessa criança já viveu contar histórias suas como quando criança
fazer o contraste com a geração passada olha na minha época era assim não tinha condição de fazer isso porque tal coisa que bom que você pode falar de isso agora e etc isso é um belíssimo convite é muito interessante o que você fala Alexandre porque a gente tem falado muito sobre que a escola não consegue deixar as emoções do lado de fora né do lado de fora da escola e essa escolha às vezes da escola de não lidar com essas questões não significa que ela não tá trabalhando nisso ela tá escolhendo trabalhar de uma forma
que é não trabalhar essa noção que você traz de rede né de corresponsabilidade não só alivia como integra né aquele ser humano assim a gente realmente tem todos os espaços inclusive para colher a própria família né que muitas vezes precisa de recolhimento e que pode contar com o espaço escola para isso né Assim você já trouxe um pouco essa noção prática da própria divisão de tarefas do como ele dá com as emoções mas eu fico com vontade de te ouvir acho que também quem deve tá ouvindo a gente fica nessa ansiedade mais pragmática sabe assim
do que que eu faço como que eu faço por onde essas famílias começam como que elas fazem esse trabalho como é que elas já conhecem que talvez ela já estejam fazendo conta um pouco assim pra gente de um lugar mais prático mesmo porque eu acho que isso também ajuda a gente a lidar com uma certa ansiedade quando esse tema vem né bom em primeiro lugar assumir que na nossa experiência materna e paterna nós somos sempre estreia a gente tá sempre estreando ser mãe ou pai deste filho nesta idade desde segundo Freud a gente sabe que
o encontro uma mãe com filho de um pai com filho ele é muito mais marcado pelo estranhamento E isso quer dizer que os nossos filhos crescem e eles vão desabrochando pedaços deles a cada momento que até então não estavam acessíveis nem para eles nem para nós então nós vamos descobrindo coisas novas dos nossos filhos o tempo inteiro Então nós vamos aprendendo sobre eles isso já coloca a gente num outro lugar de ter que parar olhar para o nosso filho escutá-lo entender chover em qual capítulo você até eu tô achando que eu tô no capítulo 1
e você tá lá no 12 você já tá lá na frente você tá falando umas coisas que você não falava você tá pensando umas coisas que você não pensava eu tô achando que eu tô com uma imagem datada de você eu tô precisando de escutar mais para atualizar meu HD aqui que eu tô achando que meu HD tá tipo disquete dos anos 90 então a gente vive isso o tempo todo né É muito difícil para a gente ver seus filhos crescerem a gente sofre com isso né a gente vê a autonomia deles ao mesmo tempo
que a gente se orgulha a gente lamenta porque a autonomia significa um pouco mais de distância que ele vai ter mais asas para ir para o mundo então a gente sofre agora esse encontro que nós temos com os nossos filhos na hora do conflito na hora que a emoção tá transbordada em nós ou neles ou nos dois o que é pior na hora que emoção tá transbordada a gente pode se fazer uma pergunta como é que eu me percebo nessa hora antes de falar dele olhe para você como é que você fica na hora que
você se despera para Onde você costuma ir como é que você costuma reagir Isso já é aprendizagem só se emocional sobre você nós numa posição hierárquica superior numa figura de autoridade às vezes nós não precisamos nos fazer essa pergunta porque a única coisa que a gente acha que a criança ou adolescente tem que fazer é obedecer a gente ele tem que cumprir Um determinado acordo e um determinado comportamento e a gente não pensa em como a gente está fazendo essa relação acontecer perguntar isso e e construindo tentativa e erro sobre como eu posso transformando o
meu jeito de me aproximar do meu filho para que esse encontro seja o menos tensional possível o mais aconchegante mesmo se a gente tiver falando de uma coisa difícil é possível falar de temas difíceis de uma forma segura de uma forma que as pessoas não estão ameaçadas de perder o amor umas das outras isso a gente não aprendeu todo mundo sair do armário aqui ninguém aprendeu educação sócio emocional na nossa geração a gente só era avisado que a gente não deveria ser desse jeito mas nunca ninguém chegou para gente falou assim você vai sair deste
jeito errado torto que você é para o jeito adequado trilhando esse caminho vem aqui que eu vou pegar na sua mão e te ajudar a se controlar na sua raiva para você poder respirar melhor e poder conversar de forma assertiva com uma pessoa sem você se submeter a ela mas dizendo exatamente o que você quer dizer qual te ver ninguém ensina isso para gente a gente só foi colocado de castigo dizendo você não pode ser desse jeito você não pode falar alto comigo você não pode gritar você não pode ser desse jeito você não pode
ser medroso assim você não pode isso você não pode aquilo para de chorar para de chorar que é feio né tanto é que por exemplo chegar para uma pessoa e falar que ela é muito sentimental é quase que uma ofensa como se uma pessoa para que ela precisasse ser respeitada ela não pudesse explorar demonstrar o seu sentimento todo mundo tem sentimentos mesmo quem expressa pouco eles ou tem determinados tipos de sentimentos também que são mais aceitos socialmente né então é muito duro essa questão dos adultos também ficarem receosos em demonstrar que estão aprendendo ou acharem
que os filhos precisam ser obedientes o tempo inteiro porque senão é um ato de desrespeito que que ele tá ensinando para criança que ela precisa sempre obedecer E aí de repente vira um ano uma determinada parte da vida da criança e fala assim ué você precisa ser autônomo você precisa lutar pelas suas coisas Você precisa ser uma pessoa crítica a vida inteira a criança foi ensinada que ela tinha que ser obediente e de repente você espera dela quando adulta o contrário o que tem acontecido muito na escola também com um novo ensino médio para quem
não conhece mas o aluno tem que fazer alguma escolha de qual trilha ele vai seguir dentro do currículo e a gente nunca estimulou ele esse auto conhecer de repente ele no ensino médio e fala escolhe aí e qual o caminho que ele vai seguir né ele normalmente segue onde os amigos estão ou então onde é mais fácil dependendo da relação dele com a escola e poucas vezes é realmente em relação às escolhas que fazem mais sentido para ele porque a gente não ajudou ele ao longo do processo Ah se auto conhecer para poder fazer essas
escolhas depois de maneira mais coerente com que ele sente com quem ele é a gente poder se corresponsabilizar a gente poder contar com o outro e aí lembrar que também a educação só se emocional não é um caminho linear que de repente você vai chegar num Nirvana num lugar pleno e tá tudo bem as coisas vão ter seus altos e baixos porque a vida vai nos surpreender Em algum momento e a gente vai ter que abrir nossa caixa de ferramentas vê se tem alguma coisa lá que dê conta ou vai ter que emprestado para alguém
e é isso né então acho que te ouvir nos lembra que tudo bem a gente vai passar por alguns desafios e a gente pode contar com a nossa rede e tudo bem a gente ficar mal por um momento e perdido e sem resposta mas antes da gente se despedir de você a gente vai estar sempre no final do episódio uma pergunta de alguém da família livre que que a família livre é a família cujo filho é a filha tem livre na escola então você que é família livre Mande a sua pergunta a gente tem o
nosso arroba inteligência de vida no Instagram dá para mandar por Direct ali uma pergunta para gente a gente vai ter esse momento livre responde e hoje a gente tem uma pergunta da Renata Rezende que é do Rio de Janeiro Ela perguntou o seguinte Oi pessoal eu me chamo Renata sou mãe de três meninas com idades bem diferentes a maluco já tá na fase adulta com 20 anos as duas menores entrando na adolescência a Sofia com 12 anos e Eduarda com 10 eu queria saber como construir um diálogo onde elas entendam os limites e as orientações
dadas de forma menos autoritária mas que ainda assim respeitem e sigam que eu estou orientando Obrigada olha Renata eu vou falar uma coisa que você vai se frustrar isso já vai ser parte do seu aprendizado só se emocional do dia eu vou ter que engolir essa resposta não você não vai engolir você vai escutar como ela vai chegar em você como você se sente com isso é isso que a gente faz todos os dias com as coisas que a gente escuta sobre a vida a sua pergunta é um desejo de tocar o impossível é impossível
que um filho tenha a capacidade de aceitar compreender e obedecer de forma que ele não se coloque porque se a família é laboratório de posicionamento social existem tipos de expressões na vida uns que vão ser mais adaptativos a um conjunto de regras que chegar para eles tem outros que vão ser mais transgressores e isso vai fazer parte da forma dessas crianças desses adolescentes se posicionarem na vida então eu não sei exatamente como é o perfil de cada um dos seus filhos mas eu já tô te dizendo olha segura aqui na minha mão para te dizer
uma coisa é impossível tem treta o tempo inteiro família é sinônimo de treta maternidade é sinônimo de treta quando a coisa tá muito calma comemora celebra curte porque o mais comum é que a gente esteja divergindo dessa divergência nascem as possibilidades de existência de cada um dos nossos filhos Eles crescem e descobrem quem eles querem ser inclusive contrastando com quem nós somos fazendo uma diferenciação Esse é um esforço que a gente faz o tempo inteiro e eu vou te convidar a pensar na sua relação com a sua mãe e com seu pai desde adolescência cada
um de nós vive o seguinte você vive eu vivo nossos filhos vivem a gente decide que coisas da nossa família a gente vai levar para nossa vida e que coisa a gente vai deixar lá na nossa história e falar isso eu não quero repetir Eu não quero fazer igual a minha família fez todos nós fazemos essa conta fazemos essa divisão de elementos da vida que a gente deixa o que a gente leva mas não é simples porque a gente leva o que a gente queria ter deixado e deixa o que a gente queria levar então
eu já falei agora a pouco aquele momento em que a gente fala assim meu Deus tô igual a minha mãe eu virei o meu maior pesadelo né E também a gente fala assim Poxa eu queria tanto ter a paciência do meu pai não consigo Então a gente tá o tempo inteiro fazendo essa negociação interna Nossa com as figuras de referência que a gente teve na vida seus filhos já estão fazendo isso com você então você vai comunicar com respeito conversar escutar os seus filhos sobre as coisas que eles sentem pelas regras que você coloca para
a vida deles pode ser que aí tenha um exercício de negociação que possa ser feito vai ter um pedaço dessas regras que vão ser negociáveis para você e você vai sustentar Não espere que eles acolham assim nossa mamãe mas que Lucidez a sua Muito obrigado por me dar esse limite eu estou muito feliz e muito protegida na vida por você vai me ensinar lá na frente vai me ensinar lá na frente não não não não não não não cores já mudou aqui no negócio filhos à beira de um ataque de nervos todo mundo se queixando
vão te chamar de nomes horrorosos porque vocês porque você é aquilo lá na frente eles vão falar assim pô mãe você mandou bem ali hein Nossa como é que você aguentava a gente mãe você mandou muito bem ali porque se não fosse você colocando aquele limitão a gente teria tomado uns caminhos errados Então essa consciência que você tá esperando deles ela não é sincrônica com limite ela demora muito tempo ela vem com a maturidade deles pode ser que não venha nunca em alguns espaços e você se manter lúcido suficiente para dizer assim mas eu tenho
certeza que era isso que eu tinha que ter feito mesmo que eles não aceitem mesmo que eles digam que é um horror e por isso é que você também tem que construir essa educação só se emocional com você tem que se olhar no espelho e conversar outras pessoas trocar ideias né mas não espere esse nível de Harmonia de aceitação isso aí é da Ordem do impossível do nota exists não existe em nenhuma família mas só de ter essa abertura para negociação dos filhos e filhas serem escutados e se sentirem escutados né porque pode ser que
amanhã o pai fale assim tá Fala aí e aí entra para um ouvido e sai pelo outro mostre né que você tá escutando e que aquele sentimentos aqueles argumentos são legítimos eu tô entendendo que você tá ansiosa que você quer muito e naquela festa mas é um lugar perigoso eu não conheço ninguém ou Agora não dá para comprar tal coisa mas poder entender ó eu te entendo mas não dá hoje é não tem esse espaço para negociação é o espaço da aprendizagem a Renata Aventureira aí tem três filhas né entender que a linguagem com cada
um é diferente também né Eu acho que essa tentativa Às vezes a gente falar do mesmo jeito com os três apareceu o caminho mais fácil mas não necessariamente é né Às vezes o mais trabalhoso É talvez o que vai gerar mais resultado porque são três meninas mas são três meninas diferentes de idade diferente que provavelmente tem maneiras de você se comunicar com ela que também sejam diversas como que não só você cria esse espaço da escuta mas também esse retorno pode ser diferente para cada uma delas e essas concessões podem ser feitas também a partir
de algumas particularidades de cada vivência de cada idade é difícil e é trabalhoso e é treta né Alexandre então Renata né apesar da resposta ter sido um pouco desanimadora talvez Espero que você tenha conseguido ter um pouco de colo e não deixe de ouvir os próximos episódios gente Então esse foi o nosso primeiro episódio do podcast e agora a gente já tá mais relaxado tá morrendo conversando aqui foi muito bom ter esse papo não é à toa que a gente escolheu o Alexandre para inaugurar esse espaço que alguém que deixa a gente muito confortável Imagino
que para vocês que estejam ouvindo também e a gente volta a relembrar para todo mundo seguir o Live no Instagram então arroba inteligênciadevida o Alexandre também tem um podcast então acompanhem é que é sempre muito inspirador é ouvir o Alexandre então é cartas de um terapeuta e tanto com o livre quanto com Alexandre vocês podem continuar acessando conteúdo sobre os nossos emocional sobre essas relações parentais e outros muitos temas que vão Surgir aí ao longo desses próximos meses então obrigada todo mundo e até a próximas foi uma delícia eu acho que isso aqui é mais
um instrumento valioso que vocês estão construindo dentro desse ecossistema de práticas do livro Para apoiar as famílias e as escolas parabéns a gente tá há tanto tempo nas escolas nas famílias discutindo a educação só se emocional pra gente educação é algo sério e tem uma função uma função de fazer com que seja uma sociedade melhor para todo mundo então se a gente tem conhecimento que esse conhecimento ele seja compartilhado com todo mundo esse é o nosso propósito o nosso podcast vai ser quinzenal então não deixem de colocar o Sininho para poder acompanhar todos os episódios
obrigada gente [Música] esse podcast é produzido por radioflutuante apresentado por Joana London e Renata schilda direção Jordano Nader pesquise roteiro Bianca Blues edição é mixagem Victor Bernardes trilha original Pedro Leal Davi locução Márcia Frederico produção executiva Marcos quintal produção livre Alexandra Vidal arte de capa Pedro Vinícius Siqueira [Música]