Seja bem-vindo e seja bem-vinda neste nosso novo encontro, hoje aqui com a querida Adriana Tavares do Nascimento. A Adriana, ela foi nossa aluna no curso de Letras da Universidade de Sorocaba e participou também do grupo Teatro Cuts. Então, eu vou falar um pouquinho a respeito da formação dela e depois, pois ela é quem vai acabar contando-nos um pouco dessa história dela dentro do CSIS e da história dela dentro da educação.
A formação inicial dela foi em 1985; ela cursou o curso de Letras em Português e Inglês na Uniso. Depois, fora da Uniso, ela foi fazer o curso de Pedagogia. Posteriormente, em 2012, ela fez Gestão do Currículo, uma especialização na USP (Universidade de São Paulo).
Aí, ela teve uma série de certificações também como professora da rede pública. Ela fez a Rede Aprende com o curso básico de Libras para profissionais da educação, ensino híbrido, Ensino Médio em Foco, Aprendizagem, Introdução a Libras online, Introdução aos Direitos Humanos, Melhor Gestão e Melhor Ensino, Modelo de Gestão, Programa de Desenvolvimento de Liderança, Programa de Desenvolvimento Gerencial e Atualização Profissional, Programa de Formação de Tutores e também o Programa de Ensino Integral. Ela, de 2011 até 2019, foi professora e coordenadora pedagógica nas escolas estaduais, por exemplo, a professora Rosemar Pereira e também o professor Armínio Marqu da Silva, essas duas escolas em Sorocaba.
E de março de 2021 até o momento atual, ela é vice-diretora da Escola Estadual Senador Luís Nogueira Martins, aqui em Sorocaba. Quando ela fez parte do CAT, isso foi em 1994, ou seja, há 30 anos, né? Na semana passada, nós tivemos na casa da Vanderly, comemorando exatamente esses 30 anos da participação deles, da formatura deles no curso, na casa dela.
Então, essa reunião foi muito bonita, porque veio gente também, alunos de Botucatu e o pessoal de Sorocaba. E hoje, desse mesmo grupo do CAT, tem um dos integrantes que ela participou, morando nos Estados Unidos, né? O Renato Culo.
Então, tem também, bom, tem os dois, né, que já citei: Tapetininga e Botucatu, e o resto é quem vai falar é a Adriana, tá bom? Então, a Adriana, seja bem-vinda! Adriana, é um prazer enorme tê-la aqui conosco novamente, né?
Foi muito bom estar na semana passada juntos e, hoje, nós queremos que você conte um pouquinho dessa sua trajetória, né, nesse movimento todo, né? Você nasceu em Sorocaba mesmo? — Eu nasci em Sorocaba mesmo, mas a minha família é do Paraná.
Então, até a quarta série, eu estudei no Paraná e, depois, vim para Sorocaba. Na verdade, a minha trajetória escolar é curiosa, porque quando eu cheguei na quinta série, aqui em Sorocaba, em 1985, eu já tinha passado por oito escolas, porque o meu pai mudava de emprego, mudava de cidade e aí levava a família junto. Então, eu cheguei aqui em Sorocaba de forma definitiva em 1985, na quinta série.
Fui para a escola, para a Escolástica Rosa de Almeida, fiz até a oitava série antiga, que hoje seria o nono ano. De lá, fui para a ETEC Fernando Prestes, fiz secretariado por três anos lá e terminei em 1992. Pois naquela época, o jovem estava com 18 para 19 anos e o jovem fica: "E agora, José?
O que vamos fazer? " Eu sempre fui muito curiosa, sempre gostei de estudar, de leitura. Meu primeiro contato com a literatura foi a coleção "Vagalume" na quinta série, que a professora pediu, e eu já fui apaixonada por aqueles livros.
Aí, terminei o ensino médio e falei: "Eu vou fazer faculdade. " Eu não tinha condições financeiras, meus pais jamais poderiam pagar, então eu trabalhava durante o dia e estudava à noite. Quando decidi pelo curso, fiquei em dúvida entre Português e Matemática, olha só, porque eu gostava das duas disciplinas; eu gostava muito de Matemática também.
E aí, pensando uma coisa e outra, resolvi fazer Letras. Entrei em 1993, mas não tinha ninguém, nenhuma amiga, nenhum colega na minha sala; eu não conhecia ninguém. Então, eu comecei do zero as amizades; era um pouco tímida, né?
Meio fechada também. Eu sentava ali na segunda ou terceira carteira, perto da porta, e no primeiro semestre, eu queria desistir. Pensava: "Ai, não quero, porque eu não tenho amizade.
" A única pessoa que comecei a ter amizade desistiu no primeiro semestre. Aí vieram as férias do meio do ano, falei: "Não, não vou desistir; eu já estou há seis meses e eu vou terminar essa faculdade," né? Mas uma coisa que me marcou muito, acho que nunca comentei contigo: nos primeiros dias de aula, nós tivemos aula com o professor Roberto Samuel e ele pediu para nos sentarmos em círculo, né?
E aí a gente se apresentava e dizia, não me lembro bem o nome, porque escolheu Letras e tal, quais eram as aspirações. E eu me lembro que me chamou muita atenção, porque esse professor olhava nos olhos de quem estava falando e ele prestava muita atenção em cada aluno que falava. E aquilo tudo para mim era muito novo, porque eu vim de uma educação bem tradicional, que era a transmissão de conteúdo; foi muito boa, eu sou muito agradecida, claro, a essa formação, era a concepção da época.
E quando eu entro na faculdade, puxa, o professor tá ali olhando nos meus olhos, prestando atenção no que eu falo e no que o meu colega fala, né? Então isso me chamou muita atenção. Falei: "Bom, já que eu escolhi ser professora, eu quero ser parecida com esse professor.
Eu quero tratar. . .
" Cada aluno de uma maneira especial que ele veja através do meu olhar que eu me importo, que eu me importo com ele, né? Esse sonho de ser professora começou bem antes, quando eu tinha uns 8, 9 anos, na casa da minha tia. Tinha um guarda-roupa escuro e eu pegava G da escola, pedia para a professora, levava para casa, colocava ali, sentados, o meu irmão, meu primo, duas amiguinhas, e ali eu ficava escrevendo na porta do guarda-roupa, como se eu fosse a professora.
Então, esse sonho já veio de quando eu era criança, né? Já há muito tempo que estava adormecido. Na faculdade, desabrochou, sei.
. . E aí, sabe, Roberto?
Eu fui assistir a uma peça de teatro. Me falaram assim: "Olha, tá tendo uma apresentação de teatro. " Eu falei: "Mas onde que é?
" "Ah, é lá no anfiteatro tal. E a gente pode ir assistir o pessoal do curso de letras. " Falei: "Gente, que fantástico!
A gente pode assistir teatro, né? Eu nunca tinha tido contato com essa arte. " E aí fui.
Nossa, fiquei apaixonada! Era um encontro no bar, assistimos e tal. Aí, no outro dia, vou conversando com os colegas.
Aí eu já comecei a me enturmar, né? Ali com a turminha do Ivan, o Jarbas, a Ana Mé, a Vera, Márcia, a Vanderli, a Gisl. E aí o Ivan falou: "Ai, o professor Roberto Samuel me chamou para fazer parte do teatro.
" Falei: "Ah, sério? " Porque nós tínhamos apresentado, se eu não me engano, poemas na aula de teoria literária com o professor, né? Aí cheguei no professor, né?
Aquela menina de 19 anos: "Professor, eu também quero fazer teatro. " E aí eu não me lembro bem o que você falou, mas eu comecei lá a frequentar, a fazer todo sábado, da 1 às 5 da tarde. Ali nós fazíamos exercício para voz, posicionamento, alongamento, e para mim era uma diversão muito grande, porque eu sabia que estava aprendendo, mas eu me divertia muito, porque esse pessoal era muito querido, sabe?
Ali a Vanderli, o Edson, o Ivan, a gente ria muito também, o Celso, né? Aí, se eu esquecer de alguém, me perdoe, não é que. .
. Então, a gente se divertia muito. Tinham assim umas piadas e tal.
Para mim, era um prazer aquelas tardes de sábado. Eu não faltava, era muito raro faltar. E era um momento assim de descontração, porque durante a semana trabalhava das 7:30 às 5:30 numa empresa na produção, ia pra faculdade, então chegava em casa super cansada, quase meia-noite.
No outro dia, 6 da manhã acordada, né? E ali, da 1 às 5, era um momento que eu estava me divertindo, estava livre, estava aprendendo, né? Fiquei em 93, fizemos "Crônicas no Teatro Um", depois em 94, "Crônicas no Teatro Dois".
E foi nesse momento que eu me apaixonei por crônicas. Então, Luís Fernando Veríssimo é o meu autor preferido, é o que eu acho fantástico a maneira dele escrever, o humor que tem nos seus textos, nas suas crônicas. E aí a gente sempre ali conversando, trocando ideias.
Nós sabíamos que a gente queria ir além, mas quando você é bem jovem, você não sabe muito bem como vai ser, né? Mas hoje eu vejo essa trajetória, que tudo foi contribuindo para quando eu efetivamente fui para a sala de aula, quando efetivamente eu estive ali junto com os meus alunos. E aí, fiquei.
. . nós formamos em 95.
Nossa, formatura foi em 96. Aí, em 96, eu trabalhava já em outra empresa, das 8 às 6 da tarde. 6 e pouco eu pegava um ônibus, ia dar aula em Salto de Pirapora e voltava.
Fiquei 4 meses assim. Eu digo que foi o tempo que, nesses 4 meses, eu comprei o meu fusquinha branco, né? Porque antes andava de ônibus e que alegria!
Aí em 97 engravidei da minha filha, fiquei só na empresa, porque seria muita coisa ali, grávida, ficar saindo de Sorocaba. Ah, eu optei, Roberto, por fazer a minha carreira na rede pública. Foi a minha opção.
Então, eu sabia que demoraria um pouco mais, em algum momento eu seria efetivada e a minha vida seria um pouco mais tranquila. Aí, em 98, resolvi, já tinha a Júlia, ela tinha 8 meses, resolvi sair da empresa e pro magistério mesmo. Então trabalhei no Humberto de Campos, na Grande São Paulo, em Buu, das Artes, Itu, Iperó, até em 2005 vir aqui para Sorocaba e ser efetivada no Vitória, Rja, no Rosemari.
E algumas coisas que a gente aprende, que a gente vê na faculdade, você vê que na sala de aula nós podemos fazer. Então, eu me lembro que em Jorge, nós fizemos. .
. eu fiz com os alunos do sétimo ano, na verdade, na época era a sétima série, uma encenação do "Navio Negreiro", porque na faculdade nós tínhamos feito e foi assim emocionante, sabe? Tanto na faculdade quanto ali com os meus alunos.
Porque eu dava aula de língua portuguesa. Fizemos sarau também ali em Jorge. Eu me lembro, eu acredito que no ano de 2000 foi a primeira vez que teve o Dia da Família na escola e nós assim.
. . O projeto estava começando e tal, e aí eu falei: "Meu Deus, o que dá para fazer?
" Bom, então fiz. Ensaiamos declamação de poesia e tal, e aí eu fiz com os alunos aquela música do Padre Zezinho: "Abençoa, Senhor, a minha família". Eles cantaram, tal, foram coisas bem simples, mas que tiveram ali um significado, né?
Depois o projeto veio mais estruturado. . .
Esse foi o primeiro que teve na rede estadual. Depois eu fui para. .
. vim aqui para Sorocaba em 2005. Aí já.
. . Tinha o João com um aninho e a Júlia com sete, e eu trabalhava.
Só que eu preferi trabalhar meio período. Poderia ter ficado na prefeitura de Perom e acumulado com o estado, mas eu priorizei estar com os meus filhos enquanto eles eram pequenos, né? Então, eu trabalhava meio período no estado e, à tarde, ficava com os dois.
Até 2010, em 2010, lá no Rosemari, fui chamada, convidada para trabalhar na coordenação pedagógica. E aí eu fiquei mais apaixonada ainda pela educação, porque mexer com a aprendizagem é algo mágico. Então, trabalhei cinco anos, isso na coordenação do sexto ano até o ensino médio, né?
E aí, em 2015, tive a oportunidade de ir para a coordenação do antigo ciclo um, que hoje são os anos iniciais, e foi mágico, Roberto, porque ali, como coordenadora, eu aprendi muito com aquelas professoras que pegam a criança ali na base, na competência leitora e escritora, na questão corporal. Então, para mim, foi de uma riqueza fantástica. Em 2021, em 2020, eu vim para outra escola, que foi o Senador Luís Nogueira, e em 2020 entrou a pandemia.
A gente ficou meio que online, passando atividades. Foi assim, tudo muito rápido, né? Aí, em 2021, voltamos presencial.
E aí, a Andreia, que era outra diretora, ela me chamou para ser vice, que estava abrindo mais um posto de vice-direção. De 2021 para cá, na escola, a minha escola é uma escola de ensino integral, programa de ensino integral. Então, eu faço parte do conviva.
O conviva é métodos de convivência escolar. Então, essa questão dos psicólogos na educação, de mediação de conflitos, assembleias, é de minha responsabilidade, né? Tutoria também, o projeto de vida.
Então, hoje, toda essa parte sou eu quem sou responsável na escola. No ensino integral, nós temos os corresponsáveis, né? Então, ninguém faz nada sozinho.
Eu sou responsável direto por essas partes, mas têm também os corresponsáveis: coordenação, direção, professores. E o que eu sempre digo, sabe, Roberto? Eu sou uma pessoa muito realizada, profissionalmente e pessoalmente também.
Claro que eu tive problemas, nada é perfeito nessa vida, mas quando eu estou na escola, eu sinto que estou no lugar que escolhi estar. A minha relação com a educação é de amor, é de dedicação. Eu coloco como metas na minha profissão fazer cursos.
O governo do estado, para o qual eu trabalho, sempre nos oferece cursos, então eu sempre faço um no primeiro semestre, um no segundo ou um durante o ano todo, né? Essa busca pelo conhecimento. E eu percebo também que muito do que nós vimos lá na faculdade, que foi, digamos, a minha iniciação literária e cultural, me ajuda no dia a dia.
Porque quando você faz o estágio na faculdade, eu me lembro também do professor Vanu, que uma vez eu tive que explicar para a sala, ele sorteou os temas, né? E era, se eu não me engano, oração aditiva explicativa. E quando eu estava lá em cima, foi a primeira vez que eu estava à frente de uma sala, eu não queria sair mais; eu gostei muito de estar explicando ali, de as pessoas estarem prestando atenção, ouvindo.
É claro que, quando você vai lidar com adolescente, é uma outra abordagem, mas eu digo que nós, educadores e professores, temos um poder muito grande, sabe, no que nós falamos para o nosso estudante, no que nós abordamos. O professor é importantíssimo. Então, essa questão da valorização é importante, claro, porque quando você entra em uma sala de aula, você tem ali 35, 40 pessoas: são 40 vidas, 40 pensamentos, 40 famílias envolvidas.
Então, é muito sério e de muita responsabilidade do educador, do professor, estar ali à frente. Eu tenho bastante contato com ex-alunos, né? Às vezes, até a gente encontra: "Oi, professora, lembra de mim?
" E aí você, ah, às vezes, demora um pouquinho, né? Porque eles mudam. Os alunos, quando eu estava dando aula, na sala de aula, eles eram adolescentes, e o adolescente muda bastante.
Então, geralmente a gente lembra, claro, né? Mas esse contato é muito gratificante, porque vira e mexe tem uma mensagem lá no Instagram: "Professora, olha, me lembro que você fez tal atividade, nossa, professora, foi tão importante. " E eu procuro, até agora, né, Roberto, me lembrar daquele professor, lá em 1993, que olhou nos olhos de cada aluno.
Acho que eram 55 alunos do de Letras, né? Nos primeiros dias de aula, e prestou atenção em cada pessoa como única. Eu procuro ter esse olhar para o meu aluno.
Hoje, eu lido bastante com pais de alunos, né? E eu aprendo a cada ano, sabe? Que o ouvir, a escuta, ela é enriquecedora.
Então, a gente vai aprendendo, a gente vai amadurecendo. Hoje, assim, na escola, também eu lido com os jovens acolhedores. Nós temos reuniões semanais de alinhamento: "Olha, nós estamos aí, vamos supor, com algum problema, o que podemos fazer para melhorar?
" Então, eu gosto dessa gestão democrática, decisões tomadas em conjunto. Claro que a gente sabe que na escola tem os colegiados, né? Eles são super importantes, e eu aprendo com os alunos, porque às vezes estou lá batendo a cabeça para resolver um problema.
Aí, de repente, entra um aluno na minha sala, eles adoram me chamar de Dr, né? "Dr, dá licença? Então, olha, por que não faz dessa maneira?
" E aí eu falo: "Gente, olha aí o segredo, é ouvi-los. " Porque o jovem está ali disposto a aprender, a contribuir, e isso é maravilhoso. Porque acontece muito na nossa prática, às vezes.
. . Gente, fica engessado, né?
É. . .
E aí você fala: "Puxa vida, pera aí, deixa eu voltar até na semana passada, lá na casa da Vandeli, que você recitou um poema de Fernando Pessoa. " Na hora, aquilo eu falei: "Gente, e a Adriana, que sempre gostou tanto de literatura, tanto de poema, né? " Eu ainda leio.
. . Não tanto quanto antes, mas eu ainda leio quase toda a noite.
Eu ainda prefiro o livro físico, no papel, né? Eu acho que isso aí, para mim, é muito mágico. Mas, então, às vezes a gente chega num ponto que você precisa desse resgate, né?
Desse: "Pera aí, cadê aquela Adriana lá de 30 anos atrás? " Eh. .
. O que ela pensava? O que ela sonhava?
O que ela buscava? E onde que ela tá agora? O que ela tá fazendo de diferente para essa comunidade onde ela está inserida?
É isso, sabe, Roberto? Essa questão de a gente estar presente, né? É um desafio hoje para nós, porque automaticamente você tá fazendo uma coisa e, daqui a pouco, já olha no WhatsApp.
Eu já olho, e esse exercício eu estou fazendo constantemente: "Eu estou aqui agora e este é o momento mais importante da minha vida. " Isso reflete lá com o meu aluno, com os nossos alunos, com os pais que vêm com algum, às vezes, problema ou alguma sugestão. Nessa atenção, eu acredito que faça toda a diferença na vida do educador, sem dúvida.
E uma coisa bem interessante é isso que você falou, né? Daquele momento que você chegou, no primeiro dia, aquele círculo, naquele bate-papo que a gente fazia. Eu sempre gostei de fazer isso, sabe?
Sempre. . .
Mesmo com alunos que chegam no ano seguinte, eu faço essa retomada. E é muito interessante que, nesse bate-papo, como você senta em círculo, automaticamente todos se veem; ninguém fica escondido, né? Ninguém fica sentado na carteira, na parte de trás.
No círculo, todos se veem, e, portanto, todos falam, né? E todos perguntam também. A gente faz aquela brincadeira: "Quem vai falando no sentido horário?
" E começam perguntas no sentido anti-horário. Então, isso dá um resultado muito bom no processo de comunicação. É muito interessante que muitos acabaram.
. . Porque eu pedia para falar, talvez você nem lembre disso, mas tinha que falar o nome completo, né?
E aí muitos se descobriam. Eu mesmo descobri filhos de primos meus que eram meus alunos, e eu não sabia, e nem eles sabiam que eu era primo do pai. E aí, muitas situações de fazer descobertas entre eles: que eles moravam na mesma rua, às vezes no mesmo bairro, às vezes em outra cidade, né?
E acabamos vindo juntos depois. Então, era uma coisa bem interessante, essas descobertas. Mas vou fazer algumas perguntas para você também.
Quando você chegou, você teve aulas, hein? Eu lembro que você comentou de "O Navio Negreiro". Você teve aula com a Eleni Maciel, é isso?
Isso, Eleni Marel, que deu "O Navio Negreiro" para vocês. Foi no salão mesmo, no salão nobre, né? E nós nos vestimos daquele saco, né?
Sim, e aí com um cordão assim amarrado na cintura, e nós entrávamos cambaleando no palco. Eu não me lembro quem era o capataz; não me lembro se era o Jabas ou Ivan, e ele simulava chicotadas. Sei.
. . Então, muito emocionante!
Muito emocionante mesmo, sabe? Porque nós ensinamos. Cada um falou um trecho do "Navio Negreiro.
" Hum. . .
E aquela luz semi-apagada, um refletor um pouco avermelhado, e aquele poema tão significativo, tão real, ali de Castro Alves, né? Foi muito bonito, muito significativo para mim. E aí, Roberto, acho que eu comentei isso já, né?
Nós encenamos "O Navio Negreiro. " Isso foi no ano de 2000, lá em George Wetter. Que alunos que eram?
De que período? Que eram? Eram da sétima série.
Eu me lembro até. . .
Sétima série. Nós encenamos do mesmo jeito. Eles entravam com as mãos amarradas, né?
Como se fosse uma corda. Então, alguns caíam e foram até o palco para declamar o poema. Foi muito bonito!
Você sentiu um bom resultado, então? Muito, muito mesmo! Foi assim.
. . uma riqueza, né?
E a Eleni, nas aulas, me lembro. . .
Embora para a sagada, me lembro desse poema também. Ela era apaixonante, sim. Gostava muito das aulas da professora.
Era literatura brasileira que ela dava para vocês na época? Isso, literatura brasileira. Muito bom!
E você falou de sarau. . .
Perdão, você teve com ela, né? Os tipos de sarau. E quem mais você teve esse tipo de atividade?
Com poemas e o grupo falando em conjunto? Então, ah, foi com o professor Roberto. Você também, em teoria literária, foram poemas também, reclamação de poemas.
E eu tenho quase certeza que foi no salão nobre. O que acontece, Roberto, como você deu aula aos três anos para nós e você dirigia o grupo de teatro, então, em alguns momentos, eu fico ali: "Será que era no grupo ou era na aula? " Sei, mas eu me lembro, sim, de sarau na disciplina de teoria literária com você.
Porque daí eu dei aula para você também de literaturas infantojuvenil. Isso! Nós confeccionamos um livro infantil e também ensaiamos "Pluft, o Fantasminha.
" E também eu fiquei apaixonada por literatura infantojuvenil, sabe? Porque como eu gostava lá da coleção Vagalume, tinha muito a ver com a literatura infantojuvenil. Aí, então, eu era mais ou menos assim, quando eu pensava em fazer uma pós ou alguma coisa: "Ah, vou para a literatura brasileira.
" Tá, daí não vou para a literatura infantojuvenil, sabe? Então, por quê? Porque, eh, naquele semestre a disciplina encantava.
Tinha a questão do encantamento, porque a palavra, quando ela é trabalhada, ela serve para nos encantar. A poesia é uma forma de ver a vida de alguém que passou por um problema, uma alegria. Escrever, então, eu ficava fascinada ali, sim, dependendo da matéria, do conteúdo.
E literatura inglesa, você teve com a Fernanda Maia, que hoje é grande diretora de teatro em São Paulo, né? Os musicais com o Zé Henrique, de lá, eles têm o núcleo experimental de teatro lá na Barrafunda. Veja as viradas, né?
Então, e o que você fez com ela? Olha, eh, o nosso grupo ensinou Hamlet, eh, na aula de literatura inglesa. Ah, não, e esse foi no salão também, foram, foi no salão também.
Sim, nós tínhamos eh muitas experiências ali no salão, viu, Roberto? Certo? Sendo com você, com a professora El, com a Fernanda, com a Vera, vocês tinham também música em inglês, né, na aula de inglês?
Sim, em inglês. E no E, latim? Vocês tinham latim naquela época ainda com o Gaspar.
O Gaspar teve um final de ano, todo final de ano nós apresentávamos, e eu me lembro de músicas natalinas, né? Eh, e também a gente rezava em latim, viu? Eh, tinha também o Pai Nosso, tal.
Eh, e aí eu me lembro que foi muito bonito. Esse coral foi ali perto do salão, perto da antiga sala dos professores. Eh, nós estávamos de calça ou saia preta e camisa branca, e aí fizemos uma pastinha, aí cantamos as músicas natalinas em latim.
Olha que maravilhoso! Naquela Praça dos Arcos, então, que tinha ali, isso bem na entrada, né? Ali por um jardim que chama de Praça dos Arcos, que é um lindo lugar, espaço mágico.
Eu tenho história lá, nós temos história, tem, tem. E aí, isso tudo você então eh acabou utilizando dentro da escola também com seus alunos e hoje você motiva isso tudo para os outros professores. Então, nós temos as reuniões semanais, eh, e uma vez por mês, ao invés das coordenadoras trazerem algum assunto, eh, eu entro para trazer um assunto, ou do conviva ou algumas práticas que podem ser incorporadas ali no dia a dia, né?
Eh, sabe o que eu vejo como muito importante? Quando eu entrei a primeira vez numa sala de aula, porque antes você faz estágio. Você tem o professor regente, ele tá ali, você está na sala de aula dando uma aula experimental, o seu professor está ali, então você se sente apoiado.
Quando você vai para a sala de aula, é você e os alunos. Então, eu me pegava muitas vezes lembrando como os meus professores agiam na faculdade, sabe, Roberto? Eh, até hoje, eu já estou fora da sala de aula há 14 anos, né?
Mas eh, a concepção pedagógica do vice-diretor hoje é na questão da aprendizagem. Então, eh, o perfil é estar ali junto do professor, acompanhando as aulas. Tal, se precisar, a gente também pode entrar para dar aula.
Tal. Então, eh, eu me pego, de vez em quando, pensando: puxa, o que o professor Roberto faria nessa hora? Como que ele lidaria com o barulho, por exemplo, sabe?
Porque, às vezes, a gente ali com adolescente, eh, eles estão conversando, tal, e o professor acaba interrompendo muito a aula para chamar atenção. Então, aquele ato seu lá de 93, de prestar atenção em quem está falando, eu trago comigo até hoje, sabe? Eh, claro que você vai manter uma certa ordem para ter uma aula produtiva, né?
Mas eh, eu me pego prestando atenção naquela criança que está falando, sabe? E hoje, nós fazemos também assembleia de classe, que é aquele momento dos alunos falarem, eh, as críticas, as sugestões, os elogios. E saem coisas que você fala: puxa vida, eu não imaginava que eles prestavam atenção nisso, né?
Eh, então, a gente sempre tá levando uma coisa ou outra, né? Eh, como eu não estou ali diretamente em sala de aula, não é tão efetivo essa prática. Mas a gente sempre tá buscando o incentivo à leitura, eh, o incentivo a apresentações.
Na nossa escola também tem a sala de leitura, é uma vastidão de títulos muito bons, e as crianças, elas gostam de ler. Claro que não são todos, mas no meu tempo também não eram todos. Agora vai de nós, educadores, professores, oferecermos eh a leitura para que aquela criança se aproprie dessa competência.
Depois, com o tempo, eh, depois da apropriação da escrita, aí sim, eh, vão se formar os leitores efetivamente. Mas a escola tem um papel importantíssimo nessa formação de leitores. É, é.
Inclusive, hoje tem a questão do: eles querem tudo rápido, né? Então, com os netos aqui, eu vou percebendo as diferenças, né? Hoje eu tenho um de dois, um de cinco e outro de 13.
Então, a gente percebe como a gente tem que aproveitar rápido quando eles estão bem novinhos, como de 2 anos. Colocar bastantes livros por perto, fazer essas leituras, mostrar esse mundo mágico, porque já tem imagem, né? É que logo, logo eles vão para a imagem virtual, tem, né?
Eles querem ficar realmente no celular, computador, o tablet e aí por diante. Então, eh, tem que aproveitar rápido e, cada vez mais, eles querem leituras rápidas. Daí, no caso, eu mesmo agora tô vendo quatro livros, né?
E aí, eu elogio a coordenação das escolas que fazem isso, né? Colocar a leitura ainda, né, e colocar esse livro em papel. Ainda tá!
E por quê? Porque, a partir deles, mesmo que você, como você falou, né, que vai para outros espaços, em outras condições, mas se não aproveitar agora, eles não vão passar por essa leitura na escola. Tive casos de alunos na faculdade que entraram no curso de administração.
Eu dei dois livros para ler no semestre, curtinhos, mas dentro do contexto. E, na hora de fazer a última avaliação semestral, o aluno chegou para mim e falou: "Professor, obrigado por ter insistido com essa leitura, porque eu nunca tinha lido um livro na minha vida, porque nunca exigiram de mim, e eu não sabia que era importante. " Entende?
Agora, quando eu li o primeiro, gostei; vi a importância. Li o segundo, comprei mais dois, li mais dois e, até o final do semestre, eu quero ler mais dois. Já está com.
. . então é o presente que dá, né?
Porque realmente a leitura é importante, ela vai nos conscientizar de muitas coisas. Outros tipos de leitura, principalmente só a leitura da imagem, que eu acho muito importante, mas só ela não é suficiente para determinadas coisas, né? Principalmente para a conscientização de uma série de aspectos.
Então, a escola tem muita responsabilidade, sim, continua com muita responsabilidade em relação à leitura, e o professor na sala de aula tem que dar leitura, e desde cedo, né? É muito importante, porque senão o jovem não vai ler. Se vê a fala desse rapaz: "Nunca exigiram de mim na escola uma leitura, por isso que eu não fiz.
Eu não sabia que era tão importante, porque não mostraram para mim isso. " Então, é importante isso, né? Parabéns, viu?
Parabéns em tudo que você fez e está fazendo, viu? Muito bom! Quer falar uma coisinha ainda para finalizar?
Então, Roberto, também em 2005, eu fiz o curso "Letra e Vida" pela Secretaria da Educação do Estado, e esse curso foi muito importante na minha prática escolar, porque ali essa questão de hipótese de leitura e de escrita, desculpa, hipótese da escrita, né, me ajudou muito. E aí, refletir sobre a escrita, a reescrita, a leitura, quando eu estava em sala de aula, o que eu fazia com os meus alunos, com as minhas turmas, era que uma vez por semana eles iam até a sala de leitura, biblioteca, para levar um livrinho para casa, devolvia um, pegava outro, e sempre deixei muito livre para a criança escolher o livro que ela quisesse. Agora, no Estado, já tem os livros mais virtuais, né?
São títulos muito bons. Então, assim, a oportunidade está aí. A gente nem tudo é perfeito, claro, tem muita coisa que precisa ser melhorada, mas o que é bom a gente tem que aproveitar e oferecer para essa criançada.
A leitura aqui em casa sempre foi muito forte, meu marido também lê. Quando meus filhos eram pequenos, eu deitava assim na cama, os dois juntos comigo, e a gente ia ler. Sabe aqueles livros infantis?
Eu tenho memórias muito, muito satisfatórias dessa época. E hoje, eles já trabalham. A Júlia está formada, o João ainda está estudando.
Eles têm pouco tempo para se dedicar a isso, mas em casa a gente incentivou bastante. E, assim, para encerrar, o que fica de tudo isso para mim, né? Ficam os agradecimentos, primeiramente a Deus; segundo, às oportunidades que a vida me deu; às pessoas que passaram, às pessoas que estão na minha vida, às pessoas que estão voltando para a minha vida.
Então, o que importa para a gente são as pessoas, é o nosso olhar para aquela pessoa, a nossa atenção. Não sou perfeita, não é isso, mas a gente tenta, a gente busca tratar as pessoas com respeito, ajudar no que for preciso. E esse amor não sou mais apaixonada pela educação, é um amor de maturidade, de reflexão, de ação, de estudo, de incentivos, de uma base lá na faculdade muito importante que me direcionou para onde eu queria caminhar.
Muito agradecida, muito agradecida. Você tem uma palavra que me resume: gratidão, gratidão mesmo a você, que é essa pessoa que, para mim, ainda é o meu professor. Eu tenho dificuldade de chamar de Roberto; para mim, é meu pro, né?
Mas você foi e ainda é muito importante na minha trajetória. Gratidão sempre. E eu digo a mesma coisa para você: gratidão.
É muito bom ouvir de você essa história, você se entregando com muito carinho para contar um pouco da sua trajetória, né? E você ficou marcada, né? Para mim, você ficou marcada nesse sentido da sua alegria, né?
Do seu entusiasmo. Olha só aqui, né? Olha a sua maneira de ser, a sua expressão.
Olha só que belezinha, né? Quer ver? Olha!
As fotos mostrando aqueles momentos, né? Quer ver? Você aqui, em vários espaços dessas apresentações.
Aqui vai ser meio difícil. Tá vendo? Mas, inclusive, reflexo, né?
Essas fotos dão, sim, um pouco dessas histórias. Olha só! Ai, que lindo, gente!
Depois, vou dar um jeito de passar essas fotos digitalizadas, né? Mas olha você aqui também; eu achava divertidíssima essa sua passagem na frente do pessoal adoradores de pôquer, né? Era maravilhoso, foi maravilhoso!
Aqui o ensaio, né? Você falou dos ensaios aqui, ensaio do "Crônicos" no teatro, isso. Na hora que chegava, né?
Fazia um aquecimento, daí entrava um pouco até de yoga na nossa brincadeira. Essas fotos que eu tive a sorte, a felicidade. Eu gosto muito de ter tirado essas fotos; achei que ficaram lindas, por sinal, demais!
Olha! Esta aqui, eu lembro que vocês fizeram até camiseta na época. Uma dessas fotos é verdade.
Ai, maravilhosas! Ah, é muito. .
. olha esta aqui, que linda! Então, foi um momento realmente, foram momentos muito bonitos.
Ó você aqui de novo, você realmente se divertia, sim, consequentemente nos divertia, né? Olha esta aqui! Uma menina de 20 anos.
A foto tá linda! 30 anos atrás! 30!
Anos atrás, apresentando. Daí tem mais. Esta aqui, ai gente, saudade!
Olha só, vocês fizeram história, né? E essa aqui tá linda também! Nem sei como eu consegui, com aquela maquininha, fazer essa foto.
Olha que coisa linda! Pois é, ai, muita saudade, né Roberto? Mas você tava ali por trás, muito, muito, muito m, né?
Então a minha gratidão tá. Deus abençoe! Foi muito bom essa última reunião que nós tivemos.
Esses retornos são deliciosos, é a nossa profissão, porque nós nos tornamos todos amigos, né? E atravessamos os tempos aí juntos, né? Muito bonito isso, que de repente vamos conhecer os filhos de vocês, maridos, esposas, e cada coisa mais linda.
Essa semana passada, a afetividade de vocês com a família presente ali, juntos, né? Nossa afetividade, o carinho explodindo, né? Então a gente sai renovado, né?
Esse encontro de domingo, eu estava assim, é uma ansiedade tão gostosa, sabe? Quando você ia no aniversário quando era criança, eu estava assim, esperando aquele momento com tanta alegria, sabe? E, olha, para mim foi de uma riqueza espiritual, interior, tão grande, sabe?
Que não tem nem palavra para agradecer. Realmente, são pessoas fantásticas, né? E é gostoso ver, né, a construção por trás de tudo isso, né?
A construção da profissão, da família, do ser humano, né? Então, parabéns! Muito obrigado!
Deus te abençoe! E sempre que estejamos juntos, sempre, tá bem? Grato, muito obrigado para vocês que estão nos acompanhando nesses belos relatos de vida, né?
Cada um contando um pouco da sua trajetória. A nossa gratidão por nos acompanhar, por nos ouvir. Obrigado a todos vocês.
Tchau, Adri! Fica com Deus, viu? Tudo de bom!
Até breve! Até aí.