Olá, pessoal! Tudo bem? Estamos aqui, então, dando continuidade às nossas meditações quaresmais.
Hoje nós teremos a nossa segunda meditação a partir do livro "A Arte de Aproveitar as Próprias Faltas", de José Tissot. Hoje, eu gostaria de fazer algumas observações em relação ao capítulo que tem como título "Justamente não nos perturbem com os nossos defeitos". Mas, antes de eu fazer aqui a meditação, gostaria de te pedir que nos ajudasse na divulgação do canal: se inscreva, se ainda não se inscreveu; compartilhe esse vídeo depois; se gostou, deixa o seu comentário ou a sua observação.
Isso, para nós, é muito importante. Ora, na Quaresma, nós de fato temos essa oportunidade e, ao mesmo tempo, esse convite da parte da Igreja, para que nós paremos um pouco, rezemos um pouco mais e meditemos realmente sobre a nossa vida, a nossa caminhada. Como está a nossa relação com Deus?
José Tissot mostra que, quando nós realmente ficamos profundamente perturbados com os nossos pecados, com os nossos defeitos, com as nossas faltas, isso pode se tornar um grande problema. Ora, baseado em que, e a partir do pensamento de São Francisco de Sales, por que podemos dizer que a perturbação atrapalha mais do que ajuda? Bom, nesse capítulo, nosso autor mostra que o arrependimento, quando nós nos arrependemos, como temos o ato de arrepender do próprio pecado, do próprio erro, da própria falta, está sempre vinculado a algum tipo de tristeza.
Ou seja, ao nos arrependermos, sempre vai brotar no nosso interior algum tipo de tristeza. Porém, existe uma tristeza boa e existe uma tristeza má; isso vai depender justamente dos efeitos que a tristeza produz em nós. Então, pelos efeitos, é que nós temos condições de classificar se uma tristeza é boa ou má.
Se os efeitos são bons, ou seja, se os efeitos são a misericórdia e a penitência, se nós temos ali um pesar pelo mal dos outros, vivenciado pelos outros, e mesmo não só pelo mal que eles sofreram, mas também pelo que eles fizeram, então nós temos um pesar por aquilo: como alguém pode fazer tal coisa? Então, é misericórdia nesse sentido e penitência no sentido de sentir uma dor profunda de ter ofendido a Deus. Esses dois efeitos são bons e implicam a presença de uma serenidade, de uma calma; aí nós temos uma tristeza boa.
Porém, na maioria das vezes, segundo nosso autor, o que se manifesta de fato e vem junto com nosso arrependimento é uma tristeza má. Por quê? Porque os efeitos que aparecem são o medo, a preguiça, a indignação, o ciúme, a inveja e a ciência.
Ou seja, tudo isso vinculado e seguido de uma profunda perturbação da alma. Portanto, o demônio sempre tenta produzir em nós esse arrependimento com a presença desse tipo de tristeza, dessa má tristeza, com esses efeitos profundamente inadequados. Então, nós precisamos de fato pensar nisso.
Precisamos ter muito cuidado, realmente, quando caímos e vemos ali os nossos defeitos, imperfeições. Nós precisamos não ficar perturbados, precisamos ter um arrependimento profundo com uma tristeza boa e verdadeira, que pressupõe a serenidade, a tranquilidade perante os próprios defeitos, quedas e pecados. Ora, mas além disso, o que mostra que uma alma realmente está perturbada após uma queda é justamente o fato dela querer se curar de qualquer forma, e portanto esse curar-se com despeito e com impaciência.
Ou seja, infelizmente, às vezes, a inquietude, a pressa em querer tirar esses defeitos de si mesma nos dominam, e essa inquietude, essa pressa, é um grande problema. Porque, ao mesmo tempo que estamos ali profundamente inquietos, irritados, e queremos tirar esses defeitos e pecados o mais rápido possível da nossa alma, nós vamos afrouxando; vamos ficando largados no sentido espiritual. Não confiamos, muitas vezes, mais no poder da oração e nos aproximamos dos sacramentos com receio, com medo.
Enfim, a falta de calma, a falta de tranquilidade, a perturbação, no fundo, é a causa disso, segundo São Francisco de Sales. Ou seja, na medida em que vamos ficando sem tranquilidade, sem calma, sem serenidade, a perturbação nos leva muitas vezes a cair no relaxo espiritual, no afrouxamento espiritual, desconfiando da oração, tendo receio de se aproximar dos sacramentos e não de fato a uma verdadeira conversão. Por isso, nós precisamos ter uma paciência profunda com as nossas imperfeições.
Ou seja, esse enfrentar as nossas imperfeições e pecados, que nos leva muitas vezes a quedas, deve ser feito com a devida serenidade, com uma constância conduzida por uma serenidade. No texto, ele dá o exemplo dos pássaros que ficam presos numa rede. O pássaro está voando, de repente cai numa rede, e quanto mais ele se debate, agitado, mais ele vai ficando aprisionado na rede.
Então, nós precisamos aprender na nossa vida, segundo São Francisco de Sales, a sofrer com paciência a lentidão dos nossos progressos. Sofrer com paciência a lentidão, muitas vezes, da nossa santidade. Ou seja, nós, quando caímos, vemos por um lado o pouco que progredimos ou o pouco que fizemos.
Sim, mas nós não podemos nos inquietar, ficar profundamente perturbados pelo pouco que fizemos. Se você viu que se esforçou pouco, fez pouco, não fez a sua parte, tá bom, isso já foi. Então, com a devida serenidade, tome uma decisão de tentar dar mais, de tentar fazer melhor, de tentar se esforçar um pouco mais.
Esse é o caminho. Certeza é justo nós ficarmos tristes pelos erros cometidos. É justo ficarmos tristes de uma certa maneira pelas nossas quedas.
Mas tudo isso, né? Ou seja, ficar triste com a sua queda é justo, mas desde que isso seja acompanhado com a devida serenidade, tranquilidade e constância de continuar lutando, e nunca agitado, inquieto, né? Ou seja, precisamos ter essa serenidade nas quedas, porque é isso que vai também nos ajudar a suportar os nossos próprios defeitos.
Mas veja que, no texto, nesse capítulo, o autor deixa bem claro que esse suportar, né? Essa coisa de ter ali a paciência com as imperfeições, suportar os próprios defeitos, né? Os próprios vícios e dificuldades que nos leva tantas vezes a ofender a Deus, esse suportar os próprios defeitos deve vir acompanhado de uma devida aflição.
Então, suportar os meus defeitos não quer dizer que eu vou ter um certo tipo de aflição e de dor em relação a eles; mas essa aflição, ela deve ser tranquila, ela deve ser corajosa, mas tranquila. Ou seja, nós não podemos ficar perturbados porque eu caí. Em um tipo de perturbação, eu não posso ficar abalado porque eu tive um tipo de abalo.
Eu não posso ficar profundamente inquieto e nervoso porque eu tive uma queda de inquietude e de nervosismo. Então, mesmo quando eu caio, mesmo quando eu tenho ficado perturbado, abalado, inquieto, nervoso, eu não devo me perturbar, me abalar, me inquietar ou me enervar porque eu caí nesses erros e pecados. Então, suportar o próprio defeito não é concordar com ele; é sim ter um certo arrependimento e tristeza, aflição, mas com tranquilidade e com coragem de levantar e continuar enfrentando tudo isso, né?
Ou seja, devemos tomar muito cuidado, segundo o nosso autor, com a falsa humildade e os efeitos que a falsa humildade procura gerar na nossa vida. J. S.
disse que São Francisco de Sales se preocupava muito com isso. Ele se preocupava em como combater essa inquietação funesta que muitas vezes toma conta do nosso coração. E, para combater essa inquietação funesta, você precisa saber a causa; é preciso saber o que me leva, de fato, a essa inquietação, né?
Que passa, mas que produz tantos problemas, né? E, segundo ele, a verdadeira e única causa de tudo isso é o amor próprio; é o amor próprio desordenado, exagerado. Ou seja, o amor próprio justamente está onde busca-se apenas a si mesmo, por si mesmo, né?
É aí que ele está. Portanto, esse amor próprio pode nos levar a uma falsa humildade e não a uma verdadeira humildade. Ou seja, na verdadeira humildade, você tem a experiência da tristeza, mas sem perturbação, sem inquietação; mas sim até um certo consolo que se manifesta ali.
E, na falsa humildade, ali não há espaço, não há luz para bem algum; ao contrário, é uma aridez que vai me dominando, é um obscurecimento do espírito que vai tomando conta. Eu vou perdendo o discernimento sobre as coisas e, no fundo, tudo isso é resultado de algum tipo de orgulho enrustido que está no meu coração. Ele lembra, no texto, que existem dois tipos de orgulho: um orgulho mais simples, mais comum, que é aquele em que você vive contente de si mesmo.
Você está contente de si no sentido, né, de que você está satisfeito com você mesmo; uma autossatisfação. E é lógico que isso é um problema, mas ele diz que isso é um problema menor. Mas existe um segundo tipo de orgulho, que é aquele onde você está descontente de si.
Por quê? Porque você esperava muito de si mesmo e se vê frustrado nas suas esperanças. Ou seja, você tem, muitas vezes, um conceito muito elevado de você, uma avaliação muito exagerada da sua excelência, e, portanto, você está descontente de si porque você esperava muito de si mesmo e se vê frustrado nessa situação, né?
Então, cuidado, porque muitas vezes, no fundo, essa falsa piedade, essa falsa humildade é um travestimento de um orgulho sutil e enrustido, né? De um descontentamento de si, fruto de uma espera exagerada em relação a si mesmo, né? Ou seja, o desassossego, a perturbação, no fundo, são resultados e consequências do amor próprio.
Isso é um grande problema: o amor próprio é um grande problema. Por quê? Porque esse amor próprio, muitas vezes, ele vem disfarçado com a máscara da humildade, né?
Aqueles diversos pesares que nós temos em relação a nós mesmos. Toma muito cuidado com isso, porque às vezes isso parece humildade, mas não é; é um amor próprio disfarçado, mascarado, né? Ou seja, o amor próprio disfarçado, ele se perturba, né?
Ele se inquieta ao vermos que nós não somos tão perfeitos como nós achávamos que éramos, né? Ou seja, essa estima exagerada por nós mesmos é que causa, muitas vezes, essa impaciência, essa inquietação, justamente devido a esse conceito elevado que nós temos de nós mesmos, esse exagero, né? Portanto, na medida em que nós vamos tomando consciência disso, tudo, né?
Que domina o nosso interior, nós precisamos, é lógico, lutar contra nossas quedas e pecados. Precisamos nos corrigir, mas devemos nos corrigir com calma, com mansidão. Ou seja, segundo São Francisco de Sales, qual é, de fato, o verdadeiro caminho contra as agitações e ansiedades causadas pelo amor próprio?
O amor próprio provoca essas agitações e ansiedades. O caminho para combater isso é a mansidão, é a tranquilidade. E ele dá exemplos muito concretos no texto, né?
Ou seja, ele dá o exemplo do juiz. Quando o juiz profere uma sentença, quando um juiz condena alguém, quando o juiz faz isso dominado com um monte de paixões, de maneira violenta, né? Impaciente, como as pessoas recebem isso.
Mas quando um juiz corrige ou castiga alguém de maneira firme, mas tranquila, serena, o resultado é a recepção. Outra, da mesma forma, um pai, quando repreende o seu filho com irritação, com violência, o resultado é um. Mas, quando o pai repreende o filho e corrige o filho com serenidade, com tranquilidade, é outra.
Então, veja que tudo isso mostra que, por um lado, é preciso ter um desgosto e discordância com as nossas faltas, com as nossas quedas, mas, de maneira pacífica, tranquila, firme, mais serena. E por que tudo isso? Ele mostra que, do ponto de vista de São Francisco de Sales, a perturbação atrapalha; ela só dificulta a renúncia e a superação do pecado.
Uma coisa é você ficar aflito e se doer com o seu pecado porque ofendeu a Deus com tranquilidade e serenidade; outra coisa é você se doer com perturbação, translocado. Essa perturbação, intranquilidade, impaciência, agitação só faz com que você perca o discernimento e clareza das coisas, e tenha cada vez mais dificuldade de se afastar do pecado, de evitá-lo. Isso não quer dizer, porque essa é a tentação que sempre vem na nossa cabeça, que, se a gente não ficar perturbado, agitado, intranquilo, parece que está aceitando o pecado, se acomodando a ele ou adormecendo ao pecado.
E José Fti diz: veja, preste atenção em todos esses textos que eu citei aqui de São Francisco de Sales: em nenhum momento ele está sugerindo que você se odeie ao pecado, que você se submeta ou adormeça no pecado. Isso não é possível! Como é que você vai dormir com uma serpente, com um inimigo?
O que ele está dizendo é: mesmo perante suas quedas e faltas, mesmo perante suas aflições, tenha tranquilidade; tenha serenidade. A serenidade e a tranquilidade não quer dizer acomodar-se ou concordar ou adormecer no pecado, não lutar mais. Não se render.
A tranquilidade é para facilitar a renúncia. O sossego da alma, a serenidade, é para ajudar nisso. E ele mostra como São Francisco de Sales não só deu esses conselhos, mas ele viveu, ele praticou.
Ele também tinha as suas dificuldades e lutas, mas São Francisco deixa bem claro: perante o pecado, perante a queda, perante a falta, não deixe a intranquilidade, a perturbação, a agitação tomarem conta da sua alma, porque isso só vai gerar mais dificuldades ainda, vai gerar todos esses pontos que ele colocou aqui. Então, que durante essa semana você possa meditar, refletir e pedir a Deus a graça de ter uma tranquilidade de alma, de não deixar a perturbação e as agitações tomarem conta do seu coração. Se toda vez que você pecar e cair, tiver uma falta grave ou leve, você ficar perturbado, agitado, intranquilo, isso só vai gerar todos esses problemas que ele colocou aqui, e você vai ter uma dificuldade muito maior.
Então, é a serenidade e a tranquilidade que nós temos que ter perante o pecado e as faltas: ter a serenidade e a tranquilidade de se levantar, reconhecer que errou e redobrar a confiança na misericórdia, na bondade de Deus, na graça de Deus e continuar lutando, mas com serenidade, continuando a reconhecer as suas misérias e pedindo perdão a Deus com serenidade. É assim que nós vencemos, muitas vezes, o mal e as imperfeições. Forte abraço!
Que Deus abençoe! Continue tendo uma santa Quaresma. Deixa aí seu 'curtida', seu comentário, compartilhe o vídeo, nos ajude, e vai meditando.
Que Deus te abençoe. Tchau tchau, até semana que vem, se Deus quiser!