Boa noite a todos. Boa noite. Que a paz de Jesus, nosso divino mestre e amigo, nos acolha a todos.
que nos sintamos envolvidos pelo seu infinito amor, para que cada um de nós saia daqui nesta noite com o coração mais repleto de esperança, de bom ânimo, de fé e de disposição para fazermos lá fora o que o mestre espera e conta conosco para poder fazer. É para mim uma alegria imensa poder estar aqui em Olímpia pela primeira vez. Agradeço a casa pelo convite.
Desejo desde já a casa muitos anos de trabalho, muitos anos de serviço, de luz na seara com Jesus. E que saiamos todos daqui, então, com essa fome que todos temos do mestre, do seu evangelho, um pouco mais saciada e, portanto, um pouco mais fortalecidos para o trabalho que nos compete. E o tema que nós propusemos nesta noite é, poderíamos, sem sombra de dúvida, dizer um dos aspectos, um dos recursos ou uma das ferramentas mais importante em nossa jornada espiritual, seja no corpo, seja fora dele.
Enquanto ainda não alcançarmos a perfeita integração com o nosso pai, com a sua divina vontade, será um recurso ao qual teremos de recorrer ainda inúmeras vezes. Mesmo quando lá chegarmos, ainda sim precisaremos desse recurso, a fim de estarmos sempre muito bem integrados ao criador e a sua vontade. O próprio Cristo, que é para nós o referencial, o modelo maior, sendo ele já um espírito puro, mesmo ele recorreu muitas vezes a esse recurso ao longo de sua tarefa, ao longo de sua missão, não somente nos momentos culminantes, naqueles momentos de maiores testemunhos, mas também para as tarefas, digamos assim, cotidianas no trabalho do dia a dia.
Muitas vezes vamos ver os evangelhos nos narrarem que Jesus se utilizava também desse recurso. O recurso do qual falamos, que é para nós essencial e que tantas vezes não tem sido talvez bem olhado, bem utilizado, bem cultivado, é o recurso da prece. Prece.
Então, hoje nós vamos tentar entender um pouquinho melhor a luz, claro, do Evangelho do Cristo, das suas lições, como também da doutrina espírita. Com todo o arcabolço de revelações que ela nos traz, com os desdobramentos, as explicações que ela nos traz em relação ao evangelho, vamos tentar entender um pouquinho melhor o que seja de fato a prece, como podemos cultivá-la com proveito e qual é a sua importância para todos nós, espíritos ainda em jornada, ainda em caminhada, especialmente os que aqui estamos encarnados com todas as limitações. que a matéria nos traz com todas as dificuldades, com todas as lutas.
É a prece um recurso fundamental para que consigamos avançar tanto quanto nos seja possível e também segundo nos propomos quando para cá nós retornamos. Então, será essa a temática da nossa noite. Mas para começar, creio um primeiro ponto importante é justamente passar por uma definição do que seja prece, porque a definição em si já vai trazer algumas alguns aspectos novos de reflexão, renovando alguns alguns atavismos que nós trazemos com relação a esse recurso.
que muitos de nós, em experiências pregressas tomávamos a prece simplesmente como um ato mecânico, um gesto mecânico, algo que estivesse muito mais relacionado com a postura exterior, com as palavras que eu me utilizo, com a forma como que me porto durante o processo da prece, do que efetivamente com relação a algo íntimo, a algo interior. Então, ao definirem a prece, ao falarem do caráter geral da prece em o livro dos espíritos, os espíritos, logo de cara já vão nos trazer muitas reflexões e um convite a pensarmos o que realmente nós temos valorizado na prece, porque muitas vezes não estamos talvez assim tão satisfeitos com a prece. Muitas vezes tememos, por exemplo, fazer uma prece em um grupo, temos vergonha, temos dificuldade, mas o que está por trás disso senão muitas vezes uma incompreensão do que realmente seja a prece, do que realmente é uma prece proveitosa.
Então, os espíritos vão nos falar do que seja a prece logo na primeira parte ou na primeira das leis morais que vão desdobrar em o livro dos espíritos, na terceira parte, quando vão falar da lei de adoração, falam ali da prece, dos seus caracteres, das suas características, da sua definição e da sua finalidade. E quando vamos falar então da sua definição, os espíritos nos dirão: "Orar é pensar em Deus". é entrar em comunicação com ele, é nos aproximarmos dele.
Então, é muito mais uma questão de postura íntima. é muito mais uma questão de espírito do que quaisquer aspectos exteriores, forma, tamanho, beleza. Com essa simples definição já vão caindo no degrau da importância, descendo lá os últimos, a fim de que se ressalte o que realmente é importante.
dar é de algum modo buscar conectarmos mais intensamente ao Criador. Buscamos senti-lo, buscamos ouvi-lo, não é claro, com os ouvidos do corpo, porque aprendemos também com a doutrina espírita que o criador não está lá num local distante, como Kardeia bem vai esclarecer, por exemplo, no capítulo 2 do livro a Gênesis, quando fala de Deus, quando fala da sua providência divina, ou seja, desse cuidado amoroso que Deus Deus tem para com todos os seus filhos, desde a mais ínfima das criaturas aos anjos mais divinos. Quando vai falar disso, dessa providência, Kardec vai trazer-nos uma explicação, digamos assim, mais condizente com a grandeza divina.
Não é um senhor isolado distante dos seus filhos em algum recanto do universo. O criador, na verdade, está em toda parte. Como já falava o apóstolo Paulo, isso está narrado em Atos dos Apóstolos, repetindo o grande filósofo grego Pimenedis.
Nele nos movemos, vivemos e existimos. através do fluido cósmico universal, diz-nos a doutrina espírita, o criador espraia, espalha o seu amor, a sua providência, a sua presença em todos os recantos do universo. Estamos, digamos assim, saturados dele.
Então, ele não está lá, ele aqui está. A grande questão é, e aí entra a prece como recurso de sintonia, de aumento de percepção. A grande questão é aprendermos a nos conectar com essa presença, a estabelecermos um uma conexão de uma banda mais larga, a fim de que possa fluir daqui para lá como de lá para cá, do criador para nós, como de nós para o criador, esse fluxo do amor, da confiança, da misericórdia e da bondade divinas é é um processo feito ou uma conexão feita a duas partes.
E eis aí uma finalidade essencial da preça. E o criador, claro, quer que assim o busquemos. Não importa para ele tanto a forma, os aspectos exteriores, como bem destacaram os espíritos.
Na questão, no que se refira à prece, dizem eles, complementando na questão anterior, 658, a intenção é tudo. A intenção, o sentimento com que se faz, a postura de alma com que se faz a prece vale muito mais do que quaisquer outros aspectos. Isso já nos leva então a repensar como temos feito a nossa prece.
Temos ainda valorizado muito esses aspectos exteriores que nos levam, por exemplo, isso é muito comum, a ter dificuldades ou a recear fazer uma oração entre companheiros, entre pessoas queridas, como num grupo de estudo. É incrível onde a gente vai. Quando a gente abre nesses grupos de estudo para a prece, fica sempre aquele silêncio mortífero.
Ninguém se dispõe, ninguém se propõe, como se fosse algo a temer. Mas muitas vezes o que aí está, precisamos pensar com sinceridade para conosco. Não seria ainda esse essa supervalorização aos aspectos exteriores?
Ah, minha prece não é tão bonita em termos de palavras quanto a dele, a do fulano, a do ciclano, mas e daí se preste é pensar em Deus, falar com Deus, como? Com que palavras? Pouco importa, com que tamanho pouco importa.
Já dizia Jesus no Evangelho de Mateus, capítulo 6, quando fala da prece, não oreis como gentios, que julgam que pelo excesso de palavras serão ouvidos. Isso não é importante. O importante é justamente esse sentimento, a sua disposição, a sua abertura para falar com ele e ouvi-lo também, captar o que ele tem a nos dizer.
Porque muitas vezes queremos fazer da prece uma via de mão única. Nós falamos com Deus, mas poucos queremos ouvi-lo. Como Emanuel disse também em relação ao Cristo, quando oramos ao Cristo, muitos querem falar a Jesus, poucos querem escutá-lo.
Porque, em geral, queremos dizer o que compete a ele, o criador, fazer, mas poucos nos dispomos a entender o que de fato fazer. Mas então esse é o primeiro aspecto importante a ser tratado. A definição, um próprio entendimento mais profundo do que seja prece, o que vai nos libertando de certas amarras, de certos atavismos.
V vamos nos pacificando com essa prece que seja sincera, seja ela como for. Me recordo aqui do caso de Madre Teresa de Calcutá, que ilustra bem o que é esse processo de comunicação com o criador. Muitas vezes, de modo inarticulado, perguntaram certa feita a ela: "O que você diz a ele, ao Pai, quando ora, quando reza?
" E então ela responde: "Nada, eu só escuto". Então o repórter ficou curioso, mas interessante. Mas então o que ele lhe diz quando você ora?
Nada. Ele só escuta. Então ninguém diz nada e os dois escutam.
Isso é a prece. Porque é muito mais uma questão de sentimento, de conexão mais profunda. Aqui as palavras muitas vezes são limitantes, pobres para descrever.
Mas ainda que sejamos convidados, por exemplo, a fazer uma prece, façamos com as nossas palavras, com a nossa característica, tenhamos a certeza, alcançaremos muito mais o coração daqueles que nos ouvem, se formos autênticos, sinceros, como somos, do que se tentarmos transparecer o que de fato não é o que somos. Então, que possamos aos poucos ir nos libertando também dessa necessidade de ficar medindo, comparando a nossa prece para os demais. que façamos dela esse gesto sincero, mas também que não façamos dela muitas vezes, como acontece sobretudo em público, uma declamação, se for natural, se for espontâneo, que seja, mas muitas vezes acaba sendo a prece também um recurso de expansão da nossa vaidade, porque ainda estamos apegados às questões exteriores.
O que poderia ser algo singelo, simples, acaba se convertendo muitas vezes em uma palestra. E não é essa a finalidade. Então, a simples definição já nos traz alguns pontos aí para refletirmos sobre o que seja a prece.
Mas um outro aspecto que nós gostaríamos de tratar aqui hoje e digamos assim seria o núcleo central da nossa reflexão, derivou-se de um texto que estávamos lendo esse dia, um texto que achamos muito interessante, que está no livro Vinha de Luz, capítulo 98, intitulado A prece recompõe. E ele vai comentar, Emanuel, um versículo que está em Atos, capítulo 4, versículo 31. em que há uma fala assim, digamos assim, circunstancial de um acontecimento que não nos parece um acontecimento assim significativo ou nos parece até um acontecimento estranho se interpretarmos a fala ou a descrição ao pé da letra, mas que emana, como sempre, com os seus vastos horizontes já mais amplos, bem mais amplos que nossos, de entendimento do evangelho, consegue extrair desse versículo uma reflexão muito interessante acerca da finalidade da prece, de uma das finalidades essenciais da prece.
E esse entendimento que ele vai trazer, eu vou ler aqui a mensagem, ela vai ser um fio condutor da nossa reflexão, muitas vezes vai ser um entendimento diferente do que aquele que em geral nós temos acerca da prece, porque em geral nós temos um entendimento de que a prece quando a fazemos buscamos com ela mudar as circunstâncias que nos cercam. Em geral, quando nós oramos, nós estamos pedindo ao criador, ao Pai, a Jesus, a um benfeitor, que, digamos assim, atue nas circunstâncias da vida que me serve. Isso faz parte, é um dos objetivos, uma das finalidades da prece.
A prece, quando feita com sinceridade, com fervor, de fato impacta nas esferas superiores e convida outros seres, convida os benfeitores a secundarem aí os nossos esforços de ascensão, ajustando as circunstâncias, segundo o nosso merecimento, segundo a nossa necessidade. Faz parte isso. Quem quer ver esses desdobramentos, por exemplo, da prece na mudança, né, no na definição das circunstâncias, basta, por exemplo, ler o livro Entre a Terra e o Céu, que tem praticamente todo o seu enredo decorrente de uma prece feita no início do livro por uma criança.
A partir dessa prece feita no início do livro por uma criança, desdobram-se uma série de trabalhos e atividades dos benfeitores espirituais. amparando pessoas, ajustando as coisas, inspirando, orientando para que as circunstâncias ou para que o desfecho pudesse ser o melhor possível. Essa é uma uma das finalidades da prece, mas muitas vezes nós a consideramos a central, a principal das finalidades.
E como muitas vezes as circunstâncias não se alteram como nós gostaríamos, ficamos desacreditados da prece. Muitos ficam desalentados, abatidos, porque parece que suas preces não são ouvidas, não são atendidas. As circunstâncias, ao invés às vezes de melhorarem como esperaríamos, parecem até se tornarem ainda mais desafiadoras, mais complicadas.
Pois bem, aqui entra a outra e a mais fundamental das finalidades da prece. finalidade esta ou perspectiva esta que muitas vezes por nós não é tão assim olhada porque demanda de nossa parte mais empenho, mais aplicação. A gente vai entender a partir do versículo que ele vai que ele vai comentar.
O versículo, como diz Atos 4:31, diz assim: "E tendo orado, moveu-se o lugar em que estavam reunidos. A gente vê um versículo desse fala: "Tá, mas e daí? O que que é isso?
É uma descrição de Atos dos Apóstolos. Os discípulos estavam ali em reunião determinado momento, eles oraram e diz o evangelista, no caso Lucas, que escreve Atos, que moveu-se o lugar em que eles estavam. Uma interpretação ao pé da letra nos levaria a pensar o que que quer dizer com mover o seu lugar.
aconteceu ali algum tremor, aconteceu um transporte, algum fenômeno mediúo, algum fenômeno mediúnico, enfim, não entraremos no mérito dessa questão, porque a proposta que Emanuel vai nos ensinar a fazer isso é transcender um pouco a literalidade em busca de compreensões mais vastas, mais interessantes. uma leitura do evangelho menos voltada para a curiosidade, mais voltada para realmente algo que possa nos edificar. Se prendêsemos na literalidade, poderíamos ficar discutindo interminavelmente o que que aconteceu, o que que esse moveu seu lugar.
Mas se partirmos para uma interpretação espiritual, como ele de fato vai fazer, o entendimento se enriquece bastante. Porque essencialmente o que esse versículo está nos dizendo agora é que a partir do momento em que oramos, nós estamos mudando de lugar. Nós estamos saindo de um lugar e indo para outro lugar.
Alguém poderá pensar: "E o que tem mais nisso? " Essencial. Essencial.
Porque a gente precisa entender, embora encarnados que estamos, que nós não moramos na nossa casa, nós não moramos nesse corpo, nós não moramos nesta cidade, moramos cada um de nós no local onde projetamos o pensamento. e por local, entenda-se, não geograficamente, entenda-se em termos de sintonia. Cada um de nós mora onde projeta o sentimento e o pensamento.
É o que nos dirá Emanuel, é o que nos dirá Jesus. Cada um de nós mora na residência, na casa mental. E nesse sentido, olhando agora dessa outras perspectiva, é muito importante pensarmos diariamente em que local nós temos estado.
Em outras palavras, em que sintonia nós temos vivido. Agora, esse versículo passa a ser entendido assim: orar é recurso fundamental de mudança de sintonia, portanto, mudança de moradia, de localização mental, mesmo internamente. Se pensarmos nessa nossa casa mental, lembremos no livro No Mundo Maior, a definição que Calderar nos traz, essa casa mental constituída por três andares fundamentais: o subconsciente, o consciente e o superconsciente, aquele que está envolvido mais com o nosso passado, com as tendências inferiores, com os instintos.
O consciente, onde nós agimos, laboramos, utilizamos a vontade e o superconsciente, de onde buscamos o ideal as metas superiores. Acontece que diariamente, no cotidiano, em geral, onde estamos vivendo, em qual desses andares? Estou relendo agora o livro No Mundo Maior e vários capítulos, muitos dos capítulos, André Luiz destaca ou reserva para mostrar justamente isso, como que muitos indivíduos, pela invigilância, pelo descuidado, acabam encaminhando-se para esse último degrau, para o porão, e passando boa parte da existência, vivendo ali sem as buscas mais elevadas, sem a conexão com o mais alto, sem uma vontade fortalecida que os ajude a fazer as mudanças necessárias.
Por quê? Não tem treinado essa mudança de local, essa mudança de moradia, não tem exercitado como seria interessante o recurso da prece. Então agora a gente tá entendendo essa finalidade primordial da prece, mais do que mudar as circunstâncias que me envolvem.
tem ela a finalidade de mudar a mim mesmo? Ou como eu enxergo as circunstâncias que me envolvem? É por isso que muitas vezes decepcionamos-nos com a prece, porque esperávamos mudança de circunstâncias, mas entende o alto a sabedoria da vida?
Que as circunstâncias, aquelas que estamos passando, por mais difíceis que sejam, são justamente as de que precisamos? Então, a prece não estaria destinada a mudá-las, mas sim a nos mudar, a nos fortalecer, para que possamos lidar com elas, a preparar melhor o nosso mundo interior, o nosso terreno interior, a fim de que ali, nessa nessa moradia interna pudéssemos de fato construir em bases sólidas o edifício da nossa paz. e da nossa felicidade.
Então, a grande finalidade da prece dessa perspectiva será mais do que mudar as circunstâncias, a dor pela qual você passa, a luta, a dificuldade mudar a você mesmo, fazendo-lhe enxergar isso, essa dificuldade de uma perspectiva mais elevada e, portanto, entender a riqueza que ela lhe traz, a oportunidade que ela lhe traz. dar-te força, coragem, paciência, resignação, a fim de passar por essa experiência entesourando toda a riqueza espiritual que ela lhe tem a dar, porque caso contrário, não chegaria a sua vida. Como diz Emanuel no livro Ceifa de Luz, Deus não nos envia problemas de que não estejamos necessitados.
Se aquele problema chegou, alguma necessidade, ele vem atender. Ou de despertamento, ou de mudança, ou de reajuste de rota e de caminho. E a prece vem nos ajudar a entender isso e a lidar com isso.
Então, dessa perspectiva da mudança do indivíduo, quando feita com sinceridade, quando feita com confiança, com real disposição de avançar e progredir espiritualmente, a prece atendida. No que diz respeito à mudança de circunstâncias, nem sempre. No entanto, no que diz respeito ao auxílio a ti mesmo, sempre.
Como dirá Kardec no capítulo 27 de O Evangelho Segundo o Espiritismo, é isso que sempre lhe será concedido. A prece que tem 100% de eficácia de retorno é aquela na qual o indivíduo pede. Ele põe três coisas: coragem, paciência e resignação.
É isso que tá descrito aqui. E tendo orado, move-se o lugar em que estavam. Ao orar, o que você está fazendo internamente, na verdade, é esse movimento por deixar o lugar em que está, muitas vezes de pessimismo, de desesperança, de revolta, de abatimento e elevar-se a um novo patamar de esperança, de coragem, de força e de entendimento para agradecer pela experiência e conseguir superar, seja ela qual for.
É isso que Emanuel vai descrever sinteticamente nesse texto. Resumindo, a partir desse simples versículo, ele começa dizendo assim: "Na construção de simples casa de pedra, há que despender longo esforço para ajustar um ambiente próprio, removendo óbses, eliminando asperezas e melhorando a paisagem. Quando não, perdão, quando não é necessário acertar o solo rugoso, é preciso muitas vezes aterrar o chão, formando leito seguro à base forte.
Uma analogia, pensemos construir uma casa, um edifício, é preciso tirar todos os obstáculos que poderão prejudicar a construção e a estabilidade difícil. Deixar a base segura, deixar a base consolidada, a fim de que ele possa ali ser construído e seja duradouro, seja estável. Instrumentos variados movimentam-se metódicos no trabalho renovador.
O mesmo, dirá ele, se aplica agora às questões de ordem espiritual. na edificação da paz doméstica, na realização dos ideais generosos, no desdobramento de serviços edificantes, urge providenciar recursos ao entendimento geral, com vistas à cooperação, à responsabilidade e ao processo de ação imprescindível. E sem dúvida, a prece representa indispensável alavanca renovadora, demovendo obstáculos no terreno duro da incompreensão, terreno duro da nossa incompreensão com relação à circunstância, com relação à vontade justa e amorosa do Pai que nos envolve a cada passo.
Removendo-se esses obices, o terreno fica mais limpo para a construção de uma paz. duradoura, de uma felicidade que seja perene. A oração é divina voz do espírito no grande silêncio.
Então, esse é uma das características, digamos assim, fundamentais da prece, para as quais queríamos aqui despertar os nossos corações. entendimento de que a sua grande finalidade não será tanto mudar algo fora de nós, mas especialmente algo dentro de nós. Se assim pensarmos o quanto não estarmos mais, digamos assim, confiantes e conscientes dessa força, desse poder da oração, o quanto ela não seria algo mais natural, entendendo-nos, entendendo agora que o que realmente precisa mudar diante de cada circunstância da vida sou eu, como buscaria mais esse recurso da prece a fim de me sintonizar com a vontade, com a orientação do Pai para que soubesse como melhor proceder, para que tivesse força para melhor proceder.
É isso que Jesus vai dizer, por exemplo, ao Simão Pedro no capítulo 18 do livro Boa Nova. Eles estão falando sobre prece, né? O capítulo 18 é chamado oração dominical, onde Jesus apresenta a prece do Pai Nosso.
E Jesus fala da prece como esse recurso, digamos assim, de comunhão, de conexão permanente com o Criador. E diz que ela deve ser cultivada de tal modo que ela se torne algo natural em nossa vida, como respirar. Algo tão natural como respirar.
Porque se orar, mais do que colocar-se de determinada maneira ou falar alguma coisa, é pensar em Deus, é em cada passo instante da vida, em cada circunstância agradecer a Deus e nos conectarmos a ele para melhor agir. Se orar é isto, de fato, podemos tornar isso algo tão natural caminhada como respirar. Mas em determinado momento, Simão Pedro chega para Jesus e fala assim: "Olha, eu tenho tentado manter essa conexão aí, mas eu tô meio desiludido com as minhas preces, não tá dando muito certo.
" E Jesus então volta-se a ele e pergunta: "Mas o que você tem pedido, Simão? O que que você tem pedido a ele? " E Simão diz assim: "Eu tenho pedido que a sua bondade aplhe os meus caminhos, me ajudando na solução de algumas questões materiais.
Veja o entendimento de Simão. Ainda estava mais fixado na ideia de que a prece esse recurso de mudança das circunstâncias e não de si mesmo. Jesus olhou para ele com aquele olhar bondoso, paciente, percebeu o quanto ainda faltava em termos de compreensão, mas mansamente, como bom educador que era, disse, perdão, perdão, disse, enquanto a gente faz, enquanto orares ao pai Simão, pedindo que ele lhe atenda os desejos e os caprichos, muito provavelmente deixarás a a prece desalentado.
e desiludido, inquieto. A partir do momento, no entanto, que passar esse irmão a orar ao Pai, rogando que ele lhe ajude a entender a sua vontade justa e sábia a teu respeito, então receberás da mesma prece os bens divinos do consolo e da paz. Ou seja, abrir-me ao Criador, mostrando-me as minhas limitações e pedindo, reconhecendo ser ele a justiça soberana e a perfeita bondade, o infinito amor.
Senhor, me ajuda a entender qual a proposta aqui. Mais do que falar a Deus, Senhor, faça isso pelo fulano. Nostra isso por mim, pelo cicano, me ajude nessa questão.
Resolva assim ou assado. Como nós iremos saber o que é melhor para nós ou para o outro? E se para o outro melhor for aquela experiência?
Mas vale, portanto, pedir e dizer ao criador: "Ajude-o a passar pela experiência. Ajude-o a entender o que essa experiência que ela ensinar, como também a mim mesmo, porque quando ela tiver de passar, ela vai passar. Não somos nós quem vai definir isso, que possamos, portanto, ajudar o indivíduo a se ajudar, a se abrir também ao entendimento divino e nós também, que antes de querer definir o que ele deve fazer, possamos nós compreender.
Somos criaturas, não somos autossuficientes. Precisamos dele, da sua orientação. Até mesmo Cristorou pedindo ao criador orientação, que dirá nós, nós outros espíritos ainda pequeninos.
Aprece esse reconhecimento de que somos criaturas, não somos autosuficientes, não estamos ou não detemos a posição nem o poder do criador. Então esse é um recurso fundamental, um entendimento fundamental acerca da prece, porque nesse processo de abertura, de reconhecimento de que a grande mudança ser feita mais do que fora é em mim, a prece passa a ser também ou converte-se também, e essa outra característica que gostaríamos de ressaltar, converte-se também num recurso de autoconhecimento. Eu passo a me conhecer melhor.
E aí me recordo da questão 660 de O Livro dos Espíritos, quando Kardec pergunta aos benfeitores espirituais: "A prece torna melhor o homem? " E eles respondem. Essa questão, ela tem duas partes, tem a 660 e a 660.
Na primeira parte, os espíritos dizem assim: "Sim, porque aquele que ora com confiança e com fervor se torna mais forte para vencer as tentações. " Ou seja, recebendo, incorporando esses recursos do alto nesse movimento de busca de transformação interior, ele se fortalece, ele se torna mais consciente quanto ao que ele compete fazer e não fazer também. Porque eles acrescentam e envia a ele espíritos benfeitores que o irão auxiliar.
Este é um recurso que jamais lhe é negado. Veja só, jamais é negado. Não importa em que condição o espírito esteja, não importa o quão baixo tenha descido.
Quando faz o movimento sincero, entendendo que é ele quem precisa mudar, o recurso não é negado nunca. Querem ver um exemplo? Quem lembra de André Luiz no livro nosso lar?
por 8 anos esteve naquela condição, mas ainda não aceitando, digamos assim, minimamente que teria se equivocado, que precisaria fazer algo diferente, que precisaria adotar uma postura diferente por 8 anos revoltado, com aquela incompreensão, com aquela postura de fechamento e passando por aquelas dores, aquelas dificuldades, embora fosse visitado quase que diariamente ente pela sua mãe e pelo benfeitor Clarenço. A partir do momento em que, sinceramente, entende ele, a necessidade de alguma mudança, de alguma postura diferente, faz uma prece, eis que logo percebe a presença de Clarência ao seu lado. Então, recurso que não é jamais negado à aqueles que o buscam com sinceridade, com disposição de mudança.
Mas o mais interessante é a questão seguinte, 660A. Caddec pergunta: "Pois bem, mas se a prece se torna melhor o homem, como é que se explica que existam aqueles ou muitos que oram tanto, mas que permanecem invejosos, egoístas, ciosos e etc, etc, etc? " E os espíritos, então, dizem: "O essencial não é orar muito, mas orar bem.
" Não é orar muito, mas orar bem. Esses que assim o fazem, fazem da prece uma ocupação, fazem dela um gasto do tempo, mas não um instrumento de estudo de si mesmos. E aqui está o ponto interessante que gostaríamos de destacar.
Vejam que os espíritos disseram: "Não fazem da prece um recurso de estudo de si mesmos. Orar é também mergulhar dentro de nós, nos conhecermos, nos inteirarmos do que somos e do que precisamos mudar, das raízes, das aflições que em sua maioria estão aqui dentro em nós, ao nosso alcance, dependendo apenas de nós de serem extraídas ou removidas, mas que muitas vezes não são olhadas, não são percebidas. Por quê?
Porque não fazemos da prece esse recurso de estudo de nós mesmos. Falta o cultivo dessa prece que seja realmente um mergulho interior, uma meditação, uma conexão mais profunda com o meu ser. Porque pra gente ver o que realmente vai em nós nessa confusão de emoções e de sentimentos que todos trazemos, pra gente ver o que realmente aí está, a gente precisa, tenho dito, decantar.
Alguém já viu um copo? Você põe lá um monte de coisa diferente. Põe terra, põe areia, põe um monte de coisa, mexe aquilo tudo, aquilo fica tudo misturado.
Como é que você faz quando você quer se separar de novo e ver cada uma das fases? É um ensinamento aí ensino fundamental. Muitas vezes a gente usa um processo chamado decantação.
Que que você faz? Você deixa ele parado. Quando ele vai parando, o que é mais denso vai indo pro fundo.
O que é um pouco menos denso acima. Você vai separando as fases. E aí você vai discernindo tudo que estava ali dentro, que antes parecia um bolo, uma mistura, uma bagunça só.
Esse é o momento da prece. É o momento de acerenar, de acalmar e perceber o que que vai no seu coração para que então você possa atuar. Porque às vezes sequer sabemos as emoções que nos têm conduzido.
Somos por elas conduzidos como robôs, como autôm da nossa existência. Por quê? Porque não paramos para separar, para discernir, para decantar.
É isso que a prece irá fazer. Por isso, ao descrever a prece também em Mateus capítulo 6, Jesus vai dizer: "Quando fores orar, entra no teu quarto e fecha a porta, lembrando a moradia, não a moradia exterior. Entra no teu quarto mais íntimo de ti mesmo e fecha a porta.
" Ou seja, desconecta um pouco do mundo, desconecta um pouco das circunstâncias. esteja você com você mesmo. Mas nós vivemos num mundo que quase que instantaneamente, continuamente, nos incita, nos impulsiona a não parar.
Tem que estar sempre fazendo uma coisa. E o que a gente tem visto? Corações que não conseguem ficar consigo mesmos por 5 minutos.
Tem que ligar uma TV, tem que ligar um rádio, tem que pôr uma música, tem que pôr isso, aquilo, outro. Por quê? Se ele parar, ele sente que ele vai ver toda a bagunça que tá girando ali dentro.
Mas a questão é sem parar, sem ter esse momento para decantar, para discernir, para olhar o que somos, não há paz, não há equilíbrio possíveis. Então é isso que é também orar em definição do Cristo, como também dos bons espíritos, parar, acerenar e mergulhar em nós mesmos. conhecermos a nós mesmos, porque então a gente vai estar mais apto para atuar, para agir.
A gente vai entender melhor o que que tá gerando a dor, o que que tá gerando o sofrimento, que muitas vezes não é a circunstância em si que causa a dor ou sofrimento maior, mas sim justamente a emoção com que a recebo, a emoção que vinculei a ela. Quando eu enxergo isso, eu posso mudar. Eu posso mudar uma experiência de enfermidade que estava antes associada à revolta vai aos poucos se convertendo graças a esse processo da prece em uma experiência associada à resignação.
Um hábito comum, por exemplo, nos acontecimentos do dia a dia, na vida cotidiana, no trabalho, no trânsito, associado, por exemplo, à emoção da inquietação, da angústia, da revolta. Na convivência diária, o hábito de reclamar, por exemplo, vai aos poucos sendo mudado, transformado. E as relações, as circunstâncias adversas, vou tomando-as com outro sentimento, com aquele sentimento de gratidão pela oportunidade de aprendizado.
Tudo isso vai sendo feito nesse processo da prece, do autoconhecimento que ela nos proporciona. Ela vai então ajustando, orientando melhor a nossa ação. E esse é outro aspecto importante que queríamos ressaltar.
Já falamos da prece como esse recurso de transformação interior, mudando principalmente a nós do que as circunstâncias. esse recurso de autoconhecimento interior. E tendo isso, tendo o combustível que nos chega, a força extra que nos chega pela prece e conhecendo-nos melhor, podemos agora agir melhor e fazer o que precisa ser feito, porque a prece, a oração trazem seu próprio nome ou tem um compromisso firme, intrínseco com a ação.
É por isso que ação aparece dentro de oração, como a dizer que é preciso que da oração saia também ação. Ação modificada, ação renovada. São duas coisas que se complementam na nossa jornada.
A oração surge como reabastecimento, como tomada de força para que a ação se faça mais proveitosa, mais edificante, mais libertadora. Emanuel vai comentar, ele tem uma mensagem chamada eh ação e oração, que está no livro Rumo Certo, capítulo 42, em que ele vai dizer assim: "Pela oração, a criatura dirige-se mais intensamente ao criador, procurando-lhe apoio e bênção. E através da ação, o criador se faz mais presente na criatura, agindo nela, com ela e em favor dela.
Então, veja que é um ciclo que se fecha. É a união dessas duas variáveis, desses dois elementos que quando unidos geram o progresso e a iluminação, a providência, o amparo divino e o esforço, a busca humana. A evolução é o resultado disso.
Quando há a busca humana aliada sempre à providência, ao amparo divino, daí nasce progresso, daí nasce luz. Então a oração é a busca humana, de modo mais sublime, a alma que anseia por respirar em novos patamares, novos horizontes de vida. E nunca nos falta o recurso do alto sustentando-nos na ação.
Mas esse recurso do alto, a inspiração divina precisa se concretizar em nossos passos. Caso contrário, a oração será apenas formada por palavras. Então esse é um outro aspecto importante, conjugar a oração, sempre a ação, o esforço por fazer diferente, por mudar.
por me harmonizar um pouco mais com a vontade divina, por acolher essa orientação divina e me dispor agora a materializá-la na minha vida. Aí, aos poucos, a gente vai vendo a prece de fato, alcançando a finalidade para a qual ela existe, nos impulsionar no progresso e ajudar-nos a estabelecer bases mais sólidas para a nossa felicidade e para a nossa paz. Seguindo aqui no texto, Emanuel vai dizer assim mais adiante, né?
Muitas vezes, nas lutas dos discípulos sinceros do Evangelho, a maioria dos afeiçoados não lhe entende os propósitos. Os amigos desertam, os familiares cedem a sombra e a ignorância. Entretanto, basta que ele se refugie no santuário da própria vida, emitindo as energias benéficas do amor e da compreensão, para que se mova, na direção do mais alto, o lugar em que se demora com os seus.
A prece tecida de inquietação e angústia não pode distanciar-se dos gritos desordenados de quem prefere aflição e se entrega à imprudência. Então, aquela prece feita nesse clima de revolta, de fechamento a mudança e a renovação, não atinge as suas finalidades. Mas a oração tecida de harmonia e confiança é força, imprimindo direção à búsola da fé viva.
Olha só, a prece orienta novamente a nossa bússola da fé no sentido que devemos percorrer, recompondo a paisagem em que vivemos e traçando rumos novos para a vida superior. Poderemos dizer, a prece aclara os caminhos e os horizontes, mas agora daí por diante compete a nós caminhar, compete a nós avançar, a fim de que a prece alcance efetivamente a sua finalidade. E estamos todos nós caminhando na medida em que nos dispomos realmente a sintonizar com o Criador, alinhar a nossa vontade com a dele.
Estamos caminhando, dirá Jesus, para um momento em que as nossas preces, todas elas serão integralmente atendidas. Dirá o mestre no Evangelho de João, capítulo 15, versículo 7. Se permanecerdes em mim e as minhas palavras estiverem em vós, tudo quanto pedirdes vos será concedido.
Emanuel pega esse versículo, vai comentar esse versículo no livro Pão Nosso, capítulo 59, intitulado sigamos até lá, como a dizer que é esse o horizonte que buscamos. E ele então comentando esse versículo, diz: "Alcançaremos um dia, cada um de nós individualmente, como também todos nós coletivamente, a condição das preces integralmente atendidas. " Porque é o que Jesus disse, chegará um dia em que tudo que for pedido será concedido, mas ele põe um condicionante.
E o condicionante faz toda a diferença. Ele diz: "Se estiverdes em mim e as minhas palavras estiverem em vós". Parece simples, mas esse é, em síntese o objetivo que todos estamos buscando no evangelho, fazer com que Cristo vive em nós, como nós nele.
É isso que Emanu irá dizer. Alcançaremos esse estado quando? quando vivermos espiritualmente em Cristo, porque então teremos alcançado a justa finalidade ou a justa, o justo objetivo, a justa característica de cada de cada coisa e de cada acontecimento, de cada circunstância.
Nós vamos ter, quando chegarmos a essa condição, tivermos perfeitamente integrado o nosso coração, a nossa mente, aos ensinos do Cristo e, portanto, à comunhão com o Criador, passaremos nós a entender cada circunstância, cada coisa e cada pessoa no seu devido lugar, no seu devido tempo, da maneira mais justa e mais sábia. Então, não mais pediremos, por exemplo, que aquela circunstância que antes julgava ser um problema seja afastada, porque agora já sei que ela é solução. Não mais pedirei que aquela dor que antes julgava algo extremamente lamentável, do qual tinha que reclamar ou me lamentar, não mais pedirei que se afaste, porque enxergarei nela, se me visitou, a companheira amiga que me veio despertar para alguma coisa que eu não estava olhando.
Na medida em que vamos crescendo, vamos subindo, enxergando as coisas de mais alto. E aquilo que vale não enxergávamos lá de cima, passamos a enxergar. E tudo como que começa a se explicar.
O caminho que parecia sem saída quando enxergado do vale, quando subimos lá em cima, na verdade apontava ou dava saída para uma planície vasta, bela, grandiosa, se soubéssemos apenas perseverar um pouco mais. É isso que a prece vai fazendo conosco. E é isso que é, por exemplo, em nossos dias tão essencial, o esforço de nossa parte por cultivarmos isso e estarmos conectados a essas perspectivas mais elevadas, a fim de que consigamos, apesar das lutas, manter sempre a esperança, a confiança, seja no vale, seja onde for, como diz o Salmo 23, ainda que passe pelo vale da sombra e da morte, não temerei mal algum, porque Há uma providência que vela por nós.
O que nos falta apenas é entender e mais do que isso, sentir aonde ela quer nos conduzir com aquelas experiências. É por isso que Jesus, por exemplo, no seu sermão profético, Mateus 24, quando vai falar dos tempos da transição, que agora a gente vive, vai falar das dificuldades desses tempos da transição, então em determinado momento, ele vai dizer assim: "Então, os que estiverem na Judeia fujam para os montes. " A gente fica pensando, não estamos na Judeia e não estamos perto de um monte.
O que que Jesus quis dizer com isso? Mais uma vez, é Manuel quem vem em nosso auxílio. Ao comentar esse versículo, ele diz: "Por Judeia, entendam-se aqueles que já estão na região espiritual de busca do discipulado com Jesus.
Os que estão na Judeia são aqueles que já de algum modo estão buscando seguir os passos do mestre, as suas lições. Pois bem, Jesus estava orientando a esses, os seus discípulos do futuro, nós que nesses momentos de transição, de dificuldade, em que as sombras aumentam o pessimismo, a desesperança, nós fizéssemos o quê? subíssemos aos montes como pelas vias da oração, pelas vias do trabalho no bem, dessa oração cultivada, dessa oração sincera feita no mais íntimo de mim mesmo lá nesse quarto interior.
São essas as características da prece, agora muito enriquecida em sua dimensão e em sua finalidade, graças à luz que o Espiritismo nos traz. alavanca fundamental do nosso progresso, que deve ser por nós cultivada com tamanha importância, importância similar até a respiração do corpo. Seria a prece, a respiração da alma que nos dá vigor, que nos dá orientação, que nos dá norte também para agir, juntando aí oração e ação que impulsionam o nosso progredir.
A feliz definição de André Luiz no livro Mecanismo da Mediunidade, capítulo 25, com a qual encerro a nossa reflexão nessa noite. Orar é o recurso mais fundamental para a renovação íntima, pela qual o divino entendimento desce do coração da vida para a vida do coração. que possamos nós todos buscar esse divino entendimento que flui incessantemente envolvendo a todos nós do coração da vida e que possamos albergá-los na vida do nosso coração, abrindo novos horizontes de luz e de realização.
Muita paz a todos. Que Jesus nos inspire sempre. É.