Módulo 5 Aula 9 Outra forma de avaliar as preferências é usando a estratégia dos estímulos múltiplos. Nesse caso, nós ainda estamos falando de baseados em tentativas, então várias tentativas vão ser apresentadas, mas mais de dois itens são apresentados ao mesmo tempo, geralmente três ou mais itens são apresentados ao mesmo tempo. E a criança deve escolher o estímulo preferido dela entre aqueles estímulos que estão ali sobre a mesa.
Ao apresentar vários itens, essa estratégia reduz o tempo do procedimento. Então, em relação aos estímulos únicos e aos estímulos pareados, o método dos estímulos múltiplos tende a ser mais rápido e, portanto, mais eficaz numa sessão de atendimento. A gente acaba conseguindo alcançar os resultados de determinar qual é a preferência daquela criança naquele momento de uma maneira mais ágil.
Há duas variações de como fazer a avaliação de preferências com múltiplos itens, com reposição e sem reposição. Na estratégia com reposição, então, a criança é colocada diante da mesa, geralmente a gente pede que a criança se sente, vários itens são colocados, geralmente três ou mais itens, a gente coloca eles à mesma distância um do outro e pede à criança que escolha um dos itens. Quando a criança escolhe um dos itens, imediatamente os demais itens são retirados do alcance da criança e a criança tem alguns segundos para brincar ou manipular aquele item.
Essa avaliação de preferências também pode ser utilizada com itens comestíveis. Na estratégia com reposição, então, depois da primeira tentativa, o item que foi escolhido pela criança volta para a fila e os itens são reposicionados. É muito importante trabalhar na aleatoriedade ou na randomização das posições dos itens diante da criança, porque algumas crianças podem fazer a escolha baseada na posição do item e não na preferência delas.
Então, nós mudamos as posições dos itens para que a gente tenha alguma segurança de que a criança está escolhendo pela preferência e não pela posição. Então, na estratégia com reposição, esse item volta para a fila e a criança tem uma nova oportunidade de fazer uma escolha. Técnica em ABA em sessão com uma criança: “Vamos brincar, princesa?
Isso aí, minha vez. Boa. Garota.
Minha vez agora. Que. Legal.
Minha vez. Isso aí, minha vez. Que.
Divertido, me empresta. Escolhe. Um.
Isso aí, minha vez. Escolhe. Um.
Minha. Vez. Escolhe um.
Isso aí! Minha vez. Qual você quer?
Boa. Garota! ” Na estratégia sem reposição, esse item que foi escolhido pela criança, ele sai dessa fila, a gente depois apresenta uma nova tentativa com os itens que não foram escolhidos ainda, a gente muda as posições, faz a aleatorização das posições e a criança tem uma nova oportunidade de escolha.
Essas duas estratégias, elas têm efeitos parecidos, no entanto, a estratégia sem reposição tende a ser mais rápida. Geralmente, nós não utilizamos uma vez apenas, nós não fazemos essa sequência de tentativas uma vez apenas, nós fazemos geralmente três ou mais vezes na estratégia sem reposição. O vídeo a seguir ilustra como funciona a avaliação de preferências com múltiplos itens sem reposição.
Técnica em ABA em sessão com uma criança: “Vamos brincar um pouquinho? Isso. Aí, minha vez!
Que legal esse carrinho. Minha. Vez.
Só ir. Me. Empresta.
Uhul, minha vez. Vamos lá. Qual você quer?
Que. Legal, princesa. Me empresta.
Qual você quer? Minha vez! Qual você quer?
Boa! Me empresta! Qual você quer?
Isso, garota! Pode brincar se você quiser. Isso.
Aí, minha vez! ” Se ela solta aquele item, você não vai preencher a próxima casinha, e se ela vai para um outro item, você começa a preencher casinhas, as células ali da planilha conforme essa criança vai interagindo com esse brinquedo. Ao final da sessão você tem cada casinha, é um intervalo de alguns segundos e você deve somar essas casinhas e você terá o tempo total que essa criança interagiu com cada um dos itens ao longo daquela sessão.
Outra forma de fazer avaliação de preferências utilizando operante livre é uma observação naturalística, nesse caso ela não é planejada. Ela deve ocorrer da maneira menos intrusiva possível, ou seja, eu não devo interferir no comportamento da criança ao longo dessa sessão, a menos que essa criança esteja apresentando algum comportamento que envolva risco ou perigo para ela ou para outras pessoas. Nessa sessão, o aplicador registra a duração total da sessão e a duração manipulando cada estímulo.
A diferença para a observação planejada é que eu não escolhi quais são os estímulos que vão estar disponíveis para a criança. Eu só vou atrás da criança, observando o que essa criança está fazendo, qual item que ela está manipulando, e ao longo dessa sessão eu vou escrevendo. Olha, ela pegou aqui um lápis, ela ficou tanto tempo com o lápis, pegou uma boneca, ficou tanto tempo com essa boneca, e eu vou marcando o tempo que essa criança ficou interagindo com cada um dos objetos.
A gente pode usar a mesma folha de registro que a gente usa para a observação planejada, o mesmo modelo de folha de registro, mas a diferença é que nós vamos ter que ir preenchendo pouco a pouco o que essa criança pegou qual foi o item, sendo que na observação planejada nós já sabemos antes de iniciar a sessão quais são os itens que nós vamos disponibilizar naquele espaço.